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  • Preços do gás na Europa sobem após Putin sugerir corte no fornecimento

    Preços do gás na Europa sobem após Putin sugerir corte no fornecimento

    Cotações avançam até 8,3% após fala; porta-voz russo diz que governo se reunirá em breve para tratar do tema Preço do carvão dispara com interrupção do fornecimento no estreito de Hormuz

    (FOLHAPRESS) Os preços de referência do gás no atacado na Holanda e no Reino Unido sobem na manhã desta quinta-feira (5), depois que o presidente Vladimir Putin alertou que a Rússia poderia interromper seus fluxos remanescentes de gás para a Europa.

    A declaração aumentou as preocupações de abastecimento do continente após a QatarEnergy anunciar força maior em embarques de GNL (gás natural liquefeito). A força maior é um dispositivo que isenta a empresa de responsabilidades por falhas no fornecimento.

    O contrato holandês de primeiro mês, preço de referência para a Europa, subiu 2% para 49 euros por megawatt-hora às 09h28, após ter avançado 8,3% para 52,80 euros/MWh mais cedo na sessão.

    O contrato britânico de abril, que subiu 7,2% mais cedo na sessão, era negociado em alta de 2,1% a 129,5 libras, segundo dados da ICE.

    Questionado pela televisão estatal russa sobre os planos europeus de proibir às importações de gás russo por gasoduto até o final de 2027 e de banir novos contratos de GNL russo a partir do final de abril de 2026, Putin disse que pode ser mais vantajoso para a Rússia parar de vender o gás agora mesmo.

    Putin disse, de acordo com uma transcrição divulgada pelo Kremlin, que com outros mercados se abrindo “talvez seja mais lucrativo parar de fornecer ao mercado europeu agora mesmo”.

    Segundo o vice-primeiro-ministro Alexander Novak, o governo russo se reunirá em breve para discutir a interrupção das exportações de gás para a Europa.

    “Nos reuniremos em breve, conforme instruído pelo presidente, para discutir a situação atual com as empresas de energia e possíveis rotas de transporte para nossos suprimentos energéticos”, disse Novak, que é o homem de confiança de Putin para questões energéticas, a repórteres nesta quinta.

    A Rússia costumava fornecer cerca de 40% do gás por gasoduto da UE (União Europeia). No ano passado, forneceu apenas 6%, segundo dados da Comissão Europeia.

    “A ameaça de Putin coloca em risco uma quantidade considerável de fornecimento… Os fluxos de GNL são o principal problema. Em tempos normais, seria mais administrável um ajuste nos fluxos comerciais do mercado de GNL. No entanto, com 110 de bilhões de metros cúbicos (bcm) por ano de (GNL do) Golfo paralisados, isso seria um desafio para a Europa”, disseram analistas do ING em nota matinal.

    “A escassez no mercado global de GNL significa que compradores asiáticos estão buscando fornecimento alternativo”, afirmaram os analistas do ING.

    A tarefa da Europa de reabastecer os estoques de gás para o próximo inverno, entre dezembro e março, ficou mais cara, já que as consequências da guerra dos EUA e Israel contra o Irã perturbam a produção e os embarques de GNL, restringindo a oferta e fazendo os preços dispararem. Os preços do gás na Europa subiram 53% desde o início das hostilidades no sábado.

    Compradores na Europa precisam encontrar o equivalente a cerca de 700 cargas de GNL, ou 67 bcm, para encher os estoques neste verão, segundo analistas da Kpler, o que representa cerca de 180 cargas, ou 17 bcm, a mais do que no ano passado.

    Os Estados Unidos, maior produtor mundial de GNL, têm pouca capacidade ociosa para aumentar rapidamente a produção de GNL e compensar o fornecimento perdido, segundo cálculos da Reuters e analistas do setor, já que as plantas já operam próximas da capacidade máxima, e a maioria das cargas está comprometida em contratos de longo prazo.

    PREÇOS DO CARVÃO DISPARAM COM EMPRESAS BUSCANDO ALTERNATIVA AO GÁS

    Os preços do carvão dispararam para o maior patamar em mais de dois anos, à medida que a alta dos preços do gás provocada pela guerra no Irã leva empresas de energia a buscar suprimentos adicionais de carvão para manter as luzes acesas.

    Na Europa, os preços do carvão térmico usado em usinas de energia subiram 26% desde a véspera da guerra, atingindo US$ 133 por tonelada, com ganhos semelhantes nos mercados australiano e asiático, segundo dados de preços da Argus.

    Os preços europeus do carvão térmico usado em usinas de energia subiram 26% desde a véspera da guerra, atingindo US$ 133 por tonelada, com ganhos semelhantes nos mercados australiano e asiático, segundo dados de preços da Argus.

    “Sem dúvida, os mercados globais de carvão não viam uma pressão de preços assim desde a invasão russa da Ucrânia”, disse Tom Price, analista da Panmure Liberum. “É o maior choque no mercado de carvão em vários anos.”

    Após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, os países europeus queimaram mais carvão enquanto trabalhavam para se livrar do gás russo. Os preços do carvão atingiram recordes de mais de US$ 400 por tonelada após a invasão.

    Embora a guerra no Irã tenha pouco impacto direto no movimento de carvão pelo mundo –muito pouco dele passa pelo estreito de Ormuz–, ela fez os preços do petróleo e do gás dispararem e levantou preocupações sobre o fornecimento de gás natural liquefeito.

    Isso levou empresas de energia que normalmente dependem do gás a recorrer a usinas a carvão mais poluentes como alternativa, particularmente em lugares como Japão, Coreia do Sul, Taiwan e União Europeia.

    Um conflito prolongado no Oriente Médio poderia elevar os preços do carvão para quase o dobro dos níveis atuais, para cerca de US$ 250 por tonelada, especialmente se a crise energética reativar usinas termelétricas a carvão desativadas, disse Alex Thackrah, gerente sênior de carvão da Argus.

    George Cheveley, gestor de portfólio da Ninety One, disse que o carvão está se beneficiando de preocupações sobre o fornecimento de energia, bem como de cortes de produção feitos durante os últimos anos.

    “Claramente, preços de energia mais altos terão algum efeito na demanda por carvão em alguns mercados”, disse ele. “Tudo depende de quanto tempo isso vai durar.”

    Preços do gás na Europa sobem após Putin sugerir corte no fornecimento

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  • Banco Central me pediu para ouvir proposta de André Esteves sobre o Master, diz Vorcaro

    Banco Central me pediu para ouvir proposta de André Esteves sobre o Master, diz Vorcaro

    Dono do BTG Pactual diz que reitera que ‘nunca tivemos interesse na compra do negócio do Master, fazendo apenas compras pontuais de ativos não problemáticos’; Banco Central ainda não respondeu; em conversas com a namorada, dono do Master disse que ‘guerra com André tá exposta’

    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Daniel Vorcaro afirmou em mensagens de celular trocadas com sua namorada que o Banco Central pediu que ele se reunisse com o banqueiro André Esteves, dono do BTG Pactual, em abril do ano passado para ouvir uma proposta sobre o Banco Master. Segundo as mensagens, Esteves disse na ocasião que o ex-banqueiro deveria “agradecer a Deus a proposta dele”.

    O conteúdo das mensagens de celular foi entregue pela PF (Polícia Federal) à CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do Congresso sobre desvios no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e obtido pela reportagem.

    Em nota, a assessoria do BTG afirmou que reitera a “posição manifestada por meio de ‘comunicados ao mercado’ feitos pelo BTG ao longo deste período” e que “nunca tivemos interesse na compra do negócio do Master, fazendo apenas compras pontuais de ativos não problemáticos em momentos de falta de liquidez desta instituição”. O Banco Central foi procurado por email e ainda não comentou.

    As conversas de Vorcaro com Martha Graeff são posteriores ao anúncio de compra do Master pelo BRB (Banco de Brasília), em março do ano passado. O negócio acabou não se concretizando, pois foi barrado pelo Banco Central em setembro.

    Na troca de mensagens, ocorrida em 4 de abril de 2025, Vorcaro envia à namorada uma reportagem sobre “os estratagemas de André Esteves para brecar a operação entre o Banco Master e o BRB”. Ela questiona, então, como foi a reunião entre os dois.

    Vorcaro responde que ela não acreditaria nas frases de Esteves e que levou Augusto Lima, seu então sócio no Master, “para ter uma testemunha”. “André disse que era o maior banqueiro do mundo. E ele era Deus que apareceu na nossa vida. Que tínhamos que agradecer a Deus a proposta dele. E esquecer o BRB”, contou.

    Ela pergunta, então, se ainda tinha como incluir Esteves no negócio e ele responde que foi ao encontro do dono do BTG a pedido do Banco Central. “Fui lá pq Banco Central pediu pq ele é ardiloso. Entra na mente dos caras do Bacen”, disse.

    Mas, segundo Vorcaro disse à namorada, “só os peixinhos da Faria Lima que embarcaram”. “Todos os grandes empresários, políticos, até amigos dele ficaram contra”.

    De acordo com reportagens da imprensa na época, Esteves negociava uma proposta que envolvia o uso do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) para cobrir problemas de lastro que pudessem aparecer nas operações de risco do Master e a compra pelo BTG de cerca de R$ 3 bilhões da carteira de precatórios (dívidas judiciais de órgãos públicos) do banco.

    No dia 3 de abril, um dia antes da troca de mensagens sobre a reunião, o BTG Pactual divulgou comunicado ao mercado dizendo que nunca fez proposta para aquisição de ativos ou de participação no capital social do Banco Master, após ser cobrado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) para que esclarecesse de maneira objetiva se poderia entrar na transação.

    Em outra troca de mensagens com a namorada, esta em 2024, Vorcaro também comentou sobre o interesse do BTG no Master. “Esteves me deu uma espremida pra ele ficar com o banco. Ao invés irmãos”, em provável referência aos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos do PicPay, Banco Original e da JBS, que chegaram a negociar a compra de ativos do banco.

    Mais à frente, em março de 2025, Vorcaro relatou também que ele e Esteves pararam de se falar e que “as pessoas do mercado entendem que as matérias ruins estão erradas e compradas por ele”. “Agora a guerra com André tá exposta”, escreveu.

    Banco Central me pediu para ouvir proposta de André Esteves sobre o Master, diz Vorcaro

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  • CNU tem validade estendida até 2027

    CNU tem validade estendida até 2027

    Medida permite que órgãos federais tenham mais tempo para convocar candidatos aprovados; prorrogação vale para todos os cargos, exceto analista em tecnologia da informação

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O governo federal decidiu prorrogar por mais 12 meses o prazo de validade da primeira edição do CNU (Concurso Público Nacional Unificado), conhecido como o “Enem dos Concursos”, realizada em 2024. A medida amplia o período em que candidatos aprovados poderão ser convocados para assumir os cargos no serviço público federal.

    De acordo com edital do MGI (Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos) publicado nesta quinta-feira (5), os meses de prorrogação são contados a partir da data de homologação de cada cargo.

    Segundo o MGI, a decisão permite ao governo federal ter até mais um ano para realizar convocações dentro do cadastro de aprovados. Para os cargos que não possuem curso de formação, cuja homologação ocorreu em 7 de março de 2025, o prazo de validade do concurso passa a vigorar até 6 de março de 2027.

    Já nos cargos que exigem curso de formação ou prova didática, a nova data de validade varia de acordo com o momento em que cada resultado foi homologado. Nesses casos, os prazos atualizados variam de abril a setembro de 2027.

    A prorrogação abrange todos os cargos do CNU 1, menos o de analista em tecnologia da informação. Isso porque, neste caso, todos os candidatos aprovados em cadastro de reserva já foram convocados.

    As demais regras e condições estabelecidas nos editais do concurso permanecem inalteradas, segundo o ministério da gestão.

    O QUE MUDA NA PRÁTICA

    O MGI afirma que a prorrogação permite que os órgãos federais tenham mais tempo para convocar candidatos aprovados, tanto para vagas imediatas quanto para eventuais reposições ou novas autorizações de provimento durante o período de validade do concurso.

    O CNU reúne cargos distribuídos em diferentes áreas estratégicas da administração pública federal, organizadas nos oito blocos temáticos:
    – Infraestrutura, engenharias e ciências exatas
    – Tecnologia, dados e informação
    – Áreas ambiental, agrária e biológicas
    – Trabalho e saúde do servidor
    – Educação, saúde, desenvolvimento social e direitos humanos
    – Setores econômicos e regulação
    – Gestão governamental e administração pública
    – Nível intermediário

    As tabelas publicadas no edital apresentam todas as carreiras e cargos abrangidos pela prorrogação, organizados por blocos temáticos do CNU. Para cada cargo são informados:
    – o órgão responsável pela vaga
    – o cargo
    – a especialidade ou área de formação exigida
    – o código do cargo no edital
    – e, nos casos com curso de formação, a nova data final de validade do concurso

    Nos cargos sem curso de formação, o prazo é uniforme: 6 de março de 2027. Já nas carreiras que exigem formação específica após o concurso as datas variam conforme o cronograma de homologação.

    VEJA AS NOVAS DATAS DE VIGÊNCIA PARA CADA CARGO

    Blocos Temáticos – Órgãos – Cargos – Especialidades – Data de vigência após prorrogação

    1 – Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos – MGI – Analista de Infraestrutura (AIE) – Arquitetura B1-08-A – 13 de agosto de 2027
    1 – Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos – MGI – Analista de Infraestrutura (AIE) – Engenharia Civil B1-08-B
    1 – Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos – MGI – Analista de Infraestrutura (AIE) – Engenharia Elétrica, Eletrônica, Telecomunicações, Eletrotécnica ou Energia B1-08-C
    1 – Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos – MGI – Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental (EPPGG) – Qualquer área de conhecimento B1-08-F – 4 de setembro de 2027
    1 – Agência Nacional de Energia Elétrica – Especialista em Regulação de Serviços Públicos de Energia – Qualquer área de conhecimento B1-02-A – 4 de junho de 2027
    2 – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE – Pesquisador em Informações Geográficas e Estatísticas – Estatística B2 03-D – 23 de abril de 2027
    2 – Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos – MGI – Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental (EPPGG) – Qualquer área de conhecimento B2-08-C – 4 de setembro de 2027
    2 – Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos – MGI – Analista Técnico de Políticas Sociais – ATPS – Tecnologia da Informação B2-08-B – 15 de setembro de 2027
    3 – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE – Pesquisador em Informações Geográficas e Estatísticas – Geografia B3-02-A – 23 de abril de 2027
    3 – Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos – MGI – Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental (EPPGG) – Qualquer área do conhecimento B3-06-B – 4 de setembro de 2027
    3 – Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos – MGI – Analista de Infraestrutura (AIE) – Geociências B3-06-A – 13 de agosto de 2027
    4 – Ministério do Trabalho e Emprego – MTE – Auditor-Fiscal do Trabalho (AFT) – Qualquer área de conhecimento B4-04-A – 13 de agosto de 2027
    4 – Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos – MGI – Analista Técnico de Políticas Sociais – ATPS – Qualquer área de conhecimento B4-03-A – 15 de setembro de 2027
    4 – Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos – MGI – Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental (EPPGG) – Qualquer área de conhecimento B4-03-B – 4 de setembro de 2027
    5 – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE – Pesquisador em Informações Geográficas e Estatísticas – Demografia B5-03-B – 23 de abril de 2027
    5 – Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos – MGI – Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental (EPPGG) – Qualquer área de conhecimento B5-07-C – 4 de setembro de 2027
    5 – Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos – MGI – Analista Técnico de Políticas Sociais – ATPS (MGI, MJSP, MDHC, MEC) – Qualquer área de conhecimento B5-07-B – 15 de setembro de 2027
    6 – Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos – MGI – Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental (EPPGG) – Qualquer área de conhecimento B6-09-B – 4 de setembro de 2027
    6 – Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços – MDIC – Analista de Comércio Exterior (ACE) – Qualquer área de conhecimento B6-10-A – 17 de julho de 2027
    6 – Agência Nacional de Energia Elétrica – Especialista em Regulação de Serviços Públicos de Energia – Qualquer área de conhecimento B6-02-A – 4 de junho de 2027
    6 – Agência Nacional de Saúde Suplementar – Especialista em Regulação de Saúde Suplementar – Qualquer área de conhecimento B6-03-A – 4 de junho de 2027
    6 – Agência Nacional de Transportes Aquaviários – Especialista em Regulação de Serviços de Transportes Aquaviários – Qualquer área de conhecimento B6-04-A – 4 de junho de 2027
    7 – Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos – MGI – Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental (EPPGG) – Qualquer área de conhecimento B7-09-E – 4 de setembro de 2027

    Fonte: Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos

    CNU tem validade estendida até 2027

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  • Desemprego fica em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro, segundo IBGE

    Desemprego fica em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro, segundo IBGE

    Instituto encontrou 5,9 milhões de pessoas de 14 anos ou mais em busca de trabalho; dados fazem parte da Pnad-Contínua, que inclui vagas de emprego formal e informal

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A taxa de desemprego do Brasil ficou em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro de 2026, após marcar os mesmos 5,4% nos três meses encerrados em outubro, que servem de base de comparação. Esse é, portanto, o menor da série comparável.

    Os dados fazem parte da Pnad-Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) e foram divulgados nesta quinta (5) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O levantamento inclui tanto o mercado de trabalho formal quanto o informal.

    A mediana das projeções do mercado financeiro era uma taxa de 5,4%, segundo a agência Bloomberg.

    Até a divulgação desta quinta, a menor taxa em todos os trimestres havia sido de 5,1%, nos três meses encerrados em dezembro de 2025. O IBGE, contudo, evita a comparação direta entre trimestres consecutivos que compartilham meses em comum.

    A coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, Adriana Beriguy, afirma que os resultados do trimestre apontam para a estabilidade dos indicadores de ocupação.

    Ela explica que há no mês de janeiro uma tendência de redução no contingente de trabalhadores, muitas vezes devido à dispensa de temporários, mas diz que os dados favoráveis de novembro e dezembro reduziram o impacto desse movimento sazonal.

    No trimestre até janeiro, o instituto encontrou 5,9 milhões de pessoas de 14 anos ou mais em busca de trabalho. Em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, quando eram 7,1 milhões, houve queda de 17,1%.

    Na série da Pnad, iniciada em 2012, o maior contingente de desocupados foi registrado no trimestre até março de 2021, na pandemia de Covid-19. À época, o indicador chegou a quase 15 milhões.

    POPULAÇÃO OCUPADA

    Já o número de ocupados com algum trabalho alcançou quase 102,7 milhões. Houve aumento de 1,7% (1,7 milhões a mais de pessoas) no ano. O nível de ocupação foi de 58,7%, com estabilidade no trimestre (58,8%) e crescendo 0,5 p.p. no ano (58,2%).

    A taxa de informalidade foi de 37,5%, ante 37,8% no trimestre encerrado em outubro e 38,4% um ano antes.

    A coordenadora da pesquisa diz que a informalidade está em queda desde 2022, com aceleração dessa trajetória desde 2023. “No atual trimestre, a retração da taxa esteve associada à tendência de queda do emprego sem carteira no setor privado e de expansão da cobertura de registro no CNPJ dos trabalhadores por conta própria”, afirma.

    RENDA MÉDIA

    No trimestre até janeiro, o rendimento médio do trabalho alcançou R$ 3.652 por mês, aumento de 2,8% no trimestre e 5,4% no ano. Esse é o maior valor da série em termos reais (com ajuste pela inflação).

    A massa de rendimento real ficou em R$ 370,3 bilhões, alta de 2,9% no trimestre e 7,3% no ano.

    TIRE SUAS DÚVIDAS SOBRE DESEMPREGO

    O que é desemprego?

    Segundo o IBGE, o desemprego se refere às pessoas de 14 anos ou mais que não estão trabalhando, mas que estão disponíveis e tentam encontrar trabalho.

    Para alguém ser considerado desempregado, não basta não possuir um emprego. É preciso que essa pessoa também procure oportunidades.

    Como funciona a Pnad Contínua?

    É o principal instrumento para monitorar a força de trabalho do país. Conforme o IBGE, sua amostra corresponde a 211 mil domicílios, em todos os estados e no DF, que são visitados a cada trimestre. Cerca de 2.000 entrevistadores trabalham na coleta da pesquisa.

    Como é medida a taxa de desemprego?

    É o percentual da força de trabalho formado pelas pessoas que estão desempregadas.

    A força de trabalho é composta pelos desempregados e pelos ocupados. Os ocupados, por sua vez, são aqueles que estão trabalhando de modo formal ou informal -ou seja, com ou sem carteira ou CNPJ.

    O que explica o desemprego baixo?

    Segundo economistas, ele se explica principalmente por um mercado de trabalho aquecido, reflexo de contratações nos setores privado e público. Mudanças demográficas e tecnológicas também contribuem para uma taxa baixa.

    Isso é uma boa notícia?

    O desemprego baixo indica um cenário positivo para os trabalhadores.

    Que efeito o desemprego baixo pode ter na economia?

    Com mais pessoas trabalhando, o consumo tende a crescer, já que a população tem mais renda disponível. Por outro lado, isso pode pressionar a inflação, já que aumenta a demanda por bens e serviços.

    Assim, o BC (Banco Central) levou a taxa básica de juros para 15% ao ano. A medida busca esfriar o consumo para conter a alta dos preços.

    Desemprego fica em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro, segundo IBGE

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  • INSS detecta novo consignado irregular do Master, como Credcesta, e vê indícios de fraude

    INSS detecta novo consignado irregular do Master, como Credcesta, e vê indícios de fraude

    Contratos de M Fácil têm duplicação de nomes, omissão de juros e ausência de assinatura, e casos foram levados a órgãos de controle; defesa de Daniel Vorcaro diz que banco sempre atuou em estrita observância a normas do crédito consignado

    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) detectou um produto do Banco Master, na área de créditos e benefícios consignados, que também era ofertado de forma irregular e que estava, até a semana passada, fora do radar das apurações internas tocadas pelo órgão federal.

    Há indícios de fraude em contratos do M Fácil Consignado, com nomes duplicados em um mesmo contrato, omissão dos juros cobrados e ausência de assinatura que permitisse uma conferência mínima sobre a validação do benefício consignado.

    Segundo o presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, o M Fácil é equivalente ao Credcesta, um produto criado em 2018 por Augusto Lima e levado ao Master, onde Lima se tornou sócio de Daniel Vorcaro.

    Após expansão junto a servidores públicos em estados e municípios, o Credcesta passou a ser ofertado a aposentados e pensionistas do INSS.

    É um cartão de benefício consignado que tem operação irregular, sem amparo legal e com possibilidade de incidência de juros sobre juros nos contratos firmados, conforme avaliação de Waller Júnior, como a Folha de S.Paulo mostrou em reportagem publicada nesta segunda-feira (2).

    Os contratos do Credcesta serão cancelados, diante da nebulosidade dos termos e do método de transferência de uma modalidade de crédito a outra, sem clareza sobre juros adotados.

    Na semana passada, a partir de uma análise contrato a contrato, o INSS detectou que o M Fácil também tinha operação irregular, inclusive com indícios de fraudes, o que deu início a uma apuração, ainda em curso, sobre a extensão da operação do M Fácil junto a clientes do Master.

    A detecção foi feita em conjunto com a CGU (Controladoria-Geral da União) e comunicada a outros órgãos de controle.

    Em nota, a defesa de Vorcaro afirmou que o Master respeitou as normas e procedimentos do INSS.

    “O banco sempre atuou em estrita observância às normas e aos procedimentos estabelecidos pelo INSS para a concessão de crédito consignado, incluindo os requisitos de formalização, identificação do contratante e comprovação de consentimento”, disse.

    O Banco Central, responsável pelo processo de liquidação do Master, não respondeu aos questionamentos da reportagem.

    Contratos do M Fácil analisados pelo INSS não permitem verificar se a assinatura eletrônica do beneficiário é verdadeira. Também não há dados expressos sobre juros e valores das parcelas.

    Os casos devem ser levados à esfera criminal, segundo o órgão, em razão de indícios de fraudes.

    “Para o INSS, é como se M Fácil Consignado e Credcesta não existissem, porque a gente só autoriza a fazer consignado em contrato específico do segurado com a instituição financeira”, disse o presidente da autarquia.

    “Quando há a migração de um crédito para o consignado, essa migração já ocorre com várias irregularidades, em que não há autonomia para verificação. Não há como quebrar sigilo bancário, verificar os descontos, se foi atribuído um juro indevido ou não”, completa Waller Júnior. “O nosso aposentado fica desesperado por dinheiro, e consegue o que é mais fácil.”

    Por meio de um acordo de cooperação técnica com o governo federal, entre setembro de 2020 e setembro de 2025, o Master operou em todas as linhas de consignados do INSS.

    Esse acordo deixou de ser renovado, diante da iminente crise do banco e das suspeitas de fraudes em transações de carteiras, inclusive de consignados. Na prática, representou um descredenciamento do Master para operação de créditos e benefícios consignados.

    No site da instituição, o M Fácil passou a ser divulgado como um empréstimo pessoal -sem a palavra “consignado”- no valor de R$ 150 a R$ 1.500. Antes, oferecia benefícios como descontos em farmácias. O Banco Central decretou a liquidação do banco em novembro.

    Benefícios consignados como o Credcesta -que é similar ao M Fácil, segundo o INSS- foram permitidos a aposentados e pensionistas do INSS a partir de uma MP (medida provisória) em 2022, no governo de Jair Bolsonaro (PL).

    O Credcesta tinha contrato de exclusividade de 15 anos com o governo da Bahia, na gestão de Rui Costa (PT), que é ministro da Casa Civil da Presidência desde o início do governo Lula (PT). No Master, expandiu-se pelo país, chegando a 24 estados e 176 municípios no final de 2024.

    Quando surgiram as denúncias de que havia uma quadrilha simulando consignados no INSS, o Master foi uma das primeiras instituições a ter o registro suspenso.

    Em 17 de novembro, Daniel Vorcaro e Augusto Lima foram presos pela PF (Polícia Federal) dentro da investigação que apura fraudes na venda de carteiras de crédito para o BRB (Banco de Brasília). A suspeita é de que haviam organizado um esquema para simular a criação de carteiras sem lastro.

    O ex-banqueiro voltou a ser preso nesta quarta-feira (3) em nova fase da Operação Compliance Zero que apontou a existência de um suposto grupo em torno de Vorcaro voltado à vigilância e intimidação de desafetos.

    INSS detecta novo consignado irregular do Master, como Credcesta, e vê indícios de fraude

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  • Indício de envolvimento de servidores no caso Master gera clima de abatimento no BC

    Indício de envolvimento de servidores no caso Master gera clima de abatimento no BC

    Paulo Souza e Belline Santana foram alvos de operação realizada pela Polícia Federal; funcionários temem que episódio afete credibilidade da instituição e do corpo técnico

    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O indício de envolvimento do ex-diretor de Fiscalização do Banco Central, Paulo Souza, e do ex-chefe do departamento de supervisão bancária, Belline Santana, no caso Master gerou um clima de abatimento e perplexidade entre os funcionários.

    Segundo relatos feitos à reportagem sob condição de anonimato, há temor de que o episódio contamine negativamente a opinião pública sobre a atuação dos técnicos do BC. Há preocupação com as consequências sobre a credibilidade da instituição.

    Os dois servidores do BC foram alvos de operação de busca e apreensão realizada nesta quarta-feira (4) pela Polícia Federal. O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou que ambos usem tornozeleira eletrônica.

    De acordo com a decisão de Mendonça, Souza e Santana atuavam como consultores privados do banqueiro Daniel Vorcaro para assuntos relacionados ao BC, recebendo propina por isso. Entre os pagamentos, é mencionada uma viagem para a Disney feita pelo ex-diretor cujo guia foi pago pelo dono do Master.

    Um integrante do BC se disse incrédulo com a situação, outro funcionário contou ter ficado abatido quando tomou conhecimento do assunto, e uma terceira pessoa falou em choque e surpresa entre os funcionários. Os servidores, contudo, evitaram julgar a conduta dos antigos colegas e condená-los antecipadamente.

    Em nota, a ANBCB (Associação Nacional dos Auditores do Banco Central), que representa uma parcela dos servidores, disse considerar extremamente graves os apontamentos da terceira fase da operação Compliance Zero.

    “Condutas irregulares devem ser rigorosamente investigadas e, se confirmadas, punidas com estrita observância ao devido processo legal”, afirmou.

    A entidade destacou a atuação do BC e a celeridade de reação ao acionar seus mecanismos de controle interno e afastar preventivamente os envolvidos.

    “Episódios como este reforçam a necessidade permanente de aprimorar a governança e os mecanismos de integridade institucional. Instituições fortes são aquelas capazes de identificar e corrigir seus próprios erros com firmeza”, acrescentou.

    Nesta quarta, o Banco Central disse ter identificado indícios de vantagens indevidas por parte de dois servidores durante investigação interna sobre o caso Master. O processo está sendo conduzido sob sigilo pela corregedoria do órgão.

    “De imediato, o Banco Central afastou cautelarmente os referidos servidores do exercício de seus cargos e do acesso às dependências da instituição e a seus sistemas, instaurou procedimentos correcionais para apuração dos fatos e comunicou os indícios de prática de crimes à Polícia Federal”, disse a autoridade monetária em nota.

    O BC também expressou “convicção” de que o trabalho realizado pela PF representa um “passo essencial para o pleno esclarecimento dos fatos”. “Observado o devido processo legal e o direito à ampla defesa, as condutas infracionais identificadas receberão a devida resposta sancionatória, de acordo com a lei”, acrescentou.

    De acordo com um interlocutor, as providências foram prontamente tomadas quando indícios de irregularidades foram detectados. Na visão do interlocutor, foram condutas isoladas e a governança do BC funcionou. O sentimento na cúpula do BC é de confiança de que foi feito o que era necessário e que a instituição será preservada.

    Como mostrou a Folha de S. Paulo, o BC tem feito uma revisão interna do processo de fiscalização envolvendo o Banco Master, desde a expansão do conglomerado de Vorcaro até a liquidação da instituição em novembro de 2025. Souza e Santana deixaram suas funções de confiança em janeiro, mas já tinham sido afastados pelo presidente Gabriel Galípolo.

    Indício de envolvimento de servidores no caso Master gera clima de abatimento no BC

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  • Grupo de Vorcaro é suspeito de acessar sistemas da PF, MPF e até Interpol, diz Mendonça

    Grupo de Vorcaro é suspeito de acessar sistemas da PF, MPF e até Interpol, diz Mendonça

    Suspeitas foram apontadas na decisão do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que determinou a prisão do banqueiro nesta quarta-feira (4)

    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – As investigações relacionadas a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, chegaram a suspeitas de que seu grupo acessou indevidamente sistemas sigilosos da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até da Interpol.

    As suspeitas são apontadas na decisão do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que determinou a prisão do banqueiro nesta quarta-feira (4).

    As condutas foram atribuídas a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apelidado de “Sicário”. Após ser preso nesta quarta-feira (4), Mourão se suicidou.

    A PF afirma que ele era o responsável por coordenar atividades voltadas à obtenção de informações e monitoramento de pessoas de interesses do banqueiro.

    Ele fazia parte do grupo “A Turma”, usado para discutir ações sobre adversários de Vorcaro.

    “O investigado organizava e executava diligências destinadas à identificação, localização e acompanhamento de pessoas que mantinham relação com investigações ou com críticas às atividades do grupo econômico ligado ao Banco Master”, diz Mendonça, em sua decisão.

    Mourão acessava, segundo ele, “dados em sistemas restritos de órgãos públicos, incluindo bases de dados utilizadas por instituições de segurança pública e investigação policial”.

    “Tais acessos teriam ocorrido mediante utilização de credenciais funcionais pertencentes a terceiros, permitindo a obtenção de informações protegidas por sigilo institucional. A partir dessa metodologia, de acordo com a autoridade policial, o investigado teria obtido acesso indevido aos sistemas da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal, e até mesmo de organismos internacionais, tais como FBI e Interpol”, acrescenta o ministro.

    Ele também, de acordo com as investigações, atuava para remover conteúdos de perfis e plataformas digitais, simulando solicitações de órgãos públicos, como o Ministério Público.

    Mourão era o responsável, de acordo com as investigações, por promover as ações de intimidação dos adversários de Vorcaro. A Folha de S. Paulo não conseguiu localizar a defesa do auxiliar de Vorcaro até a publicação desta reportagem.

    Em nota, a defesa de Vorcaro disse que “o empresário sempre esteve à disposição das autoridades, colaborando de forma transparente com as investigações desde o início, e jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça”.

    “A defesa nega categoricamente as alegações atribuídas a Vorcaro e confia que o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta”, diz a nota. “Reitera sua confiança no devido processo legal e no regular funcionamento das instituições.”

    Grupo de Vorcaro é suspeito de acessar sistemas da PF, MPF e até Interpol, diz Mendonça

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  • Senado aprova acordo UE-Mercosul e texto segue para Lula assinar

    Senado aprova acordo UE-Mercosul e texto segue para Lula assinar

    A votação foi simbólica, quando não há contagem de votos.

    FERNANDA BRIGATTI E MARCOS HERMANSON
    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O Senado aprovou nesta quarta-feira (4) o acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul, abrindo caminho para a vigência temporária do tratado negociado desde 1999 entre as duas regiões que juntas têm um PIB (Produto Interno Bruto) de US$ 22 trilhões.

    A votação foi simbólica, quando não há contagem de votos.
    O acordo segue agora para sanção do presidente Lula (PT), que depois notificará a União Europeia. A senadora Tereza Cristina (PP-MS), relatora do acordo no Senado, disse que o tratado é singular por seu alcance, ao instituir uma das maiores zona de livre comércio do mundo, mas por iniciar a “transição para uma nova dinâmica internacional.

    A senadora não citou nominalmente os Estados Unidos em seu voto, mas afirmou que nacionalismo e protecionismo passam por recrudescimento, assim como o uso de poder econômico e comercial como instrumento de pressão política.

    “Ao se fecharem para, supostamente, colocarem-se ‘em primeiro lugar’, os países renunciam à construção de um sistema em que todos possam prosperar”, afirmou Tereza Cristina, que foi ministra da Agricultura no governo Jair Bolsonaro (PL).

    A vigência temporária do acordo -que não tem prazo para acabar e não guarda diferenças significativas com relação à vigência definitiva- agora está nas mãos da Comissão Europeia, que tem os instrumentos para apertar o botão “start”.

    O governo espera que, com a votação e a assinatura pelo presidente ainda em março, o acordo entre em vigor a partir de maio, como determinam as regras do tratado.

    Para finalizar as votações no Congresso Nacional, o governo Lula negociou com a bancada ruralista um pacote de salvaguardas para atender ao agronegócio e à indústria, que temiam perder competitividade com a abertura comercial.

    O pacote inclui um decreto que disciplinará investigações comerciais por possíveis violações do acordo e de proteções aos produtores brasileiros. O texto foi assinado pelo presidente Lula nesta quarta e foi publicado em edição extra do Diário Oficial da União.

    Essas salvaguardas permitirão a suspensão temporária da redução de tarifas em caso de surto de importações, e respondem a uma demanda feita principalmente pelo agronegócio. Também são uma resposta às medidas protetivas implementadas na UE após protestos de agricultores em países como França, Polônia e Bélgica.
    Além das salvaguardas, o acordo prevê algumas proteções específicas, como as cotas de importação para o leite e os prazos de 8 a 12 anos para retirada gradual da tarifa de importação do vinho -dois dos setores que apresentaram preocupações com relação ao tratado.

    O acordo já foi confirmado nos parlamentos de Argentina e Uruguai. Na União Europeia, onde os termos jurídicos do tratado são alvo de uma revisão determinada pelo Parlamento Europeu, o livre comércio entrará em vigor de maneira provisória, segundo Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia.
    Cerca de metade da cesta de produtos importada atualmente pelo Brasil da União Europeia terá 10 ou mais anos de desgravação -como é chamada a retirada gradual das tarifas. Outros 14% terão tarifa zero imediatamente, mas destes, quase todos já entravam no país sem pagar impostos.

    Quando o acordo estiver valendo em sua totalidade, 91% das mercadorias comercializadas entre os dois blocos ficarão livres de tarifa de importação.

    O acordo prevê, por exemplo, tarifa zero para produtos industriais, como máquinas, automóveis, produtos químicos, aeronaves e equipamentos de transporte. Em alguns casos, a alíquota zerada pode prejudicar fabricantes brasileiros, que passarão a competir diretamente com os europeus.

    As negociações para um acordo de livre-comércio entre os dois blocos começaram em 1999. A assinatura do acordo só aconteceu em janeiro deste ano, no Paraguai.

    Mesmo com resistências de parte da bancada ruralista, o governo via, às vésperas da aprovação pelo Senado, uma convergência positiva dos parlamentares brasileiros e um esforço geral dos países do Mercosul pela aprovação rápida do acordo.

    Em 2025, a corrente comercial bilateral entre Brasil e União Europeia foi de US$ 100 bilhões (R$ 550 bilhões). Combustíveis, café e minérios estão entre os produtos mais exportados pelo país, que em troca importa principalmente máquinas, produtos farmacêuticos e veículos rodoviários.

    O Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) calcula que o acordo terá efeito positivo de 0,34% sobre o produto interno bruto e de 0,76% nos investimentos até 2044.

    Senado aprova acordo UE-Mercosul e texto segue para Lula assinar

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  • Impacto da guerra no preço do combustível ao consumidor pode demorar

    Impacto da guerra no preço do combustível ao consumidor pode demorar

    O petróleo teve forte alta nos últimos dias, desde o início dos ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irã, no último sábado (28), e das retaliações do país persa contra Tel Aviv e bases americanas em diversos países produtores de petróleo na região.

    O impacto da guerra no Oriente Médio nos preços pagos pelo consumidor brasileiro por combustíveis derivados do petróleo, como a gasolina e o diesel, pode demorar a chegar. A avaliação é do presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Roberto Ardenghy.

    O petróleo teve forte alta nos últimos dias, desde o início dos ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irã, no último sábado (28), e das retaliações do país persa contra Tel Aviv e bases americanas em diversos países produtores de petróleo na região.

    O porta-voz do instituto que representa a indústria petrolífera no Brasil explicou que toda refinaria mantém um estoque de petróleo, e que esse é um dos motivos para que a mudança não aconteça da noite para o dia.

     

    Entretanto, se o petróleo permanecer em um patamar alto, pouco a pouco, as refinarias vão começar a comprar o produto mais caro. 

    “Na medida em que esse petróleo mais caro chegar às refinarias, elas também, com um certo tempo, tenderão a transferir esse preço para os seus contratos novos, porque nos contratos já firmados, elas garantem o preço anterior”.

    “É um processo longo, que pode durar até seis meses para acontecer. Não haverá nenhuma mudança de patamar de preço a curto prazo, inclusive, para o consumidor brasileiro”, afirmou Roberto Ardenghy à Agência Brasil.

    O presidente apontou que a incerteza que paira no mercado global sobre o futuro do conflito é um dos motivos que pode retardar o impacto nos preços pagos pelos consumidores.

    “Altos patamares do preço do petróleo dependem da continuidade ou não do conflito armado, do bloqueio do Estreito de Ormuz, da disseminação do conflito para outros países do Oriente Médio. Então, ainda não se tem segurança de que isso vai acontecer”, explicou.

    Ardenghy acrescentou que o mercado do petróleo opera com projeções de longo prazo em contratos, que têm que ser honrados. É preciso considerar também, afirma ele, que alguns países têm estoques estratégicos importantes, que certamente serão usados nesta situação de crise.

    Estreito de Ormuz

    Sobre o bloqueio do Estreito de Ormuz, passagem da maior parte do petróleo exportado por países do Oriente Médio, Roberto Ardenghy pondera que o fechamento não interrompe todo o fluxo do óleo extraído na região, porque há rotas alternativas.

    Porta de saída do Golfo Pérsico, o estreito fica na costa do Irã, que determinou seu bloqueio em resposta aos ataques dos Estados Unidos e de Israel. O presidente do IBP cita que o Iraque, por exemplo, pode bombear petróleo por meio da Turquia. 

    Já a Arábia Saudita tem oleodutos que podem levar suas exportações para o Mar Vermelho, alcançando os mercados por outra rota logística. O mesmo vale para os Emirados Árabes Unidos, e até mesmo o próprio Irã pode encontrar outra via para escoar parte de sua produção.

    “Há algumas alternativas, não para garantir todo aquele volume que passa no Estreito de Ormuz, mas, pelo menos, para uma parcela importante. Portanto, não haverá mudança de patamar de preço de modo estável, no mínimo, pelos próximos 60 a 90 dias”, avaliou.

     

    Mapa Estreito de Ormuz

    Brasil no mercado internacional

    O presidente do IBP destacou que o Brasil já é um importante produtor de petróleo, com uma produção que atingiu 3,8 milhões de barris por dia em 2025, enquanto a exportação chegou a 1,7 milhão de barris.

    “Há perspectivas, inclusive, de que aumentemos, ainda mais, a nossa produção nos próximos anos. Se a gente conseguir encontrar petróleo na Margem Equatorial, na Bacia de Pelotas e em outras áreas no Brasil, a nossa participação pode ser ainda mais relevante”, apontou.

    Diante desse desempenho, Ardenghy estimou que o Brasil tem condição de suprir uma quantidade de petróleo para o mercado internacional.

    “Somos atores importantes e podemos inclusive contribuir com essa falta de petróleo ou essa escassez que venha do Oriente Médio e compensar com a nossa produção atual e a futura. Hoje, o Brasil já é um produtor relevante. Somos o nono maior produtor e o nono maior exportador mundial de petróleo”, pontuou.

    O executivo acredita que, a partir do que ocorre atualmente no Oriente Médio, ocorrerá o que o setor chama de reorientação dos fluxos globais de comércio de petróleo e gás natural.

    “Os países muito dependentes do Oriente Médio, mesmo que as coisas se acalmem por lá, vão procurar diversificar as suas fontes de suprimento. Especialmente, os países da Ásia, como o Japão, a Coreia, a China e a Índia, países que hoje dependem muito do petróleo que passa pelo Estreito de Ormuz”, destacou.

    “Mesmo que a situação no Oriente Médio se normalize, a gente não sabe se, em médio ou longo prazo, essa situação de normalidade vai continuar ou se vamos ter um outro conflito, inclusive militar”, completou.

    É nesse cenário que o presidente do IBP vê espaço para o Brasil evoluir no mercado de petróleo e gás.

    “Somos um produtor confiável de petróleo, temos a presença, no Brasil, de grandes empresas internacionais, a presença também da Petrobras como uma empresa com muita experiência na produção e na exportação de petróleo”, indicou.

    Na visão dele, isso só ressalta a necessidade de o Brasil manter a atividade petrolífera, a pesquisa geológica, a perfuração na Margem Equatorial e em outras áreas do país.

    “Para que a gente possa, primeiro, ter segurança energética nas próximas décadas, mantendo a nossa economia livre dessas tensões globais que afetam o petróleo. E também ter um excesso de petróleo, para que a gente possa exportar para outros mercados, gerando divisas para o Brasil”, relatou.

     

    Impacto da guerra no preço do combustível ao consumidor pode demorar

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  • Pai de Vorcaro tinha R$ 2,2 bilhões em conta bancária, diz PF

    Pai de Vorcaro tinha R$ 2,2 bilhões em conta bancária, diz PF

    A informação faz parte da decisão judicial que autorizou as operações da PF realizadas nesta quarta-feira (4), que levou à prisão de Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel, pastor e marido da irmã de Vorcaro.

    ANDRÉ BORGES E JOSÉ MARQUES
    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – As investigações realizadas pela Polícia Federal sobre os esquemas de corrupção que envolvem o Banco Master identificaram uma conta bancária de Henrique Moura Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro, com um saldo de mais de R$ 2,2 bilhões.

    A informação faz parte da decisão judicial que autorizou as operações da PF realizadas nesta quarta-feira (4), que levou à prisão de Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel, pastor e marido da irmã de Vorcaro.

    A reportagem questionou Henrique Moura Vorcaro e a Reag sobre o assunto. Não houve resposta até a publicação deste texto.

    A decisão informa que, mesmo após Vorcaro ser posto em liberdade com o uso de tornozeleira eletrônica, em 28 de novembro de 2025, “a organização criminosa continuou a ocultar recursos bilionários em nome de terceiros”.

    Esses valores, relata a PF, “foram descobertos em razão das medidas executadas por ocasião da Segunda Fase da Operação Compliance Zero, deflagrada no dia 14/01/2026, oportunidade em que foi bloqueada a impressionante quantia de R$ 2.245.235.850,24”.

    O valor, prossegue a PF, “estava na conta do genitor de Daniel Vorcaro, Henrique Moura Vorcaro, junto à empresa CBSF DTVM, mais conhecida como Reag”. Reag é a instituição financeira que foi responsável por fundos de investimento por onde passaram recursos desviados do Master.

    Por mei de nota, defesa de Henrique Vorcaro declarou que “são incorretas as informações divulgadas no sentido de que a conta mencionada na decisão do STF seja de sua titularidade”.

    “Na busca por esclarecimentos, e diante da gravidade da menção e da repercussão gerada, a defesa requereu, em caráter de urgência, ao ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça acesso à documentação apresentada pela Polícia Federal que teria embasado essa afirmação, para verificar eventuais equívocos no material utilizado”, informou.

    A defesa declarou, ainda, que foi solicitado acesso integral ao material probatório citado na decisão.

    “A defesa reafirma desconhecer a existência de qualquer conta e com tais valores e reitera ser imperativo que os fatos sejam devidamente esclarecidos. Entende-se a legítima preocupação com a reparação dos danos, mas ressalta ser essencial preservar a correção das informações divulgadas”, afirmou.

    A decisão de fazer o bloqueio judicial do valor foi tomada para evitar movimentações ou eventual dissipação de recursos.

    A descoberta dos recursos em nome do pai de Vorcaro ocorreu no momento em que os agentes ampliavam o rastreamento de ativos ligados ao grupo. O objetivo agora é mapear a origem e a movimentação da cifra bilionária.

    “A organização criminosa demonstra altíssima capacidade de reorganização, mesmo após deflagração de operações. Portanto, caso os investigados permaneçam em liberdade, há o elevado risco de articulação com agentes públicos e da continuidade da prática de ocultação e reciclagem de capitais por meio da utilização de empresas de fachada”, afirma o ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que se tornou relator dos inquéritos relacionados ao caso.

    Mendonça pontua que “as atividades criminosas, tal como demonstrado pela Polícia Federal em sua representação, continuaram a ocorrer mesmo após o início do inquérito e as operações dele decorrentes”.

    Pai de Vorcaro tinha R$ 2,2 bilhões em conta bancária, diz PF

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