SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) anunciou nesta terça-feira (27) o modelo de profissionalização da arbitragem da primeira divisão do Campeonato Brasileiro. Inicialmente, 72 profissionais farão parte de um grupo de elite, formado por 20 árbitros centrais, 40 assistentes e 12 árbitros de vídeo (VAR).
Os árbitros serão vinculados à entidade como prestadores de serviço. Os contratos serão assinados ao longo do mês de fevereiro, com duração até o final do ano. Todos serão remunerados, com salários mensais, taxas variáveis e bônus por desempenho, e deverão se dedicar prioritariamente à atividade, mas sem obrigação de exclusividade.
Juridicamente, a CBF não pode exigir dedicação exclusiva de prestadores de serviço. Apesar disso, a ideia da entidade é oferecer um pacote de remuneração e formação que leve os profissionais a ter a arbitragem como única fonte de renda.
Ao fim de cada temporada, ao menos dois árbitros serão rebaixados para atuar em divisões inferiores do futebol nacional. Também haverá promoção de profissionais. A análise de quem entra em quem sai da elite será feita a partir de um ranking, atualizado rodada a rodada, mas sem divulgação pública.
Apenas a CBF terá acesso. A lista também vai balizar as escalas para os jogos.
Segundo a CBF, a profissionalização da arbitragem faz parte de um pacote de R$ 195 milhões que serão investidos na categoria até o fim de 2027. A entidade não divulgou o valor fixo que será pago a cada árbitro, mas o orçamento destinado a essa rubrica está na casa dos R$ 12 milhões por ano.
Mesmo com o novo modelo de contratação, a confederação poderá afastar da escala profissionais que tenham cometido erro grave.
A seleção dos árbitros que compõem o primeiro grupo vinculado diretamente à CBF teve como ponto de partida o quadro da Fifa (Federação Internacional de Futebol). Além disso, a entidade brasileira também levou em consideração as notas de avaliação de desempenho nas temporadas de 2024 e 2025.
No ano passado, a comissão de arbitragem escalou 32 árbitros diferentes ao longo do Brasileiro. Agora, há o entendimento de que um quadro fixo de 20 árbitros centrais é suficiente para a organização do torneio. O número foi definido a partir de práticas adotadas por ligas estrangeiras, consultadas pela CBF.
“Trata-se de uma mudança estrutural profunda e necessária, pedida há décadas por todos aqueles que amam nosso esporte. É um movimento que segue as melhores práticas de outras grandes federações do mundo”, disse Samir Xaud, presidente da CBF.
Ainda segundo a confederação, os pioneiros da profissionalização da arbitragem terão planos individualizados, com rotina semanal de treinos, e estarão sob monitoramento tecnológico. Eles contarão com suporte na área de saúde e passarão por quatro avaliações anuais, com testes físicos e simulações de jogo.
Haverá também uma rotina de capacitação, com imersões mensais que incluem aulas teóricas, testes e sessões práticas em campo.
Além da remuneração específica, os 72 árbitros serão avaliados sistematicamente por observadores e por uma comissão técnica contratada pela CBF. Receberão notas a partir de um conjunto de variáveis, como controle de jogo, aplicação das regras, desempenho físico e clareza na comunicação, e integrarão um ranking atualizado a cada rodada.

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