Clinton depõe, diz não conhecer Epstein e desafia Trump a depor

Hillary Clinton foi ouvida esta quinta-feira (26), pelo Congresso dos EUA, no âmbito dos crimes cometidos por Jeffrey Epstein. A democrata diz que não conhecia o empresário e que o Comitê não se pode basear em entrevistas para esta investigação, esta é uma investigação “séria.” Desafia ainda a investigação a chamar Donald Trump a depor.

A ex-candidata à Presidência dos Estados Unidos, Hillary Clinton, está prestando depoimento nesta quinta-feira na Câmara dos Representantes, no âmbito da investigação parlamentar sobre Jeffrey Epstein.

Na sua declaração inicial, que Clinton já publicou nas redes sociais, a também ex-secretária de Estado de Barack Obama (entre 2009 e 2013) afirmou que não tinha qualquer informação sobre os crimes cometidos por Epstein.

“Como declarei no meu depoimento sob juramento em 13 de janeiro, não tinha ideia das suas atividades criminosas”, disse, acrescentando que não conhecia Epstein.

“Nunca voei em seu avião nem visitei sua ilha, suas casas ou seus escritórios. Não tenho nada a acrescentar a isso”, afirmou.

Em sua declaração inicial, Clinton também desafiou o comitê a convocar Donald Trump para depor, dizendo: “Se este comitê está realmente interessado em descobrir a verdade sobre os crimes de tráfico de Epstein, não se basearia em entrevistas sensacionalistas para obter respostas do nosso atual presidente sobre seu envolvimento; perguntaria diretamente a ele, sob juramento, sobre as dezenas de milhares de vezes em que seu nome aparece nos arquivos de Epstein.”

Vale destacar que ser mencionado nos arquivos de Epstein não significa que as pessoas citadas estejam ligadas aos crimes cometidos pelo empresário.

Enquanto Hillary Clinton afirma não se lembrar de uma única vez em que tenha falado ou se encontrado com Epstein, seu marido, Bill Clinton, já negou ter conhecimento dos crimes cometidos pelo empresário, que envolvem prostituição, tráfico de pessoas e exploração de menores.

Em sua comunicação, Clinton afirmou ainda que “Jeffrey Epstein era hediondo, mas está longe de ser o único”.

 Abaixo, pode ler na íntegra a declaração inicial:



FBI reteve acusações contra Trump?

A ex-secretária de Estado também afirmou que a comissão deveria investigar relatos de que o Departamento de Justiça teria retido entrevistas do FBI nas quais uma sobrevivente acusa Trump de crimes graves.

Hillary Clinton disse ainda que exigiria o testemunho de promotores da Flórida e de Nova York para esclarecer por que Epstein teria recebido tratamento preferencial, além do depoimento do secretário de Estado, Marco Rubio, e da procuradora-geral, Pam Bondi.

Clinton sustentou que as investigações em curso têm como objetivo “proteger um partido político e um funcionário público, em vez de buscar a verdade e a justiça para as vítimas e sobreviventes”.

Em seu depoimento, Hillary Clinton também criticou o governo Trump por ter encerrado o Escritório de Tráfico de Pessoas do Departamento de Estado e reduzido em 70% a equipe dedicada a assuntos civis e estrangeiros relacionados à prevenção do tráfico humano.

“O relatório anual sobre tráfico humano, exigido por lei, foi atrasado por meses. A mensagem da administração Trump para o povo americano e para o mundo não poderia ser mais clara: combater o tráfico humano já não é uma prioridade dos EUA sob a Casa Branca de Trump”, afirmou Clinton, classificando a situação como uma “tragédia” e um “escândalo”.

Congressistas com “muitas perguntas”

Membros da comissão, de maioria republicana, foram até Chappaqua, no estado de Nova York, onde os Clinton residem, para ouvir primeiro Hillary Clinton e, na sexta-feira, o ex-presidente Bill Clinton. Será a primeira vez que um ex-presidente dos EUA é obrigado a depor perante o Congresso.

O congressista democrata Robert Garcia, membro da comissão, também acusou a Casa Branca de esconder documentos que mencionariam Donald Trump, alguns dos quais, segundo a imprensa, detalham acusações de abuso sexual contra uma menor.

“O Departamento de Justiça continua encobrindo os fatos, orquestrado pela Casa Branca, e vamos exigir a divulgação dos documentos restantes nos próximos dias”, afirmou Garcia, acrescentando que pretende convocar Trump para depor.

O presidente da comissão, o republicano James Comer, afirmou que os congressistas têm “muitas perguntas” a fazer, ressaltando que o objetivo é compreender vários aspectos do caso Epstein.

“Neste momento, ninguém está acusando os Clinton de qualquer irregularidade. Eles serão submetidos ao devido processo legal, mas temos muitas perguntas”, explicou Comer.

Bill Clinton, que viajou várias vezes no jato privado de Epstein e foi fotografado com ele, afirmou em 2019 que não mantinha contato com o financista havia mais de uma década, enquanto Hillary Clinton tem dito que mal o conhecia.

O Departamento de Justiça divulgou, em 30 de janeiro, mais de três milhões de páginas relacionadas ao caso Epstein, algumas com trechos censurados, afirmando ter cumprido sua obrigação legal de esclarecer o processo.

Desde a divulgação dos arquivos, várias figuras públicas foram mencionadas devido a contatos anteriores com Epstein, embora a simples menção de um nome não implique qualquer irregularidade.

Os Clinton inicialmente se recusaram a comparecer, alegando tratar-se de uma tentativa de desviar a atenção da relação passada entre Trump e Epstein, mas aceitaram depor após ameaças de acusação por obstrução ao Congresso.

Assim como no caso da cúmplice de Epstein, Ghislaine Maxwell, cujo depoimento foi colhido por videoconferência a partir da prisão onde cumpre pena de 20 anos, os depoimentos dos Clinton deverão ser divulgados posteriormente.

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