Corinthians tenta reverter bloqueio da Caixa que ameaça planos para 2026

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – O Corinthians tenta reverter junto à Caixa Econômica Federal a retenção de parte da premiação pelo título da Copa do Brasil.

ARGUMENTO DO CLUBE ESBARRA NO CONTRATO

A reportagem apurou que nos últimos dias Osmar Stábile conversou com Carlos Vieira, presidente da Caixa, na tentativa de destravar os recursos que haviam sido projetados para aliviar o fluxo de caixa do Timão no início do ano.

Na negociação, o Corinthians sustenta que a Caixa estaria usando uma receita de 2025 para descontar juros que só venceriam em 2026.

O banco, porém, se apoia nos contratos de cessão fiduciária assinados com o clube para justificar a retenção.

A reportagem teve acesso a esses documentos, firmados em 2023, durante a gestão de Duílio Monteiro Alves, que mostram que a garantia dada pelo Timão não se limita ao principal da dívida nem ao exercício orçamentário. O compromisso cobre também juros futuros, encargos e correções, independentemente do ano em que venha a vencer.

Nos instrumentos, o clube cede fiduciariamente ao banco receitas presentes e futuras -como bilheteria, alugueis e outros recebíveis. Isso é uma forma de assegurar o cumprimento das obrigações financeiras.

Frente a isso, é possível que a Caixa retenha qualquer recebível enquadrado no contrato para se proteger contra inadimplência, mesmo que o vencimento dos juros esteja projetado para o exercício do ano seguinte. Deste modo, o argumento corintiano encontra pouca sustentação na redução contratual.

DINHEIRO TINHA DESTINO DEFINIDO

O UOL apurou que a CBF depositou R$ 69 milhões ao Corinthians pelo título da Copa do Brasil. O valor representa R$ 8 milhões a menos que a quantia bruta da premiação e o desconto representa tributos e impostos.

Desse recurso, algo em torno de R$ 34 milhões foi prometido como premiação ao elenco.

A outra metade estava destinada ao pagamento de dívidas que nesta sexta-feira (02) coloca o Corinthians em transfer ban e outras restrições.

Ainda segundo a apuração da reportagem, esse dinheiro estava atrelado ao planejamento financeiro do clube em conjunto com a premiação do Campeonato Brasileiro, formando um pacote de receitas esperado para fechar as contas do fim de 2025 e organizar o início de 2026.

Com a retenção de cerca de 50% do valor pela Caixa, o clube “perdeu” justamente a parcela que seria usada para estancar passivos mais urgentes -além de ter de buscar alternativas para honrar o compromisso assumido com os jogadores.

Vitão custou ao Flamengo cerca de 10 milhões de euros, sendo que 4,7 milhões de euros se referem ao abatimento de uma dívida do Internacional

Folhapress | 10:15 – 02/01/2026

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