França vai às urnas e mantém domínio da esquerda nas grandes cidades

Resultado fortalece blocos progressistas às vésperas da disputa presidencial de 2027, enquanto extrema-direita avança em cidades médias, mas não consegue conquistar os principais centros urbanos do país.

A esquerda manteve o controle das três maiores cidades da França nas eleições municipais realizadas neste domingo, incluindo Paris, a um ano da disputa presidencial de 2027. O resultado é visto como um sinal de resistência das forças progressistas diante do avanço da extrema-direita no país.

Na capital francesa, o socialista Emmanuel Grégoire foi eleito com 50,52% dos votos, garantindo a continuidade de mais um mandato da esquerda no comando da cidade, que já governa Paris desde 2001. Ele derrotou a ex-ministra conservadora Rachida Dati, que ficou com 41,52%. Após a vitória, Grégoire afirmou que o resultado reforça o papel de Paris como símbolo de oposição ao avanço da direita e da extrema-direita no cenário nacional.

Em Marselha, a segunda maior cidade do país, o atual prefeito Benoît Payan também foi reeleito com ampla vantagem. Ele obteve 54,34% dos votos e superou o candidato da extrema-direita, Franck Allisio. Payan destacou que a cidade demonstrou capacidade de resistir à pressão do partido Rassemblement National.

Já em Lyon, terceira maior cidade francesa, o prefeito ecologista Grégory Doucet garantiu a vitória por uma margem apertada, com 50,67% dos votos, derrotando o empresário Jean-Michel Aulas, que era apontado como favorito nas pesquisas. O adversário questionou o resultado e afirmou que vai recorrer.

Apesar de não conquistar as principais cidades, a extrema-direita ampliou sua presença em municípios de médio porte, especialmente no sul do país. O Rassemblement National (RN) venceu em cidades como Carcassonne, Menton e Cannes, consolidando avanços iniciados já no primeiro turno.

Lideranças do partido comemoraram o crescimento e afirmaram que os resultados marcam o início de um novo ciclo político. Ainda assim, o RN segue enfrentando dificuldades para romper a barreira nas grandes metrópoles.

Outro destaque foi a reeleição do ex-primeiro-ministro Édouard Philippe em Le Havre, no oeste da França. Cotado como possível candidato à presidência em 2027, ele aproveitou o resultado para reforçar um discurso de união contra os extremos.

As eleições ocorreram em dois turnos, sendo que a segunda rodada foi necessária em cerca de 1.500 municípios. A participação dos eleitores ficou em torno de 57%, considerada baixa para os padrões franceses.

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