A operação nas ilhas Canárias para desembarcar e repatriar mais de 100 pessoas que estão no navio onde houve um surto de hantavírus começou neste domingo (10), por volta das 05h30 (horário de Brasília).
O primeiro grupo de pessoas, todas usando máscaras e roupas completas de proteção sanitária, foi retirado do navio em uma lancha que se aproximou do cruzeiro MV Hondius e levado até o cais do porto industrial de Granadilla, na ilha de Tenerife, no arquipélago espanhol das Ilhas Canárias.
O navio, que esteve em quarentena em Cabo Verde, chegou de madrugada às Ilhas Canárias e está ancorado no porto de Granadilla. Há 147 pessoas a bordo, entre passageiros, tripulantes e equipes médicas da Organização Mundial da Saúde e do Centro Europeu de Prevenção e Controle das Doenças (ECDC, na sigla em inglês), segundo a empresa Oceandrive, dona do cruzeiro.
Depois que o navio atracou dentro do porto, uma equipe médica do serviço Saúde Exterior do governo espanhol embarcou por volta das 7h45 no horário local. O órgão é responsável por “organizar e garantir a prestação de assistência sanitária” a pessoas em trânsito internacional pela Espanha.
Após a avaliação médica, o primeiro grupo de ocupantes do MV Hondius deixou a embarcação.
A previsão é de que mais de 100 pessoas desembarquem em Tenerife e sejam repatriadas a partir do aeroporto da ilha em voos organizados por vários países e pela União Europeia.
A ministra da Saúde da Espanha, Mónica García, explicou que o primeiro grupo a deixar o navio e seguir do aeroporto é composto por cidadãos espanhóis — 14 pessoas — que serão levadas para um hospital militar em Madri.
O último voo de repatriação está previsto para segunda-feira à tarde, com destino à Austrália, transportando seis pessoas de diferentes nacionalidades, informou a ministra.
Pelo menos 30 tripulantes deverão permanecer no navio, que deve seguir viagem na segunda-feira rumo aos Países Baixos, país onde está registrada a propriedade do MV Hondius e de onde é o armador.
O desembarque e a repatriação estão sendo realizados em áreas isoladas do porto industrial de Granadilla e do aeroporto Aeroporto Tenerife Sul, sem qualquer contato com a população local.
Também está isolado o trajeto de cerca de 10 quilômetros entre o porto e o aeroporto.
O transporte nesse percurso é feito em veículos militares.
O protocolo definido estabelece que passageiros e tripulantes só deixam o navio quando o avião de repatriação já está preparado para decolar, sendo levados diretamente até a pista do aeroporto.
A operação está sendo coordenada pela Espanha, pelos Países Baixos, pela Organização Mundial da Saúde e pelo Centro Europeu de Prevenção e Controle das Doenças.
A Organização Mundial da Saúde confirmou até agora seis casos de hantavírus entre oito suspeitos de infecção em pessoas que viajaram no navio. Três pessoas morreram, e nenhum dos pacientes confirmados ou suspeitos permanece a bordo.
Segundo a Organização Mundial da Saúde e o governo espanhol, nenhuma das pessoas atualmente no navio apresenta sintomas da doença.
A embarcação viajava da Argentina para Cabo Verde, cruzando o Atlântico Sul, e gerou um alerta sanitário internacional no último fim de semana.
O hantavírus normalmente é transmitido por roedores infectados. A variante detectada no navio, o hantavírus Andes, é rara e pode ser transmitida de pessoa para pessoa.
A Organização Mundial da Saúde considera que o risco atual do hantavírus para a saúde pública é baixo.

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