Incêndio em bar de estação de esqui mata cerca de 40 na Suíça e fere 115

A polícia cita dezenas de mortos, mas sem especificar a quantidade. Em entrevista coletiva horas após o incidente, autoridades disseram ser prematuro informar um número exato de óbitos.

SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – Um incêndio, seguido de uma explosão, deixou cerca de 40 mortos e 115 feridos na sofisticada estação de esqui alpina de Crans-Montana, na Suíça, segundo autoridades de segurança e regionais.

O incêndio ocorreu por volta da 1h30 no bar Le Constellation, um local popular entre turistas, enquanto os frequentadores comemoravam a passagem de ano. Parte das vítimas é de estrangeiros; procurado, o Itamaraty informou que não há registro de brasileiros entre os feridos até o momento.

A polícia cita dezenas de mortos, mas sem especificar a quantidade. Em entrevista coletiva horas após o incidente, autoridades disseram ser prematuro informar um número exato de óbitos.

Ao menos cem pessoas ficaram feridas, a maioria em estado grave, e lotaram o hospital mais próximo. Muitas delas, com fortes queimaduras, foram levadas a vários outros hospitais do país, em Berna, Genebra, Rennaz, Zurique e Lausanne -as duas últimas têm os dois grandes centros hospitalares universitários especializados em tratamentos de queimaduras graves do país.

Mais cedo, citando autoridades suíças, o Ministério de Relações Exteriores da Itália afirmara que o número de mortos já havia chegado a 40, o que não foi confirmado. A Itália conta 16 nacionais desaparecidos e cerca de uma dezena em tratamento. Pelo menos dois cidadãos franceses estavam entre os feridos, de acordo com relatórios iniciais do ministério das Relações Exteriores da França.

As autoridades também descartaram que o incêndio fosse criminoso ou que se tratasse de um atentado terrorista. Frédéric Gisler, comandante da polícia do cantão de Valais, no sul do país, afirma que os relatos de testemunhas indicam ter havido um incêndio generalizado que, então, provocou uma explosão, não o contrário. Uma investigação continua em andamento.

Crans-Montana é um resort frequentado por celebridades e por profissionais dos esportes de inverno, e é sede habitual da Copa do Mundo de Esqui. O ator britânico Roger Moore, que encarnou James Bond nos filmes da franquia 007, viveu no local, hoje com 10 mil habitantes.

À imprensa europeia, testemunhas relatam cenas de terror e caos generalizado depois que o fogo se alastrou rapidamente pelo teto do Le Constellation.

O incêndio foi lembrado nas redes sociais brasileiras pela semelhança com a tragédia da boate Kiss, em 2013, em Santa Maria (RS), quando 242 pessoas morreram após o uso de artefatos pirotécnicos em show no local incendiar o teto, cujo material contribuiu para alastrar o fogo rapidamente e exalou fumaça tóxica.
Duas testemunhas ouvidas pela BFMTV afirmaram que a escada de entrada e saída do bar era pequena para a quantidade de pessoas presentes.

Elas disseram ainda ter visto o fogo se espalhando rapidamente após velas que soltam faíscas serem levantadas por pessoas que estavam no local e tocarem o teto. As testemunhas também contaram que deixaram rapidamente o local assim que notaram o fogo, e muitos presentes quebraram janelas para fugir do bar, que ficava no subsolo.

Outras testemunhas que estavam fora do bar descreveram o entorno do Le Constellation conforme feridos conseguiam sair do local em chamas. Cerca de 200 pessoas estavam no bar no momento do incêndio -o Le Constellation tem capacidade para 300 pessoas e mais 40 em seu terraço.

“Dava para ver o laranja, amarelo, vermelho [das chamas]”, afirmou Dominic Dubois à agência Reuters, lembrando que a prioridade das equipes de resgate e voluntários era esquentar as pessoas que deixavam o local em chamas apenas para se ver em meio ao intenso frio do inverno suíço, que marcava temperatura abaixo de zero na madrugada.

Dubois disse ainda que um escritório do banco UBS abriu as portas para servir de refúgio aos feridos. “Todas as mesas foram encostadas, e as pessoas entraram para ficarem aquecidas. A triagem começou ali”, afirmou à Reuters.

“Ainda estou em choque”, disse Anaïs, 17, ao site suíço 24 Heures. “Íamos [ao bar] ontem à noite com uns quinze amigos. Milagrosamente, não tínhamos confirmado a mesa e acabamos ficando em outro local”, contou.

“O que deveria ser um momento de alegria se transformou, no primeiro dia do ano em Crans-Montana, em um luto que toca todo o país e além”, lamentou o presidente suíço, Guy Parmelin.

Líderes europeus prestaram homenagens às vítimas e ofereceram ajuda ao governo suíço. “Em meu nome e em nome do governo [da Itália], expresso as minhas mais profundas condolências pelo trágico incêndio ocorrido em Crans-Montana, na Suíça”, disse a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni.

“Profundamente comovido após o incêndio em Crans-Montana. Meus pensamentos estão com as famílias enlutadas e os feridos. À Suíça, ao seu povo e às suas autoridades, expresso a total solidariedade e o apoio fraterno da França”, afirmou o presidente francês, Emmanuel Macron. O bar, segundo registros da empresa, é de propriedade de um casal francês.

Imagens publicadas pela imprensa suíça mostram o prédio em chamas, com equipes de emergência no local. Já registros publicados em redes sociais dão a ideia do caos após o incêndio, com pessoas gritando e correndo. Outro vídeo mostrou o início do alastramento do fogo no teto do local.

A área foi completamente isolada e uma zona de exclusão aérea foi imposta sobre Crans-Montana enquanto o resgate era feito, informou a polícia.

O governo do cantão de Valais declarou estado de emergência para mobilizar recursos rapidamente. Equipes de bombeiros e a polícia utilizaram dez helicópteros, e 40 ambulâncias foram mobilizadas para o resgate, de acordo com autoridades.

“Muitos recursos estão sendo alocados em análise forense para identificar as vítimas e nos permitir entregar os corpos às famílias o mais rápido possível”, afirmou a procuradora-geral Beatrice Pilloud.

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