Lula defende no STF punição a 'magnatas do crime' em meio a caso Master

Petista volta a falar em punição a ‘andar de cima’ em meio a escândalo com banco; discurso ocorreu na abertura do ano judiciário, em um momento em que tribunal enfrenta crise de imagem

BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – O presidente Lula (PT) elogiou nesta segunda-feira (2) operações que miraram financiadores do crime organizado, em mais uma citação a respeito do chamado “andar de cima”, durante seu discurso na abertura dos trabalhos do Judiciário de 2026.

“Com a operação Carbono Oculto, o Poder Judiciário, a Polícia Federal e a Receita Federal chegaram aos mandantes do crime organizado. Magnatas do crime, que vivem no andar de cima, que não estão nas comunidades, e sim em alguns dos endereços mais nobres no Brasil e no exterior”, declarou.

A operação citada por Lula apurou crimes financeiros e lavagem de dinheiro que envolviam a facção PCC (Primeiro Comando da Capital), gestoras da Faria Lima e o setor de combustíveis.

Esta segunda marca a retomada dos julgamentos em plenário do STF, após o recesso de final de ano.

A escolha por discursar na abertura do Judiciário cabe ao presidente da República. A escolha por falar ocorre em um momento de tensões internas no Supremo diante do escândalo do Banco Master, cujo relator do caso na corte é o ministro Dias Toffoli. No ano passado, Lula não discursou.

As investigações mostraram proximidades do magistrado com um dos advogados da causa, levantando questionamentos sobre sua posição na relatoria do caso.

Toffoli viajou de jatinho com esse advogado no final de novembro. Além disso, negócios familiares associam os seus irmãos a um fundo de investimentos ligado à instituição financeira. Sobre o tema, o presidente do STF já afirmou que a investigação tende a sair da corte.

Lula já se manifestou publicamente de forma crítica sobre as fraudes do banco. O presidente reuniu, no Palácio do Planalto ainda neste mês, autoridades envolvidas na investigação para tratar do tema. Entre elas, o ministro Alexandre de Moraes, o diretor da Receita, Robinson Barreirinhas, e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

Após o encontro, o petista se referiu às investigações em torno do caso Master como um momento histórico para o país e disse que o Estado brasileiro irá derrotar o crime organizado, durante cerimônia da posse de seu novo ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva.

Como mostrou a Folha de S. Paulo, ele também manifestou irritação a aliados com a conduta de Toffoli na relatoria e deu sinais de que não pretende defender o ministro.

No discurso desta segunda, Lula também citou a questão do feminicídio e relembrou do Pacto Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio, que será firmado entre os três Poderes nesta quarta-feira (4). Falas de combate à violência contra a mulher passaram a ser mais recorrentes nos discursos de Lula após episódios recentes de repercussão pelo país.

“Assassinos e agressores devem ser punidos com todo o rigor da lei, mas é preciso também educar os meninos. E conscientizar os homens de que nada, absolutamente nada, justifica qualquer forma de violência contra meninas e mulheres. Seja na realidade ou no ambiente digital.”

“Mais que um Pacto entre Executivo, Legislativo e Judiciário, esse precisa ser um pacto que envolva toda a sociedade brasileira. Um pacto que envolva, sobretudo, os homens deste país”, disse.

Ainda, Lula reforçou mensagens em defesa à democracia, com menções diretas aos ataques do 8 de janeiro de 2023.

“Democracia se constrói com eleições livres, mas se preserva com instituições capazes de defendê-las. Uma democracia sólida exige instituições confiáveis, mecanismos de prestação de contas e proteção contra abusos de poder. A condenação dos golpistas deixou uma mensagem clara: Os responsáveis por qualquer futura tentativa de ruptura democrática serão punidos com o rigor da lei.”

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