Maior central nuclear do mundo planeja reinício na segunda-feira

Empresa japonesa anunciou que o reator seis da central de Kashiwazaki-Kariwa deve ser reiniciado nos próximos dias, com início das operações comerciais em março. A retomada ocorre após inspeções adicionais e anos de paralisação desde o acidente de Fukushima

A elétrica japonesa TEPCO informou nesta sexta-feira (6) que pretende reiniciar na próxima segunda-feira (9) o reator número seis da central de Kashiwazaki-Kariwa, a maior usina nuclear do mundo em capacidade instalada. A previsão é iniciar as operações comerciais em 18 de março, com cerca de um mês de atraso em relação ao cronograma inicial.

Durante entrevista coletiva realizada no próprio complexo, o gerente da central, Takeyuki Inagaki, afirmou que todos os componentes do reator passaram por inspeções minuciosas antes da decisão de retomada das atividades.

Em 22 de janeiro, a empresa havia interrompido o funcionamento do reator seis após um alarme ser acionado no sistema de monitoramento das barras de controle, logo após a reativação da unidade. Segundo a TEPCO, a falha foi causada por uma configuração incorreta do sistema de alarme.

Com o problema identificado, a companhia planeja retomar o reator de forma gradual, aumentando progressivamente a geração de energia até alcançar a operação comercial em 18 de março, cerca de três semanas depois do previsto inicialmente.

O vice-porta-voz do governo japonês, Kei Sato, afirmou que pediu à empresa para garantir a segurança do processo e manter autoridades locais e moradores informados sobre cada etapa da reativação. Segundo ele, a retomada deve ocorrer com prioridade absoluta à segurança.

A paralisação do reator ocorreu um dia depois de a TEPCO ter reiniciado a central, encerrada havia 15 anos após o acidente nuclear de Fukushima, em 2011, também sob responsabilidade da empresa.

Em dezembro, a assembleia da província de Niigata, onde está localizada a central de Kashiwazaki-Kariwa, aprovou a reativação da unidade, após o aval do regulador nuclear nacional para religar dois dos sete reatores do complexo.

Os reatores seis e sete haviam passado pelas revisões técnicas necessárias ainda em 2017, mas a usina permaneceu inativa por falhas relacionadas à segurança contra ataques terroristas. As medidas corretivas foram finalmente aprovadas em dezembro de 2023 e, desde então, a TEPCO vem cumprindo os trâmites para colocar ambas as unidades em funcionamento.

Com capacidade superior a 8.000 megawatts, a central é considerada estratégica para o fornecimento de energia da empresa e está alinhada à política energética do governo japonês, liderado por Sanae Takaichi, que busca reforçar o uso da energia nuclear como parte da meta de redução das emissões de carbono.

Esta é a primeira reativação de uma central nuclear operada pela TEPCO desde o desastre de Fukushima, provocado pelo grande terremoto e pelo tsunami que atingiram o leste do Japão em 2011.
 
 

 

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