A NASA compartilhou um relatório produzido pela equipe independente que investigou o caso da cápsula Starliner, cujos problemas técnicos levaram uma dupla de astronautas a ficarem na Estação Espacial Internacional durante nove meses.
A NASA apresentou nesta quinta-feira, dia 19, um relatório sobre o caso da Starliner de 2024, no qual problemas técnicos verificados na cápsula da Boeing fizeram com que dois astronautas — Butch Wilmore e Suni Williams — ficassem “presos” na Estação Espacial Internacional.
A missão, que inicialmente deveria durar apenas dez dias, acabou se estendendo por um total de nove meses e obrigou a NASA a trazer Wilmore e Williams de volta em uma cápsula Dragon, da SpaceX.
O relatório, produzido pela equipe Program Investigation Team (PIT), formada pela agência espacial há cerca de um ano, classificou o caso como “acidente Tipo A” — a categoria mais grave na escala da NASA e a mesma atribuída, por exemplo, ao desastre do Challenger, no qual morreram os sete tripulantes da missão.
“Quase tivemos um dia verdadeiramente terrível”, afirmou o administrador associado da NASA, Amit Kshatriya, em coletiva de imprensa realizada para apresentar o relatório, acrescentando que a missão Starliner foi “um evento realmente desafiador na história recente” da agência.
Segundo o site Digital Trends, o atual administrador da NASA, Jared Isaacman, também esteve presente na coletiva e afirmou que “as deficiências de design e engenharia serão corrigidas” antes que a Starliner da Boeing seja incluída em futuras missões.
No entanto, Isaacman reservou as críticas mais duras para a antiga administração.
“A falha mais preocupante revelada por esta investigação não está relacionada ao hardware. Está no processo de tomada de decisão e na liderança que, se não forem corrigidos, podem criar uma cultura incompatível com voos espaciais tripulados”, afirmou Isaacman, destacando que o relatório será levado a sério e que “haverá responsabilização”.
Quanto às futuras missões tripuladas, a SpaceX deverá continuar sendo o principal parceiro da NASA até que os diversos problemas da Starliner sejam resolvidos pela Boeing.
Em resposta ao relatório, a Boeing divulgou seu próprio comunicado, afirmando que seguirá adiante corrigindo os pontos apontados pela agência espacial norte-americana.
“Nos 18 meses desde o nosso voo de teste, a Boeing fez progressos substanciais nas ações corretivas para os desafios técnicos que encontramos e promoveu mudanças culturais significativas em toda a equipe, diretamente alinhadas com as conclusões deste relatório”, diz o comunicado. “O relatório da NASA reforçará nossos esforços ao longo do tempo para fortalecer nosso trabalho e o de todos os Parceiros do Programa de Tripulação Comercial, em apoio à missão e à segurança da tripulação — que é e sempre será nossa maior prioridade.”

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