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  • Corrupção, inflação e economia em queda desafiam Milei na Argentina

    Corrupção, inflação e economia em queda desafiam Milei na Argentina

    Governo argentino enfrenta queda de popularidade e acumula casos de corrupção; queda na produção industrial deixou a situação de Milei mais preocupante

    O governo do ultraliberal Javier Milei enfrenta o pior momento à frente da Argentina em meio a escândalos de corrupção, queda nos índices de popularidade e na atividade econômica e industrial. 

    A inflação, até então principal vitrine política da Casa Rosada, voltou a acelerar. Após reduzir a inflação mensal de dois dígitos, no final de 2023, para cerca de 2% ao mês, ao longo de 2025, os índices de preços voltaram a subir entre o final do ano passado e o início de 2026, chegando a 3,4% em março deste ano.

    A aceleração recente fez Milei reconhecer dificuldades econômicas publicamente. “O dado é ruim”, disse em uma rede social.Ao mesmo tempo, a atividade econômica na Argentina apresentou uma retração de 2,6% em fevereiro, se comparado a janeiro, com uma queda acumulada de 2,1% nos últimos 12 meses.

    Talvez a situação mais preocupante seja a queda na produção industrial, que registrou baixa de 4% em fevereiro, acumulando uma queda de 8,7% nos últimos 12 meses.  

    Plano econômico

    O professor de economia da Fundação Getulio Vargas de São Paulo (FGV-SP) Paulo Gala comentou que o plano econômico de Milei é “simplista” e não tem dado conta de reverter completamente à situação econômica que herdou.

    “As pessoas não confiam mais no peso [moeda argentina]. Elas dolarizam [cotam em dólar] os contratos, um pouco parecido com o que aconteceu com o Brasil antes do Plano Real. Com isso, com qualquer coisa a inflação volta a acelerar. Reduzir o tamanho do Estado não resolve nada”, disse.

    O governo de Milei prega a redução do tamanho do Estado, com corte de gastos e austeridade fiscal, como medidas para conter a inflação e recuperar a economia.

    O economista Gala avalia que o plano de Milei não deve ir muito longe, argumentando que seriam necessárias outras medidas, como instituir uma nova moeda. 

    Ele destacou ainda que o peso argentino está sobrevalorizado, o que tem, segundo ele, destruído a indústria do país.

    “Esse mergulho da atividade manufatureira é fatal para o país porque esse setor é responsável por aumento de produtividade, por ganhos tecnológicos. Esse dado da indústria é muito ruim. Essa abertura comercial violenta que o Milei tem feito também destrói o pouco que restou de indústria na Argentina”, completou.

    Para o especialista, a tendência é a Argentina se desindustrializar cada vez mais, focando a economia apenas no setor agroexportador de matérias-primas. 

    “Não está descartado um cenário de recessão e, possivelmente, nova crise cambial com enorme dívida em dólares”, analisa Paulo Gala.

    A Argentina tem contraído novos empréstimos com bancos internacionais, em dólares, para segurar o valor do peso.

    Popularidade

    Além da situação econômica difícil, recentes casos de corrupção têm contribuído para a queda nos índices de popularidade do governo.

    Um dos exemplos é a investigação sobre suposto enriquecimento ilícito do chefe de gabinete de Milei, Manuel Adorni, que tem tido que se explicar sobre viagens de luxo e compra e reforma de imóveis supostamente incompatíveis com sua renda.

    As pesquisas de opinião têm registrado índices de desaprovação superiores a 60%, marcando os piores números desde que assumiu a Casa Rosada, em dezembro de 2023. 

    A da Atlas Intel do final de abril indicou uma reprovação de 63% da figura do Milei, com uma aprovação de 35%.

    A corrupção e o desempenho econômico são os fatores determinantes para a queda na popularidade. Segundo a consultoria Zentrix, 66,6% da população avaliam que se “quebrou” a promessa “anti-casta” de combate à corrupção de Milei.  

    “A corrupção surge como o principal desafio do país, mesmo entre aqueles que votaram no partido governante em 2025, superando o desemprego, a inflação ou os salários”, diz a empresa de pesquisas de opinião.

    O cientista político argentino Leandro Gabiati explicou à Agência Brasil que Milei foi eleito muito em cima do discurso de combate à corrupção, o que tem sido desconstruído ao longo do mandato.

    “Esse governo colocou a pauta da corrupção como uma política de Estado. Quando se observa que há casos envolvendo alguns funcionários do governo, como é o caso do chefe de gabinete, que seria uma espécie de primeiro-ministro, isso aí afeta a imagem do governo, desgasta o governo e cria problemas”, explicou.

    Ao mesmo tempo, Gabiati diz que a população reconhece a conquista do governo de reduzir a inflação, porém, pondera que os preços continuam subindo.

    “Obviamente, essa inflação, que dá uns 30% a 40% ao ano, é uma inflação importante. Reduzir demandaria mais esforço, tanto da sociedade, quanto do governo”, diz o especialista.

    Mas o que tem jogado à favor do governo Milei é a desorganização e a desaprovação da população em relação à oposição ao governo da Argentina.

    “Isso aí quer dizer que o governo terá problemas na eleição presidencial de 2027? Isso é algo que ainda está muito longe no radar. O governo tem alguns problemas que terá que resolver agora, mas a oposição ainda permanece desorganizada e sem ser uma opção política clara para o eleitor argentino”, avalia.

    Em uma notícia positiva para o governo, a consultoria de riscos Fitch Rating elevou a nota de crédito da Argentina de CCC+ para B-, com perspectiva de estabilidade, ao reconhecer as melhorias na “situação fiscal” e na balança externa do país. 

    Em consequência, a bolsa de Buenos Aires opera em alta nesta quarta-feira (6). Porém, para o economista Paulo Gala, isso não muda o quadro geral da economia argentina.

    Imprensa

    Em meio a esse contexto, o governo Milei tem escolhido a imprensa como um dos seus alvos. No final de abril, o governo proibiu a entrada de jornalistas na Casa Rosada, prejudicando cerca de 60 profissionais que cobriam o Poder Executivo, em Buenos Aires.

    Algumas emissoras foram acusadas de filmarem áreas do edifício sem autorização, o que foi negado pelas empresas de mídia.

    Após críticas contra a medida, apontada como uma violação à liberdade de imprensa na Argentina, o governo reabriu a Casa Rosada para imprensa nesta segunda-feira (3), mantendo ainda restrições à circulação na sede do poder do país vizinho.

    Corrupção, inflação e economia em queda desafiam Milei na Argentina

  • Bia Haddad perde para francesa e é eliminada na estreia em Roma

    Bia Haddad perde para francesa e é eliminada na estreia em Roma

    SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Bia Haddad está eliminada do WTA 1000 de Roma. A brasileira perdeu, nesta quarta-feira (6), por 2 sets a 0, para a francesa Leolia Jeanjean em sua estreia no torneio italiano.

    A brasileira foi eliminada no primeiro embate da chave principal de todos os WTA 1000 que disputou este ano. Ela é a 78ª colocada no ranking mundial da WTA.

    O melhor resultado de Bia Haddad no ano foi chegar às quartas de final do WTA 125 de La Bisbal, na Espanha. Ela perdeu para a local Marina Bassols Ribera, então número 183 do mundo.

    Já a francesa número 127 do mundo enfrentará a italiana Jasmine Paolini (8) na próxima rodada. A organização ainda divulgará data e horário do jogo.

    COMO FOI O JOGO

    Bia saiu atrás, empatou a parcial, mas viu a francesa levar a melhor no tie-break. O primeiro set começou parelho, até Jeanjean conseguiu a quebra e abrir 4 a 2. Bia se recuperou e deixou tudo igual em 4 a 4. O duelo seguiu empatado, foi para o tie-break, e a francesa levou a melhor, fechando o primeiro set em 7 (8) a 6 (6).

    Bia Haddad flertou com virada, mas viu a francesa abrir 2 a 0 e se despediu do torneio. A brasileira abriu 2 a 0 na parcial, mas viu a francesa empatar em 2 a 2. Bia ainda retomou a ponta, fez 3 a 2, mas viu Jeanjean levar o três games seguintes e abrir 5 a 2. Bia Haddad não se entregou, diminuiu para 5 a 4 e salvou dois match points no décimo game. A francesa, porém, suportou a pressão e fechou a segunda parcial, eliminando a brasileira.

    Bia Haddad perde para francesa e é eliminada na estreia em Roma

  • Além do Desenrola: veja dicas de educação financeira para evitar dívidas

    Além do Desenrola: veja dicas de educação financeira para evitar dívidas

    A nova versão do programa do governo Lula para reduzir o endividamento no país terá duração de 90 dias para famílias, estudantes e empresas

    O Governo Federal lançou o novo programa de renegociação de dívidas Desenrola 2.0. A iniciativa contará com uma mobilização de 90 dias para incentivar os brasileiros a renegociarem suas dívidas e regularizarem sua situação financeira, e está estruturado em quatro frentes: Desenrola Famílias, Desenrola FIES, Desenrola Rural e Desenrola Empresas. A modalidade Desenrola Famílias, que deve alcançar o maior número de pessoas, concentra as principais condições de renegociação.

    Com o Desenrola 2.0, brasileiros inadimplentes poderão renegociar seus débitos com descontos que variam de 30% a 90% sobre o valor principal, além de juros limitados a 1,99% ao mês. Podem participar cidadãos com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105). Para aderir ao novo Desenrola, os interessados devem procurar os canais oficiais das instituições financeiras.

    O programa também prevê a possibilidade de utilização de até 20% do saldo do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para a quitação das dívidas, benefício voltado a trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos.

    “O lançamento de um novo programa de renegociação de dívidas é uma medida importante porque ajuda as famílias a reorganizarem o orçamento e recuperarem o poder de consumo, especialmente em um cenário de juros elevados e renda comprometida”, afirma o professor e coordenador do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), Ahmed El Khatib.

    Segundo o docente, além do impacto direto na vida financeira da população, a iniciativa também pode gerar efeitos positivos na economia. “Quando o consumidor consegue limpar o nome e reduzir o peso das dívidas, ele volta a consumir de forma mais equilibrada, o que movimenta o comércio, melhora a arrecadação e contribui para reduzir a inadimplência no sistema financeiro”, completa.

    COMO EVITAR AS DÍVIDAS?

    A recomendação é que, na medida do possível, o consumidor não deixe de pagar suas dívidas, uma vez que as taxas de juros cobradas pela inadimplência são muito elevadas. “Entretanto, caso isso não seja possível, o valor à vista de uma negociação de dívidas (com ofertas tentadoras), em geral, apresenta o maior desconto. A opção em suportar algum tempo com o nome negativado deve levar em consideração se o consumidor precisa de mais crédito neste período (‘nome limpo’) ou se pode conviver com essa restrição por um tempo até conseguir um fôlego financeiro”, diz.

    DICAS PRÁTICAS PARA EVITAR O ENDIVIDAMENTO

    Além da possibilidade de renegociação com o novo programa governamental, Ahmed oferece conselhos práticos para que as famílias evitem endividar-se de forma recorrente e mantenham suas finanças saudáveis.

    Faça um orçamento familiar detalhado: o primeiro passo é mapear toda a renda líquida da família — salários, trabalhos extras, benefícios ou rendimentos — e listar todas as despesas fixas (aluguel, condomínio, escola, plano de saúde) e variáveis (alimentação, transporte, lazer, delivery). Ao visualizar o fluxo de caixa mensal, é possível identificar, por exemplo, que pequenos gastos recorrentes — como assinaturas pouco utilizadas ou compras frequentes por aplicativo — estão comprometendo uma parcela relevante da renda. Esse diagnóstico permite cortar excessos e estabelecer metas realistas de economia.

    Utilize ferramentas de controle financeiro: planilhas eletrônicas ou aplicativos de gestão financeira ajudam a categorizar despesas (moradia, transporte, alimentação, lazer) e gerar relatórios automáticos. Ao analisar esses dados, a família pode perceber, por exemplo, que o gasto com alimentação fora de casa supera o previsto ou que o cartão de crédito concentra despesas parceladas que comprometem os meses seguintes. A visualização clara dos dados facilita decisões mais racionais e menos impulsivas.

    Evite contrair novas dívidas e priorize a quitação das existentes: é fundamental estabelecer uma estratégia de amortização, começando pelas dívidas com juros mais elevados, como cartão de crédito e cheque especial, que podem ultrapassar 300% ao ano. Por exemplo, trocar uma dívida rotativa do cartão por um crédito pessoal com taxa menor já reduz significativamente o custo financeiro. Além disso, suspender temporariamente compras parceladas até equilibrar o orçamento evita o chamado “efeito bola de neve”.

    Pesquise preços antes de realizar compras: comparar valores entre lojas físicas e online, utilizar comparadores de preço e acompanhar períodos promocionais pode gerar economia relevante no médio prazo. Um eletrodoméstico, por exemplo, pode variar centenas de reais entre estabelecimentos. No supermercado, substituir marcas tradicionais por equivalentes de qualidade semelhante também contribui para reduzir a conta mensal sem perda significativa de padrão de consumo.

    Planeje compras e gastos fixos: organizar previamente a lista de supermercado, definir um teto de gastos e evitar compras com fome ou pressa são medidas simples que reduzem desperdícios. Da mesma forma, revisar periodicamente contratos de serviços — como internet, TV por assinatura ou telefonia — pode abrir espaço para renegociação ou migração para planos mais adequados ao perfil de uso. Esse planejamento transforma despesas obrigatórias em decisões mais estratégicas, e não automáticas.

    Essas medidas, alinhadas à possibilidade de renegociação com condições mais favoráveis, podem contribuir para reduzir o comprometimento da renda com dívidas e fortalecer a capacidade de poupança das famílias brasileiras.

    DÍVIDA CADUCA VERSUS DÍVIDA PRESCRITA

    No contexto do endividamento das famílias, é essencial entender conceitos que impactam diretamente a vida financeira do cidadão. O professor Ahmed El Khatib, ressalta a importância de distinguir dois termos frequentemente confundidos. 

    “Vou ilustrar a diferença por meio de um exemplo. Imagine que uma pessoa fez uma compra parcelada em 24 meses numa loja para a aquisição de um eletrodoméstico, e por algum motivo não conseguiu honrar as quatro últimas parcelas. De acordo com a Lei, após a empresa notificar essa pessoa cobrando pelo pagamento, a loja pode comunicar os órgãos de proteção ao crédito como SPC e Serasa e solicitar a inclusão do nome dela numa lista de ‘negativados’ por conta dessa dívida. Dessa forma, o CPF dessa pessoa ficará com restrições de crédito. Depois de cinco anos com o CPF com restrições, esses serviços são obrigados a excluir aquela dívida do registro dos órgãos de proteção ao crédito. Nesse caso, dizemos que a dívida com aquela loja caducou”, explica.

    Desse modo, caducar uma dívida significa que o nome não pode mais ficar “sujo” por ter deixado de pagá-la. Ainda mais, depois desse tempo, a dívida deixa de impactar o seu score de crédito, a “nota” dada a uma pessoa de acordo com o seu histórico de pagamentos.  

    Isso ocorre por conta do artigo 27 do Código de Defesa do Consumidor (CDC), que diz que após esse período ninguém pode mais continuar tendo restrições à obtenção de crédito por causa de uma pendência.

    Deixar uma dívida caducar pode até trazer um alívio momentâneo, pois o nome da pessoa passa a ficar “limpo” junto aos órgãos de proteção de crédito. Entretanto, as dívidas caducadas podem e são acessadas pelos bancos, uma vez que mantem suas próprias listas com dados fornecidos pelo Banco Central do Brasil (BCB), como os do Sistema de Informações de Crédito (SCR).

    “A pessoa que deixou a dívida caducar pode ter problemas ao tentar um financiamento no banco, uma nova linha de crédito pessoal e até mesmo, em alguns casos, para emissão de um cartão de crédito. Mas ainda que o consumidor tenha um histórico de dívidas caducadas, é possível que ele consiga um financiamento imobiliário, por exemplo. Mas isso depende de cada instituição financeira. Existem bancos que sequer permitem que um consumidor com dívida caducada abra uma conta corrente ou solicite um cartão de crédito. Para além do score baixo, o consumidor que não honra seus compromissos achando que eles irão ‘caducar’ pode sofrer com taxas de juros mais altas, ainda que consiga um empréstimo, pois a confiança do banco é baixa, em função desse histórico de dívidas não quitadas”.

    Já a prescrição de uma dívida acontece quando a empresa não tem mais o direito de fazer a cobrança por via judicial. Isso acontece porque existe um tempo específico para entrar com um processo judicial contra uma pessoa que está devendo.

    “Assim, quando a empresa perde esse prazo, ela também perde o direito de entrar com ação na Justiça para cobrar a dívida. Então, dizemos que a dívida prescreveu. Em resumo, uma dívida só prescreve caso a empresa não tenha feito a cobrança do valor durante o tempo previsto em lei”, finaliza Ahmed.

    Além do Desenrola: veja dicas de educação financeira para evitar dívidas

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  • Após pressão sobre Trump, EUA autorizam primeiros vapes com sabor de frutas

    Após pressão sobre Trump, EUA autorizam primeiros vapes com sabor de frutas

    Autorização ocorre após meses de pressão do setor sobre Donald Trump, que descartou a proibição em campanha

    SÃO PAULO, SP (UOL/CBS NEWS) – A agência reguladora de comidas e remédios autorizou pela primeira vez cigarros eletrônicos com sabor de frutas para venda nos EUA, em uma mudança que deve enfrentar resistência de grupos de saúde, informou com exclusividade a Associated Press.

    Autorização inclui quatro versões de um mesmo produto, com sabores de frutas e mentol. A agência liberou dispositivos da Glas Inc. nos sabores manga, mirtilo e duas variações de mentol, que a empresa pretende vender como Gold, Sapphire, Classic Menthol e Fresh Menthol.

    Decisão marca uma inflexão porque, até agora, o órgão só permitia vapes com sabor de tabaco ou mentol. A agência ressaltou que a autorização não é um endosso e que os produtos são destinados a adultos que querem parar de fumar ou reduzir o consumo de cigarros.

    Agência citou mecanismos de verificação de idade para sustentar que a compra por menores tende a ser mais difícil. Para usar o dispositivo, o consumidor precisa validar a idade no celular com documento oficial, e o vape só funciona quando conectado por Bluetooth ao telefone verificado.

    Organizações antitabaco dizem que a medida vira um atrativo no consumo entre jovens. “Em última análise, é fundamental que permaneçamos vigilantes na proteção dos jovens, incluindo o monitoramento rigoroso do uso de produtos autorizados”, afirmou Kathy Crosby, da Truth Initiative, em comunicado enviado por e-mail à agência de notícias.

    Já a indústria defende que os cigarros eletrônicos podem reduzir danos do tabagismo em adultos. O tabaco é associado a cerca de 480 mil mortes por ano nos EUA, por doenças como câncer e problemas pulmonares e cardíacos, de acordo com a reportagem.

    Autorização ocorre após meses de pressão do setor sobre Donald Trump, que descartou a proibição em campanha. O texto aponta que fabricantes e entidades do setor vinham pedindo ao governo republicano a flexibilização de restrições para seus produtos.

    Uso de cigarros eletrônicos por adolescentes caiu ao menor nível em dez anos, segundo dados citados pela AP. Ainda assim, grupos de pais e de saúde costumam apontar os sabores como um dos principais fatores de atração para menores de idade.

    Governo Biden negou mais de um milhão de pedidos de produtos com sabores doces ou de frutas. A repressão, iniciada após um pico em 2019, é creditada por ter ajudado a reduzir o cigarro eletrônico entre estudantes do ensino fundamental e médio.

    Produtos autorizados são minoria diante do que circula entre adolescentes, segundo dados do governo dos EUA. A maior parte dos jovens que usa vape consome itens não autorizados com sabores de frutas e doces, que são tecnicamente ilegais, mas seguem disponíveis.

    Reportagem aponta que esses produtos ilegais aparecem com frequência em versões baratas e descartáveis, muitas vezes importadas da China. O cenário reforça o desafio de fiscalização e de controle de acesso por menores, mesmo com autorizações formais.

    Após pressão sobre Trump, EUA autorizam primeiros vapes com sabor de frutas

  • Mbappé discute em treino, e Real vira campo minado após queda na Champions

    Mbappé discute em treino, e Real vira campo minado após queda na Champions

    SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Mbappé discutiu com um membro da comissão técnica do Real Madrid e aumentou a tensão no time merengue, que soma polêmicas desde a queda na Liga dos Campeões.

    O atacante francês se desentendeu com o integrante da comissão após este apontar impedimento durante um treino, informou o The Athletic. Na ocasião, o irritado Mbappé teria usado “termos insultuosos” contra o profissional, que atuava como bandeirinha. O episódio aconteceu em 24 de abril.

    Mbappé não foi punido e já enfrenta nova polêmica por viagem com a namorada. O jogador, que se recupera de uma lesão muscular, foi para Cagliari, na Itália, com a namorada Ester Expósito no último fim de semana. Segundo o Marca, o astro francês tinha aval do departamento médico do time merengue para viajar.

    A torcida também cobrou o francês e lançou a campanha “Mbappé Out” (“Fora, Mbappé”, na livre tradução do inglês). Na mensagem que convoca assinaturas, os organizadores dizem: “Madridistas, faça sua voz ser ouvida. Se acredita que a mudança é necessária, não fique em silêncio, assine essa petição e mostre que o que você pensa é o melhor para o futuro do clube”.

    O entorno do jogador se manifestou após a polêmica. Em comunicado divulgado pela AFP, a equipe de Mbappé disse que “parte das críticas se baseiam em uma interpretação excessiva de elementos relacionados a um período de recuperação estritamente supervisionado pelo clube, sem que isso corresponda à realidade do comprometimento diário de Kylian”.

    O francês também enfrenta um desgaste no vestiário. Mbappé teria demonstrado frieza e pouca disposição para explicar incômodos físicos, segundo o Marca.

    CAMPO MINADO

    O zagueiro Antonio Rudiger teria agredido o lateral-esquerdo Álvaro Carreras com um tapa no rosto no vestiário do centro de treinamento há duas semanas. A informação é da rádio espanhola Onda Cero.

    A agressão teria começado depois de uma discussão acalorada entre os jogadores. A convivência entre ambos não era das melhores, principalmente pela diferença de idade e personalidade. Rudiger teria pedido desculpas e convidado Carreras para sua casa, segundo o The Athletic.

    Já Dani Ceballos rompeu com o técnico Arbeloa e deve deixar o clube na próxima janela, informou o Marca. Internamente, há o entendimento que não é possível que a relação seja recomposta.

    O treinador, inclusive, deve deixar o time merengue ao final de uma temporada sem títulos. José Mourinho, do Benfica, é o principal cotado para assumir o posto de Arbeloa.

    O clube também prepara uma “barca” visando a próxima temporada. Nomes como Carvajal, Alaba, Asencio, Camavinga e Gonzalo Garcia podem sair, de acordo com o The Athletic.

    Para aumentar a crise, o Real pode ver o Barcelona garantir o título do Espanhol no clássico deste domingo. Só uma vitória merengue adia o título do rival. O jogo será às 16h (de Brasília), no Camp Nou. O Barça tem 88 pontos, contra 77 do merengues.

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  • Conselho de Ética suspende três deputados por motim na Câmara

    Conselho de Ética suspende três deputados por motim na Câmara

    Em agosto de 2025, deputados e senadores da oposição pernoitaram nos plenários do Congresso Nacional, impedindo a realização das sessões, pedindo anistia para o ex-presidente Jair Bolsonaro

    O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados suspendeu por 60 dias os mandatos dos deputados Marcos Pollon (PL-MS), Marcel van Hattem (Novo-RS) e Zé Trovão (PL-SC), por quebra de decoro. 

    A suspensão foi motivada pelo motim realizado pelos parlamentares no plenário da Casa em favor da anistia aos golpistas condenados no contexto do 8 de janeiro de 2023.

    O resultado da votação do Conselho de Ética ainda precisa ser confirmado, em plenário, por pelo menos 257 votos. Os deputados alvos das representações ainda podem recorrer da decisão à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).Relembro o caso

    Em agosto de 2025, deputados e senadores da oposição pernoitaram nos plenários do Congresso Nacional, impedindo a realização das sessões, em protesto contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, e exigindo a votação do projeto de lei da anistia aos golpistas.

    Em resposta, o presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), pediu o afastamento de 14 deputados envolvidos no motim.Já o corregedor da Câmara, deputado Diego Coronel (PSD-BA), sugeriu ao Conselho de Ética a suspensão dos mandatos dos três parlamentares que tiveram os processos analisados.

    Votação

    Após nove horas de debates, o Conselho de Ética aprovou, nesta terça-feira (5), os pareceres apresentados contra os deputados alvos das representações.

    No caso do deputado Pollon, foram 13 votos contra quatro. Já Van Hattem e Zé Trovão tiveram a suspensão aprovada por 15 votos contra quatro.  

    O deputado Zé Trovão classificou a decisão como perseguição, dizendo que tomaria novamente a Mesa: 

    “E digo mais, se for preciso tomar a Mesa novamente, em algum momento da história, para defender quem me elegeu, assim eu o farei.”
    Já o deputado Marcos Pollon destacou que nunca teria quebrado o decoro durante seu mandato.

    “Sempre mantive um debate de alto nível. Só que a humanidade grita mais alto para quem tem sangue correndo nas veias. O grau de injustiça que nós estamos vendo no nosso país é absurdo”, lamentou.

    Por sua vez, o deputado Marcel van Hattem destacou que o motim no plenário da Câmara teria sido uma manifestação pacífica.

    “Assim como foi feito no Senado – Senador Girão, Senador Sergio Moro esteve aqui conosco dando solidariedade também –, onde nada aconteceu. Nós vimos lá, sim, bom senso, respeito à democracia, respeito à oposição. Aqui nós estamos vendo a mais pura e simples perseguição”, destacou em sua defesa.

    Conselho de Ética suspende três deputados por motim na Câmara

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  • Defesa de Vorcaro entrega anexos de delação à PGR e à PF

    Defesa de Vorcaro entrega anexos de delação à PGR e à PF

    Defesa de Vorcaro entrega anexos de delação premiada à PGR e Polícia Federal. Caso envolve rombo de R$ 57 bilhões e suspeitas sobre ministros do STF

    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – A defesa de Daniel Vorcaro entregou a proposta de delação premiada do dono do Banco Master à PGR (Procuradoria-Geral da República) e a PF (Polícia Federal). Essa etapa precede a discussão sobre os benefícios da colaboração e a devolução de recursos.

    Cada um dos anexos da delação deve tratar de um episódio diferente de irregularidades cometidas pelo ex-banqueiro e por outras pessoas, com detalhes da situação, nomes dos envolvidos e a apresentação por meios de provas.

    Vorcaro apresenta, no material, os crimes que teria cometido, as condutas ilícitas que envolvem terceiros e elenca provas que poderá apresentar caso o acordo de colaboração seja aceito pelas autoridades. A partir desses elementos, foram montados os anexos.

    A informação sobre a conclusão dos anexos foi divulgada inicialmente pelo jornal O Globo e confirmada pela reportagem. A reportagem apurou com pessoas que acompanham o caso que o material foi entregue por volta das 12h desta quarta (6).

    Depois da apresentação desses anexos, que tramitará sob sigilo, a defesa e os investigadores passarão a discutir condições como redução e regime de pena à qual ele deve ser submetido. Até o momento, o entendimento de autoridades é de que ele não deve receber perdão judicial.

    Também se discutirá os valores que terão que ser pagos por Vorcaro ao Estado, como multa ou ressarcimento.

    A defesa do ex-banqueiro tem ido diariamente à Superintendência da PF em Brasília, onde os relatos de Vorcaro são colhidos.

    Vorcaro foi transferido em 19 de março para a Superintendência da Polícia Federal do Distrito Federal, com o objetivo de discutir os termos de sua delação premiada.

    A decisão foi tomada pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que relata o inquérito sobre irregularidades relacionadas ao Master.

    Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro, quando tentava embarcar para o exterior, no aeroporto de Guarulhos. A PF aponta que ele tentava fugir do país, mas ele argumenta que viajaria para encontrar investidores interessados em comprar o Banco Master.

    Ele foi solto dez dias depois e voltou a ser preso em 4 de março, em fase da operação policial Compliance Zero que também atingiu servidores do Banco Central.

    Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e também preso durante investigações contra as fraudes do Banco Master, trocou sua equipe de defesa e mira conseguir fechar um acordo de delação premiada.

    Defesa de Vorcaro entrega anexos de delação à PGR e à PF

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  • Tribunal israelense rejeita libertação do brasileiro Thiago Ávila

    Tribunal israelense rejeita libertação do brasileiro Thiago Ávila

    Tribunal israelense rejeitou um recurso contra prolongamento de detenção do ativista brasileiro Thiago Ávila e o espanhol Saif Abu Keshek

    A justiça israelense validou a extensão até domingo da detenção dos dois ativistas da Flotilha Global Sumud presos ao largo da costa da Grécia, rejeitando um recurso contra este prolongamento, disse à AFP o advogado de defesa.

    “O tribunal de Berseba rejeitou o nosso recurso e aceitou todos os argumentos do Estado”, disse Hadeel Abu Salih, advogado do espanhol Saif Abu Keshek e do brasileiro Thiago Ávila, que integraram a flotilha que pretendia levar ajuda humanitária para a Faixa de Gaza.

    Os dois detidos compareceram hoje a tribunal para contestar o prolongamento da sua detenção, após a justiça ter decidido na terça-feira que Saif e Thiago ficariam mais seis dias na prisão.

    Na decisão de terça-feira, o juiz do tribunal de Ashkelon (sul) alegou que se trata de uma “investigação complexa” com fundamentos para a continuidade do inquérito, mas que também enfrenta “interferência e destruição de provas”.

    Os detidos ainda não foram indiciados, mas Israel os acusa de ligações ao movimento islâmico palestino Hamas e, portanto, de “afiliação a uma organização terrorista”.

    Os dois homens negam veementemente e dizem que só queriam levar ajuda humanitária para a Faixa de Gaza, enclave palestino que foi devastado por mais de dois anos de guerra.

    Segundo o Governo de Madrid, Israel não forneceu “nenhuma evidência” de qualquer ligação com o movimento islâmico palestino.

    Brasil e Espanha têm apelado repetidamente à libertação dos dois ativistas.

    Tratou-se de uma “detenção ilegal, que ocorreu em águas internacionais, onde os ativistas foram raptados pela marinha israelense sem qualquer autoridade”, disse a advogada.

    Hadeel Abu Salih descreveu a prisão como uma “carta branca” dada às autoridades, considerando-a “muito preocupante”.

    Isto poderia dar ao país “a legitimidade para o fazer repetidamente e raptar cidadãos internacionais”, disse.

    A interceptação da flotilha pelo exército israelense levou à condenação de muitos países, incluindo Itália, Alemanha e Turquia, que tinham nacionais a bordo.

    Antes da audiência de hoje, a ONU apelou à libertação “imediata” e “incondicional” de Thiago Ávila e Saif Abukeshek.

    Os dois homens foram detidos na última quinta-feira em águas internacionais e foram acusados de crimes de terrorismo pelas autoridades israelenses.

    Foram detidos juntamente com outros cerca de 170 ativistas, quando o Exército israelense interceptou cerca de metade dos navios pertencentes à Flotilha Global Sumud, a cerca de 100 quilômetros a oeste da ilha grega de Creta, em águas internacionais.

    No entanto, no caso destes dois, Israel decidiu extraditá-los para o seu território para serem julgados. Os demais ativistas foram levados para a Grécia e libertados.

    Saif Abukeshek e Thiago Ávila estão em greve de fome desde a detenção e têm estado a ser interrogados por agentes israelenses.

    A organização de direitos humanos israelense Adalah, que representa os dois detidos, denunciou os “maus-tratos” e “abusos psicológicos” infligidos a Saif Abukeshek e Thiago Ávila na prisão, citando interrogatórios de oito horas, iluminação intensa nas celas 24 horas por dia, isolamento total e movimentos sistematicamente vendados, mesmo durante exames médicos.

    A Flotilha Global Sumud para Gaza era inicialmente composta por cerca de cinquenta barcos e, segundo os seus organizadores, visava quebrar o bloqueio de Israel ao território palestino devastado pela guerra e levar ajuda humanitária, que permanece severamente restringida.

    Tribunal israelense rejeita libertação do brasileiro Thiago Ávila

  • Messias cumpria os requisitos constitucionais para vaga no STF, avalia Durigan

    Messias cumpria os requisitos constitucionais para vaga no STF, avalia Durigan

    “Ainda que critique a rejeição do nome do Jorge Messias, que acho que cumpria os requisitos constitucionais de conhecimento jurídico notável e de reputação ilibada, eu procuro manter, como sempre fizemos, a pauta econômica de alguma maneira imunizada dos grandes debates políticos. Porque a pauta econômica afeta a vida das pessoas”, afirmou.

    O ministro da Fazenda, Dario Durigan, criticou nesta quarta-feira (6) a rejeição pelo Senado do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), mas disse que procura manter a pauta econômica imune a esses grandes debates políticos no Congresso. Ele participa do programa Bom dia, ministro, da EBC, uma empresa pública controlada pelo governo federal.

    \”Ainda que critique a rejeição do nome do Jorge Messias, que acho que cumpria os requisitos constitucionais de conhecimento jurídico notável e de reputação ilibada, eu procuro manter, como sempre fizemos, a pauta econômica de alguma maneira imunizada dos grandes debates políticos. Porque a pauta econômica afeta a vida das pessoas\”, afirmou.

    O ministro repetiu que a pauta econômica não deve ter problemas com o Congresso, mesmo com reprovação \”injusta\” de Messias ao STF.

    Sobre concursos públicos, Durigan disse que é o momento de desacelerar concursos e deixar contratações para o próximo governo.

    \”Tem espaço, mas a gente está chegando no fim do governo, então agora é hora de desacelerar um pouquinho, seguir nas contratações que estão previstas e deixar novos concursos, novas contratações para o próximo governo\”, completou.

    Messias cumpria os requisitos constitucionais para vaga no STF, avalia Durigan

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  • Dólar abre estável com negociações entre EUA e Irã no radar

    Dólar abre estável com negociações entre EUA e Irã no radar

    Por volta das 9h30, a moeda norte-americana avançava 0,06%, a R$ 4,916. No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a outras seis moedas fortes, recuava 0,54%.

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar abriu próximo da estabilidade nesta quarta-feira (6), em meio ao alívio nas tensões na guerra do Oriente Médio.
    O comportamento acompanha a queda internacional dos preços de petróleo, que chegam a despencar mais de 10% neste pregão.

    Por volta das 9h30, a moeda norte-americana avançava 0,06%, a R$ 4,916. No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a outras seis moedas fortes, recuava 0,54%.

    A possibilidade de retomada de negociações entre EUA e Irã está no radar dos investidores. Segundo um porta-voz do Paquistão, mediador da trégua, os dois países estão próximos de um acordo. O site Axios havia divulgado horas antes que as duas partes discutem um memorando para encerrar a guerra

    Os EUA estariam esperando respostas iranianas sobre vários pontos-chave nas próximas 48 horas, sendo este o momento em que o acordo ficou mais próximo desde o início da guerra, em 28 de fevereiro.

    Com as notícias, o barril de petróleo Brent, referência mundial, chegou a desabar 11,92%, às 8h (horário de Brasília), a US$ 96,77, ficando abaixo de US$ 100 pela primeira vez desde 23 de abril.

    Na terça-feira (5), a moeda norte-americana fechou em queda de 1,09%, cotado a R$ 4,912, enquanto a Bolsa avançou 0,62%, aos 186.753 pontos. A cotação do dólar foi a menor valor desde 26 de janeiro de 2024, quando havia atingido R$ 4,911.

    O pregão doméstico foi beneficiado pelo maior apetite global por risco e pela repercussão da ata do Copom (Comitê de Política Monetária).

    A queda dos preços internacionais do petróleo levou investidores a buscarem ativos de maior risco, como mercados emergentes e ações. Por outro lado, o documento do Banco Central reforçou uma postura mais cautelosa, interpretada como positiva por analistas do mercado local ao sustentar o diferencial de juros do Brasil.

    Investidores continuaram acompanhando o cenário de tensão no Oriente Médio nos mercados doméstico e internacional. Relatos de passagens de embarcações animaram analistas e reverberaram nas cotações de petróleo.

    O conflito no Oriente Médio bloqueia o fluxo no estreito de Hormuz, via por onde passa cerca de 20% do abastecimento mundial de petróleo e gás. A paralisação tem gerado um temor de um repique inflacionário global por levar os preços de petróleo a dispararem.

    As cotações da commodity subiram mais de 5% na segunda-feira (4), mas registram queda durante o pregão desta terça. Por volta das 17h, o Brent, referência mundial, era negociado a US$ 110,13, em queda de 3,78%.

    O comportamento de apetite por risco foi global. Nos EUA, as Bolsas S&P 500 e Nasdaq registraram recordes de fechamento e encerraram com altas de 0,88%, a 7.263 pontos, e 1,03%, a 25.326 pontos, respectivamente.

    No câmbio, o dólar também se desvalorizou frente a moedas emergentes, como peso mexicano e rand sul-africano.

    O ânimo foi despertado pela passagem de navegações pelo estreito. Segundo a empresa Maersk, uma das principais do transporte marítimo, um de seus navios-petroleiros, Alliance Fairfax, conseguiu atravessar a via sem incidentes.

    As incertezas, contudo, persistem. Nesta tarde, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, minimizou a capacidade militar do Irã e disse que o país deveria “hastear a bandeira branca”. Teerã, por sua vez, aumentou o tom das ameaças.

    “Sabemos perfeitamente que a continuidade da situação atual é insustentável para os Estados Unidos, enquanto nós ainda nem começamos”, disse Mohamad Bagher Ghalibaf, chefe do Parlamento e o principal negociador do Irã, em uma mensagem na rede social X (ex-Twitter).

    No ambiente doméstico, ata do Copom foi o destaque. No documento divulgado nesta terça-feira, o comitê disse ver impacto do conflito no Oriente Médio sobre a inflação e piora nas expectativas no longo prazo.

    O colegiado do Banco Central optou por um ajuste conservador após ver as projeções para inflação mais distantes da meta de 3% e não sinalizou abertamente o rumo de seus próximos movimentos.

    O alvo central do BC é 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. No atual modelo, de meta contínua, o Banco Central considera o objetivo descumprido quando a inflação acumulada permanece durante seis meses seguidos fora do intervalo, que vai de 1,5% (piso) a 4,5% (teto).

    No acumulado de 12 meses até março, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) chegou a 4,14%. O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15), que sinaliza uma tendência para a inflação oficial do país, mostrou em abril pressão sobre preços de combustíveis e alimentos.

    O comitê, contudo, afirmou que os eventos recentes não impedem a continuação do ciclo de queda de juros, julgando a redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica como a mais adequada.

    Dirigentes do Copom já afirmaram que o ritmo de corte deve continuar por aqui pela Selic estar com uma “gordura extra”.

    Analistas afirmam que a ata não define os próximos passos do Copom, mas reforça uma postura de maior cuidado da instituição.

    Para Otávio Araújo, consultor sênior da Zero Markets Brasil, a ata do Copom deve ser lida como uma peça-chave para calibrar as apostas sobre a Selic, “especialmente depois da alta recente do petróleo e da elevação das incertezas geopolíticas no Oriente Médio”.

    Gabriel Pestana, economista sênior da Genial Investimentos, reforça que a ata não sinaliza corte em junho, mas também não descarta o cenário-base de reduções. “Avaliamos que a ata de hoje segue consistente com a nossa expectativa de que o comitê cortará a Selic”, diz

    Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, afirma que o comunicado reforça que a taxa está sendo reprecificada para cima. “Para o investidor, a leitura prática é que juro real alto veio para ficar mais tempo”.

    A postura mais cautelosa do Copom sinaliza que o diferencial de juros do Brasil deve se manter, principalmente em relação aos EUA. Na quarta-feira passada, o Fed manteve a taxa de juros inalterada na faixa de 3,5% a 3,75%. No mesmo dia, o Copom anunciou um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, levando a Selic a 14,5% ao ano.

    Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, vê uma combinação de dólar global mais fraco e fluxo favorável para ativos de risco favorecendo o Brasil. “Há uma percepção de descompressão no Irã, apesar de o cessar-fogo continuar frágil. Ao mesmo tempo, o mercado local ainda se beneficia do diferencial de juros”.

    Para Márcio Rialba, head da mesa de operações da StoneX, o dólar em queda sinaliza o diferencial de juros doméstico voltando a pesar. “A combinação de dólar global mais comportado, entrada de recursos para renda fixa local e desempenho favorável das commodities sustenta o real. Além disso, a leitura de política monetária ainda contracionista no Brasil reforçam o carry trade”.

    No carry trade, investidores captam recursos em economias com juros mais baixos, como os Estados Unidos, e aplicam em ativos de países com taxas mais elevadas, como o Brasil, buscando ganhos com o diferencial de juros. O comportamento é citado como um dos principais responsáveis pela alta recente da Bolsa e do real.

    Dólar abre estável com negociações entre EUA e Irã no radar

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