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  • Representatividade e narrativas PCDs crescem na teledramaturgia

    Representatividade e narrativas PCDs crescem na teledramaturgia

    Ator e cineasta Tico Barreto fala sobre como a teledramaturgia vem abrindo espaço para atores PCDs, como é o caso de Haonê Thinar e Pedro Fernandes (foto), em Dona de Mim, e a sua importância

    Em “Dona de Mim”, atual novela das 19h da TV Globo, dois personagens são pessoas com deficiência, e interpretados por atores PCD. A atriz Haonê Thinar interpreta Pam, batalhadora que é grande amiga da protagonista Leona (Clara Moneke), com quem trabalha na fábrica Boaz. Ela também é mãe solo de um menino, e vive uma relação complicada com Danilo (Felipe Simas). Junto dela, está o ator Pedro Fernandes, interprete de Peter, personagem com paralisia cerebral cuja história não gira em torno da superação, e sim da busca por sua autonomia.

    A inclusão de atores PCD na teledramaturgia é celebrada, já que esses personagens costumavam ser interpretados por pessoas sem deficiência. O cineasta e ator Tico Barreto observa que a representatividade de pessoas com deficiência na teledramaturgia brasileira nos últimos anos caminha a passos lentos, porém vista com sentido de urgência e positividade pela comunidade PDC nacional, da qual faz parte.

    Notícias ao Minuto [Ator e cineasta Tico Barreto fala sobre como a teledramaturgia vem abrindo espaço para atores PCDs]© Divulgação  

    “A presença de personagens PCD transforma, e muito, a percepção do público sobre a deficiência, pois, através da arte, podemos perceber, sentir e experienciar os mistérios que envolvem ser um corpo PCD, e seu dia a dia. A teledramaturgia, assim como o cinema, funciona com um reflexo social, e aquela ficção pode ser a realidade da vida de alguém em alguma parte do mundo. As produções não estão fazendo um favor nos dando emprego, e sim percebendo que temos histórias, somos mão de obras e estamos vivos”, reflete.

    Personagens PCDs já foram vividos muitas vezes por atores que não tinham nenhuma deficiência, porém há alguns anos a teledramaturgia tem dado destaque a atores PCDs para mostrarem o seu talento. Em 2009, a atriz deficiente visual Danieli Haloten deu vida a Anita em “Caras e Bocas”, outro caso, de bastante sucesso, foi em “Páginas da Vida”, de 2006, Joana Mocarzel interpretou Clarinha, uma menina com síndrome de Down que comoveu o Brasil por ser rejeitada pela avó quando sua mãe morreu no parto.

    “É importante sim escalar atores PCD para interpretar personagens com deficiência, porém, a capacidade de um ator, seja PCD ou não, é gigantesca e transcende até a própria aplicabilidade. Os atores tem o direito de se desafiar e vencer a proposta de interpretar algo diferente do seu dia a dia. Garantir esse lugar de liberdade na arte, onde cada ator faz as suas escolhas, onde os corpos PCDs tem espaço para se reinventar, é não nos tirar o direito do fazer artístico por uma força opressora maior, e nos permitir fazer escolhas. Isso é anticapacitismo”, complementa.

    Fundador do MOVA – Movimento Nacional do Audiovisual, Tico criou uma rede coletiva, livre e independente que une trabalhadores da cultura de todo o país em torno de objetivos como acessibilidade, representatividade, inclusão e políticas públicas para o setor. O cineasta, que construiu sua trajetória dentro do audiovisual a partir das margens sociais e simbólicas, une sua vivência pessoal como pessoa neurodivergente e PCD à produção de filmes que abordam temas sensíveis como violência, desigualdade e exclusão. Com mais de duas décadas de atuação, Tico também se destaca pela criação de metodologias colaborativas que envolvem oficinas em periferias e a inclusão de não-atores em seus projetos.

    “As novelas e filmes moldam a sociedade, pois nos levam a sentir no corpo, como espectadores, sensações e sentimentos daquilo que estamos vendo na ficção. Essa identificação vem banhada de memorias afetivas, perdões e ressignificações, então as pessoas mudam. As pessoas mudam sim quando se colocam no corpo do outro, nem que seja de uma forma artística essa colocação. As narrativas da teledramaturgia precisam responderem ao seu grande público, e se o povo quer se ver refletido nas telas, com todos os corpos e diversidade, é neste local onde a televisão sabe que pode realizar a ponte”, diz.

    Tico, que recentemente recebeu uma medalha de honra ao mérito do Município de São Paulo pelas ações e a luta do MOVA por mais inclusão no cinema, acredita que o que falta na indústria audiovisual para tornar essa inclusão mais naturalizada é “bom senso e igualdade, porque as políticas públicas, as leis, os movimentos pelos direitos, as associações, os trabalhadores da cultura PCDs, neurodivergentes e autistas existem”.

    “Hoje, infelizmente, vemos editais de verba pública retirando as cotas lutadas por tantos anos e deixando estes corpos PCDs em abandono social. Todos sabemos que os editais são excludentes, difíceis de leitura, com prazo de cumprimento nos mesmos moldes de tempo para pessoas PCDs e não PCDS. Não existe edital em língua de libras. Pessoas PCD precisam de um tempo maior pra se organizar para cumprir o edital. Não é justo sermos avaliados pelo mesmo tempo que um corpo não PCD. Queremos uma linha de edital, em todos os editais nacionais, municipais e estaduais que seja diretamente focada na causa PCD com todas as suas especificidades, urgências, tempo, letramento e linguagem”, completa o cineasta.

    Representatividade e narrativas PCDs crescem na teledramaturgia

  • São Paulo vai se reunir com Crespo para decidir se segue busca por camisa 9

    São Paulo vai se reunir com Crespo para decidir se segue busca por camisa 9

    SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Depois da frustração com Marcos Leonardo, a diretoria do São Paulo vai definir em conjunto com o técnico Hernán Crespo se vai seguir a busca por um centroavante livre no mercado.

    A diretoria do clube tem uma reunião agendada com Hernán Crespo para discutir o tema. O São Paulo perdeu três centroavantes por lesão ligamentar na temporada: Calleri, Ryan Francisco e André Silva.

    Depois da frustração com Marcos Leonardo, o Tricolor teria de buscar atletas livres no mercado. O centroavante fez todo esforço possível para conseguir sua liberação, mas o Al Hilal barrou a saída.

    Mesmo com a janela de transferências brasileira fechada, o São Paulo pode inscrever jogadores que estejam livres no mercado. Ou seja, para poder ser contratado pelo Tricolor, o atleta não pode ter vínculo com nenhum clube, como por exemplo atletas que não renovaram contrato no final desta temporada europeia.

    O prazo máximo para inscrição de jogadores no Brasileiro é o dia 3 de outubro. Na Libertadores, o clube pode mudar a lista de inscritos a cada fase, até a semifinal.

    O São Paulo contratou de Emiliano Rigoni a pedido de Hernán Crespo, mas no argentino não é um centroavante. Atualmente, o time conta apenas com Dinenno como um 9 de origem.

    A contratação mais cara entre os 20 clubes da elite do Brasil nesta última janela foi a do volante Danilo, que trocou o Nottingham Forest, da Ingalterra, pelo Botafogo

    Folhapress | 09:15 – 04/09/2025

    São Paulo vai se reunir com Crespo para decidir se segue busca por camisa 9

  • Defesa de Bolsonaro tenta minar crimes que dificultam anistia

    Defesa de Bolsonaro tenta minar crimes que dificultam anistia

    Sem condenação por 2 dos 5 crimes avaliados no Supremo, ex-presidente poderia driblar contraposição da corte a perdão dado por Congresso

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – A defesa de Jair Bolsonaro (PL) atacou nesta quarta-feira (3), durante julgamento no STF (Supremo Tribunal Federal), a argumentação da PGR (Procuradoria-Geral da República) que tenta enquadrar as ações do ex-presidente desde meados de 2021 como crimes contra a democracia.

    Os delitos têm importância central em eventual condenação do político. Além do peso simbólico ao significar a prisão de um ex-presidente por tentativa de golpe, eles estão entre aqueles imputados a Bolsonaro com mais tempo de prisão e são percalço na tentativa do ex-presidente de efetivar a possibilidade de uma anistia, avaliam especialistas.

    Nos mesmos dias de julgamento de Bolsonaro no STF, o Congresso retomou com mais força a discussão sobre a anistia, com integrantes do centrão e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), articulando acordo para conseguir um perdão ao ex-presidente.

    A anistia por crimes contra a democracia, entretanto, enfrentaria resistência e provavelmente seria revertida pelo Supremo, segundo especialistas. Eles argumentam que a tendência é que a corte vete o perdão a crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado democrático de Direito, em consonância com o que preconiza a Constituição sobre a impossibilidade de conceder anistia a quem investe contra a própria democracia.

    Os dois crimes estão previstos no Código Penal, nos artigos 359-M e 359-L, e têm penas de 4 a 12 anos e 4 a 8 anos, respectivamente. Além deles, Bolsonaro é acusado de associação criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Se condenado por todos os crimes, ele pode pegar mais de 40 anos de prisão e aumentar a inelegibilidade, que hoje vai até 2030.

    Nesta quarta, sua defesa reforçou o argumento de que as atitudes do ex-presidente não podem gerar condenação pelos crimes contra a democracia por não se enquadrarem no texto previsto em lei.

    Os advogados querem convencer os ministros do STF de que as ações de Bolsonaro desde 2021 não poderiam ser penalizadas a partir da legislação, mesmo se fosse acolhido o entendimento da PGR de que elas seriam atos antidemocráticos.

    Argumentos para isso giram em torno de aspectos jurídicos e da novidade dos tipos penais. Ambos os artigos entraram na lei em 2021 e só foram tratados no contexto do 8 de Janeiro.

    Para a defesa de Bolsonaro, as ações do político não deveriam ser penalizadas porque não saíram da etapa de preparação, que não seria punível na legislação.

    Eles falam que a tentativa descrita na lei marca o início da execução, que dependeria do emprego de violência ou grave ameaça. Ao mesmo tempo, dizem que as ações de Bolsonaro expostas pela PGR não teriam saído da fase de preparação ao não usar da violência ou grave ameaça previstas nos artigos.

    Para fechar a argumentação, tentam afastar o ex-presidente do 8 de Janeiro e do plano de matar autoridades, visto por eles como mais possíveis de se aproximarem do que é discutido nos tipos penais, haja vista a presença de violência.

    Outra perspectiva trazida pela defesa é a necessidade de que a violência ou grave ameaça tenha que ser contra uma pessoa concreta e determinada, na contramão de uma interpretação mais alargada empregada pela PGR.

    A defesa do ex-presidente também aposta na discussão sobre a impossibilidade de incitação contra crimes multitudinários como o 8 de Janeiro, mais uma vez na tentativa de afastar Bolsonaro do episódio.

    Ao atacar os tipos penais contra a democracia em diferentes frentes, os advogados do político tentam minar os crimes que mais poderiam impedir a prosperidade de uma eventual anistia.

    “Se Bolsonaro fosse absolvido dos crimes 359-L e 359-M, que são os mais graves e ligados diretamente à ideia de golpe, isso facilitaria a defesa política de uma anistia para os outros crimes. Nesse cenário, a anistia teria menos risco de ser revertida na Justiça, porque não estaria blindando crimes contra a democracia, mas delitos de menor gravidade”, afirma Welington Arruda, mestre em direito e Justiça pelo IDP (Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa).

    Interpreta da mesma maneira Diego Nunes, professor de direito da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). “O custo político aos parlamentares seria menor em anistiar apenas crimes comuns do que os crimes políticos. Mas, ainda sim, pode parecer se tratar de uma lege ad hominem [ou seja, feita para conceder impunidade a uma pessoa específica]”.

    O especialista também diz que o STF teria, nesse cenário, menos chance de barrar eventual perdão dado por congressistas, uma vez que o argumento central contra a impossibilidade de anistia tem a ver com o fato de o ex-presidente estar envolto em crimes antidemocráticos.

    Para o especialista, esse cenário provavelmente não geraria um efeito cascata que impedisse a condenação dos outros três crimes restantes. As penas previstas são de 3 a 8 anos para o crime de organização criminosa, com chance de agravante. Dano qualificado tem 6 meses a 3 anos de pena e deterioração do patrimônio tombado, 1 a 3 anos.

    Nunes afirma que, no direito penal, a dosimetria da pena é calculada a partir do mínimo e que, nessa hipótese, “seria possível que eventual pena partisse já do semiaberto ou mesmo aberto, já que para começar em regime fechado precisa de uma pena de ao menos oito anos”.

    Também para Welington Arruda, não existe um efeito cascata automático, ou seja, a absolvição nos 359-L e M não apagaria os demais crimes. “Mas, na prática, enfraquece bastante a acusação. Isso porque toda a narrativa do Ministério Público parte da ideia de golpe. Sem esse fundamento, os outros crimes perdem peso, e a leitura do contexto pode ser mais branda.”

    Para a advogada criminalista Ana Carolina Barranquera, especialista em direito e processo penal, um cenário com absolvição de Bolsonaro nos crimes contra a democracia aumentaria a chance de uma anistia para os crimes restantes, que ainda poderiam gerar condenação.

    “Todos os crimes são autônomos, de modo que, se entenderem que não ocorreram crimes contra a democracia, poderiam entender que ele participou do crime de dano, por exemplo.”

    Defesa de Bolsonaro tenta minar crimes que dificultam anistia

  • Taylor Swift e Travis Kelce já escolheram data e local do casamento, diz site

    Taylor Swift e Travis Kelce já escolheram data e local do casamento, diz site

    A união deve acontecer em Rhode Island, destino turístico nos EUA onde Taylor tem uma mansão

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – Taylor Swift e Travis Kelce devem se casar no próximo verão (do hemisfério norte), ou seja, na metade do ano que vem. A informação é do site Page Six.

    Segundo uma fonte próxima ao casal ouvida pelo site, a cantora, de 35 anos, tem pressa para engravidar, e por isso quer acelerar os planos do casamento.

    A união deve acontecer em Rhode Island, destino turístico nos EUA onde Taylor tem uma casa de veraneio.

    A casa da cantora está passando por uma reforma de US$ 1,7 milhão (cerca de R$ 6 milhões) que incluirá uma nova ala com mais quartos e banheiros.

    Taylor comprou a casa de oito quartos e 10 banheiros em 2013, por US$ 17,5 milhões. No entanto, ainda não é certo se a cerimônia será realizada na mansão ou em outro local.

    Taylor Swift e Travis Kelce já escolheram data e local do casamento, diz site

  • Felipe Anderson cresce no Palmeiras com resiliência em meio à prisão do pai

    Felipe Anderson cresce no Palmeiras com resiliência em meio à prisão do pai

    SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – O meia-atacante Felipe Anderson já completou um ano no Palmeiras, e só conheceu os primeiros aplausos da torcida no mês passado. O jogador de 32 anos ganhou protagonismo da equipe com muita resiliência -dentro e fora de campo.

    Felipe retomou a titularidade no Palmeiras e recebeu elogios públicos de Abel Ferreira. O meia foi titular nos últimos quatro jogos do Alviverde: foi protagonista contra o Botafogo, marcando o gol da vitória, e ganhou destaque nos jogos contra Sport e Corinthians.

    “Uns [jogadores] vão ser amassados, uns não vão conseguir, vão desistir e teremos que mandar embora. E outros, depois de bem amassados, vão dar a volta por cima, como Felipe [Anderson]. Pela primeira vez aplaudido quase que de pé. Foi preciso um ano”, disse Abel, após a vitória contra o Sport.

    Contratado como principal nome do Palmeiras em 2024, Felipe só disputou um dos cinco jogos da equipe no Mundial neste ano. Abel Ferreira chegou a ser questionado sobre a situação, o português respondeu que a imprensa tinha um “fetiche” com o atleta e se justificou falando sobre a ascensão de Allan. Mas nesta quinta-feira (04) a situação é diferente.

    O período de redenção de Felipe coincide com um problema pessoal na vida do jogador: seu pai foi condenado a 14 anos de prisão por duplo homicídio no Distrito Federal. Ele matou duas pessoas em uma perseguição em 2015 e teve mandado de prisão cumprido na última sexta-feira (29).

    A notícia surgiu na reta final da preparação do Palmeiras para o clássico contra o Corinthians, mas Felipe seguiu trabalhando e foi relacionado para o jogo. Ele foi um dos melhores do time de Abel e distribuiu canetas nos rivais.

    O UOL apurou que o atleta é próximo ao pai, mas não queria deixar de trabalhar por conta do episódio. Ele ficou mais de um mês sem aparecer entre os titulares do Palmeiras após o Mundial de Clubes, e agora ganhou destaque atuando pelo lado esquerdo do ataque.

    Felipe já tem 54 jogos pelo Palmeiras, mas apenas 3 gols e 3 assistências. O jogador teve uma lesão no púbis durante a pré-temporada e teve o início do ano prejudicado.

    A diretoria e comissão técnica do Palmeiras ainda acredita têm grandes expectativas com o jogador. Felipe tem contrato com o Palmeiras até 31 de dezembro de 2027.

    O Palmeiras quer aproveitar os dias ‘de folga’ para ambientar Andreas Pereira ao elenco e recuperar Raphael Veiga, que trata dores no púbis

    Folhapress | 17:40 – 03/09/2025

    Felipe Anderson cresce no Palmeiras com resiliência em meio à prisão do pai

  • Centrão não quer redução de penas por 8/1, quer Bolsonaro livre da prisão

    Centrão não quer redução de penas por 8/1, quer Bolsonaro livre da prisão

    Alcolumbre tem aval do STF para tratar no Senado de uma redução de penas por 8/1

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – Os dois primeiros dias de julgamento da trama golpista coincidiram com a eclosão em Brasília de nova pressão pela anistia a Jair Bolsonaro, movimento com reflexo nos três Poderes e vinculado às eleições de 2026.

    Enquanto o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, afirma à Folha de S.Paulo que defende um texto que apenas reduza penas de condenados pelo 8 de Janeiro, sem inclusão do andar de cima, líderes do centrão e da oposição dizem não ver apoio a essa ideia nem no Senado -e calculam ter votos suficientes para aprovar um amplo perdão a todos os envolvidos.

    Perdão que, porém, manteria a inelegibilidade de Bolsonaro por condenações na Justiça eleitoral, sacramentando a candidatura presidencial do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que desembarcou nesta semana em Brasília para atuar na linha de frente da articulação pró-anistia.

    Em ala do STF (Supremo Tribunal Federal) e no governo Lula, a avaliação nesta quarta-feira (3) também era a de que o caldo da anistia engrossou, e que Tarcísio busca chancelar de vez a candidatura presidencial amarrando o centrão a ele e dando uma resposta a bolsonaristas críticos ao seu nome.

    A aprovação pelo Congresso do perdão, seja ele qual for, ainda dependeria de dois fatores: a sanção de Lula, mas com palavra final do próprio Congresso, que por maioria de seus integrantes pode derrubar vetos presidenciais, e uma validação pelo próprio STF, que certamente seria provocado a se manifestar sobre a constitucionalidade da medida.

    De acordo com líderes do centrão, há cerca de 300 votos na Câmara em prol de uma anistia ampla, que evite a prisão de Bolsonaro. O julgamento do ex-presidente e de mais sete réus termina na semana que vem, com expectativa de condenação. As penas máximas somadas podem resultar em mais de 40 anos de prisão.

    A pressão mais intensa parte de PP, União Brasil e Republicanos.

    Na noite desta terça, Alcolumbre afirmou rejeitar uma anistia ampla e disse que vai apresentar e discutir um projeto de lei alternativo.

    Esse texto, há meses sob responsabilidade do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG), teria a simpatia de ministros do Supremo por não aliviar a situação de quem planejou ou financiou atos golpistas, mas não saiu do papel justamente pela resistência do bolsonarismo, que insiste em incluir o perdão ao ex-presidente.

    Apesar de dizer não ver apoio majoritário ao texto de Alcolumbre, alguns integrantes de partidos de centro-direita e de direita dizem haver a possibilidade de acordo em torno de um meio-termo, até para evitar o risco de que o presidente do Senado deixe de colocar em votação eventual projeto chancelado pelos deputados.

    Esse meio-termo também poderia resultar em um acordo político que envolvesse compromisso tácito de pelo menos parte de ministros do Supremo de que a corte não derrubaria a proposta.

    Há ainda quem diga no Congresso que a movimentação Tarcísio-centrão não passa de jogo de cena que não deve prosperar, servindo apenas para evitar que a base bolsonarista inviabilize a candidatura do governador de São Paulo alegando falta de empenho em auxiliar o ex-presidente.

    Procurados novamente nesta semana, alguns ministros do STF reafirmaram considerar a proposta da cúpula do Senado mais palatável, mas também disseram ver uma maior disposição do mundo político pela anistia ampla após a movimentação de Tarcísio e do centrão.

    Nos bastidores, disseram ainda ter considerado um erro as declarações do presidente da corte, Luís Roberto Barroso, de que anistia antes do julgamento é uma impossibilidade, mas que, depois disso, se torna uma questão política.

    Além de Barroso e dos cinco ministros da Primeira Turma, que está julgando Bolsonaro, o STF é composto por mais cinco magistrados, entre eles os dois indicados por Bolsonaro: André Mendonça e Kassio Nunes Marques.

    Na Câmara, a pressão sobre o presidente da Casa Hugo Motta (Republicanos-PB), cresceu e ele admitiu publicamente que pode pautar a votação.

    Ficou acertado que o projeto de anistia não será votado nesta semana, mas que pode ir para a pauta após o julgamento, que termina no dia 12.

    O requerimento de urgência, para acelerar a proposta, pode ser analisado já na próxima semana.

    Entre petistas e governistas, uma saída será tentar mobilizar a opinião pública, inclusive chamando a anistia de impunidade, e arregimentar o governo para dar apoio a Motta na resistência ao projeto.

    Nesse sentido, a fala de Alcolumbre foi comemorada. Ao mesmo tempo, a avaliação desse grupo é a de que os empecilhos já anunciados no Senado e no STF não devem demover bolsonaristas, já que o perdão se tornou um mote de mobilização.

    Na reunião de líderes, nesta terça-feira (2), PL, PP, Republicanos, Novo e União Brasil defenderam a anistia, enquanto o PSD afirmou que sua bancada estava dividida. Segundo deputados, há maioria pela urgência, mas há dúvidas sobre o mérito.

    O líder do PT, Lindbergh Farias (RJ), atribuiu o avanço da anistia, o que disse considerar um erro, à articulação de Tarcísio, que, segundo ele, “matou no peito” para consolidar sua candidatura presidencial junto ao centrão e ao bolsonarismo.

    O petista disse ainda que “a coisa ficou séria” e que houve uma “mudança de tom e de intensidade”, indicando que a anistia deverá ser analisada em plenário. “Cresceu um movimento com a presença do governador de São Paulo. […] Me parece um desejo de pautar mesmo”, disse.

    Nesta quarta, o presidente Lula (PT) afirmou a integrantes da cúpula do União Brasil que se opõe ao avanço do projeto de anistia. Em almoço no Palácio da Alvorada com ministros do partido e Alcolumbre, o presidente pediu empenho contra o projeto afirmando, entre outras coisas, que ele significaria uma rendição ao presidente dos EUA, Donald Trump.

    Centrão não quer redução de penas por 8/1, quer Bolsonaro livre da prisão

  • Maioria no Brasil diz confiar em IA, mas índice encolhe em quatro anos, mostra pesquisa

    Maioria no Brasil diz confiar em IA, mas índice encolhe em quatro anos, mostra pesquisa

    Hesitação é maior em relação aos carros autônomos; 82% dos entrevistados já usou ferramentas na rotina ou no trabalho

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O número de pessoas que se dizem a favor do uso de inteligência artificial em redes sociais, plataformas de streaming ou na condução de carros autônomos caiu ao longo dos últimos cinco anos, mostra pesquisa do Instituto Locomotiva divulgada nesta quinta-feira (4).

    Dos oito setores acompanhados, o que mais gera desconfiança entre brasileiros é o de veículos que não precisam de um humano na direção: 24% se opõem, 51% apoiam em alguma medida, e 25% não são contra nem a favor. Em 2021, 67% das pessoas se diziam favoráveis.

    O uso da IA em redes sociais para recomendar notícias que interessem ao usuário também recuou em aprovação: saindo de 73% em 2021 para 57% em 2025.

    A pesquisa ainda avaliou o uso da tecnologia no atendimento telefônico (61% a favor), em sugestão de tratamentos (61%), direcionamento de conteúdo não noticioso (69%), sugestão de filmes (79%) e publicidade (67%), além de recomendação de trajetos em mapas (78%). O apoio à inteligência artificial apresentou queda acima da margem de erro de 2,5% em todos os critérios.

    A pesquisa entrevistou uma amostra aleatória de 1.499 pessoas maiores de idade em todo o país, entre os dias 4 e 8 de julho.

    Nesta edição, o levantamento aferiu quantas pessoas já utilizaram inteligência artificial no Brasil. A grande maioria (82%) diz já ter usado em tarefas pessoais, e 57%, no trabalho. Em 2021, quando a pesquisa foi feita pela primeira vez -ainda antes do lançamento do ChatGPT em novembro de 2022- o acesso à tecnologia era mais restrito a profissionais especializados.

    “Essa adoção massiva mostra o quanto a tecnologia pode ser útil, acessível e transformadora, mas também escancara a urgência de um uso consciente”, afirma Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva. “O risco de deixar que a IA pense por nós é de reforçar desinformações, enviesar decisões ou invisibilizar vozes”, acrescenta.

    A pesquisa foi encomendada pelo IAV (Instituto Inteligência Artificial de Verdade), uma entidade apoiada por Luciano Huck e fundada pelo cientista da computação Evanildo Barros Junior e por Álvaro Machado Dias, neurocientista com livre-docência pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e colunista da Folha.

    Segundo a pesquisa do Locomotiva, 96% dos brasileiros conhecem bem ou já ouviram falar de inteligência artificial. Contudo, a porcentagem de quem conhece IA cai de 81% nas classes A e B (renda domiciliar acima de R$ 8.000) para 66% nas classes D e E (abaixo de R$ 2.004), ficando em 73% no grupo intermediário.

    O IAV divide os usos da IA entre “artificial de verdade” e “artificial de mentira”.

    O primeiro diz respeito aos usos vistos como positivos, como ferramentas de trabalho e estudo; o segundo, aos que lesam a sociedade, como golpes, notícias falsas e manipulação de imagens. O objetivo é oferecer à população os conhecimentos necessários para identificar qual é qual.

    Maioria no Brasil diz confiar em IA, mas índice encolhe em quatro anos, mostra pesquisa

  • Morre o estilista italiano Giorgio Armani aos 91 anos

    Morre o estilista italiano Giorgio Armani aos 91 anos

    O estilista italiano Giorgio Armani morreu aos 91 anos em Milão, na Itália

    Nesta quinta-feira (4), morreu o famoso estilista italiano Giorgio Armani, fundador da marca Armani, aos 91 anos.

    “Com infinita tristeza, o Grupo Armani anuncia o falecimento do seu criador, fundador e incansável força motriz: Giorgio Armani”, lê-se num comunicado, citado pela agência de notícias Reuters. 

    Armani deixou de acompanhar os desfiles de sua grife em 2024 e vinha enfrentando problemas de saúde. A assessoria da marca não deu mais detalhes sobre a morte do estilista, apenas que ele veio a óbito na casa dele em Milão, na Itália.

    A Armani informou que será montada uma câmara funerária em Milão para amigos e fãs se despedirem, porém o velório e enterro será privado para família.

    Morre o estilista italiano Giorgio Armani aos 91 anos

  • Sem dó de compatriota, Sinner domina e volta à semi do US Open

    Sem dó de compatriota, Sinner domina e volta à semi do US Open

    (UOL/FOLHAPRESS) – Jannik Sinner está de volta às semifinais do US Open. O atual campeão do torneio e número 1 do mundo anotou uma vitória maiúscula na sessão noturna desta quinta-feira (3), passando por cima do compatriota Lorenzo Musetti (23 anos, #10 do mundo). Arrasador no começo, Sinner salvou todos os sete break points que encarou, não teve o saque quebrado e triunfou por 6/1, 6/4 e 6/2.

    Com o resultado, Sinner agora tem a terceira maior sequência de vitórias em quadra dura nos torneios do Grand Slam. São 26 triunfos consecutivos, o que iguala a marca obtida por Novak Djokovic em 2015-16 e a série de Ivan Lendl em 1985-88. As únicas sequências mais longas são a de Roger Federer (40, 2005-08) e outra de Djokovic (27, 2011-12).

    O atual campeão do US Open e vencedor das últimas duas edições do Australian Open tenta não só levantar seu segundo troféu em Nova York como luta para manter-se como número 1 do mundo. Para seguir no topo, Sinner precisa de uma resultado melhor do que o de Carlos Alcaraz, atual vice-líder do ranking. Se os dois alcançarem a final, o campeão do US Open também será o número 1 na próxima segunda-feira.

    O adversário de Sinner nas semifinais será o canadense Félix Auger-Aliassime (#27), que avançou nesta quarta-feira ao fazer 4/6, 7/6, 7/5 e 7/6 sobre o australiano Alex de Minaur (#8). Auger-Aliassime e Sinner duelaram recentemente nas quartas de final do Masters 1000 de Cincinnati, e o italiano levou a melhor com facilidade: 6/0 e 6/2.

    COMO ACONTECEU

    Sinner foi arrasador no começo. Impondo seu jogo agressivo e atacando Musetti sem aliviar, o número 1 do mundo deixou o compatriota sem opções e abriu a partida somando duas quebras de saque e deixando o placar em 5/0. Lorenzo só conseguiu sair do zero no sexto game, mas era tarde para mudar a parcial, que terminou em 6/1 para Jannik.

    O segundo set foi bem diferente. Musetti passou a sacar melhor, encaixando mais de 70% de seus primeiros serviços e limitando o poder ofensivo do compatriota. O jogo seguiu sem quebras até o nono game, quando Sinner brilhou sob pressão. Venceu um rali subindo à rede, disparou um winner após alcançar uma curtinha e, quando teve um break point, contou com uma dupla falta de Musetti. O número 1 não perdoou e confirmou o serviço em seguida para fazer 6/4.

    O terceiro set foi um show de break points salvos por Sinner. Depois de quebrar Musetti no início, o número 1 salvou quatro break points e abriu 2/0. Mais tarde, no sexto game, salvou mais um par. Foi a última chance de Musetti. No sétimo game, após uma espetacular direita vencedora na paralela, Sinner anotou mais uma quebra, abriu 5/2 e fechou o duelo em seguida.

    Sem dó de compatriota, Sinner domina e volta à semi do US Open

  • Defesa de Augusto Heleno lidera menções a Bolsonaro em julgamento da trama golpista

    Defesa de Augusto Heleno lidera menções a Bolsonaro em julgamento da trama golpista

    O advogado Matheus Milanez fez 61 referências a Bolsonaro, enquanto a defesa do mesmo, comandada pelos advogados Celso Vilardi e Paulo Amador da Cunha Bueno, citou o ex-presidente praticamente a metade disso

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – A defesa do ex-chefe do GSI Augusto Heleno foi, de longe, a que mais usou a figura do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em sua argumentação, mas para se desvincular dela. Análise da Folha com base na transcrição dos discursos do julgamento da trama golpista no STF (Supremo Tribunal Federal) identificou que o advogado Matheus Milanez fez mais referências a Bolsonaro do que os próprios defensores do ex-chefe do Executivo.

    Milanez fez 61 referências a Bolsonaro, enquanto a defesa do mesmo, comandada pelos advogados Celso Vilardi e Paulo Amador da Cunha Bueno, citou o ex-presidente praticamente a metade disso.

    A tônica do discurso de Milanez é que a relação de Heleno e Bolsonaro teve um distanciamento, mas que não chegou ao ponto de uma ruptura. Um dos motivos teria sido a filiação do ex-presidente ao PL e a aproximação com o Centrão.

    “Claro que não existe um afastamento 100%. Até porque, com um afastamento 100% ele desembarcaria do governo e deixaria de ser apoiador do presidente. Mas, publicamente, ele sempre foi apoiador do presidente, continuou sendo e o defendeu”, defendeu o advogado.

    Heleno é visto como um dos principais consultores de Bolsonaro durante seus quatro anos na Presidência. Na denúncia da Procuradoria-Geral da República, ele teria, em conjunto com Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e também réu, preparado o discurso de Bolsonaro contra as urnas eletrônicas e autorizado espionagens ilegais favoráveis ao ex-presidente.

    Polícia Federal encontrou na casa de Heleno um caderno com “planejamento prévio da organização criminosa de fabricar um discurso contrário às urnas eletrônicas”.

    Como Bolsonaro, Heleno responde pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de direito, tentativa de golpe de Estado, dano qualificado contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.

    Ao todo, Bolsonaro foi citado pela defesa dos outros sete réus ao menos 148 vezes, um empate técnico com Mauro Cid, seu ex-chefe de ordens que virou alvo dos outros acusados ao ter feito uma delação premiada.

    Boa parte do discurso das defesas tenta derrubar a colaboração de Cid, alegando falta de voluntariedade e de credibilidade por omissão e mudança nos depoimentos.

    Quem mais mencionou Cid foi o advogado Demóstenes Torres, de Almir Garnier, ex-comandante da Marinha, em ao menos 88 vezes, seguido dos defensores de Jair Bolsonaro, com 22 citações.

    “O colaborador era importante antes de ser desmoralizado. Agora que ele está desmoralizado, porque pego na mentira pela enésima vez. Não é pela primeira vez, pela enésima vez”, disse Celso Vilardi.

    Já a defesa de Mauro Cid não destacou outros réus em sua argumentação, com exceção de duas breves menções a Garnier e quatro a Jair Bolsonaro.

    A reportagem coletou os discursos dos oito réus, os transcreveu com ajuda de ferramenta de inteligência artificial e checou inteiramente todas as sustentações. Foram consideradas menções nominalmente explícitas, mas também outras referências a cada pessoa, como o uso dos termos “ministro”, “presidente”, “relator”, entre outros.

    Defesa de Augusto Heleno lidera menções a Bolsonaro em julgamento da trama golpista