A permanência de Gianni Infantino na presidência da FIFA passou a enfrentar resistência aberta após a repercussão negativa do projeto FIFA Forward Enterprise. A proposta previa a criação de uma subsidiária com participação de investidores privados para concentrar operações comerciais de competições organizadas pela entidade, entre elas a Copa do Mundo.
A Federação de Futebol do País de Gales anunciou nesta segunda-feira a retirada do apoio à candidatura de Infantino para o mandato de 2027 a 2031. Foi a primeira associação nacional a romper publicamente com o dirigente.
“A FAW confirma a retirada do apoio à candidatura do Sr. Gianni Infantino à reeleição como presidente da FIFA para o mandato de 2027 a 2031”, informou a entidade em comunicado enviado à emissora britânica Sky News.
A federação justificou a decisão com críticas à condução da FIFA nas últimas semanas.
“Os recentes fracassos em boa governança, processos, liderança, valores, gestão de partes interessadas, comunicação e capacidade de julgamento nos levaram a uma posição na qual o Sr. Infantino perdeu a confiança da FAW para permanecer à frente do futebol mundial”, declarou.
A nota acrescentou que a federação não poderia aceitar o que classificou como incapacidade de colocar os interesses da modalidade em primeiro lugar.
A eleição para a presidência da FIFA está marcada para 18 de março. O prazo para a apresentação de candidaturas termina em 18 de novembro. Antes da crise, Infantino já teria reunido mais de 200 manifestações formais de apoio.
Segundo o jornal britânico The Guardian, outras federações, especialmente ligadas à UEFA, também avaliam retirar o respaldo ao dirigente.
O projeto da FIFA Forward Enterprise já havia sido rejeitado por UEFA, Concacaf e Confederação Asiática de Futebol.
A reação mais dura partiu da entidade que controla o futebol europeu. De acordo com o The Telegraph, a UEFA enviou uma carta a Infantino na última sexta-feira e informou que analisa medidas judiciais, arbitrais e regulatórias relacionadas à proposta.
No documento, a confederação determinou que a FIFA identifique, localize e preserve todas as informações e arquivos eletrônicos referentes ao projeto. A entidade também alertou para a proibição de qualquer descarte rotineiro de documentos ligados ao caso.
“A UEFA, assim como outras confederações, federações filiadas à FIFA e partes interessadas no futebol, condenou veementemente o plano da FFE, por considerá-lo fundamentalmente incompatível com a governança adequada da modalidade”, afirma a carta.
A UEFA acrescentou que, diante da possibilidade de processos, todos os materiais relacionados ao projeto devem ser preservados imediatamente.
A entidade europeia também avalia medidas contra Joshua Kushner, presidente do fundo Thrive Eternal, apontado como um dos principais apoiadores da iniciativa. Ele é irmão de Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
JP Morgan, OpenEconomics e Greg Maffei, diretor-executivo da Bann Ventures, também aparecem entre os envolvidos no planejamento da subsidiária e podem ser incluídos nas ações estudadas pela UEFA.

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