Autoridades confirmam dois casos da doença e colocam 190 pessoas em quarentena; Hong Kong e Macau reforçam controles sanitários, enquanto a OMS alerta para alta taxa de mortalidade e ausência de vacina ou tratamento específico.
Um novo surto do vírus Nipah colocou as autoridades de saúde da Índia em estado de alerta epidemiológico. Até o momento, dois casos foram confirmados e cerca de 190 pessoas estão em quarentena, segundo informações oficiais. A situação também levou outros governos asiáticos a reforçarem medidas de vigilância sanitária para viajantes que passaram pelo país.
Diante do avanço do surto, o governo de Hong Kong anunciou nesta segunda-feira (26) o endurecimento dos controles em aeroportos. Em comunicado, o diretor do Serviço de Proteção da Saúde, Edwin Tsui Lok Kin, informou que equipes foram mobilizadas para realizar medição de temperatura nos portões de desembarque, avaliar passageiros com sintomas e encaminhar casos suspeitos para hospitais, quando houver risco à saúde pública.
As autoridades de saúde de Macau também afirmaram estar acompanhando de perto a situação, especialmente na região de Bengala Ocidental, e recomendaram que os moradores evitem viagens para a área afetada. Além disso, foi anunciado o reforço da triagem médica de viajantes vindos da Índia nas fronteiras do território.
O que é o vírus Nipah
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o vírus Nipah é um patógeno zoonótico, ou seja, transmitido de animais para humanos. A infecção pode ocorrer por contato direto com animais infectados, ingestão de alimentos contaminados ou transmissão entre pessoas.
Identificado pela primeira vez em 1999, durante um surto entre criadores de porcos na Malásia, o vírus já provocou episódios em países como Bangladesh, Índia, Filipinas e Singapura. Os morcegos frugívoros são considerados os principais hospedeiros naturais. Em regiões do sul da Ásia, há suspeitas de que a transmissão tenha ocorrido por meio do consumo de frutas ou produtos contaminados com saliva ou urina desses animais.
Sintomas e evolução da doença
A infecção pelo vírus Nipah pode se manifestar de formas muito distintas. Em alguns casos, a pessoa não apresenta sintomas. Em outros, a doença evolui rapidamente para quadros graves.
Os primeiros sinais costumam incluir febre, dor de cabeça, dores musculares, vômitos e dor de garganta. Com a progressão da infecção, podem surgir tontura, sonolência, confusão mental e outros sintomas neurológicos. Há registros de pneumonia atípica, insuficiência respiratória grave e síndrome do desconforto respiratório agudo.
Nos quadros mais severos, o vírus pode causar encefalite e convulsões, com evolução para coma em um intervalo de 24 a 48 horas. O período de incubação geralmente varia de quatro a 14 dias, embora já tenham sido relatados casos com até 45 dias.
A taxa de mortalidade estimada varia entre 40% e 75%, dependendo do surto, da rapidez na identificação dos casos e da qualidade da assistência médica disponível. Parte dos pacientes que sobrevivem pode apresentar sequelas neurológicas permanentes.
Tratamento e cuidados recomendados
Segundo a Organização Mundial da Saúde, ainda não existem medicamentos específicos nem vacinas aprovadas para o tratamento do vírus Nipah. O manejo da doença é baseado em cuidados intensivos de suporte, com atenção especial às complicações respiratórias e neurológicas.
As autoridades de saúde reforçam a importância da vigilância epidemiológica, do isolamento rápido de casos suspeitos e da adoção de medidas preventivas, especialmente em áreas onde já foram identificados surtos.

Deixe um comentário