Veludo, alfaiataria, tricô… As tendências que você vai usar nos próximos meses

Gloria Coelho (Foto: FABIO BARTELT (MONSTER PHOTO). EDIÇÃO DE MODA LARISSA LUCCHESE. PRODUÇÃO-EXECUTIVA VANDECA ZIMMERMANN)Gloria Coelho

Enquanto veludo, alfaiataria, tricô e sobreposições marcam os looks das coleções de inverno nacionais, rendas, estampas alegres e muita pele de fora permeiam a temporada de verão internacional. Ou seja, já é possível prever tudo o que vai figurar no seu closet pelos próximos 12 meses – do inverno eo próximo verão. Achou demais? Para te ajudar a fazer os investimentos certos, fizemos uma seleção completa com os maiores destaques. Assim, você pode sair às compras focada!


GLORIA COELHO


Da esq. p/ a dir., vestido, R$ 4.250, e bolsa (usada como pochete), R$ 1.999. Echarpe, R$ 2.173, sobre vestido, R$ 7.172, e bolsa (usada como pochete), R$ 1.999. Capa, R$ 4.138, sobre vestido, R$ 5.733. Todas usam meias Lupo, R$ 14, e sapatos Louie, R$ 395.


GUCCI

Gucci (Foto: FABIO BARTELT (MONSTER PHOTO). EDIÇÃO DE MODA LARISSA LUCCHESE. PRODUÇÃO-EXECUTIVA VANDECA ZIMMERMANN)Gucci

Blazer, R$ 17.640, camisa, R$ 5.460, calça, R$ 7.800, e sapatos, R$ 10.040.


SÔNIA PINTO

Sônia Pinto (Foto: FABIO BARTELT (MONSTER PHOTO). EDIÇÃO DE MODA LARISSA LUCCHESE. PRODUÇÃO-EXECUTIVA VANDECA ZIMMERMANN)Sônia Pinto

Da esq. p/ a dir. (em sentido horário, a partir do alto), vestido, R$ 6.890, chapéu Brechó Frou Frou, R$ 350. Coturno, R$ 980, e bengala Brechó Minha Avó Tinha, R$ 350. Casaco, R$ 3.120, e vestido, R$ 7.999. Casaco, R$ 6.390, blusa, R$ 3.980, e calça, R$ 1.690. Blusa, R$ 2.990, saia, R$ 3.520, sobre vestido, R$ 4.980, coturno, R$ 940, e cinto Brechó Minha Avó Tinha, R$ 60. Casaco, R$ 3.180, saia, R$ 2.100, coturno, R$ 940, e cartola Brechó Minha Avó Tinha, R$ 200.


VALENTINO

Valentino (Foto: FABIO BARTELT (MONSTER PHOTO). EDIÇÃO DE MODA LARISSA LUCCHESE. PRODUÇÃO-EXECUTIVA VANDECA ZIMMERMANN)Valentino

Da esq. p/ a dir., vestido, R$ 40.400. Vestido, R$ 39.000.


PRINTING

Printing (Foto: FABIO BARTELT (MONSTER PHOTO). EDIÇÃO DE MODA LARISSA LUCCHESE. PRODUÇÃO-EXECUTIVA VANDECA ZIMMERMANN)Printing

Body, R$ 1.587 (cada), e calça, R$ 1.495 (cada).


PRADA

Prada (Foto: FABIO BARTELT (MONSTER PHOTO). EDIÇÃO DE MODA LARISSA LUCCHESE. PRODUÇÃO-EXECUTIVA VANDECA ZIMMERMANN)Prada

Blusa, calça, cinto e sandálias, preços sob consulta.


COVEN

Coven (Foto: FABIO BARTELT (MONSTER PHOTO). EDIÇÃO DE MODA LARISSA LUCCHESE. PRODUÇÃO-EXECUTIVA VANDECA ZIMMERMANN)Coven

Da esq. p/ a dir., blusa, R$ 825, saia, R$ 1.495, relógio Rolex, preço sob consulta, cinto, R$ 60, e bolsa de couro Brechó Minha Avó Tinha, R$ 150. Casaco, R$ 2.450, calça, R$ 1.150, e chapéu Brechó Minha Avó Tinha, R$ 120. Jaqueta, R$ 1.745, e saia, R$ 1.245. Todas usam meias Lupo, R$ 14, e sapatos Louie, R$ 395.


MICHAEL MICHAEL KORS

Michael Michael Kors (Foto: FABIO BARTELT (MONSTER PHOTO). EDIÇÃO DE MODA LARISSA LUCCHESE. PRODUÇÃO-EXECUTIVA VANDECA ZIMMERMANN)Michael Michael Kors

Jaqueta, R$ 2.905, regata, R$ 520, saia, R$ 735, e bolsa, R$ 2.100.


REINALDO LOURENÇO

Reinaldo Lourenço (Foto: FABIO BARTELT (MONSTER PHOTO). EDIÇÃO DE MODA LARISSA LUCCHESE. PRODUÇÃO-EXECUTIVA VANDECA ZIMMERMANN)Reinaldo Lourenço

Da esq. p/ a dir., blazer, R$ 2.993, body, R$ 762, calça, R$ 1.994, choker Camila Klein + Reinaldo Lourenço, R$ 1.997, e chapéu Plas, R$ 450. Trench coat, R$ 4.997, blusa, R$ 1.053, calça, R$ 1.994, anel Camila Klein + Reinaldo Lourenço, R$ 656 (conjunto com 3), e óculos Versace para Luxottica, R$ 660. Trench coat, R$ 4.997, body, R$ 746, e calça, R$ 1.994. Todas usam meias Lupo, R$ 14, e sapatos Louie, R$ 395.


LOUIS VUITTON

Louis Vuitton (Foto: FABIO BARTELT (MONSTER PHOTO). EDIÇÃO DE MODA LARISSA LUCCHESE. PRODUÇÃO-EXECUTIVA VANDECA ZIMMERMANN)Louis Vuitton

Blusa, R$ 6.950, e calça, R$ 11.700.


JOÃO PIMENTA

João Pimenta (Foto: FABIO BARTELT (MONSTER PHOTO). EDIÇÃO DE MODA LARISSA LUCCHESE. PRODUÇÃO-EXECUTIVA VANDECA ZIMMERMANN)João Pimenta

Da esq. p/ a dir., camisa, R$ 1.800. Camisa, R$ 2.400, e óculos Brechó Minha Avó Tinha, R$ 120 (aluguel).


FENDI

Fendi (Foto: FABIO BARTELT (MONSTER PHOTO). EDIÇÃO DE MODA LARISSA LUCCHESE. PRODUÇÃO-EXECUTIVA VANDECA ZIMMERMANN)Fendi

Vestido, R$ 13.180.


EXPERIMENTO NOHDA

Experimento Nohda (Foto: FABIO BARTELT (MONSTER PHOTO). EDIÇÃO DE MODA LARISSA LUCCHESE. PRODUÇÃO-EXECUTIVA VANDECA ZIMMERMANN)Experimento Nohda

Da esq. p/ a dir., casaco e saia. Casaco e vestido. Casaco e vestido. Vestido. Todas usam meias Lupo, R$ 14, e sapatos Louie, R$ 395 (todos os preços de Experimento Nohda são sob consulta).


DIOR

Dior (Foto: FABIO BARTELT (MONSTER PHOTO). EDIÇÃO DE MODA LARISSA LUCCHESE. PRODUÇÃO-EXECUTIVA VANDECA ZIMMERMANN)Dior

Da esq. p/ a dir., sutiã, R$ 4.600, hot pants, R$ 4.200, e óculos, R$ 2.930. Camisa, R$ 5.100, hot pants, R$ 4.200, óculos, R$ 2.930, e bolsa, R$ 8.800.


À LA GARÇONNE

À La Garçonne (Foto: FABIO BARTELT (MONSTER PHOTO). EDIÇÃO DE MODA LARISSA LUCCHESE. PRODUÇÃO-EXECUTIVA VANDECA ZIMMERMANN)À La Garçonne

Da esq. p/ a dir., camiseta, preço sob consulta, macacão À La Garçonne + Colombo, R$ 1.280, colar À La Garçonne + Hector Albertazzi, R$ 1.204, e sapatos À La Garçonne + Di Cristalli, R$ 279. Vestido, R$ 1.580, calça À La Garçonne + Colombo, R$ 790, e sapatos À La Garçonne + Di Cristalli, R$ 249.


BURBERRY

Burberry (Foto: FABIO BARTELT (MONSTER PHOTO). EDIÇÃO DE MODA LARISSA LUCCHESE. PRODUÇÃO-EXECUTIVA VANDECA ZIMMERMANN)Burberry

Trench coat, R$ 11.495, vestido, R$ 5.495, e bolsa, R$ 4.177.


IÓDICE

Iódice (Foto: FABIO BARTELT (MONSTER PHOTO). EDIÇÃO DE MODA LARISSA LUCCHESE. PRODUÇÃO-EXECUTIVA VANDECA ZIMMERMANN)Iódice

Parca, R$ 4.990, e calça, R$ 1.990. Blusa, R$ 1.990, saia, R$ 1.990, e sapatos Louie, R$ 395.


GIORGIO ARMANI

Giorgio Armani (Foto: FABIO BARTELT (MONSTER PHOTO). EDIÇÃO DE MODA LARISSA LUCCHESE. PRODUÇÃO-EXECUTIVA VANDECA ZIMMERMANN)Giorgio Armani

Blazer, R$ 31.500, regata, R$ 3.450, e calça, R$ 7.750.


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Zezé di Camargo diz que se casou porque Zilu engravidou e assume que traiu a ex

Zilu e Zezé di Camargo (Foto: Reprodução)Zilu e Zezé di Camargo (Foto: Reprodução)

Zezé di Camargo assumiu publicamente, em entrevista ao programa vespertino “Fofocando”, que se casou com Zilu Godói porque tinha 19 anos e ela ficou grávida de sua primeira filha, Wanessa Camargo. O cantor, que estava ao lado da atual namorada, Graciele Lacerda, disse que decidiu viver para si mesmo quando pediu o divórcio. 


“Eu não estou dizendo que ela fez isso de propósito, mas foi um descuido. Eu não tinha onde morar, não tinha como me sustentar e levei ela para a casa dos meus pais e ficamos lá por três meses até conseguir um lugar para morar. Eu falei ‘vou me casar com você, já que teve a confiança de engravidar de mim e serei um homem honrado’. Criei meus filhos, dei estudos, trabalhei, corri atrás e percebi que, aos 42 anos, ainda não tinha vivido. Pensei que era o momento de viver para mim”, explicou.


O sertanejo ainda assumiu que se apaixonou por Graciele enquanto estava casado com Zilu e disse que sabia que o erro era dele, já que era um homem casado, o que o motivou a revelar toda a história para sua família.


“Confessei para ela [Zilu], que entrou em pânico e em desespero, arrumei a mala e tentei sair de casa duas vezes. Me lembro de uma cena em que eu estava dentro do carro, com minhas coisas, ela escorou no carro, chorando, e me disse ‘eu aceito que você tenha quem quiser, mas não saia de casa, pelo amor de Deus’. Juro por Deus que chegou a este ponto. Muita gente não sabe como foram as coisas. Na minha cabeça eu estava errado, estava com outra pessoa e fiquei tentando que isso acontecesse [a separação] de uma maneira natural. Esse foi meu erro. Se eu tivesse acabado de uma vez, talvez não teria virado esse buchicho todo”.


Briga entre Wanessa e Graciele


Zezé também relembrou de uma briga física entre Graciele e Wanessa, que aconteceu há 5 anos, em que a filha teria chegado de uma festa e puxado o cabelo da namorada, derrubando-a no chão.


“É minha filha, amo de paixão, mas errou. Em um momento em que não estávamos esperando, eu estava abraçado com a Graciele, por volta de 4h da manhã, quando vi a Graciele deu berro e sumiu do meu braço. Quando vi, ela estava no chão, a Wanessa chegou por trás, sem que ninguém visse, puxou o cabelo dela e a jogou de costas no chão. Eu, imediatamente, me coloquei entre elas e não deixei que nada mais acontecesse”, falou.


O cantor declarou que, neste caso, foi justo ao defender a namorada, já que ela foi a pessoa agredida. “Por isso eu usei o termo covarde por ter agredido por trás, também usei o termo ‘estava fora de si’, estava descalça, tinha chegado de uma festa, acho que tinha bebido. Razão eu não dou porque agressão não justifica nada. Eu não vou poupar porque é minha filha, da mesma forma que se fosse uma situação inversa. Jamais eu faria isso. Eu estou sendo justo com quem cometeu o delito. A única coisa que fiz foi separar”.


Casamento e filho com Graciele


Zezé ainda deu a entender que pretende se casar com Graciele e que já está procurando uma nova casa para comprar que seja bem ampla. e que pretende ter filho com ela, mesmo já tendo feito vasectomia. “Estou procurando uma casa mim, para ela, para os amigos, uma casa grande porque sou muito social. Quero viver nesta casa momentos especiais com ela”.


Sobre filhos, ele disse que já pensou várias vezes sobre o assunto e dependerá do momento e da namorada. “Eu sou vasectomizado, mas tem como reverter. Meu irmão, Luciano, fez isso. Se ela, um dia falar, ‘eu quero’ aí não tem choro nem vela”, finalizou ele que é pai de  Wanessa, Camilla e Igor. 

Zezé di Camargo e Graciele Lacerda (Foto: Reprodução/Instagram)Zezé di Camargo e Graciele Lacerda (Foto: Reprodução/Instagram)


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Alicia Kuczman: “Voltei a ser modelo após ser excluída por um problema de saúde”

Alicia Kuczman, 23 anos (Foto: Divulgação)Alicia Kuczman, 23 anos (Foto: Divulgação)

“Nasci em Cascavel, cidade de 300 mil habitantes no Paraná. Minhas lembranças do passado não se parecem nada com as típicas de quem cresce no interior. Apesar de adorar estudar, detestava ir ao colégio. Só tirava notas altas, mas não tinha amigos. Andava pelos corredores com um livro aberto cobrindo o rosto. Eu era diferente e sofria agressões por causa disso. O auge foi a comunidade dedicada a mim no Orkut. ‘O que você faria se a Alicia estivesse se afogando?’ era a pergunta de uma enquete. As opções eram ‘Cuspia nela’, ‘Chutava’, e por aí vai. A última alternativa era de longe a mais clicada: ‘Todas as anteriores’.


Chorava para não ir ao colégio, mas minha mãe trabalhava num hospital, como assistente social, e ficar em casa com meu pai, Osvaldo, 57, era outro pesadelo. Ele é um engenheiro inteligentíssimo, porém bipolar. Minha memória mais longínqua é de ele me batendo sem motivo. Tinha só 3 anos e sabia que não havia feito nada para merecer aquela surra. A cena se repetia a cada vez que ele mudava de humor com ataques físicos ou verbais. Ele me chamava de burra, dizia que eu não ia dar em nada, me mandava parar de importuná-lo com a minha ‘voz de taquara rachada’. Minha mãe, Herta, 54, passava a maior parte do dia fora e, na maioria das vezes, não presenciava nada. Quando meu irmão, Vinícius, três anos mais novo, e eu contávamos a ela o que havia acontecido, ela explicava que aquilo era reflexo da doença psicológica de meu pai. Mas, para mim, não era desculpa. Só eu sabia o que passava.


A forma que encontrei de me proteger foi criar meu próprio mundo. Minha diversão era costurar e bordar as roupas que inventava. Aos 11 anos, comprei uma pilha de revistas de moda num sebo e forrei as paredes do meu quarto com minhas preferidas. Sonhava um dia me ver estampada em uma página daquelas, embora não me achasse bonita o suficiente para estar ali. Mesmo com pouco mais de 50 quilos distribuí­dos em 1,77 metro de altura, cabelos louros levemente ondulados e olhos azuis.


Aos 12, me matriculei num curso de corte e costura para fazer peças mais elaboradas, como a calça de cintura alta que ainda não havia chegado à cidade. Cheguei a pensar que poderia ter uma marca. Assim, entraria no fascinante mundo da moda. De tanto falar no assunto, convenci minha mãe a me acompanhar em pequenos testes de modelo que apareciam em Cascavel. ‘Você é muito pequena’, diziam. ‘Ainda não está na idade.’ Eu insistia, insistia, e ela acabava me levando de novo e de novo ouvindo que ainda não estava pronta para ‘modelar’.


Em uma tarde de 2009, descobri que estavam convocando meninas em Cascavel para uma seleção. As escolhidas iriam a Florianópolis se apresentar para agências de São Paulo em busca de new faces. Minha mãe conseguiu uma brecha no trabalho e me acompanhou no teste. Fiquei eufórica quando o booker nos chamou de canto. ‘Essa menina tem tudo para acontecer’, disse a ela. ‘Precisa ir para Florianópolis.’ Pela primeira vez, achei que meu sonho poderia virar realidade. A coisa que mais queria na vida era sair daquela cidade. Mas ainda havia um problema: não tínhamos dinheiro para viajar. Apesar de nunca ter faltado nada em nossa casa, vivíamos com tudo muito contado. Mas o pessoal da agência queria tanto que eu participasse daquela seleção que conseguiu um desconto e nós fomos.

Aos 3 anos, meu pai me espancava sem motivo”


Embarquei com minha mãe para Santa Catarina num ônibus lotado de meninas altas, bonitas e cheias de sonhos. Ficamos hospedadas no mesmo hotel onde o teste aconteceu. No grande dia, conversei com cada um dos agentes, enfileirados atrás de uma mesa comprida. Eram muitos, algum haveria de me escolher. Levei um susto quando soube que quase todos queriam trabalhar comigo, a dificuldade agora era decidir por um só. Três meses depois, com 16 anos, estava trabalhando na extinta Lumière, morando em São Paulo num apartamento da agência com outras 11 garotas – nenhuma das que foram comigo para Florianópolis. Durante um ano e meio, participei de castings e mais castings, mas pouca coisa acontecia. Sem dinheiro, me alimentava de bolachas e croissant de pacote, até papel higiênico tive de pedir emprestado. Já estava com tudo pronto para pegar o caminho de Cascavel e abandonar a (tentativa de) carreira, quando fui fazer meu último trabalho, um lookbook de uma marca de roupas.


Durante o shooting, o maquiador e o fotógrafo me chamaram para conversar. ‘Você tem de mudar de agência’, disseram. Ligaram para a Way (a mesma de Carol Trentini e Alessandra Ambrósio) e me indicaram. Desde a semana em que pisei ali, nunca mais parei de trabalhar. Um mês depois, fui a recordista de desfiles do Fashion Rio e segui para as semanas de moda de Nova York, Milão e Paris. Minha vida agora era pelo mundo. Foi durante um ensaio de moda que conheci o diretor de cinema Marcos Mello, 35. No último dia de trabalho, ele, que estava capturando imagens em vídeo, me pediu para dançar em frente à câmera. ‘Tu acabas de ganhar um marido’, disse no fim. Saímos dois dias depois e, desde então, não desgrudamos mais. Isso já faz quatro anos e meio. A vida parecia muito melhor do que eu havia imaginado.

Alicia Kuczman (Foto: Reprodução/Instagram)Alicia Kuczman (Foto: Reprodução/Instagram)

Nas poucas vezes que voltava a Cascavel, duas por ano, olhava aqueles paredes cobertas por revistas e achava graça. ‘Trabalhei com aquela ali’, dizia para minha mãe. ‘Essa que está perto da porta ficou minha amiga’, mostrava outra. Ela vibrava com minha felicidade. Diferentemente do meu pai, que continuava me atacando nas crises e não se conformava de eu ter parado de estudar no fim do ensino fundamental.

Não tinha dinheiro. Me alimentava de bolachas”


Nos dois anos seguintes, fiz sucesso, ganhei dinheiro. Morava em um apartamento alugado em Nova York, vivia para lá e para cá. Trabalhava até 36 horas seguidas com a maior disposição. Fiz campanhas para Osklen e Alexandre Herchcovitch, posei para as principais revistas do mercado – Marie Claire entre elas. Era uma vida cansativa, mas eu não tinha do que reclamar. Em meados de 2013, me percebi inchada pela primeira vez. No corpo e principalmente no rosto. Mas não liguei. Como tomava um remédio regular para meu hipotireoidismo [inflamação da tireoide, glândula que, entre outras coisas, controla o metabolismo] desde os 11 anos, achei que era uma disfunção passageira. Mas um dia, aterrissando em Nova York, comecei a sentir dores absurdas do lado direito da barriga. Por sorte, Marcos estava comigo e me levou correndo para o hospital. Fizeram milhões de exames e não descobriram nada. Tomei uma, duas, cinco doses de morfina e continuava urrando, com o corpo contorcido e vomitando bílis sem parar. Horas depois, descobriram: estava com um cisto de 6 centímetros no ovário, que gerou um deslocamento do órgão – até hoje não confirmaram se a doença tem relação com a tireoide, mas acredito que sim. Os médicos disseram que precisavam operar às pressas e não podiam garantir que o ovário seria salvo.

Me achavam magra demais. Perdi trabalhos”


A cirurgia foi um sucesso, mas minha barriga ficou inchada por duas semanas. Tinha vários contratos fechados no Brasil e todos foram cancelados. Ninguém podia esperar por mim. A dor passou, mas fiquei oito meses sem menstruar. Mesmo assim, não voltei logo ao médico. Displicência minha que teve graves consequências. Em abril de 2014, fui passar dois meses na Austrália a trabalho. Apesar de feliz, me sentia fisicamente esquisita. Vivia com fome, comia loucamente e emagrecia sem parar. Minha calma habitual foi substituída por acessos de irritação incontroláveis. Durante esse período, não fiz nenhum trabalho. Meu agente dizia que o mercado estava me achando magra demais. Havia acabado de acontecer um caso de anorexia na Semana de Moda de Sydney que ganhou repercussão na imprensa e, definitivamente, eu estava fora dos padrões. Na mesma época, comecei a adoecer por qualquer coisinha. Tomava um vento, tinha sinusite. Esfriava, ficava gripada. Ainda comia um quilo de castanhas por dia e raramente dormia mais de três horas por noite. Só apagava quando meu corpo não aguentava mais de exaustão.


De volta ao Brasil, tive um ataque de pânico no meio de uma sessão de fotos. Os termômetros cariocas marcavam 30 graus e eu tremia de frio no estúdio. Pedi uma pausa, mas a situação só piorava. Os músculos do meu corpo começaram a ter contrações involuntárias. A stylist conseguiu uma bacia de água quente e mandou que botasse os pés lá dentro. No mesmo minuto, meu corpo desarmou, como se derretesse. Era só o primeiro de outros tantos ataques de pânico que viriam em seguida. Nem sei de onde tirei forças, mas consegui terminar o trabalho. O cliente era antigo e pareceu compreender a situação. Mas nunca mais me chamou para nada.


Finalmente marquei um médico, que pediu exames de sangue. O resultado foi alarmante: meu TSH [hormônio que estimula a tireoide] estava tão baixo que era indetectável. Estava com hipertireoidismo, disfunção na tireoide oposta à que tinha antes que, em vez de desacelerar o metabolismo, deixa-o extremamente acelerado. Os sintomas já sabia de cor: perda de peso, sudorese, depressão, pele ressecada, unhas e cabelos fracos, que caíam em tufos cada vez que me penteava. Desesperada, passei por oito endocrinologistas em um intervalo de um ano e meio. Os primeiros me mandaram tomar Rivotril ‘para não incomodar ninguém’. Outros, dependendo do dia em que ia visitá-los, receitavam remédios para perder ou aumentar o apetite. Em uma semana, chorava sem parar e não conseguia pregar o olho. Na seguinte, ficava absolutamente apática. Nesse perío­do, meu peso chegou a ter variações de 7 quilos em sete dias. ‘Alicia embuchou’, diziam pelas costas. ‘Cresceu e ficou gorda.’ Ninguém me chamava mais para nada.

Meu corpo parecia derreter. Era um ataque de pânico”


Sozinha, observei meu corpo e descobri que o inchaço ficava controlado se alternasse a dose do remédio. Até que finalmente encontrei uma médica que me ouviu com paciência e decidiu aprofundar o tratamento. Foram oito meses em que continuei engordando e emagrecendo rapidamente – sem contar outros efeitos horríveis, como taquicardia (não podia andar depressa nem fazer sexo) –, mas a doutora Carolina Mergulhão finalmente conseguiu ajustar a dosagem do medicamento. Numa ida a Cascavel, tive uma crise de ansiedade e corri para a sala em busca de ajuda. Meu pai estava lá sozinho e não tive outro jeito a não ser pedir socorro a ele. ‘Acho que vou morrer’, disse. ‘Posso deitar no seu colo?’ Ele fez um sinal positivo com a cabeça e me aconcheguei em suas pernas. Ninguém disse nada. Não precisava. Dias depois, ele falou pela primeira vez que me amava. Aos poucos, voltei a dormir, trabalhar, viver. Hoje, reconheço
minha força e o poder de transformação que carrego em mim. E quando me dizem: ‘Como você está magra, ‘Como está linda’, respondo prontamente: ‘Regulei a tireoide’. Simples assim.”


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