Empresa diz que resultado é explicado por queda nas receitas e alta em gastos operacionais; estatal negocia empréstimo de R$ 20 bilhões para bancar seu plano de reestruturação
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Os Correios acumularam um prejuízo de R$ 6,1 bilhões no ano até setembro, segundo as demonstrações financeiras aprovadas nesta sexta-feira (28) pelo conselho de administração da companhia.
O rombo é quase o triplo do verificado em igual período de 2024, quando o resultado foi negativo em R$ 2,14 bilhões.
Em comunicado a funcionários, a estatal disse que o resultado é explicado pela queda nas receitas e pelo aumento nas despesas operacionais, além de maiores exigências na gestão de obrigações judiciais e trabalhistas.
Como revelou a Folha de S.Paulo, a estatal negocia com bancos públicos e privados um empréstimo de R$ 20 bilhões para socorrer a companhia. A operação será vinculada ao plano de reestruturação da empresa, que inclui medidas como PDV (programa de demissão voluntária), reformulação do plano de saúde, fechamento de agências e um novo plano de cargos e salários.
A empresa também estuda repassar parte de seus imóveis para outra estatal federal, a Emgea (Empresa Gestora de Ativos), numa tentativa de acelerar a venda desses bens e obter uma injeção imediata de recursos no caixa.
A articulação de um plano de socorro ganhou força após a troca no comando dos Correios, no fim de setembro. A empresa hoje é comandada por Emmanoel Schmidt Rodon, funcionário de carreira do Banco do Brasil.
No primeiro semestre do ano, o rombo da empresa havia ficado em R$ 4,37 bilhões, o triplo do prejuízo de R$ 1,35 bilhão observado em igual período de 2024.
Agora, com a divulgação das demonstrações contábeis do terceiro trimestre, a companhia anunciou um resultado negativo de R$ 1,69 bilhão entre julho e setembro de 2025.
Embora menor do que o prejuízo observado no segundo trimestre, o resultado expõe a situação delicada dos Correios, que já era de fragilidade financeira em meio a sucessivos prejuízos nos últimos anos .
Após um período no azul entre 2017 e 2021, que teve seu auge na pandemia de Covid-19 devido à expansão acelerada do comércio eletrônico, os Correios passaram a acumular prejuízos crescentes a partir de 2022.
Para além da chamada “taxa das blusinhas” (a cobrança de impostos sobre encomendas internacionais de até US$ 50 que, de fato, desfalcou suas receitas), a empresa já vinha penando com a deterioração de suas operações e com o descontrole sobre ações judiciais que impactam o caixa da companhia. Enquanto isso, continuou aumentando despesas.
No ano até setembro, a receita bruta de vendas e serviçous ficou em R$ 12,8 bilhões, uma queda nominal de 12,3% em relação a igual período do ano passado. A redução nas receitas é puxada justamente pelo segmento de postagens internacionais, que caiu de R$ 3,17 bilhões para R$ 1,13 bilhão na comparação dos nove meses de 2024 e 2025.
Por outro lado, os custos com pessoal subiram de R$ 7,72 bilhões para R$ 8,25 bilhões no período analisado, uma variação nominal de 6,9%. No ano passado, um acordo coletivo firmado entre a empresa e os sindicatos concedeu um reajuste linear de 4,11% para mais de 55 mil empregados, além do resgate da cláusula de gratificação de 70% sobre as férias.
“Apesar dos avanços recentes em transformação digital e operacional, os Correios ainda enfrentam desafios estruturais que comprometem sua competitividade, como a redução das receitas em linhas tradicionais, a intensificação da concorrência em segmentos de maior rentabilidade, a rigidez dos custos decorrente da obrigação de atender todos os municípios independentemente da demanda ou rentabilidade, e as restrições de investimento em modernização tecnológica e operacional, agravadas pelo contexto de expansão do setor e pela inclusão da empresa no Plano Nacional de Desestatização, entre 2021 e 2022”, dizem os Correios no documento.
O aumento do estoque de precatórios (sentenças judiciais) a serem pagos pela companhia também pesa sobre o resultado. No fim do terceiro trimestre, o saldo dessas obrigações alcançou R$ 2,48 bilhões, cerca de cinco vezes o valor registrado um ano antes (R$ 508,8 milhões).
Segundo a empresa, desse montante, R$ 990 milhões serão quitados neste ano, e outro R$ 1,25 bilhão vai impactar o caixa no ano que vem. Em 2027, a fatura está calculada em R$ 236,4 milhões.
De acordo com dados do Banco Central, as empresas estatais como um todo registraram déficit de R$ 149 milhões no mês passado e, no acumulado de janeiro a outubro, a conta negativa já chega a R$ 7,45 bilhões -dos quais R$ 6,35 bilhões correspondem a estatais federais. Não estão incluídos no cálculo a Petrobras e os bancos públicos.
O resultado deficitário é influenciado pela situação dos Correios. Segundo estimativas do governo, o déficit primário da companhia de deve ficar em R$ 5,8 bilhões neste ano. O déficit primário é uma conta distinta do prejuízo contábil, que considera também despesas financeiras.
Na semana passada, o governo precisou segurar R$ 3 bilhões em despesas do Executivo para compensar o resultado dos Correios, que devem levar ao estouro da meta fiscal das estatais federais. O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, disse na segunda-feira (24) que a situação da empresa pode ter um impacto ainda maior nas contas em 2026.
Correios acumulam prejuízo de R$ 6 bi no ano até setembro
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