Desemprego atinge 5,1% no trimestre até dezembro e 5,6% na média de 2025, menores taxas da série

Tanto a taxa trimestral até dezembro quanto a média anual de 2025 renovaram os menores patamares da série histórica iniciada em 2012, apontam os dados divulgados nesta sexta (30) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

LEONARDO VIECELI
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – A taxa de desemprego do Brasil recuou a 5,1% no trimestre até dezembro de 2025, após marcar 5,6% nos três meses encerrados em setembro, que servem de base de comparação. Com o novo resultado, o indicador fechou a média do ano em 5,6%, 1 ponto percentual abaixo de 2024 (6,6%).

Tanto a taxa trimestral até dezembro quanto a média anual de 2025 renovaram os menores patamares da série histórica iniciada em 2012, apontam os dados divulgados nesta sexta (30) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Os resultados ocorrem apesar dos juros altos, que tendem a esfriar a economia para conter a inflação.

O efeito do aperto monetário, porém, não é “uniforme” entre as atividades, disse a coordenadora de pesquisas por amostra de domicílios do IBGE, Adriana Beringuy.

Na avaliação da técnica, o impacto dos juros vem sendo amortecido por questões como o aumento da renda, que beneficia o consumo e, consequentemente, o mercado de trabalho.

Na média anual, a taxa de desemprego ficou abaixo de 6% pela primeira vez. A máxima da série foi de 14% em 2021, sob influência da pandemia.

O índice do trimestre até dezembro (5,1%), que fornece um olhar mais recente, veio em linha com as projeções do mercado financeiro, cuja mediana também era de 5,1%, conforme a agência Bloomberg.

Os dados do IBGE integram a Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), que investiga tanto o trabalho formal quanto o informal -com ou sem carteira assinada e CNPJ. As estatísticas abrangem a população de 14 anos ou mais.

No trimestre até dezembro, o número de desempregados recuou a 5,5 milhões, o menor da série. Baixou 9% ante os três meses até setembro (menos 542 mil pessoas).

Já o número de ocupados com algum trabalho alcançou quase 103 milhões. Houve alta de 0,6% frente ao período até setembro (mais 565 mil).

O contingente mais recente é o segundo maior da série histórica. Está bem próximo do recorde registrado no trimestre móvel até novembro (103,02 milhões), mas analistas veem sinais de desaceleração no ritmo de abertura de vagas.

Em relação a igual período do ano anterior, a população ocupada aumentou 1,1% no trimestre até dezembro. É um avanço menor do que o observado nos intervalos anteriores nesse mesmo tipo de comparação (1,4% até setembro, 2,4% até junho e 2,3% até janeiro).
“O mercado de trabalho tem mostrado desaceleração alinhada ao pouso suave esperado para a economia”, diz Bruno Imaizumi, economista da consultoria 4intelligence.

“Vai crescer de maneira mais comedida e mais alinhada com a variação do PIB”, acrescenta ele, que chama a atenção para os ganhos de renda dos trabalhadores.

No trimestre até dezembro, o rendimento médio do trabalho alcançou R$ 3.613 por mês, conforme o IBGE.

É o maior valor da série histórica em termos reais -com ajuste pela inflação. Houve altas de 2,4% frente ao trimestre até setembro (R$ 3.527) e de 5% ante o intervalo até dezembro de 2024 (R$ 3.440).
Para a gestora Kínitro Capital, a Pnad mostra um mercado de trabalho ainda aquecido, com “forte alta dos rendimentos”, apesar de os últimos resultados indicarem sinais de desaceleração na criação de vagas.

A instituição diz que o reajuste do salário mínimo em 2026 deve gerar novo incremento na renda.

COMÉRCIO LIDERA ABERTURA DE VAGAS

O número de ocupados no grupamento de atividades que inclui o comércio teve aumento de 299 mil no trimestre até dezembro, em relação ao intervalo finalizado em setembro. Foi a maior alta em termos absolutos.

Houve impacto da demanda sazonal por mão de obra a partir de eventos como a Black Friday, conforme Adriana Beringuy, do IBGE.
O segundo maior aumento (mais 282 mil ocupados) ocorreu no grupamento de administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais.

“Após queda de ocupação registrada no 3º trimestre [até setembro], o comércio apresentou recuperação no fim do ano, expandindo seu contingente de trabalhadores em diversos segmentos, com destaque para o comércio de vestuário e calçados”, disse Adriana.

O QUE EXPLICA O DESEMPREGO BAIXO?

A técnica do IBGE associou o desemprego baixo a uma economia que cresceu nos últimos anos com estímulos ao consumo das famílias. Nesse sentido, ela destacou o avanço da renda a partir de medidas como o aumento do salário mínimo.

Outra questão que analistas costumam citar para explicar o desemprego baixo é a mudança demográfica em curso no país.
Com o envelhecimento da população, a tendência é de que uma parcela dos brasileiros saia do mercado e deixe de procurar ocupação.

Isso reduz a pressão sobre a taxa de desemprego porque uma pessoa sem trabalho também precisa estar em busca de oportunidades para ser considerada desocupada. Não basta só não trabalhar.

A população fora da força de trabalho, ou seja, que não estava ocupada nem desempregada, chegou a 66,2 milhões no trimestre até dezembro.

Houve acréscimo de 0,5% ante o período até setembro (mais 313 mil). O IBGE considera a variação dentro da margem de estabilidade estatística.

Já na comparação com o trimestre encerrado um ano antes, em dezembro de 2024, a população fora da força cresceu 2,1% (mais 1,3 milhão).

De acordo com Adriana Beringuy, o aumento tem um componente demográfico “bem importante”, mas não se resume a isso.

Ela afirmou que jovens também podem ter saído da força para se dedicar aos estudos graças à melhora da renda domiciliar.

O mercado de trabalho ainda é influenciado pela geração de vagas ligadas à tecnologia. Estudo recente do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas) estimou que atividades realizadas por meio de aplicativos reduziam o desemprego em 1 ponto percentual.

Conforme o IBGE, o número de trabalhadores por conta própria renovou o recorde da série no trimestre até dezembro (26,1 milhões), assim como o de empregados com carteira assinada no setor privado (39,4 milhões).

O nível da ocupação, que mede o percentual de ocupados na população de 14 anos ou mais, foi de 58,9% nos últimos três meses. Só fica abaixo do encontrado no trimestre até novembro (59%).

A taxa de informalidade, por sua vez, foi de 37,6% até dezembro. Trata-se da fatia de informais na população ocupada.

Percentuais de informalidade abaixo de 37,6% só foram encontrados durante o ano de 2020. À época, as restrições da pandemia expulsaram do mercado profissionais sem carteira ou CNPJ.
“Acreditamos que a taxa de desemprego seguirá em níveis baixos para os padrões históricos ao longo de 2026, sustentada por um crescimento do PIB próximo ao que entendemos como potencial [sem pressão na inflação]”, disse Heliezer Jacob, economista do C6 Bank.
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TIRE SUAS DÚVIDAS SOBRE O DESEMPREGO

 que é o desemprego?
O desemprego se refere às pessoas de 14 anos ou mais que não estão trabalhando, mas que estão disponíveis e tentam encontrar trabalho.
Para alguém ser considerado desempregado, não basta não possuir um emprego. É preciso que essa pessoa também procure oportunidades.

Como funciona a Pnad Contínua?
É o principal instrumento para monitorar a força de trabalho do país. Conforme o IBGE, sua amostra corresponde a 211 mil domicílios, em todos os estados e no DF, que são visitados a cada trimestre. Cerca de 2.000 entrevistadores trabalham na coleta da pesquisa.

Como é medida a taxa de desemprego?
É a porcentagem das pessoas na força de trabalho que estão desempregadas.
A força de trabalho é composta pelos desempregados e pelos ocupados. Os ocupados, por sua vez, são aqueles que estão trabalhando de modo formal ou informal -ou seja, com ou sem carteira assinada ou CNPJ.

O que explica o desemprego baixo?
Ele se explica principalmente por um mercado de trabalho aquecido, reflexo da atividade econômica no país. Mudanças demográficas e tecnológicas também contribuem para uma taxa baixa, segundo analistas.

Que efeito o desemprego baixo pode ter na economia?
Com mais pessoas trabalhando, o consumo tende a crescer, já que a população tem mais renda disponível. Por outro lado, isso pode pressionar a inflação, já que eleva a demanda por bens e serviços.
Em meio a esse cenário, o BC (Banco Central) levou a taxa básica de juros para 15% ao ano. A medida busca esfriar o consumo e conter o aumento dos preços.

Desemprego atinge 5,1% no trimestre até dezembro e 5,6% na média de 2025, menores taxas da série

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