Segundo a instituição, o aumento do preço do barril do petróleo tipo Brent melhora o resultado primário, embora o país deva continuar registrando déficit em 2026 e 2027
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A disparada do preço do petróleo em meio à guerra entre Estados Unidos e Irã deve pressionar a inflação, mas pode aliviar as contas públicas brasileiras -reduzindo o déficit em até 0,6% do PIB, segundo a IFI (Instituição Fiscal Independente, órgão ligado ao Senado), em relatório publicado nesta quinta-feira (16).
Segundo a instituição, o aumento do preço do barril do petróleo tipo Brent melhora o resultado primário, embora o país deva continuar registrando déficit em 2026 e 2027.
Sem choque de preços, a IFI projeta resultado negativo de 0,7% do PIB em 2026. Caso o barril se mantenha em torno de US$ 97 até o fim do ano, o déficit cairia para cerca de 0,1%.
Para 2027, a estimativa é de resultado primário negativo em 1,2% do PIB sem choque. Com o Brent ao redor de US$ 108, o rombo seria menor, de 0,6% do PIB.
O choque favorece a arrecadação por dois canais: diretamente, via impostos, royalties e participações do Estado em empresas de petróleo; e indiretamente, com a alta da inflação, que amplia a base tributária.
Os ganhos fiscais poderiam ser maiores caso o governo não adotasse medidas para mitigar os impactos da alta dos combustíveis. Foram concedidos subsídios ao diesel e ao GLP (gás de cozinha), além do adiamento de cobranças tarifárias sobre empresas aéreas.
Se o preço do barril permanecer elevado, a inflação deve pressionar despesas a partir de 2027, especialmente aquelas indexadas ao salário mínimo, como benefícios previdenciários, BPC, auxílio-desemprego e abono salarial.
Segundo Marcus Pestana, diretor-executivo da IFI, as estimativas ainda são preliminares e cercadas de incerteza. “Não se pode cravar qual será o comportamento do preço do barril e dos derivados nem os efeitos sobre a inflação global e sua transmissão para cada país”, afirma.
Nos cálculos da IFI, são considerados todos os gastos do governo. Já nas contas oficiais, como as divulgadas nesta quarta-feira (15), parte dos precatórios, investimentos em Defesa e despesas extraordinárias do fundo social para educação e saúde ficam fora do cálculo, conforme permite uma emenda constitucional.
Para o crescimento da dívida pública, no entanto, o que importa é o gasto efetivo. Por isso, a IFI inclui todas as despesas em suas projeções.
O Ministério do Planejamento apresentou nesta quarta o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027 e desconsiderou os efeitos da guerra sobre o resultado fiscal, diante das incertezas do cenário.
Estados Unidos e Irã disputam o controle do trânsito marítimo no Estreito de Hormuz, ligação entre o Golfo Pérsico e o oceano Índico por onde passam cerca de 20% da produção mundial de petróleo.
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