Copom confirma plano mesmo com guerra no Irã, mas evita sinalizar seus próximos passos; última queda da taxa básica de juros tinha sido registrada em maio de 2024, sob Campos Neto
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O Copom (Comitê de Política Monetária) iniciou nesta quarta-feira (18) o ciclo de corte de juros e reduziu a taxa básica (Selic) em 0,25 ponto percentual, de 15% para 14,75% ao ano. Essa foi a primeira queda sob a gestão de Gabriel Galípolo no Banco Central.
Apesar das incertezas provocadas pela guerra no Irã, o colegiado do BC confirmou o plano traçado no encontro anterior, em janeiro, quando sinalizou a intenção de iniciar a flexibilização da política de juros na reunião de março.
O comitê evitou sinalizar qual será a intensidade dos próximos cortes, citando “forte aumento da incerteza”. A ideia é ter mais clareza da profundidade e da extensão dos conflitos no Oriente Médio antes de definir os próximos movimentos.
Votaram sete dos nove membros em decisão unânime. Ainda não foram indicados os substitutos dos diretores Diogo Guillen (Política Econômica) e Renato Gomes (Organização do Sistema Financeiro e de Resolução), cujos mandatos terminaram em 31 de dezembro de 2025.
Às vésperas do encontro, cresceu no mercado financeiro a aposta de uma redução menor de juros no primeiro movimento, de 0,25 ponto percentual, diante da disparada dos preços do petróleo. Antes da escalada do conflito no Oriente Médio, o consenso era de corte de 0,5 ponto percentual.
Levantamento feito pela Bloomberg mostrava que, dentre 30 instituições consultadas, 19 previam queda da Selic para 14,75%, dez projetavam redução para 14,5% e uma acreditava na manutenção da taxa básica em 15% ao ano pela sexta vez seguida.
Diante da incerteza no ambiente global, o Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos) decidiu manter os juros entre 3,5% e 3,75%, pela segunda reunião consecutiva.
A turbulência no cenário externo também colaborou para o BC dar um primeiro passo mais conservador, apesar da pressão crescente do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e dos setores produtivos pela queda dos juros.
Esse foi o primeiro corte da Selic em quase dois anos. A última queda tinha sido registrada em maio de 2024, quando Roberto Campos Neto ainda era presidente do Banco Central.
O alívio naquela época durou pouco e, na sequência, foi executado um ciclo de alta que alçou, em junho de 2025, a taxa básica de juros ao nível de 15% ao ano. Desde então, a Selic ficou estacionada nesse patamar -o mais alto desde julho de 2006.
A manutenção dos juros elevados por um longo período ajudou o BC a levar a inflação em direção à meta. No acumulado de 12 meses até fevereiro, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) chegou a 3,81%.
O alvo central do BC é 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. No atual modelo, de meta contínua, o objetivo é considerado descumprido quando a inflação acumulada permanece durante seis meses seguidos fora do intervalo, que vai de 1,5% (piso) a 4,5% (teto).
Nas últimas semanas, cresceram os riscos sobre os preços no curto prazo. O barril do petróleo chegou a ficar próximo de US$ 105 na terça-feira (17) em mais um dia de preocupações com a continuidade do confronto dos EUA e de Israel contra o Irã.
Para conter a alta de preços de combustíveis, o governo Lula zerou as alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel até o fim do ano, ao custo de R$ 20 bilhões. Também autorizou um subsídio de até R$ 10 bilhões para bancar parte do preço do diesel.
Os efeitos sobre a inflação no médio prazo são incertos, e as projeções para a economia brasileira ainda não sofreram deterioração significativa. Segundo os dados coletados pelo boletim Focus, divulgado na última segunda (16), os analistas projetam que o IPCA feche 2027 e 2028 em 3,8% e 3,5%, respectivamente.
Devido aos efeitos defasados da política de juros sobre a economia, o Copom já trabalha com a inflação do terceiro trimestre de 2027 na mira. O colegiado voltará a se reunir nos dias 28 e 29 de abril, no terceiro dos oito encontros previstos para o ano.
BC reduz Selic em 0,25 ponto, a 14,75% ao ano, no primeiro corte de juros da gestão Galípolo
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