Categoria: ECONOMIA

  • Cyber Monday, a 'xepa da Black Friday', deve oferecer smartphone com desconto

    Cyber Monday, a 'xepa da Black Friday', deve oferecer smartphone com desconto

    Modelos antigos têm maiores descontos; cortes chegam a R$ 2.000, mostra Buscapé; Apple introduziu novo iPhone em setembro e Samsung deve anunciar nova linha em janeiro

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Os smartphones foram o segundo item mais desejado deste fim de semana de promoções e devem continuar com alta procura, mostram dados da plataforma de monitoramento Confi Neotrut. As ofertas de eletrônicos seguem até segunda-feira (1º), quando se oferece a Cyber Monday, a “xepa da Black Friday”.

    Essa data historicamente reúne uma quantidade maior de promoções de produtos de tecnologia, como eletrônicos e itens de informática, segundo a plataforma Promobit. As promoções são estratégicas no fim do ano, que é quando ocorre a renovação dos estoques.

    O consumidor que está disposto a comprar aparelhos de gerações passadas tende a encontrar descontos maiores.

    O iPhone 16 Pro Max, da geração anterior, está até R$ 2.000 mais barato em comparação ao preço médio dos últimos seis meses, mostra o site de histórico de preços Buscapé. O aparelho deixou de ser vendido pela Apple quando se lançou a linha do iPhone 17, em setembro.

    O site Buscapé também mostra descontos na casa de R$ 1.000 para os aparelhos da geração Galaxy S25. A Samsung deve renovar sua linha de aparelhos de alta performance no próximo mês de janeiro.

    Aparelhos mais antigos têm ainda mais desconto. O dobrável Moto Razr 40, de 2023, está à venda por preços a partir de R$ 1.400, o menor valor já registrado. Na hora de comprar um aparelho mais antigo, é preciso ter uma atenção maior à falta de chips dedicados a tarefas de IA e a memória do celular, que podem comprometer o desempenho e a duração da bateria.

    Durante as compras, em geral, o consumidor deve avaliar, além do preço, marca, especificações de câmera, bateria, tela, sistema operacional e memória do celular.

    PREÇO

    Modelos mais caros geralmente oferecem as melhores configurações, mas é necessário avaliar se esses recursos extras serão de fato utilizados e se o preço mais alto se justifica em relação à concorrência. O WhatsApp vai funcionar tanto em um celular de R$ 1.000 quanto em um de R$ 10 mil.

    O mercado é dividido em modelos de entrada, intermediários e premium, que oferecem o melhor em termos de acabamento, desempenho e recursos. A faixa de preço de cada nível varia, com o primeiro custando até cerca de R$ 1.000, o segundo, até R$ 3.000, e o terceiro, acima disso.

    TELA

    Como a tela dos smartphones hoje chega a ocupar mais de 90% da frente do dispositivo, sua qualidade é crucial na hora de escolher um novo aparelho. Aqui, três características principais devem ser consideradas: a resolução, o tipo de tecnologia e a taxa de atualização.

    A resolução refere-se à quantidade de pixels na tela -quanto maior, mais nítida será a imagem exibida em uma tela do mesmo tamanho. Em ordem crescente, há resoluções como HD (720p), Full HD (1080p), Quad HD (1440p) e 4K.

    A tecnologia da tela está relacionada à qualidade da imagem. Telas LCD, mais acessíveis, oferecem cores menos vibrantes e menor brilho, enquanto telas OLED, como as encontradas no iPhone 17 e na maioria dos modelos da Samsung, proporcionam cores mais vivas e contrastes mais profundos, embora a um custo mais elevado.

    A taxa de atualização representa o número de vezes que o display é atualizado por segundo. Isso significa que frequências mais altas resultam em uma exibição mais suave. Embora a taxa de 60 Hz seja suficiente para a maior parte dos casos, os 120 Hz oferecidos em celulares mais caros proporcionam uma experiência de visualização melhor.

    Além dessas características principais, vale a pena conferir se o aparelho tem proteção contra riscos, como a do tipo Gorilla Glass, e compatibilidade com HDR.

    DESEMPENHO

    O desempenho de um smartphone, que envolve a velocidade com que ele abre aplicativos, a quantidade de tarefas que podem ser executadas simultaneamente e a qualidade gráfica de jogos, depende da capacidade de processamento do aparelho.

    O processador, como os modelos Snapdragon da Qualcomm ou os chips projetados pela Apple, determina a velocidade de execução dos programas. Além da versão (como Snapdragon 8 Gen 3 ou A19), sua capacidade é medida pela frequência de operação, expressa em GHz. Processadores mais potentes permitem que o dispositivo execute tarefas complexas com maior rapidez.

    A quantidade de memória RAM (4 GB, 6 GB, 8 GB etc.) ajuda a manter múltiplas tarefas funcionando sem engasgos. Geralmente, 6 GB são mais que suficientes para os usuários que alternam entre redes sociais, navegação na internet e jogos leves.

    Se o uso tem a ver com tarefas mais pesadas, a unidade de processamento gráfico (GPU) também é importante. Modelos recentes como a Adreno 750, integrada no Snapdragon 8 Gen 3, oferecem bom desempenho.

    Para tarefas cotidianas, como usar redes sociais e rodar jogos simples, 4 GB de RAM e um processador de nível médio, como o Helio G85, de 2 GHz, ou o Snapdragon 695, de 2,2 GHz, são suficientes.

    No entanto, para uma experiência geral com menos engasgos, para jogos pesados e uso intenso, processadores de ponta como o Snapdragon 8, junto com 8 GB de RAM ou mais, são mais recomendados.

    Como os aplicativos tendem a ficar mais complexos e pesados com o tempo, um desempenho maior no presente pode também aumentar a vida útil do aparelho.

    O parâmetro Antutu, que dá uma pontuação geral para o desempenho dos celulares, é útil para comparar diferentes dispositivos e visualizar a diferença entre aparelhos de entrada, intermediários e premium.

    CÂMERA

    A qualidade da câmera de um celular pode muitas vezes ser o fator decisivo na hora da compra. De modelos mais simples a outros com conjuntos de várias lentes, vale se atentar a alguns fatores.

    A resolução da câmera, medida em megapixels (MP), é um dos principais chamarizes de alguns celulares, mas não é o fator determinante da qualidade das fotos.

    Altas resoluções capturam mais detalhes, mas o resultado final também depende das lentes, da qualidade do sensor e do processamento feito pelo software de cada celular. Hoje, recursos com inteligência artificial também podem ajudar.

    Por exemplo, o Samsung Galaxy S25 Ultra tem uma câmera principal de 200 MP, enquanto o rival iPhone 17 Pro Max tem uma câmera principal de 48 MP. Apesar da resolução menor, o aparelho da Apple se destaca pelo processamento de imagem, que garante cores e um balanço de branco mais precisos.

    Isso não significa que o aparelho da marca sul-coreana, tão caro quanto o concorrente, tenha uma câmera ruim -pelo contrário, se destaca em fotos tiradas em ambientes bem iluminados.

    Também importante é a abertura da lente, indicada por números como f/1.8 e f/2.2. Quanto menor o número, maior a abertura, permitindo que mais luz entre, o que é importante para fotografar ambientes escuros, por exemplo.

    Um recurso útil para interessados em fotografia no celular é a plataforma especializada DxOMark, que mantém um ranking atualizado das melhores câmeras partindo de critérios pré-estabelecidos, testes detalhados e exemplos práticos. Nessa lista, por exemplo, o iPhone 17 Pro Max está na 2ª posição, enquanto o Galaxy S25 Ultra, na 21ª. O melhor avaliado é o chinês Huawei Pura 80 Ultra.

    BATERIA

    A autonomia da bateria é fundamental para quem carrega o celular consigo o tempo todo. A sorte é que a maioria dos smartphones modernos, especialmente de marcas populares, vem equipada com módulos que duram pelo menos um dia inteiro de uso moderado.

    A duração varia conforme as atividades realizadas no aparelho. Leitura de reportagens e troca de mensagens consomem menos energia, enquanto assistir a vídeos em alta definição ou jogar games pesados drenam a bateria mais rapidamente.

    Um dos principais indicadores da autonomia é a capacidade, medida em miliampère-hora (mAh). Em geral, uma bateria de 5.000 mAh é um bom ponto de referência para dispositivos novos.

    Alguns fabricantes também fornecem estimativas de quantas horas de vídeo ou uso misto o dispositivo aguenta com uma carga completa, o que pode ajudar na hora de escolher. Por exemplo, o iPhone 17 Pro Max reproduz até 37 horas de vídeo, enquanto o Galaxy S25 Ultra, até 31 horas.

    Também vale olhar se o celular tem suporte a carregamento rápido e carregamento sem fio, recursos que podem quebrar um galho na hora do sufoco.

    ARMAZENAMENTO

    O armazenamento interno é essencial para guardar fotos, vídeos, aplicativos e outros arquivos importantes. As opções de armazenamento variam de 64 GB em dispositivos de entrada até 2 TB em alguns modelos premium.

    A escolha da capacidade deve estar relacionada ao tipo de uso, levando em conta que o sistema operacional e aplicativos pré-instalados também ocupam uma parte do espaço. Como nos outros casos, um armazenamento maior, com pelo menos 128 GB, dá mais vida útil ao aparelho.

    CONECTIVIDADE

    A conectividade de um celular abrange itens como redes móveis (4G, 5G), Wi-Fi, Bluetooth, NFC e GPS.

    Com a expansão do 5G desde 2022 no Brasil, optar por dispositivos compatíveis com a rede garante maior longevidade ao dispositivo. A nova geração da internet móvel oferece velocidades maiores e tempo de resposta menor em relação ao 4G.

    Já o NFC (comunicação de campo próximo) torna o celular compatível com pagamentos por aproximação, como aqueles feitos via Google Pay ou Apple Pay. Versões mais recentes de Bluetooth e Wi-Fi também permitem que o celular seja compatível com dispositivos novos, como fones de ouvido sem fio e objetos de casa inteligente.

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  • Governo prevê salário mínimo de R$ 1.627 em 2026 após inflação menor

    Governo prevê salário mínimo de R$ 1.627 em 2026 após inflação menor

    O novo valor estimado pelo governo representará um aumento de 7,18% em relação ao piso atual, que é R$ 1.518

    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reduziu a previsão para o salário mínimo de 2026, de R$ 1.631 para R$ 1.627. A redução de R$ 4 do piso salarial foi puxada pela expectativa de que a inflação deste ano seja menor do que projetada inicialmente.

    Se confirmado, o novo valor estimado pelo governo representará um aumento de 7,18% em relação ao piso atual, que é R$ 1.518. O cálculo segue a fórmula de correção da política de valorização do salário mínimo, com reajustes acima da inflação.

    O valor definitivo será conhecido no dia 10 de dezembro, com a divulgação do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) de novembro, que serve de base para a correção do piso salarial.

    A revisão dos parâmetros que subsidiam o PLOA (projeto de Lei Orçamentária Anual) de 2026 foi informada pela ministra Simone Tebet (Planejamento e Orçamento) ao presidente da CMO (Comissão Mista de Orçamento), senador Efraim Filho (União-PB).

    Nas projeções atualizadas para os anos seguintes, o governo prevê um salário mínimo de R$ 1.721 em 2027 (ante R$ 1.725), R$ 1.819 em 2028 (contra R$ 1.823) e R$ 1.903 em 2029 (abaixo dos R$ 1.908 previstos inicialmente no PLOA).

    O salário mínimo é baliza para uma série de despesas obrigatórias do Poder Executivo, como aposentadorias do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e o BPC (Benefício de Prestação Continuada), pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda. Sua correção interfere diretamente em algumas despesas mais relevantes do Orçamento.

    A política de valorização do salário mínimo leva em conta reajuste pela inflação do INPC de 12 meses até novembro do ano anterior mais a variação do PIB (Produto Interno Bruto) de dois anos antes (2024, neste caso).

    No ano passado, a economia cresceu 3,4%, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Mas o ganho real a ser incorporado será de até 2,5%. Isso porque, pelas regras atuais, ele está limitado ao mesmo ritmo de expansão do arcabouço fiscal, que fica entre 0,6% e 2,5% acima da inflação ao ano.

    A limitação do ganho real foi adotada para tentar evitar que o crescimento acelerado de gastos como aposentadorias e pensões do INSS, por exemplo, pudesse gerar pressão sobre ações discricionárias (como custeio e investimentos), colocando em risco a sustentabilidade da regra fiscal do país.

    Governo prevê salário mínimo de R$ 1.627 em 2026 após inflação menor

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  • Aluguel de curta duração avança, gera negócios e trava disputa com hotéis no Rio

    Aluguel de curta duração avança, gera negócios e trava disputa com hotéis no Rio

    Empreendedores pegam carona em plataformas como Airbnb para criar ou expandir operações; vereadores cariocas analisam eventual regulamentação das atividades

    RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – Omar Farhat começou a ganhar dinheiro com aluguel de acomodações no Rio de Janeiro em 2013. À época, improvisou um colchão com espuma comprada em uma papelaria e passou a oferecer estadia em um quarto de casa.

    A ideia, segundo ele, era ajudar a mãe a quitar uma dívida com o banco na faixa de R$ 20 mil. “A gente viu uma oportunidade de ganhar dinheiro com os grandes eventos”, lembra.

    O que era uma fonte de renda alternativa virou negócio formal. Doze anos depois, Omar é diretor de uma empresa especializada em aluguel de curta duração. O nome da operação é um trocadilho: Omar do Rio.

    Com 150 funcionários, o negócio administra a locação de cerca de 380 imóveis no estado, principalmente na capital. A projeção é chegar a 400 até o fim do ano.

    Após receber as chaves dos proprietários, a Omar do Rio prepara as acomodações para abrigar os inquilinos. Isso inclui definir os preços e distribuir os anúncios em plataformas como Airbnb, Booking e um site próprio, além de prestar suporte para os viajantes durante a estadia.

    “A gente representa o proprietário. Problemas podem acontecer. Pode queimar uma geladeira, pode ter uma intercorrência no ar-condicionado. A gente existe para dar o suporte durante a locação”, diz Omar.

    “E a gente faz todo o trabalho de limpeza, de manutenção, também. A gente construiu, por exemplo, uma lavanderia própria para atender a essa demanda”, acrescenta.

    O caso ilustra um mercado aquecido no Rio. Empreendedores como Omar viram a chance de criar ou expandir negócios pegando carona na popularização de plataformas como o Airbnb.

    “A locação por temporada veio para ficar, assim como o iFood e outras empresas da economia disruptiva”, afirma Marcio Milech, diretor jurídico da ABLT (Associação Brasileira de Locação por Temporada).

    Ele é sócio da Rio Host, administradora de imóveis que também resolveu apostar no mercado de aluguel de temporada.

    “A gente faz a preparação do imóvel e tudo a partir dali. Coloca na plataforma, acompanha os hóspedes, faz a limpeza, gerencia alguma crise que possa acontecer. A gente faz a parte financeira também”, afirma.

    Leonardo Schneider, vice-presidente do Secovi Rio (sindicato patronal de condomínios, administradoras, imobiliárias e incorporadoras), diz que a oferta de habitações para aluguel de temporada na cidade vem crescendo cerca de 20% em média ao ano.

    Um levantamento da entidade contabilizou 25 mil imóveis do tipo em março de 2025, período de alta temporada. Isso significa um avanço na oferta de 18,1% na comparação com abril do ano passado (21,2 mil).

    “O Rio tem os picos do Réveillon e do Carnaval, fora outros grandes eventos, shows e feriados. Isso atrai [demanda]. Os números são crescentes”, afirma Leonardo.

    DISPUTA COM HOTÉIS PARA NA CÂMARA

    O aluguel de curta duração, contudo, não é um ponto pacificado. Parte dos moradores e o setor de hotéis enxergam o quadro atual com ressalvas, e o assunto virou foco de um projeto na Câmara Municipal que busca regulamentar a atividade.

    A proposta foi discutida em audiência pública em setembro e ainda aguarda um desfecho na Casa.

    Alfredo Lopes, presidente do HotéisRIO (sindicato patronal da hotelaria), diz que os estabelecimentos não são contrários ao aluguel de curta duração, mas defendem “alguma regulação”.

    Para o dirigente empresarial, os hotéis lidam com uma “tributação desigual” na comparação com as plataformas, e a falta de regras em condomínios traz riscos de conflitos.

    “Se o proprietário não toma o cuidado devido com o imóvel, ou se o hóspede tem um problema de discussão com moradores do prédio, o turista sai da cidade com uma experiência ruim. Tem que ter alguma regulação. É por isso que a gente vem lutando”, afirma.

    Na visão de Alfredo, o crescimento do aluguel de curta duração também pressiona os custos da locação tradicional em bairros com vocação turística. Ele cita o exemplo de Copacabana, na zona sul.

    Quem defende a atividade via plataformas rebate esse argumento. “São mercados que correm em paralelo, com características totalmente diferentes”, diz Marcio Milech, da ABLT.

    O Ivar (Índice de Variação de Aluguéis Residenciais) acumulou inflação de 8,45% nos 12 meses até outubro no município do Rio, conforme o FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).

    A alta dos preços superou a média no Brasil (5,58%) e nas demais capitais pesquisadas: Belo Horizonte (6,93%), Porto Alegre (4,42%) e São Paulo (3,99%). O levantamento não detalha o que pode ter elevado os custos em cada cidade.

    Para os defensores da locação de curta temporada, a opção é necessária para democratizar o acesso ao turismo e suprir a demanda por estadia durante os megaeventos na capital fluminense.

    O Airbnb não detalha o número de acomodações ofertadas no Rio. Em nota enviada à Folha, disse que acompanha de perto as discussões dos vereadores, afirmou ter histórico de trabalho com governos de todo o mundo e apontou que a locação de temporada já é regulada pela Lei do Inquilinato na esfera federal.

    “Proibir essa locação viola o direito de propriedade de quem aluga seu imóvel”, diz.

    Em setembro, a empresa divulgou dados da FGV sobre o possível impacto de suas atividades no Rio. Segundo essa publicação, as operações do Airbnb geraram R$ 2,9 bilhões em renda adicional para negócios locais, do garçom em Ipanema ao motorista que leva turistas para o Cristo Redentor.

    “Quando uma reserva é feita em Copacabana, Lapa ou Jacarepaguá, o efeito se espalha por diferentes bairros da cidade. De acordo com a FGV, no recorte nacional, para cada R$ 10 gastos com acomodação no Airbnb, são gastos outros R$ 52 em setores como restaurantes, transporte, comércio e lazer”, afirma a empresa.

    Aluguel de curta duração avança, gera negócios e trava disputa com hotéis no Rio

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  • Ecommerce fechou Black Friday com R$ 4,76 bi de faturamento, 11% a mais do que em 2024

    Ecommerce fechou Black Friday com R$ 4,76 bi de faturamento, 11% a mais do que em 2024

    Resultado supera ano passado em R$ 500 milhões, diz plataforma de monitoramento do comércio online; TVs, smartphones e geladeiras lideraram buscas; pedidos avançaram 28%, e tíquete médio recuou 12,8%

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O ecommerce encerrou a Black Friday deste ano com um faturamento de R$ 4,76 bilhões. Foi uma alta de 11,2% em relação a 2024, quando as vendas ficaram em R$ 4,26 bilhões. Os dados foram medidos pela plataforma Confi Neotrust, entre a 00h e as 23h59 da sexta-feira (28).

    O aumento no volume de compras impulsionou as receitas, mesmo com recuo do valor médio por transação (tíquete médio) de 12,8% –abaixou de R$ 634,40 para R$ 553,60. O número de pedidos finalizados foi 28% superior, com 8,69 milhões de registros contra 6,74 milhões no ano passado.

    Os itens que mais renderam vendas na data promocional foram, em ordem, televisões (R$ 443,2 milhões), smartphones (R$ 388,7 milhões) e geladeiras (R$ 273,2 milhões).

    Os produtos que geraram maior faturamento foram o ar condicionado Split da Samsung de 12 mil BTUs, o iPhone 16 de 128 GB de cor preta e a Smart TV de 70 polegadas da Samsung, do modelo Crystal Gaming Hub.

    Os números deste ano foram os maiores desde 2021, quando as plataformas de ecommerce faturaram R$ 5,1 bilhões com a Black Friday, o pico da série histórica. O setor alcançou seguidos recordes durante a pandemia de Covid-19, quando a população vivia uma política de isolamento social.

    O head de negócios da Confi Geotrust, Léo Bicalho, afirma que os consumidores demonstraram um comportamento estratégico: esperaram melhores descontos antes de comprarem itens mais caros. Com isso, o tíquete médio subiu de R$ 325 na segunda-feira (24) para os quase R$ 554 registrados na sexta.

    Nos últimos anos, diz Bicalho, o consumidor tem repartido suas transações durante novembro. “A antecipação das compras ao longo do mês permitiu que o consumidor dividisse seu orçamento de forma inteligente: garantindo itens de recorrência e moda ao longo da semana, e reservando o capital principal para a ‘compra de desejo’, TVs e linha branca, na sexta-feira oficial.”

    No parcial de novembro, de 1º a 27, o setor acumulou R$ 39,2 bilhões, avanço de 36,2% em relação ao ano passado. O número de pedidos aumentou 48,8%, para 124,9 milhões, mas o tíquete médio caiu 8,5%, para R$ 313.

    Os dados reforçam o chamado “Black November”, movimento em que o varejo antecipa promoções para diluir a concentração de vendas apenas na sexta-feira.

    Os dados foram obtidos pela plataforma Hora a Hora da Confi Neotrust, que monitora transações reais de mais de 7.000 lojas parceiras. A empresa acompanha o comportamento de mais de 80 milhões de consumidores digitais e atualiza indicadores de faturamento, unidades vendidas e preços a cada hora, com recortes regionais e por categoria em mais de 2.000 subdivisões do ecommerce.

    Ecommerce fechou Black Friday com R$ 4,76 bi de faturamento, 11% a mais do que em 2024

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  • União viabiliza empréstimo de R$ 20 bi com bancos aprovado pelo Conselho dos Correios

    União viabiliza empréstimo de R$ 20 bi com bancos aprovado pelo Conselho dos Correios

    Segundo interlocutores, Banco do Brasil, BTG Pactual, Citibank, ABC Brasil e Safra apresentaram proposta; ato do Executivo dará respaldo legal à decisão da União de ser fiadora da operação

    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve editar um decreto e uma portaria interministerial para permitir a concessão de garantia da União ao empréstimo de R$ 20 bilhões para socorrer os Correios. A operação foi aprovada pelo conselho de administração da estatal na manhã deste sábado (29).

    A elaboração do ato foi confirmada à Folha por três interlocutores do governo a par das discussões. O objetivo é dar respaldo legal ao aval soberano, que, por sua vez, é condição necessária para viabilizar uma operação dessa monta para uma companhia estatal em dificuldades financeiras.

    Segundo pessoas a par do tema, a operação de crédito aprovada pelo conselho dos Correios atende ao valor integral solicitado pela empresa e foi apresentada por um sindicato de cinco bancos: Banco do Brasil, Citibank, BTG Pactual, ABC Brasil e Safra. Como fiador, o Tesouro Nacional honrará os pagamentos em caso de inadimplência, o que torna praticamente nulo o risco de prejuízo para os bancos.

    A Caixa Econômica Federal, que participou do início das negociações, não deu continuidade às conversas.

    Procurados, os bancos não se manifestaram. Em ocasiões anteriores, disseram não comentar casos específicos. Os Correios afirmaram que “mais informações sobre a operação de crédito poderão ser divulgadas oficialmente após a avaliação e liberação pelos órgãos supervisores competentes”.

    Sobre o decreto, os Correios disseram que não cabe à empresa “atuar na elaboração desses normativos” e direcionou as perguntas aos órgãos competentes. A Casa Civil e os ministérios da Fazenda e da Gestão não responderam até a publicação deste texto.

    A concessão de garantia da União sempre foi premissa de toda a negociação do empréstimo, inclusive com os bancos, mas ainda havia insegurança no corpo técnico do Tesouro sobre como dar aval a uma empresa que, hoje, enfrenta dificuldades financeiras e não tem capacidade de pagamento.

    A expectativa é que o decreto presidencial, seguido da portaria assinada por diferentes ministros, dê respaldo legal à decisão, blindando os técnicos que temem responder individualmente a processos de responsabilização caso a empresa dê um calote nos bancos e acione a garantia soberana no futuro. Como são atos do Executivo, não é necessário aval do Congresso Nacional.

    A ideia é permitir que uma estatal sob risco de dependência do Tesouro Nacional -isto é, precisar de dinheiro do Orçamento para custear despesas operacionais, incluindo pessoal- possa apresentar um plano de reestruturação com medidas de ajuste, cujos efeitos financeiros serão considerados na avaliação da capacidade de pagamento.

    A chamada “capag” é um indicador crucial para determinar se um ente ou uma empresa estatal faz jus ou não à garantia da União.

    Na prática, o ato abre caminho para que os técnicos avaliem o pedido de aval dos Correios levando em consideração medidas de ganho de receitas e corte de despesas que estão no plano, mas ainda não foram implementadas. Esse voto de confiança é diferente do rito habitual, no qual o Ministério da Fazenda analisa a fotografia atual das finanças dos entes ou das estatais.

    Como mostrou a Folha, essa será a primeira vez desde o governo Dilma Rousseff (PT) que a Fazenda abrirá uma exceção para conceder garantia a um empréstimo. Na gestão da ex-presidente, licenças excepcionais permitiram o endividamento de estados já em péssimas condições financeiras, que depois deram calote nos financiamentos. Naquela ocasião, porém, não havia um ato presidencial para destravar as operações, e sim do ministro da Fazenda.

    Como a concessão da garantia será feita com base no plano de reestruturação, a avaliação do governo é que o documento precisa ser crível e bem fundamentado, inclusive explicitando ações que serão adotadas em caso de frustração dos resultados, de modo a manter a empresa na trajetória de recuperação.

    Sem o empréstimo, os Correios seriam um forte candidato a migrar para o status de dependente do Tesouro. Nessa situação, todas as despesas da companhia ficariam dentro do Orçamento, disputando espaço com outras políticas públicas, inclusive benefícios sociais -cenário que o governo quer evitar a todo custo.

    Um decreto editado por Lula em junho deste ano estabeleceu procedimentos para flexibilizar investimentos e facilitar a saída de empresas dependentes dessa classificação (com adesão da Telebras). O texto também permite que empresas não dependentes, ao acionarem o Tesouro para cobrir suas despesas operacionais, proponham um plano de reequilíbrio para tentar, em até dois anos, evitar sua migração para dentro do Orçamento.

    O novo ato presidencial deve regulamentar um terceiro caso: quando a empresa está em dificuldades e ainda não recebeu qualquer aporte do controlador para custear gastos do dia a dia, mas vê risco de que isso aconteça no futuro. É exatamente a situação dos Correios, que vinham emitindo alertas à União sobre a possibilidade de um furo no caixa.

    Segundo um dos técnicos, a ideia do texto é deixar mais claro em quais circunstâncias uma companhia estatal pode protocolar um plano de reestruturação e estabelecer balizas normativas mínimas do que será necessário apresentar no pedido.

    A preocupação com o respaldo legal é tão grande que a própria elaboração das minutas de decreto e portaria foi feita após um pedido formal da CGPar (Comissão Interministerial de Governança Corporativa e de Administração de Participações Societárias da União), colegiado formado pelos ministros Fernando Haddad (Fazenda), Rui Costa (Casa Civil) e Esther Dweck (Gestão e Inovação).

    A expectativa do governo e da empresa é publicar as normas nos próximos dias e concluir os trâmites da operação de crédito. Na proposta dos bancos, a taxa de juros ficou um pouco abaixo da indicação anterior, de 136% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário), mas a avaliação interna é que as condições melhoraram no geral.

    Antes, as instituições financeiras estavam fazendo exigências mais duras para a operação, como lucro mínimo e recebíveis futuros da empresa como garantia adicional -o que não é usual em empréstimos com aval soberano.

    Agora, as condições ficaram mais flexíveis, embora o custo ainda tenha ficado próximo dos 136% do CDI.

    BTG Pactual, Citibank e ABC Brasil já são credores dos Correios em uma operação de R$ 1,8 bilhão contratada no primeiro semestre deste ano e que deve ser quitada com os recursos do novo empréstimo. O Banco do Brasil, por sua vez, participa desde o início das conversas. O Safra entrou no sindicato na segunda rodada.

    A conclusão das tratativas do empréstimo é essencial para dar fôlego de caixa à empresa, que passa por dificuldades financeiras. A companhia acumula prejuízos crescentes desde 2022. Neste ano até setembro, a estatal teve um saldo negativo de R$ 6,1 bilhões.

    União viabiliza empréstimo de R$ 20 bi com bancos aprovado pelo Conselho dos Correios

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  • Varejo segue com promoções após Black Friday

    Varejo segue com promoções após Black Friday

    Segundo levantamento do Itaú Unibanco, entre a zero hora e a meia-noite de sexta-feira, houve um aumento de 28,5% nas vendas em todo o Brasil

    A Black Friday aconteceu oficialmente na última sexta-feira, 28, mas isso não significa o fim das barganhas. No Brasil, o varejo online transformou o evento em uma “Black November” prolongada, com ofertas que se estendem pelo fim de semana e até a Cyber Monday, que acontece na segunda-feira, 1º de dezembro.

    Consumidores ainda podem economizar até 80% em produtos selecionados, impulsionados por cupons exclusivos e frete grátis.

    A data já teve bons resultados. Segundo levantamento do Itaú Unibanco, entre a zero hora e a meia-noite de sexta-feira, houve um aumento de 28,5% nas vendas em todo o Brasil, na comparação com o mesmo período do ano passado.

    Onde comprar com descontos?

    Uma varredura rápida pelos gigantes do varejo revela promoções “legais” (reais e verificadas) que valem a pena caçar neste sábado e domingo. Foque em alertas de preço para evitar “black fraudes” e priorize compras com Pix ou cartão para mais benefícios.

    Amazon: A “Black da Amazon” vai até 1º de dezembro, com mais de R$ 50 milhões em cupons. Destaques incluem até 70% off em eletrônicos, eletrodomésticos e itens de casa inteligente. Para assinantes Prime, frete grátis a partir de R$ 19 e entregas no mesmo dia em capitais.

    Magazine Luiza (Magalu): A “Black das Blacks” prolonga as promoções por todo o período, incluindo Cyber Monday. Espere até 80% off em notebooks, geladeiras e consoles de games. Frete grátis nacional e cashback via MagaluPay em compras acima de R$ 50.

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    Mobly: Especialista em móveis, a “Black Mobly” oferece até 80% off em sofás, camas e guarda-roupas, com desconto extra para pagamentos via PIX, à vista no cartão de crédito e até 15% no cashback.

    Tok&Stok: Na “Best Friday”, descontos de até 60% em móveis e decoração. Além disso, parcelamento em 10x sem juros, frete grátis no estado de São Paulo e cashback de até 20%.

    Varejo segue com promoções após Black Friday

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  • Com endividamento elevado, 14% dos brasileiros usam poupança em gastos correntes, diz FGV

    Com endividamento elevado, 14% dos brasileiros usam poupança em gastos correntes, diz FGV

    Segundo a FGV, a proporção de pessoas usando a poupança no pagamento de despesas correntes é considerada “alta” na faixa entre 13,4% e 14,2%

    A proporção de consumidores usando recursos da poupança para quitar despesas correntes ficou em 14,0% em novembro, na métrica de médias móveis trimestrais. Embora tenha havido ligeira melhora ante o desempenho de outubro, quando 14,2% dos consumidores estavam nessa situação de lançar mão das economias para pagamentos de contas, a proporção nessa situação permaneceu na faixa considerada “alta” pelo segundo mês consecutivo.

    Os dados são de um quesito da Sondagem do Consumidor, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), obtidos pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

    Segundo a FGV, a proporção de pessoas usando a poupança no pagamento de despesas correntes é considerada “alta” na faixa entre 13,4% e 14,2%. Essa incidência é considerada “muito alta” quando a proporção de consumidores nessa situação ultrapassa 14,3% ou mais.

    Ou seja, o resultado de novembro permanece pelo segundo mês consecutivo muito próximo à faixa “muito alta”, alcançando os patamares mais elevados desde 2022.

    “Apesar de ter calibrado em novembro ante outubro, esse indicador tem piorado nos últimos meses. O que acende até um sinal de alerta”, avaliou Anna Carolina Gouveia, economista do Ibre/FGV.

    A pesquisadora lembra que o cenário atual é de inadimplência e endividamento já elevados, com a taxa básica de juros no patamar de 15,00% ao ano acarretando um encarecimento de dívidas. Ela vê o aumento recente na confiança do consumidor como possivelmente passageiro.

    O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) avançou 1,3 ponto em novembro ante outubro, na série que desconta influências sazonais, para o patamar de 89,8 pontos, o maior nível desde dezembro de 2024. O resultado representa a terceira alta consecutiva, mas Gouveia prevê chances de novo arrefecimento já no curto prazo.

    “Essa confiança está melhorando muito por conta de o mercado de trabalho continuar forte, e, principalmente, por conta da inflação que tem desacelerado na ponta gradualmente. Isso tem ajudado o consumidor a ter uma percepção melhor para o presente e para o futuro. Essa melhora está nos dois horizontes, mas, provavelmente, não vai ser sustentada por tantos meses. Talvez no curto prazo, já para o ano que vem, pode ser que essa trajetória de melhora seja interrompida, dado que a gente tem um contexto de endividamento e inadimplência muito elevados com uma taxa de juros a 15%. Então também acaba que a taxa de juros por si só tem um efeito de desestimular a economia, e, além disso, encarece dívidas, etc.. Então tudo isso pode fazer com que a confiança caia”, complementou.

    Em novembro, o Índice de Situação Atual (ISA) da Confiança do Consumidor subiu 1,8 ponto, para 84,8 pontos, o maior nível desde dezembro de 2014. Já o Índice de Expectativas (IE) aumentou 1,0 ponto, para 93,8 pontos.

    Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a proporção de famílias brasileiras com dívidas subiu a 79,5% em outubro, maior patamar da série histórica iniciada em 2010. A fatia de famílias inadimplentes se manteve em outubro no ápice histórico de 30,5% já alcançado em setembro. Além disso, houve um recorde de 13,2% das famílias brasileiras afirmando que não terão condições de pagar suas dívidas em atraso, ou seja, que permanecerão inadimplentes. Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic).

    Para o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, o bom momento do mercado de trabalho não tem sido suficiente para frear o avanço na inadimplência devido ao elevado patamar atual dos juros. Como consequência, o comércio varejista já estaria percebendo uma desaceleração das vendas. A CNC projeta que a proporção de famílias endividadas aumente em 3,3 pontos porcentuais até o fim deste ano em relação ao patamar que encerrou 2024, enquanto a inadimplência subiria 1,5 ponto porcentual.

    Com endividamento elevado, 14% dos brasileiros usam poupança em gastos correntes, diz FGV

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  • Correios aprovam empréstimo de R$ 20 bi a ser contratado com cinco bancos

    Correios aprovam empréstimo de R$ 20 bi a ser contratado com cinco bancos

    A contratação da operação pelos Correios está diretamente vinculada ao plano de reestruturação da empresa

    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O conselho de administração dos Correios aprovou na manhã deste sábado (29) o empréstimo de R$ 20 bilhões que será contratado para reestruturar a companhia.

    Segundo pessoas a par do tema, a proposta aprovada atende ao valor integral solicitado pela empresa e foi apresentada por um sindicato de cinco bancos: Banco do Brasil, Citibank, BTG Pactual, ABC Brasil e Safra. A operação terá garantia do Tesouro Nacional, que honrará os pagamentos em caso de inadimplência.

    A Caixa Econômica Federal, que participou do início das negociações, não deu continuidade às conversas.

    Procurados, os bancos ainda não se manifestaram. Em ocasiões anteriores, as instituições disseram não comentar casos específicos. Os Correios também não responderam até o momento.

    A taxa de juros ficou um pouco abaixo da proposta anterior, de 136% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário), mas a avaliação é que as condições no geral melhoraram.

    Antes, as instituições financeiras estavam fazendo exigências mais duras para a operação, como lucro mínimo e recebíveis futuros da empresa como garantia adicional -o que não é usual em empréstimos com aval soberano, uma vez que a fiança do Tesouro torna praticamente nulo o risco de prejuízo para os bancos.

    Agora, as condições ficaram mais flexíveis, embora o custo ainda tenha ficado próximo dos 136% do CDI.

    Em uma primeira rodada de negociações, um sindicato de quatro bancos (Banco do Brasil, BTG Pactual, Citibank e ABC Brasil) aceitou conceder o crédito no valor pleiteado pela companhia, mas o comando da empresa decidiu fazer uma nova chamada para tentar reduzir os custos e melhorar as condições do empréstimo.

    BTG Pactual, Citibank e ABC Brasil já são credores dos Correios em uma operação de R$ 1,8 bilhão contratada no primeiro semestre deste ano e que deve ser quitada com os recursos do novo empréstimo. O Banco do Brasil, por sua vez, participa desde o início das conversas. O Safra entrou no sindicato na segunda rodada.

    A conclusão das tratativas do empréstimo é essencial para dar fôlego de caixa à empresa, que passa por dificuldades financeiras. A companhia acumula prejuízos crescentes desde 2022. Neste ano até setembro, a estatal teve um saldo negativo de R$ 6,1 bilhões.

    A contratação da operação está diretamente vinculada ao plano de reestruturação da empresa. Ele é tido como o “ponto central” para sustentar a decisão dos bancos sobre a capacidade de recuperação dos Correios e, consequentemente, a viabilidade do pagamento das prestações.

    Embora a crise seja financeira, ela é vista como fruto de um problema estrutural de gestão, semeado pelos aumentos sequenciais de custos e pela estratégia deficiente de negócio.

    Como mostrou a Folha, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve editar um decreto e uma portaria interministerial para abrir caminho à concessão da garantia do Tesouro Nacional à operação.

    Correios aprovam empréstimo de R$ 20 bi a ser contratado com cinco bancos

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  • Usar o 13º para reforma exige cuidados para escapar das dívidas

    Usar o 13º para reforma exige cuidados para escapar das dívidas

    Cerca de 20% do valor da bonificação deve ser reservado para imprevistos; começar obras sem planejamento é um dos principais erros

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Na casa da família Climaco, na Vila Natal, zona sul de São Paulo, o 13° salário já está reservado: vai direto para a reforma. Pela primeira vez, os dois filhos que trabalham com carteira assinada decidiram usar o benefício para ajudar os pais a continuarem a construção de quatro casas no terreno onde moram há duas décadas.

    A ideia é terminar uma construção que começou em julho de forma improvisada. A mãe, Vanilde Climaco da Silva, 55, conhecida como Vanda, explica que a necessidade surgiu porque a casa vai ganhar mais uma moradora, sua mãe, mas não tem um quarto disponível. Eles aproveitaram a situação para reparar também vazamentos na laje.

    Sem projeto formal e com o dinheiro entrando aos poucos, o pai e marceneiro, Arnaldo Tomas da Silva, 55, decidiu tocar tudo de uma vez. A obra avançou porque Arnaldo conseguiu pegar serviços bons entre julho e setembro. O pedreiro é o vizinho, que cobra um preço mais em conta. Ainda assim, faltou um orçamento fechado, que especialistas apontam como um dos pontos principais para reformas.

    “O erro mais comum, e praticamente universal, é começar sem projeto”, afirma a arquiteta Cristiane Schiavoni. Ela diz que pesquisas apontam que o retrabalho pode representar mais de 20% do valor da obra quando não há planejamento prévio.

    A expectativa é que a principal parte da obra dos Climaco fique pronta em cerca de três meses, e eles já pensam na renda extra que as casas vão gerar. Allan, um dos filhos, diz que vê a estratégia da família como investimento para o futuro, como forma de criar um patrimônio próprio.

    CUIDADOS COM ENDIVIDAMENTO

    O consultor financeiro Renan Diego diz que usar o 13º numa reforma pode ser um bom investimento, principalmente quando aumenta o valor do imóvel, seja em manutenção estrutural, troca de instalações elétricas e hidráulicas, cozinha ou banheiro. Segundo ele, essas melhorias valorizam o patrimônio e podem evitar gastos maiores no futuro.

    Ele adiciona, no entanto, que isso deve ser feito preferencialmente quando é possível concluir o pagamento à vista, sem parcelamentos com juros.

    Outro risco que deve ser evitado é competir com as despesas tradicionais do início do ano. Diego alerta que parcelas começam a vencer em janeiro junto com IPTU, IPVA, matrícula escolar e outras despesas sazonais, gastos que podem virar uma bola de neve e dificultar a organização financeira.

    O planejador financeiro Ivan Vianna, certificado CFP pela Planejar, recomenda usar no máximo 60% do 13º para a reforma, reservando entre 10% e 20% para imprevistos.

    Renan Diego adiciona que, caso haja parcelamentos, o limite seguro depende de três fatores principais: o percentual da renda comprometida, a duração das parcelas e o calendário de despesas fixas do início do ano. A soma de todas as parcelas, seja do cartão ou de serviços da reforma, não deve passar de 20% da renda líquida.

    Ele diz ainda que as parcelas muito longas, como de 10, 12 ou mais vezes, devem ser evitadas, pois atravessam quase o ano todo e também tendem a reduzir a capacidade de poupança.

    POR ONDE COMEÇAR?

    Para quem precisa dividir a obra em etapas, Cristiane Schiavoni sugere começar sempre pela infraestrutura: infiltrações, vazamentos e parte elétrica, por exemplo. “É importante entender que o projeto, nessa fase, não se concentra nos acabamentos, mas na definição exata do que será feito. A cor da parede importa, claro, mas ela não pode vir antes de sabermos onde ficarão os equipamentos e como será distribuída a casa.”

    Depois vêm os banheiros, que são locais de muita sujeira, entulho e alto uso de água. “Reformar um banheiro depois que o restante da casa está pronto é extremamente incômodo, especialmente se o morador já estiver vivendo no imóvel”, afirma a arquiteta.

    Em seguida, ela recomenda as áreas molhadas, como a cozinha, que têm grande complexidade por envolver hidráulica, elétrica, instalação de equipamentos específicos e revestimentos que exigem precisão. Por último vêm os ambientes secos, como salas e quartos, que têm intervenções mais simples.

    REFORMO DE UMA VEZ OU DIVIDO EM PARTES?

    Segundo Renan Diego, é necessário avaliar diferentes pontos sobre a situação financeira da família para essa decisão. Se a reforma resolve problemas urgentes, como infiltração, risco elétrico ou vazamento, adiar pode sair ainda mais caro. Nesses casos, se o 13º salário não fizer falta no planejamento das finanças, é recomendado realizar a reforma assim que o benefício for concedido.

    Já se são melhorias puramente estéticas ou sem urgência, dividir por etapas reduz a pressão financeira. Nesse cenário, é possível utilizar a bonificação como uma reserva para futuramente realizar a reforma sem correr riscos.

    COMO EVITAR GASTOS DESNECESSÁRIOS?

    Ivan Vianna diz que entre as estratégias estão:

    Definir um valor máximo antes de iniciar a obra (já considerando os imprevistos); Criar uma planilha com categorias (materiais, mão de obra, acabamentos, transporte, pequenos reparos); Validar o orçamento com ao menos três fornecedores diferentes; Estabelecer um checklist semanal de avanço e custos atualizados.

    POSSO EQUILIBRAR A REFORMA COM INVESTIMENTOS?

    Vianna diz que, para quem deseja reformar sem abandonar os investimentos, o equilíbrio vem com a divisão de aportes.

    Um caminho possível é reservar uma parcela específica do 13º para a reforma, de 10% a 20% como reserva de contingência, e o restante para investimentos de curto ou médio prazo, como: Tesouro Selic, CDBs com liquidez diária e fundos referenciados DI com liquidez diária. Para quem já tem perfil e horizonte maior, fundos imobiliários ou ações também podem ser opções, de acordo com o especialista.

    Usar o 13º para reforma exige cuidados para escapar das dívidas

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  • Correios acumulam prejuízo de R$ 6 bi no ano até setembro

    Correios acumulam prejuízo de R$ 6 bi no ano até setembro

    Empresa diz que resultado é explicado por queda nas receitas e alta em gastos operacionais; estatal negocia empréstimo de R$ 20 bilhões para bancar seu plano de reestruturação

    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Os Correios acumularam um prejuízo de R$ 6,1 bilhões no ano até setembro, segundo as demonstrações financeiras aprovadas nesta sexta-feira (28) pelo conselho de administração da companhia.

    O rombo é quase o triplo do verificado em igual período de 2024, quando o resultado foi negativo em R$ 2,14 bilhões.

    Em comunicado a funcionários, a estatal disse que o resultado é explicado pela queda nas receitas e pelo aumento nas despesas operacionais, além de maiores exigências na gestão de obrigações judiciais e trabalhistas.

    Como revelou a Folha de S.Paulo, a estatal negocia com bancos públicos e privados um empréstimo de R$ 20 bilhões para socorrer a companhia. A operação será vinculada ao plano de reestruturação da empresa, que inclui medidas como PDV (programa de demissão voluntária), reformulação do plano de saúde, fechamento de agências e um novo plano de cargos e salários.

    A empresa também estuda repassar parte de seus imóveis para outra estatal federal, a Emgea (Empresa Gestora de Ativos), numa tentativa de acelerar a venda desses bens e obter uma injeção imediata de recursos no caixa.

    A articulação de um plano de socorro ganhou força após a troca no comando dos Correios, no fim de setembro. A empresa hoje é comandada por Emmanoel Schmidt Rodon, funcionário de carreira do Banco do Brasil.

    No primeiro semestre do ano, o rombo da empresa havia ficado em R$ 4,37 bilhões, o triplo do prejuízo de R$ 1,35 bilhão observado em igual período de 2024.

    Agora, com a divulgação das demonstrações contábeis do terceiro trimestre, a companhia anunciou um resultado negativo de R$ 1,69 bilhão entre julho e setembro de 2025.

    Embora menor do que o prejuízo observado no segundo trimestre, o resultado expõe a situação delicada dos Correios, que já era de fragilidade financeira em meio a sucessivos prejuízos nos últimos anos .

    Após um período no azul entre 2017 e 2021, que teve seu auge na pandemia de Covid-19 devido à expansão acelerada do comércio eletrônico, os Correios passaram a acumular prejuízos crescentes a partir de 2022.

    Para além da chamada “taxa das blusinhas” (a cobrança de impostos sobre encomendas internacionais de até US$ 50 que, de fato, desfalcou suas receitas), a empresa já vinha penando com a deterioração de suas operações e com o descontrole sobre ações judiciais que impactam o caixa da companhia. Enquanto isso, continuou aumentando despesas.

    No ano até setembro, a receita bruta de vendas e serviçous ficou em R$ 12,8 bilhões, uma queda nominal de 12,3% em relação a igual período do ano passado. A redução nas receitas é puxada justamente pelo segmento de postagens internacionais, que caiu de R$ 3,17 bilhões para R$ 1,13 bilhão na comparação dos nove meses de 2024 e 2025.

    Por outro lado, os custos com pessoal subiram de R$ 7,72 bilhões para R$ 8,25 bilhões no período analisado, uma variação nominal de 6,9%. No ano passado, um acordo coletivo firmado entre a empresa e os sindicatos concedeu um reajuste linear de 4,11% para mais de 55 mil empregados, além do resgate da cláusula de gratificação de 70% sobre as férias.

    “Apesar dos avanços recentes em transformação digital e operacional, os Correios ainda enfrentam desafios estruturais que comprometem sua competitividade, como a redução das receitas em linhas tradicionais, a intensificação da concorrência em segmentos de maior rentabilidade, a rigidez dos custos decorrente da obrigação de atender todos os municípios independentemente da demanda ou rentabilidade, e as restrições de investimento em modernização tecnológica e operacional, agravadas pelo contexto de expansão do setor e pela inclusão da empresa no Plano Nacional de Desestatização, entre 2021 e 2022”, dizem os Correios no documento.

    O aumento do estoque de precatórios (sentenças judiciais) a serem pagos pela companhia também pesa sobre o resultado. No fim do terceiro trimestre, o saldo dessas obrigações alcançou R$ 2,48 bilhões, cerca de cinco vezes o valor registrado um ano antes (R$ 508,8 milhões).

    Segundo a empresa, desse montante, R$ 990 milhões serão quitados neste ano, e outro R$ 1,25 bilhão vai impactar o caixa no ano que vem. Em 2027, a fatura está calculada em R$ 236,4 milhões.

    De acordo com dados do Banco Central, as empresas estatais como um todo registraram déficit de R$ 149 milhões no mês passado e, no acumulado de janeiro a outubro, a conta negativa já chega a R$ 7,45 bilhões -dos quais R$ 6,35 bilhões correspondem a estatais federais. Não estão incluídos no cálculo a Petrobras e os bancos públicos.

    O resultado deficitário é influenciado pela situação dos Correios. Segundo estimativas do governo, o déficit primário da companhia de deve ficar em R$ 5,8 bilhões neste ano. O déficit primário é uma conta distinta do prejuízo contábil, que considera também despesas financeiras.

    Na semana passada, o governo precisou segurar R$ 3 bilhões em despesas do Executivo para compensar o resultado dos Correios, que devem levar ao estouro da meta fiscal das estatais federais. O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, disse na segunda-feira (24) que a situação da empresa pode ter um impacto ainda maior nas contas em 2026.

    Correios acumulam prejuízo de R$ 6 bi no ano até setembro

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