Categoria: ECONOMIA

  • Milei envia acordo UE-Mercosul para ratificação no parlamento

    Milei envia acordo UE-Mercosul para ratificação no parlamento

    Governo Milei inicia o processo de ratificação do tratado, destacando ganhos para exportações, indústria e internacionalização das empresas. A proposta será analisada em sessões extraordinárias do Parlamento, enquanto outros países do bloco avançam e a União Europeia avalia aplicação provisória.

    O presidente da Argentina, Javier Milei, encaminhou ao Parlamento o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul para dar início ao processo de ratificação, apesar de o texto ainda depender de análise do Tribunal de Justiça da União Europeia.

    O projeto de lei foi enviado na quinta-feira à Câmara dos Deputados, câmara baixa do Congresso argentino. No texto, o governo afirma que o acordo traz “inúmeros benefícios”, entre eles um forte impulso às exportações de bens e serviços e a criação de condições mais favoráveis para a internacionalização das empresas do país.

    Segundo o documento, diversos produtos argentinos destinados ao mercado europeu terão “melhorias significativas” de acesso, como carne bovina, camarão, lula, pescada, mel, cítricos, biodiesel e vinho, além de itens regionais como leguminosas e erva-mate.

    Para a indústria local, o projeto destaca a ampliação do acesso a matérias-primas industriais e a abertura de novas oportunidades de exportação no setor manufatureiro.

    A proposta deve ser analisada durante as sessões extraordinárias do Parlamento, iniciadas na segunda-feira e previstas para seguir até 27 de fevereiro. O texto foi divulgado nas redes sociais pela deputada Sabrina Ajmechet, do partido governista, que manifestou a expectativa de que a Argentina seja o primeiro país do Mercosul a ratificar o acordo e começar a colher seus benefícios.

    Uruguai, Paraguai e Brasil também deram início, na última semana, aos respectivos processos de ratificação parlamentar.

    “Um dia histórico para os argentinos”, escreveu o chanceler Pablo Quirno na rede social X, em referência tanto ao acordo entre UE e Mercosul quanto ao tratado firmado com os Estados Unidos. “A Argentina retorna ao mundo”, acrescentou.

    Horas antes, Quirno havia anunciado a assinatura de um acordo de comércio e investimento recíproco com os Estados Unidos. Em novembro, os dois países informaram ter chegado a um entendimento para abrir o mercado argentino a produtos norte-americanos, em troca da redução de tarifas sobre determinadas exportações argentinas pelo governo do então presidente Donald Trump.

    O acordo entre UE e Mercosul foi assinado em 17 de janeiro, em cerimônia realizada em Assunção, após 25 anos de negociações. Para entrar em vigor, precisa ser ratificado por ao menos um país do Mercosul e pela União Europeia.

    O Parlamento Europeu não pode ratificar o tratado antes da manifestação do Tribunal de Justiça da UE. Ainda assim, do ponto de vista jurídico, a Comissão Europeia poderia optar por aplicá-lo de forma provisória. O presidente do Conselho Europeu, António Costa, já defendeu que o acordo passe a valer assim que for ratificado por algum dos parceiros sul-americanos.

    O tratado prevê a eliminação de tarifas para 91% das exportações da UE ao Mercosul e para 92% das vendas sul-americanas ao mercado europeu, criando uma área comercial potencial de mais de 700 milhões de consumidores. 
     
     

    Milei envia acordo UE-Mercosul para ratificação no parlamento

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Balança comercial tem superávit de US$ 4,343 bilhões em janeiro

    Balança comercial tem superávit de US$ 4,343 bilhões em janeiro

    O resultado do último mês veio abaixo da mediana apontada na pesquisa Projeções Broadcast, de superávit comercial de US$ 4,8 bilhões em janeiro. As estimativas do mercado financeiro para esta leitura variavam de US$ 3,46 bilhões a US$ 6,10 bilhões.

    A balança comercial brasileira registrou superávit comercial de US$ 4,343 bilhões em janeiro de 2026, após saldo positivo de US$ 9,633 bilhões em dezembro de 2025. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC) divulgados nesta quinta-feira, 5, o valor foi alcançado com exportações de US$ 25,153 bilhões e importações de US$ 20,81 bilhões.

    O resultado do último mês veio abaixo da mediana apontada na pesquisa Projeções Broadcast, de superávit comercial de US$ 4,8 bilhões em janeiro. As estimativas do mercado financeiro para esta leitura variavam de US$ 3,46 bilhões a US$ 6,10 bilhões.

    Em janeiro, as exportações registraram queda de 1,0% na comparação com janeiro de 2025, com crescimento de 2,1% em Agropecuária, que somou US$ 3,872 bilhões; queda de 3,4% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 7,072 bilhões; e, por fim, recuo de 0,5% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 14,082 bilhões.

    As importações também caíram, 9,8% na comparação mesmo mês do ano passado, com declínio de 28,7% em Agropecuária, que somou US$ 439 milhões; retração de 30,2% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 770 milhões; e, por fim, queda de 8,02% em Indústria de Transformação, com US$ 19,446 bilhões.

    Balança comercial tem superávit de US$ 4,343 bilhões em janeiro

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Lula pede solução, e ministros divergem sobre modelo de leilão de megaterminal em Santos

    Lula pede solução, e ministros divergem sobre modelo de leilão de megaterminal em Santos

    A indefinição pode adiar ainda mais o certame, que deveria ter acontecido no final do ano passado. Questionados, o Ministério de Portos e a Casa Civil não responderam sobre o tema.

    ALEX SABINO
    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A questão do Tecon 10, o megaterminal do porto de Santos, coloca em campos opostos a Casa Civil e o Ministério de Portos e Aeroportos. A preferência do presidente Lula (PT) é por uma solução que permita a participação de armadores chineses no leilão, segundo a Folha apurou com pessoas ligadas à Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), ao TCU (Tribunal de Contas da União) e empresários interessados no ativo.

    A indefinição pode adiar ainda mais o certame, que deveria ter acontecido no final do ano passado. Questionados, o Ministério de Portos e a Casa Civil não responderam sobre o tema.
    O assunto foi discutido em reunião com a presença do presidente, do ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, e do ministro da Casa Civil, Rui Costa, na última segunda-feira (2) pela manhã.

    Alguns jornalistas haviam recebido convite para fazer perguntas a Costa Filho durante sua participação agendada no programa “Bom dia, ministro”, da EBC, nesta quarta-feira (4). A entrevista foi depois cancelada.

    Ele defende que o edital do megaterminal do porto de Santos siga o que foi recomendado pelo TCU (Tribunal de Contas da União): um certame em duas fases, com a exclusão de todos os armadores na primeira. Já havia dito no passado que o voto da corte seria acatado em sua totalidade.

    A Casa Civil faz pressão por maior liberdade, sem qualquer restrição a empresas que possam participar da competição.

    Silvio Costa Filho apresentou na reunião uma lista de companhias que poderiam participar do leilão. Mas algumas delas estariam impedidas, caso a exclusão dos donos de navios permaneça.

    Quando não se tornou viável fazer o certame em 2025, o Ministério de Portos empurrou a data para março, depois para abril. Agora há a possibilidade de que ocorra apenas em maio. Isso se não houver decisões judiciais que adiem ainda mais a concessão.
    A indefinição impede a publicação do edital. A B3, a Bolsa de Valores de São Paulo, afirma que pode realizar o certame apenas 30 dias úteis após a publicação no Diário Oficial da União. A outorga mínima será de R$ 500 milhões.

    Um novo adiamento deve fazer com que o evento aconteça sob a supervisão de um novo ministro. Costa Filho vai deixar o cargo em abril para se candidatar ao Senado por Pernambuco.

    A Antaq enviou ao TCU recomendação de leilão em duas fases, excluindo na rodada inicial apenas os armadores que são donos de terminais em Santos: a francesa CMA CGM, a dinamarquesa Maersk e a suíça MSC. O voto vencedor no Tribunal, elaborado pelo ministro Bruno Dantas, foi mais longe e barrou todos os armadores. Foi uma surpresa no mercado.

    Por se tratar de um ativo muito cobiçado, o consenso é que não haverá uma segunda etapa.

    Após a recomendação da corte, o armador chinês Cosco começou a se movimentar. Pediu a revisão do acórdão ao Tribunal. Também apresentou reclamação ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). São movimentos políticos, para deixar claro o descontentamento. O plano da empresa era apresentar uma oferta em conjunto com a China Merchant Ports. As duas companhias pertencem ao governo do país asiático.

    A União Europeia questionou o Executivo brasileiro a respeito do tema, tentando interceder por armadores do continente. Questionada pela reportagem, a comissão de comércio do bloco econômico disse que não comentaria o tema.

    O modelo de edital do Tecon dividiu governo, ministros do TCU e empresas do setor.

    Enquanto Antaq, a agência reguladora, e o Ministério de Portos se colocaram a favor do leilão em duas fases e com restrições, o Ministério da Fazenda se manifestou pela liberdade total.

    Na decisão do TCU, o relator, ministro Antonio Anastasia, votou pela exigência do certame em apenas uma rodada e sem impedimentos a nenhum participante. A área técnica do próprio Tribunal havia recomendado o mesmo. O Ministério Público para o TCU considerou ilegal o leilão em duas fases. A tese acabou derrotada.

    Pessoas ligadas à corte dizem que o governo tem duas opções: seguir a recomendação de Dantas ou aceitar o modelo da Antaq, que não foi considerado ilegal. Caso seja escolhido um modelo diferente, o assunto teria de voltar ao TCU, provocando demora maior.

    Enquanto armadores reclamam das restrições e avaliam ações jurídicas, caso o cenário não mude, empresas do setor que não são donas de navios questionam a demora em publicação do edital e reclamam de insegurança jurídica.

    O QUE É O TECON 10

    O megaterminal será instalado em uma área no bairro do Saboó, em Santos, de 622 mil metros quadrados. O projeto é que seja multipropósito, movimentando contêineres e carga solta. O vencedor do leilão será definido pelo modelo da maior outorga: ganha quem oferecer mais dinheiro pelo direito de construí-lo e operá-lo.

    Serão quatro berços, como são chamados os locais de atracação do navio para embarque e desembarque. A previsão de investimento nos 25 anos de concessão pode chegar a R$ 40 bilhões.

    Lula pede solução, e ministros divergem sobre modelo de leilão de megaterminal em Santos

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Nubank comunica liberação de "PIX fiado" de até R$15 mil em 2026

    Nubank comunica liberação de "PIX fiado" de até R$15 mil em 2026

    O banco confirmou que o recurso passou a permitir transferências via Pix utilizando o limite do cartão de crédito, com um teto de até R$ 15.000 por ciclo de fatura.

    Em 2026, o Nubank anunciou uma expansão do Pix no crédito, funcionalidade que ficou popularmente conhecida entre clientes como Pix fiado. O banco confirmou que o recurso passou a permitir transferências via Pix utilizando o limite do cartão de crédito, com um teto de até R$ 15.000 por ciclo de fatura. Com isso, a operação pode ser feita mesmo sem saldo disponível na conta: o valor é descontado do limite do cartão e chega instantaneamente à conta de quem recebe, mantendo a agilidade tradicional do Pix, mas com uma fonte diferente de pagamento.

    De acordo com o Nubank, o Pix no crédito funciona de forma semelhante a uma compra no cartão. Antes de finalizar a transferência, o cliente precisa selecionar essa modalidade dentro do aplicativo. Após o envio, o valor entra diretamente na fatura, com a possibilidade de parcelamento, dependendo das condições oferecidas no momento da transação.

    Apesar da praticidade, o banco reforçou que o serviço envolve cobrança de juros. A taxa é exibida antes da confirmação, permitindo que o usuário visualize as condições completas e decida se deseja prosseguir. Essa etapa de transparência, com a apresentação antecipada dos custos, passou a ser um dos principais pontos destacados pelo Nubank em sua comunicação oficial.

    Sobre o limite, o banco explicou que o valor disponível considera o limite total do cartão do cliente. No entanto, mesmo para usuários com limites mais altos, existe um teto máximo de R$ 15.000 por ciclo. Assim, quando o cliente atinge esse valor, precisa esperar o fechamento da fatura para voltar a utilizar a funcionalidade.

    O apelido Pix fiado ganhou força em redes sociais e reportagens por seguir a lógica do crédito, em que o pagamento acontece depois. Ainda assim, o Nubank destacou que não se trata de um produto novo, mas apenas de uma modalidade de Pix no crédito já existente.

    O processo no aplicativo é simples: o cliente escolhe a chave Pix ou QR Code, seleciona a opção de pagamento no crédito e, antes de confirmar, visualiza juros, valor total e opções de parcelamento. Segundo o banco, isso garante maior controle da operação.

    Por fim, o Nubank passou a apresentar o Pix no crédito como uma alternativa para necessidades pontuais de organização financeira, deixando claro que a ferramenta não substitui planejamento. O uso responsável é o que define se o recurso ajuda ou se pode gerar dívidas, mas a funcionalidade ganhou espaço entre as soluções digitais oferecidas pela instituição.

    Nubank comunica liberação de "PIX fiado" de até R$15 mil em 2026

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Simulador de aposentadoria do INSS é reativado

    Simulador de aposentadoria do INSS é reativado

    O sistema passou por uma migração para uma infraestrutura mais moderna, visando maior estabilidade e segurança, segundo o Ministério da Previdência Social.

    O Ministério da Previdência Social, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e a Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência) reativaram, nesta quarta-feira (4), o simulador de aposentadoria, após a suspensão do serviço, desde o fim de semana, para manutenção e atualização tecnológica dos sistemas da Dataprev.

    O sistema passou por uma migração para uma infraestrutura mais moderna, visando maior estabilidade e segurança, segundo o Ministério da Previdência Social.

    O serviço gratuito pode ser usado por qualquer pessoa para estimar o tempo que falta para se aposentar.

    A simulação leva em conta requisitos como idade e tempo de contribuição para a Previdência e considera as informações que estão na base de dados do INSS.

    Caso o contribuinte queira mudar algum dado para nova simulação, como idade, sexo e tempo de contribuição com vínculos e períodos, basta clicar no desenho de um lápis, ao lado da informação, e clicar no ícone ‘Recalcular’.

    O INSS alerta que o resultado em tela gerado pela calculadora vale somente para consulta da estimativa de tempo para se aposentar e não garante direito à aposentadoria.

    Onde acessar

    Os cidadãos podem encontrar o simulador de aposentadoria, no site oficial do INSS ou pelo aplicativo Meu INSS disponível para Android e IOS.

    Para acessar é preciso fazer o login com a conta Gov.br, por meio do número do Cadastro de Pessoa Física (CPF) e senha.

    No menu principal, no alto da página, onde está escrito “Do que você precisa?”, basta procurar por “simular aposentadoria”.

    O sistema cruzará os dados do extrato de contribuições, e o simulador já está atualizado com as novas regras de transição estabelecidas pela reforma da Previdência, vigentes em 2026.  

    O resultado informará as opções de aposentadoria por idade e por tempo de contribuição, a idade do segurado, além de cálculo estimado da renda mensal inicial.

    Entenda aqui, as mudanças na aposentadoria relativas à idade (de mulheres e homens) e pontos e entraram em vigor em 2026.

    Simulador de aposentadoria do INSS é reativado

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • EUA, UE, Japão e México anunciam parceria em terras raras para concorrer com a China

    EUA, UE, Japão e México anunciam parceria em terras raras para concorrer com a China

    A intenção é buscar um acordo comercial mais amplo com parceiros com ideias semelhantes, que poderia incluir preços mínimos e subsídios para compensar diferenças de preço.

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Os Estados Unidos, a União Europeia, o Japão e o México anunciaram nesta quarta-feira (4) uma parceria estratégica para reforçar a resiliência das cadeias de suprimentos de minerais críticos, atualmente dominadas pela China.

    A intenção é buscar um acordo comercial mais amplo com parceiros com ideias semelhantes, que poderia incluir preços mínimos e subsídios para compensar diferenças de preço.

    Em uma declaração conjunta, eles afirmaram que os EUA e a UE se comprometeram a concluir um memorando de entendimento sobre minerais críticos dentro de um prazo de 30 dias

    No caso do México, norte-americanos e mexicanos estão criando um plano de ação para desenvolver, em 60 dias, “políticas e mecanismos comerciais coordenados para mitigar as vulnerabilidades na cadeia de suprimentos de terras raras”.

    EUA, UE, Japão e México anunciam parceria em terras raras para concorrer com a China

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • CEOs de montadoras de carros enviam carta a Lula contra benefícios que favorecem BYD

    CEOs de montadoras de carros enviam carta a Lula contra benefícios que favorecem BYD

    A ofensiva tem um endereço claro: a chinesa BYD, que foi a principal favorecida pela medida fiscal, embora este pudesse ser usado por qualquer empresa.

    ANDRÉ BORGES
    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Os presidentes de quatro grandes montadoras de veículos instaladas no país enviaram uma carta direta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, numa tentativa de barrar a possibilidade de prorrogação de benefícios tributários que zeraram o imposto de importação para kits desmontados de veículos elétricos no ano passado.

    A ofensiva tem um endereço claro: a chinesa BYD, que foi a principal favorecida pela medida fiscal, embora este pudesse ser usado por qualquer empresa.

    A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) tem sido clara em seu posicionamento contra a renovação do benefício. Não é comum, porém, que os próprios executivos dessas empresas decidam agir por conta própria.

    A reportagem teve acesso ao documento, datado de 16 de janeiro de 2026. A carta é assinada por Ciro Possobom, presidente da Volkswagen do Brasil, Herlander Zola, presidente da Stellantis Automóveis do Brasil, Evandro Maggio, presidente da Toyota do Brasil, e Santiago Chamorro, presidente da General Motors do Brasil.

    Na carta, os executivos afirmam que a redução temporária do imposto de importação para kits CKD e SKD, criada em agosto do ano anterior e válida até 31 de janeiro deste ano, representa um risco estrutural para a indústria nacional, porque favorece empresas que não possuem processo industrial centralizado no Brasil, usando o país apenas para integrar conjuntos de peças produzidos em outros países.

    “Esta não é uma discussão sobre fechar o mercado ou resistir à concorrência. Trata-se de assegurar coerência entre o discurso de fortalecimento da indústria nacional e os instrumentos efetivos de política pública”, afirmam os quatro executivos.

    Os presidentes das montadoras concluem a carta dizendo que “as consequências das escolhas feitas agora não serão imediatas, mas serão duradouras”. “Confiamos na sensibilidade de Vossa Excelência para garantir que o Brasil continue sendo um país que produz, investe e decide seu próprio futuro”, escrevem.

    Os chamados kits CKD e SKD são conjuntos de peças usados pelas montadoras para montar veículos localmente a partir de componentes importados. No modelo CKD (sigla em inglês para Completely Knocked Down), o carro chega totalmente desmontado, em partes individuais, exigindo mais etapas de montagem no país de destino, como soldagem, pintura e integração final.

    Já no modelo SKD (Semi Knocked Down), o que se tem é um sistema intermediário, no qual o veículo vem parcialmente montado, com blocos maiores, como carroceria ou conjuntos mecânicos prontos, restando menos etapas produtivas locais. Em geral, quanto mais próximo do CKD, maior o nível de trabalho industrial no país. Por outro lado, quanto mais próximo do SKD, menor a geração de empregos e fornecedores locais.

    Em 2025, a BYD anunciou a implantação de uma planta industrial em Camaçari (BA), com kits CKD. A empresa transformou uma antiga fábrica da Ford em um complexo automotivo com investimento estimado em R$ 5,5 bilhões, apresentado como a maior fábrica de veículos elétricos da América Latina e a maior unidade da BYD fora da Ásia, com capacidade inicial para 150 mil veículos por ano, podendo atingir até 600 mil unidades anuais em etapas futuras.

    Até o momento, não houve nenhum pedido formal para renovação do benefício fiscal que foi válido por seis meses e permitia isenção total de importações dentro de um limite de até US$ 463 milhões.
    O assunto teve a temperatura aumentada porque nesta quarta-feira (4) há previsão de uma reunião no Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio) com Tyler Li, presidente da BYD.

    Dentro do setor, é corrente a informação de que os interesses da BYD contam com a defesa do ministro da Casa Civil, Ruy Costa, por estarem diretamente associados aos investimentos na Bahia, seu Estado.

    Já o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, mostra-se reticente quanto à possibilidade de extensão do benefício.

    Na carta enviada a Lula, e que também foi repassada a alguns ministros, os presidentes das montadoras reconhecem que a importação é parte legítima de economias abertas, mas para cumprir funções transitórias, como a introdução de novos produtos ou o teste de mercado.

    “O país conhece bem o custo de decisões tomadas sem visão de longo prazo e, no cenário atual, não seria positivo enviar ao ambiente de negócios o sinal de que importar se torna mais estratégico do que produzir no Brasil”, afirmam.

    Os executivos citam que o país tem uma cadeia produtiva madura, que emprega mais de 1,3 milhão de trabalhadores e sustenta centenas de fornecedores. “Essa base produtiva não se construiu de uma hora para outra e tampouco se preserva sem coerência nas decisões de política pública”, declararam.

    A reportagem procurou cada uma das empresas mencionadas nesta reportagem, além do governo federal. Por meio de nota, a Volkswagen do Brasil declarou que a não renovação do benefício “é fundamental para preservar a isonomia e competitividade da indústria nacional, fomentar a empregabilidade, estimular a cadeia produtiva nacional e assegurar a previsibilidade regulatória para a transição tecnológica e sustentável do setor automotivo brasileiro”.

    As demais montadoras, incluindo a BYD, não se manifestaram até a publicação deste texto. O Mdic também não se manifestou sobre o assunto.

    CEOs de montadoras de carros enviam carta a Lula contra benefícios que favorecem BYD

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Uber divulga lucro abaixo das expectativas e anuncia saída do diretor financeiro

    Uber divulga lucro abaixo das expectativas e anuncia saída do diretor financeiro

    A receita somou US$ 14,37 bilhões no período, alta de 20% na comparação anual e levemente acima da expectativa de mercado, de US$ 14,32 bilhões.

    A Uber Technologies registrou lucro líquido de US$ 296 milhões no quarto trimestre, ou US$ 0,14 por ação, muito abaixo dos US$ 6,88 bilhões, ou US$ 3,21 por ação, apurados um ano antes. Excluídos itens não recorrentes, o lucro ajustado foi de US$ 0,71 por ação, aquém da projeção de analistas consultados pela FactSet, de US$ 0,85.

    A receita somou US$ 14,37 bilhões no período, alta de 20% na comparação anual e levemente acima da expectativa de mercado, de US$ 14,32 bilhões.

    Para o primeiro trimestre deste ano, a companhia projetou lucro ajustado entre US$ 0,65 e US$ 0,72 por ação, abaixo do consenso de US$ 0,75. As reservas brutas devem ficar entre US$ 52 bilhões e US$ 53,5 bilhões, acima da estimativa de US$ 51,39 bilhões.

    Entre os destaques operacionais, o número de viagens cresceu 22% no trimestre, para 3,8 bilhões, enquanto a base de usuários ativos mensais avançou 18%. As reservas brutas também subiram 22% em relação ao mesmo período do ano anterior, totalizando US$ 54,1 bilhões.

    A Uber anunciou Balaji Krishnamurthy como novo diretor financeiro. Ele substituirá Prashanth Mahendra-Rajah, que deixará o cargo em 16 de fevereiro, mas seguirá na empresa até 1º de julho como assessor sênior da área financeira.

    Uber divulga lucro abaixo das expectativas e anuncia saída do diretor financeiro

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Diretor do BRB recomendou atenção à liquidez do Master quatro dias antes de tentativa de compra

    Diretor do BRB recomendou atenção à liquidez do Master quatro dias antes de tentativa de compra

    A ressalva foi feita em 24 de março de 2025, quatro dias antes de a proposta ser aprovada pelos conselheiros do banco estatal do Distrito Federal e de a operação ser anunciada ao mercado. O alerta, feito em parecer obtido pela reportagem sobre a legalidade do negócio, afirma que os indicadores de liquidez eram cruciais e sugeriu que eles fossem levados em conta na decisão sobre a compra.

    FÁBIO PUPO
    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O conselho de administração do BRB (Banco de Brasília) aprovou a operação de compra de 58% do capital total do Master mesmo após uma recomendação formal da diretoria jurídica da instituição estatal para que houvesse atenção aos índices de liquidez do conglomerado de Daniel Vorcaro.

    A ressalva foi feita em 24 de março de 2025, quatro dias antes de a proposta ser aprovada pelos conselheiros do banco estatal do Distrito Federal e de a operação ser anunciada ao mercado. O alerta, feito em parecer obtido pela reportagem sobre a legalidade do negócio, afirma que os indicadores de liquidez eram cruciais e sugeriu que eles fossem levados em conta na decisão sobre a compra.

    “Há que se ressaltar que a observância do índice de liquidez e do índice de Basileia [exigência mínima de capital] é crucial nas contratações efetuadas pelas instituições financeiras, pois ambos são indicadores essenciais para garantir a solidez e a estabilidade do sistema financeiro. Desta forma, sugere-se que sejam os índices apontados considerados quando da deliberação da proposta”, afirma o parecer assinado pelo diretor jurídico do BRB, Jacques Veloso de Melo.

    Na mesma semana, em 28 de março de 2025, o conselho de administração aprovou por unanimidade a operação. Naquele momento, as conversas com o Master já haviam iniciado quase três meses antes (em 3 de janeiro de 2025) -quando o BRB recebeu uma carta do banco de Vorcaro propondo a “discussão da possibilidade de negócios conjuntos”.

    Também fazia mais de dois meses que o BRB havia criado um grupo de trabalho para avaliar parcerias com o Master que poderiam resultar em aquisição de participação acionária.

    No parecer, a diretoria jurídica concluiu não ver ilegalidades na operação de aquisição desde que fossem seguidas as recomendações. “Por todo o exposto, não se vislumbram ilegalidades de ordem jurídico-formal na proposta […], observadas as orientações constantes neste opinativo”, afirma o documento assinado pelo diretor.

    Em fato relevante que anunciou a pretendida aquisição, divulgado no mesmo dia da aprovação pelo conselho, o BRB afirmou ao mercado que o acordo tinha entre seus pilares estratégicos “solidez, liquidez, capital e rentabilidade do novo conglomerado” que seria formado.

    O banco disse ainda que a conclusão do negócio estava sujeita à conclusão satisfatória da diligência do BRB sobre ativos e passivos, a uma reorganização do Banco Master e à aprovação por parte das autoridades.

    O Banco Central vetou a conclusão do negócio em setembro de 2025. Como a Folha de S.Paulo mostrou, o risco de sucessão foi uma das razões para a negativa. Isso acontece porque o BRB teria que assumir todas ou grande parte das operações não conhecidas do Master, e o banco do governo do Distrito Federal poderia não ter patrimônio suficiente para fazer frente ao risco.

    Procurado nesta terça-feira (3) para comentar o alerta do departamento jurídico, o BRB não respondeu.

    Quando o BC determinou a liquidação do Master, em novembro de 2025, o banco de Vorcaro tinha apenas R$ 4 milhões em caixa -algo considerado anormal para uma instituição financeira de médio porte. As informações foram fornecidas em depoimento dado em dezembro pelo diretor do BC Ailton de Aquino, que afirmou também ter certeza de que o BRB deveria ter sido capaz de identificar por conta própria problemas nas carteiras de crédito que tinha adquirido do Master.

    A Polícia Federal investiga o repasse pelo Master ao BRB de R$ 12,2 bilhões em operações de crédito fraudadas.

    Conforme mostrou a Folha de S.Paulo, o Master tinha apenas R$ 22,9 milhões em depósitos no BC na data da liquidação, menos de 1% do montante dos R$ 2,5 bilhões exigidos do conglomerado.

    O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa (que estava no cargo na época da negociação), foi questionado em depoimento sobre por que a operação foi em frente mesmo com a existência de processos na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) ligados ao Master e diante da crise de reputação do banco privado no mercado.

    “Passamos a tomar conhecimento disso [problemas na CVM] lendo o inquérito. Nem todas aquelas informações são públicas”, disse o executivo em dezembro.

    As informações sobre processos na CVM são em parte públicas e podem ser verificadas no site da autarquia. Estão disponíveis para pesquisa, por exemplo, informações sobre processos anteriores em que os donos do Master firmaram acordos para escapar de julgamentos, conforme mostrou a Folha de S.Paulo.

    Também está disponível a informação que um dos então sócios do Master, Luiz Antônio Bull (sócio de Vorcaro no Master), responde a outro processo na comissão por fraude em fundo de investimentos.

    O caso ainda não foi julgado.

    Costa também foi questionado no depoimento se o dono do Master, Daniel Vorcaro, havia manifestado em algum momento preocupação sobre a liquidez do banco. Costa respondeu afirmativamente.

    “Muitas vezes, em conversas, ele [Vorcaro] falou ao longo do processo que estava preocupado, que era importante que tivesse uma decisão [sobre a compra]. Mas não era uma decisão nossa, era do Banco Central”, disse o ex-presidente do BRB.

    Apesar disso, Costa disse que a tentativa de compra -barrada pelo BC- foi respaldada por análises técnicas. “Foram 11 áreas internas no banco que se posicionaram. Existe um rol de documentos produzidos demonstrando viabilidade, estratégia, análise de ativos e passivos. Foram feitas diligências contábeis, de tecnologia financeira, trabalhista e de passivos contingentes”, disse.

    Diretor do BRB recomendou atenção à liquidez do Master quatro dias antes de tentativa de compra

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Paes diz que Lula vai revogar norma que permite aumento de passageiros no Santos Dumont

    Paes diz que Lula vai revogar norma que permite aumento de passageiros no Santos Dumont

    De acordo com Paes, Lula decidiu revogar uma decisão que aumentava o número de passageiros no aeroporto Santos Dumont. A ampliação era vista pelo prefeito como prejudicial ao aeroporto internacional do Galeão, com impacto no turismo local.

    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta terça-feira (3), em um evento fora da agenda oficial, para tratar da situação dos aeroportos na capital fluminense.

    De acordo com Paes, Lula decidiu revogar uma decisão que aumentava o número de passageiros no aeroporto Santos Dumont. A ampliação era vista pelo prefeito como prejudicial ao aeroporto internacional do Galeão, com impacto no turismo local.

    “Contra fatos não há argumentos e os números não mentem: as medidas tomadas pelo presidente Lula no início de seu mandato permitiram a recuperação do aeroporto do Galeão, aumentando o número de turistas e negócios para o Estado do Rio! Mais uma vez meu muito obrigado ao presidente @LulaOficial pela defesa permanente dos interesses do Rio de Janeiro!”, escreveu ele no X (antigo Twitter).

    Para a gestão Paes, a decisão da Anac (Agência Nacional de Aviação) que ampliava o número de passageiros que utilizam o Santos Dumont, localizado na região central do Rio, teria o objetivo de beneficiar a estatal federal Infraero, por ser um dos últimos grandes aeroportos do país que não foi concedido à iniciativa privada e que permanece sob seu comando.

    Essa iniciativa, na avaliação de Paes, ameaçava as medidas adotadas desde 2023 para fortalecer o aeroporto internacional do Galeão, que terá seu leilão de concessão realizado em março de 2026.

    Como mostraram dados da Anac de 2024, a movimentação de passageiros no Galeão, que fica na zona norte do Rio, aumentou depois que começaram a ser feitas restrições aos voos no Santos Dumont.

    Desde 2023, foi imposto um limite de até 6,5 milhões de passageiros por ano no aeroporto da região central, como forma de reduzir o inchaço do terminal e dividir a demanda com o Galeão, que fica mais distante do centro do Rio. Essa restrição, porém, tinha caráter temporário.

    No fim de dezembro do ano passado, também pelas redes sociais, Paes disse que conversou com o ministro do Mpor (Ministério de Portos e Aeroportos), Silvio Costa Filho, e que teria uma reunião na segunda semana de janeiro para discutir o assunto. “Agradeço ao Presidente Lula que acompanha o assunto com a máxima atenção e sensibilidade em defesa dos interesses do Rio de Janeiro”, escreveu.

    Em junho de 2025, um acórdão do TCU (Tribunal de Contas da União) já mencionava a possível elevação do limite ainda naquele ano para cerca de 8 milhões de passageiros, depois 9 milhões em 2026, seguido por 10 milhões em 2027, até a retirada completa de um teto nos anos seguintes, dentro do limite operacional do terminal.

    Paes diz que Lula vai revogar norma que permite aumento de passageiros no Santos Dumont

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia