Categoria: ECONOMIA

  • Selic pode cair mais do que o esperado em 2026 e chegar a 11% 'no mínimo', avaliam gestores

    Selic pode cair mais do que o esperado em 2026 e chegar a 11% 'no mínimo', avaliam gestores

    Bruno Serra, ex-diretor de política monetária do BC (Banco Central) e atual gerente de portfólios do Itaú Asset Management, diz acreditar que a taxa básica de juros deve encerrar em 11% ao ano, “no mínimo”. A análise foi feita em evento do BTG Pactual nesta quarta-feira (25) e endossada por Marco Freire, gestor de investimentos da Kinea, e Christiano Chadad, sócio e gestor do BTG Volt.

    TAMARA NASSIF
    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Gestores de investimentos têm divergido quanto à estimativa para a taxa Selic terminal de 2025. Enquanto o consenso do mercado aponta para o juro a 12% ao ano em dezembro, como indicado pelo último boletim Focus, previsões de um patamar menor do que esse começaram a rondar os debates dos economistas.

    Bruno Serra, ex-diretor de política monetária do BC (Banco Central) e atual gerente de portfólios do Itaú Asset Management, diz acreditar que a taxa básica de juros deve encerrar em 11% ao ano, “no mínimo”. A análise foi feita em evento do BTG Pactual nesta quarta-feira (25) e endossada por Marco Freire, gestor de investimentos da Kinea, e Christiano Chadad, sócio e gestor do BTG Volt.

    Serra enumerou uma sequência de dados para sustentar a argumentação. A inflação, diz ele, deve rodar em torno de 3% até o mês de outubro e finalizar em 3,5% no acumulado do ano -uma previsão que só tem a “direção da política fiscal” como entrave. O PIB (Produto Interno Bruto) está perto do potencial, em 2%, sustentado pelo desempenho do agronegócio e da extrativa mineral, encabeçada por Vale e Petrobras.

    “Excluindo agro e minérios, algo que o BC deu muita cor em seu último relatório de política monetária, o resto da economia com potencial inflacionário está em 1,5% e desacelerando. Mercado de trabalho desacelerando. Salários fortes, mas prevejo queda conforme a inflação se aproxima da meta. Mas o juro está em 15%”, afirmou.

    O conjunto de fatores leva o gestor a crer que o BC irá entrar em um ciclo de cortes acelerado, em especial ao pesar a inflação corrente em 3% e a desaceleração econômica. “O juro neutro do BC é 8,5%. O do mercado é 9,5%. Eu dou mais 1,5 ponto percentual de lambuja para sugerir que a Selic termina o ano em 11%, para menos, e que no início de 2027 estaremos discutindo um patamar ainda mais baixo.”
    “Juro neutro” significa a taxa de juros real, descontada a inflação. Pressupõe um nível de restrição monetária que mantém a economia em equilíbrio, sem acelerar a inflação, tampouco frear o crescimento econômico.

    Para chegar no patamar neutro conforme as variáveis de inflação e PIB se impõem, Serra prevê que o BC terá de cortar a taxa Selic em um ritmo mais acelerado do que o consenso do mercado prevê. O gestor, que assume ter “uma visão bem fora do consenso”, avalia que a primeira redução da taxa Selic será de 0,5 ponto percentual em maio, seguida por duas de 0,75 ponto a partir de junho.

    “O risco é da Selic parar em 9% no final do ano, e não em 12%.”

    Chadad, do BTG, endossa a perspectiva de cortes acelerados, em especial antes das eleições presidenciais. “Cortar durante o processo eleitoral não faz parte da história do Brasil”, diz.

    Ele ainda ressalta que as previsões se baseiam na manutenção da atual política fiscal até o fim do ano. Se o governo decidir gastar mais, diz ele, o cenário muda, e, ao longo dos próximos anos, “a combinação de Executivo gastando muito com BC perseguindo meta deve chegar ao fim”.

    “O próximo governo, mesmo que seja Lula, terá muita dificuldade em manter esse nível de gasto. Vamos bater em um muro de dívida e talvez voltar a falar em dominância fiscal.”
    Já Freire, da Kinea, avalia que a Selic em 15% é uma “excrescência”, e Selic em 12% também seria.

    “Vou comparar com países emergentes ‘meia boca’, nada de muito maravilhoso. México está com inflação em 4% e o banco central discute juros em torno de 6,5%. África do Sul está com inflação em 3% e juros rodando 6%. Quando falamos de Selic em 12%, é o dobro do juro”, analisa.

    “O Brasil tem um nível de dívida mais alto do que os desses países, mas temos instituições fortes, que funcionam apesar de terem sido fragilizadas recentemente. 12% ainda me parece muito fora do lugar.”

    No boletim Focus desta semana, economistas reduziram pela primeira vez em mais de quatro meses a previsão sobre a Selic terminal, de 12,25% para 12,13%.

    Apesar das previsões, o BC tem adotado cautela antes de dar sinalizações mais robustas sobre o ciclo de cortes. Em evento no dia 11 de fevereiro, Gabriel Galípolo, presidente da instituição, reforçou que a palavra-chave do momento é “calibragem”.

    Ele afirmou que o BC seguirá dependente dos dados e não pretende oferecer sinalizações adicionais sobre os próximos passos do Copom (Comitê de Política Monetária) além do que já foi comunicado. Galípolo também negou que o uso recente dos termos “serenidade” e “parcimônia” representaria alteração na estratégia da instituição. “Não há nenhuma mudança de função de reação”, afirmou.

    “Sobre o resto do ano, qualquer sinalização corre o risco de ser frustrada e causar mais dano do que ajudar”, disse ele, referindo-se ao cenário incerto de geopolítica, mudanças na política econômica dos Estados Unidos e as eleições brasileiras.

    Selic pode cair mais do que o esperado em 2026 e chegar a 11% 'no mínimo', avaliam gestores

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Nubank tem lucro recorde de US$ 2,87 bilhões em 2025

    Nubank tem lucro recorde de US$ 2,87 bilhões em 2025

    Apenas no quarto trimestre do ano passado, o lucro foi de US$ 894,8 milhões, salto anual de 50% e acima dos US$ 829 milhões esperados por analistas consultados pela Bloomberg.

    JÚLIA MOURA
    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O Nubank teve um lucro líquido de US$ 2,87 bilhões em 2025, 45,6% a mais que o registrado um ano antes, divulgou o banco nesta quarta-feira (25). É o maior resultado já registrado pela instituição.

    Apenas no quarto trimestre do ano passado, o lucro foi de US$ 894,8 milhões, salto anual de 50% e acima dos US$ 829 milhões esperados por analistas consultados pela Bloomberg.

    O ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido), principal métrica de lucratividade dos bancos, subiu de 28% para 30% de 2024 para 2025. Já a receita da fintech subiu 45% no ano passado, indo a US$ 16,3 bilhões.

    O banco segue em expansão internacional, adicionando 17 milhões de novos clientes em 2025, um aumento de 15% ano contra ano, alcançando um total de 131 milhões.

    No Brasil, o Nubank é a maior instituição financeira privada em número de clientes, segundo dados do Banco Central.

    De acordo com a fintech, no México ela atende cerca de 15% da população adulta e é o principal emissor de novos cartões de crédito no país. Na Colômbia, são mais de 4 milhões de clientes.
    Já a concessão de empréstimos teve um ganho mais acelerado. A carteira de crédito total expandiu 40% no ano passado, atingindo US$ 32,7 bilhões. A inadimplência, por sua vez, ficou estável. Os atrasos acima de 90 dias ficaram em 6,6% do total ao fim do ano passado.

    “Ao iniciarmos 2026, permanecemos totalmente focados em vencer na América Latina, enquanto construímos as alavancas que permitirão ao Nubank evoluir para uma plataforma global de serviços financeiros digitais ao longo do tempo”, disse David Vélez, fundador e CEO do Nubank, ao divulgar os resultados.
    Recentemente, a instituição teve a permissão de atuar como um banco nos Estados Unidos.
    RAIO-X | NUBANK EM 2025
    Fundação: 2013
    Lucro líquido: US$ 2,9 bilhões
    Funcionários: 9,5 mil
    Principais concorrentes no Brasil: Inter, C6, Mercado Pago, PagBank, Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco, Santander e Caixa Econômica Federal

    Nubank tem lucro recorde de US$ 2,87 bilhões em 2025

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Proteção ao agro para o acordo entre Mercosul e União Europeia sairá nos próximos dias, diz Alckmin

    Proteção ao agro para o acordo entre Mercosul e União Europeia sairá nos próximos dias, diz Alckmin

    “Hoje [o decreto] é encaminhado para a Casa Civil. Aí ela vai verificar se ouve outros ministérios, e depois finalmente vai para [sanção do] presidente [Lula]”, disse.

    MARIANA BRASIL E MARCOS HERMANSON
    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O presidente em exercício, Geraldo Alckmin, afirmou nesta quarta-feira (25) que o decreto que regulamenta salvaguardas relativas ao acordo comercial entre Mercosul e União Europeia será publicado nos próximos dias.

    “Hoje [o decreto] é encaminhado para a Casa Civil. Aí ela vai verificar se ouve outros ministérios, e depois finalmente vai para [sanção do] presidente [Lula]”, disse.

    As salvaguardas são medidas que preveem proteções jurídicas a setores do agronegócio e da indústria no contexto de acordos comerciais internacionais.

    As declarações foram feitas após reunião de Alckmin com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), o relator do acordo Mercosul-UE na Casa, Marcos Pereira (Republicanos-SP), e o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan.

    “Eu vou destacar a importância da aprovação do acordo do Mercosul-União Europeia. Temos um ótimo relator que conhece profundamente o assunto, o relator Marcos Pereira. Estamos otimistas. Esse é um acordo histórico, guardado há mais de 25 anos. O maior acordo entre blocos do mundo”, disse ainda.

    Na fala à imprensa, Alckmin também agradeceu pela aprovação do projeto de lei de manutenção do Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center). A proposta, que segue para deliberação do Senado, zera PIS/Pasep, Cofins e IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) dos equipamentos comprados para a implantação, manutenção ou ampliação desses complexos no Brasil.

    O Mercosul e a União Europeia discutem um acordo de livre comércio desde a década de 90, mas o tratado, que envolve um mercado comum de 720 milhões de pessoas, só foi assinado formalmente no último dia 17 de janeiro, em Assunção.

    Quatro dias depois da assinatura do acordo, porém, o Parlamento Europeu decidiu pela revisão jurídica do tratado, na prática congelando-o por até dois anos. Os europeus sofrem forte pressão de empresários da agricultura, que se mobilizaram em diversas capitais do continente contra a aprovação da zona de livre comércio.

    Na direção oposta, o governo brasileiro busca acelerar a tramitação do acordo no Congresso Nacional. O Executivo enxerga a ratificação pelos parlamentares como uma pressão sobre a União Europeia e pede uma espécie de vigência temporária enquanto o Parlamento Europeu revisa os termos do tratado.

    Mas também há resistências internas. Como mostrou a Folha de S. Paulo, a bancada do agronegócio critica as salvaguardas aplicadas pelos europeus para proteger certos setores agrícolas e se movimenta para aprovar medidas recíprocas.

    Entre as medidas discutidas estão regulamentar a Lei da Reciprocidade Econômica (que autoriza o governo a adotar medidas contra países que aplicarem ações unilaterais contra produtos brasileiros), a criação de um “marco legal sobre salvaguardas bilaterais no Brasil” ou uma resolução da Camex (Câmara de Comércio Exterior).

    Proteção ao agro para o acordo entre Mercosul e União Europeia sairá nos próximos dias, diz Alckmin

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Juros subiram para famílias e empresas em janeiro, mostra BC

    Juros subiram para famílias e empresas em janeiro, mostra BC

    Um dos destaques é a elevação da taxa das operações de cartão de crédito parcelado, com alta de 6,8 p.p., no mês, e de 17,7 p.p., em 12 meses, alcançando 194,9% ao ano.

    Os juros médios para as famílias e empresas continuaram subindo em janeiro deste ano. Para as pessoas físicas, a taxa média de juros alcançou 61% ao ano, com acréscimos de 0,9 ponto percentual (p.p.), no mês, e de 6,7 p.p., em 12 meses, de acordo com as Estatísticas Monetárias e de Crédito, divulgadas nesta quarta-feira (25), pelo Banco Central (BC).

    Um dos destaques é a elevação da taxa das operações de cartão de crédito parcelado, com alta de 6,8 p.p., no mês, e de 17,7 p.p., em 12 meses, alcançando 194,9% ao ano.

    Após 30 dias de utilização do crédito rotativo, as instituições financeiras parcelam a dívida do cartão de crédito seguindo essa modalidade de juros.

     

    Ainda assim, a carteira de cartão de crédito rotativo ainda opera com os juros mais elevados do mercado. Apesar do recuo de 13,7 p.p., no mês, e de 26,3 p.p., em 12 meses, a taxa do cartão rotativo ficou em 424,5% ao ano em janeiro.

    O crédito rotativo dura 30 dias e é tomado pelo consumidor quando paga menos que o valor integral da fatura do cartão de crédito. Ou seja, contrai um empréstimo e começa a pagar juros sobre o valor que não conseguiu quitar.

    Outros destaques nas operações para pessoas físicas, em janeiro, são as altas nas taxas de crédito pessoal não consignado (1,5 p.p.), financiamento para aquisição de veículos (1,3 p.p.) e crédito pessoal consignado para trabalhadores do setor privado (1,2 p.p.).

    No caso das operações com empresas, a taxa média situou-se em 25,2% ao ano no fim de janeiro, com acréscimo de 1,6 p.p., no mês, e 1,1 p.p., em 12 meses.

    Em janeiro, esse desempenho foi influenciado, basicamente, pelo aumento sazonal das taxas médias de desconto de duplicatas e outros recebíveis (0,9 p.p.) e pelo incremento de outras modalidades, como capital de giro com prazo superior a 365 dias (1,8 p.p.), cheque especial (25,9 p.p.) e cartão rotativo (63,9 p.p.).

    Essas são as taxas no crédito livre, nas quais os bancos têm autonomia para emprestar o dinheiro captado no mercado e definir as taxas de juros cobradas dos clientes.

    Já o crédito direcionado ─ com regras definidas pelo governo ─ é destinado basicamente aos setores habitacional, rural, de infraestrutura e ao microcrédito.

    No caso do crédito direcionado, a taxa média para pessoas físicas ficou em 11,2% ao ano, estável no mês e com redução de 0,1 p.p., em 12 meses. Para empresas, os juros subiram 0,8 p.p., no mês, e caíram 0,7 p.p., em 12 meses, para 13% ao ano.

    Juros em alta

    Considerando recursos livres e direcionados, a taxa média de juros das novas contratações de crédito chegou, em janeiro de 2026, a 32,8% ao ano, para famílias e empresas. Houve incremento de 0,7 p.p., no mês, e de 2,9 p.p., em 12 meses.

    Como esperado, a alta dos juros bancários acompanha o ciclo de elevação da taxa básica de juros da economia, a Selic, mantida em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. A Selic é o principal instrumento usado pelo Banco Central para controlar a inflação.

    Ao aumentar a taxa, o BC visa esfriar a demanda e conter a inflação, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança, fazendo com que as pessoas consumam menos, e com que os preços subam menos.

    A taxa básica de juros está no maior nível desde julho de 2006, quando atingiu 15,25% ao ano.

    Já o spread bancário das novas contratações situou-se em 21,9 p.p., com acréscimo de 0,8 p.p., no mês, e de 3,5 p.p., em 12 meses. Esse termo diz respeito à diferença entre o custo de captação dos recursos pelos bancos e as taxas médias cobradas dos clientes. O spread é uma margem que cobre custos operacionais, riscos de inadimplência, impostos e outros gastos e resulta, assim, no lucro dos bancos.

    Saldo do crédito

    No mês passado, as concessões de crédito chegaram a R$ 651,5 bilhões, resultado de um aumento de 1,5% no mês, com ajuste sazonal. Houve elevações de 2,2% nas operações com pessoas jurídicas e de 1,6% nas operações pactuadas com pessoas físicas.

    No acumulado em 12 meses até janeiro de 2026, as concessões nominais variaram 9,4%, sendo 9,7% nas operações com empresas e 9,1% com famílias.

    Com isso, o estoque de todos os empréstimos concedidos pelos bancos do Sistema Financeiro Nacional (SFN) ficou em R$ 7,115 trilhões, o que representa uma redução de 0,2%, em janeiro, e uma alta de 10,1%, em 12 meses.

    As carteiras de crédito para pessoas jurídicas e famílias, respectivamente, fecharam o mês com saldos de R$ 2,654 trilhões e de R$ 4,460 trilhões, nessa ordem.

    Já o crédito ampliado ao setor não financeiro ─ que é o crédito disponível para empresas, famílias e governos, independentemente da fonte (bancário, mercado de títulos ou dívida externa) ─ alcançou R$ 20,812 trilhões.

    Foi constatado um ligeiro recuo de 0,3%, no mês, principalmente devido à redução de 3,4% dos saldos dos empréstimos externos, impactados pela valorização de 4,95% do real.

    Na comparação interanual, o crédito ampliado cresceu 12,6%, prevalecendo as elevações da carteira de empréstimos do SFN, em 9,9%, e dos títulos públicos de dívida, em 19,1%.

    Endividamento das famílias

    Segundo os números do Banco Central, a inadimplência também vem aumentando e foi de 4,2% em janeiro. São considerados, nesse caso, os atrasos acima de 90 dias nos pagamentos.

    No segmento empresarial, o percentual situou-se em 2,6% e, no crédito às famílias, a inadimplência atingiu 5,2%.

    O endividamento das famílias ficou em 49,7% em dezembro do ano passado, fechando 2025 com aumento de 1,3 p.p. no ano. Esse número considera a relação entre o saldo das dívidas e a renda familiar acumulada em 12 meses.

    Com a exclusão do financiamento imobiliário, que pega um montante considerável da renda, o endividamento ficou em 31,2% no último mês de 2025.

    Já o comprometimento da renda ─ relação entre o valor médio a ser pago em dívidas e a renda média apurada no período ─ ficou em 29,2% em dezembro, com aumento de 1,7 p.p. no ano.

    O endividamento e comprometimento de renda são indicadores apresentados com uma defasagem maior, pois o Banco Central usa dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    Juros subiram para famílias e empresas em janeiro, mostra BC

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • CPI do crime organizado aprova quebra de sigilo de empresa de Toffoli e convocação de Campos Neto e Paulo Guedes

    CPI do crime organizado aprova quebra de sigilo de empresa de Toffoli e convocação de Campos Neto e Paulo Guedes

    De acordo com o relator do grupo, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), as medidas “são fundamentais para ajudar o Brasil a entender e combater a infiltração do crime nas mais altas camadas do poder público”.

    CONSTANÇA REZENDE
    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – A CPI do Crime Organizado aprovou, nesta quarta-feira (25), os pedidos de convocação dos irmãos do ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), e a quebra de sigilo da Maridt Participações S.A, empresa da qual é sócio.

    Também aprovou a convocação do ex-ministro da Economia de Jair Bolsonaro (PL), Paulo Guedes, e de Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central. Além do convite de comparecimento da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, e de outras empresas ligadas ao Banco Master.

    Já o pedido de convocação de Letícia Caetano dos Reis, administradora do escritório de advocacia do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), feito pelo senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), foi rejeitado.

    De acordo com o relator do grupo, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), as medidas “são fundamentais para ajudar o Brasil a entender e combater a infiltração do crime nas mais altas camadas do poder público”.

    A ligação de Toffoli com o caso veio após a PF (Polícia Federal) consultar o STF sobre uma possível suspeição do ministro em relação ao Master.

    A consulta se baseou em mensagens encontradas no celular do dono do banco, Daniel Vorcaro, que mencionavam o ministro.

    Durante quatro anos (entre 2021 e 2025), como mostrou a Folha de S. Paulo, a empresa dos irmãos Toffoli dividiu o controle do Tayayá, no Paraná, com o fundo de investimentos Arleen, que compõe a rede de fundos fraudulentos do Banco Master.

    O Arleen entrou na sociedade em 2021, comprando cotas de empresas que pertenciam aos irmãos e a um primo de Toffoli. O Arleen é de propriedade de outro fundo, o Leal, que pertenceria a Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, o dono do Banco Master.
    Em nota anterior, Toffoli afirmou que nunca soube quem era o gestor do Arleen e que jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro.

    Já a motivação do convite à Viviane Barci de Moraes foi a revelação de que o Banco Master contratou o seu escritório de advocacia, por R$ 3,6 milhões mensais, para auxiliar na defesa dos interesses da instituição. As informações foram reveladas pelo jornal O Globo.

    De acordo com a publicação, a contratação do Barci de Moraes Sociedade de Advogados teria validade de 36 meses, a partir do início de 2024. Com isso, o acordo renderia, até o início de 2027, R$ 129 milhões ao escritório, caso o Master não tivesse sido liquidado pelo Banco Central. Também integram o escritório dois filhos do casal.

    O acordo seria para representar o Master onde fosse necessário -sem uma causa ou um processo específico- perante órgãos como Banco Central, Receita Federal e Congresso Nacional. Também teria como objeto a organização e a coordenação estratégica, consultiva e contenciosa perante o Judiciário, o Ministério Público e a Polícia Federal.

    Na ocasião da reportagem, o gabinete de Moraes não respondeu os pedidos para comentar o tema. A defesa de Vorcaro e a assessoria também não comentaram, nem confirmaram o contrato. O escritório Barci de Moraes não se pronunciou.

    CPI do crime organizado aprova quebra de sigilo de empresa de Toffoli e convocação de Campos Neto e Paulo Guedes

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Ex-banqueiro Daniel Vorcaro deve ser ouvido no Senado no dia 10

    Ex-banqueiro Daniel Vorcaro deve ser ouvido no Senado no dia 10

    A previsão anterior era a de que ele iria a Brasília na próxima terça (3), mas um compromisso teria exigido o reagendamento. A CAE montou um grupo de trabalho para acompanhar as investigações do escândalo envolvendo o banco, que foi liquidado no ano passado pelo Banco Central, uma derrocada que custou R$ 50 bilhões ao FGC (Fundo Garantidor de Créditos).

    FERNANDA BRIGATTI
    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, deve falar à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado no dia 10 de março, segundo nova previsão dada por sua defesa ao gabinete do senador Renan Calheiros (MDB-AL), presidente do colegiado.

    A previsão anterior era a de que ele iria a Brasília na próxima terça (3), mas um compromisso teria exigido o reagendamento. A CAE montou um grupo de trabalho para acompanhar as investigações do escândalo envolvendo o banco, que foi liquidado no ano passado pelo Banco Central, uma derrocada que custou R$ 50 bilhões ao FGC (Fundo Garantidor de Créditos).

    Nesta terça (24), Calheiros e outros senadores da CAE estiveram com o ministro André Mendonça, novo relator do caso Master no STF (Supremo Tribunal Federal), com quem acertaram que Vorcaro poderia usar a infraestrutura da Polícia Federal para viajar de São Paulo, onde sob monitoramento de tornozeleira eletrônica, para Brasília.

    O deslocamento incluiria escolta e o acompanhamento de um advogado. O senador Eduardo Braga (MDB-AM) disse que o deslocamento será feito com “absoluta discrição”.

    Vorcaro era esperado na CPI mista do INSS na segunda (23), mas desmarcou participação depois que Mendonça vetou a viagem em jato privado. Ele foi dispensado da obrigatoriedade de comparecimento, o que desagradou integrantes da comissão de inquérito.

    O senador Carlos Viana (Podemos-MG) acionou a advocacia do Senado para recorrer da decisão. A defesa de Vorcaro citou preocupações com a segurança caso o deslocamento fosse feito em voo comercial.

    Apesar da ausência na CPI na segunda, Renan Calheiros disse acreditar que o ex-banqueiro compareça à CAE e vê diferenças entre as funções das comissões. “Acho que ele raciocina que é um fórum mais recomendável para que venha fazer a discussão, que é uma discussão oportuna”, disse.

    Ex-banqueiro Daniel Vorcaro deve ser ouvido no Senado no dia 10

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Leilão da Receita tem iPhones a partir de R$ 922; veja como participar

    Leilão da Receita tem iPhones a partir de R$ 922; veja como participar

    Entre os itens disponíveis estão joias e pedras preciosas, vinhos, veículos, smartphones, notebooks, relógios, perfumes, roupas, tecidos, utensílios domésticos, livros e brinquedos. Também há peças e acessórios para celulares, componentes de informática, latas para envase de alimentos, lâmpadas, válvulas, concentrado de cobre, motocicletas elétricas, automóveis, caminhonetes, caminhões e gasolina tipo A.

    A Receita Federal do Brasil anunciou nesta quarta-feira (25) a realização de um novo leilão regional de mercadorias apreendidas ou abandonadas. O evento ocorrerá no dia 13 de março, em São Paulo, e contará com 223 lotes fechados — ou seja, conjuntos específicos de produtos reunidos em cada oferta.

    Entre os itens disponíveis estão joias e pedras preciosas, vinhos, veículos, smartphones, notebooks, relógios, perfumes, roupas, tecidos, utensílios domésticos, livros e brinquedos. Também há peças e acessórios para celulares, componentes de informática, latas para envase de alimentos, lâmpadas, válvulas, concentrado de cobre, motocicletas elétricas, automóveis, caminhonetes, caminhões e gasolina tipo A.

    Há lotes com lance inicial de R$ 50, contendo itens médico-hospitalares, peças mecânicas, componentes eletrônicos e perfumes. Outros começam em R$ 100, reunindo celulares, tecidos e resíduos destinados à destruição. O lote mais valioso é o 205, composto por grandes volumes de gasolina tipo A, com valor mínimo de R$ 17 milhões, mediante pagamento por depósito judicial.

    Entre os destaques, os lotes 95, 221 e 219 oferecem veículos como Hyundai Santa Fe a partir de R$ 6 mil, Jeep Renegade Sport por R$ 14.400 e caminhão Mercedes-Benz por R$ 46 mil. Nos lotes 26 e 87, há itens de grife, como calçados Gucci, jaquetas Rossignol, bolsa Lady Dior Mini, vestido Alessandra Rich e pulseira Ferragamo, a partir de R$ 2.700. O lote 143 inclui um iPhone 15 Plus e um iPhone 13 com lance inicial de R$ 922. Já o lote 9 reúne vinhos como Domaine Almanegra e El Enemigo a partir de R$ 141. Nos lotes 134, 133 e 131, há joias em ouro com diamantes, safiras e rubis, a partir de R$ 20.634.

    O envio de propostas poderá ser feito das 8h de 9 de março até as 21h de 12 de março. A sessão de lances está marcada para as 10h de 13 de março (horário de Brasília). A visitação dos lotes ocorrerá mediante agendamento, entre 2 e 11 de março, em dias úteis, em cidades como Araraquara, Campinas, Bauru, Guarulhos, Taubaté, São Paulo, Guarujá, Santos, Barueri, Suzano, Sorocaba, Santo André e São Bernardo do Campo.

    Como participar?

    Os endereços e contatos constam no edital disponível no site da Receita. Os arrematantes terão 30 dias para retirada, e o órgão não se responsabiliza pelo envio. Bens adquiridos por pessoas físicas não podem ser revendidos, assim como determinados lotes comprados por pessoas jurídicas.

    O pagamento deve ser realizado exclusivamente via Darf. A participação ocorre pelo Sistema de Leilão Eletrônico, acessado no e-CAC com conta GOV.BR nível Prata ou Ouro.

    Podem participar pessoas físicas maiores de 18 anos ou emancipadas, com CPF regular e selo Prata ou Ouro. Pessoas jurídicas precisam ter CNPJ regular e representante com selo Prata ou Ouro.

    Para dar lance, é necessário acessar o sistema pelo e-CAC entre 9 e 12 de março, selecionar o edital nº 0800100/000002/2026 – SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DA 8ª REGIÃO FISCAL, escolher o lote, clicar em “incluir proposta”, aceitar os termos e registrar valor superior ao mínimo estipulado.

    Leilão da Receita tem iPhones a partir de R$ 922; veja como participar

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • China alerta que pode tomar 'medidas necessárias' caso EUA avancem com novas tarifas

    China alerta que pode tomar 'medidas necessárias' caso EUA avancem com novas tarifas

    Pequim disse esperar que Washington trate a implementação do acordo de forma ‘objetiva e racional’ e evite transferir responsabilidades; Donald Trump deve viajar à China em abril para encontro bilateral com o líder chinês Xi Jinping

    O Ministério do Comércio da China afirmou nesta quarta-feira, 25, que tomou conhecimento das declarações do representante comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, sobre a continuidade da investigação da Seção 301 a respeito do cumprimento, por Pequim, do acordo econômico e comercial de “fase um” firmado entre os dois países, e alertou que adotará medidas necessárias caso Washington avance com novas tarifas.

    Segundo o porta-voz da pasta, desde a entrada em vigor do acordo, no início de 2020, a China tem cumprido suas obrigações “com espírito contratual”, apesar dos impactos da pandemia e dos rupturas nas cadeias de suprimento.

    Pequim sustenta que implementou os compromissos relacionados à proteção de propriedade intelectual e à abertura dos mercados financeiro e agrícola, além de ter promovido a expansão da cooperação comercial.

    Em contrapartida, o governo chinês acusa os EUA de endurecer controles de exportação, restringir investimentos bilaterais e ampliar medidas de contenção em áreas econômicas e comerciais, o que, segundo a pasta, viola o espírito do acordo e prejudica as condições para sua implementação.

    O ministério acrescentou que, desde o ano passado, os dois lados realizaram cinco rodadas de consultas econômicas e comerciais e alcançaram consensos sobre temas como extensão da suspensão de tarifas recíprocas, comércio agrícola, controles de exportação e redução de restrições a investimentos.

    Pequim disse esperar que Washington trate a implementação do acordo de forma “objetiva e racional” e evite transferir responsabilidades. Caso os EUA insistam na investigação ou adotem novas tarifas com base nela, a China afirmou que tomará “todas as medidas necessárias” para defender seus direitos e interesses legítimos.

    O presidente dos EUA, Donald Trump, deve viajar à China em abril para encontro bilateral com o líder chinês, Xi Jinping.

    China alerta que pode tomar 'medidas necessárias' caso EUA avancem com novas tarifas

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Preço do etanol sobe em 9 Estados, cai em 8 e no DF e fica estável em 8 na semana, afirma ANP

    Preço do etanol sobe em 9 Estados, cai em 8 e no DF e fica estável em 8 na semana, afirma ANP

    Maior alta porcentual na semana, de 7,11%, foi registrada em Alagoas, de R$ 4,78 para R$ 6,24 o litro; preço mínimo registrado na semana para o etanol em um posto foi de R$ 3,59 o litro, em São Paulo

    Os preços médios do etanol hidratado subiram em 9 Estados, caíram em outros 8 e no Distrito Federal e ficaram estáveis em 8 na semana encerrada no dia 21 de fevereiro. No Amapá não houve medição. Os dados são da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), compilados pelo AE-Taxas.

    Nos postos pesquisados pela ANP em todo o País, o preço médio do etanol ficou estável na comparação com a semana anterior, a R$ 4,65 o litro. Em São Paulo, principal Estado produtor, consumidor e com mais postos avaliados, o preço tmabém ficou estável em R$ 4,46 o litro.

    A maior alta porcentual na semana, de 7,11%, foi registrada em Alagoas, de R$ 4,78 para R$ 6,24 o litro. A maior queda, de 1,96%, ocorreu no Distrito Federal, de R$ 5,10 para R$ 5,00 o litro.

    O preço mínimo registrado na semana para o etanol em um posto foi de R$ 3,59 o litro, em São Paulo. O maior preço, de R$ 6,83, foi observado no Rio Grande do Sul. Já o menor preço médio estadual, de R$ 4,25, foi registrado em Mato Grosso do Sul, enquanto o maior preço médio foi verificado no Amazonas, de R$ 5,48 o litro.

    Competitividade

    O etanol não era competitivo em relação à gasolina em nenhum Estado na semana encerrada em 21 fevereiro. Na média dos postos pesquisados no País, o etanol tinha paridade de 73,81% ante a gasolina, portanto desfavorável em comparação com o derivado do petróleo, conforme levantamento da ANP compilado pelo AE-Taxas.

    Executivos do setor observam que o etanol pode ser competitivo mesmo com paridade maior do que 70%, a depender do veículo em que o biocombustível é utilizado.

    Preço do etanol sobe em 9 Estados, cai em 8 e no DF e fica estável em 8 na semana, afirma ANP

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Escândalo do Master envolveu 'alinhamento perverso', diz presidente interino da CVM

    Escândalo do Master envolveu 'alinhamento perverso', diz presidente interino da CVM

    João Accioly diz que atuação da autarquia em fundos exclusivos é provocada por denúncias e que não houve omissão da fiscalização; ficção contábil teria permitido inflar balanço e manter a emissão de CDBs, diz chefe da autarquia a comissão do Senado

    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O presidente interino da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), João Accioly, disse nesta terça-feira (24) que o escândalo do Banco Master envolveu um “alinhamento perverso de incentivos entre gestores e investidores” para que fosse mantido o que ele chamou de ficção contábil.

    “Foi um me engana que eu gosto”, afirmou. “Por que ele gosta de ser enganado? Porque ele bota no balanço dele que ele tem um balanço muito mais robusto e isso permite que ele continue emitindo CDB [Certificado de Depósito Bancário] e para o Banco Central parece que ele tinha uma solidez que ele não tinha.”

    Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro disse que as investigações não têm decisão definitiva que permita afirmar a existência de irregularidades e que seguirá exercendo o direito ao contraditório e à ampla defesa.

    “Esse tipo de abordagem é especialmente lamentável quando parte de autoridade pública, que deveria se pautar pela isenção, neutralidade e respeito às garantias fundamentais”, afirmou a defesa do ex-banqueiro.

    Accioly falou na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado no âmbito de um grupo de trabalho criado para acompanhar as investigações do caso Master. Inicialmente, a expectativa era ouvir também o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do banco, mas ele cancelou a ida à comissão depois que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, negou o uso de jato privado para o deslocamento a Brasília.

    Diretor desde 2022 da autarquia que monitora o mercado de capitais, Accioly defendeu a atuação da CVM aos senadores e disse que a supervisão é baseada em risco, levando a autarquia a dar prioridade a cotistas individuais. “Já os cotistas de fundos exclusivos recebem menos atenção porque se supõe que o grande investidor tem condições de verificar isso”, afirmou.

    Segundo ele, não houve omissão da CVM no caso Master, pois as irregularidades envolviam fundos exclusivos.

    Nesses casos, segundo o presidente interino da CVM, a autarquia atua por denúncias de investidores. “Não é uma omissão regulatória”, disse, acrescentando que a regra pode ser aprimorada, incluindo o uso de tecnologia como algoritmos que identifiquem padrões suspeitos.

    Para Accioly, as supostas fraudes do banco também tinham “peculiaridade estrutural”. “Porque o prejudicado, considerando o Banco Master como cotista, não foi uma vítima de fraude, na qual os gestores o enganaram”, afirmou. “Ele foi, em larga medida, promotor ativo do superdimensionamento [dos ativos].”

    Antes de responder a perguntas dos senadores, Accioly disse também que sempre que existe um caso de fraude, a responsabilidade é de quem cometeu. A cada nova fraude, é necessário melhorar os métodos. Não podemos confundir o crime com o combate.”

    Accioly disse que a única omissão da CVM foi na divulgação das medidas tomadas pela autarquia.

    Ele respondia ao senador Eduardo Braga (MDB-AM), para quem a “CVM não é réu primário em transparência” e citou o caso das lojas Americanas, gigante do varejo que inflava seus balanços.

    No caso Master, diz Braga, houve uma “orgia no mercado financeiro”, que demanda novas legislações que garantam transparência e restaurem a confiança na instituição. Para ele, “não dá para dizer que a CVM não foi omissa”.

    Segundo Accioly, a operação Compliance Zero, que resultou na prisão de Daniel Vorcaro, é um exemplo de atuação da CVM após comunicação de irregularidades. “Ela é feita depois que a CVM comunica ao MPF em junho de 2025 os indícios de aportes de quase R$ 500 milhões em clínicas de laranjas”, disse, em referência a suspeitas envolvendo negócios da irmã de Vorcaro, Natália.

    As primeiras suspeitas ligadas ao Master na CVM datam de 2017, quando ele ainda se chamava Máxima. Nessa época, disse o presidente da CVM, circularam as primeiras comunicações das áreas de fiscalização com indícios de irregularidades em operações do banco.

    A autarquia de monitoramento do mercado de capitais tem 200 processos em andamento para apurar irregularidades ligadas ao Master. Accioly ficou de enviar à CAE o detalhamento e as datas de cada acusação.

    No caso do BRB (Banco de Brasília), existem 24 processos abertos para apurar suspeitas envolvendo o Master e a Reag, ambos liquidados pelo Banco Central, segundo o presidente da CVM. Accioly também disse não ter conhecimento de qualquer pressão política ou tentativa de interferência nos processos em andamento na comissão.

    O presidente da Comissão de Assuntos Econômicos, Renan Calheiros (MDB-AL), pediu que Accioly avaliasse a atuação de Otto Lobo, diretor da CVM que foi presidente interino e é o indicado do presidente Lula (PT) para o comando da autarquia. A indicação precisa ser aprovada pelo Senado.

    Accioly citou então casos envolvendo o Master, como um termo de compromisso de 2022, aprovado em decisão unânime entre os diretores. Ele falou também de um caso envolvendo a Ambipar e o Master e considerado suspeito pelo TCU (Tribunal de Contas da União), segundo reportagem do Valor Econômico desta terça.

    De acordo com Accioly, a decisão da CVM foi pela não realização de oferta pública de aquisição (OPA) da Ambipar, algo que poderia, na avaliação dele, ser visto como favorável ao Master. A interpretação da superintendência da CVM que analisou o caso era de que a oferta deveria ser feita. Essa obrigação, diz Accioly, cairia sobre o Master e sobre o empresário Nelson Tanure.

    Os primeiros votos foram favoráveis à OPA. Accioly e Otto Lobo não participaram da votação inicialmente. O então presidente da CVM, João Pedro Nascimento, era autor de um desses votos. Ele renunciou ao cargo em agosto em meio a uma crise inédita no órgão regulador.

    Segundo Accioly, a Lei das SAs (Sociedades Anônimas) atribui a obrigação pela OPA ao acionista controlador. Nesse ponto, ele diz ter concordado com os votos anteriores, mas votou alinhado a Otto Lobo, pela dispensa da oferta pública. Ele diz ter registrado, à época, que não via distinção entre o Banco Master e o empresário Nelson Tanure.

    A Folha de S. Paulo mostrou que a CVM voltou a investigar uma eventual manipulação do preço da ação da Ambipar, que teve valorização de 800% entre maio e agosto de 2024. A apuração tenta entender se fundos e operações ligados ao Master, a Tanure e ao controlador da Ambipar, Tércio Borlenghi Junior contribuíram para aquela alta de maneira irregular.

    Escândalo do Master envolveu 'alinhamento perverso', diz presidente interino da CVM

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia