Categoria: ECONOMIA

  • Leilão da Receita em SP traz leilão com iPhone 15, Galaxy e notebooks

    Leilão da Receita em SP traz leilão com iPhone 15, Galaxy e notebooks

    Propostas podem ser feitas até as as 21h desta segunda-feira (13); Leilão oferece também guitarras elétricas, tablets e acessórios de informática

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A Receita Federal realiza, nesta terça-feira (14), leilão com 260 lotes de produtos como smartphones, notebooks, componentes eletrônicos, eletrodomésticos, instrumentos musicais e peças de arte. O leilão será realizado de forma online e as propostas podem ser apresentadas até as 21h desta segunda-feira (13).

    Para participar, os interessados devem acessar o site da Receita Federal e clicar em “Consultar leilões da Receita Federal” na seção de Seviços. Depois, selecionar o edital 0800100/000004/2026.

    O leilão também traz eletrodomésticos como aspirador de pó sem fio a partir de R$ 100 no lote 94 e um um ar-condicionado com preço mínimo de R$ 400 no lote 95. O lote 149 traz diferentes aparelhos elétricos como micro-ondas, mixers e grills a um preço mínimo de R$ 400, e o lote 146 tem panelas elétricas e sanduicheiras, começa em R$ 200.

    Entre os smartphones, um Xiaomi Redmi A2 será leiloado por R$ 100 no lote 151. Também é possível ver um iPhone 15 a um preço mínimo de R$ 1.400 no lote 49 e um Samsung Galaxy S24 com lance mínimo de R$ 300 no lote 8.

    Outros destaques também incluem um notebook Dell a partir de R$ 300 no lote 210 e um tablet Amazon Fire com lance mínimo de R$ 100 no lote 152. Itens de informática, como mouses, teclados e fones de ouvido também são vistos no lote 226 a partir de R$ 300.

    Também há instrumentos musicais, como uma guitarra elétrica a partir R$ 300 no lote 39, além de objetos de arte disponíveis nos lotes 11, 50 a 59, 64 a 68, 116 a 119 e 124.

    Os agendamentos para visitar os lotes já foram encerrados.

    CALENDÁRIO DO LEILÃO

    QUEM PODE PARTICIPAR?

    As pessoas físicas que desejarem participar precisam ter mais de 18 anos -ou serem emancipadas-, CPF (Cadastro de Pessoas Físicas) e selo de confiabilidade prata ou ouro no portal Gov.br.

    As empresas interessadas devem ter o cadastro regular no CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas) e também o selo de confiabilidade prata ou ouro.

    COMO PARTICIPAR?

    O cidadão deve acessar o portal da Receita Federal e clicar em “Participar de leilão eletrônico”. Na tela seguinte, será preciso fornecer senha do portal Gov.br. Em seguida, acessar “Sistema de Leilão Eletrônico”, do lado esquerdo da tela, e selecionar o edital 0800100/000004/2026 – Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 8ª Região Fiscal.

    Dentro do sistema, é possível escolher o lote que deseja dar lance e clicar em “Incluir proposta”, aceitar os termos e as condições expressas pela Receita, digitar o valor da oferta e salvar.

    Leilão da Receita em SP traz leilão com iPhone 15, Galaxy e notebooks

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  • Dólar fica abaixo dos R$ 5 pela primeira vez em dois anos

    Dólar fica abaixo dos R$ 5 pela primeira vez em dois anos

    Dólar rompeu R$ 5 pela primeira vez em dois anos em meio a guerra no Irã; Bolsa testa novo recorde, marcando alta de 0,29%, a 197.907 pontos

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar rompeu o piso de R$ 5 pela primeira vez em dois anos na sessão desta segunda-feira (13), com investidores reagindo aos novos desdobramentos da guerra no Irã.

    A cotação de R$ 4,999 foi atingida no início da tarde, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que Teerã quer fazer um acordo para encerrar o conflito que se estende desde o final de fevereiro.

    Antes disso, o mercado reagia ao fracasso das negociações de paz no fim de semana e ao bloqueio do estreito de Hormuz ordenado por Trump. A via marítima era, antes da guerra, responsável por 20% de todo o tráfego global de petróleo e gás natural liquefeito.

    Às 14h43, a moeda recuava 0,35%, cotada a R$ 4,992, revertendo os ganhos de mais cedo e em linha com o movimento no exterior. O índice DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis moedas fortes, tinha perdas de 0,11%.

    Já a Bolsa marcava alta de 0,29%, a 197.907 pontos, testando um novo recorde histórico.

    O bloqueio em Hormuz começou às 11h, no horário de Brasília. Antes disso, segundo monitores de tráfego marítimo, apenas 2 navios ligados ao Irã tentaram fazer o trânsito na região, ante 4 na véspera e até 140 antes do conflito que vive um incerto cessar-fogo desde a terça passada (7).

    Trump determinou a medida no domingo (12), depois que as delegações não chegaram a um acordo. Três rodadas de conversas foram realizadas -e a terceira só terminou na noite de sábado no Brasil.

    Segundo a emissora estatal do Irã, a delegação de Teerã apresentou demandas relacionadas ao estreito de Hormuz, à liberação de ativos iranianos bloqueados, ao pagamento de reparações para cobrir danos causados pela guerra e um cessar-fogo que alcance toda a região

    A última vez em que EUA e Irã negociaram olho no olho foi na costura do acordo nuclear de 2015, que trocou o fim de sanções à teocracia por um intrincado esquema de verificações segundo o qual seria restringida a capacidade de enriquecimento de urânio do país por 15 anos, visando coibir a busca pela bomba atômica.

    O bloqueio de Hormuz surge em resposta, também, à cobrança de um pedágio para as embarcações. Em vez de reabrir a passagem como havia sido combinado na trégua, Teerã estabeleceu uma rota que diz evitar minas colocadas pela teocracia e passa por suas águas territoriais. Um petroleiro precisaria pagar US$ 1 em criptomoedas por cada barril de óleo transportado.

    “O bloqueio será realizado de maneira imparcial contra embarcações de todos os países que entrem ou partam de portos e áreas costeiras do Irã”, disseram os militares americanos, afirmando que não impedirão a navegação de barcos “que cruzem o estreito de Hormuz vindo de ou com destino a portos não-iranianos”.

    Neste cenário, a manhã desta segunda-feira é de volta da aversão ao risco nos mercados internacionais. O petróleo Brent voltou a cruzar o patamar de US$100 o barril, em alta de mais de 5%. Ações em todo o mundo estão em baixa, à exceção dos índices S&P500 e Nasdaq Composite nos EUA, em alta tímida de até 0,15%.

    A possibilidade de uma retomada nos ataques também impõe cautela entre os investidores.

    “Os mercados estão tentando filtrar o turbilhão de manchetes, mas parece que os EUA estão considerando retomar ataques limitados contra o Irã. Até agora, pelo menos, os mercados estão lidando relativamente bem com a notícia, pois ainda não vimos um retorno dos preços aos níveis anteriores ao cessar-fogo”, diz Matthew Ryan, chefe de estratégia de mercado global da Ebury.

    “Isso sugere que os investidores talvez vejam a ruptura nas negociações mais como um obstáculo no caminho e um sinal de jogo de pressão, em vez de algo que necessariamente possa atrapalhar o caminho para a paz.”

    Na semana passada, as expectativas em torno do cessar-fogo seguido de negociações para o fim do conflito aqueceram os mercados e fizeram o Ibovespa renovar o recorde histórico três dias consecutivos.

    O dólar ainda registrou o menor valor em dois anos na sexta-feira, quando encerrou o dia cotado a R$ 5,010 -quase rompendo com o piso de R$ 5 pela primeira vez desde que foi alçado a esse patamar.

    “Houve um abrandamento no conflito armado, mas a escala do abrandamento e a falta de clareza sobre quando os fluxos comerciais serão retomados nos deixa, de modo geral, ainda no mesmo lugar”, diz Benjamin Jones, chefe global de pesquisa da Invesco.

    “Esperamos uma pressão renovada sobre os ativos de risco e movimentos de alta no petróleo no início desta semana.”

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  • Governo Lula demite presidente do INSS e anuncia servidora no comando do órgão

    Governo Lula demite presidente do INSS e anuncia servidora no comando do órgão

    Gilberto Waller Jr. assumiu o instituto no fim de abril de 2025, após Operação Sem Desconto; demissão foi anunciada por ministro da Previdência, Wolney Queiroz; relação dos dois era conturbada

    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu demitir o presidente do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), Gilberto Waller Jr., que havia assumido o órgão no fim de abril de 2025, após a Operação Sem Desconto, voltada à investigação de fraudes nos descontos associativos de beneficiários.

    A troca foi anunciada em nota pelo ministro Wolney Queiroz (Previdência) nesta segunda-feira (13). O INSS é formalmente ligado ao Ministério da Previdência, mas Queiroz e Waller Jr. mantiveram uma relação conturbada no tempo em que conviveram em seus respectivos cargos.

    Para substituí-lo, o ministro anunciou Ana Cristina Viana Silveira. Segundo a pasta, “ela assume a presidência do órgão com a missão estratégica de acelerar a análise de benefícios e simplificar os processos internos do Instituto”.

    Governo Lula demite presidente do INSS e anuncia servidora no comando do órgão

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  • Selic no fim de 2026 segue em 12,50%, aponta Focus

    Selic no fim de 2026 segue em 12,50%, aponta Focus

    Considerando só as 55 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a medida subiu de 12,50% para 12,75%; projeção para o fim de 2027 continuou em 10,50% pela 61ª semana seguida

    A mediana do relatório Focus para a Selic no fim de 2026 continuou em 12,50% pela terceira semana seguida. Há um mês, era de 12,25%. Considerando só as 55 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a medida subiu de 12,50% para 12,75%.

    A projeção para o fim de 2027 continuou em 10,50% pela 61ª semana seguida. Considerando só as 54 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a estimativa caiu de 10,75% para 10,53%.

    O Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a Selic em 0,25 ponto porcentual, de 15% para 14,75% ao ano, no mês passado. Foi a primeira redução da taxa de juros em quase dois anos. Apesar do corte, o colegiado alertou para o aumento das incertezas no cenário.

    O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reforçou a baixa visibilidade durante entrevista coletiva sobre o Relatório de Política Monetária (RPM), recentemente. Ele disse que o “conservadorismo” da autoridade monetária em 2025 compra tempo para analisar o cenário e entender os efeitos que a alta do petróleo terá sobre os preços domésticos.

    “Estamos entendendo e vamos aprender mais daqui até a próxima reunião do Copom. O BC tem esse benefício de que só precisa tomar uma decisão a cada 45 dias”, afirmou Galípolo, reforçando que haverá uma condução cautelosa da política monetária.

    No Focus desta segunda-feira, 13, a mediana para a Selic no fim de 2028 permaneceu em 10,00% pela 12ª leitura seguida. Já a estimativa para 2029, permaneceu em 9,75% pela segunda semana consecutiva. Há um mês, era de 9,50%.

    *Conteúdo elaborado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

    Selic no fim de 2026 segue em 12,50%, aponta Focus

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  • Focus: projeção de crescimento do PIB de 2026 segue em 1,85%

    Focus: projeção de crescimento do PIB de 2026 segue em 1,85%

    Estimativa intermediária do Focus para o crescimento da economia brasileira em 2027 seguiu em 1,80%, pela 15ª semana consecutiva

    A mediana do relatório Focus para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026 permaneceu em 1,85% pela segunda semana seguida. Um mês antes, era de 1,83%. Considerando apenas as 37 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a estimativa subiu de 1,81% para 1,85%.

    O crescimento esperado pelo mercado é maior do que o previsto pelo Banco Central. No Relatório de Política Monetária (RPM) do primeiro trimestre, a autoridade monetária manteve sua projeção de alta de 1,6% para o PIB em 2026.

    Já a estimativa intermediária do Focus para o crescimento da economia brasileira em 2027 seguiu em 1,80%, pela 15ª semana consecutiva. Considerando só as 34 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, aumentou de 1,67% para 1,80%.

    As medianas para o crescimento do PIB de 2028 e 2029 permaneceram em 2,00%, pela 109ª e 56ª semana seguida, respectivamente.

    *Conteúdo elaborado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

    Focus: projeção de crescimento do PIB de 2026 segue em 1,85%

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  • Restituição do Imposto de Renda é oportunidade para quitar dívidas, dizem especialistas

    Restituição do Imposto de Renda é oportunidade para quitar dívidas, dizem especialistas

    Recomendação é usar para pagar débitos de serviços básicos e adiantar parcelas de financiamento; caso o contribuinte queira investir o valor restituído, a dica é optar por ativos de renda fixa

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A Receita Federal começa a pagar as restituições do Imposto de Renda 2026 a partir do dia 29 de maio, com expectativa de beneficiar 23 milhões de contribuintes em quatro lotes, que serão depositados entre os finais de maio e agosto.

    Para especialistas em finanças pessoais e investimentos ouvidos pela Folha de S. Paulo, o principal erro dos contribuintes é não se organizar para poder mapear onde o dinheiro será melhor empregado.

    “Quando entra na conta sem um planejamento, esse dinheiro é quase como um presente, um bônus, e não como uma quantia que em algum momento fez parte do seu salário”, diz Hellen Kato, professora da Me Poupe!, plataforma de educação financeira. “Se você não der um endereço para esse dinheiro, ele vai sumir.”

    A prioridade, segundo Kato, é aproveitar a quantia para quitar dívidas e aliviar a vida financeira.

    As dívidas prioritárias são as que podem colocar em risco algum patrimônio, serviços essenciais ou o salário do contribuinte. Exemplos disso são parcelas atrasadas do financiamento de um imóvel ou automóvel, contas de luz, água e gás em atraso e, em alguns casos, empréstimos com desconto na folha de pagamento, como o consignado.

    “Esse tipo de dívida não dá para esperar para um momento de renegociação, como feirões de limpa nome. A inadimplência, aqui, vai implicar o corte do serviço ou a perda do bem.”

    Algumas instituições financeiras, como o Banco do Brasil, já anunciaram linhas de crédito que antecipam o valor da restituição, em empréstimos com incidência de juros. Vale verificar antes se os juros e outros encargos cobrados são menores do que os da dívida atual.

    Se a vida financeira do contribuinte estiver em ordem, a segunda prioridade para os especialistas é engordar o caixa da reserva de emergência. Como o nome sugere, trata-se de um dinheiro destinado para imprevistos, desde um reparo doméstico até uma enfermidade ou uma demissão.

    O volume desse colchão financeiro depende do perfil de cada pessoa. O ideal é poupar o equivalente a seis meses do custo de vida -o que não costuma ser rápido. Mesmo pequenas quantias fazem diferença no longo prazo, diz Kato, e a restituição pode acelerar o processo.

    “A reserva de emergência é fundamental inclusive para proteger a carteira de investimentos. Caso algum imprevisto aconteça, o investidor não precisa fazer resgates antes da hora e não vai perder o rendimento da aplicação”, diz a planejadora financeira.

    A dica é colocar o dinheiro da reserva em investimentos de baixo risco e liquidez diária para mantê-la rendendo e rapidamente à mão. Rafael Winalda, especialista em renda fixa do Inter, recomenda alocações vinculadas à taxa Selic, como Tesouro Selic, no caso de títulos do governo federal, ou CDBs (Certificados de Depósito Bancário), seu equivalente no mercado privado.

    A taxa básica de juros da economia foi cortada em 0,25 ponto percentual em março para o patamar de 14,75% ao ano. Mesmo com a previsão de mais cortes ao longo do ano, a Selic mantém a atratividade.

    “Acreditamos que ela pode chegar a 12,5% em dezembro, o que significa uma Selic média em torno de 13% ao longo de 2026. Isso ainda é muita coisa”, diz Winalda.

    Caso a reserva de emergência já esteja montada ou bem encaminhada, a decisão sobre o que fazer com a restituição vai depender dos objetivos de cada pessoa. A quantia pode ser separada para outro plano de longo prazo, como a compra de um imóvel, ou mesmo para desejos de consumo.

    Para quem pretende investir o dinheiro da restituição para além da reserva de emergência, a renda fixa segue sendo a mais indicada.

    Winalda recomenda títulos de prazos maiores para investidores que já estão com a carteira montada, em especial os atrelados à inflação, como IPCA+. “Esses ativos estão com taxas muito elevadas agora, dado que o mercado está passando por um momento de estresse pela guerra no Irã”, afirma.

    Prefixados também são uma boa pedida para quem consegue tolerar as chamadas “marcações a mercado”, isto é, quando a dinâmica das operações faz o preço flutuar para cima e para baixo, causando desconforto em operadores mais conservadores. Nesses contratos, o ideal é manter a aplicação até a data de resgate para não sofrer prejuízo.

    No caso de LCIs e LCAs (letras de crédito imobiliário e do agronegócio), debêntures, CRIs e CRAs (certificados de recebíveis imobiliários e do agronegócio), crises recentes no mercado de crédito privado aumentaram a importância de avaliar os riscos.

    O investidor, diz Winalda, precisa ser criterioso sobre onde está alocando dinheiro. “Quando a Selic está alta, muitas empresas alavancadas sofrem. Temos evitado o setor de agronegócio, por exemplo, porque está apresentando dificuldades de inadimplência, e estamos preferindo empresas com boa avaliação de crédito [nas agências de classificação de risco]”, afirma.

    A ideia não é que o investidor evite esses produtos, mas que seja mais criterioso e olhe além da taxa de retorno e, nos casos de títulos incentivados, da isenção do Imposto de Renda. “Quais são os fundamentos financeiros dessa companhia? Quem são os emissores, quais são os lastros?”, diz Winalda.

    O pagamento é uma devolução de valores descontados a mais do contribuinte durante o ano anterior -no caso, 2025. Quando o IR retido na fonte supera o imposto devido no ano, o saldo é restituído pela Receita.

    As restituições do Imposto de Renda serão pagas em quatro lotes, um a cada mês, a partir de maio. O primeiro lote não tem correção monetária, pois essa atualização, feita pela Selic, começa a contar a partir do fim do prazo de entrega do IR.

    Por causa da correção, muitos contribuintes podem optar por entregar a declaração do IR mais tarde e, assim, ficar nos lotes finais. Essa não é a recomendação de Winalda.

    “Você consegue o mesmo rendimento investindo no próprio Tesouro Selic, ou até ganha um pouco mais investir em CDBs de bancos sólidos. Quanto mais cedo você conseguir receber a restituição, mais cedo você aplica e garante rendimentos maiores”, afirma.

    VEJA O CALENDÁRIO DE PAGAMENTO DA RESTITUIÇÃO DO IR 2026

    Lote – Data de pagamento
    1º lote – 29 de maio
    2º lote – 30 de junho
    3º lote – 31 de julho
    4º lote – 31 de agosto

    Serão quatro lotes:

    O dinheiro é depositado na conta informada ao declarar o IR ou por meio do Pix, desde que a chave seja o CPF do contribuinte.

    QUAL É A ORDEM DE PRIORIDADE DA RESTITUIÇÃO?

    • O pagamento segue uma ordem de prioridade. Em caso de empate, o critério de desempate será a data e o horário do envio da declaração.
    • Quem entregou mais cedo terá vantagem. Veja a ordem de prioridade:
    • Idoso com 80 anos ou mais
    • Idoso com 60 anos ou mais, e pessoa com deficiência e com doença grave
    • Contribuintes cuja maior fonte de renda é o magistério
    • Contribuintes que usaram a declaração pré-preenchida e optaram por receber a restituição por Pix
    • Contribuintes que usaram a declaração pré-preenchida ou optaram por receber a restituição por Pix
    • Demais contribuintes

    Restituição do Imposto de Renda é oportunidade para quitar dívidas, dizem especialistas

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  • Receita anuncia maior lote já registrado; confira quem recebe

    Receita anuncia maior lote já registrado; confira quem recebe

    Receita divulga regras, calendário e critérios de prioridade para os pagamentos; primeiro lote será liberado em maio, e contribuintes já podem se preparar para verificar se vão receber e evitar pendências no cadastro

    A Receita Federal anunciou a liberação do maior lote de restituição do Imposto de Renda já registrado no país. Ao todo, R$ 16 bilhões serão pagos na primeira etapa de 2026, beneficiando milhões de contribuintes logo no início do calendário oficial,  em 29 de maio.

    O volume expressivo representa um reforço importante no orçamento de muitas famílias, especialmente em um cenário de pressão financeira. O valor também reflete avanços no processamento das declarações e a priorização de quem entregou o documento dentro do prazo e sem inconsistências.

    O pagamento do primeiro lote segue critérios definidos por lei. Têm prioridade idosos com mais de 60 anos, com destaque para aqueles acima de 80, pessoas com deficiência ou doenças graves e professores cuja principal fonte de renda seja o magistério. Também ganham vantagem os contribuintes que utilizaram a declaração pré-preenchida ou optaram por receber a restituição via Pix, com chave CPF.

    Para quem não se enquadra nesses grupos, a ordem de envio da declaração é determinante. Ou seja, quanto mais cedo o contribuinte entregou o documento, maiores são as chances de receber nos primeiros lotes.

    O calendário de pagamentos da restituição em 2026 foi dividido em cinco etapas. O primeiro lote será pago em 29 de maio, seguido por depósitos em 30 de junho, 31 de julho, 31 de agosto e 30 de setembro.

    A consulta para saber se o valor será liberado pode ser feita nos canais oficiais da Receita Federal, como o site institucional, o sistema e-CAC e o aplicativo Meu Imposto de Renda. Normalmente, a verificação fica disponível cerca de uma semana antes de cada pagamento.

    Mesmo com a liberação dos valores, alguns fatores podem atrasar o recebimento. Entre eles estão erros na declaração que levam o contribuinte à malha fina, dados bancários incorretos ou pendências cadastrais. Nesses casos, o pagamento não é feito automaticamente e o valor pode ser resgatado posteriormente, geralmente por meio do Banco do Brasil.

    Para evitar problemas, a recomendação é revisar todas as informações antes do envio da declaração, optar pela versão pré-preenchida, escolher o Pix como forma de recebimento e acompanhar regularmente a situação junto à Receita.

    Receita anuncia maior lote já registrado; confira quem recebe

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  • Durigan evita reforçar críticas do governo e PT a Galípolo e diz que não haverá ajuda ao BRB

    Durigan evita reforçar críticas do governo e PT a Galípolo e diz que não haverá ajuda ao BRB

    Ministro evita criticar presidente do Banco Central, defende medidas fiscais do governo e descarta ajuda federal ao BRB em meio a crise; declarações ocorrem após pressão política sobre atuação da autoridade monetária e investigação envolvendo o Banco Master

    Após críticas nos bastidores do governo e do PT à postura recente do Banco Central, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, evitou avaliar diretamente a atuação do presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo. “Eu não vou comentar o papel do BC porque tem a sua competência”, disse. Ainda assim, afirmou que, “do lado da Fazenda”, há decisões “colocando na mesa” para reforçar o ajuste fiscal, citando “reforma tributária”, a revisão do Perse e “corte linear de 10% nos benefícios tributários”. As declarações foram dadas em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo.

    O Palácio do Planalto e o PT intensificaram críticas a Galípolo após o depoimento do presidente do BC à CPI do Crime Organizado, na quarta-feira (8). Na ocasião, ele afirmou não haver indícios de responsabilidade de seu antecessor, Roberto Campos Neto, no caso Master, contrariando a estratégia governista de associar as fragilidades da instituição à gestão de Jair Bolsonaro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a se referir ao Master como “ovo da serpente” de Bolsonaro e Campos Neto.

    Na entrevista, Durigan manteve um tom técnico. O ministro afirmou que “o fiscal não é motivo” para o Banco Central “colocar o pé no freio” e disse adotar uma postura de “cautela”, com o compromisso de não repetir o cenário de 2022. “Não vamos deixar pauta-bomba do Executivo para as próximas gestões, como aconteceu em 2022. Não vamos repetir esse cenário para 2027”, declarou. Ele acrescentou que o governo não está adiando temas como precatórios e Fundeb, nem “tirando IPI ou IOF do próximo governo”.

    Questionado sobre duas vagas em aberto na diretoria do Banco Central, Durigan afirmou que ainda não discutiu o tema com o presidente Lula. “Não tive a oportunidade de tratar com o presidente Lula sobre isso”, disse.

    Sobre a situação do BRB, o ministro afirmou que a orientação do governo é de que “não deve haver ajuda federal” e reforçou que a responsabilidade recai sobre o governo do Distrito Federal, acionista da instituição.

    “A orientação é que não deve haver ajuda federal. Os bancos federais, atuando como bancos, podem avaliar o interesse em comprar carteira, operação, imóvel. Os bancos privados estão avaliando. O que a gente não pode perder de vista é que a responsabilidade é do governo do Distrito Federal, acionista do BRB”, afirmou.

    Em meio a uma nova crise de liquidez, o BRB negocia a venda de ativos herdados do Banco Master por R$ 15 bilhões e busca um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e a outras instituições financeiras para cobrir o rombo deixado pela gestão de Daniel Vorcaro.

     

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    Durigan evita reforçar críticas do governo e PT a Galípolo e diz que não haverá ajuda ao BRB

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  • Governo vai implantar sistema de chamadas verificadas contra fraudes telefônicas

    Governo vai implantar sistema de chamadas verificadas contra fraudes telefônicas

    A ferramenta será capaz de indicar se uma ligação telefônica partiu ou não de uma origem confiável (por exemplo, um banco), mesmo nos casos em que golpistas conseguem mascarar o número real do chamador para fingir que o contato partiu de um telefone idôneo e ligado aos contatos do usuário

    (FOLHAPRESS) – O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai implementar um sistema que permitirá a verificação de chamadas contra fraudes telefônicas para evitar a aplicação de golpes e exposição indevida de informações sensíveis dos cidadãos.

    A ferramenta será capaz de indicar se uma ligação telefônica partiu ou não de uma origem confiável (por exemplo, um banco), mesmo nos casos em que golpistas conseguem mascarar o número real do chamador para fingir que o contato partiu de um telefone idôneo e ligado aos contatos do usuário.

    O projeto é desenvolvido pelo CPQD (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações) com recursos do Funttel (Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações), vinculado ao Ministério das Comunicações.

    O investimento é calculado em R$ 16,82 milhões até 2028. A implementação será gradual e depende de testes a serem realizados em parceria com as operadoras de telefonia.

    A gerente de soluções blockchain do CPQD, Andreza Lona, afirma que o objetivo é aumentar a segurança e a privacidade dos usuários a partir de uma tecnologia que permita comprovar sua identidade de forma descentralizada, sem a necessidade de armazenar informações pessoais em grandes bancos de dados -muitos deles alvos de hackers para posterior vazamento e venda de informações.

    Emissores de confiança, como órgãos de governo, empresas de telefonia ou instituições bancárias, fornecerão credenciais digitais ao cidadão, que passarão por uma validação na hora de acessar um serviço ou receber uma chamada. Essas credenciais digitais vão funcionar como uma chave de acesso, formulada a partir de métodos mais seguros e menos suscetíveis a fraudes.

    “A origem de uma ligação poderia ser comprovada não só com o número [de quem fez a chamada], mas com uma prova criptográfica”, afirma Lona. A prova criptográfica é feita por meio de algoritmos matemáticos para garantir a integridade e autenticidade de informações digitais.

    Segundo ela, a tecnologia poderá ser empregada até mesmo em ligações por aplicativos como WhatsApp.

    O pesquisador Ismael Ávila, que trabalha na área de soluções blockchain do CPQD, diz que a tecnologia vai permitir que os aplicativos dos bancos instalados em um celular possam incorporar as credenciais para validar ou não as ligações.

    “A credencial vai falar se é uma chamada verificada criptograficamente ou não. Se vem uma chamada de origem fraudulenta que alega ser do banco, não vai ser validada”, afirma.

    Sem a verificação, afirma Ávila, as pessoas correm o risco de atender uma chamada e cair em uma fraude com engenharia social -quando os golpistas usam informações verídicas ou simulam elementos de um ambiente real (como ruídos de um call center) para tentar inspirar confiança e fisgar as vítimas. Para tentar se defender disso, muitos cidadãos recusam até mesmo ligações legítimas, que poderiam ser de seu interesse.

    Hoje, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) já oferece o serviço Origem Verificada, que garante às empresas registradas um selo de autenticidade parecido com o que as redes sociais adotam. No entanto, sua cobertura ainda é parcial, já que a adesão será obrigatória apenas em 2028.

    Além disso, a tecnologia empregada deixa algumas brechas, como em chamadas vindas de gateways (portas de entrada) internacionais, redes não integradas ou que passam por equipamentos mais antigos. Por isso, golpistas ainda conseguem adulterar o número de telefone de quem está ligando para se fazer passar por companhias idôneas (técnica conhecida como spoofing).

    A solução do CPQD, segundo os pesquisadores, vai permitir provar a identidade do chamador em qualquer canal e indicar o propósito da ligação. Além disso, em caso de problemas, as credenciais podem ser revogadas.

    O projeto começou a ser desenvolvido em dezembro de 2025 e terá duração de três anos.

    OUTROS USOS

    A ferramenta também abre caminho para outros usos, como revogar uma credencial de acesso à internet em caso de perda, furto ou roubo de celular. Essa seria uma função complementar ao programa Celular Seguro, lançado pela Anatel e pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e que já permite o bloqueio do aparelho para chamadas e uso de rede de dados móveis.

    “Celulares furtados não podem ser usados para chamadas, o Celular Seguro bloqueia rapidamente. Só que os bandidos usam esse celular para acessar a rede Wi-Fi e, com isso, muitas vezes conseguem acessar redes sociais da pessoa que era dona do celular, sequestram redes, exigem bitcoin”, afirma Ávila.
    Outra função é permitir a validação de informações do cidadão sem que ele precise compartilhar dados pessoais.

    Lona dá como exemplo uma situação em que alguém precise comprovar ser maior de 18 anos. A credencial vai permitir que isso seja verificado sem obrigar a pessoa a divulgar sua idade ou data de nascimento.

    Em outro caso, um cidadão que esteja em busca de financiamento poderia obtê-lo sem dizer exatamente qual é seu salário ou compartilhar sua declaração de Imposto de Renda, que contém outras informações, como patrimônio ou gastos com saúde e educação. Neste caso, a Receita Federal poderia ser uma emissora confiável de credencial de faixa de renda.

    O escopo final do projeto será definido pelo próprio apetite das operadoras e demais instituições.

    O secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, Hermano Tercius, afirma que a tecnologia vai permitir a descentralização de informações que hoje, para serem validadas, ficam armazenadas em bases de dados unificadas, o que facilita grandes vazamentos.

    “Você recebe seu certificado, não precisa de intermediário. Não gera risco de grandes vazamentos, pois seria necessário fraudar o celular de cada usuário”, diz.
    *
    ENTENDA O NOVO SISTEMA

    Como vai funcionar?
    O projeto prevê a emissão de credenciais digitais verificáveis e descentralizadas, baseadas em padrões internacionais de internet. Órgãos de governo, empresas de telefonia ou instituições bancárias poderão fornecê-las ao cidadão, que as manterá em sua carteira digital no celular. Elas serão validadas na hora de acessar um serviço público ou receber uma chamada.

    O que é uma credencial digital verificável?
    É um documento eletrônico que comprova determinada informação sobre uma pessoa ou empresa. Possui uma assinatura criptográfica que pode ser validada para comprovar a origem.

    Como essa tecnologia pode coibir as fraudes telefônicas?
    O aplicativo do banco instalado no celular do correntista poderá carregar uma credencial e habilitar a validação das ligações recebidas. A chamada será então submetida a uma prova criptográfica: algoritmos matemáticos são usados para ler uma espécie de assinatura que só o banco será capaz de prover às chamadas e, assim, garantir a integridade e autenticidade das informações.

    O que é o spoofing e como esse sistema contribui para evitá-lo?
    O spoofing ocorre quando golpistas conseguem mascarar a real origem de uma ligação para se passar por fontes confiáveis. No visor aparece o número real do banco, mas se trata apenas de uma máscara para disfarçar a fraude.
    As credenciais não evitam diretamente a adulteração do número do chamador, mas alertam que a origem não é o banco, uma vez que a ligação não será aprovada na prova criptográfica.

    Que outras aplicações essa tecnologia terá?
    Será possível revogar credencial de uso de internet em caso de roubo ou furto de celular, para evitar que os bandidos acessem a rede Wi-Fi.
    As credenciais também darão acesso a serviços, evitando o compartilhamento de dados pessoais sensíveis com terceiros. Por exemplo, o cidadão poderá comprovar renda sem informar exatamente seu salário. A técnica usada é conhecida como “prova de conhecimento zero”: uma parte demonstra à outra que uma afirmação é verdadeira sem revelar o dado em si. É algo crucial numa tecnologia blockchain.

    O que é blockchain?
    É uma tecnologia de armazenamento distribuído de dados digitais, com o objetivo de garantir a validade de registros e transações. As informações são organizadas em blocos encadeados sequencialmente, criando um sistema distribuído de registros, que não ficam armazenados em um único servidor. Se um bloco é alterado, a inconsistência é facilmente detectável na cadeia. Por isso, o sistema dificulta adulterações.

    Governo vai implantar sistema de chamadas verificadas contra fraudes telefônicas

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  • Trabalhador poderá sacar até 20% do FGTS para pagar dívidas, diz ministro da Fazenda

    Trabalhador poderá sacar até 20% do FGTS para pagar dívidas, diz ministro da Fazenda

    Secretário da Fazenda detalha plano para liberar saque do FGTS, renegociar dívidas com desconto de até 90% e ampliar crédito a famílias e informais; governo aposta em juros menores e nega caráter eleitoral nas medidas

    (FOLHAPRESS) – À frente do Ministério da Fazenda há menos de um mês, Dario Durigan afirmou em entrevista à Folha que trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos, o equivalente a R$ 8.105, poderão sacar até 20% do saldo do FGTS, o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, para quitar dívidas.

    A medida pode liberar cerca de R$ 7 bilhões e integra um programa mais amplo de renegociação, que prevê descontos concedidos pelos bancos e garantia do governo para refinanciamento do saldo restante, com juros menores. O pacote, uma demanda do presidente Lula, também deve incluir linhas de crédito para caminhoneiros, motoristas de aplicativo e taxistas, além de apoio a setores como construção civil e fertilizantes. Durigan nega caráter eleitoral nas ações. “A gente está lidando com os problemas concretos.”

    Ele também afirmou que o atual governo deixará uma situação econômica mais equilibrada. “Não estamos deixando nenhuma bomba amarrada.”

     
    Folha – A pauta do governo no momento são as medidas para reduzir o endividamento. O cenário é preocupante?

    Dario Durigan – Depois do primeiro Desenrola, teve o começo de corte da Selic, em agosto de 2023, e uma queda do endividamento. No fim de 2024 e durante 2025, a relação é diretamente proporcional entre o aumento da taxa de juros e o endividamento das famílias, dos informais, das pequenas empresas e das grandes. O importante para as pessoas é que elas tomem crédito sustentável. A expectativa é que a gente dê um estímulo agora nessa virada de chave e deixe medidas estruturantes. Vai ter uma limitação na possibilidade de essa pessoa continuar jogando nas bets, uma espécie de quarentena para quem aderir.

    Folha – Por quanto tempo?

    Dario Durigan – O presidente vai arbitrar. A gente tem trabalhado com um prazo de seis meses.

    Folha – Quais serão as ferramentas de estímulo?

    Dario Durigan – Não há gasto público direto. A ideia é que as próprias instituições financeiras façam uma redução da dívida e haja um refinanciamento com uma taxa de juros menor. E aí entra o governo garantindo a inadimplência eventual nessa segunda operação. O governo não vai pagar a dívida das pessoas, mas vai garantir de modo que os bancos façam uma taxa de juros menor. E a gente vai usar o FGO para isso.

    Folha – As pessoas também vão poder fazer um saque extraordinário no FGTS para pagar dívidas mais caras. Como vai funcionar?

    Dario Durigan – Tem duas discussões. O ministro Luiz Marinho identificou uma interpretação inconsistente da Caixa em relação à devolução que já foi feita para as pessoas demitidas e que fizeram a opção do saque-aniversário com consignado. Para corrigir essa interpretação, seria uma devolução de R$ 7 bilhões. A segunda medida envolve um saque limitado do FGTS. O que estamos discutindo? Quanto a gente pode limitar esse saque sem comprometer a sustentabilidade do fundo.

    Folha – Esse limite está em qual faixa?

    Dario Durigan – A gente tem trabalhado com um limite de 20% de saque da conta individual. É o número que está sendo discutido e que tem um impacto contido no fundo.

    Folha – Todos os trabalhadores terão acesso?

    Dario Durigan – Os trabalhadores que ganhem até cinco salários mínimos e que fizerem jus às demais regras. Quem ganha até cinco salários mínimos representa 92% dos brasileiros. Acima disso, tem muito menos gente e dívidas maiores. Não deveríamos mobilizar fundos ou opções de saque para esses casos.

    Folha – O desconto vai ser de quanto?

    Dario Durigan – Espero que de até 90%. Um exemplo: tem uma dívida de R$ 10 mil a juros de 8% ao mês. É impagável. Dá-se um desconto de 90%, fica com uma dívida de R$ 1.000. E, com a garantia do FGO, essa dívida pode ser rolada a 2% ou 2,5% ao mês. Muito menor e pagável. Vamos ter que exigir um desconto mínimo.

    Folha – Vai ter limite de juros?

    Dario Durigan – Como vai ter garantia pública, acho importante ter um juro pactuado ou limitado.

    Folha – Quantas pessoas serão atendidas?

    Dario Durigan – Temos uma expectativa de atender a mais de 30 milhões de pessoas.

    Folha – Quanto isso vai tirar do fundo?

    Dario Durigan – A gente não vai comprometer a sustentabilidade nem as políticas financiadas pelo fundo. Vamos fazer de maneira bem limitada e opcional. Nossa estimativa é por volta de R$ 7 bilhões.

    Folha – Após o Desenrola, houve aumento da inadimplência. O programa fracassou?

    Dario Durigan – Não, ao contrário. O Desenrola cumpriu seu papel. O que a gente viu foi um novo endividamento depois, com juros mais altos. Agora, com expectativa de queda da taxa, é preciso dar condições melhores às famílias.

    Folha – E para as empresas?

    Dario Durigan – O programa tem três frentes. As famílias, os informais e as pequenas empresas. Os informais terão uma linha garantida, porque tomam crédito mais caro.

    Folha – Como será essa linha?

    Dario Durigan – Vamos refinanciar dívidas dos informais, que muitas vezes não têm garantia de renda ou patrimônio. O FGO também vai ajudar a reduzir os juros.

    Folha – Qual é a lógica dessas medidas? Economia ou política?

    Dario Durigan – É uma avaliação econômica do que pode estar disfuncional no país. O endividamento das famílias é preocupante, e estamos enfrentando isso.

    Folha – Há críticas de que seria um pacote eleitoral.

    Dario Durigan – Não se trata de uma questão eleitoral. A gente está lidando com problemas concretos.

    Folha – Haverá medidas para combustíveis?

    Dario Durigan – Não. Vamos aguardar até o fim de maio para uma reavaliação.

    Folha – E a suspensão do imposto de exportação?

    Dario Durigan – É uma medida absurda. A gente recorreu e vai até onde for preciso.

    Folha – O Congresso pode aprovar pautas que aumentam gastos. Há preocupação?

    Dario Durigan – Sim. Estamos enfrentando uma situação de guerra. Esse esforço fiscal não pode ser desviado.

    Folha – O cenário econômico preocupa?

    Dario Durigan – A parte da Fazenda está sendo feita. Estamos garantindo equilíbrio fiscal.

    Folha – E o Banco Central?

    Dario Durigan – Eu não vou comentar o papel do BC. Mas do nosso lado, estamos fortalecendo o fiscal com reformas e cortes.

    Folha – O governo deixará problemas para o próximo mandato?

    Dario Durigan – Não. Não estamos deixando nenhuma bomba amarrada dentro do governo.
     
     
     

    RAIO-X

    Dario Durigan, 41
    Formado em direito pela USP (Universidade de São Paulo). Atuou como assessor na subchefia de Assuntos Jurídicos da Casa Civil no governo Dilma Rousseff (PT). Foi diretor de políticas públicas do WhatsApp entre 2020 e 2023, quando assumiu a secretaria-executiva do Ministério da Fazenda. Desde 20 de março, é ministro da Fazenda, sucedendo Fernando Haddad.

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