Categoria: ECONOMIA

  • Novas tarifas de Trump poupam 46% das exportações do Brasil aos EUA

    Novas tarifas de Trump poupam 46% das exportações do Brasil aos EUA

    As mudanças ocorrem após decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que derrubou as chamadas tarifas recíprocas impostas por Trump; aeronaves ficam isentas; 25% das vendas ao país terão taxa de 10%

    O novo regime tarifário dos Estados Unidos deve poupar 46% dos produtos brasileiros exportados ao país, informou nesta terça-feira (24) o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Entre os itens beneficiados estão as aeronaves, que passam a ter alíquota zero para ingresso no mercado estadunidense.

    As mudanças ocorrem após decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que derrubou as chamadas tarifas recíprocas impostas pelo governo do presidente Donald Trump com base em legislação de emergência nacional.

    Em nota, o ministério informou que, com a nova ordem executiva publicada em 20 de fevereiro, cerca de 46% das exportações brasileiras aos EUA (US$ 17,5 bilhões) ficam sem qualquer sobretaxa adicional.

    Outros 25% (US$ 9,3 bilhões) passam a estar sujeitos à tarifa global de 10%. Aplicado com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, o percentual pode subir para 15% conforme o governo estadunidense.

    Já 29% das exportações (US$ 10,9 bilhões) continuam submetidas às tarifas setoriais previstas na chamada Seção 232, mecanismo aplicado de forma linear a diversos países com base em argumentos de segurança nacional, como no caso de aço e alumínio.

    Antes das alterações, aproximadamente 22% das exportações brasileiras estavam sujeitas a sobretaxas de até 40% ou 50%.

    Aeronaves

    Uma das principais mudanças é a exclusão das aeronaves da incidência das novas tarifas. O produto passa a ter alíquota zero, contra tributação anterior de 10%.

    Segundo o Mdic, as aeronaves foram o terceiro principal item da pauta exportadora brasileira para os Estados Unidos em 2024 e 2025, com elevado valor agregado e conteúdo tecnológico.

    Setores beneficiados

    Além das aeronaves, o ministério avalia que o novo regime amplia a competitividade de diversos segmentos industriais brasileiros no mercado norte-americano.

    Entre os setores beneficiados estão:

    Máquinas e equipamentos;

    Calçados;

    Móveis;

    Confecções;

    Madeira;

    Produtos químicos;

    Rochas ornamentais.

    Esses produtos deixam de enfrentar tarifas de até 50% e passam a competir sob alíquota isonômica (igual para todos os países) de 10%, ou eventualmente 15%.

    No setor agropecuário, pescados, mel, tabaco e café solúvel também saem da alíquota de 50% para a tarifa geral de 10% (ou eventuais 15%).

    Comércio bilateral

    Em 2025, a corrente de comércio entre Brasil e Estados Unidos somou US$ 82,8 bilhões, alta de 2,2% sobre 2024. As exportações brasileiras totalizaram US$ 37,7 bilhões, enquanto as importações atingiram US$ 45,1 bilhões, gerando déficit comercial de US$ 7,5 bilhões para o Brasil.

    O Mdic ressalta que os dados foram estimados com base nas exportações para os Estados Unidos no ano passado. Segundo a pasta, os cálculos podem sofrer variações conforme critérios técnicos de classificação tarifária e destinação específica dos produtos.

    Exportações brasileiras aos EUA (2025)

     Categoria  bilhões   participação
     Sem sobretaxas  17,496  46%
     Sujeitos à tarifa de 10% (ou 15%) – Seção 122   9,248  25%
     Sujeitos a tarifas setoriais (10% a 50%) – Seção 232   10,938  29%
     Total geral   37,682  100%

    Fonte: Mdic

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  • Dólar cai para R$ 5,15, menor valor em dois anos, com tarifas dos EUA em foco; Bolsa renova recorde

    Dólar cai para R$ 5,15, menor valor em dois anos, com tarifas dos EUA em foco; Bolsa renova recorde

    Em uma sessão marcada pela implementação da nova política tarifária do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o mercado de câmbio foi embalado por cautela. A alíquota estipulada pelo governo norte-americano foi de 10%, segundo aviso emitido pela CBP (Alfândega e Proteção de Fronteiras, na sigla em inglês), e não de 15%, como anunciado por Trump no sábado.

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar reverteu os ganhos do início das negociações desta terça-feira (24) e fechou em queda de 0,26%, a R$ 5,154, renovando a mínima em quase dois anos.

    Em uma sessão marcada pela implementação da nova política tarifária do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o mercado de câmbio foi embalado por cautela. A alíquota estipulada pelo governo norte-americano foi de 10%, segundo aviso emitido pela CBP (Alfândega e Proteção de Fronteiras, na sigla em inglês), e não de 15%, como anunciado por Trump no sábado.

    A imposição de uma taxa mais baixa gerou confusão entre os agentes econômicos, e nenhuma explicação foi fornecida pelas autoridades americanas. Passada a cautela inicial, que levou o dólar ao pico de R$ 5,184, a moeda perdeu força e passou a refletir o maior apetite por risco por parte dos investidores globais.

    Na mínima do dia, chegou a R$ 5,142. A última vez em que o dólar rondou esse patamar foi em 28 de maio de 2024, quando esteve cotado a R$ 5,160.

    O apetite por risco também se traduziu no desempenho da Bolsa brasileira, que fechou em forte alta de 1,39%, a 191.490 pontos. Trata-se de um novo recorde para o Ibovespa, acima dos 191 mil pontos no fechamento pela primeira vez na história. Na máxima do dia, chegou a 191.780, nova marca durante o período de negociações.

    “Diante da diminuição da alíquota, temos visto valorizações de moedas e de ações de mercados emergentes. É um cenário de apetite por risco que tende a favorecer, principalmente, economias com juros mais altos e retornos atrativos, como o Brasil”, diz Lucca Bezzon, analista de inteligência de mercado da StoneX.

    Em meio ao fluxo de capital para emergentes, operadores aguardam mais informações sobre a alíquota final. O Deutsche Bank, em nota, lembrou os clientes de que Trump fará um discurso às 23h (horário de Brasília) e possivelmente indicará os próximos passos da política comercial dos Estados Unidos.

    A nova taxa é uma reação à decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, que considerou as tarifas anunciadas no “Dia da Libertação” ilegais. O tarifaço anterior tinha como base jurídica a IEEPA -Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional-, que permitia a aplicação de sobretaxas de importação a todos os países sem aprovação do Congresso.

    Os juízes discordaram que a lei, criada em 1977 para situações de emergência, de fato concedia ao presidente esse poder. O placar da decisão foi de 6 votos a 3.

    A nova carga tarifária se ampara, dessa vez, em um dispositivo de 1974. A seção 122 dá a Trump poder para impor temporariamente taxas de até 15% sobre importações quando houver déficits significativos na balança de pagamentos.

    Nesse caso, a taxação expira em 150 dias, a menos que o Congresso aprove uma extensão. O governo trabalhará na emissão de tarifas “legalmente admissíveis” no paralelo, afirmou Trump.

    A cobrança coloca em dúvida os acordos negociados recentemente pelos EUA com parceiros comerciais, já que a nova tarifa pode se sobrepor aos termos já estabelecidos. Na segunda, Trump advertiu países contra algum recuo nos entendimentos, dizendo que, se o fizerem, ele adotará tarifas muito mais altas sob diferentes leis comerciais.

    O Japão solicitou aos Estados Unidos que garantam que seu tratamento sob um novo regime tarifário seja tão favorável quanto no acordo existente. Tanto a União Europeia quanto o Reino Unido indicaram que desejam manter os acordos já firmados.

    Carsten Brzeski, chefe global de macroeconomia do ING, observou que, mesmo com o limite de 150 dias do atual conjunto de medidas, a incerteza comercial provavelmente não desaparecerá tão cedo.
    “Porque teoricamente a próxima coisa que Trump poderia fazer é, com a interrupção de um dia, sempre renovar indefinidamente por mais 150 dias”, disse ele.

    A China, por sua vez, instou Washington a abandonar suas “tarifas unilaterais”, sinalizando que está disposta a realizar outra rodada de negociações.

    Em meio às dúvidas sobre o cenário, o dólar ganhou terreno ante o iene, o euro e a libra. O índice DXY, que o compara a uma cesta de seis moedas fortes, avançou 0,13%, a 97,87 pontos.

    No Brasil, porém, o cenário é outro. Há uma leitura de que as novas tarifas podem ser benéficas ao país, já que são significativamente menores do que a carga que antes incidia sobre alguns produtos brasileiros.

    Essa visão aumenta a atratividade do mercado nacional, já beneficiado pelo fluxo de investidores estrangeiros para praças emergentes.

    “Sob a ótica técnica, a cotação ainda rompeu o suporte em R$ 5,20, faixa que concentrava posições compradas relevantes. A perda desse nível desencadeou ajustes de portfólio e amplificou o movimento de apreciação do real, com redução tática de exposição à moeda americana”, diz Jaqueline Neo, especialista de câmbio e crédito da be.smart.

    Já o Ibovespa se recuperou da queda da véspera. “As tensões envolvendo as negociações entre Estados Unidos e Irã voltaram a puxar o petróleo para cima e Petrobras está acompanhando o ritmo, empurrando o Ibovespa. O setor bancário avança após um pregão de realizações na segunda, e há ainda o fluxo de estrangeiros para o mercado brasileiro, o que colabora para que o dólar siga se desvalorizando”, diz Rodrigo Moliterno, chefe de renda variável da Veedha Investimentos.

    Praças europeias fecharam em estabilidade, como o DAX e o FTSE, e Wall Street avançou, com os principais índices embalados por ações de tecnologia. A Anthropic anunciou dez novas ferramentas de inteligência artificial, impulsionando o setor.

    Dólar cai para R$ 5,15, menor valor em dois anos, com tarifas dos EUA em foco; Bolsa renova recorde

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  • Países com as maiores jornadas de trabalho: O Brasil está no topo da lista?

    Países com as maiores jornadas de trabalho: O Brasil está no topo da lista?

    O ranking de quem trabalha mais e menos!

    A maioria de nós sente que trabalha demais e que os fins de semana não são longos o suficiente. Mas como se compara a sua carga de trabalho com a de pessoas em outros países? A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) acompanha dados que ajudam a calcular a média anual de horas trabalhadas em diferentes países para comparar tendências ao longo do tempo. A OCDE define a média anual de horas trabalhadas como o número total de horas efetivamente trabalhadas por ano dividido pelo número médio de pessoas empregadas por ano, excluindo o tempo não trabalhado devido a feriados, férias remuneradas, doença e outros motivos.

    Clique na galeria para ver os países que trabalham mais e menos. Como será que está o Brasil?

    Países com as maiores jornadas de trabalho: O Brasil está no topo da lista?

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  • Fim da escala 6×1 elevaria custos das empresas em até R$ 267,2 bi por ano, diz levantamento da CNI

    Fim da escala 6×1 elevaria custos das empresas em até R$ 267,2 bi por ano, diz levantamento da CNI

    Os gastos podem ser menores ou maiores a depender da estratégia adotada: se contratação de pessoal -o que custa mais- ou pagamento de horas extras. Neste último cenário, a alta de despesas chegaria a R$ 178,2 bilhões por ano. O impacto percentual na indústria seria de 11,1%, com elevação de custos entre R$ 87,8 bilhões no primeiro cenário e R$ 58,5 bilhões no segundo.

    CRISTIANE GERCINA
    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O fim da escala 6×1 -seis dias de trabalho e um de descanso- elevaria os custos das empresas brasileiras em até R$ 267,2 bilhões por ano, segundo levantamento da CNI (Confederação Nacional da Indústria). O montante equivale a 7% da folha de pagamento e leva em conta redução da jornada de 44 para 40 horas semanais.

    Os gastos podem ser menores ou maiores a depender da estratégia adotada: se contratação de pessoal -o que custa mais- ou pagamento de horas extras. Neste último cenário, a alta de despesas chegaria a R$ 178,2 bilhões por ano. O impacto percentual na indústria seria de 11,1%, com elevação de custos entre R$ 87,8 bilhões no primeiro cenário e R$ 58,5 bilhões no segundo.

    A PEC (proposta de emenda à Constituição) diminuindo a jornada de trabalho foi aprovada em comissão do Senado no final do ano passado. O projeto propõe queda escalonada. A jornada cairia de 44 para 40 horas semanais no ano seguinte à promulgação e haveria corte de uma hora por ano até chegar a 36 horas semanais.

    Dentre os setores com maior impacto estão a indústria da construção e as micro e pequenas empresas industriais. No cenário com reposição por horas extras, companhias com até nove empregados teriam aumento de R$ 6,8 bilhões nos custos com pessoal, alta de 13%, enquanto nas empresas com 250 funcionários ou mais a alta seria de R$ 41,3 bilhões (9,8%).

    No cenário com novas contratações, o impacto ficaria em R$ 4,5 bilhões no ano, alta de 8,7% nas menores, e R$ 27,5 bilhões, aumento de 6,6%, nas maiores. Segundo a CNI, a menor capacidade de ampliar equipes torna esse grupo mais vulnerável.

    Entre os setores industriais, a construção lidera o aumento de custos. A projeção é de uma alta de 13,2%, com despesas extras de R$ 19,4 bilhões, seguida pela indústria de transformação (11,6%), pelos serviços industriais de utilidade pública (5,7%) e pela indústria extrativa (4,7%).

    Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, mudanças na jornada exigem debate técnico e cautela, pois podem afetar a competitividade da indústria, o emprego formal e o crescimento econômico, além de terem efeitos maiores ou menores conforme o tamanho da empresa e as diferenças regionais do país.

    “Esses dados, combinados com as análises que estamos fazendo sobre o tema, mostram que o mais provável é que a produção seja reduzida e o custo unitário do trabalho aumente, trazendo pressão de custos e perda de competitividade das empresas nacionais”, diz Alban.

    Em nota técnica, a confederação afirma que independentemente da estratégia adotada para a manutenção das horas trabalhadas, além do custo direto com mão de obra, a economia sentirá elevação nos preços de insumos e contratos de serviços usados no processo produtivo.

    A nota diz ainda que haverá impacto direto na produtividade, em um mercado afetado pela escassez de mão de obra. As empresas levariam tempo para fazer o recrutamento, treinar e selecionar novos empregados, levando a redução do volume de produção, elevação do custo do trabalho por profissional e queda da produtividade.

    “A combinação desses fatores deteriora a competitividade das empresas, tanto no mercado interno quanto frente à concorrência internacional, resultando em retração da atividade econômica e aumento do risco de fechamento de empresas”, diz o texto.

    Estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa em Economia Aplicada) demonstrou que haverá alta de custo de 7,84% para as empresas com o fim da escala 6×1 e a adoção da jornada de trabalho de 40 horas semanais. Os impactos seriam absorvidos pela economia, como ocorreram em situações como o reajuste real do salário mínimo e a queda da jornada de 48 para 44 horas semanais na Constituição de 1988.

    Pesquisadores ouvidos pela Folha apontam que a medida pode afetar o PIB (Produto Interno Bruto) e trazer fechamento de postos de trabalhos. Outros levantamentos, porém, afirmam que não haveria impactos significativos, a exemplo do que ocorreu em 1988.
    Os empresários preparam uma contraofensiva no Congresso para tentar barrar o avanço da PEC.

    VEJA OS SETORES MAIS AFETADOS
    Os maiores impactos percentuais estimados foram:
    – Indústria da construção: alta de 8,8% a 13,2%
    – Comércio: entre 8,8% e 12,7%
    – Indústria de transformação: de 7,7% a 11,6%
    – Agropecuária: de 7,7% a 13,5%

    Fim da escala 6×1 elevaria custos das empresas em até R$ 267,2 bi por ano, diz levantamento da CNI

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  • Senado vai insistir para ouvir Daniel Vorcaro em comissão na próxima terça

    Senado vai insistir para ouvir Daniel Vorcaro em comissão na próxima terça

    A defesa de Daniel Vorcaro teria sugerido outras possibilidades de contato com a CAE, como uma participação por videoconferência ou uma reunião em São Paulo, com o deslocamento dos senadores para lá.

    FERNANDA BRIGATTI
    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado fará uma nova tentativa de ouvir o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, na próxima terça-feira (3). Segundo o presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL), já está definido que Vorcaro vai a Brasília em voo comercial.

    “Ele definiu ontem que, ficando para a próxima semana, vai providenciar rapidamente a logística, a aquisição da passagem em voo comercial, a questão do transporte, da custódia, tudo isso”, disse Renan nesta terça (24). A CAE tem um grupo de trabalho dedicado a acompanhar as investigações do caso.

    A defesa de Daniel Vorcaro teria sugerido outras possibilidades de contato com a CAE, como uma participação por videoconferência ou uma reunião em São Paulo, com o deslocamento dos senadores para lá. Essas opções também haviam sido apresentadas à CPI mista do INSS, mas o senador Carlos Viana (Podemos-MG), descartou outro modelo que não o presencial.

    Daniel Vorcaro foi procurado por meio de sua assessoria, mas ainda não respondeu.

    No início da tarde desta terça, Renan Calheiros e outros senadores da CAE estiveram em reunião com o ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), recém-escolhido relator do caso Master em substituição a Dias Toffoli, que deixou a função depois que a Polícia Federal encaminhou à corte evidências de envolvimento dele com o caso.

    Mendonça teria, segundo disse o senador Eduardo Braga (MDB-AM) ao fim do encontro, garantido que Daniel Vorcaro poderá viajar à Brasília usando a estrutura da Polícia Federal e que isso será feito com “absoluta discrição”. Ele também poderá ser acompanhado por um advogado de defesa.

    Braga classificou como boa a conversa com Mendonça, e que os senadores deixaram o encontro confiantes de que a CAE receberá as informações da investigação que estiveram sob sigilo.
    Renan Calheiros disse que pediu à Mendonça a mesma colaboração já solicitada à PF, ao TCU (Tribunal de Contas da União), ao Banco Central e ao próprio STF, onde os senadores chegaram a se reunir com o presidente da corte, Edson Fachin.

    Nesta terça, durante reunião da CAE, Calheiros disse que o grupo de trabalho que acompanha as investigações ainda não recebeu quaisquer informações. Ao sair do STF, o senador afirmou que o envio de documentos do Banco Central ainda depende de um despacho de Mendonça,

    O novo relator do caso Master no STF, André Mendonça, desobrigou o ex-banqueiro de comparecer à CPI mista do INSS, que antecipou sua reunião de quinta (26) para segunda (23) na expectativa de ouvi-lo antes da CAE. Alguns dias antes da data prevista, porém, a defesa de Vorcaro avisou que ele não iria mais e apontou preocupações com sua segurança, pois Mendonça barrou o uso de avião privado no deslocamento para Brasília.

    Apesar da ausência na CPI, Renan diz acreditar que o ex-banqueiro compareça na próxima semana e vê diferenças entre as funções da comissões. “Acho que ele raciocina que é um fórum mais recomendável para que venha fazer a discussão, que é uma discussão oportuna.”

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  • Justiça mantém condenação da Volkswagen por trabalho escravo

    Justiça mantém condenação da Volkswagen por trabalho escravo

    Com a decisão, proferida durante sessão ordinária realizada hoje (24), a montadora deverá arcar com a indenização de R$ 165 milhões, destinada ao financiamento de medidas de proteção a trabalhadores e trabalhadoras, como o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

    O Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (TRT8) manteve a condenação da Volkswagen por praticar trabalho escravo contemporâneo durante a ditadura civil-militar, na Fazenda Vale do Rio Cristalino, em Santana do Araguaia (PA).

    Com a decisão, proferida durante sessão ordinária realizada hoje (24), a montadora deverá arcar com a indenização de R$ 165 milhões, destinada ao financiamento de medidas de proteção a trabalhadores e trabalhadoras, como o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

    O caso foi denunciado em ação civil pública, ou seja, coletiva, do Ministério Público do Trabalho (MPT), que se mobilizou para obter, além da indenização por danos morais, retratação pública da companhia e a implementação de ferramentas como protocolos que agilizem sua resposta em episódios parecidos, um canal de denúncias e a realização de ações de fiscalização.

     

    A condenação da Volkswagen foi anunciada em agosto do ano passado. Diante da decisão do juiz Otávio Bruno da Silva Pereira, do TRT8, havia entrado com recurso para tentar revertê-la, levando o processo à segunda instância.

    Na sessão desta terça-feira, o presidente da 4ª turma da Corte, desembargador Carlos Zahlouth Júnior, destacou que, à época dos crimes, a polícia abriu inquérito, mas optou por arquivá-lo. Destacou, ainda, a perseguição, em São Bernardo do Campo (SP), a opositores do regime instaurado com o golpe de 1964, com a participação de parte do empresariado brasileiro. 

    “Também reconheço que foi uma das raras empresas que reconheceram seu passado”, acrescentou. 

    Ao discursar, a desembargadora Alda Maria de Pinho Couto foi no mesmo sentido, apontando para a prática reiterada de violação dos direitos dos trabalhadores. Conforme emendou, trata-se “de um sistema organizado de exploração humana”, caracterizado, inclusive, pelo tráfico de pessoas.

    A Fazenda Vale do Rio Cristalino pertencia à Companhia Vale do Rio Cristalino Agropecuária Comércio e Indústria (CVRC), uma subsidiária da Volkswagen. Segundo o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, que acompanha o caso, “a propriedade em questão, com cerca de 140 mil hectares – quase o tamanho da cidade de São Paulo –, recebeu incentivos fiscais e recursos públicos para a criação de gado à época, tornando-se um dos maiores polos do setor, acentuando a responsabilidade institucional da empresa.”

    Para garantir justiça aos trabalhadores explorados, por meio da responsabilização da fabricante alemã, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) reuniu provas das violações de direitos e buscou apoio de parlamentares para dar mais visibilidade a elas. Até agora a entidade acompanha o andamento dos processos judiciais em tramitação. Em outro processo, paralelo à ação civil pública, quatro trabalhadores escravizados pedem, cada um, R$ 1 milhão por danos morais e R$ 1 milhão por danos existenciais.

    Os trabalhadores foram atraídos em circunstâncias bastante semelhantes às de outras vítimas desse tipo de crime. Intermediários contratados pela Volkswagen, chamados popularmente de “gatos”, que fazem a ponte entre quem escraviza e as vítimas escravizadas, se aproximaram deles com promessas de trabalho digno, condição jamais oferecida de fato.

    Procurada pela Agência Brasil, a equipe da Volkswagen em operação no Brasil afirmou que “seguirá em busca de segurança jurídica nas esferas superiores do Judiciário brasileiro.

    “Com legado de mais de 70 anos e como uma das maiores empregadoras do Brasil, a Volkswagen reafirma seu compromisso permanente com o respeito absoluto à Constituição Federal, às leis brasileiras e aos princípios internacionais de direitos humanos, que orientam sua atuação como uma das maiores empregadoras do país. A empresa repudia qualquer forma de trabalho forçado, degradante ou análogo à escravidão e reitera sua dedicação histórica à promoção de um ambiente laboral digno, ético e responsável.”

    Em seu site em inglês, a montadora informa que, no primeiro semestre de 2025, faturou 158,4 bilhões de euros, mesmo tendo desempenho pior do que o primeiro semestre de 2024. Seu relatório mostra que 4,36 milhões de vendas foram fechadas, contra 4,34 milhões do período anterior.

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  • Mendonça tem nova reunião com PF e recebe relatório sobre Caso Master

    Mendonça tem nova reunião com PF e recebe relatório sobre Caso Master

    Ministro do STF assumiu relatoria após saída de Dias Toffoli; André Mendonça recebeu um relatório sobre o andamento da apuração com dados obtidos pela Polícia Federal

    O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), se reuniu nesta segunda-feira (23) com integrantes da Polícia Federal (PF) para tomar conhecimento das investigações que envolvem o Banco Master. 

    Durante a reunião, o ministro recebeu um relatório sobre o andamento da apuração.

    O encontro representa a segunda reunião de Mendonça com a PF após Dias Toffoli pedir para deixar a relatoria do caso.

    O primeiro foi realizado no dia 13 deste mês.  A saída de Toffoli foi decidida durante reunião, realizada no dia 12 de fevereiro, na qual os ministros da Corte foram informados de que há menções ao nome do ministro em mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, que teve o aparelho apreendido durante busca e apreensão da PF.

    Investigação

    Em novembro de 2025, o banqueiro Daniel Vorcaro e outros acusados foram alvo da Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF para investigar a concessão de créditos falsos pelo Banco Master, incluindo a tentativa de compra da instituição financeira pelo Banco de Brasília (BRB), instituição pública ligada ao governo do Distrito Federal.

    De acordo com as investigações, as fraudes podem chegar a R$ 17 bilhões.

    Mendonça tem nova reunião com PF e recebe relatório sobre Caso Master

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  • Brasil e Coreia do Sul firmam acordo de cooperação bilateral em agricultura e sanidade

    Brasil e Coreia do Sul firmam acordo de cooperação bilateral em agricultura e sanidade

    Primeiro acordo entre os dois países estabelece a ampliação do intercâmbio técnico e institucional com foco em ciência, tecnologia, agricultura digital, segurança alimentar e cadeias de abastecimento

    Brasil e Coreia do Sul firmaram acordos de cooperação bilateral em agricultura, sanidade, inovação e desenvolvimento rural, informaram o Ministério da Agricultura e o Ministério das Relações Exteriores. Os acordos foram firmados durante a missão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao país.

    Na ocasião, os países assinaram um memorando de entendimento entre o Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil e o Ministério da Agricultura, Alimentos e Assuntos Rurais da República da Coreia sobre cooperação no âmbito da agricultura e um memorando de entendimento entre o Ministério da Agricultura do Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Administração de Desenvolvimento Rural da República da Coreia.

    Em nota, o Ministério da Agricultura informou que os memorandos fortalecem discussões sobre medidas sanitárias e fitossanitárias, bioinsumos e intercâmbio tecnológico entre Brasil e Coreia no setor agropecuário. A Coreia do Sul é um parceiro estratégico e esta agenda inaugura uma nova etapa de cooperação baseada em confiança, diálogo e complementaridade econômica. Estamos aproximando tecnologia, sustentabilidade e produção responsável para ampliar oportunidades ao agro brasileiro e fortalecer a segurança alimentar” afirmou o ministro da Agricultura, Carlos Favaro.

    O primeiro acordo estabelece a ampliação do intercâmbio técnico e institucional com foco em ciência, tecnologia, agricultura digital, segurança alimentar e cadeias de abastecimento. O memorando inclui a cooperação em medidas sanitárias e fitossanitárias (SPS), com previsão de harmonização de normas e troca de informações para avançar em temas de interesse comum. O documento também prevê cooperação em infraestrutura agrícola, promoção de investimentos, intercâmbio científico e criação de um Comitê de Cooperação Agrícola Brasil-Coreia para acompanhar a implementação das iniciativas conjuntas, informou a pasta. “Esse grupo vai gerir as oportunidades, o que facilita a tomada rápida de decisões”, apontou Fávaro a jornalistas em Seul.

    O segundo memorando prevê uma estrutura de cooperação voltada ao registro, avaliação e gestão de agrotóxicos e bioinsumos, além do intercâmbio de informações e desenvolvimento de pesquisas conjuntas. As ações incluem o compartilhamento de dados técnicos, intercâmbio de especialistas, programas de capacitação e realização de workshops e projetos científicos conjuntos, segundo a pasta. “Esse acordo se dá no campo da aprovação de novas moléculas, mais modernas, eficientes e tão desejadas pela agropecuária brasileira. Precisamos ter moléculas para combater as pragas, cada vez mais biodegradáveis, mais seletivas e queremos bioinsumos. Haverá um avanço tecnológico muito importante para a agropecuária”afirmou o ministro.

    Um terceiro memorando de entendimento foi acordado entre a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e Administração de Desenvolvimento Rural da República da Coreia. O mecanismo prevê a ampliação de programas cooperativos e intercâmbio na área de pesquisa e tecnologia agropecuária, por meio da realização de projetos conjuntos, nas áreas de agricultura, pecuária, floresta, meio ambiente e recursos naturais. O acordo inclui intercâmbio de estudantes de pós-graduação, pesquisadores, engenheiros e especialistas; desenvolvimento de projetos de pesquisa conjuntos com o objetivo de fortalecer a cooperação bilateral em pesquisa; participação conjunta em programas internacionais de pesquisa e/ou treinamento; e organização de seminários, workshops e conferências conjuntas.

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  • Gripe aviária: Argentina confirma novo surto em aves comerciais

    Gripe aviária: Argentina confirma novo surto em aves comerciais

    O Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar (Senasa) da Argentina ativou seu plano de contingência, estabelecendo a interdição imediata da granja e a criação de uma zona de controle sanitário

    O Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar (Senasa) da Argentina confirmou a detecção de um novo surto de gripe aviária de alta patogenicidade (IAAP) subtipo H5 em aves de produção comercial na localidade de Ranchos, província de Buenos Aires. O diagnóstico, validado pelo Laboratório Oficial em Martínez, ocorreu após a notificação de sinais clínicos compatíveis com a doença e elevada mortandade em um estabelecimento de linhagem genética de reprodutores.

    Em resposta à detecção, o organismo sanitário ativou seu plano de contingência, estabelecendo a interdição imediata da granja e a criação de uma zona de controle sanitário de 3 km, além de uma área de vigilância de 7 km para monitoramento e rastreamento epidemiológico. Agentes oficiais supervisionarão o despovoamento e o abate sanitário das aves, seguidos pela desinfecção rigorosa do local para contenção do vírus.

    A nova ocorrência interrompe um período de estabilidade para o setor, considerando que a Argentina havia se autodeclarado livre da doença perante a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) em outubro de 2025, após o encerramento de um surto anterior registrado em Los Toldos. O registro do novo caso ocorre em um momento estratégico, semanas após o anúncio de que a União Europeia autorizaria a retomada das importações de carne de aves argentina a partir de 1º de março de 2026, após o país recuperar seu status sanitário.

    Em virtude do novo foco, o Senasa informará oficialmente a OMSA e suspenderá temporariamente as exportações para países com os quais mantém acordos como nação livre da enfermidade. Entretanto, o país poderá continuar comercializando com mercados que reconhecem a estratégia de zoneamento e compartimentos livres de IAAP. O consumo interno não será prejudicado, pois a gripe aviária não é transmitida pela ingestão de carne de aves ou ovos. Caso não surjam novos surtos, a Argentina poderá pleitear novamente a condição de país livre 28 dias após a conclusão das tarefas de sacrifício e limpeza.

    Gripe aviária: Argentina confirma novo surto em aves comerciais

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  • Existe discussão, por determinação de Lula, sobre tarifa zero no transporte, diz ministro

    Existe discussão, por determinação de Lula, sobre tarifa zero no transporte, diz ministro

    Jader Filho disse que é preciso fazer esse estudo de viabilidade econômica para saber como será custeada uma proposta desse porte: “O modelo em que o cidadão tinha que pagar por toda a tarifa está falido, esse modelo não funciona mais”

    O ministro das Cidades, Jader Filho, disse, nesta terça-feira, 24, que há discussão no governo sobre uma tarifa zero para o transporte público, segundo ele o atual modelo está “falido”. Ele participa do programa “Bom dia, ministro”, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

    “Existe uma discussão dentro do governo do presidente Lula, inclusive foi uma determinação por parte do presidente, que foi destinado ao Ministério da Fazenda, que fizesse um estudo exatamente econômico”, afirmou.

    Segundo ele, é preciso fazer esse estudo de viabilidade econômica para saber como será custeada uma proposta desse porte.

    O certo é que o modelo que está posto. O modelo em que o cidadão tinha que pagar por toda a tarifa está falido, esse modelo não funciona mais. Não é no Brasil, é no mundo. E a gente precisa, de fato, discutir o processo de subsídio”, completou, dizendo que a proposta ainda está com a Fazenda e só depois que chegará a Pasta das Cidades.

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