Categoria: ECONOMIA

  • Correios: Plano de Demissão Voluntária tem adesão de 30% da meta

    Correios: Plano de Demissão Voluntária tem adesão de 30% da meta

    Cerca de 3 mil empregados aderiram ao PDV; expectativa era de 10 mil; o PDV é uma das ações do Plano de Reestruturação dos Correios 2025–2027, voltado à recuperação da estatal

    Um total de 3.075 empregados dos Correios aderiram ao Plano de Demissão Voluntária (PDV) de 2026 da estatal. O número representa 30,7% do público alvo – a projeção inicial da empresa era de que 10 mil profissionais pedissem o desligamento neste ano. 

    O prazo de adesão terminou nesta terça-feira (8) e não será prorrogado pela empresa. Com esse balanço, a estatal projeta uma economia de cerca de R$ 1,4 bilhão já em 2027.

    Plano de Reestruturação

    O PDV é uma das ações do Plano de Reestruturação dos Correios 2025–2027, voltado à recuperação da sustentabilidade financeira, otimização da rede operacional, eficiência logística da empresa e ao reposicionamento competitivo da estatal.  

    A expectativa dos Correios é a de que o PDV,  somado a outras medidas implementadas no primeiro trimestre, gerará uma economia adicional de R$ 508 milhões anuais.Em dezembro do ano passado, a empresa pública conseguiu um empréstimo de R$ 12 bilhões para financiar a reestruturação. À época, a instituição projetou redução de R$ 5 bilhões em despesas até 2028

    Leilões de imóveis

    No plano de reestruturação, a previsão é fechar 16% das agências da companhia, o que representa cerca de 1 mil das 6 mil unidades próprias, em todo o país.

    A estimativa da direção da estatal é de que os leilões reduzam os custos de manutenção dos imóveis ociosos e arrecadem até R$ 1,5 bilhão para investimento.

    Em fevereiro, os Correios realizaram o primeiro leilão de imóveis próprios. A oferta inicial abrangeu 21 imóveis para venda imediata, localizados em 11 estados.

    Crise postal

    Os Correios enfrentam uma crise financeira. O diagnóstico nas contas da empresa identificou déficit estrutural superior a R$ 4 bilhões anuais, patrimônio líquido negativo de R$ 10,4 bilhões e prejuízo acumulado de R$ 6,057 bilhões até setembro de 2025. Ainda não há um número fechado em relação ao saldo do ano.

    Segundo a direção da companhia, a crise vem desde 2016, motivada pelas mudanças no mercado postal em razão da digitalização das comunicações, que substituiu as cartas, reduzindo a principal fonte de receita da empresa.

    A estatal também atribui as dificuldades financeiras à entrada de novos competidores no comércio eletrônico como um dos motivos da atual crise do setor.

    Estrutura

    Os Correios estão presentes em 100% dos municípios brasileiros. Atualmente, a estrutura da empresa conta com 10,3 mil unidades de atendimento, considerando agências próprias e pontos de parceria.

    Há ainda 1,1 mil unidades de distribuição e tratamento, que são os centros logísticos onde as encomendas e cartas são processadas, após a postagem e antes da entrega final. São 80 mil empregados diretos. 

    Os serviços realizados pelos Correios são variados e vão desde a entrega de cartas e encomendas até a distribuição das provas do Enem simultaneamente em todo o território. Também é de responsabilidade dos Correios a entrega de urnas eletrônicas em locais de difícil acesso nas eleições, além da distribuição de mantimentos e outros artigos em situações de calamidade, como enchentes. 

    Correios: Plano de Demissão Voluntária tem adesão de 30% da meta

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  • ANP não identificou para abril nenhum risco de abastecimento no Brasil, reitera diretor

    ANP não identificou para abril nenhum risco de abastecimento no Brasil, reitera diretor

    O abastecimento de combustíveis está garantindo para o mês de abril, mesmo em meio às instabilidades geradas pelos ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irã

    O diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Pietro Mendes, reiterou nesta quarta-feira, 8, a mensagem que o abastecimento de combustíveis está garantindo para o mês de abril, mesmo em meio às instabilidades geradas pelo conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã.

    “Com relação a suprimento, nós não identificamos para o mês de abril nenhum risco de abastecimento no Brasil. Obviamente, temos que acompanhar a evolução dos conflitos porque é fato que temos uma dependência externa de GLP e diesel”, disse durante o primeiro dia do Fórum Brasileiro de Líderes em Energia, no Rio de Janeiro. “Nossas refinarias apresentam estabilidade na produção de diesel S10 e S500”, complementou.

    Mendes destacou que o aumento da volatilidade de preços desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, levou a ANP a flexibilizar exigências de estoque e a acionar a Petrobras para reforçar a oferta, especialmente após relatos de dificuldade de acesso ao produto no Rio Grande do Sul.

    “No preço de paridade de importação (PPI) houve aumento significativo, com a gasolina registrando alta de 65% no preço de importação, enquanto o diesel subiu 86%. A ANP instituiu ferramentas como o monitoramento dos estoques de combustíveis, o painel da logística do abastecimento nacional e o sistema de sobreaviso, para acompanhar, passo a passo, a evolução dos estoques e da demanda no país”, detalhou.

    Já no mercado de gás liquefeito de petróleo (GLP), o diretor defendeu a atuação da agência na abertura do ofício para apurar possíveis práticas de preços abusivos no leilão realizado pela Petrobras. “O GLP tem, além de tudo, um componente social dentro da política pública do Gás do Povo e, adicionalmente, é uma estratégia alinhada ao ODS-7 da ONU.”

    ANP não identificou para abril nenhum risco de abastecimento no Brasil, reitera diretor

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  • Dólar recua mais de 1% e Bolsa renova recorde após trégua entre Irã e EUA

    Dólar recua mais de 1% e Bolsa renova recorde após trégua entre Irã e EUA

    Comportamento de moeda e Ibovespa acompanham maior apetite global por risco; Trump anuncia cessar-fogo de duas semanas no conflito no Oriente Médio; estreito de Hormuz é reaberto

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar recua mais de 1% nesta quarta-feira (8), após Estados Unidos e Irã firmarem um cessar-fogo de duas semanas no conflito no Oriente Médio. A trégua também prevê a reabertura do estreito de Hormuz, por onde passam cerca de 20% de todo o petróleo e gás natural liquefeito consumidos no mundo.

    Às 14h28, a moeda norte-americana caía 1,06%, cotada a R$ 5,099, a caminho de fechar na menor cotação desde maio de 2024. Na mínima do pregão, o dólar atingiu R$ 5,065, em queda de 1,73%.

    No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis divisas fortes, recuava 0,94%, a 98,91 pontos -a caminho da maior queda do índice desde 22 de abril de 2025, em meio à guerra comercial.

    No mesmo horário, a Bolsa subia 2,14%, a 192.292 pontos. Na máxima do dia, atingiu 193.759 pontos, novo recorde histórico durante o período de negociações.

    A valorização da Bolsa ocorre apesar da queda do petróleo, que pressiona as ações da Petrobras e de outras petrolíferas brasileiras.

    Os contratos do Brent, referência global, e do barril WTI (West Texas Intermediate), referência dos EUA, eram negociados abaixo do patamar de US$ 100, despencando até 15%.

    Por volta das 14h30, as ações da Petrobras caíam entre 5,84% (preferencial) e 5,48% (ordinária), enquanto Prio, PetroRecôncavo e Brava Energia recuavam 4,80%, 3,75% e 3,52%, respectivamente.

    O principal fator do pregão é a trégua da guerra no Oriente Médio. Após dizer que “uma civilização inteira morrerá nesta noite” e ameaçar obliterar a infraestrutura civil do Irã, Donald Trump recuou novamente e aceitou na terça-feira (7) uma proposta feita pelo Paquistão para um cessar-fogo de duas semanas na guerra iniciada em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel.

    Em postagem na rede Truth Social, o americano disse que sua decisão se baseou no compromisso de que o Irã reabra Hormuz durante a trégua -Teerã disse que o fará por duas semanas “em coordenação com as Forças Armadas” iranianas.

    “Esse será um cessar-fogo duplo”, escreveu Trump, visando acalmar os ânimos dos países árabes sob ataque de Teerã no golfo Pérsico.

    “O motivo pelo qual eu estou fazendo isso é que nós já atingimos e excedemos nossos objetivos militares”, afirmou Trump, dizendo procurar um “acordo definitivo de paz de longo prazo com o Irã e paz no Oriente Médio” nesses 15 dias.

    Desde o início do conflito no Oriente Médio, o dólar e os prêmios de ativos de renda fixa tem se valorizado por conta de uma maior busca por proteção dos investidores.

    O cessar-fogo reverte o comportamento, aumentando o apetite por ativos de risco. Entre os países emergentes, 12 moedas se valorizam frente ao dólar -caso do real, rubia indiana e peso mexicano.

    As Bolsas também tinham pregão positivo. Na Europa, o Euro STOXX 600, referência do continente, fechou em alta de 4,97%, similar aos índices de Frankfurt (5,06%), Londres (2,51%) e Paris (4,49%). Em Wall Street, as Bolsas Nasdaq, S&P 500 e Dow Jones avançavam 2,89%, 2,54% e 2,52%, respectivamente, por volta das 14h30.

    No Brasil, o comportamento se repete. “A expectativa é de uma sessão positiva para a Bolsa brasileira, para os ativos domésticos, e para o real, que tendem a se beneficiar desse ambiente de maior apetite por risco”, diz Lucca Bezzon, especialista de inteligência de mercado da StoneX.

    Para Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, o cessar-fogo motiva a busca por risco após semanas de volatilidade intensa. “Alivia a taxa de câmbio com a desmontagem de parte das posições de proteção do mercado. A queda do petróleo afasta parte do temor de inflação persistente, aliviando os juros futuros”.

    Há ainda incertezas. O Irã concordou em permitir a passagem de navios pelo estreito de Hormuz, mas o tráfego permanece baixo.

    Dados do monitor marítimo Marine Traffic revelam que apenas duas embarcações passaram pelo local nesta quarta-feira (8), horas após ser anunciado o cessar-fogo de duas semanas envolvendo EUA, Israel e Irã.

    Diretores de segurança de empresas que navegam na via afirmam ainda aguardar detalhes técnicos antes de liberar os envios de navegações.

    Segundo o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, uma das condições impostas pelo regime para a trégua foi Teerã ser responsável pela coordenação da passagem dos navios no estreito.

    O Irã também condicionou a reabertura do estreito à interrupção dos ataques por parte de Israel e dos Estados Unidos. Nesta quarta-feira, Israel realizou o maior ataque a instalações do Hezbollah no Líbano, o que levou Teerã a ameaçar abandonar o cessar-fogo.

    O bloqueio do estreito de Hormuz, por onde passam 20% de todo o petróleo e gás natural liquefeito consumidos no mundo, lançou a economia global em turbulência. O choque de oferta, considerado sem precedentes, está se transformando em uma crise energética que fez os preços do petróleo e produtos derivados dispararem.

    A interrupção também pressiona a inflação global. O crescimento econômico antes previsto tem sido colocado em dúvida, bem como os próximos passos de alguns dos principais bancos centrais do mundo.

    Tanto o Federal Reserve, dos Estados Unidos, quanto o BC (Banco Central) brasileiro citaram a guerra nas decisões do mês passado, diante do risco de pressão inflacionária global.

    Na última segunda (6), o presidente do BC, Gabriel Galípolo, defendeu o que chamou de cautela da instituição na condução da política de juros no Brasil. Ele também afirmou que a sociedade não aceita mais inflação.

    Na visão da XP, um prolongamento da guerra e preços de petróleo altos por mais tempo são os principais pontos de atenção do conflito, à medida que as expectativas de inflação local sobem acima da meta de 3% do BC.

    Ainda assim, a XP vê o Brasil bem posicionado para enfrentar as turbulências da guerra, “dada a alta exposição ao petróleo e o potencial de seguir atraindo fortes fluxos estrangeiros, especialmente quando as tensões arrefecerem”.

    Dólar recua mais de 1% e Bolsa renova recorde após trégua entre Irã e EUA

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  • Lula diz que enviará nesta semana ao Congresso projeto para reduzir escala 6×1

    Lula diz que enviará nesta semana ao Congresso projeto para reduzir escala 6×1

    Lula defendeu que haja uma brecha para o caso de necessidade de contratos coletivos de categorias diferenciadas durante a implementação da redução da escala de trabalho

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta quarta-feira, 8, que vai enviar nesta semana ao Congresso Nacional um projeto de lei do governo que reduz a jornada de trabalho e acaba com a escala 6×1. Lula disse ainda que vai conversar com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), sobre a medida. A declaração foi feita em entrevista ao portal ICL Notícias.

    Nesta terça-feira, 7, Motta chegou a dizer que o governo havia recuado da intenção de enviar um projeto de lei e que iria pautar a análise de uma proposta de emenda à Constituição (CCJ) que já tramita na Câmara, e tem apoio do próprio Motta.

    Como mostrou o Broadcast Político (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), o governo negou que iria desistir de enviar a sua proposta.

    “Hugo Motta tem uma PEC que ele gostaria de colocar em votação, mas o governo vai apresentar o seu projeto nesta semana”, disse Lula, se mostrando confiante com a aprovação da mudança. “Vamos conseguir reduzir a escala 6×1”, comentou.

    O presidente também defendeu que haja uma brecha para o caso de necessidade de contratos coletivos de categorias diferenciadas durante a implementação da redução da escala de trabalho.

    “Não pode ser uma coisa rígida para todas as categorias, você tem que permitir que haja uma negociação. Mas nós temos que ter a redução, as pessoas precisam hoje de mais descanso e lazer”, afirmou Lula.

     

    Lula diz que enviará nesta semana ao Congresso projeto para reduzir escala 6×1

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  • Restituição do IR: veja como garantir lugar nos primeiros lotes em 2026

    Restituição do IR: veja como garantir lugar nos primeiros lotes em 2026

    Novas regras de prioridade e ferramentas digitais colocam contribuintes na frente da fila da restituição

    A temporada de declaração do Imposto de Renda em 2026 traz novidades importantes para os contribuintes, especialmente aos que esperam pela restituição. A Receita anunciou mudanças no calendário de pagamentos e novas modalidades de devolução, com o objetivo de acelerar o processo. A expectativa do Fisco é de que 80% dos contribuintes com direito à restituição recebam os valores até o dia 30 de junho.

    Calendário mais curto e pagamentos antecipados 

    Uma das principais mudanças para 2026 é a redução no número de lotes de restituição, que passarão de cinco para quatro. O calendário previsto é:

    • 1º lote: 29 de maio;
    • 2º lote: 30 de junho;
    • 3º lote: 31 de julho;
    • 4º lote: 31 de agosto.

    Segundo Valdir Amorim, especialista da área de imposto de renda da IOB, que une Inteligência em legislação e Tecnologia avançada para resolver os desafios de contadores e empresas, a fila de restituição continua obedecendo regras legais, mas com ajustes que valorizam e destacam o uso de tecnologia na declaração. A ordem de prioridade em 2026 será:  

    • Idade igual ou superior a 80 anos;
    • Idade igual ou superior a 60 anos, deficientes e portadores de moléstia grave;
    • Pessoa que tenha maior fonte de renda vinda do magistério;
    • Quem utilizou conjuntamente a declaração pré-preenchida e optou pela restituição no Pix;
    • Quem utilizou exclusivamente a declaração pré-preenchida ou optou pela restituição no Pix;
    • Demais contribuintes.

    Na prática, isso significa que, além dos grupos prioritários tradicionais, a escolha do contribuinte, pela declaração pré-preenchida ou restituição no PIX, também influencia diretamente a velocidade da restituição. Para Amorim, “a Receita está priorizando também quem utiliza ferramentas digitais e reduz o risco de inconsistências”.

    Como aumentar as chances de receber nos primeiros lotes 

    O especialista da IOB comenta que, mesmo fora dos grupos prioritários, ainda é possível melhorar a posição na fila, a partir de atitudes como:

    • Entregar a declaração o quanto antes;
    • Optar pela declaração pré-preenchida;
    • Escolher o recebimento via Pix (CPF);
    • Evitar erros e inconsistências no preenchimento.

    Novidade: Restituição automática — Cashback IRPF:  

    Outra novidade apresentada pela Receita Federal será o pagamento de um lote especial de restituição para os contribuintes que não entregaram a declaração de Imposto de Renda em 2025 por não estarem obrigados, mas tinham direito à restituição por fatos ocorridos em 2024, o chamado cashback de restituição.

    “Esta situação pode acontecer, por exemplo, com um empregado que teve Imposto de Renda retido na fonte por ter recebido salário no primeiro trimestre de 2024, mas ficou desempregado posteriormente e não obteve renda no restante do ano para se encaixar nos critérios de obrigatoriedade de entrega da declaração”, explica Valdir Amorim.

    A parcela de imposto que foi retida dá a ele direito à restituição, que será realizada através de uma declaração automática elaborada pela Receita a partir de 15 de junho, com o crédito a partir de 15 de julho. Segundo a Receita Federal, cerca de 4 milhões de contribuintes se encaixam nesta situação, com um valor médio de R$ 125 em restituições devidas, totalizando um montante de R$ 500 milhões.

    A declaração automática será elaborada para contribuintes que tem direito à restituição de até R$ 1 mil, com CPF regular e chave Pix vinculada ao CPF. O pagamento será feito de maneira automática. A partir do dia 15 de junho, o contribuinte poderá verificar se teve sua declaração automaticamente gerada na página da Receita Federal, e poderá realizar retificações na declaração se assim o desejar.

    Restituição do IR: veja como garantir lugar nos primeiros lotes em 2026

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  • Projeções de inflação sobem com guerra no Irã, e El Niño traz risco para 2º semestre

    Projeções de inflação sobem com guerra no Irã, e El Niño traz risco para 2º semestre

    Economistas revisam estimativas para cima diante dos efeitos da guerra no Oriente Médio e possíveis impactos climáticos. Combustíveis mais caros já afetam preços no Brasil e podem influenciar alimentos, enquanto cenário aumenta cautela sobre cortes nos juros

    (FOLHAPRESS) – As projeções de inflação no Brasil passam por uma onda de revisões para cima devido aos impactos da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.

    O conflito no Oriente Médio, iniciado em 28 de fevereiro, provocou um salto nas cotações do petróleo, pressionando o custo dos combustíveis.

    Analistas também chamam a atenção para um risco adicional para a inflação brasileira: a ameaça do evento climático El Niño no segundo semestre deste ano. Dependendo de sua intensidade, o fenômeno pode dificultar a produção de alimentos, com efeitos sobre os preços.

    De acordo com o boletim Focus, do BC (Banco Central), a mediana das previsões do mercado financeiro para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) em 2026 subiu pela quarta semana consecutiva.

    A estimativa aumentou de 4,31% para 4,36%, ficando mais próxima do teto da meta de inflação, que é de 4,5%. A projeção vinha de um período de baixa no início deste ano, chegando a marcar 3,91% antes dos desdobramentos da guerra.
    “É um cenário de pressão de preços muito evidente e que mudou em relação a fevereiro”, afirma o economista-chefe da consultoria MB Associados, Sergio Vale, que projeta IPCA de 4,2% em 2026.

    “Por mais que a guerra acabe nas próximas semanas, demora até os preços do petróleo voltarem a patamares anteriores”, acrescenta.

    Nesta terça-feira (7), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recuou novamente e aceitou uma proposta feita pelo Paquistão para um cessar-fogo de duas semanas. O americano disse que sua decisão se baseou no compromisso de que o Irã reabra o estreito de Hormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, durante a trégua.

    Desde o início do conflito, o barril de petróleo Brent, referência global, saltou de US$ 72 para acima de US$ 110. Na noite desta terça, com o anúncio do cessar-fogo, os preços caíam para a casa de US$ 95.

    O quadro preocupa o presidente Lula (PT) no ano eleitoral. Na segunda (6), o governo anunciou a criação de uma subvenção extra para o óleo diesel e o gás de cozinha, além da decisão de zerar as alíquotas de PIS/Cofins sobre o biodiesel e o querosene de aviação.

    As medidas são uma nova tentativa do Executivo de conter a carestia dos combustíveis e das passagens aéreas.

    Dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) indicam que, desde o início do confronto no Irã, os preços médios da gasolina comum e do diesel S-10 aumentaram cerca de 8% e 24% no Brasil, refletindo principalmente repasses promovidos por importadores privados.

    Além do efeito nos combustíveis, há o temor de repasses para produtos como alimentos no Brasil, já que o diesel é um dos insumos da cadeia produtiva. O transporte de fertilizantes, outra matéria-prima do agronegócio, também tem sido afetado pela guerra.

    “É um cenário preocupante”, afirma o economista Rodolpho Sartori, da agência classificadora de risco Austin Rating. Após o início do conflito, a estimativa da Austin para o IPCA deste ano saiu de 3,8% para 4,38%.

    Há, inclusive, quem aposte em uma inflação acima do teto de 4,5%. É o caso do economista Fábio Romão, sócio da consultoria Logos Economia, que passou a prever IPCA de 4,8% em 2026. A estimativa era de 4% antes da guerra.

    “Mesmo que o petróleo arrefeça até o final do ano, e a gente acha que [isso] é o mais provável, o mal já está feito. Atrapalhou a formação de muitos preços”, diz Romão.

    EL NIÑO TRAZ RISCO ADICIONAL

    Outra instituição que revisou projeções é o banco Daycoval. A inflação estimada pela instituição para este ano subiu de 3,8% para 4,2%.

    “Dado o cenário externo mais adverso com impactos potenciais sobre o petróleo e probabilidade crescente de El Niño no segundo semestre, adicionamos o viés de alta para esta projeção”, disse o banco em relatório divulgado na quinta (2).

    O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal do Oceano Pacífico na região da linha do Equador. Tradicionalmente, aumenta o risco de seca nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, enquanto favorece chuvas intensas no Sul.

    Uma nota técnica do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) concluiu que há mais de 80% de probabilidade de ocorrência do fenômeno na segunda metade de 2026, possivelmente a partir do trimestre de agosto a outubro.

    “Embora, no momento, não existam previsões confiáveis sobre a sua intensidade, os modelos disponíveis apontam uma anomalia de temperatura do mar na região do Oceano Pacífico Equatorial de aproximadamente 1,5°C, o que classificaria o fenômeno como moderado a forte”, afirma o documento.

    POSSÍVEL REFLEXO NOS JUROS

    De acordo com analistas, o aumento nas previsões para a inflação pode reduzir a intensidade do ciclo de cortes na taxa básica de juros do Brasil, a Selic, que está em 14,75%. A mediana das estimativas do mercado indica Selic de 12,5% ao final do ano, conforme o Focus.

    O presidente do BC, Gabriel Galípolo, defendeu na segunda-feira o que chamou de “cautela” da instituição na condução da política de juros. A fala ocorreu em um discurso no qual o economista abordou o cenário da economia global, marcado pelos reflexos da guerra.

    “Eu acho que usei a palavra cautela desde que entrei no Banco Central mais vezes do que usei em toda a minha vida antes de entrar no Banco Central. Mas, no Banco Central, a palavra cautela vem acompanhada da palavra serenidade. Nunca está sozinha”, disse Galípolo.

    A ideia é poder tomar tempo para conhecer melhor o problema e fazer movimentos mais seguros, dar passos mais seguros, na direção da política monetária. É dessa cautela que a gente vem se beneficiando mais recentemente”, acrescentou.

    Projeções de inflação sobem com guerra no Irã, e El Niño traz risco para 2º semestre

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  • Master declarou pagamentos a Temer, Rueda, Mantega, Lewandowski e ACM Neto

    Master declarou pagamentos a Temer, Rueda, Mantega, Lewandowski e ACM Neto

    O banco informou pagamento de R$ 10 milhões ao escritório de advocacia de Temer em 2025 e R$ 6,4 milhões, desde 2023, a dois escritórios de Rueda, presidente nacional do União Brasil

    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Documentos enviados pela Receita Federal à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado apontam repasses milionários do Banco Master, de Daniel Vorcaro, a escritórios de advocacia e empresas ligadas a Michel Temer (MDB), Antônio Rueda (União Brasil), Ratinho Junior (PSD), ACM Neto (União Brasil) e os ex-ministros Guido Mantega, Fabio Wajngarten, Henrique Meirelles e Ricardo Lewandowski.

    Os dados obtidos pela reportagem indicam que, de 2024 a 2025, o Master pagou R$ 18,5 milhões a Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central nos primeiros mandatos de Lula (PT) e ex-titular da Fazenda de Temer, e R$ 14 milhões à Pollaris Consultoria, empresa de Guido Mantega, ex-ministro na pasta econômica em gestões petistas.

    O banco também informou pagamento de R$ 10 milhões ao escritório de advocacia de Temer em 2025 e R$ 6,4 milhões, desde 2023, a dois escritórios de Rueda, presidente nacional do União Brasil.

    Duas empresas da família Massa, do apresentador Ratinho e do governador do Paraná, Ratinho Junior, também aparecem nos dados do Master produzidos pela Receita. A Gralha Azul Empreendimentos e Participações, ligada ao governador, recebeu R$ 3 milhões em 2022, segundo o Master. Já a Massa Intermediação, de Ratinho, recebeu R$ 21 milhões de 2022 até 2025. O apresentador era um dos garotos propaganda do cartão de consignado do banco, o CredCesta.

    Em nota, a assessoria de imprensa do Grupo Massa afirmou que “construiu uma trajetória pautada por práticas amplamente reconhecidas pelo mercado com rendimentos declarados à Receita Federal, incluindo campanhas publicitárias e parcerias com diversas marcas e empresas”. “Sua atuação não
    se confunde com a conduta de terceiros com os quais manteve relações contratuais”, acrescentou. Ratinho Junior não respondeu aos contatos feitos pela reportagem.

    Já Meirelles afirmou que prestou consultoria ao Master e encerrou seu contrato em julho de 2025. Temer afirmou ter recebido uma quantia menor por serviços prestados, e Rueda não respondeu. A reportagem enviou mensagens ao telefone de Mantega no final da manhã desta quarta-feira (8) e também tentou contato por ligação, mas não obteve resposta até a publicação deste texto.

    Constam ainda nos documentos da Receita pagamentos de 2022 a 2025 no valor de R$ 12 milhões à BN Financeira, empresa de Bonnie Bonilha, nora do líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).

    O senador também aparece na lista com o pagamento de uma quantia menor, de R$ 289 mil, como pessoa física. Wagner afirma que o valor é referente a rendimento de aplicação em conta de pessoa física, que não possui CNPJ e que nunca recebeu qualquer pagamento do Master. A BN Financeira diz que prestou serviços ao Banco Master mediante emissão de nota fiscal, entre 2022 e 2025.

    Os dados da Receita mostram valores pagos pelo Master desde 2022, sem correção pela inflação, incluindo cerca de R$ 80 milhões em 2024 e 2025 para o escritório da mulher do ministro do STF Alexandre de Moraes, o Barci de Moraes Sociedade de Advogados, como revelou a Folha de S. Paulo. Parte dos valores repassados pelo Master às empresas e políticos ficou retido por cobrança de impostos retidos na fonte.

    A defesa de Vorcaro foi procurada, mas não se manifestou até a publicação deste texto.

    A Lewandowski Advocacia recebeu ao menos R$ 6,1 milhões em pagamentos, que começaram em novembro de 2023. O escritório tem como sócios um filho e a mulher de Ricardo Lewandowski, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal e da Justiça do governo Lula. Ele deixou a sociedade em janeiro de 2024, dias antes de entrar no governo. O ex-ministro diz que o escritório prestou serviços de consultoria jurídica ao Master.

    O banco de Vorcaro pagou ainda R$ 5,45 milhões para a A&M Consultoria Ltda, empresa do ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao Governo da Bahia ACM Neto, de 2023 até o último ano. A consultoria afirma que os serviços foram devidamente prestados e que não pode validar os valores mencionados.

    A WF Comunicação, que pertence ao ex-secretário de Comunicação Social do governo de Jair Bolsonaro (PL), Fabio Wajngarten, recebeu ao menos R$ 3,8 milhões do banco de Vorcaro em 2025. Ele também é considerado por Aldo Rebelo (DC) como possível vice em uma chapa à Presidência. Wajngarten diz que integra a equipe de defesa de Vorcaro e que presta serviços para o ex-banqueiro.

    A reportagem procurou todos os nomes aqui citados como beneficiários de pagamentos declarados pelo Master. Temer afirmou que prestou serviços de mediação ao ser contratado pelo banco e que recebeu dois pagamentos, de R$ 5 milhões e de R$ 2,5 milhões.

    A assessoria de Rueda foi contatada por meio de mensagens às 7h30 e às 9h39. O presidente do União Brasil também foi procurado por ligações entre 9h30 e 10h, mas não respondeu.

    Meirelles afirmou que seu contrato tinha o objetivo de prestar consultoria em assuntos de macroeconomia e de mercado financeiro. “Eu não tinha o menor conhecimento das operações do banco, fiquei sabendo pelos jornais. No começo, eles demandavam mais meus serviços, depois passaram a demandar pouco e eu rescindi o contrato em julho de 2025”, disse.

    Em nota, a assessoria do ex-ministro Lewandowski diz que ele retornou à advocacia após deixar o STF, em abril de 2023, e se retirou do escritório ao assumir o Ministério da Justiça no ano seguinte. O escritório passou a ser controlado por sua família e manteve contrato com o Master.

    “Além de vários outros clientes, prestava serviços de consultoria jurídica ao Banco Master. Ao ser convidado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assumir o Ministério da Justiça de Segurança Pública, em janeiro de 2024, Lewandowski retirou-se de seu escritório de advocacia e suspendeu o seu registro na Ordem dos Advogados do Brasil, como determina a legislação vigente”, afirma.

    A assessoria da empresa de ACM Neto, a A&M Consultoria, afirma que “os serviços mencionados pelo jornal foram contratados de maneira lícita, transparente, e devidamente prestados” e que não pode confirmar os valores “supostamente declarados à Receita Federal por não ter tido acesso a esses dados”.

    A nota afirma ainda que o contrato foi firmado quando os sócios da A&M não ocupavam cargos públicos. “Foi apresentada petição à PGR (Procuradoria-Geral da República) e ao STF na qual a A&M se coloca à disposição para prestar eventuais esclarecimentos e detalhes dos serviços prestados, assim como requereu que se apurasse o vazamento de dados fiscais sigilosos”, diz.

    Wajngarten afirmou à reportagem que foi apresentado a Vorcaro no primeiro semestre de 2025 por meio dos advogados do ex-banqueiro dele e passou a integrar a equipe de defesa, da qual faz parte até o momento. O contrato tem cláusula de confidencialidade e, por isso, não foi tornado público.

    A empresa de Bonnie Bonilha, BN Financeira, afirma que os serviços ao Master “tiveram por objetivo a prospecção e indicação de operações e convênios de crédito público e privado”, mediante prestação de nota, e que os dois únicos sócios são Moisés Dantas e Bonnie Bonilha.

    “Não existe qualquer investigação ou apuração policial quanto ao tema, pois não existe qualquer irregularidade. Todos os recursos recebidos pela BN Financeira se deram de forma oficial, contabilizada e mediante emissão de nota fiscal, distribuídos formalmente aos sócios e declarados à Receita Federal”, afirma em nota.

    Vorcaro foi preso pela segunda vez no começo de março pela Polícia Federal sob suspeita de comandar um esquema de fraude e ameaças. Ele negocia um acordo de delação premiada.

    Master declarou pagamentos a Temer, Rueda, Mantega, Lewandowski e ACM Neto

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  • Petróleo despenca mais de 15% após trégua entre EUA e Irã

    Petróleo despenca mais de 15% após trégua entre EUA e Irã

    Mercado reage ao adiamento do ultimato de Trump e à sinalização de cessar-fogo. Barril volta a ficar abaixo de US$ 100, mas analistas alertam que reabertura do Estreito de Ormuz será decisiva para confirmar estabilidade

    Os preços do petróleo despencaram mais de 15% e voltaram a ficar abaixo dos US$ 100 após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adiar o ultimato ao Irã e Teerã sinalizar disposição para negociar um cessar-fogo permanente.

    Por volta das 21h15 de Brasília, o barril do West Texas Intermediate (WTI), referência do petróleo nos Estados Unidos, caía 15,40%, sendo negociado a US$ 95,55.

    Já o Brent do Mar do Norte, referência global, recuava 15,03%, para US$ 92,85. Ambos voltaram a ficar abaixo da marca simbólica dos US$ 100, em meio ao alívio do mercado com a possibilidade de cessar-fogo e reabertura do Estreito de Ormuz.

    “Aceito suspender os bombardeamentos e os ataques contra o Irã durante duas semanas”, declarou Trump na rede Truth Social, pouco mais de uma hora antes do fim do ultimato que havia reforçado na véspera, após negociações com mediadores paquistaneses.

    O cessar-fogo foi condicionado à reabertura do Estreito de Ormuz, o que também foi confirmado pelo ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi.

    Teerã anunciou ainda que pretende negociar com os Estados Unidos um acordo para encerrar a guerra, com conversas previstas a partir de sexta-feira, em Islamabad, ao longo de duas semanas. O país também se comprometeu a reabrir o estreito caso cessem os ataques americanos e israelenses.

    “Se os ataques contra o Irã cessarem, as nossas poderosas forças armadas cessarão as suas operações defensivas”, afirmou Araghchi na rede X.

    “Durante um período de duas semanas, será possível uma passagem segura pelo Estreito de Ormuz, em coordenação com as forças armadas iranianas e tendo em conta as limitações técnicas”, acrescentou.

    Antes desses anúncios, o preço do petróleo havia disparado cerca de 70% desde o início do conflito, no fim de fevereiro.

    Assim que a Casa Branca recuou e substituiu a escalada iminente por um cessar-fogo condicional de duas semanas, o mercado do petróleo começou a recuperar um funcionamento mais fluido e equilibrado”, afirmou Stephen Innes, da SPI Asset Management, em entrevista à agência France Presse.

    Segundo ele, houve uma redução do chamado “prêmio de risco” que vinha pressionando os preços nos últimos dias.

    Os investidores “esperavam desesperadamente notícias encorajadoras há várias semanas e, ainda mais desesperadamente, ver medidas concretas sendo tomadas para uma desescalada”, disse Michael Brown, da corretora Pepperstone.

    Apesar do alívio, analistas alertam que o cenário ainda é incerto.

    “No entanto, para que esta evolução se confirme, os operadores precisarão de mais do que simples declarações diplomáticas. Terão de constatar uma retoma efetiva do tráfego no Estreito de Ormuz. Enquanto não estiver visivelmente reaberto, tratar-se-á de simples liquidações de posições, em vez de uma reavaliação sustentável dos preços”, concluiu Innes.
     
     

     

    Petróleo despenca mais de 15% após trégua entre EUA e Irã

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  • Governo contraria Motta e mantém plano de novo projeto por fim da escala 6×1

    Governo contraria Motta e mantém plano de novo projeto por fim da escala 6×1

    No Planalto, as discussões vinham sendo conduzidas principalmente por Boulos e Gleisi; o envio do projeto é visto como uma estratégia para acelerar a tramitação da proposta no Legislativo

    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O governo Lula (PT) deve contrariar o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e insistir no envio de um novo projeto de lei que propõe a redução da escala de trabalho 6×1.

    À reportagem um integrante do Palácio do Planalto envolvido nas discussões negou que exista um acordo para recuar e dar prioridade à PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que já está em tramitação na Câmara, conforme anunciou Motta nesta terça-feira (7).

    Membros do governo afirmam que a possibilidade de envio do PL segue sendo considerada e que será observada a tramitação das propostas atualmente deliberadas pelo Congresso antes de enviar o texto próprio.

    Uma possível mudança de planos não teria sido discutida pelos ministros que lideravam a discussão, Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) e Gleisi Hoffmann, que até recentemente chefiava a Secretaria de Relações Institucionais.

    O envio do projeto é visto como uma estratégia para acelerar a tramitação da proposta no Legislativo.

    Motta havia afirmado a jornalistas que a mudança de posição do governo teria sido fruto de um alinhamento que definiu as próximas etapas para a votação da PEC. Segundo ele, o líder do governo, José Guimarães (PT-PE), afirmou que o projeto com urgência constitucional não será mais enviado.

    Ao contrário de uma PEC, os projetos de lei têm prazo de 45 dias para serem votados na Câmara. Propostas de redução da jornada já tramitam na Casa neste formato, que tem tramitação mais lenta.

    “A admissibilidade deverá ser votada na próxima semana na CCJ e imediatamente criaremos a comissão especial para trabalharmos a votação em plenário até o final do mês de maio, dando a oportunidade de que todos os setores possam se manifestar acerca dessa proposta que é importante para a classe trabalhadora do país, pois nós estamos tratando a redução da jornada de trabalho sem prejuízo salarial”, disse Motta.

    Atualmente, a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) está analisando duas propostas: uma, de autoria da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), prevê a adoção da carga semanal de quatro dias de trabalho e três dias de descanso. Já a proposta de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) reduz de 44 para 36 horas a jornada semanal do trabalhador. A proposta de Lopes tem sido priorizada nos debates da comissão.

    No Planalto, as discussões vinham sendo conduzidas principalmente por Boulos e Gleisi -então à frente da articulação política do governo.

    O movimento ocorre em meio à transição no comando da Secretaria de Relações Institucionais, pasta responsável pela articulação política do governo. Desde a saída de Gleisi para disputar as eleições, o cargo é ocupado interinamente pelo secretário-executivo, Marcelo Costa.

    Inicialmente, o governo não pretendia enviar um texto próprio ao Congresso, mas apoiar propostas que garantissem ao menos dois dias de descanso semanal e jornada máxima de 40 horas.

     

    Governo contraria Motta e mantém plano de novo projeto por fim da escala 6×1

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  • Atual concessionária participará de novo leilão do aeroporto de Brasília

    Atual concessionária participará de novo leilão do aeroporto de Brasília

    Ministério de Portos e Aeroportos prevê investimentos de R$ 1,2 bilhão no terminal, que deve ter certame ainda em 2026; espaço será leiloado junto a outros dez aeroportos regionais

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A Inframerica concorrerá no novo leilão do aeroporto internacional de Brasília (Juscelino Kubitschek), previsto para ocorrer ainda em 2026. A participação da concessionária no certame faz parte do processo de repactuação do terminal.

    Atualmente, a Inframerica já administra o espaço. A concessionária é controlada pelo conglomerado Corporación América Airports, que está à frente de 52 aeroportos em seis países (Argentina, Armênia, Brasil, Equador, Itália e Uruguai). A Infraero é sócia da Inframerica e mantém 49% de participação na concessão.

    O TCU (Tribunal de Contas da União) aprovou neste mês um acordo firmado entre o Ministério de Portos e Aeroportos, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e a Inframerica para a repactuação do contrato de concessão do terminal de Brasília. A Infraero sairá da concessão.

    A Inframerica diz que o pedido de repactuação foi feito por causa da baixa demanda no aeroporto observada ao longo dos últimos anos. A concessionária diz em nota que a aprovação da proposta pelo TCU representa um passo importante para a modernização do contrato e não implica qualquer mudança para passageiros, companhias aéreas ou demais usuários do aeroporto.

    “A operação seguirá sendo conduzida dentro dos elevados padrões de segurança e qualidade já reconhecidos. Como parte do processo de repactuação, a Inframerica participará do novo leilão e mantém uma perspectiva positiva em relação ao desfecho do processo”, escreveu a Inframérica à reportagem.

    A Secex Consenso (Secretaria de Controle Externo de Solução Consensual e Prevenção de Conflitos) do TCU decidiu que o leilão será realizado ainda em 2026. O lance mínimo corresponderá a 5,9% das receitas brutas da concessão e participação obrigatória da Inframerica.

    O leilão ocorrerá em processo competitivo simplificado, que prevê a oferta ao mercado de um contrato de concessão previamente acertado com uma companhia, no caso, a atual concessionária. No entanto, se outra proponente oferecer uma proposta melhor, esse contrato pode trocar de dono.

    O ministério prevê investimentos de R$ 1,2 bilhão somente no aeroporto de Brasília, no tempo restante do contrato. O aporte será utilizado para construção de um novo terminal internacional, implantação de um edifício garagem e de uma nova via de acesso ao aeroporto e aquisição de equipamentos de segurança e inspeção de passageiros e bagagens.

    Outros oito aeroportos regionais do Centro-Oeste, um do Paraná e um da Bahia serão incluídos na concessão. São eles os terminais de Juína (MT), Cáceres (MT), Tangará da Serra (MT), Alto Paraíso (GO), São Miguel do Araguaia (GO), Bonito (MS), Dourados (MS), Três Lagoas (MS), Ponta Grossa (PR) e Barreiras (BA).

    A proponente ganhadora ficará responsável por investir cerca de R$ 857,8 milhões para ampliar, manter e operar os dez aeroportos regionais.

    A inclusão desses terminais segue a lógica de conceder aeroportos com baixa demanda e menos atrativos ao mercado junto a ativos maiores.

    O novo contrato de concessão do bloco terá validade até 2037.

    A Inframerica arrematou o aeroporto de Brasília no início de 2012. Anteriormente, tinha saído vitoriosa do leilão que concedeu o aeroporto de Natal (São Gonçalo do Amarante). No entanto, em fevereiro de 2020, a concessionária anunciou a devolução amigável do terminal potiguar, processo que foi concluído quatro anos depois, em fevereiro de 2024.

    Atual concessionária participará de novo leilão do aeroporto de Brasília

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