Categoria: ECONOMIA

  • Dólar fecha em queda, a R$ 5,14, e Bolsa fica estável, com guerra no Oriente Médio no radar

    Dólar fecha em queda, a R$ 5,14, e Bolsa fica estável, com guerra no Oriente Médio no radar

    O dia não teve grandes variações na Bolsa brasileira, que fechou praticamente estável, com saldo final foi de avanço de 0,06%, a 188.161 pontos; guerra no Oriente Médio continua tomando os holofotes

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar fechou em queda de 0,27% nesta segunda-feira (6), cotado a R$ 5,1469, com incertezas em torno da guerra no Oriente Médio tomando os holofotes.

    A moeda oscilou em margens curtas durante o pregão, tendo atingido o patamar máximo de R$ 5,159 à tarde, durante entrevista coletiva com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na mínima, foi a R$ 5,139.

    O movimento foi global: o índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de seis divisas fortes, recuou 0,05%.

    O dia também não teve grandes variações na Bolsa brasileira, que fechou praticamente estável. O saldo final foi de avanço de 0,06%, a 188.161 pontos.

    As negociações deste pregão foram embaladas pela possibilidade de um cessar-fogo no conflito no Oriente Médio, que já dura cinco semanas. O plano entre Estados Unidos e Irã, intermediado pelo Paquistão, propõe uma trégua de 45 dias, seguido de negociações sobre um acordo mais amplo, disse uma fonte ciente das propostas nesta segunda.

    O chefe do Exército paquistanês, marechal de campo Asim Munir, esteve em contato “durante toda a noite” com o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, o enviado especial Steve Witkoff e o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, segundo a fonte.

    Negociadores de ambos os lados admitem que as chances de acordo parecem baixas.

    O Irã já rejeitou a ideia de trégua provisória e pediu uma solução definitiva para os conflitos na região. O regime afirmou que a guerra continuará até quando for preciso e ofereceu aos Estados Unidos dez pontos para negociar, incluindo um acordo para o uso do estratégico estreito de Hormuz, o fim das sanções econômicas ao país e provisões para a reconstrução do país.

    As negociações têm como pano de fundo um ultimato do presidente Donald Trump às forças iranianas. Teerã tem até às 21h de terça (7), no horário de Brasília, para aceitar as condições de uma trégua e reabrir Hormuz -caso contrário, os Estados Unidos irão “explodir tudo”. Uma autoridade de Teerã descartou a reabertura do estreito no caso de um cessar-fogo temporário.

    Trump ainda falou, em entrevista coletiva nesta tarde, que o Irã poderia ser neutralizado em uma noite, “e essa noite pode ser amanhã”.

    “Quando Trump fala em acabar com a guerra em um dia, soa como mais um blefe, porque ele não conseguiu fazer isso até agora. O mercado já está estafado dessas falas e de nenhuma ação concreta acontecendo”, diz Daniel Teles, sócio da Valor Investimentos.

    “Fundos de renda fixa americana e títulos do Tesouro dos Estados Unidos [considerados uma espécie de porto seguro do mercado financeiro] nunca foram tão negociados. Todo mundo está à espera de alguma sinalização um pouco mais clara a respeito do futuro da guerra.”

    O bloqueio de Hormuz, por onde passam 20% de todo o petróleo e gás natural liquefeito consumidos no mundo, lançou a economia global em turbulência. O choque de oferta, considerado sem precedentes, está se transformando em uma crise energética que fez os preços do petróleo e produtos derivados dispararem.

    Neste pregão, o petróleo Brent, referência internacional, avançou cerca de 1%, cotado a US$ 112 o barril.

    Com a inflação global sob pressão, o crescimento econômico antes previsto foi colocado em dúvida, bem como os próximos passos de alguns dos principais bancos centrais do mundo.

    Tanto o Federal Reserve, dos Estados Unidos, quanto o BC (Banco Central) brasileiro citaram a guerra nas decisões do mês passado, diante do risco de pressão inflacionária global.

    Na visão da XP, um conflito prolongado e preços de petróleo altos por mais tempo são os principais pontos de atenção do conflito, à medida que as expectativas de inflação local sobem acima da meta de 3% do BC.

    No Boletim Focus desta segunda, analistas ajustaram para cima as expectativas para a inflação em 2026 pela quarta semana consecutiva. As projeções para a alta do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) agora são de 4,36% este ano e de 3,85% no próximo, ante 4,31% e 3,84%, respectivamente, na semana anterior.

    Economistas também mantiveram a projeção de R$ 5,40 para o dólar no fim deste ano e de 12,50% para a Selic, hoje em 14,75%. A expectativa é de corte de 0,25 ponto percentual da taxa básica na reunião marcada para o fim do mês.

    Ainda assim, a XP vê o Brasil bem posicionado para enfrentar as turbulências da guerra, “dada a alta exposição ao petróleo e o potencial de seguir atraindo fortes fluxos estrangeiros, especialmente quando as tensões arrefecerem”.

    Dólar fecha em queda, a R$ 5,14, e Bolsa fica estável, com guerra no Oriente Médio no radar

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  • Preço dos combustíveis para de subir nos postos brasileiros, diz ANP

    Preço dos combustíveis para de subir nos postos brasileiros, diz ANP

    A gasolina foi vendida pelos postos brasileiros, em média, a R$ 6,78 por litro, mesmo valor praticado na semana anterior; preço médio do diesel S-10 subiu apenas R$ 0,01 no período, para R$ 7,58 por litro

    RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – Após quatro semanas consecutivas de alta, os preços da gasolina e do diesel pararam de subir nos postos brasileiros, segundo a pesquisa semanal de preços da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis).

    Segundo a agência, a gasolina foi vendida pelos postos brasileiros, em média, a R$ 6,78 por litro, mesmo valor praticado na semana anterior. O preço médio do diesel S-10 subiu apenas R$ 0,01 no período, para R$ 7,58 por litro.

    A ANP não analisa o resultado do levantamento, mas fontes do setor ouvidas pela reportagem entendem que os principais repasses da alta das cotações internacionais foram feitos semanas atrás e que, neste momento, os aumentos têm sido residuais.

    Desde o início da guerra, gasolina e diesel têm alta acumulada de 8% e 24%, refletindo aumentos promovidos por importadores privados. A Petrobras subiu o preço do diesel em suas refinarias, mas a alta foi compensada pela isenção de impostos federais.

    A elevação dos preços preocupa o governo pelo efeito inflacionário em ano eleitoral. Há três semanas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lançou um pacote de medidas com a isenção de PIS/Cofins e uma subvenção de R$ 0,32 por litro.

    O pacote foi considerado insuficiente por importadores privados, já que não cobria toda a diferença entre os preços internacionais e os preços máximos estabelecidos para o pagamento da subvenção. Grandes distribuidoras, por exemplo, decidiram não aderir à primeira fase do programa.

    Nesta segunda (6), o governo convocou entrevista coletiva para anunciar medidas adicionais, que podem destravar novos aumentos nas refinarias da Petrobras, que opera com preços bem abaixo das cotações internacionais.

    Na abertura do mercado desta segunda, o preço do diesel nas refinaras da estatal estava R$ 2,52 por litro mais baixo do que a paridade de importação medida pela Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis). Na gasolina, a diferença era de R$ 1,48 por litro.

    Diante da falta de perspectivas sobre o encerramento da guerra no Irã, o preço internacional do petróleo abriu a semana em alta. Por volta das 16h30, a cotação do Brent, referência internacional negociada em Londres, estava perto de US$ 110 por barril.

    Preço dos combustíveis para de subir nos postos brasileiros, diz ANP

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  • Petróleo fecha em alta com ameaças de Trump contra o Irã e cessar-fogo em xeque

    Petróleo fecha em alta com ameaças de Trump contra o Irã e cessar-fogo em xeque

    O petróleo WTI, negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), para maio fechou em alta de 0,77% (US$ 0,87), a US$ 112,41 o barril; o Brent para junho avançou 0,68% (US$ 0,74), a US$ 109,77 o barril

    O petróleo fechou em alta nesta segunda-feira, 6, após o feriado prolongado de Páscoa, em meio à escalada das ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Irã, o que reduziu as expectativas de um possível acordo de cessar-fogo no Oriente Médio.

    Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para maio fechou em alta de 0,77% (US$ 0,87), a US$ 112,41 o barril.

    Já o Brent para junho avançou 0,68% (US$ 0,74), a US$ 109,77 o barril, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE).

    O petróleo chegou a operar em queda pela manhã, após o Axios revelar que Irã e Estados Unidos receberam, no fim da noite do domingo, uma minuta de proposta que prevê um cessar-fogo de 45 dias e a reabertura do Estreito de Ormuz.

    Posteriormente, o Irã negou a reabertura do trecho e afirmou que enviou aos EUA suas exigências, com a mídia estatal iraniana informando que Teerã defende o fim permanente da guerra.

    A commodity energética ganhou força com as declarações, sobretudo após Trump reforçar no período da tarde que pode atacar o Irã na terça-feira e derrotá-lo “em apenas uma noite”. O chefe da Casa Branca voltou a dizer, porém, que as negociações com o regime persa “estão indo bem”, mas se negou a comentar sobre um possível cessar-fogo.

    Para o analista do MUFG, Lloyd Chan, é provável que os preços do petróleo se mantenham elevados, com os riscos inclinados para novas elevações. “A persistência de ameaças à infraestrutura crítica iraniana mantém elevados os riscos de escalada, sem que haja à vista um caminho crível de redução das tensões”, afirma.

    Apesar das negociações, as trocas de ataques entre EUA e Israel contra o Irã se mantiveram. Israel atacou nesta segunda uma usina petroquímica no campo de gás natural de South Pars, no Irã, e o complexo petroquímico de Marvdasht. O Irã retaliou com bombardeios em Haifa, Tel Aviv e outros locais de Israel, além de mais uma ofensiva contra os países vizinhos no Golfo Pérsico.

    Também pressionando a oferta de petróleo, drones ucranianos de longo alcance atingiram nesta segunda-feira o principal porto russo no Mar Negro para exportação de petróleo.

    Petróleo fecha em alta com ameaças de Trump contra o Irã e cessar-fogo em xeque

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  • Novo aponta 'inércia' da AGU e do Ministério da Justiça em investigação contra 'Careca do INSS'

    Novo aponta 'inércia' da AGU e do Ministério da Justiça em investigação contra 'Careca do INSS'

    Antonio Camilo Antunes (foto), o “Careca do INSS”, é apontado como o principal operador de esquema de descontos ilegais a aposentados e pensionistas que teria desfalcado R$ 3,3 bilhões dos beneficiários

    A bancada do Partido Novo na Câmara protocolou, no último dia 1º, uma representação no Tribunal de Contas da União (TCU) em que aponta “inércia” da Advocacia-Geral da União (AGU) e do Ministério da Justiça no bloqueio de bens de Antonio Camilo Antunes, o “Careca do INSS” no exterior.

    Procuradas, as pastas do governo ainda não se manifestaram.

    Na presentação, o Novo pede que a corte de contas determine, por meio de medida cautelar, que a AGU e o Ministério da Justiça iniciem imediatamente o rastreamento e bloqueio dos ativos.

    “Apesar da existência de elementos robustos(…), tanto o Ministério da Justiça quanto a Advocacia-Geral da União permaneceram inertes quanto à adoção de medidas efetivas para o bloqueio e a recuperação dos ativos no exterior,” diz o texto do partido de oposição.

    O empresário é apontado como o principal operador de esquema de descontos ilegais a aposentados e pensionistas que teria desfalcado R$ 3,3 bilhões diretamente dos contra cheques de beneficiários. As investigações correm no âmbito da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal.

    Parte dos valores auferidos pela organização criminosa estaria sob custódia da offshore Camilo & Antunes Limited (Rpdl Ltd.), sediada nas Ilhas Virgens Britânicas, que adquiriu R$ 11 milhões em imóveis no Brasil.

    Essa empresa seria uma das diversas firmas de fachada utilizadas por artífices do esquema para lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.

    Segundo o partido, os órgãos do Executivo não procederam as ações necessárias para o bloqueio e recuperação dos bens, apesar de terem sido provocadas pela CPI do INSS.

    A operação dependeria de um acordo de cooperação entre o Ministério da Justiça e as autoridades do país estrangeiro. A AGU alega que, sem esse acordo, não é possível atuar.

    Novo aponta 'inércia' da AGU e do Ministério da Justiça em investigação contra 'Careca do INSS'

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  • Dólar abre em queda com guerra no Oriente Médio no radar

    Dólar abre em queda com guerra no Oriente Médio no radar

    Por volta das 9h16, o dólar caía 0,10%, cotado a R$ 5,155. No exterior, o índice DXY, que mede a força da moeda frente a uma cesta de seis divisas fortes, recuava 0,08%, próximo da estabilidade

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar abriu em queda nesta segunda-feira (6), à medida que investidores reagem às incertezas em torno da guerra no Oriente Médio.

    A possibilidade de um cessar-fogo tem animado analistas no exterior, enquanto Estados Unidos e Irã negociam as condições de uma trégua. Durante o pregão, os preços do petróleo recuam.

    Por volta das 9h16, o dólar caía 0,10%, cotado a R$ 5,155. No exterior, o índice DXY, que mede a força da moeda frente a uma cesta de seis divisas fortes, recuava 0,08%, próximo da estabilidade.

    Os Estados Unidos e o Irã negociam um plano para encerrar o conflito que já dura cinco semanas. O plano intermediado pelo Paquistão surgiu de intensos contatos durante a noite e propõe um cessar-fogo imediato, seguido de negociações sobre um acordo mais amplo a ser concluído dentro de 15 a 20 dias, disse uma fonte ciente das propostas nesta segunda.

    O chefe do Exército paquistanês, marechal de campo Asim Munir, esteve em contato “durante toda a noite” com o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, o enviado especial Steve Witkoff e o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, segundo a fonte.

    Negociadores de ambos os lados admitem que as chances de acordo parecem baixas.

    Investidores também devem acompanhar com atenção entrevista coletiva de Trump, planejada para às 13h desta segunda.

    Na quinta-feira passada (2), o dólar fechou próximo da estabilidade, com alta de 0,01%, cotado a R$ 5,158. A Bolsa também ficou próxima do zero a zero, com alta de 0,05%, a 188.052 pontos.

    O pregão repercutiu discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou que pretendia continuar os ataques contra o Irã.

    À tarde, contudo, a notícia de que o Irã estaria elaborando um protocolo para monitorar a atividade no estreito de Hormuz foi interpretada como um sinal de normalização do fluxo e limitou o avanço do dólar e dos preços das commodities.

    No acumulado da semana, a moeda norte-americana recuou 1,52%, enquanto a Bolsa avançou 3,57%. Nesta sexta-feira (3), não haverá pregão em razão do feriado de Sexta-Feira Santa.

    Em pronunciamento à nação na quarta, Trump voltou a afirmar que os objetivos militares do país na guerra do Irã estão “quase completos”, apesar de evitar esclarecê-los.

    No discurso, Trump disse que a guerra continua até que todos os objetivos dos EUA sejam “totalmente cumpridos”. “Nós vamos levá-los de novo para a Idade da Pedra, aonde eles pertencem”, disse, afirmando novamente que isso deve acontecer “rapidamente” e que o Irã está “completamente derrotado”.

    O republicano também minimizou o impacto do fechamento do estreito de Hormuz, onde um quinto do petróleo mundial circula, para o mercado da commodity. “Nós não precisamos do Oriente Médio, não precisamos do petróleo deles”, disse.

    Em resposta, o Exército do Irã prometeu nesta quinta-feira (2) realizar ataques devastadores contra Estados Unidos e Israel.

    “Com a confiança em Deus Todo-Poderoso, esta guerra continuará até sua humilhação, sua desonra, seu arrependimento definitivo e sua rendição”, disse o comandante operacional do Exército iraniano, Khatam al-Anbiya, em comunicado na TV estatal. “Esperem ações ainda mais contundentes, amplas e devastadoras de nossa parte.

    “O discurso trouxe pouca clareza sobre os próximos passos do conflito. Em alguns momentos, Trump sinalizou que os Estados Unidos estariam próximos de sair da guerra, mencionando um horizonte de curto prazo. Apesar disso, ele não apresentou um plano para os próximos passos”, afirma Lucca Bezzon, especialista de inteligência de mercado da StoneX.

    Bezzon vê essa combinação gerando incerteza nos mercados. “O que antes era um ambiente de maior apetite por risco, sustentado pela perspectiva de um possível cessar-fogo entre os países envolvidos, dá lugar agora a um cenário de maior aversão”, afirma.

    Em relatório, a Ágora Investimentos diz que o clima de cautela prevaleceu nos mercados globais nesta quinta-feira, após as declarações mais duras de Trump. “Esse ambiente externo mais defensivo pressionou os ativos brasileiros ao longo do dia”.

    A sinalização de continuidade do conflito impactou os mercados de commodities e de juros futuros pela manhã, mas a expectativa de reabertura do estreito de Hormuz freou a alta.

    No início da tarde, a agência oficial de notícias do Irã, IRNA, informou que o país está elaborando um protocolo com Omã para monitorar o tráfego no estreito, citando o vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, Kezem Gharibabadi.

    A notícia foi interpretada como uma sinalização de normalização do fluxo. “Na prática, seria uma forma de garantir uma travessia segura, possivelmente com algum tipo de tarifa. Isso, em tese, permitiria a passagem do petróleo e ajudaria a aliviar as pressões recentes sobre os preços da commodity”, diz Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil.

    O contrato de junho do Brent, referência global, subia 7,43%, a US$ 108,68 (abaixo da máxima de US$ 109,72, quando chegou a avançar 8,4%), às 17h. As altas repercutiram no pregão brasileiro, com as ações da Petrobras fechando em alta de mais de 2%.

    No mercado de juros futuros, a perspectiva de reabertura do estreito também freou a alta. As taxas DI, que refletem as expectativas para a trajetória da Selic e do CDI, encerraram o dia em alta moderada.

    A taxa do DI para janeiro de 2028 subiu a 13,75%, ante 13,715% do ajuste da sessão anterior (alta de 4 pontos-base). Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcou 13,87%, ante 13,855% da sessão anterior (alta de 2 pontos-base).

    Nos últimos dias, o pregão vinha sendo marcado pela expectativa do fim da guerra. Na quarta-feira (1º), Trump afirmou que o Irã pediu um cessar-fogo na guerra. Segundo o republicano, a proposta será analisada apenas quando o estreito de Hormuz, que está praticamente fechado desde o início do conflito, for reaberto por Teerã.

    “Vamos considerar isso [cessar-fogo] quando o estreito de Hormuz estiver aberto, livre e desobstruído. Até lá, estamos reduzindo o Irã a nada ou, como dizem, de volta à idade da pedra”, afirmou.

    Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, contudo, disse que a declaração do americano era falsa e sem fundamento, segundo a TV estatal.
    Na quarta, o dólar fechou em queda de 0,43%, a R$ 5,157, enquanto a Bolsa encerrou o dia em alta de 0,26%, aos 187.952 pontos.

    A guerra no Oriente Médio também tem influenciado decisões de política monetária ao redor do mundo. O tema foi citado tanto pelo Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) quanto pelo Banco Central do Brasil nas decisões deste mês, diante do risco de pressão inflacionária global.

    Na visão da XP, um conflito prolongado e preços de petróleo altos por mais tempo são os principais pontos de atenção do conflito, à medida que as expectativas de inflação local sobem acima da meta do Banco Central.

    O banco, contudo, vê o Brasil bem posicionado, “dada sua alta exposição ao petróleo e o potencial de seguir atraindo fortes fluxos estrangeiros, especialmente quando as tensões arrefecerem”.

    Dólar abre em queda com guerra no Oriente Médio no radar

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  • Mercado eleva previsão da inflação para 4,36% este ano

    Mercado eleva previsão da inflação para 4,36% este ano

    Em meio às tensões causadas pela guerra no Oriente Médio, a previsão para a inflação deste ano foi elevada, pela quarta semana seguida, mas ainda se mantém dentro do intervalo da meta que deve ser perseguida pelo BC

    A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência oficial da inflação no país, passou de 4,31% para 4,36% este ano. A estimativa está no Boletim Focus desta segunda-feira (6), pesquisa divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC) com a expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.

    Em meio às tensões causadas pela guerra no Oriente Médio, a previsão para a inflação deste ano foi elevada, pela quarta semana seguida, mas ainda se mantém dentro do intervalo da meta que deve ser perseguida pelo BC.

     

    Estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior, 4,5%.

     

    Em fevereiro, a alta dos preços em transportes e educação fez a inflação oficial do mês fechar em 0,7% – aceleração diante do registrado em janeiro (0,33%). No entanto, o IPCA acumulado em 12 meses recuou para 3,81%, abaixo dos 4% pela primeira vez desde maio de 2024.

    A inflação de março, já com os possíveis impactos da guerra no Oriente Médio, será divulgada na próxima quinta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

    Para 2027, a projeção da inflação subiu de 3,84% para 3,85%. Para 2028 e 2029, as estimativas são de 3,6% e 3,5%, respectivamente.

    Taxa Selic

    Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, definida atualmente em 14,75% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. Na última reunião, mês passado, por unanimidade, o colegiado reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual. Antes da escalada do conflito no Irã, a expectativa predominante era de um corte de 0,5 ponto.

    Em 15% ao ano, a Selic estava no maior nível desde julho de 2006, fixada em 15,25% ao ano. De setembro de 2024 a junho de 2025, a taxa foi elevada sete vezes seguidas, mas não foi alterada nas quatro reuniões seguintes.

    Após esse período prolongado de manutenção da taxa, havia indicação de início de um ciclo de redução, entretanto, diante das incertezas provocado pelo conflito no Oriente Médio, o BC não descarta rever o ciclo de baixa, caso seja necessário. 

    O próximo encontro do Copom para definir a Selic será nos dias 28 e 29 de abril.

    Nesta edição do Focus, a estimativa dos analistas de mercado para a taxa básica até o fim de 2026 permaneceu em 12,5% ao ano. Para 2027 e 2028, a previsão é que a Selic seja reduzida para 10,5% ao ano e 10% ao ano, respectivamente. Em 2029, a taxa deve chegar a 9,75% ao ano.

    Quando o Copom aumenta a Selic, a finalidade é conter a demanda aquecida, o que causa reflexos nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia.

    Os bancos ainda consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.

    Quando a Taxa Selic é reduzida, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, diminuindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.

    PIB e câmbio

    Nesta edição do boletim do Banco Central, a estimativa das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira este ano permaneceu em 1,85%.

    Para 2027, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB, a soma dos bens e serviços produzidos no país) ficou em 1,8%. Para 2028 e 2029, o mercado financeiro estima expansão do PIB em 2% para os dois anos.

    Em 2025, a economia brasileira cresceu 2,3%, de acordo com o IBGE. Com expansão em todos os setores e destaque para a agropecuária, o resultado representa o quinto ano seguido de crescimento.

    No Focus desta semana, a previsão da cotação do dólar está em R$ 5,40 para o final deste ano. No fim de 2027, estima-se que a moeda norte-americana fique em R$ 5,45.

     

     

    Mercado eleva previsão da inflação para 4,36% este ano

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  • Projeção do Focus de crescimento do PIB de 2026 segue em 1,85%

    Projeção do Focus de crescimento do PIB de 2026 segue em 1,85%

    Projeções do mercado indicam desaceleração no ritmo de crescimento da economia, apesar de expectativas ainda superiores às estimativas do Banco Central para os próximos anos.

    A mediana do relatório Focus para o crescimento do Produto Interno Bruto do Brasil em 2026 permaneceu em 1,85%. Há um mês, a estimativa era de 1,82%. Considerando apenas as 36 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a mudanças recentes, a previsão recuou de 1,91% para 1,81%.

    O crescimento esperado pelo mercado segue acima da projeção do Banco Central. No Relatório de Política Monetária do primeiro trimestre, a autoridade monetária manteve a estimativa de alta de 1,6% para o PIB em 2026.

    Já a estimativa intermediária do Focus para o crescimento da economia brasileira continuou em 1,80% pela 14ª semana consecutiva. No recorte das 36 projeções mais recentes, houve queda de 1,78% para 1,67%.

    As medianas para o crescimento do PIB em 2028 e 2029 permaneceram em 2,00%, pela 108ª e 55ª semanas consecutivas, respectivamente.

    Projeção do Focus de crescimento do PIB de 2026 segue em 1,85%

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  • Focus: previsão para Selic no fim de 2026 segue em 12,50%; 2027 segue em 10,50%

    Focus: previsão para Selic no fim de 2026 segue em 12,50%; 2027 segue em 10,50%

    Projeções para juros se mantêm elevadas após primeiro corte em quase dois anos, enquanto Banco Central sinaliza cautela diante das incertezas e dos impactos da alta do petróleo na economia.

    A mediana do relatório Focus para a taxa Selic no fim de 2026 permaneceu em 12,50% pela segunda semana consecutiva. Há um mês, a projeção era de 12,13%. Considerando apenas as 80 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, o índice também se manteve em 12,50%.

    Para o fim de 2027, a projeção seguiu em 10,50% pela 60ª semana consecutiva. No entanto, ao considerar somente as 78 estimativas mais recentes, houve alta de 10,50% para 10,75%.

    O Comitê de Política Monetária cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, passando de 15% para 14,75% ao ano, na reunião realizada no dia 18. Foi a primeira redução dos juros em quase dois anos. Apesar do movimento, o colegiado alertou para o aumento das incertezas no cenário econômico.

    O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reforçou a baixa visibilidade do cenário durante coletiva sobre o Relatório de Política Monetária, em 26 de março. Segundo ele, o “conservadorismo” adotado pela autoridade monetária em 2025 busca ganhar tempo para avaliar os impactos da alta do petróleo sobre os preços internos.

    “Estamos entendendo e vamos aprender mais daqui até a próxima reunião do Copom. O BC tem esse benefício de que só precisa tomar uma decisão a cada 45 dias”, afirmou Galípolo, destacando que a condução da política monetária seguirá cautelosa.

    No relatório Focus desta segunda-feira, a projeção para a Selic no fim de 2028 permaneceu em 10,0% pela 11ª semana seguida. Já a estimativa para 2029 se manteve em 9,75% pela primeira semana consecutiva. Há um mês, a previsão era de 9,50%.

    Focus: previsão para Selic no fim de 2026 segue em 12,50%; 2027 segue em 10,50%

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  • Durigan assume Fazenda sob pressão fiscal e herda desafios de Haddad

    Durigan assume Fazenda sob pressão fiscal e herda desafios de Haddad

    Novo ministro assume Fazenda sob pressão fiscal e demandas eleitorais, com desafio de equilibrar controle de gastos, medidas emergenciais e recuperação da credibilidade das contas públicas em meio a baixo crescimento e avanço da dívida

    Há dez dias no cargo, o novo ministro da Fazenda, Dario Durigan, assumiu o comando da equipe econômica em meio a um cenário de forte pressão sobre as contas públicas.

    Segundo especialistas ouvidos pela Agência Brasil, ele assume o comando da área econômica combinando desafios fiscais estruturais herdados da gestão de Fernando Haddad com demandas emergenciais típicas de um ano eleitoral.

    Logo nos primeiros dias à frente da pasta, Durigan anunciou um bloqueio de R$ 1,6 bilhão no Orçamento de 2026, valor considerado modesto por analistas diante da necessidade de cumprir o arcabouço fiscal.

    O bloqueio foi necessário para acomodar o avanço de despesas obrigatórias dentro do limite de crescimento real de gastos, fixado em até 2,5% acima da inflação. Oficialmente, a equipe econômica projeta um superávit primário de apenas R$ 3,5 bilhões. No entanto, ao incluir precatórios e gastos fora do arcabouço fiscal, o próprio governo prevê déficit primário de R$ 59,8 bilhões.

    Pressão por gastos

    Ao mesmo tempo em que anuncia o bloqueio de gastos, o ministro articula medidas de impacto imediato, como a criação de um subsídio ao diesel importado e um pacote ainda em elaboração para reduzir a inadimplência das famílias.

    Entre as primeiras iniciativas, Durigan confirmou a edição de uma medida provisória que prevê subsídio de R$ 1,20 por litro para o diesel importado, com custo estimado de R$ 3 bilhões, dividido entre União e estados.

    Originalmente prevista para a semana passada, a medida provisória (MP) de subvenção ao diesel sai nesta semana porque o ministro esperava o presidente Luiz Inácio Lula da Silva retornar das recentes viagens pelo Brasil. O governo busca segurar a alta dos combustíveis em meio à elevação dos preços internacionais do petróleo.

    Inadimplência

    O novo ministro também trabalha na formulação de políticas para enfrentar o avanço da inadimplência, que já compromete mais de 27% da renda mensal das famílias brasileiras, segundo dados recentes do Banco Central.

    Em tese, o pacote não gerará custo para as contas públicas se envolver apenas medidas de renegociação de crédito, mas pode criar despesas caso o governo decida ampliar os subsídios ao crédito.

    Taxa das blusinhas

    Outra medida que pode pressionar os gastos do governo seria uma possível redução, durante a campanha eleitoral, da taxa das blusinhas, como ficou conhecida a alíquota em 20% de compras do exterior de até US$ 50.

    No ano passado, o governo arrecadou R$ 5 bilhões com o tributo, ajudando a cumprir a meta fiscal – ao desconsiderar os precatórios.

    Imposto de Renda

    Paralelamente, o novo ministro da Fazenda propôs mudanças estruturais, como a automatização da declaração do Imposto de Renda, numa tentativa de simplificar o sistema tributário.

    Essa medida, no entanto, não diminui as receitas do governo, porque envolve apenas a redução da burocracia e a evolução da atual declaração prepreenchida do Imposto de Renda.

    Desafios de credibilidade

    Os desafios enfrentados por Durigan refletem, em grande medida, limitações já observadas na gestão anterior. Para a doutora em Economia Virene Matesco, professora da Fundação Getulio Vargas (FGV), o principal problema está na dificuldade que o governo tem de cumprir as próprias metas fiscais.

    “O governo atual não consegue cumprir as metas que ele mesmo estabeleceu no arcabouço”, afirmou, ao analisar o desempenho recente das contas públicas.

    Segundo Matesco, a fragilidade do arcabouço fiscal e o crescimento da dívida pública, que saltou para 78,7% do PIB, comprometem a confiança na política econômica e limitam a capacidade de ação do ministro.

    Ela também aponta que o avanço dos gastos obrigatórios e a rigidez orçamentária reduzem o espaço para investimentos, criando um cenário de baixo crescimento. “Existe uma crise de credibilidade fiscal”, alertou, destacando que o país enfrenta um desequilíbrio entre despesas com juros e investimentos públicos.

    Baixo crescimento

    Já o economista André Nassif, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), avalia que parte das dificuldades atuais decorre de metas fiscais excessivamente ambiciosas definidas no início da gestão Haddad.

    Originalmente, o governo tinha estabelecido meta de déficit zero em 2024 e superávit primário de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025 e de 1% do PIB em 2026, também com a margem de tolerância de 0,25 ponto percentual. O resultado primário representa o déficit ou superávit nas contas do governo sem os juros da dívida pública.

    Na LDO de 2025, o governo prolongou a meta de déficit zero para 2025 e reduziu para 0,25% do PIB a meta de superávit para 2026 . Na época, a mudança das metas gerou mal-estar no marcado financeiro.

    “O mercado entenderia se o governo estabelecesse meta de pequeno déficit em 2025, zerando o resultado primário em 2026. O importante era que houvesse um compromisso em reduzir o rombo”, afirmou.

    Pouco investimento

    Para Nassif, o aperto fiscal acabou limitando investimentos públicos, que seguem em patamar baixo, cerca de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB), insuficiente para sustentar um crescimento econômico mais robusto.

    Ele também ressalta que o país segue preso a um ciclo de crescimento irregular. “O país não está entregando crescimento econômico. Continuamos no ‘stop and go’”, disse.

    Segundo o professor, com medidas emergenciais já em andamento e margem fiscal estreita, o novo ministro terá como principal desafio reconstruir a credibilidade das contas públicas sem comprometer o crescimento econômico. A equação permanece em aberto desde a gestão anterior.

     

     

    Durigan assume Fazenda sob pressão fiscal e herda desafios de Haddad

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  • Em 20 dias, Cacau Show tira ideia das redes para lojas: 'visão do dono dá velocidade', diz CEO

    Em 20 dias, Cacau Show tira ideia das redes para lojas: 'visão do dono dá velocidade', diz CEO

    Apesar do porte que alcançou, Alê Costa, fundador do grupo, ainda acredita que uma eventual entrada na Bolsa poderia acrescentar complexidades que afetariam o principal benefício dessa atitude no negócio: a velocidade de crescimento.

    Com um faturamento de R$ 9 bilhões, quase 5.000 lojas e um modelo de negócios que se diversificou para além da venda de chocolates – com hotéis e, em breve, um parque temático -, a Cacau Show tenta manter vivo o espírito de \”dono\” na companhia. Apesar do porte que alcançou, Alê Costa, fundador do grupo, ainda acredita que uma eventual entrada na Bolsa poderia acrescentar complexidades que afetariam o principal benefício dessa atitude no negócio: a velocidade de crescimento.

    \”Não conseguimos achar nenhum sentido estratégico para isso agora. Somos auditados por uma big four, padrão CVM, temos conselho de administração há 10 anos. Estaríamos prontos para fazer [IPO, oferta inicial de ações, em inglês], mas realmente só quando fizer sentido\”, disse o executivo em entrevista ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

    Abrir capital ampliaria a base de sócios da companhia, além de trazer maior complexidade e exigências de governança, na visão do fundador. Com 18 executivos como sócios, Costa defende que a gestão próxima e a “visão de dono” desses integrantes são pilares do seu modelo de negócio.

    \”Não temos necessidade de capital para seguir nossos sonhos, e a complexidade não faz muito sentido, especialmente porque uma das nossas principais vantagens é a velocidade\”, afirmou.

    Como exemplo, ele citou o lançamento do Ovo Dreams em Fatias, desenvolvido em menos de 20 dias a partir de tendências observadas nas redes sociais – um ovo dividido em fatias, cada uma com um sabor diferente. \”Nosso modelo de inovação permite testar ideias em tempo real.\”

    Costa fundou a Cacau Show em 1988, mas o negócio começou antes, quando ele tinha 17 anos e passou a fabricar ovos de Páscoa para venda. Hoje, a data representa quase um quarto das vendas anuais do grupo. Em 2001, a companhia abriu a primeira loja física e, no ano seguinte, iniciou a expansão por meio de franquias, modelo que segue como base do crescimento até hoje.

    Em 2025, a companhia faturou R$ 9 bilhões, 13,6% acima do registrado no ano anterior. Ao todo, soma 4.781 lojas no Brasil, sendo aproximadamente 450 unidades próprias e mais de 4,3 mil franquias, o que evidencia a relevância dos franqueados para o crescimento do grupo.

    Novos Mercados

    A Cacau Show também já começa a traçar uma perspectiva de ir para fora do Brasil. Segundo o CEO, a expansão internacional deve ocorrer após a consolidação dos investimentos no Brasil, como a construção do parque temático, que pode funcionar como uma vitrine da marca.

    \”Chegar em um país sem ninguém te conhecendo é muito complicado. Por isso, é provável que, a partir de 2028, a gente comece a planejar de forma mais estruturada a ida para fora do Brasil. Quem sabe até com parques, com pacote total, porque isso ajuda a ganhar reconhecimento de marca\”, afirmou.

    Por enquanto, o foco segue no novo e ambicioso capítulo da empresa: a construção de um parque temático no interior de São Paulo. Com investimento estimado em cerca de R$ 2 bilhões, o projeto tem abertura prevista para o fim de 2027.

    Com cerca de 1 milhão de metros quadrados e atrações que devem figurar entre as maiores da América Latina, o parque integra a estratégia da companhia de ampliar sua atuação para além do chocolate. \”Com o avanço do e-commerce, o varejo que não se reinventar será trocado por um clique\”, disse Costa.

    A empresa também já opera dois resorts sob a marca Bendito Cacao, em Águas de Lindóia e Campos do Jordão, no interior de São Paulo. Fora essas novas frentes, a companhia ainda planeja expandir o número de lojas e atingir o total de 5.500 unidades até o fim do próximo ano. \”Também estamos aumentando a superfície das lojas e os serviços oferecidos. Uma unidade de 25 metros virou uma loja de 100 metros, e isso mais que dobra as vendas\”, afirmou o executivo.

    Alta do cacau

    A Cacau Show projeta uma recuperação este ano após enfrentar um ano difícil em 2025, marcado principalmente pela alta expressiva nas cotações do cacau no mercado internacional.

    \”Tivemos o pior resultado dos últimos dez anos em termos de lucratividade por conta do aumento absurdo do preço do cacau. Os custos de produção chegaram a ser seis vezes mais caros pela nossa principal matéria-prima\”, afirmou o CEO.

    O movimento pressionou significativamente os custos da companhia, que optou por não repassar integralmente o aumento ao consumidor. Segundo Costa, o impacto foi absorvido principalmente pelas margens. \”Foi tudo para margem, nós aumentamos 7%. 2026 é um ano de recuperar a margem.\”

    Páscoa

    A Páscoa concentra cerca de 23% das vendas anuais da Cacau Show, sendo o período mais relevante para a companhia. Para 2026, a empresa projeta a maior campanha de sua história, com produção de aproximadamente 25,5 milhões de ovos de chocolate e mais de 31 milhões de itens no total. O portfólio inclui cerca de 75 produtos, dos quais 46 são lançamentos.

    Segundo o CEO Alexandre Costa, o volume coloca a companhia com mais de 50% de participação no mercado brasileiro de ovos de Páscoa. \”O mercado brasileiro é de cerca de 45 milhões de unidades, e nós estamos fazendo 25 milhões e meio\”, afirmou.

    A expectativa também é de crescimento em relação ao ano anterior, com alta de cerca de 13% no volume total de produtos. Durante o período, a companhia prevê receber milhões de consumidores em suas lojas, com picos de até 3 milhões de pessoas por dia.

    A estratégia inclui ainda produtos em diferentes faixas de preço, com itens a partir de R$ 9,99, além de opções voltadas a restrições alimentares, como versões zero açúcar, zero lactose e veganas.

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