Categoria: ECONOMIA

  • Taxa de informalidade cai no mercado de trabalho, mostra IBGE

    Taxa de informalidade cai no mercado de trabalho, mostra IBGE

    Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Mensal (Pnad Contínua) divulgados nesta quinta-feira (5) pelo  Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    A taxa de informalidade atingiu no trimestre de novembro de 2025 a janeiro de 2026 o menor patamar desde o trimestre encerrado em julho de 2020, registrando 37,5%, o que representa 38,5 milhões de trabalhadores informais. 

    No trimestre móvel anterior, tinha registrado 37,8%, e no mesmo trimestre de 2024, 38,4%. 

    Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Mensal (Pnad Contínua) divulgados nesta quinta-feira (5) pelo  Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

     

    A coordenadora da Pnad Contínua, Adriana Beringuy, disse que a informalidade vem em queda desde 2022, com aceleração da trajetória a partir de 2023. 

    A explicação para a queda nesse trimestre, segundo a coordenadora, é a associação da retração da taxa com a tendência de queda do emprego sem carteira no setor privado, além da expansão da cobertura de registro no CNPJ dos trabalhadores por conta própria.

    Embora tenha ressalvado que em 2020 a informalidade registrou queda significativa por causa da pandemia, porque as pessoas pararam de trabalhar, Adriana Beringuy avalia que o momento atual é o de melhor qualidade do emprego existente em toda a série do IBGE.

    “Se eu tirar a observação da pandemia, sim [esse], é o menor indicador de taxa de informalidade da série comparada”, disse durante entrevista para a apresentação dos dados.

    O menor patamar da informalidade no emprego foi em junho de 2020, de 36,6%.

    De acordo com Adriana Beringuy, a retração mais importante foi o segmento dos sem carteira de trabalho. 

    Atualmente a população ocupada do mercado de trabalho brasileiro segue estável como um todo, e seu ramo informal, embora também estável, visto que não chega a ter uma variação tão intensa, reduz um pouco mais. 

    Na avaliação da coordenadora, esse comportamento vai refletir mais adiante na elevação do rendimento do trabalhador.

    “Essa composição tem permitido uma manutenção do rendimento do trabalhador em patamar mais elevado, justamente porque além de preservar quantitativamente os ganhos observados em 2025, entra no ano de 2026 com uma composição que assegura a manutenção do rendimento do trabalho que ficou em R$ 3.652”, explicou.

    Conforme a pesquisa, o rendimento real habitual de todos os trabalhos chegou a R$ 3.652, o mais alto da série, com aumento de 2,8% no trimestre de novembro de 2025 a janeiro de 2026, e de 5,4% na comparação anual. 

    Carteira assinada

    O número de empregados no setor privado com carteira assinada, que exclui trabalhadores domésticos, ficou em 39,4 milhões, o que significa estabilidade no trimestre e avanço no ano de 2,1%, ou seja, mais 800 mil pessoas com carteira assinada. 

    Também ficou estável tanto no trimestre quanto no ano o total de empregados sem carteira no setor privado, que chegou a 13,4 milhões.

    A estabilidade no trimestre está presente também no contingente de trabalhadores por conta própria, com 26,2 milhões, mas na comparação anual avançou 3,7%, ou mais 927 mil pessoas. 

    O número de trabalhadores domésticos (5,5 milhões) também ficou estável no trimestre, no entanto, apresentou recuo de 4,5% no ano, com menos 257 mil pessoas. 

    Para a coordenadora do Pnad, os indicadores são bastante coerentes, e as grandes formas de inserção na ocupação, seja com carteira de trabalho, sem carteira e por conta própria, operam na estabilidade, apesar de estarem em alta na comparação anual.

    “Dado que a população ocupada agora é muito maior do que há um ano, todas essas formas de inserção no confronto anual se mostram crescentes significativamente”, disse.

    Grupamento

    Entre os grupamentos de atividade, frente ao trimestre anterior, houve aumento de 2,8% no total de ocupados nos segmentos de Informação, Comunicação e Atividades Financeiras, Imobiliárias, Profissionais e Administrativas, ou seja, mais 365 mil pessoas e de 3,5% em Outros Serviços, ou mais 185 mil pessoas. 

    A indústria geral ficou em sentido contrário e apresentou recuo de 2,3%, menos 305 mil pessoas.

    Na comparação anual, avançaram os grupamentos de Informação, Comunicação e Atividades Financeiras, Imobiliárias, Profissionais e Administrativas com 4,4% ou mais 561 mil pessoas.

    O grupamento Administração pública, Defesa, Seguridade Social, Educação, Saúde Humana e Serviços Sociais subiu 6,2%, ou mais 1,1 milhão de pessoas. 

    O grupamento de Serviços Domésticos registrou queda de 4,2%, ou menos 243 mil pessoas.

    Pesquisa

    De acordo com o IBGE, a Pnad Contínua é a principal pesquisa sobre a força de trabalho do Brasil, e abrange 211 mil domicílios espalhados por 3.500 municípios visitados a cada trimestre.

    Cerca de 2 mil entrevistadores trabalham nessa pesquisa, integrados às mais de 500 agências do IBGE em todo o país. 

    A partir de 17 de março de 2020, por causa da pandemia da covid-19, o IBGE adotou a coleta de informações da pesquisa por telefone. Em julho de 2021, voltou à forma presencial. 

    Taxa de informalidade cai no mercado de trabalho, mostra IBGE

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  • Vorcaro chega a presídio no interior de SP e ficará 10 dias isolado

    Vorcaro chega a presídio no interior de SP e ficará 10 dias isolado

    Eles chegaram por volta das 8h e estão em uma cela de observação, seguindo o procedimento padrão na chegada à cadeia e serão levados ao pavilhão do regime fechado após dez dias.

    ANA PAULA BRANCO E ROGÉRIO PAGNAN
    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o empresário Fabiano Zettel foram transferidos na manhã desta quinta-feira (5) para a Penitenciária 2 de Potim, a 195 quilômetros da capital. Eles chegaram por volta das 8h e estão em uma cela de observação, seguindo o procedimento padrão na chegada à cadeia e serão levados ao pavilhão do regime fechado após dez dias. Nesse período, a direção da unidade avalia se há risco para o detento ser integrado aos outros presos. Se não tiver problema, vai para convívio no pavilhão do regime fechado.

    Localizada em Potim, no Vale do Paraíba, a Penitenciária 2 passou a ser apelidada nos bastidores como “novo presídio dos famosos”, por concentrar presos envolvidos em casos de grande repercussão nacional, como o médico Roger Abdelmassih e Fernando Sastre, motorista do Porshe envolvido em acidente fatal.

    A mudança ocorreu após o ministro André Mendonça, relator da Operação Compliance Zero no STF (Supremo Tribunal Federal), atender a pedido da Polícia Federal. A corporação alegou que o CDP 2 (Centro de Detenção Provisória) de Guarulhos, onde eles estavam presos, não tinha estrutura adequada para custodiar os investigados.

    Presos preventivamente (sem prazo), Vorcaro e Zettel são acusados de integrar um grupo informal conhecido como “A Turma”, que, segundo a PF, atuaria para monitorar, intimidar e coagir pessoas consideradas adversárias do banqueiro.

    A cidade de Potin é rota de peregrinos para o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, cidade vizinha. A penitenciária 2 foi inaugurada em 2002 e tem quase 8.000 m² de área construída.

    A unidade tem capacidade para 844 pessoas, mas tem 472 reeducandos e começou a receber presos famosos após a unidade de Tremembé -que virou tema de série de streaming- passar por reestruturação para deixar de abrigar presos de alta notoriedade e casos de grande comoção social, focando o regime semiaberto.

    A principal diferença entre Potim 2 e Tremembé é o modelo de construção. A primeira tem características de presídio comum, como grandes muralhas, e considerado de maior segurança. A segunda tem um conceito mais aberto, dando a impressão de um regime semiaberto.

    Tanto um quanto o outro não tem, em tese, presos faccionados. A maioria é de familiares de policiais ou próprios policiais.
    A Penitenciária 2 também abriga o empresário do ramo imobiliário Sérgio Nahas, condenado pelo assassinato da mulher, Fernanda Orfali, em 2002.

    Na época, ele afirmou que a esposa teria se suicidado após uma discussão, versão contestada pela acusação. Laudos periciais indicaram que o disparo que matou Fernanda foi feito a uma distância superior a 50 centímetros e não havia resíduos de pólvora nas mãos dela. O Ministério Público sustentou que se tratava de homicídio duplamente qualificado.

    Condenado inicialmente a sete anos em regime semiaberto, Nahas recorreu e aguardava julgamento em liberdade. Em 2025, o STF aumentou a pena. Ele foi preso na Bahia e transferido para São Paulo, passando a cumprir pena em Potim.

    Também está no local Roger Abdelmassih, médico especializado em reprodução assistida e condenado por dezenas de estupros cometidos contra pacientes em sua clínica. Em 2010, ele foi condenado a 278 anos de prisão por estupro e atentado violento ao pudor. Antes do trânsito em julgado, fugiu do país e foi localizado em 2014 no Paraguai. Após a extradição, passou a cumprir pena no Brasil.

    A pena foi posteriormente redimensionada, mas ele segue em regime fechado. O caso é considerado um dos maiores escândalos criminais da área médica no país.

    Desde o final do ano passado, está também no complexo o ex-auditor fiscal da Sefaz-SP Artur Gomes da Silva Neto, preso preventivamente sob acusação de receber propinas milionárias de redes de varejo para liberar e acelerar o recebimento de créditos de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).

    Apontado como figura central de esquema de fraudes em créditos tributários, a investigação aponta que ele teria usado sua posição na Sefaz-SP para acelerar e aprovar indevidamente processos que beneficiavam companhias como Ultrafarma e Fast Shop, em troca de pagamentos milionários.

    Gomes Neto é alvo de denúncias por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa.

    Outro preso de Potim 2 é o empresário Fernando Sastre de Andrade Filho, 24, após a morte do motorista de aplicativo Ornaldo Silva Viana, 52, em uma batida na madrugada de 31 de março, na zona leste de São Paulo.

    De acordo com a investigação, o empresário perdeu o controle do Porsche e atingiu a traseira de um Renault Sandero conduzido por Viana, que não resistiu. Sastre deixou o local e se apresentou à polícia mais de 30 horas depois.

    Ele responde por homicídio com dolo eventual -quando assume o risco de matar- e lesão corporal gravíssima, por ter ferido também o amigo Marcus Vinicius Machado Rocha, que estava no veículo. As penas somadas podem chegar a 30 anos de prisão. Ele está em prisão preventiva desde 6 de maio, e a Justiça já negou cinco pedidos de liberdade.

    Segundo o Ministério Público, ele havia passado a noite em um bar e em uma casa de pôquer antes do acidente. No primeiro local, o grupo consumiu bebidas alcoólicas.

    Vorcaro chega a presídio no interior de SP e ficará 10 dias isolado

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  • Preços do gás na Europa sobem após Putin sugerir corte no fornecimento

    Preços do gás na Europa sobem após Putin sugerir corte no fornecimento

    Cotações avançam até 8,3% após fala; porta-voz russo diz que governo se reunirá em breve para tratar do tema Preço do carvão dispara com interrupção do fornecimento no estreito de Hormuz

    (FOLHAPRESS) Os preços de referência do gás no atacado na Holanda e no Reino Unido sobem na manhã desta quinta-feira (5), depois que o presidente Vladimir Putin alertou que a Rússia poderia interromper seus fluxos remanescentes de gás para a Europa.

    A declaração aumentou as preocupações de abastecimento do continente após a QatarEnergy anunciar força maior em embarques de GNL (gás natural liquefeito). A força maior é um dispositivo que isenta a empresa de responsabilidades por falhas no fornecimento.

    O contrato holandês de primeiro mês, preço de referência para a Europa, subiu 2% para 49 euros por megawatt-hora às 09h28, após ter avançado 8,3% para 52,80 euros/MWh mais cedo na sessão.

    O contrato britânico de abril, que subiu 7,2% mais cedo na sessão, era negociado em alta de 2,1% a 129,5 libras, segundo dados da ICE.

    Questionado pela televisão estatal russa sobre os planos europeus de proibir às importações de gás russo por gasoduto até o final de 2027 e de banir novos contratos de GNL russo a partir do final de abril de 2026, Putin disse que pode ser mais vantajoso para a Rússia parar de vender o gás agora mesmo.

    Putin disse, de acordo com uma transcrição divulgada pelo Kremlin, que com outros mercados se abrindo “talvez seja mais lucrativo parar de fornecer ao mercado europeu agora mesmo”.

    Segundo o vice-primeiro-ministro Alexander Novak, o governo russo se reunirá em breve para discutir a interrupção das exportações de gás para a Europa.

    “Nos reuniremos em breve, conforme instruído pelo presidente, para discutir a situação atual com as empresas de energia e possíveis rotas de transporte para nossos suprimentos energéticos”, disse Novak, que é o homem de confiança de Putin para questões energéticas, a repórteres nesta quinta.

    A Rússia costumava fornecer cerca de 40% do gás por gasoduto da UE (União Europeia). No ano passado, forneceu apenas 6%, segundo dados da Comissão Europeia.

    “A ameaça de Putin coloca em risco uma quantidade considerável de fornecimento… Os fluxos de GNL são o principal problema. Em tempos normais, seria mais administrável um ajuste nos fluxos comerciais do mercado de GNL. No entanto, com 110 de bilhões de metros cúbicos (bcm) por ano de (GNL do) Golfo paralisados, isso seria um desafio para a Europa”, disseram analistas do ING em nota matinal.

    “A escassez no mercado global de GNL significa que compradores asiáticos estão buscando fornecimento alternativo”, afirmaram os analistas do ING.

    A tarefa da Europa de reabastecer os estoques de gás para o próximo inverno, entre dezembro e março, ficou mais cara, já que as consequências da guerra dos EUA e Israel contra o Irã perturbam a produção e os embarques de GNL, restringindo a oferta e fazendo os preços dispararem. Os preços do gás na Europa subiram 53% desde o início das hostilidades no sábado.

    Compradores na Europa precisam encontrar o equivalente a cerca de 700 cargas de GNL, ou 67 bcm, para encher os estoques neste verão, segundo analistas da Kpler, o que representa cerca de 180 cargas, ou 17 bcm, a mais do que no ano passado.

    Os Estados Unidos, maior produtor mundial de GNL, têm pouca capacidade ociosa para aumentar rapidamente a produção de GNL e compensar o fornecimento perdido, segundo cálculos da Reuters e analistas do setor, já que as plantas já operam próximas da capacidade máxima, e a maioria das cargas está comprometida em contratos de longo prazo.

    PREÇOS DO CARVÃO DISPARAM COM EMPRESAS BUSCANDO ALTERNATIVA AO GÁS

    Os preços do carvão dispararam para o maior patamar em mais de dois anos, à medida que a alta dos preços do gás provocada pela guerra no Irã leva empresas de energia a buscar suprimentos adicionais de carvão para manter as luzes acesas.

    Na Europa, os preços do carvão térmico usado em usinas de energia subiram 26% desde a véspera da guerra, atingindo US$ 133 por tonelada, com ganhos semelhantes nos mercados australiano e asiático, segundo dados de preços da Argus.

    Os preços europeus do carvão térmico usado em usinas de energia subiram 26% desde a véspera da guerra, atingindo US$ 133 por tonelada, com ganhos semelhantes nos mercados australiano e asiático, segundo dados de preços da Argus.

    “Sem dúvida, os mercados globais de carvão não viam uma pressão de preços assim desde a invasão russa da Ucrânia”, disse Tom Price, analista da Panmure Liberum. “É o maior choque no mercado de carvão em vários anos.”

    Após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, os países europeus queimaram mais carvão enquanto trabalhavam para se livrar do gás russo. Os preços do carvão atingiram recordes de mais de US$ 400 por tonelada após a invasão.

    Embora a guerra no Irã tenha pouco impacto direto no movimento de carvão pelo mundo –muito pouco dele passa pelo estreito de Ormuz–, ela fez os preços do petróleo e do gás dispararem e levantou preocupações sobre o fornecimento de gás natural liquefeito.

    Isso levou empresas de energia que normalmente dependem do gás a recorrer a usinas a carvão mais poluentes como alternativa, particularmente em lugares como Japão, Coreia do Sul, Taiwan e União Europeia.

    Um conflito prolongado no Oriente Médio poderia elevar os preços do carvão para quase o dobro dos níveis atuais, para cerca de US$ 250 por tonelada, especialmente se a crise energética reativar usinas termelétricas a carvão desativadas, disse Alex Thackrah, gerente sênior de carvão da Argus.

    George Cheveley, gestor de portfólio da Ninety One, disse que o carvão está se beneficiando de preocupações sobre o fornecimento de energia, bem como de cortes de produção feitos durante os últimos anos.

    “Claramente, preços de energia mais altos terão algum efeito na demanda por carvão em alguns mercados”, disse ele. “Tudo depende de quanto tempo isso vai durar.”

    Preços do gás na Europa sobem após Putin sugerir corte no fornecimento

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  • Banco Central me pediu para ouvir proposta de André Esteves sobre o Master, diz Vorcaro

    Banco Central me pediu para ouvir proposta de André Esteves sobre o Master, diz Vorcaro

    Dono do BTG Pactual diz que reitera que ‘nunca tivemos interesse na compra do negócio do Master, fazendo apenas compras pontuais de ativos não problemáticos’; Banco Central ainda não respondeu; em conversas com a namorada, dono do Master disse que ‘guerra com André tá exposta’

    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Daniel Vorcaro afirmou em mensagens de celular trocadas com sua namorada que o Banco Central pediu que ele se reunisse com o banqueiro André Esteves, dono do BTG Pactual, em abril do ano passado para ouvir uma proposta sobre o Banco Master. Segundo as mensagens, Esteves disse na ocasião que o ex-banqueiro deveria “agradecer a Deus a proposta dele”.

    O conteúdo das mensagens de celular foi entregue pela PF (Polícia Federal) à CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do Congresso sobre desvios no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e obtido pela reportagem.

    Em nota, a assessoria do BTG afirmou que reitera a “posição manifestada por meio de ‘comunicados ao mercado’ feitos pelo BTG ao longo deste período” e que “nunca tivemos interesse na compra do negócio do Master, fazendo apenas compras pontuais de ativos não problemáticos em momentos de falta de liquidez desta instituição”. O Banco Central foi procurado por email e ainda não comentou.

    As conversas de Vorcaro com Martha Graeff são posteriores ao anúncio de compra do Master pelo BRB (Banco de Brasília), em março do ano passado. O negócio acabou não se concretizando, pois foi barrado pelo Banco Central em setembro.

    Na troca de mensagens, ocorrida em 4 de abril de 2025, Vorcaro envia à namorada uma reportagem sobre “os estratagemas de André Esteves para brecar a operação entre o Banco Master e o BRB”. Ela questiona, então, como foi a reunião entre os dois.

    Vorcaro responde que ela não acreditaria nas frases de Esteves e que levou Augusto Lima, seu então sócio no Master, “para ter uma testemunha”. “André disse que era o maior banqueiro do mundo. E ele era Deus que apareceu na nossa vida. Que tínhamos que agradecer a Deus a proposta dele. E esquecer o BRB”, contou.

    Ela pergunta, então, se ainda tinha como incluir Esteves no negócio e ele responde que foi ao encontro do dono do BTG a pedido do Banco Central. “Fui lá pq Banco Central pediu pq ele é ardiloso. Entra na mente dos caras do Bacen”, disse.

    Mas, segundo Vorcaro disse à namorada, “só os peixinhos da Faria Lima que embarcaram”. “Todos os grandes empresários, políticos, até amigos dele ficaram contra”.

    De acordo com reportagens da imprensa na época, Esteves negociava uma proposta que envolvia o uso do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) para cobrir problemas de lastro que pudessem aparecer nas operações de risco do Master e a compra pelo BTG de cerca de R$ 3 bilhões da carteira de precatórios (dívidas judiciais de órgãos públicos) do banco.

    No dia 3 de abril, um dia antes da troca de mensagens sobre a reunião, o BTG Pactual divulgou comunicado ao mercado dizendo que nunca fez proposta para aquisição de ativos ou de participação no capital social do Banco Master, após ser cobrado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) para que esclarecesse de maneira objetiva se poderia entrar na transação.

    Em outra troca de mensagens com a namorada, esta em 2024, Vorcaro também comentou sobre o interesse do BTG no Master. “Esteves me deu uma espremida pra ele ficar com o banco. Ao invés irmãos”, em provável referência aos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos do PicPay, Banco Original e da JBS, que chegaram a negociar a compra de ativos do banco.

    Mais à frente, em março de 2025, Vorcaro relatou também que ele e Esteves pararam de se falar e que “as pessoas do mercado entendem que as matérias ruins estão erradas e compradas por ele”. “Agora a guerra com André tá exposta”, escreveu.

    Banco Central me pediu para ouvir proposta de André Esteves sobre o Master, diz Vorcaro

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  • CNU tem validade estendida até 2027

    CNU tem validade estendida até 2027

    Medida permite que órgãos federais tenham mais tempo para convocar candidatos aprovados; prorrogação vale para todos os cargos, exceto analista em tecnologia da informação

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O governo federal decidiu prorrogar por mais 12 meses o prazo de validade da primeira edição do CNU (Concurso Público Nacional Unificado), conhecido como o “Enem dos Concursos”, realizada em 2024. A medida amplia o período em que candidatos aprovados poderão ser convocados para assumir os cargos no serviço público federal.

    De acordo com edital do MGI (Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos) publicado nesta quinta-feira (5), os meses de prorrogação são contados a partir da data de homologação de cada cargo.

    Segundo o MGI, a decisão permite ao governo federal ter até mais um ano para realizar convocações dentro do cadastro de aprovados. Para os cargos que não possuem curso de formação, cuja homologação ocorreu em 7 de março de 2025, o prazo de validade do concurso passa a vigorar até 6 de março de 2027.

    Já nos cargos que exigem curso de formação ou prova didática, a nova data de validade varia de acordo com o momento em que cada resultado foi homologado. Nesses casos, os prazos atualizados variam de abril a setembro de 2027.

    A prorrogação abrange todos os cargos do CNU 1, menos o de analista em tecnologia da informação. Isso porque, neste caso, todos os candidatos aprovados em cadastro de reserva já foram convocados.

    As demais regras e condições estabelecidas nos editais do concurso permanecem inalteradas, segundo o ministério da gestão.

    O QUE MUDA NA PRÁTICA

    O MGI afirma que a prorrogação permite que os órgãos federais tenham mais tempo para convocar candidatos aprovados, tanto para vagas imediatas quanto para eventuais reposições ou novas autorizações de provimento durante o período de validade do concurso.

    O CNU reúne cargos distribuídos em diferentes áreas estratégicas da administração pública federal, organizadas nos oito blocos temáticos:
    – Infraestrutura, engenharias e ciências exatas
    – Tecnologia, dados e informação
    – Áreas ambiental, agrária e biológicas
    – Trabalho e saúde do servidor
    – Educação, saúde, desenvolvimento social e direitos humanos
    – Setores econômicos e regulação
    – Gestão governamental e administração pública
    – Nível intermediário

    As tabelas publicadas no edital apresentam todas as carreiras e cargos abrangidos pela prorrogação, organizados por blocos temáticos do CNU. Para cada cargo são informados:
    – o órgão responsável pela vaga
    – o cargo
    – a especialidade ou área de formação exigida
    – o código do cargo no edital
    – e, nos casos com curso de formação, a nova data final de validade do concurso

    Nos cargos sem curso de formação, o prazo é uniforme: 6 de março de 2027. Já nas carreiras que exigem formação específica após o concurso as datas variam conforme o cronograma de homologação.

    VEJA AS NOVAS DATAS DE VIGÊNCIA PARA CADA CARGO

    Blocos Temáticos – Órgãos – Cargos – Especialidades – Data de vigência após prorrogação

    1 – Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos – MGI – Analista de Infraestrutura (AIE) – Arquitetura B1-08-A – 13 de agosto de 2027
    1 – Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos – MGI – Analista de Infraestrutura (AIE) – Engenharia Civil B1-08-B
    1 – Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos – MGI – Analista de Infraestrutura (AIE) – Engenharia Elétrica, Eletrônica, Telecomunicações, Eletrotécnica ou Energia B1-08-C
    1 – Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos – MGI – Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental (EPPGG) – Qualquer área de conhecimento B1-08-F – 4 de setembro de 2027
    1 – Agência Nacional de Energia Elétrica – Especialista em Regulação de Serviços Públicos de Energia – Qualquer área de conhecimento B1-02-A – 4 de junho de 2027
    2 – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE – Pesquisador em Informações Geográficas e Estatísticas – Estatística B2 03-D – 23 de abril de 2027
    2 – Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos – MGI – Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental (EPPGG) – Qualquer área de conhecimento B2-08-C – 4 de setembro de 2027
    2 – Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos – MGI – Analista Técnico de Políticas Sociais – ATPS – Tecnologia da Informação B2-08-B – 15 de setembro de 2027
    3 – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE – Pesquisador em Informações Geográficas e Estatísticas – Geografia B3-02-A – 23 de abril de 2027
    3 – Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos – MGI – Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental (EPPGG) – Qualquer área do conhecimento B3-06-B – 4 de setembro de 2027
    3 – Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos – MGI – Analista de Infraestrutura (AIE) – Geociências B3-06-A – 13 de agosto de 2027
    4 – Ministério do Trabalho e Emprego – MTE – Auditor-Fiscal do Trabalho (AFT) – Qualquer área de conhecimento B4-04-A – 13 de agosto de 2027
    4 – Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos – MGI – Analista Técnico de Políticas Sociais – ATPS – Qualquer área de conhecimento B4-03-A – 15 de setembro de 2027
    4 – Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos – MGI – Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental (EPPGG) – Qualquer área de conhecimento B4-03-B – 4 de setembro de 2027
    5 – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE – Pesquisador em Informações Geográficas e Estatísticas – Demografia B5-03-B – 23 de abril de 2027
    5 – Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos – MGI – Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental (EPPGG) – Qualquer área de conhecimento B5-07-C – 4 de setembro de 2027
    5 – Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos – MGI – Analista Técnico de Políticas Sociais – ATPS (MGI, MJSP, MDHC, MEC) – Qualquer área de conhecimento B5-07-B – 15 de setembro de 2027
    6 – Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos – MGI – Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental (EPPGG) – Qualquer área de conhecimento B6-09-B – 4 de setembro de 2027
    6 – Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços – MDIC – Analista de Comércio Exterior (ACE) – Qualquer área de conhecimento B6-10-A – 17 de julho de 2027
    6 – Agência Nacional de Energia Elétrica – Especialista em Regulação de Serviços Públicos de Energia – Qualquer área de conhecimento B6-02-A – 4 de junho de 2027
    6 – Agência Nacional de Saúde Suplementar – Especialista em Regulação de Saúde Suplementar – Qualquer área de conhecimento B6-03-A – 4 de junho de 2027
    6 – Agência Nacional de Transportes Aquaviários – Especialista em Regulação de Serviços de Transportes Aquaviários – Qualquer área de conhecimento B6-04-A – 4 de junho de 2027
    7 – Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos – MGI – Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental (EPPGG) – Qualquer área de conhecimento B7-09-E – 4 de setembro de 2027

    Fonte: Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos

    CNU tem validade estendida até 2027

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  • Desemprego fica em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro, segundo IBGE

    Desemprego fica em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro, segundo IBGE

    Instituto encontrou 5,9 milhões de pessoas de 14 anos ou mais em busca de trabalho; dados fazem parte da Pnad-Contínua, que inclui vagas de emprego formal e informal

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A taxa de desemprego do Brasil ficou em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro de 2026, após marcar os mesmos 5,4% nos três meses encerrados em outubro, que servem de base de comparação. Esse é, portanto, o menor da série comparável.

    Os dados fazem parte da Pnad-Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) e foram divulgados nesta quinta (5) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O levantamento inclui tanto o mercado de trabalho formal quanto o informal.

    A mediana das projeções do mercado financeiro era uma taxa de 5,4%, segundo a agência Bloomberg.

    Até a divulgação desta quinta, a menor taxa em todos os trimestres havia sido de 5,1%, nos três meses encerrados em dezembro de 2025. O IBGE, contudo, evita a comparação direta entre trimestres consecutivos que compartilham meses em comum.

    A coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, Adriana Beriguy, afirma que os resultados do trimestre apontam para a estabilidade dos indicadores de ocupação.

    Ela explica que há no mês de janeiro uma tendência de redução no contingente de trabalhadores, muitas vezes devido à dispensa de temporários, mas diz que os dados favoráveis de novembro e dezembro reduziram o impacto desse movimento sazonal.

    No trimestre até janeiro, o instituto encontrou 5,9 milhões de pessoas de 14 anos ou mais em busca de trabalho. Em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, quando eram 7,1 milhões, houve queda de 17,1%.

    Na série da Pnad, iniciada em 2012, o maior contingente de desocupados foi registrado no trimestre até março de 2021, na pandemia de Covid-19. À época, o indicador chegou a quase 15 milhões.

    POPULAÇÃO OCUPADA

    Já o número de ocupados com algum trabalho alcançou quase 102,7 milhões. Houve aumento de 1,7% (1,7 milhões a mais de pessoas) no ano. O nível de ocupação foi de 58,7%, com estabilidade no trimestre (58,8%) e crescendo 0,5 p.p. no ano (58,2%).

    A taxa de informalidade foi de 37,5%, ante 37,8% no trimestre encerrado em outubro e 38,4% um ano antes.

    A coordenadora da pesquisa diz que a informalidade está em queda desde 2022, com aceleração dessa trajetória desde 2023. “No atual trimestre, a retração da taxa esteve associada à tendência de queda do emprego sem carteira no setor privado e de expansão da cobertura de registro no CNPJ dos trabalhadores por conta própria”, afirma.

    RENDA MÉDIA

    No trimestre até janeiro, o rendimento médio do trabalho alcançou R$ 3.652 por mês, aumento de 2,8% no trimestre e 5,4% no ano. Esse é o maior valor da série em termos reais (com ajuste pela inflação).

    A massa de rendimento real ficou em R$ 370,3 bilhões, alta de 2,9% no trimestre e 7,3% no ano.

    TIRE SUAS DÚVIDAS SOBRE DESEMPREGO

    O que é desemprego?

    Segundo o IBGE, o desemprego se refere às pessoas de 14 anos ou mais que não estão trabalhando, mas que estão disponíveis e tentam encontrar trabalho.

    Para alguém ser considerado desempregado, não basta não possuir um emprego. É preciso que essa pessoa também procure oportunidades.

    Como funciona a Pnad Contínua?

    É o principal instrumento para monitorar a força de trabalho do país. Conforme o IBGE, sua amostra corresponde a 211 mil domicílios, em todos os estados e no DF, que são visitados a cada trimestre. Cerca de 2.000 entrevistadores trabalham na coleta da pesquisa.

    Como é medida a taxa de desemprego?

    É o percentual da força de trabalho formado pelas pessoas que estão desempregadas.

    A força de trabalho é composta pelos desempregados e pelos ocupados. Os ocupados, por sua vez, são aqueles que estão trabalhando de modo formal ou informal -ou seja, com ou sem carteira ou CNPJ.

    O que explica o desemprego baixo?

    Segundo economistas, ele se explica principalmente por um mercado de trabalho aquecido, reflexo de contratações nos setores privado e público. Mudanças demográficas e tecnológicas também contribuem para uma taxa baixa.

    Isso é uma boa notícia?

    O desemprego baixo indica um cenário positivo para os trabalhadores.

    Que efeito o desemprego baixo pode ter na economia?

    Com mais pessoas trabalhando, o consumo tende a crescer, já que a população tem mais renda disponível. Por outro lado, isso pode pressionar a inflação, já que aumenta a demanda por bens e serviços.

    Assim, o BC (Banco Central) levou a taxa básica de juros para 15% ao ano. A medida busca esfriar o consumo para conter a alta dos preços.

    Desemprego fica em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro, segundo IBGE

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  • INSS detecta novo consignado irregular do Master, como Credcesta, e vê indícios de fraude

    INSS detecta novo consignado irregular do Master, como Credcesta, e vê indícios de fraude

    Contratos de M Fácil têm duplicação de nomes, omissão de juros e ausência de assinatura, e casos foram levados a órgãos de controle; defesa de Daniel Vorcaro diz que banco sempre atuou em estrita observância a normas do crédito consignado

    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) detectou um produto do Banco Master, na área de créditos e benefícios consignados, que também era ofertado de forma irregular e que estava, até a semana passada, fora do radar das apurações internas tocadas pelo órgão federal.

    Há indícios de fraude em contratos do M Fácil Consignado, com nomes duplicados em um mesmo contrato, omissão dos juros cobrados e ausência de assinatura que permitisse uma conferência mínima sobre a validação do benefício consignado.

    Segundo o presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, o M Fácil é equivalente ao Credcesta, um produto criado em 2018 por Augusto Lima e levado ao Master, onde Lima se tornou sócio de Daniel Vorcaro.

    Após expansão junto a servidores públicos em estados e municípios, o Credcesta passou a ser ofertado a aposentados e pensionistas do INSS.

    É um cartão de benefício consignado que tem operação irregular, sem amparo legal e com possibilidade de incidência de juros sobre juros nos contratos firmados, conforme avaliação de Waller Júnior, como a Folha de S.Paulo mostrou em reportagem publicada nesta segunda-feira (2).

    Os contratos do Credcesta serão cancelados, diante da nebulosidade dos termos e do método de transferência de uma modalidade de crédito a outra, sem clareza sobre juros adotados.

    Na semana passada, a partir de uma análise contrato a contrato, o INSS detectou que o M Fácil também tinha operação irregular, inclusive com indícios de fraudes, o que deu início a uma apuração, ainda em curso, sobre a extensão da operação do M Fácil junto a clientes do Master.

    A detecção foi feita em conjunto com a CGU (Controladoria-Geral da União) e comunicada a outros órgãos de controle.

    Em nota, a defesa de Vorcaro afirmou que o Master respeitou as normas e procedimentos do INSS.

    “O banco sempre atuou em estrita observância às normas e aos procedimentos estabelecidos pelo INSS para a concessão de crédito consignado, incluindo os requisitos de formalização, identificação do contratante e comprovação de consentimento”, disse.

    O Banco Central, responsável pelo processo de liquidação do Master, não respondeu aos questionamentos da reportagem.

    Contratos do M Fácil analisados pelo INSS não permitem verificar se a assinatura eletrônica do beneficiário é verdadeira. Também não há dados expressos sobre juros e valores das parcelas.

    Os casos devem ser levados à esfera criminal, segundo o órgão, em razão de indícios de fraudes.

    “Para o INSS, é como se M Fácil Consignado e Credcesta não existissem, porque a gente só autoriza a fazer consignado em contrato específico do segurado com a instituição financeira”, disse o presidente da autarquia.

    “Quando há a migração de um crédito para o consignado, essa migração já ocorre com várias irregularidades, em que não há autonomia para verificação. Não há como quebrar sigilo bancário, verificar os descontos, se foi atribuído um juro indevido ou não”, completa Waller Júnior. “O nosso aposentado fica desesperado por dinheiro, e consegue o que é mais fácil.”

    Por meio de um acordo de cooperação técnica com o governo federal, entre setembro de 2020 e setembro de 2025, o Master operou em todas as linhas de consignados do INSS.

    Esse acordo deixou de ser renovado, diante da iminente crise do banco e das suspeitas de fraudes em transações de carteiras, inclusive de consignados. Na prática, representou um descredenciamento do Master para operação de créditos e benefícios consignados.

    No site da instituição, o M Fácil passou a ser divulgado como um empréstimo pessoal -sem a palavra “consignado”- no valor de R$ 150 a R$ 1.500. Antes, oferecia benefícios como descontos em farmácias. O Banco Central decretou a liquidação do banco em novembro.

    Benefícios consignados como o Credcesta -que é similar ao M Fácil, segundo o INSS- foram permitidos a aposentados e pensionistas do INSS a partir de uma MP (medida provisória) em 2022, no governo de Jair Bolsonaro (PL).

    O Credcesta tinha contrato de exclusividade de 15 anos com o governo da Bahia, na gestão de Rui Costa (PT), que é ministro da Casa Civil da Presidência desde o início do governo Lula (PT). No Master, expandiu-se pelo país, chegando a 24 estados e 176 municípios no final de 2024.

    Quando surgiram as denúncias de que havia uma quadrilha simulando consignados no INSS, o Master foi uma das primeiras instituições a ter o registro suspenso.

    Em 17 de novembro, Daniel Vorcaro e Augusto Lima foram presos pela PF (Polícia Federal) dentro da investigação que apura fraudes na venda de carteiras de crédito para o BRB (Banco de Brasília). A suspeita é de que haviam organizado um esquema para simular a criação de carteiras sem lastro.

    O ex-banqueiro voltou a ser preso nesta quarta-feira (3) em nova fase da Operação Compliance Zero que apontou a existência de um suposto grupo em torno de Vorcaro voltado à vigilância e intimidação de desafetos.

    INSS detecta novo consignado irregular do Master, como Credcesta, e vê indícios de fraude

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  • Indício de envolvimento de servidores no caso Master gera clima de abatimento no BC

    Indício de envolvimento de servidores no caso Master gera clima de abatimento no BC

    Paulo Souza e Belline Santana foram alvos de operação realizada pela Polícia Federal; funcionários temem que episódio afete credibilidade da instituição e do corpo técnico

    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O indício de envolvimento do ex-diretor de Fiscalização do Banco Central, Paulo Souza, e do ex-chefe do departamento de supervisão bancária, Belline Santana, no caso Master gerou um clima de abatimento e perplexidade entre os funcionários.

    Segundo relatos feitos à reportagem sob condição de anonimato, há temor de que o episódio contamine negativamente a opinião pública sobre a atuação dos técnicos do BC. Há preocupação com as consequências sobre a credibilidade da instituição.

    Os dois servidores do BC foram alvos de operação de busca e apreensão realizada nesta quarta-feira (4) pela Polícia Federal. O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou que ambos usem tornozeleira eletrônica.

    De acordo com a decisão de Mendonça, Souza e Santana atuavam como consultores privados do banqueiro Daniel Vorcaro para assuntos relacionados ao BC, recebendo propina por isso. Entre os pagamentos, é mencionada uma viagem para a Disney feita pelo ex-diretor cujo guia foi pago pelo dono do Master.

    Um integrante do BC se disse incrédulo com a situação, outro funcionário contou ter ficado abatido quando tomou conhecimento do assunto, e uma terceira pessoa falou em choque e surpresa entre os funcionários. Os servidores, contudo, evitaram julgar a conduta dos antigos colegas e condená-los antecipadamente.

    Em nota, a ANBCB (Associação Nacional dos Auditores do Banco Central), que representa uma parcela dos servidores, disse considerar extremamente graves os apontamentos da terceira fase da operação Compliance Zero.

    “Condutas irregulares devem ser rigorosamente investigadas e, se confirmadas, punidas com estrita observância ao devido processo legal”, afirmou.

    A entidade destacou a atuação do BC e a celeridade de reação ao acionar seus mecanismos de controle interno e afastar preventivamente os envolvidos.

    “Episódios como este reforçam a necessidade permanente de aprimorar a governança e os mecanismos de integridade institucional. Instituições fortes são aquelas capazes de identificar e corrigir seus próprios erros com firmeza”, acrescentou.

    Nesta quarta, o Banco Central disse ter identificado indícios de vantagens indevidas por parte de dois servidores durante investigação interna sobre o caso Master. O processo está sendo conduzido sob sigilo pela corregedoria do órgão.

    “De imediato, o Banco Central afastou cautelarmente os referidos servidores do exercício de seus cargos e do acesso às dependências da instituição e a seus sistemas, instaurou procedimentos correcionais para apuração dos fatos e comunicou os indícios de prática de crimes à Polícia Federal”, disse a autoridade monetária em nota.

    O BC também expressou “convicção” de que o trabalho realizado pela PF representa um “passo essencial para o pleno esclarecimento dos fatos”. “Observado o devido processo legal e o direito à ampla defesa, as condutas infracionais identificadas receberão a devida resposta sancionatória, de acordo com a lei”, acrescentou.

    De acordo com um interlocutor, as providências foram prontamente tomadas quando indícios de irregularidades foram detectados. Na visão do interlocutor, foram condutas isoladas e a governança do BC funcionou. O sentimento na cúpula do BC é de confiança de que foi feito o que era necessário e que a instituição será preservada.

    Como mostrou a Folha de S. Paulo, o BC tem feito uma revisão interna do processo de fiscalização envolvendo o Banco Master, desde a expansão do conglomerado de Vorcaro até a liquidação da instituição em novembro de 2025. Souza e Santana deixaram suas funções de confiança em janeiro, mas já tinham sido afastados pelo presidente Gabriel Galípolo.

    Indício de envolvimento de servidores no caso Master gera clima de abatimento no BC

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  • Grupo de Vorcaro é suspeito de acessar sistemas da PF, MPF e até Interpol, diz Mendonça

    Grupo de Vorcaro é suspeito de acessar sistemas da PF, MPF e até Interpol, diz Mendonça

    Suspeitas foram apontadas na decisão do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que determinou a prisão do banqueiro nesta quarta-feira (4)

    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – As investigações relacionadas a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, chegaram a suspeitas de que seu grupo acessou indevidamente sistemas sigilosos da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até da Interpol.

    As suspeitas são apontadas na decisão do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que determinou a prisão do banqueiro nesta quarta-feira (4).

    As condutas foram atribuídas a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apelidado de “Sicário”. Após ser preso nesta quarta-feira (4), Mourão se suicidou.

    A PF afirma que ele era o responsável por coordenar atividades voltadas à obtenção de informações e monitoramento de pessoas de interesses do banqueiro.

    Ele fazia parte do grupo “A Turma”, usado para discutir ações sobre adversários de Vorcaro.

    “O investigado organizava e executava diligências destinadas à identificação, localização e acompanhamento de pessoas que mantinham relação com investigações ou com críticas às atividades do grupo econômico ligado ao Banco Master”, diz Mendonça, em sua decisão.

    Mourão acessava, segundo ele, “dados em sistemas restritos de órgãos públicos, incluindo bases de dados utilizadas por instituições de segurança pública e investigação policial”.

    “Tais acessos teriam ocorrido mediante utilização de credenciais funcionais pertencentes a terceiros, permitindo a obtenção de informações protegidas por sigilo institucional. A partir dessa metodologia, de acordo com a autoridade policial, o investigado teria obtido acesso indevido aos sistemas da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal, e até mesmo de organismos internacionais, tais como FBI e Interpol”, acrescenta o ministro.

    Ele também, de acordo com as investigações, atuava para remover conteúdos de perfis e plataformas digitais, simulando solicitações de órgãos públicos, como o Ministério Público.

    Mourão era o responsável, de acordo com as investigações, por promover as ações de intimidação dos adversários de Vorcaro. A Folha de S. Paulo não conseguiu localizar a defesa do auxiliar de Vorcaro até a publicação desta reportagem.

    Em nota, a defesa de Vorcaro disse que “o empresário sempre esteve à disposição das autoridades, colaborando de forma transparente com as investigações desde o início, e jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça”.

    “A defesa nega categoricamente as alegações atribuídas a Vorcaro e confia que o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta”, diz a nota. “Reitera sua confiança no devido processo legal e no regular funcionamento das instituições.”

    Grupo de Vorcaro é suspeito de acessar sistemas da PF, MPF e até Interpol, diz Mendonça

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  • Senado aprova acordo UE-Mercosul e texto segue para Lula assinar

    Senado aprova acordo UE-Mercosul e texto segue para Lula assinar

    A votação foi simbólica, quando não há contagem de votos.

    FERNANDA BRIGATTI E MARCOS HERMANSON
    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O Senado aprovou nesta quarta-feira (4) o acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul, abrindo caminho para a vigência temporária do tratado negociado desde 1999 entre as duas regiões que juntas têm um PIB (Produto Interno Bruto) de US$ 22 trilhões.

    A votação foi simbólica, quando não há contagem de votos.
    O acordo segue agora para sanção do presidente Lula (PT), que depois notificará a União Europeia. A senadora Tereza Cristina (PP-MS), relatora do acordo no Senado, disse que o tratado é singular por seu alcance, ao instituir uma das maiores zona de livre comércio do mundo, mas por iniciar a “transição para uma nova dinâmica internacional.

    A senadora não citou nominalmente os Estados Unidos em seu voto, mas afirmou que nacionalismo e protecionismo passam por recrudescimento, assim como o uso de poder econômico e comercial como instrumento de pressão política.

    “Ao se fecharem para, supostamente, colocarem-se ‘em primeiro lugar’, os países renunciam à construção de um sistema em que todos possam prosperar”, afirmou Tereza Cristina, que foi ministra da Agricultura no governo Jair Bolsonaro (PL).

    A vigência temporária do acordo -que não tem prazo para acabar e não guarda diferenças significativas com relação à vigência definitiva- agora está nas mãos da Comissão Europeia, que tem os instrumentos para apertar o botão “start”.

    O governo espera que, com a votação e a assinatura pelo presidente ainda em março, o acordo entre em vigor a partir de maio, como determinam as regras do tratado.

    Para finalizar as votações no Congresso Nacional, o governo Lula negociou com a bancada ruralista um pacote de salvaguardas para atender ao agronegócio e à indústria, que temiam perder competitividade com a abertura comercial.

    O pacote inclui um decreto que disciplinará investigações comerciais por possíveis violações do acordo e de proteções aos produtores brasileiros. O texto foi assinado pelo presidente Lula nesta quarta e foi publicado em edição extra do Diário Oficial da União.

    Essas salvaguardas permitirão a suspensão temporária da redução de tarifas em caso de surto de importações, e respondem a uma demanda feita principalmente pelo agronegócio. Também são uma resposta às medidas protetivas implementadas na UE após protestos de agricultores em países como França, Polônia e Bélgica.
    Além das salvaguardas, o acordo prevê algumas proteções específicas, como as cotas de importação para o leite e os prazos de 8 a 12 anos para retirada gradual da tarifa de importação do vinho -dois dos setores que apresentaram preocupações com relação ao tratado.

    O acordo já foi confirmado nos parlamentos de Argentina e Uruguai. Na União Europeia, onde os termos jurídicos do tratado são alvo de uma revisão determinada pelo Parlamento Europeu, o livre comércio entrará em vigor de maneira provisória, segundo Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia.
    Cerca de metade da cesta de produtos importada atualmente pelo Brasil da União Europeia terá 10 ou mais anos de desgravação -como é chamada a retirada gradual das tarifas. Outros 14% terão tarifa zero imediatamente, mas destes, quase todos já entravam no país sem pagar impostos.

    Quando o acordo estiver valendo em sua totalidade, 91% das mercadorias comercializadas entre os dois blocos ficarão livres de tarifa de importação.

    O acordo prevê, por exemplo, tarifa zero para produtos industriais, como máquinas, automóveis, produtos químicos, aeronaves e equipamentos de transporte. Em alguns casos, a alíquota zerada pode prejudicar fabricantes brasileiros, que passarão a competir diretamente com os europeus.

    As negociações para um acordo de livre-comércio entre os dois blocos começaram em 1999. A assinatura do acordo só aconteceu em janeiro deste ano, no Paraguai.

    Mesmo com resistências de parte da bancada ruralista, o governo via, às vésperas da aprovação pelo Senado, uma convergência positiva dos parlamentares brasileiros e um esforço geral dos países do Mercosul pela aprovação rápida do acordo.

    Em 2025, a corrente comercial bilateral entre Brasil e União Europeia foi de US$ 100 bilhões (R$ 550 bilhões). Combustíveis, café e minérios estão entre os produtos mais exportados pelo país, que em troca importa principalmente máquinas, produtos farmacêuticos e veículos rodoviários.

    O Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) calcula que o acordo terá efeito positivo de 0,34% sobre o produto interno bruto e de 0,76% nos investimentos até 2044.

    Senado aprova acordo UE-Mercosul e texto segue para Lula assinar

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