Categoria: ECONOMIA

  • Desenrola 2.0 vem em boa hora, diz CEO do Santander, que teve queda no lucro

    Desenrola 2.0 vem em boa hora, diz CEO do Santander, que teve queda no lucro

    Banco aumentou provisionamento contra calotes de olho no alto endividamento das famílias; rentabilidade mensurada pelo ROAE recuou 1,5 ponto percentual, para 16%

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Em um trimestre em que o banco viu a inadimplência aumentar, o CEO do Santander Brasil disse que o novo programa do governo voltado para reduzir o endividamento das famílias chega em um bom momento.

    A instituição financeira divulgou nesta quarta-feira (29) que o lucro líquido gerencial do primeiro trimetsre de 2026 somou R$ 3,788 bilhões. O valor representa queda de 1,9% em relação ao resultado do mesmo trimestre de 2025 e ficou levemente abaixo do esperado pelo mercado -analistas consultados pela Bloomberg previam ganho de R$ 4 bilhões. Na comparação com o quarto trimestre de 2025, a queda é maior, de 7,3%.

    “É um timing bom porque as famílias estão endividadas e a renda disponível não está evoluindo. O diagnóstico do governo está absolutamente correto, o nível de renda disponível está crítico. O programa é de fato necessário, está sendo bem desenhado junto aos bancos”, disse o CEO Mario Leão sobre o Desenrola 2.0.

    Para o executivo, a medida não é eleitoreira, apesar de provavelmente ser positiva ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e sim necessária dado o nível de endividamento.

    Dados do Banco Central apontam que o endividamento das famílias brasileiras atingiu 49,9% em fevereiro e renovou o recorde histórico da série, iniciada em janeiro de 2005. O resultado de fevereiro se iguala ao pico observado há quase quatro anos, em julho de 2022.

    “Apesar da inflação até pouco tempo estar caindo, apesar de a economia ainda estarcrescendo, de fato a renda disponível das famílias não tá evoluindo. E elas estão sobrealavancadas, sobreempregadas. Então, o diagnóstico do governo está absolutamente certo. E um programa como esse, bem desenhado como está sendo, ele é, sim, bastante relevante”, afirmou Leão.

    O CEO indicou que deve ser possível ver um efeito positivo do Desenrola 2.0 no balanço do banco já no segundo trimestre. O programa deve renegociar dívidas com atrasos a partir de 60 dias, o que deve aliviar o montante provisionado para perdas, além de aumentar a receita com as quitações.

    A rentabilidade do banco mensurada pelo ROAE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido Médio) recuou 1,5 ponto percentual em relação a 2025, indo a 16%.

    Segundo o banco, entre os fatores que contribuíram para um resultado menor estão menos dias úteis e corridos, sensibilidade negativa aos juros e à variação cambial. Também pesou na queda trimestral uma maior provisão contra calotes.

    Leão também atribuiu o resultado menor a um maior pagamento de impostos. “O resultado teve crescimento orgânico antes do imposto. Paguei bem mais imposto nesse trimestre que no último”, disse a jornalistas.

    O lucro antes de impostos somou R$ 4,583 bilhões, 5,4% maior que no fim de 2025. Porém, 3,5% menor que há 12 meses.

    A carteira de crédito somou R$ 705,6 bilhões ao fim de março, recuo de 0,4% no trimestre, mas crescimento de 3,4% no ano. A maior parte do portfólio é de pessoas físicas e grandes empresas.

    Em 12 meses, cresceram as concessões ao financiamento ao consumo (14,2%). Para pessoa física o destaque foi o crédito imobiliário (10,6%) e cartões (9,1%).

    A inadimplência, por sua vez, subiu 0,2 ponto percentual no trimestre e 0,6 ponto percentual no ano, com os atrasos acima de 90 dias indo a 3,3% da carteira.

    Em termos segmentados, o maior índice de atraso é de pessoas físicas, atingindo 4,9% do crédito. Já em pessoas jurídicas ele é de 1,8%. Neste último segmento, apenas 0,2% do crédito a grandes empresas está inadimplênte, enquanto em PMEs o índice é de 6%.

    Segundo Leão, o banco segue priorizando crédtos menos arriscados e evitando clientes de baixa renda, com até dois salários mínimos e sem carteira de trabalho.

    “Não estamos saindo da baixa renda, fazemos redução técnica, cirúrgica, em segmentos da baixa renda em que o Santander não consegue rentabilidade, nos não CLT”, disse o executivo.

    A PDD (provisão contra devedores duvidosos), ou seja, a proteção contra calotes, cresceu 3,9% no trimestre, mas teve queda de 0,7% no ano, totalizando R$ 6,344 bilhões no primeiro trimestre de 2026.

    “Na comparação trimestral a PDD mantém-se pressionada pelo cenário macroeconômico e alto endividamento das famílias; já na comparação anual a queda reflete a ativa gestão de riscos e os efeitos de mix do portfólio”, diz o balanço do banco.

    A margem financeira, por sua vez, somou R$ 16 bilhões no período, crescimento trimestral de 3,1%, mas recuo anual de 0,7%.

    O Santander Brasil é o primeiro banco brasileiro a reportar os números do primeiro trimestre de 2026. Na próxima semana Itaú Unibanco e Bradesco divulgarão seus balanços.

    O braço brasileiro do conglomerado espanhol está em meio a uma troca de comando. Em julho deste ano, o atual CEO Mario Leão deixará a presidência em definitivo, que ficará sob a liderança de Gilson Finkelsztain, atual presidente da B3.

    “Gilson é um amigo, alguém que conheço bem, fico feliz que seja ele que vai levar o banco adiante”, afirma Leão.

    O executivo trabalha no Santander há onze anos, sendo cinco como presidente. Antes de ser CEO, foi vice-presidente e diretor dos segmentos corporate (grandes empresas) e investment banking (banco de investimento). Anteriormente, teve cargos de liderança no Morgan Stanley, Goldman Sachs e Citi.

    “Recebi um banco espetacular e tive que trabalhar nesses cinco anos para ele crescer de uma forma diferente. E estou bem contente de fazer isso. Este ano vamos ter lucro anual maior que 2021. O ROAE não, isso teremos que esperar até 2028”, afirmou o executivo.

    Em sua gestão, que sucedeu Sergio Rial, Leão focou a retomada de rentabildiade do banco, que caiu com a alta inadimplência ao fim da pandemia. Para isso, o Santander passou a priorizar clientes de maior renda e menos risco.

    O ativo do banco subiu, mas a inadimplência do banco ainda segue acima do índice visto na gestão anterior. O ROAE também segue abaixo. Em 2021, era 21,2%.

    “Superar o ROAE de 20% é totalmente factível em 2028”, disse Leão.

    Em fevereiro, o Santander anunciou outra mudança, a transferência de sua sede corporativa para um novo prédio na região do Itaim Bibi, zona sul de São Paulo. De acordo com o banco, a nova unidade vai abrigar suas operações a partir do segundo semestre de 2028.

    Segundo Leão, o rearranjo envolve outras duas sedes do banco, uma em Santo Amaro e outra perto do Autódromo, o que deve resultar em queda nos gastos recorrentes, além de ser um investimento em uma área nobre da capital paulista. A ideia do executivo é ter lajes maiores com escritórios integrados, de modo a reunir as equipes do banco.

    RAIO-X SANTANDER BRASIL | 1º TRI DE 2026

    Lucro líquido: R$ 3,8 bilhões
    ROAE: 16%
    Funcionários: 49.107
    Agências: 868
    Clientes: 75,2 milhões
    Fundação: em atividade no mercado local desde 1982
    Principais concorrentes: Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil, Caixa, Nubank

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  • Fim da escala 6×1 é principal bandeira nos atos do 1° de Maio no país

    Fim da escala 6×1 é principal bandeira nos atos do 1° de Maio no país

    Em São Paulo as centrais sindicais já definiram suas programações

    O fim da escala 6×1 é a principal bandeira a ser defendida pelas centrais sindicais nos atos descentralizados realizados em todo o país no 1º de maio, sexta-feira, data comemorativa do Dia do Trabalhador. A medida é vista como essencial para garantir qualidade de vida e equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.

    Atualmente, várias propostas pelo fim da escala 6×1 estão em tramitação no Congresso Nacional. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, inclusive, enviou para a Casa Legislativa um projeto de lei (PL) com urgência constitucional para acabar com a escala 6×1 e reduzir a jornada de 44 para 40 horas semanais.

    Atos em São Paulo

    Na capital paulista, sem poder reunir os trabalhadores na Avenida Paulista devido a outras manifestações marcadas previamente no local, as centrais ocuparão outros espaços de relevância. 

    A CUT (Central Única dos Trabalhadores) começa sua programação com ações políticas, culturais e de prestação de serviços, às 14h, no Paço Municipal de São Bernardo, com o lema “Nossa luta transforma vidas”.

    O objetivo é ampliar o diálogo com a população e fortalecer a organização da classe trabalhadora nos territórios. Nas subsedes, as atividades serão organizadas em parceria com sindicatos locais da grande São Paulo, interior e litoral. A proposta é levar para bairros e municípios iniciativas que combinem cidadania, cultura e mobilização social.

    Entre as pautas consideradas urgentes pela CUT neste 1º de Maio também estão a redução da jornada de trabalho sem redução salarial, o combate ao feminicídio, o enfrentamento à pejotização, fortalecimento das negociações coletivas como instrumento fundamental para garantir avanços concretos nas condições de trabalho, a garantia de direitos para os servidores públicos.

    Também integram a agenda a luta contra a reforma administrativa e a resistência às privatizações, entendidas como medidas que comprometem serviços públicos essenciais e aprofundam desigualdades.

    Na programação cultural estão confirmados artistas como Gloria Groove, MC IG, Filho do Piseiro, Grupo Intimistas, Grupo Entre Elas, Marquinhos Sensação, Grupo SP5, Grupo Razão, Don Ernesto, Samba de Luz, Samba e Amigos, Alex Rocha, Gordinho da Pisada, Kadu do Piseiro e Hyaguinho Vaqueiro.

    A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) fará sua concentração na Praça Franklin Roosevelt, a partir das 9h. “O 1º de Maio deste ano vai além de uma celebração simbólica e se coloca como um espaço de pressão social por mudanças concretas. Entre os temas que devem ganhar destaque estão o combate à precarização do trabalho, a necessidade de políticas públicas que fortaleçam a economia e a defesa de direitos básicos que garantam dignidade à população trabalhadora”, diz a CTB.

    A União Geral dos Trabalhadores (UGT) fará na sexta-feira, dia 1º, o lançamento da 12ª edição da Expo Paulista, em comemoração ao Dia do Trabalhador, na Avenida Paulista. A exposição terá 30 painéis com o tema “Isto É Conquista: Lutas e Vitórias do Trabalhador Brasileiro”, criados pelo estilista mineiro Ronaldo Fraga.

    Considerada a maior exposição a céu aberto da América Latina, ela terá seus painéis expostos até 31 de maio, com a expectativa de ser vista por 1,5 milhão de pessoas por dia.

    “A exposição propõe uma reflexão visual sobre o universo do trabalho, suas transformações e desafios que contam a história do trabalhador brasileiro”. A cerimônia será realizada às 9h, no Blue Note, localizado no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista 2073.

    Já a Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB) realizará seus atos em diversas cidades do estado de São Paulo, como Araçatuba, Itatiba, Ribeirão Preto e Osasco.

    “A nova determinação possibilita que os sindicatos, federações e confederações realizem eventos em seus bairros e regiões de atuação. E permite mais visibilidade às reivindicações dos movimentos e contato direto com trabalhadores, ampliando a mobilização das bases”, explica a central.

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  • Fila do INSS cai para 2,6 milhões após atingir pico de 3,1 mi e levar à demissão de presidente

    Fila do INSS cai para 2,6 milhões após atingir pico de 3,1 mi e levar à demissão de presidente

    Número de pedidos caiu após medidas para reduzir solicitações duplicadas e reorganizar o atendimento; governo aposta em mutirões e novas regras para acelerar análises e diminuir ainda mais a fila nos próximos meses.

    (FOLHAPRESS) – A fila de pedidos de aposentadoria, pensão e auxílios do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) caiu para 2,6 milhões em abril após atingir pico de 3,1 milhões em fevereiro. O movimento ocorre em meio a uma série de medidas adotadas pelo governo e após a troca no comando do órgão.

    Os dados foram apresentados pelo ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, em reunião do CNPS (Conselho Nacional de Previdência Social) nesta terça-feira (28). A fila já havia registrado redução em março, para 2,8 milhões de pedidos. Mesmo assim, o então presidente do órgão, Gilberto Waller Júnior, foi demitido. Em seu lugar assumiu Ana Cristina Silveira.

    Acabar com a fila era um dos compromissos de campanha do presidente Lula. 

    Os novos números são tratados pelo Ministério da Previdência como um sinal positivo de que as ações para enfrentar o problema estariam começando a surtir efeito.

    A expectativa é de que, nos próximos meses, a redução seja ainda mais expressiva, com as medidas que vêm sendo tomadas pelo órgão. Na sexta-feira (24), instrução normativa do INSS passou a limitar os pedidos de aposentadorias e pensões quando a solicitação for para o mesmo tipo de benefício.

    Segundo a norma, não é mais possível fazer múltiplas solicitações para um mesmo benefício enquanto houver prazo para recorrer da resposta inicial. Os recursos podem ser solicitados em até 30 dias após resposta do órgão -em geral, negativa. Durante esse período, não é possível fazer nova solicitação.

    A mudança busca enfrentar um problema identificado pelo próprio instituto: o alto volume de requerimentos duplicados, que chega a representar mais de 40% dos pedidos reapresentados em até um mês após a conclusão inicial e sobrecarrega o sistema.

    A atual presidente, Ana Cristina, comemorou. Segundo ela, as estratégias envolvem reorganização operacional na tentativa de dar mais agilidade ao atendimento. Além da limitação dos pedidos de aposentadoria, há outras iniciativas, como o programa Acelera INSS, com prazo de 90 dias, que prevê mutirões, reforço de pessoal e mudanças internas para reduzir os pedidos em análise há mais de 45 dias.

    Fila do INSS cai para 2,6 milhões após atingir pico de 3,1 mi e levar à demissão de presidente

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  • Copom decide Selic em meio a guerra e inflação acelerando

    Copom decide Selic em meio a guerra e inflação acelerando

    Mesmo com pressão do petróleo e inflação elevada, mercado projeta novo corte na Selic; decisão do Copom ocorre em meio a incertezas externas, impactos da guerra no Oriente Médio e diretoria incompleta no Banco Central.

    Com a guerra no Oriente Médio pressionando o preço dos combustíveis e a inflação, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) faz nesta quarta-feira (29) a terceira reunião do ano. Mesmo com a alta do petróleo, os analistas de mercado acreditam na segunda redução seguida de juros.

    Atualmente em 14,75% ao ano, a Selic ficou em 15%, no maior nível em quase 20 anos, de junho de 2025 a março deste ano.

    A decisão sobre a Taxa Selic será anunciada no início da noite desta quarta. O Copom estará desfalcado porque o mandato dos diretores de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e de Política Econômica, Paulo Pichetti, expirou no fim de 2025. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva até agora não encaminhou as indicações dos substitutos ao Congresso Nacional.

     

    Na reunião deste mês, haverá mais um desfalque. Na terça-feira (28), o Banco Central anunciou que o diretor de Administração, Rodrigo Teixeira, se ausentará por falecimento de um parente de primeiro grau.

    Na ata da reunião de março, o Copom deixou de indicar se continuará a cortar os juros. Com a Guerra no Oriente Médio,  o BC afirmou que a magnitude e o “ciclo de calibração” (para cima ou para baixo) da Selic serão determinados “ao longo do tempo”, à medida que novas informações forem incorporadas às análises.

    Segundo a edição mais recente do boletim Focus, pesquisa semanal com analistas de mercado, a taxa básica deve ser reduzida em 0,25 ponto percentual, para 14,5% ao ano. 

    Inflação

    O comportamento da inflação continua uma incógnita. A prévia da inflação oficial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) acelerou para 0,89% em abril, pressionada por combustíveis e alimentos. No acumulado de 12 meses, o índice acelerou para 4,37%, contra 3,9% em março.

    Segundo o último boletim Focus, a estimativa de inflação para 2026 subiu para 4,86%, por causa do conflito no Oriente Médio. Isso representa inflação acima do teto da meta contínua estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Oficialmente, a meta está em 3%, podendo chegar a 4,5% por causa do intervalo de tolerância de 1,5 ponto.

    Taxa Selic

    A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas da economia. Ela é o principal instrumento do Banco Central para manter a inflação sob controle. O BC atua diariamente por meio de operações de mercado aberto – comprando e vendendo títulos públicos federais – para manter a taxa de juros próxima do valor definido na reunião.

    Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, pretende conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Desse modo, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia. Mas, além da Selic, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.

    Ao reduzir a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica.

    O Copom reúne-se a cada 45 dias. No primeiro dia do encontro, são feitas apresentações técnicas sobre a evolução e as perspectivas das economias brasileira e mundial e o comportamento do mercado financeiro. No segundo dia, os membros do Copom, formado pela diretoria do BC, analisam as possibilidades e definem a Selic.

    Meta contínua

    Pelo novo sistema de meta contínua em vigor desde janeiro de 2025, a meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior é 4,5%.

    No modelo de meta contínua, a meta passa ser apurada mês a mês, considerando a inflação acumulada em 12 meses. Em abril de 2026, a inflação desde maio de 2025 é comparada com a meta e o intervalo de tolerância. Em maio de 2026, o procedimento se repete, com apuração a partir de junho de 2025. Dessa forma, a verificação se desloca ao longo do tempo, não ficando mais restrita ao índice fechado de dezembro de cada ano.

    No último Relatório de Política Monetária, divulgado no fim de março pelo Banco Central, a autoridade monetária elevou de 3,5% para 3,6% a previsão para o IPCA em 2026, mas a estimativa deve ser revista se a guerra no Oriente Médio se prolongar. A próxima edição do documento, que substituiu o Relatório de Inflação, será divulgada no fim de junho.

     

    Copom decide Selic em meio a guerra e inflação acelerando

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  • Pedágio: como pedir reembolso de multas após mudanças no sistema

    Pedágio: como pedir reembolso de multas após mudanças no sistema

    Motoristas poderão regularizar débitos sem multa por evasão e solicitar devolução de valores pagos após quitar a tarifa; governo também ampliou prazos e prometeu integração das cobranças ao aplicativo da CNH para facilitar consulta e pagamento.

    Motoristas multados no sistema de pedágio eletrônico, antes conhecido como “free flow”, poderão solicitar a devolução de valores pagos e regularizar pendências sem novas penalidades após o pacote de mudanças anunciado pelo governo federal nesta terça-feira (28).

    As medidas, detalhadas pelo Contran e pelo Ministério dos Transportes, preveem a suspensão de cerca de 3,4 milhões de multas por 200 dias, além da ampliação do prazo para pagamento das tarifas e novas regras para ressarcimento.

    Durante esse período, o motorista poderá quitar apenas o valor do pedágio, sem a multa por evasão, que gira em torno de R$ 195 e é considerada infração grave pelo Código de Trânsito Brasileiro, com cinco pontos na CNH.

    Como pedir o reembolso
    Quem já pagou a multa poderá solicitar o dinheiro de volta, mas o processo não é automático. Primeiro, é necessário regularizar o débito original, pagando a tarifa de pedágio dentro do prazo de 200 dias.

    Depois disso, o motorista deve protocolar um pedido administrativo no órgão responsável pela autuação:

    Rodovias federais: solicitação à ANTT
    Rodovias estaduais: pedido ao Detran ou ao DER do estado
    Será preciso apresentar comprovantes de pagamento da tarifa e documentos da infração.

    O processo inclui etapas como defesa junto ao órgão autuador, recurso à Jari (Junta Administrativa de Recursos de Infrações) e, em alguns casos, nova análise pelo Cetran.

    Pontos na CNH
    Após quitar a tarifa, o motorista poderá pedir a devolução da multa e a retirada dos pontos da CNH, desde que comprove a regularização conforme as novas regras.

    Integração e mudanças no sistema
    O governo também determinou que, em até 100 dias, as concessionárias integrem seus sistemas à Senatran. Com isso, as cobranças passarão a aparecer diretamente no aplicativo da CNH, permitindo consulta e pagamento em um único ambiente.

    Outra mudança é o abandono do termo “free flow”. O sistema passa a ser chamado oficialmente de pedágio eletrônico, com sinalização padronizada nas rodovias para evitar dúvidas dos motoristas.

    Falhas reconhecidas
    Durante o anúncio, o ministro dos Transportes, George Santoro, afirmou que as mudanças buscam corrigir falhas na comunicação do modelo.

    “A comunicação feita pelo governo, pelas concessionárias e pelas empresas de meio de pagamento não foi eficiente o suficiente para a população entender o que estava acontecendo”, declarou.

    Implantado no Brasil a partir de 2023, o sistema permite a cobrança automática de pedágio sem cancelas, por meio de câmeras e sensores que identificam os veículos em movimento.
     
     

     

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  • Lula promulga acordo Mercosul-UE e critica demora nas negociações

    Lula promulga acordo Mercosul-UE e critica demora nas negociações

    Presidente afirma que tratado foi firmado após mais de 25 anos de negociações e defende multilateralismo diante de tensões comerciais globais; acordo entre os blocos entra em vigor de forma provisória nesta sexta-feira.

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva promulgou nesta terça-feira (28) o acordo entre Mercosul e União Europeia e afirmou que o tratado foi firmado “a ferro, suor e sangue”. O acordo de livre comércio, negociado por mais de 25 anos entre os dois blocos, entra em vigor de forma provisória na sexta-feira.

    Durante cerimônia no Palácio do Planalto, Lula criticou a demora para a conclusão do tratado e declarou que “quando o acordo vem dos colonizadores para os colonizados, vem com mais rapidez”.

    “Mas quando os colonizados resolvem levantar a cabeça e dizer que eles têm direitos, as coisas ganham mais dificuldades, porque nos tornamos competitivos com produtos produzidos em outros países”, afirmou.

    “Esse acordo foi feito a ferro, suor e sangue, porque querem evitar que o Brasil cresça, dispute, coloque seus produtos no mercado estrangeiro. E ele veio no momento para reforçar a ideia consagrada do multilateralismo”, acrescentou.

    Ainda no evento, o presidente disse que o entendimento entre os blocos representa uma resposta de “multilateralismo e na relação cordial entre as nações” às políticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que, segundo ele, adotou “taxações de forma unilateral com o mundo inteiro”.

    Ao comentar a política tarifária adotada pela Casa Branca no ano passado, Lula afirmou que o Brasil buscou ampliar parcerias comerciais. “Está cheio de gente querendo vender, gente querendo comprar. Brasil hoje não é uma republiqueta, o Brasil é um grande país. Se o Brasil aprender a se respeitar, a gente vai negociar em igualdade de condições em qualquer país”, disse.

    A promulgação do acordo Mercosul-União Europeia ocorre após aprovação pelo Congresso Nacional, em março deste ano.

    Em 21 de abril, durante visita a Lisboa, Lula afirmou que Portugal pode assumir papel estratégico como principal porta de entrada dos interesses empresariais brasileiros na Europa. Na ocasião, também defendeu o avanço da parceria entre os dois países para além do comércio tradicional, com a incorporação de etapas produtivas em território português.

     

    Lula promulga acordo Mercosul-UE e critica demora nas negociações

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  • Governadora do DF pede aval da gestão Lula para empréstimo ao BRB

    Governadora do DF pede aval da gestão Lula para empréstimo ao BRB

    Banco de Brasília enfrenta crise de capital e de liquidez por operações com Master; Distrito Federal não tem hoje capacidade de pagamento para receber garantia do Tesouro

    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), formalizou o pedido de ajuda à gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para destravar um empréstimo de socorro ao BRB (Banco de Brasília). A instituição enfrenta uma crise decorrente de operações fraudulentas com o Banco Master, de Daniel Vorcaro.

    O governo do Distrito Federal enviou nesta terça-feira (28) um ofício ao Tesouro Nacional solicitando aval do governo federal para avançar nas tratativas com o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) pelo empréstimo de R$ 6,6 bilhões.

    “A iniciativa integra as medidas que vêm sendo conduzidas com transparência, responsabilidade e diálogo institucional para garantir a estabilidade do BRB”, disse a atual gestão em nota.

    Sem os recursos necessários em caixa para fazer o aporte no BRB, o governo distrital recorre a um processo de captação. No entanto, o Distrito Federal não tem hoje capacidade de pagamento para receber garantia do Tesouro, o que daria condições mais benéficas para o empréstimo, como uma taxa de juros menor.

    O ex-governador Ibaneis Rocha fez um pedido de R$ 4 bilhões ao FGC, e a atual gestão demandou um complemento de R$ 2,6 bilhões. Esse é o plano A do BRB para sair da crise.

    Em evento na manhã desta terça, Celina disse que a proposta foi elaborada seguindo as exigências feitas pelo Banco Central e será levada para avaliação do ministro Dario Durigan (Fazenda) e do presidente Lula.

    “É um gesto formal, mas a gente espera que seja acatado também pelo presidente. Até pela formalização, porque toda a garantia, está tudo está sendo seguido conforme aquilo que nós havíamos encaminhado para o Banco Central. Eu tenho certeza que nós seremos atendidos”, afirmou a governadora.

    “É uma questão institucional grave, que precisa ser vista com a institucionalidade desse momento, com o respeito desse momento, sem qualquer questionamento ideológico”, acrescentou.

    A governadora do Distrito Federal solicitará uma audiência com Lula para a próxima quinta-feira (30). No encontro, ela deve ser acompanhada pelo presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, e pelo secretário de Estado de Economia do Distrito Federal, Valdivino José de Oliveira.

    Em entrevista ao C-Level, videocast semanal da Folha, o presidente do BRB admitiu a necessidade de ajuda do Tesouro para viabilizar a operação solicitada ao FGC e a um grupo formado por grandes bancos.

    “Eu defendo que, em nome do sistema financeiro brasileiro, pudéssemos ter o aval”, disse. “Creio que possamos chegar a um entendimento. Acredito que vamos evoluir para isso.”

    O CEO reconheceu que o ano eleitoral tem dificultado a costura de uma solução. Celina pertence a um campo político adversário do PT em Brasília e é pré-candidata ao governo na chapa da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), pré-candidata ao Senado. “Nós já poderíamos estar lá na frente caso tivesse despolitizado um pouco tudo isso”, disse.

    No último dia 30 de março, a governadora debateu o tema com o ministro da Fazenda por telefone. Sem avanço nas discussões, ela chegou a falar em má vontade do governo federal. “Não deu nenhuma resposta sobre nenhuma ajuda. Pedimos tudo, acho que não tem a boa vontade de fazer”, disse.

    Segundo relatos ouvidos pela Folha, na ligação com Dario, Celina demonstrou interesse em avançar na interlocução com o governo Lula e sinalizou que iria aderir ao subsídio do diesel importado. Seu antecessor, o ex-governador Ibaneis Rocha, havia informado que o Distrito Federal não participaria da iniciativa do governo federal.

    Em aceno ao governo Lula, Celina encaminhou nesta terça à Câmara Legislativa do Distrito Federal o projeto de lei que autoriza o Executivo a cooperar com a União na subvenção aos importadores e distribuidores de diesel de uso rodoviário.

    A cada R$ 1,20 por litro, R$ 0,60 ficará a cargo dos estados e R$ 0,60 a cargo da União. Segundo o texto, o impacto financeiro máximo para o Distrito Federal está estimado em R$ 11,6 milhões.

    Governadora do DF pede aval da gestão Lula para empréstimo ao BRB

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  • Petróleo dispara mais de 4% e sobe para US$ 105 com espera por negociação entre EUA e Irã

    Petróleo dispara mais de 4% e sobe para US$ 105 com espera por negociação entre EUA e Irã

    Barril Brent atinge maior valor desde quinta-feira (23) com as conversas arrastadas por um acordo de paz. Aramco informa compradores que seguirá sem entregar gás de cozinha em maio, diz agência

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O preço do petróleo voltou a disparar nesta terça-feira (28) com a indefinição nas negociações para o término da guerra entre EUA e Israel contra o Irã. O barril Brent chegou a saltar 4,05%, sendo vendido a US$ 105,81 (R$ 527,22), para entrega em julho.

    É o maior preço desde a última quinta-feira (23), quando alcançou US$ 107,37. O petróleo começou a sessão sendo negociado a US$ 101, teve um pico às 2h30 (horário de Brasília) atingindo US$ 104,24, ficou neste patamar e voltou a subir às 8h45, quando foi a US$ 105,81.

    Depois disso, o preço caiu para a casa de US$ 104, mesmo após o anúncio dos Emirados Árabes Unidos que deixará a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) a partir de sexta-feira (1º). O contrato do Brent com entrega mais curta, para junho, chegou a US$ 112,70 (R$ 561,55) e estava em US$ 111,01, às 15h.

    Já o barril WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, voltou a superar a casa dos US$ 100 e foi vendido a US$ 101,81 (R$ 507,29), alta de 5,64%, para o contrato de junho. O valor é o maior desde 9 de abril, quando foi negociado a US$ 102,70.

    A disparada reflete a preocupação dos investidores com a falta de acordo entre EUA e Irã. O banco Goldman Sachs afirmou que o preço pode chegar a US$ 120 se o conflito permanecer. Na segunda-feira (27), a Casa Branca divulgou que está analisando a proposta iraniana para reabrir o estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e gás.

    Enquanto isso, os dois países estão bloqueando o tráfego na região e afetando o fornecimento do produto. A situação levou a Aramco, uma das maiores do setor no mundo, a informar os seus compradores que não entregará o GLP (gás liquefeito de petróleo) que estava previsto para o mês de maio, segundo apuração da agência de notícias Bloomberg. A empresa interrompeu o envio do gás de cozinha em 28 de fevereiro, quando teve as instalações em Juaymah atacadas por mísseis iranianos.

    O presidente dos EUA, Donald Trump, se reuniu com seus principais conselheiros de segurança para discutir a nova proposta iraniana, que contemplaria a flexibilização por parte do Irã de seu controle sobre Hormuz e fim do bloqueio de retaliação dos Estados Unidos aos portos iranianos, sem interromper as negociações mais amplas, incluindo a delicada questão do programa nuclear iraniano.

    O regime iraniano afirmou que não aceitará as “exigências excessivas” dos norte-americanos. “Os Estados Unidos já não estão em condições de ditar sua política às nações independentes”, declarou o porta-voz do Ministério da Defesa do Irã, Reza Talaei Nik, de acordo com a emissora de televisão estatal. Ele acrescentou que Washington terá que “aceitar que deve abandonar suas exigências ilegais e irracionais”.

    O Parlamento iraniano prepara uma lei que pretende colocar o estreito de Hormuz sob a autoridade das Forças Armadas. Segundo o texto, os navios israelenses serão proibidos de passar pela via estratégica e os pedágios deverão ser pagos na moeda iraniana.

    Apesar do bloqueio em Hormuz, um navio carregado com 132,89 mil metros cúbicos de GNL (gás natural liquefeito) atravessou o estreito em abril, o que não acontecia desde o início da guerra, segundo dados da empresa de rastreamento marítimo Kpler.

    O metaneiro Mubaraz, controlado pela Adnoc, a empresa petrolífera nacional dos Emirados Árabes Unidos, pode ter atravessado o estreito “no fim de semana de 18-19 de abril, quando vários navios, entre eles sete metaneiros, tentaram passar, embora a data ainda não esteja confirmada”, afirmou Charles Costerousse, analista da Kpler.

    BOLSAS EM QUEDA

    As principais Bolsas da Ásia fecharam em queda nesta terça. O índice CSI300, que reúne as principais companhias em Xangai e Shenzhen, desvalorizou 0,27%, e o SSEC, em Xangai, caiu 0,19%. Também sofreram perdas as Bolsas em Tóquio (-1%), Hong Kong (-0,95%) e Taiwan (-0,24%). A exceção foi Seul, que ganhou 0,39%.

    O índice Euro STOXX 600, referência na União Europeia, terminou o dia com perda de 0,4%, sendo acompanhado por Frankfurt (-0,18%) e Paris (-0,46%). Já as Bolsas de Londres, Milão e Madri fecharam em alta de 0,11%, 0,77% e 0,46%, respectivamente.

    Nos EUA, a Dow Jones tinha uma oscilação positiva de 0,01%, às 15h, enquanto Nasdaq e S&P 500 registravam perdas de 1,03% e 0,55, respectivamente.

    Petróleo dispara mais de 4% e sobe para US$ 105 com espera por negociação entre EUA e Irã

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  • Emirados Árabes Unidos deixam Opep e Opep+

    Emirados Árabes Unidos deixam Opep e Opep+

    País deixará grupo liderado pela Arábia Saudita e coalizão que inclui a Rússia a partir de 1º de maio, segundo agência estatal

    O ministro da Energia e Infraestrutura dos Emirados Árabes Unidos, Suhail Mohamed Al Mazrouei, confirmou que o país está deixando a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

    “A decisão dos Emirados Árabes Unidos de sair da Opep reflete uma evolução orientada por políticas, alinhada aos fundamentos de mercado de longo prazo”, disse o ministro em publicação no X nesta terça-feira, 28.

    “Agradecemos à Opep e aos seus países membros por décadas de cooperação construtiva”, pontuou.

    “Permanecemos comprometidos com a segurança energética, fornecendo suprimentos confiáveis, responsáveis e de menor emissão de carbono, ao mesmo tempo em que apoiamos mercados globais estáveis”, salientou.

    Mais cedo, a Bloomberg havia noticiado a saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep e do bloco ampliado por aliados (Opep+), citando que o desligamento está previsto para 1º de maio e ajudará o país a atender às mudanças na demanda, acrescentando que a produção de petróleo será aumentada gradualmente.

    O próximo encontro da Opep está agendado para o dia 3 de maio.

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  • Receita afasta 25 servidores por suposto esquema de corrupção no Porto do Rio

    Receita afasta 25 servidores por suposto esquema de corrupção no Porto do Rio

    Investigação aponta fraude de R$ 86,6 bilhões em mercadorias liberadas ilegalmente em cinco anos; PF encontra malotes com dólares e dezenas de milhares de reais em casas de fiscais

    RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – Após a operação desta quarta-feira (28), que mira um suposto esquema de contrabando e corrupção na fiscalização aduaneira do Porto do Rio de Janeiro, 25 servidores da Receita Federal que foram afastados serão substituídos por agentes de outros estados.

    A operação envolve a Receita Federal, a Procuradoria do Rio de Janeiro e a Polícia Federal. Segundo a Receita, há no Porto do Rio uma “organização criminosa estruturada” que libera mercadorias irregulares importadas mediante propina.

    A fraude ocorria na classificação das declarações de importação. Os produtos conferidos na aduana são classificados por quatro cores.

    A fiscalização dispensa produtos classificados em verde de exame documental e verificação física. Os amarelos passam por exame documental, mas estão dispensados de verificação física se não houver irregularidade. Já os vermelhos e cinzas somente são liberados após exame detalhado.

    No caso da suposta fraude investigada, o esquema desviava e liberava indevidamente as mercadorias selecionadas para os canais vermelho e cinza, mesmo com a identificação de inconsistência.

    Segundo a Receita, a investigação começou com denúncia interna que chegou em 2022 à Corregedoria.

    Segundo a apuração, o esquema envolve auditores mais antigos da Receita Federal. De julho de 2021 a março de 2026, a investigação identificou quase 17.000 declarações de importação com indício de irregularidade. Em cinco anos, essas declarações somam R$ 86,6 bilhões em mercadorias liberadas de maneira ilegal.

    A Receita cumpriu 45 mandados de busca e apreensão, e as buscas miraram os 25 agentes. Além do Rio, houve mandado de busca e apreensão no Espírito Santo, que também faz parte da 7ª região fiscal da Receita. Não houve prisão.

    “Tivemos a notícia de um reforço de cerca de 50 servidores para o Porto do Rio de Janeiro, e a partir de agora todas as operações sob suspeita serão auditadas”, afirmou Renato Regal, delegado do Porto do Rio.

    Na casa de uma auditora da Receita Federal, na Barra da Tijuca, zona sudoeste do Rio, a PF encontrou dinheiro em espécie que passa da dezena de milhares de reais. Na residência de um auditor, em Niterói, a PF apreendeu malotes com dólares. A polícia ainda vai contabilizar os valores.

    Receita, Ministério Público Federal e PF não divulgaram os nomes dos auditores suspeitos.

    Entre os casos de corrupção, há o de um auditor da Receita que recebeu um instrumento musical de alto valor para liberar uma mercadoria irregular.

    “Eu posso importar uma mercadoria falsificada, como uma roupa, e fingir que não vi que aquilo é falsificado. Ou poderia, numa classificação, ter um imposto maior, daí eu finjo que não vi que aquele imposto maior era devido e libero a mercadoria com o pagamento a menor”, afirmou Guilherme Bibiani, corregedor da Receita.

    “O pagamento era em espécie, porque havia despachantes aduaneiros encarregados de pagar para os fiscais do esquema, ou até com presentes.”

    Segundo a investigação, o esquema de corrupção não tinha um tipo de mercadoria definido, mas favorecia particularmente empresas de óleo e gás -os nomes das companhias não foram mencionados. O favorecimento envolvia a admissão temporária, que permite que o pagamento de tributo seja suspenso a bens destinados à prestação de serviços a terceiros, ou que façam parte da produção de outros bens.

    Na fraude, os auditores negligenciavam as irregularidades em troca de propina.

    “Qualquer irregularidade ao longo desse período em que as mercadorias estão sob controle aduaneiro poderiam acarretar pagamento dos tributos ou, eventualmente, multas. Era nesse momento que o grupo criminoso garantia que isso não iria ocorrer. Mesmo com eventuais perdas de prazo ou descumprimento de regime, não acarretava multas ou perda do benefício”, disse Regal.

    A companhia PortosRio, responsável por gerir os portos do estado, divulgou nota em que afirma que a operação “ocorre em áreas sob responsabilidade de órgãos federais”. A empresa disse que não é alvo da investigação e que a operação não impactou as atividades no local.

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