Crítico do Mercosul, Milei comemora acordo com UE como uma vitória pessoal

A insistência para os europeus assinar acordo com o Mercosul foi do presidente Lula, principalmente quando o Brasil estava no comando do bloco, até o fim de 2025

BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) – Javier Milei passou a primeira metade de seu governo criticando o Mercosul, já tendo comparado o bloco a uma “cortina de ferro” que impediria negociações de interesse de seus componentes.

Não surpreende que o argentino tenha comemorado, como uma vitória pessoal, a notícia desta sexta-feira (9), de que os países da União Europeia deram sinal verde para o acordo de livre comércio com o bloco latino.

“As boas notícias continuam”, escreveu Milei no X, ao comentar uma publicação em que o chanceler argentino, Pablo Quirno, comemora o acesso preferencial das economias sul-americanas “a um mercado de 450 milhões de pessoas”.

A Casa Rosada considera o acordo como um avanço importante para a Argentina em termos estratégicos, com potencial de abrir novos mercados e atrair investimentos europeus nas áreas de agronegócio, mineração e energia.

Atualmente, a participação dos produtos argentinos no mercado da União Europeia é modesta. Em 2024, o bloco europeu importou cerca de US$ 220 bilhões (R$ 1,2 tri) em produtos agroindustriais, dos quais cerca de 3% eram de origem argentina, e o país vizinho tem interesse em aumentar as vendas de produtos tradicionais argentinos, como soja, carnes e vinhos.

A Argentina considera que um dos benefícios do acordo é o capítulo sanitário que poderia levar a um ambiente mais previsível para o comércio agroindustrial, o que encontra eco no interesse dos exportadores argentinos, afetados pela política econômica de Milei de facilitação de importações.

A União Europeia também concordou em dialogar sobre biotecnologia e segurança alimentar, além de incluir compromissos em questões trabalhistas e ambientais.

Quirno ressaltou que o acordo elimina tarifas para 92% das exportações, o que representa uma “oportunidade significativa” para o país. “Assim, a Argentina, sob a liderança de Milei, busca competir e crescer com um ambiente comercial mais claro e livre”, escreveu.

O próximo passo de Milei deve ser insistir em estreitar os laços comerciais com os Estados Unidos em troca do alinhamento total da Argentina com a Casa Branca em temas internacionais, como a operação de prisão de Nicolás Maduro, na Venezuela, e o apoio da doutrina Trump para a América Latina.

“Em uma era marcada por tensões geopolíticas, conflitos comerciais e enfraquecimento do multilateralismo, o acordo com a UE abre grandes oportunidades para a inserção externa do Mercosul, em geral e para a cadeia agroindustrial argentina em particular”, diz comunicado do Inai (Instituto de Negócios Agrícolas Internacionais) da Argentina.

Aos meios de comunicação de seu país, o presidente paraguaio Santiago Peña afirmou que o acordo com a União Europeia é uma enorme oportunidade para o Mercosul.

Nos últimos anos, o país demonstrou preocupação com a oposição da França, que poderia minar os interesses do setor agroexportador.

“É benéfico para o Paraguai”, disse, durante uma cerimônia de distribuição de materiais escolares. “O Paraguai é um grande produtor de alimentos, somos competitivos na produção de grãos e carnes”, por isso vários grupos internacionais do setor estão investindo no país.

Além dos argentinos, os uruguaios se tornaram os sócios que mais pressionaram nos últimos anos por uma abertura do bloco para acordos, mesmo que individualmente. Nesta quinta, o ministro das Relações Exteriores do Uruguai, Mario Lubetkin, comemorou a aprovação pelos europeus, que pode encerrar 25 anos de negociações.

Lubetkin também disse qu o Parlamento uruguaio se comprometeu a ser um dos primeiros a ratificar o acordo, contribuindo para importantes avanços no comércio exterior, e que os países do Mercosul só devem comemorar quando o acordo for finalmente implementado.

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