Categoria: ECONOMIA

  • Dólar fecha em forte alta e Bolsa recua após Trump indicar Kevin Warsh para o Fed

    Dólar fecha em forte alta e Bolsa recua após Trump indicar Kevin Warsh para o Fed

    Apesar da valorização acentuada nesta sessão, a moeda norte-americana acumulou queda de 4,4% desde 30 de dezembro, quando fechou em R$ 5,487. Na quinta-feira (29), chegou à cotação de R$ 5,194, menor valor em quase dois anos.

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar teve forte alta de 0,99% nesta sexta-feira (30) e encerrou o mês cotado a R$ 5,246, em dia marcado pela indicação de Kevin Warsh para presidência do Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos).

    Apesar da valorização acentuada nesta sessão, a moeda norte-americana acumulou queda de 4,4% desde 30 de dezembro, quando fechou em R$ 5,487. Na quinta-feira (29), chegou à cotação de R$ 5,194, menor valor em quase dois anos.

    O movimento foi reflexo da entrada de investidores estrangeiros no país, um fluxo de capital que catapultou o Ibovespa de 161.125 pontos para 184.691 pontos, último recorde da Bolsa brasileira registrado na quarta-feira.

    O índice, no entanto, fechou em queda firme de 1,1% neste pregão, a 181.106 pontos, segundo dados preliminares. A Bolsa brasileira acumulou alta de 13% ao longo de janeiro, no que foi o melhor desempenho mensal desde a pandemia de coronavírus.

    O anúncio da indicação de Kevin Warsh para o Fed foi feito através das redes sociais do presidente Donald Trump nesta manhã.

    ‘Conheço Kevin há muito tempo e não tenho dúvida de que ele entrará para a história como um dos GRANDES presidentes do Fed, talvez o melhor. Além de tudo, ele é ‘central casting’ e nunca vai decepcionar”, escreveu.

    As declarações dialogam com os ataques recorrentes de Trump a Powell, indicado pelo republicano em seu primeiro mandato, em 2017, e reconduzido ao cargo pelo democrata Joe Biden, em 2021. Desde o início do segundo mandato de Trump, Powell tem sido alvo de críticas por resistir às pressões da Casa Branca por cortes mais agressivos na taxa de juros.

    Para Trump, a taxa norte-americana deveria ser reduzida para 1,5%. Os Fed Funds foram mantidos na banda de 3,5% e 3,75% na quarta-feira (28), uma pausa no ciclo de cortes de juros então em curso desde setembro do ano passado.

    “Deveríamos ter uma taxa substancialmente mais baixa agora que até esse idiota admite que a inflação não é mais um problema ou uma ameaça”, escreveu o presidente no Truth Social na quinta-feira. “Ele está custando à América centenas de bilhões de dólares por ano em despesas com juros totalmente desnecessárias e sem justificativa.”

    A indicação de Warsh para o cargo precisa ser confirmada pelo Senado até 15 de maio, data que marca o fim do mandato de Powell.
    Operadores temiam tentativas de interferência política nas decisões do Fed, um banco central independente, através da escolha do novo presidente. Pela manhã, a percepção era de que Warsh era um “nome com credibilidade” e que, apesar de defender juros baixos, “teria uma postura ‘hawkish’ [agressiva no combate à inflação]”, segundo análise inicial de Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad.

    Essa visão diminuiu “o risco de captura política total do banco central” e deu espaço para que as curvas de juros futuros dos Estados Unidos se acomodassem.

    Mas, ao longo da tarde, declarações de membros da Casa Branca sobre o indicado ao cargo mudaram a leitura do mercado. “Acabaram sendo interpretadas como um sinal de que Warsh deverá ter uma postura mais sensível ao crescimento econômico e menos inclinada à manutenção de juros elevados por tempo prolongado”, diz Gabriel Cecco, especialista da Valor Investimentos.
    “Isso não quer dizer que o Fed vai cortar as taxas de juros imediatamente, mas a análise é que de o Fed poderá ser menos duro do que o mercado tinha antes precificado.”

    Trump afirmou nesta tarde que confia que Warsh está inclinado a diminuir os juros. Kevin Hassett, assessor econômico da Casa Branca e um dos nomes então cotados para o Fed, disse que o banco central cometeu um erro ao não reduzir os juros nesta semana e pediu pela rápida aprovação de Warsh para o cargo.

    Já o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, disse que os republicanos não deveriam aprovar a indicação se as ações criminais contra Powell não forem retiradas. “Se Donald Trump não desistir de sua vendeta contra o Fed, usando o Departamento de Justiça como arma para perseguir Powell e [Lisa] Cook, os republicanos não deveriam aprovar a indicação do sr. Warsh”, afirmou.

    As declarações mexeram com as curvas de juros, um dos mercados mais sensíveis globalmente.

    “Quando investidores passam a acreditar que o próximo presidente do Fed pode tolerar cortes mais cedo, ou reagir de forma menos agressiva à inflação, o rendimento das treasuries [títulos do Tesouro dos EUA] tendem a ceder, o que, no futuro, pode enfraquecer o dólar e favorecer mercados emergentes. Mas é uma mudança em camadas”, diz Cecco.

    “Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com a independêcia do Fed. Se a política monetária parecer influenciada pela Casa Branca, o prêmio de risco estrutural tende a subir. A leitura fica mais suave para juros no curto e médio prazo, mas quem manda no longo prazo é o debate sobre a credibilidade institucional do Fed.”

    Após o anúncio, o dólar se valorizava globalmente. O índice DXY, que mede o desempenho da divisa em relação a seis moedas fortes, subia 0,8%, a 96,97 pontos.

    No mercado local, a definição da Ptax de fim de mês adicionou volatilidade ao câmbio. Calculada pelo Banco Central com base nas cotações do mercado à vista, a Ptax serve de referência para a liquidação de contratos futuros.

    No fim de cada mês, agentes financeiros tentam direcioná-la a níveis mais convenientes às suas posições, sejam elas compradas (no sentido de alta das cotações) ou vendidas em dólar (no sentido de baixa).

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  • Justiça bloqueia R$ 150 milhões da Fictor e fala em risco de insolvência

    Justiça bloqueia R$ 150 milhões da Fictor e fala em risco de insolvência

    O magistrado reconheceu o pedido que indicava risco de insolvência por parte da Fictor nos desdobramentos da liquidação do Banco Master.

    DIEGO FELIX
    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo) determinou nesta semana o bloqueio cautelar de contas da holding financeira Fictor e ordenou a recomposição de R$ 150 milhões retirados de uma conta de garantia utilizada por uma empresa de pagamentos que é sua cliente. O magistrado reconheceu o pedido que indicava risco de insolvência por parte da Fictor nos desdobramentos da liquidação do Banco Master.

    Segundo o processo, que está sob segredo de Justiça, a Fictor fornece cartões de crédito com bandeira Amex a uma processadora de dados que realiza a intermediação dos pagamentos. Pelo contrato, a Fictor é obrigada a manter R$ 150 milhões em uma conta de garantia como forma de evitar riscos de inadimplência.

    Neste tipo de operação, a Fictorpay, um braço do grupo Fictor voltado ao mercado de pagamentos, oferta cartões de crédito empresariais e fica responsável pela relação direta com os usuários, como a análise de perfil, definição de limites de gastos e recebimento das faturas, por exemplo.

    A empresa que processou a Fictor, mantida em sigilo no processo, é responsável pela administração de dados de cartões e permite que as transações sejam processadas junto à bandeira Amex, viabilizando a parte operacional do arranjo financeiro. Segundo o despacho, trata-se de uma empresa que lidera o setor de tecnologia bancária.

    No caso de cartões empresariais com grandes movimentações, existe uma diferença de tempo entre o pagamento aos estabelecimentos comerciais e o posterior reembolso pelo portador do cartão. Neste intervalo, o colchão de segurança serve para evitar, entre outras situações, problemas como atraso nas faturas, fraudes e lavagem de dinheiro.

    A empresa remonta um cenário iniciado em 19 de dezembro, quando houve atraso por parte da Fictor na cobertura dessa conta de segurança. Até aquele momento ainda havia a chance de regularizar a pendência.

    Três dias depois, a Fictor ainda não havia reposicionado o dinheiro e houve quebra de contrato. O prejuízo calculado até a data em que o processo foi enviado à Justiça paulista era de R$ 34 milhões.
    Procurada, a Fictor não quis comentar o caso.

    A Fictor faz parte de um conglomerado que possui negócios em setores como alimentos, gestão de recursos, pagamentos, energia e imóveis. O grupo diz que tem cerca de 30 empreendimentos que somam mais de US$ 1 bilhão (R$ 5,2 bilhões).

    A empresa diz que a movimentação da Fictor acendeu alerta interno principalmente após os escândalos do Banco Master, que chegou a anunciar que seria comprado pela Fictor. A operação acabou barrada pelo Banco Central. Atualmente, Master e o resto de seu conglomerado financeiro, como o Will Bank e o Letsbank, estão em processo de liquidação.

    Para a operadora de meios de pagamento, a Fictor pode ter sido prejudicada no processo de compra do Master ao ter adquirido ações do banco antes da conclusão do negócio, o que causaria problemas de liquidez na holding. À época da negociação com o banco de Daniel Vorcaro, a Fictor injetaria mais de R$ 3 bilhões na operação.

    “Com a intervenção do Banco Central determinando a liquidação extrajudicial do Banco Master, diante de sua insolvência irrecuperável, e, tendo em vista que o Grupo Fictor poderia ter adquirido ações do Banco, poderá gerar sua insolvência e provavelmente o descumprimento de sua obrigação financeira junto à empresa agravante”, afirma no despacho a juíza Maria Lúcia Pizzotti.

    Com a decisão, a Justiça bloqueou cautelarmente R$ 150 milhões das contas da Fictor até que o caso seja julgado definitivamente e determinou que, caso as contas da Fictor não cubram o valor, a companhia complete o restante sob multa de R$ 5 milhões por dia de atraso.

    MOMENTO ATÍPICO

    Há pouco mais de duas semanas, a Fictor divulgou nota oficial em que nega passar por um quadro de insolvência. A movimentação da companhia ocorreu após relatos de investidores sobre atrasos em resgates e dividendos.

    Segundo a companhia, os pagamentos serão regularizados até o dia 12 de fevereiro. A empresa afirma que passa por um momento “atípico” e que ficou um pouco mais exposta após a tentativa de compra do Master.

    Esse cenário teria resultado em um “desafio temporário de liquidez e de timing operacional”, agravado por ajustes em relações com fornecedores estratégicos, mas que não decorre de problemas estruturais, como uma situação de insolvência, por exemplo.

    Justiça bloqueia R$ 150 milhões da Fictor e fala em risco de insolvência

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  • Desemprego atinge 5,1% no trimestre até dezembro e 5,6% na média de 2025, menores taxas da série

    Desemprego atinge 5,1% no trimestre até dezembro e 5,6% na média de 2025, menores taxas da série

    Tanto a taxa trimestral até dezembro quanto a média anual de 2025 renovaram os menores patamares da série histórica iniciada em 2012, apontam os dados divulgados nesta sexta (30) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

    LEONARDO VIECELI
    RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – A taxa de desemprego do Brasil recuou a 5,1% no trimestre até dezembro de 2025, após marcar 5,6% nos três meses encerrados em setembro, que servem de base de comparação. Com o novo resultado, o indicador fechou a média do ano em 5,6%, 1 ponto percentual abaixo de 2024 (6,6%).

    Tanto a taxa trimestral até dezembro quanto a média anual de 2025 renovaram os menores patamares da série histórica iniciada em 2012, apontam os dados divulgados nesta sexta (30) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
    Os resultados ocorrem apesar dos juros altos, que tendem a esfriar a economia para conter a inflação.

    O efeito do aperto monetário, porém, não é “uniforme” entre as atividades, disse a coordenadora de pesquisas por amostra de domicílios do IBGE, Adriana Beringuy.

    Na avaliação da técnica, o impacto dos juros vem sendo amortecido por questões como o aumento da renda, que beneficia o consumo e, consequentemente, o mercado de trabalho.

    Na média anual, a taxa de desemprego ficou abaixo de 6% pela primeira vez. A máxima da série foi de 14% em 2021, sob influência da pandemia.

    O índice do trimestre até dezembro (5,1%), que fornece um olhar mais recente, veio em linha com as projeções do mercado financeiro, cuja mediana também era de 5,1%, conforme a agência Bloomberg.

    Os dados do IBGE integram a Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), que investiga tanto o trabalho formal quanto o informal -com ou sem carteira assinada e CNPJ. As estatísticas abrangem a população de 14 anos ou mais.

    No trimestre até dezembro, o número de desempregados recuou a 5,5 milhões, o menor da série. Baixou 9% ante os três meses até setembro (menos 542 mil pessoas).

    Já o número de ocupados com algum trabalho alcançou quase 103 milhões. Houve alta de 0,6% frente ao período até setembro (mais 565 mil).

    O contingente mais recente é o segundo maior da série histórica. Está bem próximo do recorde registrado no trimestre móvel até novembro (103,02 milhões), mas analistas veem sinais de desaceleração no ritmo de abertura de vagas.

    Em relação a igual período do ano anterior, a população ocupada aumentou 1,1% no trimestre até dezembro. É um avanço menor do que o observado nos intervalos anteriores nesse mesmo tipo de comparação (1,4% até setembro, 2,4% até junho e 2,3% até janeiro).
    “O mercado de trabalho tem mostrado desaceleração alinhada ao pouso suave esperado para a economia”, diz Bruno Imaizumi, economista da consultoria 4intelligence.

    “Vai crescer de maneira mais comedida e mais alinhada com a variação do PIB”, acrescenta ele, que chama a atenção para os ganhos de renda dos trabalhadores.

    No trimestre até dezembro, o rendimento médio do trabalho alcançou R$ 3.613 por mês, conforme o IBGE.

    É o maior valor da série histórica em termos reais -com ajuste pela inflação. Houve altas de 2,4% frente ao trimestre até setembro (R$ 3.527) e de 5% ante o intervalo até dezembro de 2024 (R$ 3.440).
    Para a gestora Kínitro Capital, a Pnad mostra um mercado de trabalho ainda aquecido, com “forte alta dos rendimentos”, apesar de os últimos resultados indicarem sinais de desaceleração na criação de vagas.

    A instituição diz que o reajuste do salário mínimo em 2026 deve gerar novo incremento na renda.

    COMÉRCIO LIDERA ABERTURA DE VAGAS

    O número de ocupados no grupamento de atividades que inclui o comércio teve aumento de 299 mil no trimestre até dezembro, em relação ao intervalo finalizado em setembro. Foi a maior alta em termos absolutos.

    Houve impacto da demanda sazonal por mão de obra a partir de eventos como a Black Friday, conforme Adriana Beringuy, do IBGE.
    O segundo maior aumento (mais 282 mil ocupados) ocorreu no grupamento de administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais.

    “Após queda de ocupação registrada no 3º trimestre [até setembro], o comércio apresentou recuperação no fim do ano, expandindo seu contingente de trabalhadores em diversos segmentos, com destaque para o comércio de vestuário e calçados”, disse Adriana.

    O QUE EXPLICA O DESEMPREGO BAIXO?

    A técnica do IBGE associou o desemprego baixo a uma economia que cresceu nos últimos anos com estímulos ao consumo das famílias. Nesse sentido, ela destacou o avanço da renda a partir de medidas como o aumento do salário mínimo.

    Outra questão que analistas costumam citar para explicar o desemprego baixo é a mudança demográfica em curso no país.
    Com o envelhecimento da população, a tendência é de que uma parcela dos brasileiros saia do mercado e deixe de procurar ocupação.

    Isso reduz a pressão sobre a taxa de desemprego porque uma pessoa sem trabalho também precisa estar em busca de oportunidades para ser considerada desocupada. Não basta só não trabalhar.

    A população fora da força de trabalho, ou seja, que não estava ocupada nem desempregada, chegou a 66,2 milhões no trimestre até dezembro.

    Houve acréscimo de 0,5% ante o período até setembro (mais 313 mil). O IBGE considera a variação dentro da margem de estabilidade estatística.

    Já na comparação com o trimestre encerrado um ano antes, em dezembro de 2024, a população fora da força cresceu 2,1% (mais 1,3 milhão).

    De acordo com Adriana Beringuy, o aumento tem um componente demográfico “bem importante”, mas não se resume a isso.

    Ela afirmou que jovens também podem ter saído da força para se dedicar aos estudos graças à melhora da renda domiciliar.

    O mercado de trabalho ainda é influenciado pela geração de vagas ligadas à tecnologia. Estudo recente do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas) estimou que atividades realizadas por meio de aplicativos reduziam o desemprego em 1 ponto percentual.

    Conforme o IBGE, o número de trabalhadores por conta própria renovou o recorde da série no trimestre até dezembro (26,1 milhões), assim como o de empregados com carteira assinada no setor privado (39,4 milhões).

    O nível da ocupação, que mede o percentual de ocupados na população de 14 anos ou mais, foi de 58,9% nos últimos três meses. Só fica abaixo do encontrado no trimestre até novembro (59%).

    A taxa de informalidade, por sua vez, foi de 37,6% até dezembro. Trata-se da fatia de informais na população ocupada.

    Percentuais de informalidade abaixo de 37,6% só foram encontrados durante o ano de 2020. À época, as restrições da pandemia expulsaram do mercado profissionais sem carteira ou CNPJ.
    “Acreditamos que a taxa de desemprego seguirá em níveis baixos para os padrões históricos ao longo de 2026, sustentada por um crescimento do PIB próximo ao que entendemos como potencial [sem pressão na inflação]”, disse Heliezer Jacob, economista do C6 Bank.
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    TIRE SUAS DÚVIDAS SOBRE O DESEMPREGO

     que é o desemprego?
    O desemprego se refere às pessoas de 14 anos ou mais que não estão trabalhando, mas que estão disponíveis e tentam encontrar trabalho.
    Para alguém ser considerado desempregado, não basta não possuir um emprego. É preciso que essa pessoa também procure oportunidades.

    Como funciona a Pnad Contínua?
    É o principal instrumento para monitorar a força de trabalho do país. Conforme o IBGE, sua amostra corresponde a 211 mil domicílios, em todos os estados e no DF, que são visitados a cada trimestre. Cerca de 2.000 entrevistadores trabalham na coleta da pesquisa.

    Como é medida a taxa de desemprego?
    É a porcentagem das pessoas na força de trabalho que estão desempregadas.
    A força de trabalho é composta pelos desempregados e pelos ocupados. Os ocupados, por sua vez, são aqueles que estão trabalhando de modo formal ou informal -ou seja, com ou sem carteira assinada ou CNPJ.

    O que explica o desemprego baixo?
    Ele se explica principalmente por um mercado de trabalho aquecido, reflexo da atividade econômica no país. Mudanças demográficas e tecnológicas também contribuem para uma taxa baixa, segundo analistas.

    Que efeito o desemprego baixo pode ter na economia?
    Com mais pessoas trabalhando, o consumo tende a crescer, já que a população tem mais renda disponível. Por outro lado, isso pode pressionar a inflação, já que eleva a demanda por bens e serviços.
    Em meio a esse cenário, o BC (Banco Central) levou a taxa básica de juros para 15% ao ano. A medida busca esfriar o consumo e conter o aumento dos preços.

    Desemprego atinge 5,1% no trimestre até dezembro e 5,6% na média de 2025, menores taxas da série

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  • Correios reabrem inscrição para Plano de Desligamento Voluntário

    Correios reabrem inscrição para Plano de Desligamento Voluntário

    Em comunicado de dezembro, os Correios declaram que a expectativa é que o PDV tenha o potencial de adesão de até 15 mil empregados entre 2026 e 2027. A economia anual estimada nas despesas de pessoal com as demissões é de R$ 2,1 bilhões, com impacto pleno a partir de 2028.

    Os Correios reabrirão, a partir da primeira semana de fevereiro, as inscrições para o Plano de Desligamento Voluntário (PDV) dos empregados da estatal. A participação no programa é pessoal e voluntária e ficará aberta até 31 de março. Os desligamentos serão concluídos até o fim de maio.

    Em comunicado de dezembro, os Correios declaram que a expectativa é que o PDV tenha o potencial de adesão de até 15 mil empregados entre 2026 e 2027. A economia anual estimada nas despesas de pessoal com as demissões é de R$ 2,1 bilhões, com impacto pleno a partir de 2028.

    Os Correios contam com mais de 82 mil empregados próprios e mais de 10 mil funcionários terceirizados.

     

    O PDV 2026 integra a Fase 1 do Plano de Reestruturação econômico-financeiro para o período de 2025–2027. O objetivo de reduzir os custos da empresa para garantir a sustentabilidade dos Correios e sua relevância social.

    O Plano de Desligamento Voluntário de 2025 teve a adesão de cerca de 3,5 mil empregados da estatal.

    Novidades do PDV 2026

    Em mensagem divulgada a todos os empregados, a empresa informou que o novo Plano de Desligamento Voluntário mantém o incentivo financeiro praticado no PDB anterior, em 2025, e apresenta algumas novidades.

    O PDV 2026 põe fim às restrições de idade máxima (antes destinado a quem tinha 55 anos e mais). Agora, qualquer empregado pode aderir ao plano, desde que tenha pelo menos dez anos de casa. Outra condição é que o empregado tenha recebido remuneração por, no mínimo, 36 meses, nos últimos 60 meses. O interessado não pode ter completado 75 anos até a data do desligamento.

    Pelas regras do PDV, os empregados e seus dependentes poderão optar pelo Plano de Saúde Família, com mensalidades mais acessíveis e cobertura regional.

    Sustentabilidade financeira

    Por fim, a comunicação interna reforça que o plano de reestruturação é necessário para reequilibrar a saúde financeira da estatal.

    Em dezembro, os Correios anunciaram a captação de R$ 12 bilhões em crédito para custear as ações do Plano de Reestruturação voltado à estabilização emergencial da empresa.

    A estatal projeta redução de R$ 5 bilhões em despesas até 2028.

    O plano de restruturação também prevê o fechamento de mil agências consideradas deficitárias. Ao todo, a infraestrutura da empresa em todo o país conta com mais de 10.350 unidades de atendimento (considerando agências próprias e outros pontos de atendimento de parceria). Há ainda 1,1 mil unidades de distribuição e tratamento, que são os centros logísticos onde as encomendas e cartas são processadas após a postagem e antes da entrega final.

    Ainda está prevista a venda de imóveis ociosos para gerar novos recursos e reduzir custos de manutenção.

    Crise

    Após diagnóstico, os Correios identificaram déficit estrutural superior a R$ 4 bilhões anuais, patrimônio líquido negativo de R$ 10,4 bilhões e prejuízo acumulado de R$ 6,057 bilhões até setembro de 2025, além da queda acentuada nos indicadores de qualidade e liquidez. Os dados totais de 2025 ainda não foram consolidados.

     

    Correios reabrem inscrição para Plano de Desligamento Voluntário

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  • Dívida Bruta do Governo Geral cai a 78,7% do PIB em dezembro, mostra BC

    Dívida Bruta do Governo Geral cai a 78,7% do PIB em dezembro, mostra BC

    O pico da série da dívida bruta foi em dezembro de 2020 (87,6%), durante a gestão de Jair Bolsonaro

    A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) como proporção do Produto Interno Bruto (PIB) caiu de 79,0% em novembro para 78,7% em dezembro, informou o Banco Central nesta sexta-feira, 30. Em valores nominais, passou de R$ 9,991 trilhões para R$ 10,018 trilhões.

    O pico da série da dívida bruta foi em dezembro de 2020 (87,6%), devido às medidas fiscais do início da pandemia de covid-19. No nível mais baixo, em dezembro de 2013, a dívida bruta chegou a 51,5% do PIB.

    Pelo conceito do Fundo Monetário Internacional (FMI), a DBGG passou de 92,3% do PIB em novembro para 93,4% no mês passado. O BC começou a divulgar a estatística em 2025.

    A DBGG que abrange o governo federal, os governos estaduais e municipais, excluindo o BC e as empresas estatais é uma das referências para avaliação, por parte das agências globais de classificação de risco, da capacidade de solvência do País. Na prática, quanto maior a dívida, maior o risco de calote por parte do Brasil.

    Dívida Líquida

    A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) que leva em conta as reservas internacionais do Brasil aumentou de 65,2% do PIB em novembro para 65,3% em dezembro, o maior valor da série histórica da autoridade monetária.

    Em reais, atingiu R$ 8,311 trilhões.

    Dívida Bruta do Governo Geral cai a 78,7% do PIB em dezembro, mostra BC

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  • Desemprego cai para 5,1% em dezembro, o menor já registrado

    Desemprego cai para 5,1% em dezembro, o menor já registrado

    Ano de 2025 termina com recorde de carteira assinada e renda

    O Brasil registrou, no trimestre encerrado em dezembro, taxa de desocupação de 5,1%, a menor já registrada pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua.

    Observando os dados consolidados de 2025, a taxa anual de desocupação ficou em 5,6%, também a menor já registrada. O número de ocupados chegou a 103 milhões.

    O ano passado também registrou recorde na renda média mensal do trabalhador, que atingiu R$ 3.560, um aumento de 5,7% (ou R$ 192) na comparação com 2024. 

    O número de carteira assinada no ano também foi o mais alto já registrado: 38,9 milhões de pessoas, expansão de 1 milhão na comparação com o ano anterior.

    Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    Desemprego cai para 5,1% em dezembro, o menor já registrado

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  • Tabela de Imposto de Renda tem defasagem de 157%, mesmo com isenção até R$ 5.000

    Tabela de Imposto de Renda tem defasagem de 157%, mesmo com isenção até R$ 5.000

    Estudo do Sindifisco aponta que valor corrigido pela inflação alcançaria R$ 6.694,37; veja a diferença entre a tabela de 2026 e os valores corrigidos pelo IPCA

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A defasagem da tabela do IRPF (Imposto de Renda da Pessoa Física) chegou a 157,22% em 2025, segundo cálculo do Sindifisco (Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal) com base no IPCA, índice oficial da inflação no país.

    Isso significa que milhões de brasileiros estão recolhendo mais imposto, ano após ano, mesmo sem elevação das alíquotas ou aumento real de renda -apenas pela não atualização da tabela.

    Apesar da sanção da lei que estabeleceu a isenção para quem ganha até R$ 5.000 mensais e a redução gradual do imposto até R$ 7.350 por mês, em novembro de 2025, essas medidas não recompõem a perda inflacionária acumulada ao longo dos anos.

    “O desconto que garantiu a isenção de IR para pessoas com ganhos até R$ 5.000 foi um grande avanço na direção da justiça tributária, especialmente ao ser alinhado com a cobrança de alíquota efetiva mínima de 10% para os contribuintes com rendas superiores a R$ 1,2 milhão anuais. Porém, ainda existe uma diferença de R$ 1.694,37 comparando-se a tabela corrigida pela inflação e a isenção concedida”, afirma Dão Real, presidente do Sindifisco Nacional.

    De acordo com o estudo do sindicato, se a tabela estivesse integralmente corrigida pela inflação acumulada desde 1996, ano em que os reajustes automáticos foram suspensos, estariam isentos os brasileiros com renda mensal bruta de até R$ 6.694,37. Nesse cenário, apenas a parcela dos salários acima de R$ 12.374,74 por mês estaria sujeita à alíquota máxima de 27,5%, atualmente aplicada a partir de R$ 7.350.

    Para o Sindifisco, a nova lei, ao não corrigir as demais faixas da tabela, manteve a estrutura regressiva do IRPF, em que os que ganham menos acabam, proporcionalmente, pagando mais.

    Segundo ele, a manutenção das demais faixas defasadas sustenta o chamado “efeito arrasto”, quando reajustes salariais apenas para repor a inflação fazem o contribuinte subir de faixa e pagar mais imposto, mesmo sem ganho real. Isso amplia a carga tributária de forma implícita e recai de forma desproporcional sobre os contribuintes de rendas mais baixas e especialmente a classe média assalariada.

    Simulações presentes no estudo evidenciam o peso da defasagem: um contribuinte com rendimento mensal bruto de R$ 6.500 paga atualmente R$ 535,04 a mais por mês do que pagaria com a tabela corrigida integralmente. Quem ganha R$ 10 mil por mês paga R$ 1.186,87 a mais, o que corresponde a um aumento de 371,80% em relação ao valor que deveria ser devido. Já entre os que ganham acima de R$ 100 mil mensais, o impacto relativo da defasagem é de apenas 7,86%.
    Diferença entre a tabela de 2026 e valores corrigidos pela inflação
    Em R$

    Rendimento Mensal Bruto – Imposto a mais
    1.518 – 0
    2.000 – 0
    2.500 – 0
    3.000 – 0
    3.036 – 0
    3.434 – 0
    4.000 – 0
    4.358 – 0
    5.000 – 0
    5.010 – 3,58
    5.158 – 56,58
    5.272 – 97,36
    5.500 – 190,47
    5.600 – 231,28
    5.698 – 271,25
    6.000 – 382,88
    6.500 – 535,84
    6.800 – 627,38
    7.000 – 688,41
    7.100 – 718,92
    7.200 – 749,44
    7.350 – 795,21
    7.360 – 796,93
    7.400 – 803,81
    7.500 – 821,01
    7.800 – 872,61
    8.000 – 907,01
    8.500 – 992,67
    9.000 – 1.078,17
    10.000 – 1.186,87
    20.000 – 1.553,42
    45.000 – 1.553,42
    100.000 – 1.553,42
    Fonte: Sindifisco
    Para o Sindifisco Nacional, a correção integral da tabela pela inflação oficial não representa renúncia fiscal, mas sim uma obrigação do Estado de preservar o valor real da renda do trabalho, respeitando os princípios constitucionais da capacidade contributiva e da progressividade.

    O sindicato defende ainda medidas estruturais, como a ampliação do número de faixas, o aumento da alíquota efetiva nos estratos superiores de renda e a tributação adequada de lucros e dividendos, como forma de corrigir distorções históricas do sistema tributário brasileiro.

    VEJA A TABELA DE ISENÇÃO E REDUÇÃO DO IR 2026

    Rendimentos tributáveis – Redução do imposto

    • até R$ 5.000 – até R$ 312,89, de modo que o imposto devido seja zero
    • de R$ 5.000,01 até R$ 7.350 – R$ 978,62 – (0,133145 x rendimentos tributáveis sujeitos à incidência mensal)
    • de modo que a redução do imposto seja decrescente linearmente até zerar o benefício para rendimentos a partir de R$ 7.350

    VEJA A TABELA DO IR A PARTIR DE 1º DE JANEIRO DE 2026

    Base de cálculo – Alíquota – Dedução

    Até R$ 2.428,80 – – – –
    De R$ 2.428,81 até R$ 2.826,65 – 7,5% – R$ 182,16
    De R$ 2.826,66 até R$ 3.751,05 – 15,0% – R$ 394,16
    De R$ 3.751,06 até R$ 4.664,68 – 22,5% – R$ 675,49
    Acima de R$ 4.664,68 – 27,5% – R$ 908,73

    Tabela de Imposto de Renda tem defasagem de 157%, mesmo com isenção até R$ 5.000

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  • Receita Federal paga lote da malha fina de janeiro

    Receita Federal paga lote da malha fina de janeiro

    Cerca de 183 mil contribuintes receberão R$ 403,65 milhões

    Cerca de 183 mil contribuintes que caíram na malha fina e regularizaram as pendências com o Fisco vão acertar as contas com o Leão. A Receita Federal paga nesta sexta-feira (30), o lote da malha fina de janeiro. O lote também contempla restituições residuais de anos anteriores.

    Ao todo, 182.959 contribuintes receberão R$ 403,65 milhões, entre contribuintes prioritários e não-prioritários.

    As restituições estão distribuídas da seguinte forma:

    • 124.065 contribuintes que usaram a declaração pré-preenchida e/ou optaram simultaneamente por receber a restituição via Pix;
    • 27.295 contribuintes de 60 a 79 anos;
    • 15.951 contribuintes sem prioridade;
    • 7.868 contribuintes cuja maior fonte de renda seja o magistério;
    • 4.692 contribuintes acima de 80 anos;
    • 3.088 contribuintes com deficiência física ou mental ou doença grave.Aberta desde o último dia 23, a consulta pode ser feita na página da Receita Federal na internet. Basta o contribuinte clicar em “Meu Imposto de Renda” e, em seguida, no botão “Consultar a Restituição”. Também é possível fazer a consulta no aplicativo da Receita Federal para tablets e smartphones.

    Pagamento

    O pagamento será feito na conta ou na chave Pix do tipo CPF informada na declaração do Imposto de Renda. Caso o contribuinte não esteja na lista, deverá entrar no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (e-CAC) e tirar o extrato da declaração. Se verificar uma pendência, pode enviar uma declaração retificadora e esperar os próximos lotes da malha fina.

    Se, por algum motivo, a restituição não for depositada na conta informada na declaração, como no caso de conta desativada, os valores ficarão disponíveis para resgate por até um ano no Banco do Brasil. Nesse caso, o cidadão poderá agendar o crédito em qualquer conta bancária em seu nome, por meio do Portal BB ou ligando para a Central de Relacionamento do banco, nos telefones 4004-0001 (capitais), 0800-729-0001 (demais localidades) e 0800-729-0088 (telefone especial exclusivo para deficientes auditivos).

    Caso o contribuinte não resgate o valor de sua restituição depois de um ano, deverá requerer o valor no Portal e-CAC. Ao entrar na página, o cidadão deve acessando o menu “Declarações e Demonstrativos”, clicar em “Meu Imposto de Renda” e, em seguida, no campo “Solicitar restituição não resgatada na rede bancária.”

    Receita Federal paga lote da malha fina de janeiro

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  • Brasil criou 1,27 milhão de vagas formais no ano passado, pior saldo desde 2020, aponta Caged

    Brasil criou 1,27 milhão de vagas formais no ano passado, pior saldo desde 2020, aponta Caged

    Ao longo de 2025, houve 26,59 milhões contratações e 25,3 milhões de desligamentos; Ministro do Trabalho atribui resultado à taxa de juros; desemprego está na mínima histórica

    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Em 2025, o Brasil teve o pior resultado na geração de empregos formais desde de 2020, com a criação de 1,27 milhão de novos postos entre janeiro e dezembro, de acordo com dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgados nesta quinta-feira (29).

    Ao longo de 2025, houve 26,59 milhões contratações e 25,3 milhões de desligamentos, com número de celetistas indo de 47,1 milhões para 48,4 milhões. O aumento no total de vagas formais é de 2,71%, percentual menor do que os registrados em 2023 (3,3%) e 2024 (3,69%).

    O resultado de dezembro também mostrou uma piora na comparação com 2024, com saldo negativo de 618 mil postos de trabalho formais. O número representa uma queda de 1,26% na comparação com o último ano.

    No acumulado do ano, todos os principais agrupamentos de atividades econômicas tiveram aumento nas contratações. O maior crescimento foi de serviços, com 758 mil postos formais, um aumento de 3,29%. O segundo setor com maior saldo foi de comércio, com 247 mil novos postos formais.

    Por estado, no acumulado de janeiro a dezembro, as maiores altas foram no Amapá, onde houve aumento de 8,4% no total de postos de trabalho formais, na Paraíba, onde houve aumento de 6%, e em Piauí, com 5,81%. O pior resultado foi no Espírito Santo, onde houve um aumento de apenas 1,52%.

    O ministro Luiz Marinho, de Trabalho e Emprego, atribuiu o resultado menor em dezembro à alta da taxa de juros. Nesta quarta (28), o Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu manter a taxa Selic em 15%, percentual que permanece inalterado desde a metade de 2025.

    Segundo o ministro, a política monetária tem afetado investimentos e a desaceleração do ritmo de crescimento da economia. Ele afirma que, se houver demora na redução dos juros, ainda haverá um tempo para que isso seja sentido pelo mercado, o que comprometeria o resultado do restante do ano.

    “Procurei dialogar com Banco Central, mostrando o que a gente conseguia interpretar das atas e que poderia levar a um processo de desaceleração do ritmo [da economia]. Enxergava, institia que iríamos ter processo de diminuição de velocidade. É o que o BC esperava e trabalhou para diminuir, dada a sua responsabilidade de cumprimento nas metas. Mas isso reflete em queimar orçamento para pagar juros.”

    O ministro disse ainda que o tarifaço do presidente americano Donald Trump, que chegou a sobretaxar importações brasileiras em 50%, gerou impactos menores do que a Selic elevada, devido à abertura de mercado do Brasil para outros países. O setor de indústria, que foi um dos mais afetados pela política de Trump, teve a criação de 144 mil empregos formais.

    “O impacto do tarifaço foi amenizado pela política do governo para abrir novos mercados. Isso deu uma minimizada muito grande”, disse Marinho.

    O resultado negativo na formalidade surge apesar de o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostrar que o Brasil vem seguindo uma tendência de renovar a mínima histórica de desemprego. No trimestre até novembro do ano passado, a taxa de desocupação foi a 5,2%, menor percentual desde 2012, início da série histórica.

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  • Toffoli manda PGR opinar se inquérito sobre influenciadores contra BC vai para 1ª instância

    Toffoli manda PGR opinar se inquérito sobre influenciadores contra BC vai para 1ª instância

    A PGR irá opinar se as apurações devem continuar sob supervisão do Supremo ou se elas devem ser enviadas para a primeira instância do Judiciário. Depois dessa manifestação, Toffoli decidirá sobre o prosseguimento da investigação

    (FOLHAPRESS) – O ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), decidiu encaminhar para manifestação da PGR (Procuradoria-Geral da República) a investigação sobre a rede de influenciadores que teria sido usada pelo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para descredibilizar o Banco Central.

    A PGR irá opinar se as apurações devem continuar sob supervisão do Supremo ou se elas devem ser enviadas para a primeira instância do Judiciário. Depois dessa manifestação, Toffoli decidirá sobre o prosseguimento da investigação.

    A Polícia Federal identificou aproximadamente 40 perfis que teriam sido contratados por Vorcaro para integrar o “Projeto DV”, referência às iniciais do empresário.

    O recrutamento dos perfis em redes sociais que fizeram um bombardeio digital contra Banco Central e investigadores no caso Master envolveu um contrato de confidencialidade de R$ 800 mil.

    A equipe responsável pela articulação das publicações enviou mensagens a influenciadores em meados de dezembro.

    Internamente, agentes da PF que acompanham o caso já chamam o esquema de “gabinete do ódio” de Vorcaro, em alusão à rede de influenciadores digitais de direita que era utilizada pelo governo de Jair Bolsonaro para espalhar fake news sobre o sistema eleitoral e sobre adversários políticos do ex-presidente.

    Ao Supremo, a defesa de Vorcaro rejeitou qualquer envolvimento com os perfis. 

    Os advogados disseram que o ex-banqueiro “nega veementemente qualquer envolvimento ou conhecimento sobre qualquer prática de difamação ou disseminação de fake news em face do Banco Central”.

    “[Vorcaro] cumpre rigorosamente as medidas cautelares que lhe foram impostas -embora entenda sua defesa que são desnecessárias e injustas- inclusive colaborando ativamente com as investigações em andamento, tendo respondido todas as indagações que lhe foram dirigidas em oitiva e acareação realizadas perante esta Suprema Corte no dia 30 de dezembro de 2025”, disseram.

    A informação sobre os contratos de influenciadores foi antecipada pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo. “Ofereceram valores expressivos”, disse o influenciador Rony de Assis Gabriel (PL-RS), que também é vereador por Erechim, a 370 quilômetros da capital gaúcha. Ele foi procurado, em 20 de dezembro, pelo marketeiro André Salvador, que disse estar com um trabalho de “gerenciamento de reputação e gestão de crise de um executivo grande”.

    Salvador contatou, em 21 de dezembro, o deputado estadual Léo Siqueira (Novo-SP). Na ocasião, o profissional de comunicação se apresentou como funcionário da agência Mithi, de Thiago Miranda, um dos sócios do Grupo Léo Dias. Ambos os parlamentares recusaram as propostas, de acordo com gravações de tela vistas pela reportagem.

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