Categoria: ECONOMIA

  • Receita abre consulta a lote residual do Imposto de Renda nesta quinta (23)

    Receita abre consulta a lote residual do Imposto de Renda nesta quinta (23)

    Pagamento será feito no dia 30 para 415.277 contribuintes que saíram da malha fina; contribuinte pode consultar se há pendências na declaração pelo extrato do IR

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A Receita Federal abre, a partir das 10h desta quinta-feira (23), a consulta ao lote residual do Imposto de Renda. Com valor total de R$ 592 milhões, o lote será pago na próxima quinta-feira (30) para 415.277 contribuintes, incluindo prioritários e não prioritários.

    Para saber se está neste lote, o contribuinte deverá acessar o site do órgão. É preciso informar CPF e data de nascimento. Também é possível fazer a consulta no aplicativo da Receita Federal, em Meu Imposto de Renda, ou pelo e-CAC (Centro de Atendimento Virtual da Receita). Segundo a Receita, esse lote inclui restituições de anos anteriores.

    De acordo com a Receita, do total, R$ 256 milhões serão destinados a contribuintes com prioridade legal, distribuídos da seguinte forma:

    – Idosos acima de 80 anos: 4.731 restituições
    – Idosos entre 60 e 79 anos: 28.572 restituições
    – Pessoas com deficiência física, mental ou moléstia grave: 4.608 restituições
    – Contribuintes cuja maior fonte de renda seja o magistério: 10.521 restituições

    Além disso, o órgão diz que 334.614 restituições serão destinadas a contribuintes que não possuem prioridade legal, mas receberam prioridade por terem utilizado a declaração pré-preenchida e/ou optado por receber via Pix. Haverá ainda 32.231 restituições destinadas a contribuintes não prioritários.

    COMO CONSULTAR SE MINHA RESTITUIÇÃO ESTÁ DISPONÍVEL?

    1. Acesse o site www.gov.br/receitafederal
    2. Clique em “Meu Imposto de Renda”
    3. Selecione “Consultar minha Restituição”
    4. Informe CPF e data de nascimento e clique sobre a caixa “sou humano”

    Para checar suas informações sobre a situação fiscal por meio do e-CAC (Centro de Atendimento Virtual da Receita Federal), é preciso ter senha do portal Gov.br nível prata ou ouro.

    Se identificar alguma pendência na declaração, o contribuinte pode enviar uma retificadora, corrigindo as informações que estiverem equivocadas. Com isso poderá sair da malha fina e receber a restituição, se for o caso.

    A Receita também disponibiliza aplicativo para tablets e smartphones que possibilita consultar diretamente informações sobre liberação das restituições do IR e a situação cadastral de uma inscrição no CPF.

    O órgão diz que o pagamento é feito somente em conta do titular da declaração. Com isso, o pagamento não será realizado caso ocorra erro nos dados bancários informados ou algum problema na conta destino.

    Caso haja erro nos dados bancários, a Receita oferece o serviço de reagendamento disponibilizado pelo Banco do Brasil, pelo prazo de até um ano após a primeira tentativa de crédito.

    O reagendamento pode ser feito da seguinte forma:

    – Portal BB – https://www.bb.com.br/irpf
    – Pela Central de Relacionamento BB:
    – 4004-0001 (capitais).
    – 0800-729-0001 (demais localidades)
    – 0800-729-0088 (deficientes auditivos).

    Para reagendar, é necessário informar o valor da restituição e o número do recibo da declaração. Após o reagendamento, basta aguardar nova tentativa de crédito.

    Caso o valor não seja resgatado em até um ano, o contribuinte deverá solicitar pelo Portal e-CAC, acessando: Declarações e Demonstrativos > Meu Imposto de Renda > Solicitar restituição não resgatada na rede bancária.

    COMO FUNCIONA O PAGAMENTO DA RESTITUIÇÃO?

    Quem cai na malha fina por inconsistências da declaração só consegue a restituição após enviar a declaração retificadora. Neste caso, o pagamento é feito nos lotes residuais, a partir de outubro.

    Quando o fisco processa o IR e não encontra mais pendências, há o agendamento do pagamento dos valores a quem tem direito de restituir, conforme o total a receber, a data em que entregou a declaração do Imposto de Renda e a quantia disponibilizada pelo governo federal.

    O QUE FAZER SE CAIR NA MALHA FINA?

    Quem cai na malha fina precisa enviar uma declaração retificadora corrigindo o erro. O prazo para fazer isso sem que haja penalidades é de até cinco anos. No entanto, enquanto não entregar o IR sem pendências o contribuinte não recebe a restituição.

    COMO ENVIAR A DECLARAÇÃO RETIFICADORA?

    É possível alterar os dados durante cinco anos, desde que o documento não esteja sob fiscalização da Receita.

    A retificação do IR pode ser feita no programa gerador do Imposto de Renda no computador, no aplicativo para celular ou tablet, ou no e-CAC.

    A principal dica da Receita Federal para quem vai retificar é não se esquecer de usar o programa do ano da declaração que precisa ser corrigida. Caso faça a retificação pelo e-CAC ou no celular, é preciso selecionar o ano correto.

    Receita abre consulta a lote residual do Imposto de Renda nesta quinta (23)

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Como é a multa para quem não declarar o Imposto de Renda 2026?

    Como é a multa para quem não declarar o Imposto de Renda 2026?

    Para quem tem IR devido, aplicam-se os percentuais de 1% a 20% sobre todo o imposto devido no ano. O prazo para declarar o Imposto de Renda 2026 termina em 29 de maio

    (FOLHAPRESS) – A multa aplicada aos contribuintes obrigados a declarar o Imposto de Renda 2026 e que não entregam o documento à Receita Federal pode chegar a 20% do IR devido no ano. O valor, por lei, é de 1% ao mês, mas o mínimo que se cobra é de R$ 165,74.

    O total vai depender da situação do contribuinte, segundo o fisco. Se não houver imposto devido, o valor é é fixo em R$ 165,74. É o caso de quem não teve rendimentos tributáveis, mas é obrigado a declarar por se enquadrar em outras regras de obrigatoriedade.

    Para quem tem IR devido, aplicam-se os percentuais de 1% a 20% sobre todo o imposto devido no ano. O prazo para declarar o Imposto de Renda 2026 termina em 29 de maio.

    O contribuinte deverá fazer o pagamento da multa por atraso após regularizar a situação, ou seja, depois de entregar a declaração do Imposto de Renda que estava faltando. O boleto da multa, chamado de Darf (Documento de Arrecadação de Receitas Federais), é gerado automaticamente, junto com a notificação, podendo ser acessado pelo programa do IR ou pelo sistema Meu Imposto de Renda.

    Para quem deve IR, são gerados dois Darfs, um para a multa e outro para o imposto a ser pago. No caso de quem tem restituição a receber, o valor será descontado da restituição. Quem atrasa o pagamento, paga nova multa, desta vez sobre o Darf em atraso.

    “É importante separar o imposto propriamente dito do atraso no pagamento. A multa de até 20% é a multa por atraso na entrega da declaração, não a multa moratória de tributo recolhido fora do prazo”, diz Rodrigo Martins, diretor de tributação internacional da Ronaldo Martins Advogados.

    Isso porque quem não pagar a multa por atraso no prazo da Receita terá cobrança de juros com base na taxa Selic.

    O prazo para pagamento do Darf é de até 30 dias, com juros em caso de atraso. “Se houver atraso no pagamento, incidem juros com base na taxa Selic, acrescidos de 1% no mês do pagamento. Além disso, o débito fica vinculado ao CPF, podendo gerar pendências na situação fiscal do contribuinte”, explica Sandro Rodrigues, economista da Attend.

    O Darf deve ser sempre pago à vista na data de vencimento, mas caso não seja, o débito pode posteriormente ser incluído em parcelamentos disponíveis no sistema da Receita Federal, junto a outros débitos fiscais.

    O contribuinte que tem direito à restituição também será obrigado a pagar multa se atrasar a entrega da declaração. O valor do IR a ser devolvido pode ser usado para abater a multa. Quem não é obrigado a declarar, não paga multa por entregas fora do prazo.
    *
    CPF PENDENTE

    Consultores ouvidos pela Folha alertam para outra penalidade: o CPF com situação “pendente de regularização”. Esse débito fiscal pode desencadear diferentes problemas, incluindo dificuldade em abrir conta bancária e até mesmo para fazer parte de programas assistenciais do governo federal.

    Segundo a Receita, para resolver essa situação é necessário apresentar a declaração que ficou faltando, com o pagamento da multa. Para verificar em qual ano houve a omissão, basta acessar o site da Receita Federal na área “Meu CPF”.

    Já a longo prazo, as consequências tendem a ser mais severas, como inclusão do débito em dívida ativa; ações judiciais de cobrança e restrições financeiras e de crédito.

    “Organização financeira e acompanhamento constante das obrigações com o Fisco são atitudes simples que fazem toda a diferença no longo prazo”, orienta Sandro Rodrigues, contabilista da Attend Contabilidade

    QUEM CALCULA O VALOR DA MULTA DO IR?

    O próprio programa do Imposto de Renda calcula o valor do Darf (documento para pagamento do imposto no banco) automaticamente, com base no dia de entrega da declaração. Para gerar o documento, selecione a aba “Imprimir” no menu do lado esquerdo da tela do programa e clique em “Darf de multa por entrega em atraso

    PRECISO PAGAR A MULTA MESMO TENDO DIREITO À RESTITUIÇÃO?

    Sim, quem tem direito à restituição será obrigado a pagar uma multa se atrasar a entrega da declaração. O valor da restituição pode ser usado para abater o valor da multa, caso não seja paga no momento da entrega. Contribuintes que não são obrigados a apresentar a declaração estão isentos da cobrança.

    TENHO IMPOSTO A PAGAR; MESMO ASSIM, A MULTA SERÁ COBRADA?

    O contribuinte que tem imposto a pagar terá de gerar dois Darfs na hora que entregar a declaração. Um deles para para o IR devido de uma única vez ou a primeira parcela, no caso de quem vai parcelar o IR devido. O outro Darf será com a multa calculada pelo programa da Receita por conta do atraso na declaração.

    Como é a multa para quem não declarar o Imposto de Renda 2026?

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • UE alerta para 'consequências catastróficas' sem liberdade de navegação permanente em Ormuz

    UE alerta para 'consequências catastróficas' sem liberdade de navegação permanente em Ormuz

    Comissário europeu alerta para impactos da crise no Oriente Médio e diz que bloqueio no Estreito de Ormuz pode pressionar combustíveis e cadeias de suprimento, com risco de efeitos severos para a economia global e o setor de transportes.

    O comissário europeu para Transportes e Turismo Sustentáveis, Apostolos Tzitzikostas, alertou, em coletiva de imprensa nesta terça-feira (21), que, sem o restabelecimento da liberdade permanente de navegação pelo Estreito de Ormuz, as consequências poderão ser “catastróficas” para a Europa e o restante do mundo.

    Tzitzikostas afirmou que a guerra no Oriente Médio já impacta de forma significativa o setor de transportes, com aumento nos custos de combustíveis e pressão sobre a cadeia de suprimentos, afetando empresas, cidadãos e operadores logísticos.

    O comissário destacou ainda que a Europa possui reservas estratégicas de combustível de aviação, que poderão ser utilizadas em caso de necessidade. Segundo ele, o bloco também busca alternativas de abastecimento, incluindo fornecedores internacionais, como os Estados Unidos.

    “A crise no Oriente Médio está afetando todos os modos de transporte e todos os Estados-membros da União Europeia. A Comissão vai apresentar amanhã um plano de energia, com foco principal nos combustíveis para transporte”, afirmou.

    Ele acrescentou que acompanha a situação de perto e defendeu a atuação conjunta dos países europeus para mitigar os impactos da alta nos preços da energia e tornar o sistema de transporte e a cadeia de suprimentos mais resilientes a futuras crises.

    UE alerta para 'consequências catastróficas' sem liberdade de navegação permanente em Ormuz

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Minha Casa, Minha Vida muda regras a partir de quarta; veja quem pode

    Minha Casa, Minha Vida muda regras a partir de quarta; veja quem pode

    Programa amplia renda para até R$ 13 mil, eleva teto dos imóveis e altera faixas de financiamento. Caixa passa a aplicar novas condições com possibilidade de juros menores e prazos mais longos; simulações já estão disponíveis.

    (FOLHAPRESS) – A Caixa Econômica Federal, principal operadora do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), começa a aplicar na próxima quarta-feira (22) as novas regras do programa, após aprovação do Conselho Curador do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e regulamentação pelo Ministério das Cidades.

    Na prática, o programa abre espaço maior para a classe média dentro da política habitacional, pois passa a atender famílias com renda mensal de até R$ 13 mil.

    Também houve elevação nos tetos dos preços dos imóveis: na faixa 3, o valor máximo sobe para R$ 400 mil, enquanto na chamada faixa de classe média chega a R$ 600 mil. Para as faixas 1 e 2 foi mantido o limite de até R$ 275 mil, com variação conforme o tamanho do município.

    Com isso, o programa o programa passa a incluir desde apartamentos compactos até imóveis de padrão médio, com dois ou três dormitórios.

    As alterações também mudam o enquadramento das famílias nas faixas, o que pode resultar em condições mais vantajosas de financiamento. Um dos efeitos é a migração de parte dos beneficiários para categorias com juros mais baixos.

    É o caso de famílias com renda próxima de R$ 3.000, que deixam a faixa 2 e passam à faixa 1, com redução mínima de 0,25 ponto percentual nas taxas, diminuindo o custo total do financiamento ao longo do contrato.

    Os interessados já podem simular as novas condições no site da Caixa ou no aplicativo Habitação Caixa.

    Segundo o presidente do banco, Carlos Vieira, a revisão amplia o leque de imóveis disponíveis sem descaracterizar o perfil social do programa. Ele diz que isso significa mais alternativas para quem busca conquistar a casa própria.
    A vice-presidente de habitação, Inês Magalhães, afirma que as mudanças aproximam o MCMV da realidade atual do mercado imobiliário e da renda das famílias.
    *
    VEJA O QUE MUDA

    O programa agora atende famílias com renda de até R$ 13 mil mensais, com quatro faixas:
    – Faixa 1: passa de até R$ 2.850 para até R$ 3.200 mensais
    – Faixa 2: sobe de até R$ 4.700 para até R$ 5.000
    – Faixa 3: vai de até R$ 8.600 para até R$ 9.600
    – Faixa 4: de até R$ 12 mil para até R$ 13 mil

    Para se enquadrar no Minha Casa, Minha Vida, a renda considerada é a renda bruta familiar mensal, que é a soma dos ganhos de todas as pessoas que vão compor o financiamento e morar no imóvel, antes de descontos como INSS e Imposto de Renda.

    Entram nessa conta salários formais, rendimentos de trabalho autônomo, aposentadorias, pensões e outras fontes comprováveis. O valor total é o que define em qual faixa o comprador se encaixa e, consequentemente, a taxa de juros e eventuais subsídios a que terá direito.

    Nos valores dos imóveis, as principais mudanças estão nas faixas superiores:
    – Faixa 3: de R$ 350 mil para R$ 400 mil
    – Faixa 4: de R$ 500 mil para R$ 600 mil

    Juros e prazos

    As taxas de juros variam conforme a renda e a linha de financiamento. Para famílias com renda de até R$ 9.600, os juros partem de 4% ao ano e podem chegar a 8,16% ao ano, com possibilidade de redução para cotistas do FGTS. Já na faixa de classe média, a taxa nominal é de 10% ao ano.
    Os prazos de pagamento podem chegar a até 420 meses (35 anos), dependendo da modalidade escolhida.

    COMO PEDIR E ONDE SIMULAR O FINANCIAMENTO

    O simulador habitacional da Caixa já foi atualizado com as novas condições. A ferramenta é gratuita, não gera compromisso e permite ao interessado comparar cenários antes de iniciar o processo de financiamento.
    1 – Acesse o Simulador Habitacional no site ou aplicativo da Caixa
    2 – Informe renda familiar, valor do imóvel e localização
    3 – O sistema indica a faixa, a taxa de juros e eventual subsídio

    A partir de quarta-feira (22), para seguir com o financiamento, será preciso apresentar:
    – comprovantes de renda (holerite, declaração de IR)
    – documentos pessoais
    – extrato do FGTS

    O QUE DÁ PARA COMPRAR

    O imóvel que pode ser financiado pelo Minha Casa, Minha Vida depende da faixa de renda da família e dos novos tetos de valor, que foram elevados para acompanhar a alta dos preços do mercado imobiliário.

    O programa não fixa um tamanho padrão de imóvel, mas impõe requisitos técnicos mínimos que, na prática, fazem com que as unidades tenham pelo menos algo entre 36 m² e 40 m² nas faixas mais populares e variem acima disso nas demais.
    Até cerca de R$ 275 mil (faixas 1 e 2):
    – Mais compactos, geralmente apartamentos de 2 dormitórios, com metragem reduzida e foco em custo
    – São comuns em bairros mais afastados ou cidades menores
    Até R$ 400 mil (faixa 3):
    – Apartamentos novos de padrão intermediário, ainda com 2 quartos na maioria dos casos, mas já com mais espaço e áreas de lazer
    Até R$ 600 mil (faixa 4):
    – Passam a entrar imóveis de padrão médio, com 2 ou 3 dormitórios, maior metragem e condomínios mais completos, inclusive em regiões mais valorizadas das grandes cidades

    Minha Casa, Minha Vida muda regras a partir de quarta; veja quem pode

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Moraes recua e decide que novas regras para relatórios do Coaf não são retroativas

    Moraes recua e decide que novas regras para relatórios do Coaf não são retroativas

    Ministro esclarece que novas regras para uso de relatórios do Coaf valem apenas para o futuro e não afetam investigações já em andamento, buscando garantir segurança jurídica e evitar anulações em massa de provas em processos em curso.

    (FOLHAPRESS) – O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), recuou de parte da decisão proferida em 27 de março para limitar o fornecimento de relatórios de inteligência do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) a polícias, ao Ministério Público e a Comissões Parlamentares de Inquérito, e determinou nesta terça (21) que os procedimentos anteriores à sua decisão inicial não são afetados pelas novas regras.

    Em 27 de março, o ministro estabeleceu sete novas regras para que o Coaf forneça esses relatórios, como a existência de um procedimento de apuração formalmente instaurado e com lastro documental, como um inquérito policial ou um PIC (procedimento investigatório criminal, meio usado pelo Ministério Público).

    Também foi proibido o uso como “pesca probatória”, como primeira ou única medida investigativa, e determinado que tenha pertinência temática com o objeto da investigação. Essas regras deverão ser seguidas pelo Coaf tanto para atender a pedidos de órgãos de controle como de decisões judiciais e CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito), além de documentos que o órgão produz de forma espontânea a partir do alerta de bancos.

    Na ocasião, o ministro afirmou que a ausência dos requisitos previstos em sua decisão “afasta a legitimidade constitucional” do uso das informações e dos relatórios de inteligência financeira (RIFs). Essa ilegalidade valeria “inclusive em relação àqueles já fornecidos e juntados às investigações e processos” e “constitui ilicitude da prova produzida, bem como de todas [as provas] dela diretamente derivadas”, “sendo, portanto, inadmissíveis”.

    A liminar foi proferida dias após a CPI do Crime Organizado aprovar a quebra de sigilo da Maridt Participações, empresa da qual o ministro Dias Toffoli é sócio e que recebeu pagamentos de fundo ligado ao Banco Master pela venda do resort Tayayá, no Paraná. A decisão da CPI foi anulada pelo ministro Gilmar Mendes, também do STF.

    A decisão de Moraes em março significou uma limitação ampla ao uso de relatórios de movimentação financeira elaborados pelo Coaf e passou a ser usada por investigados para pedir a anulação de apurações contra eles.

    Nesta terça (21), o ministro publicou nova decisão, “esclarecendo” que a medida tem efeitos apenas a partir do momento da publicação da liminar em 27 de março, “estabelecendo critérios vinculantes para a atuação futura” do Coaf e das autoridades requisitantes.

    “A medida liminar determinada nos presente autos possui eficácia prospectiva (ex nunc), não se aplicando automaticamente a atos pretéritos regularmente praticados antes de sua prolação”, afirmou, na decisão desta terça, feriado de 21 de abril, e expedida com urgência para os tribunais de justiça, Ministério Público, Defensoria Pública e Banco Central.

    Esse esclarecimento, afirma o ministro na nova decisão, visa a segurança jurídica e evita “a produção de efeitos retroativos generalizados que poderiam comprometer investigações, processos ou procedimentos em estágio avançado”.

    Moraes alerta ainda que o caráter futuro da liminar não impede “a análise concreta da licitude das provas em cada caso específico” e o controle posterior da legalidade e admissibilidade das provas feitas com base nos relatórios de inteligência do Coaf.

    O julgamento da liminar está marcado para 14 de maio.

    Moraes recua e decide que novas regras para relatórios do Coaf não são retroativas

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Empresa dos EUA compra única mina brasileira de terras raras

    Empresa dos EUA compra única mina brasileira de terras raras

    Aquisição bilionária coloca mina brasileira sob controle dos EUA e reforça disputa global por minerais estratégicos. Negócio prevê contrato de longo prazo e expansão da cadeia produtiva fora da Ásia, hoje dominada pela China.
     

    A empresa brasileira Serra Verde, especializada em terras raras, foi adquirida pela norte-americana USA Rare Earth (USAR) em uma negociação avaliada em cerca de US$ 2,8 bilhões. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (20) pelas companhias.

    A Serra Verde opera a mina de Pela Ema, em Minaçu (GO). Com o acordo, a única mina de argilas iônicas ativa do Brasil, em produção desde 2024, passa a ser controlada por uma empresa dos Estados Unidos.

    A operação é estratégica por envolver a produção de terras raras pesadas consideradas críticas, como disprósio, térbio e ítrio. Esses materiais são fundamentais para a fabricação de ímãs permanentes usados em veículos elétricos, turbinas eólicas, robôs, drones, aparelhos de ar-condicionado de alta eficiência e também em setores como semicondutores, defesa, nuclear e aeroespacial. Atualmente, mais de 90% da produção global desses minerais está concentrada na China.

    Segundo a Serra Verde, a transação pode resultar na criação de uma das maiores empresas do setor no mundo. A produção em Goiás ainda está na fase inicial, mas há expectativa de expansão até 2030.

    “As operações de mineração e processamento da Serra Verde terão um papel central no estabelecimento da primeira cadeia de suprimentos de terras raras da mina ao ímã fora da Ásia, quando combinadas com as capacidades de mineração e ‘downstream’ da USAR”, informou a empresa.

    Contrato de 15 anos

    O acordo prevê um contrato de fornecimento de 15 anos para abastecer uma empresa de propósito específico (SPV), financiada por agências do governo dos Estados Unidos e investidores privados, com 100% da produção da primeira fase, com preços mínimos garantidos.

    “O acordo proporciona fluxos de caixa seguros e previsíveis, reduzindo riscos e apoiando novos investimentos”, afirmou a USAR em comunicado.

    A expectativa é criar uma multinacional com operações no Brasil, Estados Unidos, França e Reino Unido, atuando em toda a cadeia de valor das terras raras, da extração à fabricação de ímãs.

    A negociação ocorre em meio a críticas do presidente Donald Trump à dependência global da produção chinesa, tema que tem gerado tensões com Pequim.

    “Esses marcos demonstram a capacidade do Brasil de assumir papel de liderança no desenvolvimento das cadeias globais de suprimento de terras raras”, afirmou Ricardo Grossi, presidente da Serra Verde Pesquisa e Mineração.

    O mercado reagiu positivamente ao anúncio. Por volta das 15h30, as ações da USAR na Nasdaq subiam mais de 8%.

    A operação prevê a manutenção da equipe da empresa brasileira, com dois executivos integrando a diretoria da USAR: Sir Mick Davis e Thras Moraitis.

     
     

    Empresa dos EUA compra única mina brasileira de terras raras

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Brasil e Alemanha firmam acordo sobre minerais críticos e terras raras

    Brasil e Alemanha firmam acordo sobre minerais críticos e terras raras

    Acordo prevê cooperação em pesquisa, inovação e exploração de minerais estratégicos, além de novos investimentos e parcerias em áreas como clima, tecnologia e indústria, fortalecendo relações bilaterais em meio à transição energética global.

    Brasil e Alemanha assinaram, nesta segunda-feira (20), em Hannover, uma declaração conjunta de intenções para ampliar a cooperação científica e tecnológica na área de minerais críticos e estratégicos, considerados essenciais para a transição energética e o desenvolvimento de tecnologias emergentes.

    O ato foi firmado durante visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se reuniu com o chanceler alemão Friedrich Merz.

    O acordo, celebrado entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e o Ministério Federal da Pesquisa, Tecnologia e Espaço da Alemanha, estabelece bases para intensificar ações conjuntas em pesquisa, desenvolvimento e inovação ao longo de toda a cadeia produtiva desses insumos.

    Os minerais críticos são fundamentais para tecnologias modernas, defesa e transição energética, como baterias, painéis solares e turbinas, e sua oferta enfrenta riscos de escassez ou concentração em poucos fornecedores.

    O Brasil concentra algumas das maiores reservas dessas matérias-primas no mundo. Após o encontro bilateral, Lula destacou a necessidade de agregar valor à produção nacional. “Nossas reservas também nos tornam atores incontornáveis no debate sobre minerais críticos. Queremos atrair cadeias de processamento para o território brasileiro, sem fazer exportações excludentes. A colaboração em setores intensivos em tecnologia é uma prioridade para um país que não quer se limitar a ser um mero exportador de commodities”, afirmou.

    Segundo o acordo, os países devem ampliar a cooperação em exploração, extração e processamento de minerais como terras raras, além de incentivar pesquisa, desenvolvimento e inovação para fortalecer cadeias produtivas, soberania tecnológica e capacidades industriais.

    Entre os compromissos estão o apoio à inovação, especialmente por pequenas e médias empresas, o desenvolvimento de projetos conjuntos, o intercâmbio de cientistas e técnicos e a criação de um programa bilateral de financiamento, previsto para 2026.

    Outros acordos

    Além da cooperação em minerais críticos, Brasil e Alemanha firmaram outros 14 atos durante a visita oficial.

    Entre eles, há um acordo para reforçar o combate a crimes ambientais, como desmatamento, tráfico de fauna e flora, pesca e mineração ilegais, e outro voltado à cooperação em inteligência artificial, com foco em governo digital e aplicações industriais.

    Também foi assinada uma carta de intenções para ampliar os recursos destinados ao Fundo de Combate às Mudanças Climáticas, coordenado pelo governo brasileiro e operacionalizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O banco de desenvolvimento alemão KfW deve aportar cerca de 500 milhões de euros.

    Os dois países ainda formalizaram parcerias nas áreas de defesa, pesquisa oceânica, apoio a micro e pequenas empresas, pesquisa aeroespacial, tecnologias quânticas e economia circular.

    Em sua segunda visita oficial à Alemanha neste mandato, Lula foi recebido com honras militares em Hannover. O Brasil está entre os poucos países com os quais a Alemanha mantém uma parceria estratégica, o mais alto nível de relação diplomática.

    “Essa proximidade é mais importante do que nunca nesses tempos de tantas mudanças na ordem mundial. Queremos fortalecer o benefício comum e expandir nossa rede. Queremos ser parceiros fortes e com ideias afins”, afirmou Merz.

    Além da reunião bilateral, Lula discursou na abertura da Hannover Messe, considerada a maior feira industrial do mundo, que neste ano tem o Brasil como destaque, e participou de encontro com empresários, destacando oportunidades no setor de biocombustíveis. 

    Brasil e Alemanha firmam acordo sobre minerais críticos e terras raras

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Alckmin recorre a ganho de produtividade com mais tecnologias para justificar fim da 6×1

    Alckmin recorre a ganho de produtividade com mais tecnologias para justificar fim da 6×1

    Vice-presidente defende debate sobre redução da jornada com base no avanço tecnológico. Segundo ele, maior produtividade e qualificação profissional impulsionam mudança, mas proposta ainda precisa considerar diferenças entre setores antes de eventual aprovação no Congresso

    O presidente em exercício da República, Geraldo Alckmin, afirmou nesta segunda-feira (20) que o avanço tecnológico nas empresas pode justificar a redução da jornada de trabalho no país. Atualmente, a escala predominante é de seis dias trabalhados para um de descanso. O tema está em discussão no Congresso após proposta enviada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

    Segundo Alckmin, a diminuição da carga horária é uma tendência global, já que a tecnologia permite aumentar a produtividade com menos trabalhadores, ao mesmo tempo em que exige mão de obra mais qualificada.

    A declaração foi feita após visita à empresa química Unipar, em Cubatão (SP), que passou por um processo de modernização concluído em dezembro de 2025.

    “Há uma tendência no mundo todo de redução de jornada de trabalho porque a tecnologia permite você fazer mais com menos gente. Muda o perfil, você passa a ter recursos humanos mais qualificados, é uma tendência. Com mais tecnologia, passa a haver uma produção maior com menos pessoas. Isso vale para agricultura, onde você mecaniza muito, vale para a indústria, com automação, robôs, e até para serviços, como a medicina”, disse.

    Para o presidente em exercício, a redução da jornada é um movimento natural, mas que precisa ser amplamente debatido. “O governo apoia e há necessidade de se analisar as especificidades, porque nem todos os setores funcionam da mesma forma. Cabe ao Congresso analisar e aprofundar esse debate. Mas nós somos favoráveis. Essa é uma tendência mundial”, completou.

     
     
     

    Alckmin recorre a ganho de produtividade com mais tecnologias para justificar fim da 6×1

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Bolsas da Europa fecham em queda com incertezas sobre negociações entre EUA e Irã

    Bolsas da Europa fecham em queda com incertezas sobre negociações entre EUA e Irã

    Mercados recuam diante da escalada de tensões no Oriente Médio e incertezas sobre negociações entre Irã e EUA. Alta do petróleo pressiona ativos de risco e impacta setores como aviação, enquanto energia lidera ganhos

    As bolsas europeias fecharam em queda nesta segunda-feira (20), com investidores adotando cautela diante de informações conflitantes sobre a possível participação do Irã em uma nova rodada de negociações com os Estados Unidos, mediada pelo Paquistão, sobre o conflito no Oriente Médio. O cenário elevou os preços do petróleo e reduziu o apetite por risco.

    Em Londres, o FTSE 100 caiu 0,55%, aos 10.609,08 pontos. Em Frankfurt, o DAX recuou 1,04%, aos 24.444,33 pontos. Em Paris, o CAC 40 perdeu 1,12%, aos 8.331,05 pontos. Em Milão, o FTSE MIB caiu 1,36%, aos 48.207,02 pontos. Em Madri, o Ibex 35 recuou 1,31%, aos 18.242,60 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 teve leve queda de 0,08%, aos 9.177,59 pontos. As cotações são preliminares.

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar o Irã ao afirmar que, caso o cessar-fogo expire na terça-feira, “muitas bombas começarão a explodir”. Ao mesmo tempo, disse que o vice-presidente, JD Vance, viajará ao Paquistão com uma delegação para tentar avançar nas negociações.

    O tom de tensão voltou a subir após Teerã anunciar, no fim de semana, o fechamento do Estreito de Ormuz, em resposta à manutenção de um bloqueio naval dos EUA aos portos iranianos. Washington também apreendeu uma embarcação iraniana que tentava furar o bloqueio.

    Para o Danske Bank, o cenário geopolítico deve manter a volatilidade nos mercados e pode levar o petróleo novamente à faixa dos US$ 100. Na tentativa de amenizar o impacto dos preços da energia, a Comissão Europeia deve apresentar, ainda nesta semana, recomendações para reduzir a demanda por combustíveis fósseis na União Europeia.

    Com a alta do petróleo, ações de empresas do setor, como TotalEnergies, BP, Shell e Repsol, chegaram a subir quase 3%. Em sentido oposto, companhias aéreas voltaram a registrar perdas superiores a 3%.

    Entre os destaques corporativos, o banco UniCredit caiu 2,71% após o CEO Andrea Orcel mencionar planos de fusão com o Commerzbank.

    Bolsas da Europa fecham em queda com incertezas sobre negociações entre EUA e Irã

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Eli Lilly anuncia compra da Kelonia Therapeutics por até US$ 7 bi

    Eli Lilly anuncia compra da Kelonia Therapeutics por até US$ 7 bi

    Aquisição bilionária reforça aposta da farmacêutica em terapias gênicas inovadoras. Tecnologia da Kelonia permite produção de células CAR-T diretamente no organismo, com potencial para ampliar o acesso a tratamentos contra o câncer

    A Eli Lilly anunciou a compra da Kelonia Therapeutics por até US$ 7 bilhões em dinheiro, incluindo um pagamento inicial de US$ 3,25 bilhões.

    A empresa adquirida, ainda em fase clínica, é pioneira no desenvolvimento de tecnologias de administração de genes in vivo. Seu principal programa, o KLN-1010, é uma terapia CAR-T lentiviral in vivo considerada potencialmente inovadora, atualmente em Fase 1 para tratamento de mieloma múltiplo recidivado ou refratário.

    Segundo a Lilly, a aquisição amplia suas capacidades em medicina genética ao incorporar uma nova tecnologia de entrega e integração de genes diretamente no organismo, com potencial de aplicação em diversas doenças.

    As partículas lentivirais desenvolvidas pela Kelonia são projetadas para atingir de forma eficiente e seletiva as células T, permitindo que o próprio corpo do paciente produza terapias com células CAR-T, usadas no combate ao câncer.

    O KLN-1010 é uma terapia gênica intravenosa, ainda em fase experimental, que gera células CAR-T direcionadas ao antígeno de maturação de células B (BCMA), presente na superfície das células do mieloma múltiplo.

    “As terapias CAR-T autólogas melhoraram significativamente os resultados para pacientes com vários tipos de câncer, mas barreiras consideráveis de fabricação, segurança e acesso fazem com que apenas uma fração dos pacientes elegíveis realmente as receba. A plataforma in vivo da Kelonia tem o potencial de mudar isso, oferecendo respostas rápidas e duradouras em um formato muito mais simples e pronto para uso”, afirmou Jacob Van Naarden, vice-presidente executivo e presidente da Lilly Oncology e chefe de desenvolvimento de negócios corporativos.

    Eli Lilly anuncia compra da Kelonia Therapeutics por até US$ 7 bi

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia