Categoria: ECONOMIA

  • Guerra no Irã já começa a impactar preço dos combustíveis no país

    Guerra no Irã já começa a impactar preço dos combustíveis no país

    Postos em vários estados relatam reajustes sob o argumento de que cotações internacionais dispararam; principal fornecedora do país, Petrobras ainda não mexeu nos preços de venda em suas refinarias

    RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – Embora a Petrobras ainda não tenha anunciado reajustes, os preços dos combustíveis no país já começam a ser impactados pela guerra no Irã. Distribuidoras e a maior refinaria privada brasileira começaram a repassar a alta de custos aos clientes.

    As distribuidoras dizem que a escalada das cotações internacionais do produto encareceu as importações e vêm elevando os preços de venda aos postos. Com mercado concentrado no Nordeste, a refinaria de Mataripe promoveu dois reajustes no diesel e um na gasolina após o início do conflito.

    A reportagem apurou que postos de ao menos quatro estados -Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Paraná- estão pagando mais caros pelos combustíveis e, como consequência, subirão o preço ao consumidor final.

    Sindicatos de revendedores evitam falar em valores, mas um dono de postos na capital paulista disse que tem recebido diesel R$ 0,26 por litro mais caro desde o início da semana. O Paranapetro, que representa os postos do Paraná, fala em “alta expressiva”.

    “As atacadistas argumentam que também adquirem o derivado de importadoras”, disse em nota o sindicato de postos do Rio de Janeiro. “Estas, segundo as companhias, já estão aumentando os preços em razão da guerra em curso no Oriente Médio”, completa.

    Em um comunicado recebido por um revendedor mineiro, a Ipiranga diz que, “devido à escalada dos eventos externos que acarretaram em alta nos preços do petróleo e derivados, informamos que haverá reajuste no diesel e na gasolina a partir de 4 de março”.

    Em nota enviada à reportagem, a Ipiranga diz que os custos do setor de combustíveis são influenciados por diversos fatores.

    “No caso do diesel, por exemplo, uma dessas influências é que cerca de 30% do volume consumido no país é importado”, afirmou. “Diante desse contexto, a empresa acompanha continuamente as condições de mercado e pode realizar ajustes comerciais”.

    “As distribuidoras costumam repassar as altas com grande agilidade para os postos. Já no caso das baixas, demoram ou não repassam na íntegra”, questionou o Paranapetro. Raízen e Vibra, as outras duas grandes empresas do setor, não quiseram comentar o assunto.

    A Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis) alertou nesta quinta que as defasagens dos preços dos combustíveis em relação ao mercado internacional atingiram níveis recordes e defendeu repasses ao consumidor interno.

    Na abertura do mercado, o preço do diesel nas refinarias brasileiras estava R$ 1,51 por litro mais barato do que a paridade de importação medida pela entidade. No caso da gasolina, a diferença era de R$ 0,42 por litro em média no mercado e de R$ 0,47 por litro nas refinarias da Petrobras.

    “O acompanhamento dos preços dos combustíveis no mercado nacional aos preços do mercado internacional é recomendável para mitigar riscos de desabastecimento e desalinhamento dos fluxos logísticos existentes na cadeia de suprimentos”, afirmou.

    A Petrobras diz que segue avaliando o cenário e que só promove reajustes quando os preços do petróleo se estabilizam em novos patamares. Nesta quinta, o petróleo segue em alta. Por volta das 15h, a cotação do Brent subia cerca de 4% e se aproximava dos US$ 85 por barril.

    Segundo dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis), o diesel importado correspondeu a 27,35% das vendas do combustível no país em 2025. A Petrobras foi responsável por 47,7% das importações, enquanto empresas privadas compraram o restante.

    Guerra no Irã já começa a impactar preço dos combustíveis no país

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  • Petrobras registra lucro líquido de R$ 110,6 bilhões em 2025

    Petrobras registra lucro líquido de R$ 110,6 bilhões em 2025

    Os números refletem um ano de resultados considerados sólidos pela estatal; desempenho foi impulsionado pelo aumento da produção de óleo e gás

    A Petrobras registrou lucro líquido de R$ 110,6 bilhões em 2025, impulsionado principalmente pelo aumento da produção de petróleo e gás, e pela geração de caixa da empresa. O crescimento foi de 198,9% em relação a 2024.

    Segundo o relatório divulgado nesta quinta-feira (5), no quarto trimestre do ano passado o lucro foi de R$ 15,6 bilhões. Na comparação com o terceiro trimestre de 2025, houve aumento de 52,3%. 

    Os números refletem um ano de resultados considerados sólidos pela estatal, mesmo em um cenário de queda no preço internacional do petróleo. Em 2025, o barril do Brent registrou retração de cerca de 14% em relação ao ano anterior, fator que pressionou parte das receitas da companhia. 

    A Petrobras destacou que o desempenho foi sustentado pelo aumento da produção total de óleo e gás, que cresceu cerca de 11% no ano, além do avanço de novos projetos no pré-sal. O relatório menciona o início da operação de plataformas como o FPSO Almirante Tamandaré e o avanço de unidades em campos como Búzios e Mero.

    Outro indicador relevante foi o EBITDA ajustado, que alcançou R$ 244,3 bilhões em 2025, mostrando estabilidade em relação ao ano anterior, apesar da queda do Brent. O resultado foi parcialmente compensado pelo aumento do volume produzido e pela maior eficiência operacional.

    “Os resultados de 2025 comprovam a consistência da nossa estratégia, baseada em disciplina de capital, aumento de produção e eficiência operacional. Mesmo em um cenário de forte queda do Brent, geramos R$ 200 bilhões de caixa operacional no ano. Continuamos a apresentar um fluxo de caixa robusto, apoiado por projetos de qualidade que ampliam a produção, com alto retorno e rápida geração de caixa”, disse Fernando Melgarejo, diretor financeiro da Petrobras.

    Segundo a companhia, o desempenho operacional também contribuiu para um recorde nas exportações de petróleo no quarto trimestre, que chegaram a 999 mil barris por dia.

    No quarto trimestre, o lucro líquido atribuível aos acionistas da Petrobras foi de R$ 15,563 bilhões, abaixo do registrado no trimestre anterior, quando o resultado havia sido de R$ 32,7 bilhões. A variação foi influenciada por fatores como a oscilação cambial e mudanças no desempenho operacional ao longo do período.

    Além dos resultados financeiros, a Petrobras informou que pagou R$ 277,6 bilhões em tributos à União, estados e municípios em 2025 e distribuiu R$ 45,2 bilhões em proventos aos acionistas ao longo do ano.

    Petrobras registra lucro líquido de R$ 110,6 bilhões em 2025

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  • Bancos vão antecipar pagamento de R$ 32,5 bi ao FGC a partir deste mês

    Bancos vão antecipar pagamento de R$ 32,5 bi ao FGC a partir deste mês

    Serão 60 meses de adiantamento, totalizando R$ 32,5 bilhões destinados a recompor o caixa após os desembolsos com a liquidação do Banco Master. São duas modalidades de pagamento: parcela única, neste mês, ou três parcelas, com as últimas duas em 25 de abril e em 25 de maio.

    JÚLIA MOURA
    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O conselho de administração do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) deliberou nesta quinta-feira (5) que a antecipação de contribuições ordinárias dos bancos ao fundo começará a ser feita em 25 de março.

    Serão 60 meses de adiantamento, totalizando R$ 32,5 bilhões destinados a recompor o caixa após os desembolsos com a liquidação do Banco Master. São duas modalidades de pagamento: parcela única, neste mês, ou três parcelas, com as últimas duas em 25 de abril e em 25 de maio.

    O valor sairá do depósito compulsório das instituições no Banco Central, de modo a minimizar o impacto no sistema financeiro. Compulsório é a fatia dos depósitos que cada banco deve deixar guardada no BC para assegurar sua liquidez e estabilidade.

    Para a instituição que escolher parcelar, há ainda uma contribuição extraordinária de 0,005% ao mês sobre os depósitos elegíveis tendo como com base os valores de abril de 2026 a ser recolhida até o 1º dia útil de junho.

    “A medida tem por finalidade assegurar a solidez patrimonial do FGC e garantir a plena capacidade de cumprimento de suas obrigações, em estrita observância à legislação vigente e às disposições estatutárias”, disse o fundo.

    Até esta quinta, o FGC já pagou R$ 38,4 bilhões em garantias a credores do conglomerado Master (Banco Master, Master de Investimento e Letsbank), o que representa 94% do montante a ser pago. Em termos de números de beneficiários da garantia no caso Master, como os investidores dos CDBs do banco, aproximadamente 675 mil credores já receberam os valores, correspondente a 87% do número total.

    Em relação ao Will Bank, o FGC estima que serão pagos R$ 6,3 bilhões em garantias. O pagamento foi iniciado em fevereiro para quem tem até R$ 1.000 a receber. A estes clientes, já foram pagos R$ 115 milhões, o que representa 65% do montante das antecipações a ser pago.

    Em termos de números de beneficiários, aproximadamente 935 mil credores já receberam os valores, correspondente a 15% do total de 6 milhões de pessoas que atendem aos requisitos para receber a antecipação da garantia.

    Já o Banco Pleno, também liquidado, tem uma base estimada de 160 mil credores com depósitos elegíveis ao pagamento da garantia, que somam R$ 4,9 bilhões.
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    O QUE É O FGC
    O FGC é uma associação civil, sem fins lucrativos, com personalidade jurídica de direito privado. É ele que protege o brasileiro contra a falência de todas as instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central a funcionar no Brasil.

    O fundo foi criado em 1995, após autorização do Conselho Monetário Nacional (CMN), em meio a crise bancária que levou diversos bancos à falência. O seu objetivo final, além de garantir depósitos e investimentos até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, é dar estabilidade ao sistema financeiro.

    SÃO GARANTIDOS PELO FGC:
    depósitos à vista ou sacáveis mediante aviso prévio;
    poupança;
    depósitos a prazo, com ou sem emissão de certificado, como CDB e RDB
    depósitos mantidos em contas não movimentáveis por cheques destinadas ao registro e controle do fluxo de recursos referentes a prestação de serviços de pagamento de salários, vencimentos, aposentadorias, pensões e similares;
    LC (letra de câmbio)
    LH (letra hipotecárias)
    LCI (letras de crédito imobiliário)
    LCA (letras de crédito do agronegócio)
    LCD (letras de crédito do desenvolvimento)
    operações compromissadas que têm como objeto títulos emitidos, após 8 de março de 2012, por empresa ligada.

    Bancos vão antecipar pagamento de R$ 32,5 bi ao FGC a partir deste mês

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  • Guerra no Irã ameaça exportação de grãos e suprimento de fertilizantes do Brasil

    Guerra no Irã ameaça exportação de grãos e suprimento de fertilizantes do Brasil

    O Oriente Médio é um dos maiores produtores mundiais de fertilizantes, enquanto o estreito de Hormuz é uma rota marítima crucial para as exportações. Cerca de 35% das exportações globais de ureia passam por essa via navegável, segundo dados do grupo CRU. A ureia é o fertilizante nitrogenado mais utilizado no mundo.

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Os agricultores brasileiros podem ser afetados pela escalada do conflito no Oriente Médio, de acordo com analistas e dados de mercado que mostram que a região é um destino fundamental para as exportações agrícolas do Brasil e um importante fornecedor de fertilizantes como a ureia.

    O Oriente Médio é um dos maiores produtores mundiais de fertilizantes, enquanto o estreito de Hormuz é uma rota marítima crucial para as exportações. Cerca de 35% das exportações globais de ureia passam por essa via navegável, segundo dados do grupo CRU. A ureia é o fertilizante nitrogenado mais utilizado no mundo.

    A escalada do conflito entre Estados Unidos e o Irã, que também tem envolvido países vizinhos na região, pode provocar cancelamentos de contratos de grãos e escassez de fertilizantes no Brasil, que é altamente dependente de importações, devido às interrupções no tráfego marítimo pelo estreito de Hormuz.

    Os exportadores estão avaliando se devem descarregar cargas de grãos em Omã para evitar problemas no golfo Pérsico, segundo a consultoria Argus.

    “Ainda não há clareza se essa opção é viável, porém a alternativa seria o cancelamento dos embarques”, disse a Argus à Reuters. “Também ainda é incerto se todos os volumes poderiam seguir de Omã até seus destinos finais por caminhão ou ferrovia”.

    Cargas a granel, como milho, entram na região pelo estreito de Hormuz, afirmou Arthur da Anunciação Neto, sócio-diretor da Alphamar Agência Marítima.

    Pelo local também passa cerca de 45% da produção mundial de enxofre, ingrediente essencial na produção de fertilizantes fosfatados, além de volumes significativos de amônia, componente fundamental para fertilizantes nitrogenados. Por isso, há uma preocupação com o tráfego em Hormuz.

    Os preços dos fertilizantes já subiram acentuadamente. A ureia granulada no Oriente Médio aumentou cerca de US$ 130 (R$ 678,39), para algo entre US$ 575 e US$ 650 (entre R$ 3.000,58 e R$ 3.391,96) por tonelada desde sexta-feira (27), enquanto os preços de exportação do Egito subiram cerca de US$ 125 (R$ 652,30) para cerca de US$ 610 a US$ 625 (entre R$ 3.183,22 e R$ 3.261,50) por tonelada no mesmo período, segundo a Argus.

    Os contratos futuros de amônia na Europa também dispararam, com uma carga de 1.000 toneladas para abril sendo negociada a US$ 725 (R$ 3.783,34) por tonelada -cerca de US$ 130 (R$ 678,39) a mais do que quando o contrato foi negociado pela última vez, em meados de fevereiro.

    As ameaças à navegação em águas cada vez mais perigosas aumentaram o custo do seguro marítimo, declarou Neto. Dez navios estavam programados para partir para o Irã com mais de 600 mil toneladas de soja e farelo de soja brasileiros, segundo dados da Alphamar. Neto ressaltou que essas cargas, dependendo das circunstâncias, podem ser desviadas para outros destinos.

    O Irã foi o principal destino das exportações de milho do Brasil no ano passado, comprando cerca de 9 milhões de toneladas, ou aproximadamente 20% dos embarques. A maior parte do milho brasileiro é embarcada no segundo semestre do ano.

    ROTAS DE NAVEGAÇÃO CRIATIVAS

    Os produtores de fertilizantes do Oriente Médio, especialmente o Irã, também são fornecedores importantes para os agricultores brasileiros.

    Dados da consultoria Agrinvest mostram que o Brasil supriu 100% de suas necessidades de ureia com importações em 2025. Estima-se que 41% dessas importações, ou quase 3 milhões de toneladas, passaram pelo estreito de Hormuz antes de chegar ao Brasil, segundo os dados.

    Francisco Vieira, sócio-diretor da consultoria Agroconsult, afirmou que a guerra provavelmente restringirá o fornecimento de ureia e aumentará os preços no curto prazo. “Do Irã não deve vir nada…Não se sabe se as fábricas estão sendo atingidas”, afirmou.

    Dados do governo brasileiro mostraram 7,7 milhões de toneladas de importações de ureia no ano passado, com remessas do Irã representando menos de 2,5%. No entanto, estimativas privadas sugerem que o Irã seja a origem de cerca de 1,3 milhão a 1,4 milhão de toneladas das importações brasileiras anuais.

    As remessas do Irã são frequentemente encaminhadas via Omã devido às sanções dos EUA que afetam pagamentos internacionais envolvendo contrapartes iranianas.

    Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, acrescentou que dependendo do país, seria possível pensar em rotas que ficam mais afastadas do estreito de Hormuz, como alternativa.

    PROBLEMAS À VISTA

    Um conflito prolongado pode afetar as entregas de fertilizantes antes do ciclo de plantio da safra 2026/27 do Brasil, que começa em setembro. Thamires Cateli, fundadora da consultoria e corretora Hudie Consulting, disse que a guerra no Irã fez com que os vendedores retirassem suas listas de preços de ureia esta semana, interrompendo o comércio global.

    Alguns países podem substituir parte dos embarques de ureia iraniana para o Brasil, mas esses efeitos indiretos ainda não estão claros.

    O Egito, que responde por cerca de 8% da oferta global, depende do fornecimento de gás natural de Israel para sua produção, que também pode estar ameaçado, disse Françoso.

    A China, outro grande produtor de fertilizantes, vem reduzindo as exportações nos últimos anos para abastecer seu mercado interno. 

    A Rússia, que representou cerca de 16% do fornecimento global de ureia em 2024, também poderia suprir essa lacuna.

    No entanto, ataques com drones, como o ocorrido contra uma fábrica de fertilizantes na região russa de Smolensk no mês passado, mostram riscos a cadeias alternativas de fornecimento de insumos como ureia.

    Guerra no Irã ameaça exportação de grãos e suprimento de fertilizantes do Brasil

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  • Taxa de informalidade cai no mercado de trabalho, mostra IBGE

    Taxa de informalidade cai no mercado de trabalho, mostra IBGE

    Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Mensal (Pnad Contínua) divulgados nesta quinta-feira (5) pelo  Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    A taxa de informalidade atingiu no trimestre de novembro de 2025 a janeiro de 2026 o menor patamar desde o trimestre encerrado em julho de 2020, registrando 37,5%, o que representa 38,5 milhões de trabalhadores informais. 

    No trimestre móvel anterior, tinha registrado 37,8%, e no mesmo trimestre de 2024, 38,4%. 

    Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Mensal (Pnad Contínua) divulgados nesta quinta-feira (5) pelo  Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

     

    A coordenadora da Pnad Contínua, Adriana Beringuy, disse que a informalidade vem em queda desde 2022, com aceleração da trajetória a partir de 2023. 

    A explicação para a queda nesse trimestre, segundo a coordenadora, é a associação da retração da taxa com a tendência de queda do emprego sem carteira no setor privado, além da expansão da cobertura de registro no CNPJ dos trabalhadores por conta própria.

    Embora tenha ressalvado que em 2020 a informalidade registrou queda significativa por causa da pandemia, porque as pessoas pararam de trabalhar, Adriana Beringuy avalia que o momento atual é o de melhor qualidade do emprego existente em toda a série do IBGE.

    “Se eu tirar a observação da pandemia, sim [esse], é o menor indicador de taxa de informalidade da série comparada”, disse durante entrevista para a apresentação dos dados.

    O menor patamar da informalidade no emprego foi em junho de 2020, de 36,6%.

    De acordo com Adriana Beringuy, a retração mais importante foi o segmento dos sem carteira de trabalho. 

    Atualmente a população ocupada do mercado de trabalho brasileiro segue estável como um todo, e seu ramo informal, embora também estável, visto que não chega a ter uma variação tão intensa, reduz um pouco mais. 

    Na avaliação da coordenadora, esse comportamento vai refletir mais adiante na elevação do rendimento do trabalhador.

    “Essa composição tem permitido uma manutenção do rendimento do trabalhador em patamar mais elevado, justamente porque além de preservar quantitativamente os ganhos observados em 2025, entra no ano de 2026 com uma composição que assegura a manutenção do rendimento do trabalho que ficou em R$ 3.652”, explicou.

    Conforme a pesquisa, o rendimento real habitual de todos os trabalhos chegou a R$ 3.652, o mais alto da série, com aumento de 2,8% no trimestre de novembro de 2025 a janeiro de 2026, e de 5,4% na comparação anual. 

    Carteira assinada

    O número de empregados no setor privado com carteira assinada, que exclui trabalhadores domésticos, ficou em 39,4 milhões, o que significa estabilidade no trimestre e avanço no ano de 2,1%, ou seja, mais 800 mil pessoas com carteira assinada. 

    Também ficou estável tanto no trimestre quanto no ano o total de empregados sem carteira no setor privado, que chegou a 13,4 milhões.

    A estabilidade no trimestre está presente também no contingente de trabalhadores por conta própria, com 26,2 milhões, mas na comparação anual avançou 3,7%, ou mais 927 mil pessoas. 

    O número de trabalhadores domésticos (5,5 milhões) também ficou estável no trimestre, no entanto, apresentou recuo de 4,5% no ano, com menos 257 mil pessoas. 

    Para a coordenadora do Pnad, os indicadores são bastante coerentes, e as grandes formas de inserção na ocupação, seja com carteira de trabalho, sem carteira e por conta própria, operam na estabilidade, apesar de estarem em alta na comparação anual.

    “Dado que a população ocupada agora é muito maior do que há um ano, todas essas formas de inserção no confronto anual se mostram crescentes significativamente”, disse.

    Grupamento

    Entre os grupamentos de atividade, frente ao trimestre anterior, houve aumento de 2,8% no total de ocupados nos segmentos de Informação, Comunicação e Atividades Financeiras, Imobiliárias, Profissionais e Administrativas, ou seja, mais 365 mil pessoas e de 3,5% em Outros Serviços, ou mais 185 mil pessoas. 

    A indústria geral ficou em sentido contrário e apresentou recuo de 2,3%, menos 305 mil pessoas.

    Na comparação anual, avançaram os grupamentos de Informação, Comunicação e Atividades Financeiras, Imobiliárias, Profissionais e Administrativas com 4,4% ou mais 561 mil pessoas.

    O grupamento Administração pública, Defesa, Seguridade Social, Educação, Saúde Humana e Serviços Sociais subiu 6,2%, ou mais 1,1 milhão de pessoas. 

    O grupamento de Serviços Domésticos registrou queda de 4,2%, ou menos 243 mil pessoas.

    Pesquisa

    De acordo com o IBGE, a Pnad Contínua é a principal pesquisa sobre a força de trabalho do Brasil, e abrange 211 mil domicílios espalhados por 3.500 municípios visitados a cada trimestre.

    Cerca de 2 mil entrevistadores trabalham nessa pesquisa, integrados às mais de 500 agências do IBGE em todo o país. 

    A partir de 17 de março de 2020, por causa da pandemia da covid-19, o IBGE adotou a coleta de informações da pesquisa por telefone. Em julho de 2021, voltou à forma presencial. 

    Taxa de informalidade cai no mercado de trabalho, mostra IBGE

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  • Vorcaro chega a presídio no interior de SP e ficará 10 dias isolado

    Vorcaro chega a presídio no interior de SP e ficará 10 dias isolado

    Eles chegaram por volta das 8h e estão em uma cela de observação, seguindo o procedimento padrão na chegada à cadeia e serão levados ao pavilhão do regime fechado após dez dias.

    ANA PAULA BRANCO E ROGÉRIO PAGNAN
    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o empresário Fabiano Zettel foram transferidos na manhã desta quinta-feira (5) para a Penitenciária 2 de Potim, a 195 quilômetros da capital. Eles chegaram por volta das 8h e estão em uma cela de observação, seguindo o procedimento padrão na chegada à cadeia e serão levados ao pavilhão do regime fechado após dez dias. Nesse período, a direção da unidade avalia se há risco para o detento ser integrado aos outros presos. Se não tiver problema, vai para convívio no pavilhão do regime fechado.

    Localizada em Potim, no Vale do Paraíba, a Penitenciária 2 passou a ser apelidada nos bastidores como “novo presídio dos famosos”, por concentrar presos envolvidos em casos de grande repercussão nacional, como o médico Roger Abdelmassih e Fernando Sastre, motorista do Porshe envolvido em acidente fatal.

    A mudança ocorreu após o ministro André Mendonça, relator da Operação Compliance Zero no STF (Supremo Tribunal Federal), atender a pedido da Polícia Federal. A corporação alegou que o CDP 2 (Centro de Detenção Provisória) de Guarulhos, onde eles estavam presos, não tinha estrutura adequada para custodiar os investigados.

    Presos preventivamente (sem prazo), Vorcaro e Zettel são acusados de integrar um grupo informal conhecido como “A Turma”, que, segundo a PF, atuaria para monitorar, intimidar e coagir pessoas consideradas adversárias do banqueiro.

    A cidade de Potin é rota de peregrinos para o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, cidade vizinha. A penitenciária 2 foi inaugurada em 2002 e tem quase 8.000 m² de área construída.

    A unidade tem capacidade para 844 pessoas, mas tem 472 reeducandos e começou a receber presos famosos após a unidade de Tremembé -que virou tema de série de streaming- passar por reestruturação para deixar de abrigar presos de alta notoriedade e casos de grande comoção social, focando o regime semiaberto.

    A principal diferença entre Potim 2 e Tremembé é o modelo de construção. A primeira tem características de presídio comum, como grandes muralhas, e considerado de maior segurança. A segunda tem um conceito mais aberto, dando a impressão de um regime semiaberto.

    Tanto um quanto o outro não tem, em tese, presos faccionados. A maioria é de familiares de policiais ou próprios policiais.
    A Penitenciária 2 também abriga o empresário do ramo imobiliário Sérgio Nahas, condenado pelo assassinato da mulher, Fernanda Orfali, em 2002.

    Na época, ele afirmou que a esposa teria se suicidado após uma discussão, versão contestada pela acusação. Laudos periciais indicaram que o disparo que matou Fernanda foi feito a uma distância superior a 50 centímetros e não havia resíduos de pólvora nas mãos dela. O Ministério Público sustentou que se tratava de homicídio duplamente qualificado.

    Condenado inicialmente a sete anos em regime semiaberto, Nahas recorreu e aguardava julgamento em liberdade. Em 2025, o STF aumentou a pena. Ele foi preso na Bahia e transferido para São Paulo, passando a cumprir pena em Potim.

    Também está no local Roger Abdelmassih, médico especializado em reprodução assistida e condenado por dezenas de estupros cometidos contra pacientes em sua clínica. Em 2010, ele foi condenado a 278 anos de prisão por estupro e atentado violento ao pudor. Antes do trânsito em julgado, fugiu do país e foi localizado em 2014 no Paraguai. Após a extradição, passou a cumprir pena no Brasil.

    A pena foi posteriormente redimensionada, mas ele segue em regime fechado. O caso é considerado um dos maiores escândalos criminais da área médica no país.

    Desde o final do ano passado, está também no complexo o ex-auditor fiscal da Sefaz-SP Artur Gomes da Silva Neto, preso preventivamente sob acusação de receber propinas milionárias de redes de varejo para liberar e acelerar o recebimento de créditos de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).

    Apontado como figura central de esquema de fraudes em créditos tributários, a investigação aponta que ele teria usado sua posição na Sefaz-SP para acelerar e aprovar indevidamente processos que beneficiavam companhias como Ultrafarma e Fast Shop, em troca de pagamentos milionários.

    Gomes Neto é alvo de denúncias por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa.

    Outro preso de Potim 2 é o empresário Fernando Sastre de Andrade Filho, 24, após a morte do motorista de aplicativo Ornaldo Silva Viana, 52, em uma batida na madrugada de 31 de março, na zona leste de São Paulo.

    De acordo com a investigação, o empresário perdeu o controle do Porsche e atingiu a traseira de um Renault Sandero conduzido por Viana, que não resistiu. Sastre deixou o local e se apresentou à polícia mais de 30 horas depois.

    Ele responde por homicídio com dolo eventual -quando assume o risco de matar- e lesão corporal gravíssima, por ter ferido também o amigo Marcus Vinicius Machado Rocha, que estava no veículo. As penas somadas podem chegar a 30 anos de prisão. Ele está em prisão preventiva desde 6 de maio, e a Justiça já negou cinco pedidos de liberdade.

    Segundo o Ministério Público, ele havia passado a noite em um bar e em uma casa de pôquer antes do acidente. No primeiro local, o grupo consumiu bebidas alcoólicas.

    Vorcaro chega a presídio no interior de SP e ficará 10 dias isolado

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  • Preços do gás na Europa sobem após Putin sugerir corte no fornecimento

    Preços do gás na Europa sobem após Putin sugerir corte no fornecimento

    Cotações avançam até 8,3% após fala; porta-voz russo diz que governo se reunirá em breve para tratar do tema Preço do carvão dispara com interrupção do fornecimento no estreito de Hormuz

    (FOLHAPRESS) Os preços de referência do gás no atacado na Holanda e no Reino Unido sobem na manhã desta quinta-feira (5), depois que o presidente Vladimir Putin alertou que a Rússia poderia interromper seus fluxos remanescentes de gás para a Europa.

    A declaração aumentou as preocupações de abastecimento do continente após a QatarEnergy anunciar força maior em embarques de GNL (gás natural liquefeito). A força maior é um dispositivo que isenta a empresa de responsabilidades por falhas no fornecimento.

    O contrato holandês de primeiro mês, preço de referência para a Europa, subiu 2% para 49 euros por megawatt-hora às 09h28, após ter avançado 8,3% para 52,80 euros/MWh mais cedo na sessão.

    O contrato britânico de abril, que subiu 7,2% mais cedo na sessão, era negociado em alta de 2,1% a 129,5 libras, segundo dados da ICE.

    Questionado pela televisão estatal russa sobre os planos europeus de proibir às importações de gás russo por gasoduto até o final de 2027 e de banir novos contratos de GNL russo a partir do final de abril de 2026, Putin disse que pode ser mais vantajoso para a Rússia parar de vender o gás agora mesmo.

    Putin disse, de acordo com uma transcrição divulgada pelo Kremlin, que com outros mercados se abrindo “talvez seja mais lucrativo parar de fornecer ao mercado europeu agora mesmo”.

    Segundo o vice-primeiro-ministro Alexander Novak, o governo russo se reunirá em breve para discutir a interrupção das exportações de gás para a Europa.

    “Nos reuniremos em breve, conforme instruído pelo presidente, para discutir a situação atual com as empresas de energia e possíveis rotas de transporte para nossos suprimentos energéticos”, disse Novak, que é o homem de confiança de Putin para questões energéticas, a repórteres nesta quinta.

    A Rússia costumava fornecer cerca de 40% do gás por gasoduto da UE (União Europeia). No ano passado, forneceu apenas 6%, segundo dados da Comissão Europeia.

    “A ameaça de Putin coloca em risco uma quantidade considerável de fornecimento… Os fluxos de GNL são o principal problema. Em tempos normais, seria mais administrável um ajuste nos fluxos comerciais do mercado de GNL. No entanto, com 110 de bilhões de metros cúbicos (bcm) por ano de (GNL do) Golfo paralisados, isso seria um desafio para a Europa”, disseram analistas do ING em nota matinal.

    “A escassez no mercado global de GNL significa que compradores asiáticos estão buscando fornecimento alternativo”, afirmaram os analistas do ING.

    A tarefa da Europa de reabastecer os estoques de gás para o próximo inverno, entre dezembro e março, ficou mais cara, já que as consequências da guerra dos EUA e Israel contra o Irã perturbam a produção e os embarques de GNL, restringindo a oferta e fazendo os preços dispararem. Os preços do gás na Europa subiram 53% desde o início das hostilidades no sábado.

    Compradores na Europa precisam encontrar o equivalente a cerca de 700 cargas de GNL, ou 67 bcm, para encher os estoques neste verão, segundo analistas da Kpler, o que representa cerca de 180 cargas, ou 17 bcm, a mais do que no ano passado.

    Os Estados Unidos, maior produtor mundial de GNL, têm pouca capacidade ociosa para aumentar rapidamente a produção de GNL e compensar o fornecimento perdido, segundo cálculos da Reuters e analistas do setor, já que as plantas já operam próximas da capacidade máxima, e a maioria das cargas está comprometida em contratos de longo prazo.

    PREÇOS DO CARVÃO DISPARAM COM EMPRESAS BUSCANDO ALTERNATIVA AO GÁS

    Os preços do carvão dispararam para o maior patamar em mais de dois anos, à medida que a alta dos preços do gás provocada pela guerra no Irã leva empresas de energia a buscar suprimentos adicionais de carvão para manter as luzes acesas.

    Na Europa, os preços do carvão térmico usado em usinas de energia subiram 26% desde a véspera da guerra, atingindo US$ 133 por tonelada, com ganhos semelhantes nos mercados australiano e asiático, segundo dados de preços da Argus.

    Os preços europeus do carvão térmico usado em usinas de energia subiram 26% desde a véspera da guerra, atingindo US$ 133 por tonelada, com ganhos semelhantes nos mercados australiano e asiático, segundo dados de preços da Argus.

    “Sem dúvida, os mercados globais de carvão não viam uma pressão de preços assim desde a invasão russa da Ucrânia”, disse Tom Price, analista da Panmure Liberum. “É o maior choque no mercado de carvão em vários anos.”

    Após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, os países europeus queimaram mais carvão enquanto trabalhavam para se livrar do gás russo. Os preços do carvão atingiram recordes de mais de US$ 400 por tonelada após a invasão.

    Embora a guerra no Irã tenha pouco impacto direto no movimento de carvão pelo mundo –muito pouco dele passa pelo estreito de Ormuz–, ela fez os preços do petróleo e do gás dispararem e levantou preocupações sobre o fornecimento de gás natural liquefeito.

    Isso levou empresas de energia que normalmente dependem do gás a recorrer a usinas a carvão mais poluentes como alternativa, particularmente em lugares como Japão, Coreia do Sul, Taiwan e União Europeia.

    Um conflito prolongado no Oriente Médio poderia elevar os preços do carvão para quase o dobro dos níveis atuais, para cerca de US$ 250 por tonelada, especialmente se a crise energética reativar usinas termelétricas a carvão desativadas, disse Alex Thackrah, gerente sênior de carvão da Argus.

    George Cheveley, gestor de portfólio da Ninety One, disse que o carvão está se beneficiando de preocupações sobre o fornecimento de energia, bem como de cortes de produção feitos durante os últimos anos.

    “Claramente, preços de energia mais altos terão algum efeito na demanda por carvão em alguns mercados”, disse ele. “Tudo depende de quanto tempo isso vai durar.”

    Preços do gás na Europa sobem após Putin sugerir corte no fornecimento

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  • Banco Central me pediu para ouvir proposta de André Esteves sobre o Master, diz Vorcaro

    Banco Central me pediu para ouvir proposta de André Esteves sobre o Master, diz Vorcaro

    Dono do BTG Pactual diz que reitera que ‘nunca tivemos interesse na compra do negócio do Master, fazendo apenas compras pontuais de ativos não problemáticos’; Banco Central ainda não respondeu; em conversas com a namorada, dono do Master disse que ‘guerra com André tá exposta’

    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Daniel Vorcaro afirmou em mensagens de celular trocadas com sua namorada que o Banco Central pediu que ele se reunisse com o banqueiro André Esteves, dono do BTG Pactual, em abril do ano passado para ouvir uma proposta sobre o Banco Master. Segundo as mensagens, Esteves disse na ocasião que o ex-banqueiro deveria “agradecer a Deus a proposta dele”.

    O conteúdo das mensagens de celular foi entregue pela PF (Polícia Federal) à CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do Congresso sobre desvios no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e obtido pela reportagem.

    Em nota, a assessoria do BTG afirmou que reitera a “posição manifestada por meio de ‘comunicados ao mercado’ feitos pelo BTG ao longo deste período” e que “nunca tivemos interesse na compra do negócio do Master, fazendo apenas compras pontuais de ativos não problemáticos em momentos de falta de liquidez desta instituição”. O Banco Central foi procurado por email e ainda não comentou.

    As conversas de Vorcaro com Martha Graeff são posteriores ao anúncio de compra do Master pelo BRB (Banco de Brasília), em março do ano passado. O negócio acabou não se concretizando, pois foi barrado pelo Banco Central em setembro.

    Na troca de mensagens, ocorrida em 4 de abril de 2025, Vorcaro envia à namorada uma reportagem sobre “os estratagemas de André Esteves para brecar a operação entre o Banco Master e o BRB”. Ela questiona, então, como foi a reunião entre os dois.

    Vorcaro responde que ela não acreditaria nas frases de Esteves e que levou Augusto Lima, seu então sócio no Master, “para ter uma testemunha”. “André disse que era o maior banqueiro do mundo. E ele era Deus que apareceu na nossa vida. Que tínhamos que agradecer a Deus a proposta dele. E esquecer o BRB”, contou.

    Ela pergunta, então, se ainda tinha como incluir Esteves no negócio e ele responde que foi ao encontro do dono do BTG a pedido do Banco Central. “Fui lá pq Banco Central pediu pq ele é ardiloso. Entra na mente dos caras do Bacen”, disse.

    Mas, segundo Vorcaro disse à namorada, “só os peixinhos da Faria Lima que embarcaram”. “Todos os grandes empresários, políticos, até amigos dele ficaram contra”.

    De acordo com reportagens da imprensa na época, Esteves negociava uma proposta que envolvia o uso do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) para cobrir problemas de lastro que pudessem aparecer nas operações de risco do Master e a compra pelo BTG de cerca de R$ 3 bilhões da carteira de precatórios (dívidas judiciais de órgãos públicos) do banco.

    No dia 3 de abril, um dia antes da troca de mensagens sobre a reunião, o BTG Pactual divulgou comunicado ao mercado dizendo que nunca fez proposta para aquisição de ativos ou de participação no capital social do Banco Master, após ser cobrado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) para que esclarecesse de maneira objetiva se poderia entrar na transação.

    Em outra troca de mensagens com a namorada, esta em 2024, Vorcaro também comentou sobre o interesse do BTG no Master. “Esteves me deu uma espremida pra ele ficar com o banco. Ao invés irmãos”, em provável referência aos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos do PicPay, Banco Original e da JBS, que chegaram a negociar a compra de ativos do banco.

    Mais à frente, em março de 2025, Vorcaro relatou também que ele e Esteves pararam de se falar e que “as pessoas do mercado entendem que as matérias ruins estão erradas e compradas por ele”. “Agora a guerra com André tá exposta”, escreveu.

    Banco Central me pediu para ouvir proposta de André Esteves sobre o Master, diz Vorcaro

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  • CNU tem validade estendida até 2027

    CNU tem validade estendida até 2027

    Medida permite que órgãos federais tenham mais tempo para convocar candidatos aprovados; prorrogação vale para todos os cargos, exceto analista em tecnologia da informação

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O governo federal decidiu prorrogar por mais 12 meses o prazo de validade da primeira edição do CNU (Concurso Público Nacional Unificado), conhecido como o “Enem dos Concursos”, realizada em 2024. A medida amplia o período em que candidatos aprovados poderão ser convocados para assumir os cargos no serviço público federal.

    De acordo com edital do MGI (Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos) publicado nesta quinta-feira (5), os meses de prorrogação são contados a partir da data de homologação de cada cargo.

    Segundo o MGI, a decisão permite ao governo federal ter até mais um ano para realizar convocações dentro do cadastro de aprovados. Para os cargos que não possuem curso de formação, cuja homologação ocorreu em 7 de março de 2025, o prazo de validade do concurso passa a vigorar até 6 de março de 2027.

    Já nos cargos que exigem curso de formação ou prova didática, a nova data de validade varia de acordo com o momento em que cada resultado foi homologado. Nesses casos, os prazos atualizados variam de abril a setembro de 2027.

    A prorrogação abrange todos os cargos do CNU 1, menos o de analista em tecnologia da informação. Isso porque, neste caso, todos os candidatos aprovados em cadastro de reserva já foram convocados.

    As demais regras e condições estabelecidas nos editais do concurso permanecem inalteradas, segundo o ministério da gestão.

    O QUE MUDA NA PRÁTICA

    O MGI afirma que a prorrogação permite que os órgãos federais tenham mais tempo para convocar candidatos aprovados, tanto para vagas imediatas quanto para eventuais reposições ou novas autorizações de provimento durante o período de validade do concurso.

    O CNU reúne cargos distribuídos em diferentes áreas estratégicas da administração pública federal, organizadas nos oito blocos temáticos:
    – Infraestrutura, engenharias e ciências exatas
    – Tecnologia, dados e informação
    – Áreas ambiental, agrária e biológicas
    – Trabalho e saúde do servidor
    – Educação, saúde, desenvolvimento social e direitos humanos
    – Setores econômicos e regulação
    – Gestão governamental e administração pública
    – Nível intermediário

    As tabelas publicadas no edital apresentam todas as carreiras e cargos abrangidos pela prorrogação, organizados por blocos temáticos do CNU. Para cada cargo são informados:
    – o órgão responsável pela vaga
    – o cargo
    – a especialidade ou área de formação exigida
    – o código do cargo no edital
    – e, nos casos com curso de formação, a nova data final de validade do concurso

    Nos cargos sem curso de formação, o prazo é uniforme: 6 de março de 2027. Já nas carreiras que exigem formação específica após o concurso as datas variam conforme o cronograma de homologação.

    VEJA AS NOVAS DATAS DE VIGÊNCIA PARA CADA CARGO

    Blocos Temáticos – Órgãos – Cargos – Especialidades – Data de vigência após prorrogação

    1 – Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos – MGI – Analista de Infraestrutura (AIE) – Arquitetura B1-08-A – 13 de agosto de 2027
    1 – Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos – MGI – Analista de Infraestrutura (AIE) – Engenharia Civil B1-08-B
    1 – Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos – MGI – Analista de Infraestrutura (AIE) – Engenharia Elétrica, Eletrônica, Telecomunicações, Eletrotécnica ou Energia B1-08-C
    1 – Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos – MGI – Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental (EPPGG) – Qualquer área de conhecimento B1-08-F – 4 de setembro de 2027
    1 – Agência Nacional de Energia Elétrica – Especialista em Regulação de Serviços Públicos de Energia – Qualquer área de conhecimento B1-02-A – 4 de junho de 2027
    2 – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE – Pesquisador em Informações Geográficas e Estatísticas – Estatística B2 03-D – 23 de abril de 2027
    2 – Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos – MGI – Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental (EPPGG) – Qualquer área de conhecimento B2-08-C – 4 de setembro de 2027
    2 – Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos – MGI – Analista Técnico de Políticas Sociais – ATPS – Tecnologia da Informação B2-08-B – 15 de setembro de 2027
    3 – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE – Pesquisador em Informações Geográficas e Estatísticas – Geografia B3-02-A – 23 de abril de 2027
    3 – Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos – MGI – Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental (EPPGG) – Qualquer área do conhecimento B3-06-B – 4 de setembro de 2027
    3 – Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos – MGI – Analista de Infraestrutura (AIE) – Geociências B3-06-A – 13 de agosto de 2027
    4 – Ministério do Trabalho e Emprego – MTE – Auditor-Fiscal do Trabalho (AFT) – Qualquer área de conhecimento B4-04-A – 13 de agosto de 2027
    4 – Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos – MGI – Analista Técnico de Políticas Sociais – ATPS – Qualquer área de conhecimento B4-03-A – 15 de setembro de 2027
    4 – Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos – MGI – Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental (EPPGG) – Qualquer área de conhecimento B4-03-B – 4 de setembro de 2027
    5 – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE – Pesquisador em Informações Geográficas e Estatísticas – Demografia B5-03-B – 23 de abril de 2027
    5 – Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos – MGI – Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental (EPPGG) – Qualquer área de conhecimento B5-07-C – 4 de setembro de 2027
    5 – Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos – MGI – Analista Técnico de Políticas Sociais – ATPS (MGI, MJSP, MDHC, MEC) – Qualquer área de conhecimento B5-07-B – 15 de setembro de 2027
    6 – Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos – MGI – Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental (EPPGG) – Qualquer área de conhecimento B6-09-B – 4 de setembro de 2027
    6 – Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços – MDIC – Analista de Comércio Exterior (ACE) – Qualquer área de conhecimento B6-10-A – 17 de julho de 2027
    6 – Agência Nacional de Energia Elétrica – Especialista em Regulação de Serviços Públicos de Energia – Qualquer área de conhecimento B6-02-A – 4 de junho de 2027
    6 – Agência Nacional de Saúde Suplementar – Especialista em Regulação de Saúde Suplementar – Qualquer área de conhecimento B6-03-A – 4 de junho de 2027
    6 – Agência Nacional de Transportes Aquaviários – Especialista em Regulação de Serviços de Transportes Aquaviários – Qualquer área de conhecimento B6-04-A – 4 de junho de 2027
    7 – Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos – MGI – Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental (EPPGG) – Qualquer área de conhecimento B7-09-E – 4 de setembro de 2027

    Fonte: Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos

    CNU tem validade estendida até 2027

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  • Desemprego fica em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro, segundo IBGE

    Desemprego fica em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro, segundo IBGE

    Instituto encontrou 5,9 milhões de pessoas de 14 anos ou mais em busca de trabalho; dados fazem parte da Pnad-Contínua, que inclui vagas de emprego formal e informal

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A taxa de desemprego do Brasil ficou em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro de 2026, após marcar os mesmos 5,4% nos três meses encerrados em outubro, que servem de base de comparação. Esse é, portanto, o menor da série comparável.

    Os dados fazem parte da Pnad-Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) e foram divulgados nesta quinta (5) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O levantamento inclui tanto o mercado de trabalho formal quanto o informal.

    A mediana das projeções do mercado financeiro era uma taxa de 5,4%, segundo a agência Bloomberg.

    Até a divulgação desta quinta, a menor taxa em todos os trimestres havia sido de 5,1%, nos três meses encerrados em dezembro de 2025. O IBGE, contudo, evita a comparação direta entre trimestres consecutivos que compartilham meses em comum.

    A coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, Adriana Beriguy, afirma que os resultados do trimestre apontam para a estabilidade dos indicadores de ocupação.

    Ela explica que há no mês de janeiro uma tendência de redução no contingente de trabalhadores, muitas vezes devido à dispensa de temporários, mas diz que os dados favoráveis de novembro e dezembro reduziram o impacto desse movimento sazonal.

    No trimestre até janeiro, o instituto encontrou 5,9 milhões de pessoas de 14 anos ou mais em busca de trabalho. Em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, quando eram 7,1 milhões, houve queda de 17,1%.

    Na série da Pnad, iniciada em 2012, o maior contingente de desocupados foi registrado no trimestre até março de 2021, na pandemia de Covid-19. À época, o indicador chegou a quase 15 milhões.

    POPULAÇÃO OCUPADA

    Já o número de ocupados com algum trabalho alcançou quase 102,7 milhões. Houve aumento de 1,7% (1,7 milhões a mais de pessoas) no ano. O nível de ocupação foi de 58,7%, com estabilidade no trimestre (58,8%) e crescendo 0,5 p.p. no ano (58,2%).

    A taxa de informalidade foi de 37,5%, ante 37,8% no trimestre encerrado em outubro e 38,4% um ano antes.

    A coordenadora da pesquisa diz que a informalidade está em queda desde 2022, com aceleração dessa trajetória desde 2023. “No atual trimestre, a retração da taxa esteve associada à tendência de queda do emprego sem carteira no setor privado e de expansão da cobertura de registro no CNPJ dos trabalhadores por conta própria”, afirma.

    RENDA MÉDIA

    No trimestre até janeiro, o rendimento médio do trabalho alcançou R$ 3.652 por mês, aumento de 2,8% no trimestre e 5,4% no ano. Esse é o maior valor da série em termos reais (com ajuste pela inflação).

    A massa de rendimento real ficou em R$ 370,3 bilhões, alta de 2,9% no trimestre e 7,3% no ano.

    TIRE SUAS DÚVIDAS SOBRE DESEMPREGO

    O que é desemprego?

    Segundo o IBGE, o desemprego se refere às pessoas de 14 anos ou mais que não estão trabalhando, mas que estão disponíveis e tentam encontrar trabalho.

    Para alguém ser considerado desempregado, não basta não possuir um emprego. É preciso que essa pessoa também procure oportunidades.

    Como funciona a Pnad Contínua?

    É o principal instrumento para monitorar a força de trabalho do país. Conforme o IBGE, sua amostra corresponde a 211 mil domicílios, em todos os estados e no DF, que são visitados a cada trimestre. Cerca de 2.000 entrevistadores trabalham na coleta da pesquisa.

    Como é medida a taxa de desemprego?

    É o percentual da força de trabalho formado pelas pessoas que estão desempregadas.

    A força de trabalho é composta pelos desempregados e pelos ocupados. Os ocupados, por sua vez, são aqueles que estão trabalhando de modo formal ou informal -ou seja, com ou sem carteira ou CNPJ.

    O que explica o desemprego baixo?

    Segundo economistas, ele se explica principalmente por um mercado de trabalho aquecido, reflexo de contratações nos setores privado e público. Mudanças demográficas e tecnológicas também contribuem para uma taxa baixa.

    Isso é uma boa notícia?

    O desemprego baixo indica um cenário positivo para os trabalhadores.

    Que efeito o desemprego baixo pode ter na economia?

    Com mais pessoas trabalhando, o consumo tende a crescer, já que a população tem mais renda disponível. Por outro lado, isso pode pressionar a inflação, já que aumenta a demanda por bens e serviços.

    Assim, o BC (Banco Central) levou a taxa básica de juros para 15% ao ano. A medida busca esfriar o consumo para conter a alta dos preços.

    Desemprego fica em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro, segundo IBGE

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