Categoria: ECONOMIA

  • Desemprego fica em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro, segundo IBGE

    Desemprego fica em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro, segundo IBGE

    Instituto encontrou 5,9 milhões de pessoas de 14 anos ou mais em busca de trabalho; dados fazem parte da Pnad-Contínua, que inclui vagas de emprego formal e informal

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A taxa de desemprego do Brasil ficou em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro de 2026, após marcar os mesmos 5,4% nos três meses encerrados em outubro, que servem de base de comparação. Esse é, portanto, o menor da série comparável.

    Os dados fazem parte da Pnad-Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) e foram divulgados nesta quinta (5) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O levantamento inclui tanto o mercado de trabalho formal quanto o informal.

    A mediana das projeções do mercado financeiro era uma taxa de 5,4%, segundo a agência Bloomberg.

    Até a divulgação desta quinta, a menor taxa em todos os trimestres havia sido de 5,1%, nos três meses encerrados em dezembro de 2025. O IBGE, contudo, evita a comparação direta entre trimestres consecutivos que compartilham meses em comum.

    A coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, Adriana Beriguy, afirma que os resultados do trimestre apontam para a estabilidade dos indicadores de ocupação.

    Ela explica que há no mês de janeiro uma tendência de redução no contingente de trabalhadores, muitas vezes devido à dispensa de temporários, mas diz que os dados favoráveis de novembro e dezembro reduziram o impacto desse movimento sazonal.

    No trimestre até janeiro, o instituto encontrou 5,9 milhões de pessoas de 14 anos ou mais em busca de trabalho. Em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, quando eram 7,1 milhões, houve queda de 17,1%.

    Na série da Pnad, iniciada em 2012, o maior contingente de desocupados foi registrado no trimestre até março de 2021, na pandemia de Covid-19. À época, o indicador chegou a quase 15 milhões.

    POPULAÇÃO OCUPADA

    Já o número de ocupados com algum trabalho alcançou quase 102,7 milhões. Houve aumento de 1,7% (1,7 milhões a mais de pessoas) no ano. O nível de ocupação foi de 58,7%, com estabilidade no trimestre (58,8%) e crescendo 0,5 p.p. no ano (58,2%).

    A taxa de informalidade foi de 37,5%, ante 37,8% no trimestre encerrado em outubro e 38,4% um ano antes.

    A coordenadora da pesquisa diz que a informalidade está em queda desde 2022, com aceleração dessa trajetória desde 2023. “No atual trimestre, a retração da taxa esteve associada à tendência de queda do emprego sem carteira no setor privado e de expansão da cobertura de registro no CNPJ dos trabalhadores por conta própria”, afirma.

    RENDA MÉDIA

    No trimestre até janeiro, o rendimento médio do trabalho alcançou R$ 3.652 por mês, aumento de 2,8% no trimestre e 5,4% no ano. Esse é o maior valor da série em termos reais (com ajuste pela inflação).

    A massa de rendimento real ficou em R$ 370,3 bilhões, alta de 2,9% no trimestre e 7,3% no ano.

    TIRE SUAS DÚVIDAS SOBRE DESEMPREGO

    O que é desemprego?

    Segundo o IBGE, o desemprego se refere às pessoas de 14 anos ou mais que não estão trabalhando, mas que estão disponíveis e tentam encontrar trabalho.

    Para alguém ser considerado desempregado, não basta não possuir um emprego. É preciso que essa pessoa também procure oportunidades.

    Como funciona a Pnad Contínua?

    É o principal instrumento para monitorar a força de trabalho do país. Conforme o IBGE, sua amostra corresponde a 211 mil domicílios, em todos os estados e no DF, que são visitados a cada trimestre. Cerca de 2.000 entrevistadores trabalham na coleta da pesquisa.

    Como é medida a taxa de desemprego?

    É o percentual da força de trabalho formado pelas pessoas que estão desempregadas.

    A força de trabalho é composta pelos desempregados e pelos ocupados. Os ocupados, por sua vez, são aqueles que estão trabalhando de modo formal ou informal -ou seja, com ou sem carteira ou CNPJ.

    O que explica o desemprego baixo?

    Segundo economistas, ele se explica principalmente por um mercado de trabalho aquecido, reflexo de contratações nos setores privado e público. Mudanças demográficas e tecnológicas também contribuem para uma taxa baixa.

    Isso é uma boa notícia?

    O desemprego baixo indica um cenário positivo para os trabalhadores.

    Que efeito o desemprego baixo pode ter na economia?

    Com mais pessoas trabalhando, o consumo tende a crescer, já que a população tem mais renda disponível. Por outro lado, isso pode pressionar a inflação, já que aumenta a demanda por bens e serviços.

    Assim, o BC (Banco Central) levou a taxa básica de juros para 15% ao ano. A medida busca esfriar o consumo para conter a alta dos preços.

    Desemprego fica em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro, segundo IBGE

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • INSS detecta novo consignado irregular do Master, como Credcesta, e vê indícios de fraude

    INSS detecta novo consignado irregular do Master, como Credcesta, e vê indícios de fraude

    Contratos de M Fácil têm duplicação de nomes, omissão de juros e ausência de assinatura, e casos foram levados a órgãos de controle; defesa de Daniel Vorcaro diz que banco sempre atuou em estrita observância a normas do crédito consignado

    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) detectou um produto do Banco Master, na área de créditos e benefícios consignados, que também era ofertado de forma irregular e que estava, até a semana passada, fora do radar das apurações internas tocadas pelo órgão federal.

    Há indícios de fraude em contratos do M Fácil Consignado, com nomes duplicados em um mesmo contrato, omissão dos juros cobrados e ausência de assinatura que permitisse uma conferência mínima sobre a validação do benefício consignado.

    Segundo o presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, o M Fácil é equivalente ao Credcesta, um produto criado em 2018 por Augusto Lima e levado ao Master, onde Lima se tornou sócio de Daniel Vorcaro.

    Após expansão junto a servidores públicos em estados e municípios, o Credcesta passou a ser ofertado a aposentados e pensionistas do INSS.

    É um cartão de benefício consignado que tem operação irregular, sem amparo legal e com possibilidade de incidência de juros sobre juros nos contratos firmados, conforme avaliação de Waller Júnior, como a Folha de S.Paulo mostrou em reportagem publicada nesta segunda-feira (2).

    Os contratos do Credcesta serão cancelados, diante da nebulosidade dos termos e do método de transferência de uma modalidade de crédito a outra, sem clareza sobre juros adotados.

    Na semana passada, a partir de uma análise contrato a contrato, o INSS detectou que o M Fácil também tinha operação irregular, inclusive com indícios de fraudes, o que deu início a uma apuração, ainda em curso, sobre a extensão da operação do M Fácil junto a clientes do Master.

    A detecção foi feita em conjunto com a CGU (Controladoria-Geral da União) e comunicada a outros órgãos de controle.

    Em nota, a defesa de Vorcaro afirmou que o Master respeitou as normas e procedimentos do INSS.

    “O banco sempre atuou em estrita observância às normas e aos procedimentos estabelecidos pelo INSS para a concessão de crédito consignado, incluindo os requisitos de formalização, identificação do contratante e comprovação de consentimento”, disse.

    O Banco Central, responsável pelo processo de liquidação do Master, não respondeu aos questionamentos da reportagem.

    Contratos do M Fácil analisados pelo INSS não permitem verificar se a assinatura eletrônica do beneficiário é verdadeira. Também não há dados expressos sobre juros e valores das parcelas.

    Os casos devem ser levados à esfera criminal, segundo o órgão, em razão de indícios de fraudes.

    “Para o INSS, é como se M Fácil Consignado e Credcesta não existissem, porque a gente só autoriza a fazer consignado em contrato específico do segurado com a instituição financeira”, disse o presidente da autarquia.

    “Quando há a migração de um crédito para o consignado, essa migração já ocorre com várias irregularidades, em que não há autonomia para verificação. Não há como quebrar sigilo bancário, verificar os descontos, se foi atribuído um juro indevido ou não”, completa Waller Júnior. “O nosso aposentado fica desesperado por dinheiro, e consegue o que é mais fácil.”

    Por meio de um acordo de cooperação técnica com o governo federal, entre setembro de 2020 e setembro de 2025, o Master operou em todas as linhas de consignados do INSS.

    Esse acordo deixou de ser renovado, diante da iminente crise do banco e das suspeitas de fraudes em transações de carteiras, inclusive de consignados. Na prática, representou um descredenciamento do Master para operação de créditos e benefícios consignados.

    No site da instituição, o M Fácil passou a ser divulgado como um empréstimo pessoal -sem a palavra “consignado”- no valor de R$ 150 a R$ 1.500. Antes, oferecia benefícios como descontos em farmácias. O Banco Central decretou a liquidação do banco em novembro.

    Benefícios consignados como o Credcesta -que é similar ao M Fácil, segundo o INSS- foram permitidos a aposentados e pensionistas do INSS a partir de uma MP (medida provisória) em 2022, no governo de Jair Bolsonaro (PL).

    O Credcesta tinha contrato de exclusividade de 15 anos com o governo da Bahia, na gestão de Rui Costa (PT), que é ministro da Casa Civil da Presidência desde o início do governo Lula (PT). No Master, expandiu-se pelo país, chegando a 24 estados e 176 municípios no final de 2024.

    Quando surgiram as denúncias de que havia uma quadrilha simulando consignados no INSS, o Master foi uma das primeiras instituições a ter o registro suspenso.

    Em 17 de novembro, Daniel Vorcaro e Augusto Lima foram presos pela PF (Polícia Federal) dentro da investigação que apura fraudes na venda de carteiras de crédito para o BRB (Banco de Brasília). A suspeita é de que haviam organizado um esquema para simular a criação de carteiras sem lastro.

    O ex-banqueiro voltou a ser preso nesta quarta-feira (3) em nova fase da Operação Compliance Zero que apontou a existência de um suposto grupo em torno de Vorcaro voltado à vigilância e intimidação de desafetos.

    INSS detecta novo consignado irregular do Master, como Credcesta, e vê indícios de fraude

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Indício de envolvimento de servidores no caso Master gera clima de abatimento no BC

    Indício de envolvimento de servidores no caso Master gera clima de abatimento no BC

    Paulo Souza e Belline Santana foram alvos de operação realizada pela Polícia Federal; funcionários temem que episódio afete credibilidade da instituição e do corpo técnico

    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O indício de envolvimento do ex-diretor de Fiscalização do Banco Central, Paulo Souza, e do ex-chefe do departamento de supervisão bancária, Belline Santana, no caso Master gerou um clima de abatimento e perplexidade entre os funcionários.

    Segundo relatos feitos à reportagem sob condição de anonimato, há temor de que o episódio contamine negativamente a opinião pública sobre a atuação dos técnicos do BC. Há preocupação com as consequências sobre a credibilidade da instituição.

    Os dois servidores do BC foram alvos de operação de busca e apreensão realizada nesta quarta-feira (4) pela Polícia Federal. O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou que ambos usem tornozeleira eletrônica.

    De acordo com a decisão de Mendonça, Souza e Santana atuavam como consultores privados do banqueiro Daniel Vorcaro para assuntos relacionados ao BC, recebendo propina por isso. Entre os pagamentos, é mencionada uma viagem para a Disney feita pelo ex-diretor cujo guia foi pago pelo dono do Master.

    Um integrante do BC se disse incrédulo com a situação, outro funcionário contou ter ficado abatido quando tomou conhecimento do assunto, e uma terceira pessoa falou em choque e surpresa entre os funcionários. Os servidores, contudo, evitaram julgar a conduta dos antigos colegas e condená-los antecipadamente.

    Em nota, a ANBCB (Associação Nacional dos Auditores do Banco Central), que representa uma parcela dos servidores, disse considerar extremamente graves os apontamentos da terceira fase da operação Compliance Zero.

    “Condutas irregulares devem ser rigorosamente investigadas e, se confirmadas, punidas com estrita observância ao devido processo legal”, afirmou.

    A entidade destacou a atuação do BC e a celeridade de reação ao acionar seus mecanismos de controle interno e afastar preventivamente os envolvidos.

    “Episódios como este reforçam a necessidade permanente de aprimorar a governança e os mecanismos de integridade institucional. Instituições fortes são aquelas capazes de identificar e corrigir seus próprios erros com firmeza”, acrescentou.

    Nesta quarta, o Banco Central disse ter identificado indícios de vantagens indevidas por parte de dois servidores durante investigação interna sobre o caso Master. O processo está sendo conduzido sob sigilo pela corregedoria do órgão.

    “De imediato, o Banco Central afastou cautelarmente os referidos servidores do exercício de seus cargos e do acesso às dependências da instituição e a seus sistemas, instaurou procedimentos correcionais para apuração dos fatos e comunicou os indícios de prática de crimes à Polícia Federal”, disse a autoridade monetária em nota.

    O BC também expressou “convicção” de que o trabalho realizado pela PF representa um “passo essencial para o pleno esclarecimento dos fatos”. “Observado o devido processo legal e o direito à ampla defesa, as condutas infracionais identificadas receberão a devida resposta sancionatória, de acordo com a lei”, acrescentou.

    De acordo com um interlocutor, as providências foram prontamente tomadas quando indícios de irregularidades foram detectados. Na visão do interlocutor, foram condutas isoladas e a governança do BC funcionou. O sentimento na cúpula do BC é de confiança de que foi feito o que era necessário e que a instituição será preservada.

    Como mostrou a Folha de S. Paulo, o BC tem feito uma revisão interna do processo de fiscalização envolvendo o Banco Master, desde a expansão do conglomerado de Vorcaro até a liquidação da instituição em novembro de 2025. Souza e Santana deixaram suas funções de confiança em janeiro, mas já tinham sido afastados pelo presidente Gabriel Galípolo.

    Indício de envolvimento de servidores no caso Master gera clima de abatimento no BC

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Grupo de Vorcaro é suspeito de acessar sistemas da PF, MPF e até Interpol, diz Mendonça

    Grupo de Vorcaro é suspeito de acessar sistemas da PF, MPF e até Interpol, diz Mendonça

    Suspeitas foram apontadas na decisão do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que determinou a prisão do banqueiro nesta quarta-feira (4)

    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – As investigações relacionadas a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, chegaram a suspeitas de que seu grupo acessou indevidamente sistemas sigilosos da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até da Interpol.

    As suspeitas são apontadas na decisão do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que determinou a prisão do banqueiro nesta quarta-feira (4).

    As condutas foram atribuídas a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apelidado de “Sicário”. Após ser preso nesta quarta-feira (4), Mourão se suicidou.

    A PF afirma que ele era o responsável por coordenar atividades voltadas à obtenção de informações e monitoramento de pessoas de interesses do banqueiro.

    Ele fazia parte do grupo “A Turma”, usado para discutir ações sobre adversários de Vorcaro.

    “O investigado organizava e executava diligências destinadas à identificação, localização e acompanhamento de pessoas que mantinham relação com investigações ou com críticas às atividades do grupo econômico ligado ao Banco Master”, diz Mendonça, em sua decisão.

    Mourão acessava, segundo ele, “dados em sistemas restritos de órgãos públicos, incluindo bases de dados utilizadas por instituições de segurança pública e investigação policial”.

    “Tais acessos teriam ocorrido mediante utilização de credenciais funcionais pertencentes a terceiros, permitindo a obtenção de informações protegidas por sigilo institucional. A partir dessa metodologia, de acordo com a autoridade policial, o investigado teria obtido acesso indevido aos sistemas da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal, e até mesmo de organismos internacionais, tais como FBI e Interpol”, acrescenta o ministro.

    Ele também, de acordo com as investigações, atuava para remover conteúdos de perfis e plataformas digitais, simulando solicitações de órgãos públicos, como o Ministério Público.

    Mourão era o responsável, de acordo com as investigações, por promover as ações de intimidação dos adversários de Vorcaro. A Folha de S. Paulo não conseguiu localizar a defesa do auxiliar de Vorcaro até a publicação desta reportagem.

    Em nota, a defesa de Vorcaro disse que “o empresário sempre esteve à disposição das autoridades, colaborando de forma transparente com as investigações desde o início, e jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça”.

    “A defesa nega categoricamente as alegações atribuídas a Vorcaro e confia que o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta”, diz a nota. “Reitera sua confiança no devido processo legal e no regular funcionamento das instituições.”

    Grupo de Vorcaro é suspeito de acessar sistemas da PF, MPF e até Interpol, diz Mendonça

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Senado aprova acordo UE-Mercosul e texto segue para Lula assinar

    Senado aprova acordo UE-Mercosul e texto segue para Lula assinar

    A votação foi simbólica, quando não há contagem de votos.

    FERNANDA BRIGATTI E MARCOS HERMANSON
    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O Senado aprovou nesta quarta-feira (4) o acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul, abrindo caminho para a vigência temporária do tratado negociado desde 1999 entre as duas regiões que juntas têm um PIB (Produto Interno Bruto) de US$ 22 trilhões.

    A votação foi simbólica, quando não há contagem de votos.
    O acordo segue agora para sanção do presidente Lula (PT), que depois notificará a União Europeia. A senadora Tereza Cristina (PP-MS), relatora do acordo no Senado, disse que o tratado é singular por seu alcance, ao instituir uma das maiores zona de livre comércio do mundo, mas por iniciar a “transição para uma nova dinâmica internacional.

    A senadora não citou nominalmente os Estados Unidos em seu voto, mas afirmou que nacionalismo e protecionismo passam por recrudescimento, assim como o uso de poder econômico e comercial como instrumento de pressão política.

    “Ao se fecharem para, supostamente, colocarem-se ‘em primeiro lugar’, os países renunciam à construção de um sistema em que todos possam prosperar”, afirmou Tereza Cristina, que foi ministra da Agricultura no governo Jair Bolsonaro (PL).

    A vigência temporária do acordo -que não tem prazo para acabar e não guarda diferenças significativas com relação à vigência definitiva- agora está nas mãos da Comissão Europeia, que tem os instrumentos para apertar o botão “start”.

    O governo espera que, com a votação e a assinatura pelo presidente ainda em março, o acordo entre em vigor a partir de maio, como determinam as regras do tratado.

    Para finalizar as votações no Congresso Nacional, o governo Lula negociou com a bancada ruralista um pacote de salvaguardas para atender ao agronegócio e à indústria, que temiam perder competitividade com a abertura comercial.

    O pacote inclui um decreto que disciplinará investigações comerciais por possíveis violações do acordo e de proteções aos produtores brasileiros. O texto foi assinado pelo presidente Lula nesta quarta e foi publicado em edição extra do Diário Oficial da União.

    Essas salvaguardas permitirão a suspensão temporária da redução de tarifas em caso de surto de importações, e respondem a uma demanda feita principalmente pelo agronegócio. Também são uma resposta às medidas protetivas implementadas na UE após protestos de agricultores em países como França, Polônia e Bélgica.
    Além das salvaguardas, o acordo prevê algumas proteções específicas, como as cotas de importação para o leite e os prazos de 8 a 12 anos para retirada gradual da tarifa de importação do vinho -dois dos setores que apresentaram preocupações com relação ao tratado.

    O acordo já foi confirmado nos parlamentos de Argentina e Uruguai. Na União Europeia, onde os termos jurídicos do tratado são alvo de uma revisão determinada pelo Parlamento Europeu, o livre comércio entrará em vigor de maneira provisória, segundo Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia.
    Cerca de metade da cesta de produtos importada atualmente pelo Brasil da União Europeia terá 10 ou mais anos de desgravação -como é chamada a retirada gradual das tarifas. Outros 14% terão tarifa zero imediatamente, mas destes, quase todos já entravam no país sem pagar impostos.

    Quando o acordo estiver valendo em sua totalidade, 91% das mercadorias comercializadas entre os dois blocos ficarão livres de tarifa de importação.

    O acordo prevê, por exemplo, tarifa zero para produtos industriais, como máquinas, automóveis, produtos químicos, aeronaves e equipamentos de transporte. Em alguns casos, a alíquota zerada pode prejudicar fabricantes brasileiros, que passarão a competir diretamente com os europeus.

    As negociações para um acordo de livre-comércio entre os dois blocos começaram em 1999. A assinatura do acordo só aconteceu em janeiro deste ano, no Paraguai.

    Mesmo com resistências de parte da bancada ruralista, o governo via, às vésperas da aprovação pelo Senado, uma convergência positiva dos parlamentares brasileiros e um esforço geral dos países do Mercosul pela aprovação rápida do acordo.

    Em 2025, a corrente comercial bilateral entre Brasil e União Europeia foi de US$ 100 bilhões (R$ 550 bilhões). Combustíveis, café e minérios estão entre os produtos mais exportados pelo país, que em troca importa principalmente máquinas, produtos farmacêuticos e veículos rodoviários.

    O Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) calcula que o acordo terá efeito positivo de 0,34% sobre o produto interno bruto e de 0,76% nos investimentos até 2044.

    Senado aprova acordo UE-Mercosul e texto segue para Lula assinar

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Impacto da guerra no preço do combustível ao consumidor pode demorar

    Impacto da guerra no preço do combustível ao consumidor pode demorar

    O petróleo teve forte alta nos últimos dias, desde o início dos ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irã, no último sábado (28), e das retaliações do país persa contra Tel Aviv e bases americanas em diversos países produtores de petróleo na região.

    O impacto da guerra no Oriente Médio nos preços pagos pelo consumidor brasileiro por combustíveis derivados do petróleo, como a gasolina e o diesel, pode demorar a chegar. A avaliação é do presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Roberto Ardenghy.

    O petróleo teve forte alta nos últimos dias, desde o início dos ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irã, no último sábado (28), e das retaliações do país persa contra Tel Aviv e bases americanas em diversos países produtores de petróleo na região.

    O porta-voz do instituto que representa a indústria petrolífera no Brasil explicou que toda refinaria mantém um estoque de petróleo, e que esse é um dos motivos para que a mudança não aconteça da noite para o dia.

     

    Entretanto, se o petróleo permanecer em um patamar alto, pouco a pouco, as refinarias vão começar a comprar o produto mais caro. 

    “Na medida em que esse petróleo mais caro chegar às refinarias, elas também, com um certo tempo, tenderão a transferir esse preço para os seus contratos novos, porque nos contratos já firmados, elas garantem o preço anterior”.

    “É um processo longo, que pode durar até seis meses para acontecer. Não haverá nenhuma mudança de patamar de preço a curto prazo, inclusive, para o consumidor brasileiro”, afirmou Roberto Ardenghy à Agência Brasil.

    O presidente apontou que a incerteza que paira no mercado global sobre o futuro do conflito é um dos motivos que pode retardar o impacto nos preços pagos pelos consumidores.

    “Altos patamares do preço do petróleo dependem da continuidade ou não do conflito armado, do bloqueio do Estreito de Ormuz, da disseminação do conflito para outros países do Oriente Médio. Então, ainda não se tem segurança de que isso vai acontecer”, explicou.

    Ardenghy acrescentou que o mercado do petróleo opera com projeções de longo prazo em contratos, que têm que ser honrados. É preciso considerar também, afirma ele, que alguns países têm estoques estratégicos importantes, que certamente serão usados nesta situação de crise.

    Estreito de Ormuz

    Sobre o bloqueio do Estreito de Ormuz, passagem da maior parte do petróleo exportado por países do Oriente Médio, Roberto Ardenghy pondera que o fechamento não interrompe todo o fluxo do óleo extraído na região, porque há rotas alternativas.

    Porta de saída do Golfo Pérsico, o estreito fica na costa do Irã, que determinou seu bloqueio em resposta aos ataques dos Estados Unidos e de Israel. O presidente do IBP cita que o Iraque, por exemplo, pode bombear petróleo por meio da Turquia. 

    Já a Arábia Saudita tem oleodutos que podem levar suas exportações para o Mar Vermelho, alcançando os mercados por outra rota logística. O mesmo vale para os Emirados Árabes Unidos, e até mesmo o próprio Irã pode encontrar outra via para escoar parte de sua produção.

    “Há algumas alternativas, não para garantir todo aquele volume que passa no Estreito de Ormuz, mas, pelo menos, para uma parcela importante. Portanto, não haverá mudança de patamar de preço de modo estável, no mínimo, pelos próximos 60 a 90 dias”, avaliou.

     

    Mapa Estreito de Ormuz

    Brasil no mercado internacional

    O presidente do IBP destacou que o Brasil já é um importante produtor de petróleo, com uma produção que atingiu 3,8 milhões de barris por dia em 2025, enquanto a exportação chegou a 1,7 milhão de barris.

    “Há perspectivas, inclusive, de que aumentemos, ainda mais, a nossa produção nos próximos anos. Se a gente conseguir encontrar petróleo na Margem Equatorial, na Bacia de Pelotas e em outras áreas no Brasil, a nossa participação pode ser ainda mais relevante”, apontou.

    Diante desse desempenho, Ardenghy estimou que o Brasil tem condição de suprir uma quantidade de petróleo para o mercado internacional.

    “Somos atores importantes e podemos inclusive contribuir com essa falta de petróleo ou essa escassez que venha do Oriente Médio e compensar com a nossa produção atual e a futura. Hoje, o Brasil já é um produtor relevante. Somos o nono maior produtor e o nono maior exportador mundial de petróleo”, pontuou.

    O executivo acredita que, a partir do que ocorre atualmente no Oriente Médio, ocorrerá o que o setor chama de reorientação dos fluxos globais de comércio de petróleo e gás natural.

    “Os países muito dependentes do Oriente Médio, mesmo que as coisas se acalmem por lá, vão procurar diversificar as suas fontes de suprimento. Especialmente, os países da Ásia, como o Japão, a Coreia, a China e a Índia, países que hoje dependem muito do petróleo que passa pelo Estreito de Ormuz”, destacou.

    “Mesmo que a situação no Oriente Médio se normalize, a gente não sabe se, em médio ou longo prazo, essa situação de normalidade vai continuar ou se vamos ter um outro conflito, inclusive militar”, completou.

    É nesse cenário que o presidente do IBP vê espaço para o Brasil evoluir no mercado de petróleo e gás.

    “Somos um produtor confiável de petróleo, temos a presença, no Brasil, de grandes empresas internacionais, a presença também da Petrobras como uma empresa com muita experiência na produção e na exportação de petróleo”, indicou.

    Na visão dele, isso só ressalta a necessidade de o Brasil manter a atividade petrolífera, a pesquisa geológica, a perfuração na Margem Equatorial e em outras áreas do país.

    “Para que a gente possa, primeiro, ter segurança energética nas próximas décadas, mantendo a nossa economia livre dessas tensões globais que afetam o petróleo. E também ter um excesso de petróleo, para que a gente possa exportar para outros mercados, gerando divisas para o Brasil”, relatou.

     

    Impacto da guerra no preço do combustível ao consumidor pode demorar

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Pai de Vorcaro tinha R$ 2,2 bilhões em conta bancária, diz PF

    Pai de Vorcaro tinha R$ 2,2 bilhões em conta bancária, diz PF

    A informação faz parte da decisão judicial que autorizou as operações da PF realizadas nesta quarta-feira (4), que levou à prisão de Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel, pastor e marido da irmã de Vorcaro.

    ANDRÉ BORGES E JOSÉ MARQUES
    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – As investigações realizadas pela Polícia Federal sobre os esquemas de corrupção que envolvem o Banco Master identificaram uma conta bancária de Henrique Moura Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro, com um saldo de mais de R$ 2,2 bilhões.

    A informação faz parte da decisão judicial que autorizou as operações da PF realizadas nesta quarta-feira (4), que levou à prisão de Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel, pastor e marido da irmã de Vorcaro.

    A reportagem questionou Henrique Moura Vorcaro e a Reag sobre o assunto. Não houve resposta até a publicação deste texto.

    A decisão informa que, mesmo após Vorcaro ser posto em liberdade com o uso de tornozeleira eletrônica, em 28 de novembro de 2025, “a organização criminosa continuou a ocultar recursos bilionários em nome de terceiros”.

    Esses valores, relata a PF, “foram descobertos em razão das medidas executadas por ocasião da Segunda Fase da Operação Compliance Zero, deflagrada no dia 14/01/2026, oportunidade em que foi bloqueada a impressionante quantia de R$ 2.245.235.850,24”.

    O valor, prossegue a PF, “estava na conta do genitor de Daniel Vorcaro, Henrique Moura Vorcaro, junto à empresa CBSF DTVM, mais conhecida como Reag”. Reag é a instituição financeira que foi responsável por fundos de investimento por onde passaram recursos desviados do Master.

    Por mei de nota, defesa de Henrique Vorcaro declarou que “são incorretas as informações divulgadas no sentido de que a conta mencionada na decisão do STF seja de sua titularidade”.

    “Na busca por esclarecimentos, e diante da gravidade da menção e da repercussão gerada, a defesa requereu, em caráter de urgência, ao ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça acesso à documentação apresentada pela Polícia Federal que teria embasado essa afirmação, para verificar eventuais equívocos no material utilizado”, informou.

    A defesa declarou, ainda, que foi solicitado acesso integral ao material probatório citado na decisão.

    “A defesa reafirma desconhecer a existência de qualquer conta e com tais valores e reitera ser imperativo que os fatos sejam devidamente esclarecidos. Entende-se a legítima preocupação com a reparação dos danos, mas ressalta ser essencial preservar a correção das informações divulgadas”, afirmou.

    A decisão de fazer o bloqueio judicial do valor foi tomada para evitar movimentações ou eventual dissipação de recursos.

    A descoberta dos recursos em nome do pai de Vorcaro ocorreu no momento em que os agentes ampliavam o rastreamento de ativos ligados ao grupo. O objetivo agora é mapear a origem e a movimentação da cifra bilionária.

    “A organização criminosa demonstra altíssima capacidade de reorganização, mesmo após deflagração de operações. Portanto, caso os investigados permaneçam em liberdade, há o elevado risco de articulação com agentes públicos e da continuidade da prática de ocultação e reciclagem de capitais por meio da utilização de empresas de fachada”, afirma o ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que se tornou relator dos inquéritos relacionados ao caso.

    Mendonça pontua que “as atividades criminosas, tal como demonstrado pela Polícia Federal em sua representação, continuaram a ocorrer mesmo após o início do inquérito e as operações dele decorrentes”.

    Pai de Vorcaro tinha R$ 2,2 bilhões em conta bancária, diz PF

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Estoque de carros importados supera o de modelos nacionais, diz Volkswagen

    Estoque de carros importados supera o de modelos nacionais, diz Volkswagen

    Em janeiro de 2026, havia 210,5 mil veículos importados à espera de compradores no país. Já o estoque de automóveis feitos no Brasil estava em 148,8 mil unidades.

    EDUARDO SODRÉ
    SÃO BERNARDO DO CAMPO, SP (FOLHAPRESS) – O estoque de carros importados supera o de modelos nacionais. O dado foi contabilizado pela Volkswagen.

    Em janeiro de 2026, havia 210,5 mil veículos importados à espera de compradores no país. Já o estoque de automóveis feitos no Brasil estava em 148,8 mil unidades.

    Segundo Ciro Possobom, CEO da Volkswagen do Brasil, 80% dos carros estrangeiros estocados são de origem chinesa.

    A montadora alemã tem criticado os sistemas de montagem SKD e CKD adotados por marcas como a BYD.

    De acordo com Possobom, a Volkswagen movimenta 26 mil toneladas de aço no país, o que não ocorre quando os veículos chegam desmontados ou parcialmente montados ao Brasil.

    A Guerra no Oriente Médio também é uma preocupação da VW. A montadora teve problemas com o fluxo de peças que são distribuídas globalmente por navios, operação que já havia sido afetada com o inverno rigoroso na Europa.

    Com o conflito, a empresa está mapeando o fluxo para decidir se terá de usar mais o transporte aéreo e em quais condições, com impacto nos custos.

    Estoque de carros importados supera o de modelos nacionais, diz Volkswagen

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Vorcaro tinha 'milícia privada' e pagava R$ 1 milhão por mês para intimidar desafetos: 'moer essa vagabunda'

    Vorcaro tinha 'milícia privada' e pagava R$ 1 milhão por mês para intimidar desafetos: 'moer essa vagabunda'

    O grupo contava com um sicário, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão e um ex-policial federal, Marilson Roseno da Silva. Ambos foram alvos de mandado de prisão preventiva nesta quarta-feira (4), assim como Vorcaro.

    LUCAS MARCHESINI, JOSÉ MARQUES E ADRIANA FERNANDES
    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – A PF (Polícia Federal) afirmou que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, mantinha uma milícia privada com o objetivo de coagir e ameaçar seus desafetos.

    O grupo contava com um sicário, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão e um ex-policial federal, Marilson Roseno da Silva. Ambos foram alvos de mandado de prisão preventiva nesta quarta-feira (4), assim como Vorcaro.

    Sicário é um termo que vem do espanhol e que significa assassino de aluguel. Todos formavam um grupo chamado de “A Turma”, na qual as medidas planejadas eram discutidas.

    Em troca dos serviços para Vorcaro, Mourão receberia R$ 1 milhão por mês, aponta o relatório do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça que determinou as prisões.

    Esse valor era então redistribuído por Mourão para diversos integrantes da sua rede.

    O documento cita diálogos entre Mourão e Vorcaro no qual o banqueiro autoriza medidas violentas contra adversários.
    Entre elas, está a simulação de uma tentativa de assalto contra o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, como forma de intimidação.

    “Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”, escreveu Vorcaro, segundo trecho reproduzido no processo.

    Outra troca de mensagem discute formas de intimidar um ex-funcionário de Vorcaro que teria feito uma gravação indesejada do banqueiro.

    O banqueiro manda o sicário “levantar tudo” do seu ex-empregado e de um chefe de cozinha ligada a ele.

    Depois disso, Vorcaro determina que seria “bom de dar sacode no chef de cozinha primeiro. O outro já vai assustar”.

    O banqueiro se queixa a Mourão de uma outra empregada sua identificada como Monique que o estaria ameaçando. “Tem que moer essa vagabunda”, escreveu Vorcaro. Mourão responde perguntando o que deveria fazer e o dono do Banco Master determina que era para puxar endereço e tudo relativo a Monique.
    O ex-PF Marilson é apontado no relatório de Mendonça como “integrante relevante da estrutura paralela de monitoramento e intimidação” de Vorcaro.

    Ele usaria sua experiência e contatos adquiridos durante sua carreira na PF para obter dados sensíveis e vigiar alvos do grupo.

    Vorcaro tinha 'milícia privada' e pagava R$ 1 milhão por mês para intimidar desafetos: 'moer essa vagabunda'

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Zettel, cunhado de Vorcaro, se entrega à Policia Federal em SP

    Zettel, cunhado de Vorcaro, se entrega à Policia Federal em SP

    Casado com Natalia Vorcaro, empresário foi pastor da igreja da Lagoinha e o maior doador de Jair Bolsonaro em 2022; mandado de prisão afirma que ex-pastor geria pagamentos a servidores do BC em nome do Banco Master

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O empresário Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, se entregou à Polícia Federal nesta quarta-feira (4). Zettel é investigado por operar fundos ligados a supostas fraudes financeiras do grupo Master.

    Casado com Natalia Vorcaro, irmã do banqueiro, Zettel foi pastor da igreja da Lagoinha e o maior doador das campanhas de Jair Bolsonaro (PL) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) em 2022.

    O mandado de prisão expedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça indica que mensagens entre Vorcaro e Zettel mostram que o ex-pastor geria pagamentos em nome do ex-banqueiro.

    Em nota, a defesa de Zettel diz que seu cliente se apresentou à PF assim que tomou conhecimento da 3ª Fase da Operação Compliance Zero. “Em que pese não ter tido acesso ao objeto das investigações, Fabiano está à inteira disposição das autoridades.”

    Mendonça identificou a participação de Fabiano Campos Zettel na elaboração de uma proposta de contratação simulada voltada a formalizar vínculo fictício com um servidor do Banco Central, Belline Santana.

    Segundo a decisão, Zettel teria atuado diretamente na estruturação do esquema, que utilizou uma empresa, a Varajo Consultoria Empresarial Sociedade Unipessoal Ltda., como fachada para o arranjo. De acordo com o ministro, o investigado “participou da elaboração e encaminhamento de proposta de contratação simulada, estruturada para formalizar vínculo contratual fictício” por meio da Varajo Consultoria.

    O ministro destacou ainda que Zettel “participou da discussão sobre os termos do documento que seria encaminhado ao servidor público e acompanhou as tratativas relativas à formalização do instrumento contratual”. O contrato, segundo André Mendonça, foi “posteriormente utilizado para justificar pagamentos associados às atividades supostamente prestadas”.

    A decisão do ministro aponta ainda que Zettel atuava na operacionalização de pagamentos destinados ao grupo informal conhecido como “A Turma” -estrutura utilizada, segundo o STF, para “realizar atividades de monitoramento e coleta de informações de interesse do grupo investigado”, além da “prática de atos de coação e intimidação de pessoas”.

    Entre os alvos da organização estariam “concorrentes empresariais, ex-empregados e jornalistas” que seriam vistos por Vorcaro como ameaças à organização criminosa. O colunista do Globo, Lauro Jardim, seria um dos alvos, segundo as comunicações obtidas pela PF.

    No caso Master, Zettel é investigado por supostamente ter participação em fundo de investimentos que ficou sócio de Toffoli e irmãos no resort Tayayá, caso revelado pela Folha de S.Paulo. Na ocasião, a defesa de Zettel alegou que ele tem atividades empresariais conhecidas e lícitas, sem relação alguma com a gestão do Banco Master.

    O empresário e pastor chegou a ser preso na primeira fase da Compliance Zero, em novembro, quando se preparava para deixar o país, de jatinho, com destino a Dubai e foi solto horas depois.

    Zettel é fundador e CEO da Moriah Asset, que se define como o primeiro e maior private equity de investimentos em bem-estar do Brasil.

    Por meio da empresa, ele é sócio do Grupo Frutaria, donos de marcas como Frutaria São Paulo, Empório Frutaria e Néctar, além da rede de açaí Oakberry, da academia Les Cinq, Desinchá e Super Nutrition, de suplementos, como creatina.Zettel também tem passagem por negócios ligados a Daniel Vorcaro.

    Zettel foi diretor da Super Empreendimentos, empresa que em 2024 adquiriu a casa de R$ 36 milhões, que ficou conhecida como hub de Vorcaro em Brasília.

    Lá o banqueiro recebeu políticos, como o senador Ciro Nogueira, presidente do PP, Antonio Rueda, do União Brasil, e Hugo Motta (Republicanos-PB), da Câmara dos Deputados, e nomes do governo Bolsonaro.

    Zettel, cunhado de Vorcaro, se entrega à Policia Federal em SP

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia