Categoria: ECONOMIA

  • Mediana das previsões para a Selic no fim de 2026 passa de 12,50% a 13,00% no Focus do BC

    Mediana das previsões para a Selic no fim de 2026 passa de 12,50% a 13,00% no Focus do BC

    A projeção para o fim de 2027 aumentou de 10,50% para 11,0%, depois de 61 semanas de estabilidade. Levando em conta apenas as 90 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, passou de 10,53% para 11,0%.

    A mediana das previsões do mercado financeiro no relatório Focus do Banco Central para a taxa Selic no fim de 2026 aumentou de 12,50% para 13,0%, após três semanas de estabilidade. O mercado calibra as expectativas para a trajetória da política monetária, em meio à pressão inflacionária esperada com a disparada dos preços de petróleo em decorrência da guerra no Oriente Médio.

    Considerando só as 95 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana para a Selic no fim de 2026 subiu de 12,75% para 13,0%.

    A projeção para o fim de 2027 aumentou de 10,50% para 11,0%, depois de 61 semanas de estabilidade. Levando em conta apenas as 90 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, passou de 10,53% para 11,0%.

    O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic em 0,25 ponto porcentual, de 15% para 14,75% ao ano, no dia 18 de março. Foi a primeira redução da taxa de juros em quase dois anos. Apesar do corte, o colegiado alertou para o aumento das incertezas no cenário.

    O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reforçou a baixa visibilidade durante entrevista coletiva sobre o Relatório de Política Monetária (RPM), no último dia 26. Ele disse que o \”conservadorismo\” da autoridade monetária em 2025 compra tempo para analisar o cenário e entender os efeitos que a alta do petróleo terá sobre os preços domésticos.

    “Estamos entendendo e vamos aprender mais daqui até a próxima reunião do Copom. O BC tem esse benefício de que só precisa tomar uma decisão a cada 45 dias”, afirmou Galípolo, reforçando que haverá uma condução cautelosa da política monetária. O Copom se reúne novamente na próxima semana.

    No Focus desta segunda-feira, a mediana para a Selic no fim de 2028 permaneceu em 10,0% pela 13ª leitura seguida. A estimativa para 2029 aumentou de 9,75% para 9,88%. Há um mês, era de 9,50%.

    Mediana das previsões para a Selic no fim de 2026 passa de 12,50% a 13,00% no Focus do BC

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  • INSS paga primeira parcela do 13º a aposentados a partir de sexta (24); veja calendário e quem recebe

    INSS paga primeira parcela do 13º a aposentados a partir de sexta (24); veja calendário e quem recebe

    Os depósitos da primeira parcela seguem até 8 de maio, conforme o valor e o número final do benefício, sem considerar o dígito verificador. Recebem primeiro os segurados que ganham até um salário mínimo, atualmente em R$ 1.518

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) começa a pagar nesta sexta-feira (24) a primeira parcela do 13º salário a aposentados e pensionistas. A gratificação natalina será depositada junto com o benefício mensal, no mesmo dia em que o segurado recebe o pagamento da Previdência.

    Os depósitos da primeira parcela seguem até 8 de maio, conforme o valor e o número final do benefício, sem considerar o dígito verificador. Recebem primeiro os segurados que ganham até um salário mínimo, atualmente em R$ 1.518. Depois, é feito o pagamento a quem ganha acima do piso até o teto previdenciário de R$ 8.475,55.

    A segunda parcela do 13º está prevista para ser paga entre 25 de maio e 8 de junho, mantendo a antecipação do benefício para o primeiro semestre, prática adotada desde 2020.

    Segundo estimativas do governo federal, a antecipação do 13º deve beneficiar cerca de 35,2 milhões de segurados e injetar aproximadamente R$ 78,2 bilhões na economia. Tem direito à gratificação todos que recebem aposentadoria, pensão e auxílio. Não têm direito ao 13º os segurados beneficidos com BPC (Benefício de Prestação Continuada) e Renda Mensal Vitalícia.

    Veja o calendário de pagamento do 13º do INSS em 2026

    Para benefícios iguais ao salário mínimo, primeira e segunda parcelas
    Final do benefício Primeira parcela Segunda parcela
    1 24/abr 25/mai
    2 27/abr 26/mai
    3 28/abr 27/mai
    4 29/abr 28/mai
    5 30/abr 29/mai
    6 04/mai 01/jun
    7 05/mai 02/jun
    8 06/mai 03/jun
    9 07/mai 05/jun
    0 08/mai 08/jun
    Para benefícios acima do salário mínimo, primeira e segunda parcelas

    Final do benefício Primeira parcela Segunda parcela
    1 e 6 04/mai 01/jun
    2 e 7 05/mai 02/jun
    3 e 8 06/mai 03/jun
    4 e 9 07/mai 05/jun
    5 e 0 08/mai 08/jun

    Quem tem direito ao 13º do INSS?

    Têm direito ao 13º todos que recebem aposentadoria, pensão e auxílios. A gratificação natalina não é paga para beneficiários de BPC (Benefício de Prestação Continuada) e RMV (Renda Mensal Vitalícia).

    Quem se aposentou em janeiro deste ano ou já estava aposentado em anos anteriores recebe, nesta primeira parcela, exatamente a metade do valor do benefício. Para quem se aposenta após fevereiro, o pagamento é proporcional aos meses de benefício.

    Segurados que recebem auxílio-doença também têm um cálculo proporcional do 13º, que leva em conta o número de meses em que a renda previdenciária será paga, já que se trata de um benefício temporário.

    Já quem se aposenta após o pagamento da primeira e da segunda parcela, que será feito em maio, recebe os valores proporcionais na competência de novembro.

    Como consultar o valor?

    O primeiro pagamento do 13º salário é feito considerando o mês em que o aposentado começou a receber o benefício. Se já estava aposentado em janeiro daquele ano, receberá o valor integral, sendo 50% na primeira parcela e o restante na segunda.

    A segunda parcela pode ter o desconto do Imposto de Renda, caso o segurado seja obrigado a pagar o tributo. Para quem se aposentou neste ano, a partir de fevereiro, o pagamento do 13º salário é proporcional ao número de meses em que ganhou o benefício até o final do ano.

    Normalmente, a consulta para saber o valor exato que será pago é liberada próxima à data de pagamento, sendo que quem recebe o salário mínimo costuma saber o valor antes dos outros beneficiados. Após o primeiro dia de pagamento, o INSS libera o extrato atualizado para todos os segurados.

    A consulta poderá ser feita pelo aplicativo ou site Meu INSS, que pode ser baixado nas lojas Play Store (Android) e App Store (iOS). O desenvolvedor é Serviços e Informações do Brasil. É preciso ter cadastro no Portal Gov.br para conseguir o acesso no celular e no site. Clique aqui para saber como criar uma conta.

    Acesse o aplicativo ou site Meu INSS Faça login com sua conta do portal Gov.br, informando CPF e senha Clique na opção “Extrato de Pagamento” Selecione o mês de referência correspondente ao pagamento do 13º; neste caso, é abril O valor da gratificação (13º) aparecerá como uma parcela adicional Também é possível ver o valor do benefício mensal Em maio, quando houver desconto do IR para quem é obrigado a pagar, esse valor também estará disponível

    Como e por que é feita a antecipação do 13º?

    A antecipação do 13º para o primeiro semestre foi uma prática dos governos de Luiz Inácio e Dilma Rousseff após demandas das centrais sindicais e dos sindicatos de aposentados, que pressionaram para o adiantamento de uma das parcelas.

    Em geral, a gratificação era paga em junho e, depois, entre outubro e novembro. No governo de Dilma, em seu último ano, houve atraso devido à crise econômica, e o pagamento ocorreu em agosto e setembro.

    O então presidente Jair Bolsonaro (PL) tornou o adiantamento regra. Na regulamentação da reforma da Previdência, criou-se obrigação de se pagar a primeira parcela do 13º sempre no primeiro semestre. Desde a pandemia, no entanto, os valores das duas parcelas vêm sendo antecipados para o primeiro semestre.

    Como é feito o desconto do Imposto de Renda no 13º do INSS?

    A primeira parcela do 13º não tem descontos. Ela corresponde à exata metade do valor do benefício. Na segunda parcela, há desconto do Imposto de Renda a quem se enquadra nas regras para pagar o tributo. Por lei do governo Lula, quem ganha até R$ 5.000 está isento do IR. Benefícios por doenças graves, que dão isenção, também não pagam imposto.

    A nova isenção do IR também beneficia quem recebe entre R$ 5.000,01 até R$ 7.350. Com isso, aposentados, pensionistas e demais beneficiários que ganham até este valor terão desconto menor do tributo.

    Aposentados e pensionistas a partir de 65 anos pagam menos imposto. Isso porque eles têm direito a uma cota extra de isenção do IR a partir do mês em que fazem aniversário.

    Como o beneficiário pode movimentar o dinheiro?

    A movimentação depende do tipo de conta escolhida. Quem tem conta aberta apenas para receber aposentadoria, pensão, auxílio ou BPC pode sacar o valor em caixas eletrônicos. Também é possível fazer transferências e movimentar o dinheiro pela internet.

    INSS paga primeira parcela do 13º a aposentados a partir de sexta (24); veja calendário e quem recebe

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  • Petróleo volta a subir com interrupção de fluxo de navios no estreito de Hormuz

    Petróleo volta a subir com interrupção de fluxo de navios no estreito de Hormuz

    Ao longo do fim de semana, a escalada das tensões voltou a interromper o tráfego na região. No sábado (18), a Guarda Revolucionária iraniana realizou ataques contra embarcações que transitavam pelo estreito de Hormuz, segundo agências internacionais

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O petróleo abriu em alta de 6% nas negociações referentes a esta segunda-feira (20), com investidores voltando a adotar uma postura mais conservadora em relação a uma resolução da guerra no Irã, além de lidar com mensagens contraditórias sobre o conflito.

    O barril do Brent, referência internacional, era cotado a cerca de US$ 96 por volta das 20h45 deste domingo (19), no contrato com vencimento em junho deste ano.

    O movimento tem influência de um novo bloqueio do Irã ao fluxo no estreito de Hormuz, por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito.

    A alta reverte a forte queda da commodity na sexta-feira (17), quando o anúncio da reabertura do estreito pelo Irã levou a um alívio nas cotações do Brent e do WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, que atingiram os menores níveis desde março.

    Ao longo do fim de semana, a escalada das tensões voltou a interromper o tráfego na região. No sábado (18), a Guarda Revolucionária iraniana realizou ataques contra embarcações que transitavam pelo estreito de Hormuz, segundo agências internacionais.

    Teerã afirmou ter retomado regras mais rígidas de passagem após o que classificou como violações por parte dos Estados Unidos. Em discurso televisionado, Mohammad Bagher Ghalibaf disse que Washington não conseguiu pressionar o Irã por meio de ultimatos nem obter apoio internacional para a guerra.

    Em resposta, Donald Trump afirmou que o Irã estava “fazendo graça” e que não conseguirá chantagear os EUA. Neste domingo, o presidente norte-americano voltou a ameaçar destruir a infraestrutura do país.

    “Estamos oferecendo um acordo muito justo e razoável, e espero que eles aceitem, porque, se não aceitarem, os Estados Unidos vão destruir todas as usinas de energia e todas as pontes no Irã. Chega de ser bonzinho!”, escreveu Trump.

    O republicano também afirmou que representantes dos dois países devem se reunir para mais uma rodada de negociações no Paquistão na segunda-feira (20) -o acordo de trégua expira na quarta-feira (22). Segundo a agência Tasnim, associada à Guarda Revolucionária, o regime ainda não decidiu se enviará representantes para as conversas.

    A suspensão do programa nuclear do Irã é considerada um dos principais impasses do conflito. Segundo Trump, o Irã teria concordado em abrir mão do urânio enriquecido. O regime iraniano, como tem sido praxe durante a guerra, não confirma as informações.

    A proposta defendida por Washington prevê que Teerã abandone seu programa nuclear como parte de um acordo mais amplo.

    O Irã, contudo, tem demonstrado resistência. Segundo o jornal New York Times, Teerã teria aceitado suspender a atividade nuclear por até cinco anos. Os EUA propõem uma suspensão de 20 anos.

    Enquanto isso, o impasse em torno do estreito de Hormuz mantém o mercado global em alerta. A guerra, que já está em sua oitava semana, levou a uma forte alta nos preços do petróleo. Desde o início do conflito, as cotações do Brent, referência global, acumulam valorização de 25%.

    Para analistas, as incertezas nas negociações entre Washington e Teerã, somadas às dificuldades para normalizar o fluxo pela via, devem manter a volatilidade dos preços por meses.

    Mesmo em caso de reabertura, ainda há dúvidas sobre quando empresas de transporte marítimo retomarão o fluxo. As companhias aguardam condições de segurança e sinalizações mais firmes de Washington e Teerã.

    Segundo a plataforma MarineTraffic, nenhuma embarcação entrou ou saiu do Golfo desde as 21h de sábado no horário de Brasília.

    Petróleo volta a subir com interrupção de fluxo de navios no estreito de Hormuz

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  • Dólar abaixo de R$ 5 sugere momento favorável para compra, dizem analistas

    Dólar abaixo de R$ 5 sugere momento favorável para compra, dizem analistas

    Queda da moeda abre oportunidade para quem planeja viajar ou diversificar investimentos. Especialistas recomendam compras fracionadas para reduzir riscos e destacam o dólar como proteção em cenários de incerteza e volatilidade nos mercados.

    (FOLHAPRESS) – O dólar voltou a rondar o patamar de R$ 5 na semana passada. A cotação de R$ 4,997, atingida na segunda-feira (13), marcou o retorno da moeda a um nível que não era visto desde 2024.

    A queda anima quem precisa de dólares para viagens ou para estratégias de diversificação de investimentos. Para especialistas ouvidos pela reportagem, o momento é propício para comprar.

    “Essa é uma janela tática para formar preço médio ao longo do tempo”, diz Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad. A queda, afirma ela, teve como gatilho o otimismo em relação ao fim da guerra no Irã, mas o futuro do conflito ainda está em aberto -o que pode trazer volatilidade para os mercados nos próximos dias.

    A chamada formação de preço médio é uma estratégia simples. Consiste em comprar a moeda de forma parcelada em vez de tudo de uma vez, de forma a limitar prejuízos caso o dólar flutue de volta para patamares mais altos.

    Na mesma linha, Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil, avalia que o real é beneficiado pela maior distância do Brasil em relação ao conflito geopolítico.

    Para investidores interessados em comprar dólar, ele recomenda fracionar as aquisições e se concentrar no longo prazo, tratando a moeda como proteção. “O recomendado é dividir a compra em, pelo menos, três momentos até a data de uma viagem para formar um preço médio”, afirma.

    Essa tática vale para a formação de carteira também. “A grande maioria dos brasileiros não tem exposição à moeda. Manter uma parte da carteira em dólar é uma forma de proteção: por mais que o curto prazo seja volátil, o longo prazo tende a provar que a moeda é resiliente a choques e instabilidades, protegendo o dinheiro do investidor”, diz Zogbi.

    É possível se expor ao dólar por meio de ETFs (fundos de índice, na sigla em inglês) e fundos cambiais, ou mesmo contas internacionais para quem quer ter a moeda.

    Em termos de impostos, a depender do método escolhido para se expor ao dólar, a operação pode envolver cobrança de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e de IR (Imposto de Renda), além da incidência de spread (diferença entre o preço de compra e o de venda), cobrado pela instituição financeira. No caso dos fundos cambiais, há ainda taxas de administração.

    Wanessa Guimarães, planejadora financeira pela Planejar e sócia da gestora de patrimônio HCI Advisors, ressalta que contas internacionais ou cartões pré-pagos são recomendados para uso cotidiano, como em viagens, por oferecer taxas menores do que cartões de crédito convencionais.

    “A conta internacional é ótima para quem tem necessidade real de usar dólares no dia a dia: é possível manter o dinheiro em dólar, e, caso o cliente viaje ao exterior, basta utilizá-lo diretamente com o cartão da própria conta”, afirma Guimarães.

    As plataformas costumam cobrar o IOF cheio, de 3,5%, mais taxas de corretagem e administração. Para ganhar mercado, algumas oferecem descontos nessas tarifas -seja reduzindo o imposto federal pela metade, seja reduzindo a taxa de corretagem para menos de 1% em determinadas condições de compra. Entre as contas internacionais, as mais populares no Brasil são: Wise, Avenue, Nomad, Revolut, Astropay e até as fintechs C6 e Inter.
    Para quem busca proteger patrimônio, fundos cambiais, que podem ser acessados por meio de contas de investimento em corretoras brasileiras, são uma boa pedida.

    Neles, o investidor não precisa lidar diretamente com o câmbio e compra cotas com rentabilidade atrelada a títulos de dívida internacional ou a contratos cambiais. O ativo pode oferecer ganhos caso o dólar se valorize, mas também pode registrar perdas se a moeda se desvalorizar.

    ETFs também são recomendados para proteção de patrimônio. São fundos negociados em Bolsa e compostos, majoritariamente, por uma cesta de ativos, que pode incluir títulos públicos, títulos privados e ações. Esses fundos também podem replicar índices de referência, como o S&P 500 e o Ibovespa. Na prática, isso significa que o retorno do ETF tende a acompanhar o desempenho do índice ou do ativo que ele segue.

    Desde que o dólar furou o piso de R$ 5, na segunda-feira passada, a cotação flutuou entre R$ 4,95 e R$ 5,01. Mas novas oportunidades ainda podem surgir. A queda da moeda é resultado de ventos favoráveis: além da possibilidade de trégua definitiva no Oriente Médio, investidores têm buscado oportunidades em países com menor exposição aos atritos geopolíticos.

    Depois de Donald Trump assumir a Casa Branca pela segunda vez, ganhou força no mercado financeiro global um movimento conhecido como rotation, ou rotação.

    A estratégia consiste em diversificar carteiras para além do mercado norte-americano -que, após anos de valorização expressiva, dá sinais de esgotamento do ciclo de altos retornos. Mercados emergentes, como o brasileiro, têm surfado nessa tendência.

    Outro ponto a favor do Brasil é o diferencial de juros em relação aos Estados Unidos. Com a Selic no maior patamar em quase duas décadas e a taxa norte-americana em queda gradual, investidores aproveitam para captar recursos lá para aportar aqui, em estratégia conhecida como “carry trade”. Investir no Brasil implica a compra de reais, o que valoriza a moeda.

    Por outro lado, também há a possibilidade de a moeda reverter a tendência e voltar a subir. O fato de 2026 ser ano eleitoral acende um alerta para a expansão de gastos públicos à medida que a corrida pelo Palácio do Planalto se intensifica. Não à toa, o Boletim Focus da semana passada aponta para o dólar em R$ 5,37 no final do ano.

    COMO COMPRAR DÓLAR?

    – Conta internacional ou em dólar: Oferecida por bancos ou plataformas digitais. Permite manter saldo em dólar (ou em outras moedas) no exterior e investir em ativos como ETFs. Incide IOF de 3,5% sobre a operação de câmbio;
    – Cartões internacionais pré-pagos em dólar: funciona como um cartão recarregável. O saldo é adicionado em reais e convertido para dólar. Também está sujeito ao IOF de 3,5%.
    – ETFs: negociados em Bolsa, podem ser comprados de forma semelhante a ações. Incide IR (Imposto de Renda) sobre o ganho de capital, com alíquotas que variam conforme a classificação do ETF (renda variável ou renda fixa).
    – Fundos cambiais: fundos de investimento que acompanham a variação do dólar. Podem ser comprados em corretoras brasileiras. Incide tabela regressiva de IR (de 22,5% a 15%) e IOF em caso de resgate em menos de 30 dias.
    – Compra de moeda em espécie: oferecida por bancos e casas de câmbio. Nessa modalidade, há cobrança de IOF de 3,5%.

    Dólar abaixo de R$ 5 sugere momento favorável para compra, dizem analistas

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  • Exército credenciou Master para empréstimos consignados e repassou R$ 39 mi ao banco

    Exército credenciou Master para empréstimos consignados e repassou R$ 39 mi ao banco

    O montante é informado em um RIF (relatório de inteligência financeira) elaborado pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), órgão do governo federal que atua na prevenção e na detecção do crime de lavagem de dinheiro. O documento, obtido pela Folha, foi enviado em março à CPI do Crime Organizado no Senado, encerrada na semana passada sem a aprovação de um relatório final.

    VINICIUS SASSINE E THAÍSA OLIVEIRA
    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O Exército credenciou o Banco Master para operações de empréstimos consignados a militares da ativa e da reserva e, em pouco mais de um ano, repassou R$ 39 milhões à instituição que pertencia a Daniel Vorcaro. O valor é referente aos descontos nos contracheques ocorridos em razão do crédito concedido pelo banco.

    O montante é informado em um RIF (relatório de inteligência financeira) elaborado pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), órgão do governo federal que atua na prevenção e na detecção do crime de lavagem de dinheiro. O documento, obtido pela Folha, foi enviado em março à CPI do Crime Organizado no Senado, encerrada na semana passada sem a aprovação de um relatório final.

    Na menção às transferências de recursos feitas do Exército ao Master, entre agosto de 2024 e outubro de 2025, o relatório aponta duas possibilidades de irregularidades por parte do banco no que diz respeito ao destino do dinheiro, o que justificou o alerta e o registro do caso no RIF.

    Uma delas é o recebimento dos repasses com débito imediato dos valores pelo Master, o que pode indicar transações suspeitas e burla do destino do dinheiro. A outra é a concentração dos recursos, que foram enviados para uma mesma titularidade pelo banco de Vorcaro, conforme o relatório do Coaf. No segundo caso, esse tipo de movimentação dificulta a identificação de outros beneficiários, segundo o RIF.

    Após a liquidação do Master pelo Banco Central, em 18 de novembro do ano passado, o Exército rescindiu o contrato de credenciamento para empréstimos consignados, de forma unilateral. Isso se deu em 24 de novembro.

    Em nota, o Exército afirmou que não houve perda patrimonial para a Força ou para os cofres públicos. “Os valores envolvidos são oriundos de rendimentos particulares dos militares para o pagamento de dívidas privadas.”

    Os repasses feitos dizem respeito a “valores particulares decorrentes de consignações em folha de pagamento”, cita a nota. “O Comando do Exército, via Centro de Pagamento, atua apenas como interveniente, efetuando o desconto autorizado no contracheque e realizando o repasse mensal à entidade consignatária [Master].”

    O banco de Vorcaro foi credenciado após participar de edital público e comprovar requisitos de habilitação jurídica, regularidade fiscal e trabalhista e qualificação econômico-financeira, afirmou a Força.

    A defesa de Vorcaro não respondeu aos questionamentos da reportagem, enviados por email às 18h30 de terça-feira (14).

    O Master foi credenciado pelo Comando do Exército em 9 de fevereiro de 2023, em um contrato que deveria estar vigente até 8 de fevereiro de 2024.

    Dois termos aditivos prorrogaram o contrato. O primeiro, em 15 de janeiro de 2024. O segundo, em 15 de janeiro de 2025, com prorrogação dos serviços de empréstimo consignado até janeiro de 2027 –o contrato acabou rescindido em novembro do ano passado em razão da liquidação do banco.

    Os aditivos permitiram a continuidade das operações entre militares e o Master. Dados do Portal da Transparência, do governo federal, mostram repasses do Exército ao banco como destinatário final na ordem de R$ 39 milhões, se levado em conta o mesmo período citado no RIF do Coaf. As informações públicas, portanto, confirmam os números citados no relatório sigiloso.

    Conforme o Portal da Transparência, o Master recebeu do Exército, como contrapartida aos empréstimos consignados a militares, R$ 36,1 milhões em 2023, R$ 37,6 milhões em 2024 e R$ 23,4 milhões em 2025.

    Outras instituições financeiras foram credenciadas para esse tipo de operação. Militares que têm conhecimento do funcionamento desse serviço a integrantes da ativa e da reserva dizem que o valor total dos empréstimos é mediano, levando em conta as transações feitas com outros bancos, e que chama a atenção a opção pelo Master quando poderiam ser escolhidas instituições mais tradicionais.

    O RIF menciona a existência de contrato similar com a Aeronáutica, mas não descreve os valores das transações financeiras entre a Força e o banco de Vorcaro.

    A FAB (Força Aérea Brasileira) credenciou o Master em um contrato com vigência entre 2024 e 2029, “para realização de desconto em folha de pagamento decorrente de compromissos assumidos pelos militares ativos e inativos e seus pensionistas”.

    A Folha questionou a Aeronáutica sobre os valores movimentados, mas a Força não forneceu essa informação.

    Em nota, a Aeronáutica disse que fez repasses ao Master em 2024 e 2025, referentes a crédito consignado.

    “Após a decretação da liquidação extrajudicial e diante da ausência de ratificação dos dados de domicílio bancário da entidade liquidante, não foram realizadas novas transferências”, afirmou a FAB.

    O credenciamento previa concessão de empréstimos consignados, cartões de crédito e oferta de benefícios, cabendo aos militares optarem pela adesão, cita a nota. “A instituição [Master] atendeu integralmente aos requisitos previstos no edital.”

    A Aeronáutica não tem custos nesse tipo de operação, que envolve 234 entidades credenciadas, conforme a Força.

    Exército credenciou Master para empréstimos consignados e repassou R$ 39 mi ao banco

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  • IA já reduz emprego e renda de jovens brasileiros, diz estudo

    IA já reduz emprego e renda de jovens brasileiros, diz estudo

    É o que mostram dados de estudo conduzido pelo pesquisador Daniel Duque, do FGV Ibre, a partir de dados da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE.

    MAELI PRADO E LEONARDO VIECELI
    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O uso da inteligência artificial generativa já mostra um impacto negativo na empregabilidade e na renda de jovens brasileiros mais propensos a trabalhar em profissões nas quais o uso da tecnologia é maior.

    É o que mostram dados de estudo conduzido pelo pesquisador Daniel Duque, do FGV Ibre, a partir de dados da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE.

    Os números revelam que brasileiros de 18 a 29 anos mais expostos a profissões nas quais o uso de IA é maior têm uma chance de emprego quase 5% menor do que tinham em um cenário pré-inteligência artificial.

    Para chegar aos resultados, o estudo analisou grupos de trabalhadores de perfis semelhantes entre 2022, logo antes do lançamento do ChatGPT, e 2025, com a diferença de que uma parte estava em profissões mais expostas à IA, como serviços de informação e financeiros, e outra parte não. O levantamento concluiu que, após o surgimento da IA, os trabalhadores mais expostos começaram a perder mais empregos que os demais.

    A renda desses trabalhadores mais expostos também foi quase 7% menor. Isso acontece, segundo o levantamento, porque a IA é excelente em executar as chamadas tarefas de entrada, como funções administrativas, de apoio e de serviços básicos, que costumam ser o primeiro passo na carreira de um recém-formado.

    Os empregos de entrada no mercado de trabalho, que a IA consegue fazer melhor e [de modo] mais barato, são os mais substituíveis”, afirma Duque.

    O trabalho aponta para um impacto muito pequeno da exposição à IA sobre a empregabilidade das demais faixas etárias. “O trabalhador mais velho, em geral, tem como função tomar decisões, não fazer os trabalhos mais básicos e burocráticos. E tomar decisões não é algo que se vê, ainda, na IA”, diz o pesquisador.

    Sobre a queda da renda, a avaliação de Duque é que a tecnologia está reduzindo o valor das tarefas mais padronizadas, ou seja, exatamente aquelas que são a porta de entrada para muitas carreiras administrativas.

    O pesquisador afirma que os números devem ser vistos com cautela, já que a janela de dados disponíveis ainda é curta e os dados sobre as profissões mais expostas à IA são preliminares. “Mas sem dúvida é um pouco assustador já ver um impacto tão forte da IA sobre a empregabilidade”, afirma o pesquisador. “Com o tempo, todos os tipos de trabalho, alguns mais do que outros, serão afetados.”

    O estudo de Duque aprofunda um levantamento feito pelos pesquisadores Fernando de Holanda Barbosa Filho, Janaína Feijó e Paulo Peruchetti, do FGV Ibre, que, com base em uma metodologia da OIT (Organização Internacional do Trabalho), concluiu que quase 30 milhões de trabalhadores no Brasil estavam em ocupações com algum grau de exposição à IA generativa no terceiro trimestre do ano passado. Isso é equivalente a 29,6% da população ocupada.

    Desse total, cerca de 5,2 milhões estavam no nível mais elevado de exposição, em especial os mais jovens, mais escolarizados, na região Sudeste e trabalhando no setor de serviços, com destaque para informação e comunicação e serviços financeiros.

    O economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4intelligence, diz que a inteligência artificial está automatizando “rotinas mais repetitivas” e exercidas em “posições iniciais” no mercado de trabalho.

    “Não é algo exclusivo do Brasil. Já vinha sendo observado principalmente no mercado de trabalho americano.”

    Pesquisa feita pela Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, mostra que trabalhadores em início de carreira (entre 22 e 25 anos) em ocupações altamente expostas à IA, como desenvolvedores de software e representantes de atendimento ao cliente, sofreram declínios substanciais no emprego.

    A ocupação de jovens desenvolvedores de software, por exemplo, caiu quase 20% do final de 2022 até setembro de 2025. O levantamento mostra que, enquanto o emprego total na economia continuou a crescer de forma robusta, o crescimento para trabalhadores jovens estagnou desde o final de 2022.

    Imaizumi é autor de um estudo que, em maio de 2025, estimou o número de profissionais brasileiros expostos à IA sob diferentes níveis.

    Ao atualizar os dados para uma média do ano passado, ele calcula que 30,5% da população ocupada com trabalho no país possa ser afetada de alguma forma pela inteligência artificial e que uma parcela de 5,3% esteja sujeita a uma exposição maior, com alto risco de ter todas as suas tarefas automatizadas.

    Nesse grupo mais ameaçado, há grande presença de vagas no setor público, que contam com proteção maior do que na iniciativa privada, pondera Imaizumi.

    “Enxergo hoje um potencial muito grande de eficiência para o setor público. Como essas posições geralmente são mais protegidas, com pessoas concursadas, a gente pode ver uma migração de tarefas.”
    Para Duque, é difícil saber quais serão as consequências do impacto negativo da IA sobre o trabalho do grupo.

    “Se os jovens já começam no mercado de trabalho com maiores dificuldades, isso tem consequências imprevisíveis”, diz. “Eles já chegam com salários baixos e acumulam menos experiência do que no passado. Quando substituírem a antiga geração, muito provavelmente terão produtividade menor e menos poupança.”

    IA já reduz emprego e renda de jovens brasileiros, diz estudo

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  • Boticário dribla mercado fraco e encurta distância para a líder Natura

    Boticário dribla mercado fraco e encurta distância para a líder Natura

    O grupo ampliou sua participação no mercado brasileiro de beleza e cuidados pessoais para 15,5%, enquanto a Natura, controladora das marcas Natura e Avon, atingiu 15,7%, segundo dados da Euromonitor. A diferença entre as duas gigantes foi de 0,2 ponto porcentual, o menor nível já registrado, segundo análise do Bradesco BBI.

    Em meio à desaceleração do mercado de beleza no Brasil, o Grupo Boticário tem sustentado o crescimento e reduzido a distância para a líder Natura. Apoiada no uso de tecnologia e dados para integrar canais, a companhia atingiu R$ 38,1 bilhões em vendas ao consumidor (GMV) em 2025 e projeta manter a trajetória de expansão.

    O grupo ampliou sua participação no mercado brasileiro de beleza e cuidados pessoais para 15,5%, enquanto a Natura, controladora das marcas Natura e Avon, atingiu 15,7%, segundo dados da Euromonitor. A diferença entre as duas gigantes foi de 0,2 ponto porcentual, o menor nível já registrado, segundo análise do Bradesco BBI.

    A disputa se intensifica nas categorias mais relevantes do setor. Em cuidados com a pele e fragrâncias, que somam cerca de 40% do mercado, a Natura perdeu entre 0,8 e 1,5 ponto porcentual de participação, enquanto o Grupo Boticário avançou entre 0,7 e 1,2 ponto nos mesmos segmentos.

    A consolidação do programa de fidelidad Beautybox também contribuiu para o desempenho. A base ativa de clientes somou 26 milhões no ano passado, após unificar a experiência do consumidor entre as marcas O Boticário e Quem Disse, Berenice?. Os lançamentos também seguiram relevantes: 27% das vendas ao consumidor em 2025 vieram de produtos lançados há menos de um ano.

    O avanço da companhia paranaense ocorre em contraste com o momento da principal concorrente. A Natura registrou receita líquida de R$ 22,2 bilhões em 2025, queda de 5%, em meio à conclusão do processo de simplificação do grupo e à integração das operações da Natura e da Avon na América Latina.

    No setor como um todo, o crescimento perdeu ritmo. O mercado brasileiro de beleza movimentou R$ 187 bilhões em 2025, com alta de 6,8% no ano, abaixo da expansão de 10% registrada em 2024. O e-commerce, por sua vez, segue como o canal de maior crescimento, avançando 19% no período e já representa cerca de 12,7% do mercado.

    Para o presidente do grupo, Fernando Modé, o arrefecimento do consumo das famílias que saiu de alta de 5,1% em 2024 para 1,3% no ano passado ajuda a explicar a desaceleração do setor. \”Somos um setor bem resiliente, que cresce mais que os outros, mas não somos imunes ao ambiente macroeconômico\”, disse em entrevista ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

    Tecnologia

    Para o CEO, a tecnologia é a sustentação do negócio. \”Sem essa evolução em tecnologia, a gente não conseguiria fazer nem metade do que fazemos hoje\”, afirmou. Ao longo dos últimos anos, a empresa internalizou o desenvolvimento de sistemas e integrou dados e canais, criando uma base única que conecta o e-commerce, as lojas físicas e a venda direta.

    Na prática, essa integração permite ao Grupo Boticário acompanhar o comportamento do consumidor entre diferentes canais e transformar essas informações em recomendações no momento da compra. Uma busca feita no aplicativo ou no site, por exemplo, pode orientar a atuação da consultora na loja física, que passa a ter acesso ao histórico e às preferências do cliente em tempo real, tornando a interação menos fragmentada e mais alinhada ao que o consumidor já demonstrou interesse.

    Um dos principais desdobramentos dessa infraestrutura tecnológica é o programa de fidelidade Beautybox. Lançado em 2024 e com investimento de R$ 35 milhões, o programa reúne benefícios como descontos e frete grátis, além elementos de gamificação para engajar os consumidores.

    Eficiência

    O grupo projeta crescimento em 2026 na mesma ordem de 2025 e afirma ter intensificado a busca por eficiência operacional. \”Estamos longe do ponto de chegada. Mas vamos evoluir sempre, fazendo mais do mesmo\”, disse Modé.

    A estratégia inclui a otimização do quadro de tecnologia, que passou de 3,5 mil para 2,8 mil profissionais, além do uso da base de consumidores para orientar lançamentos e da análise de dados, como algoritmos de geolocalização, para definir a abertura de lojas. Também envolve a integração de ecossistemas, com a marca Quem Disse, Berenice?, por exemplo, passando a ser vendida em 1,3 mil unidades de O Boticário em 2025.

    A companhia pretende manter o ritmo de abertura de cerca de 100 lojas por ano. Em 2025, a marca O Boticário inaugurou 113 unidades, alcançando cerca de 4 mil pontos em 16 países. A expansão é orientada por dados, com base no comportamento do consumidor e no potencial das regiões.

    Boticário dribla mercado fraco e encurta distância para a líder Natura

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  • Vorcaro já usava ciranda financeira ao comprar banco que virou o Master, mostra BC

    Vorcaro já usava ciranda financeira ao comprar banco que virou o Master, mostra BC

    A trama envolve a circulação de recursos entre empresas do próprio controlador, sem entrada real de recursos externos.

    NATHALIA GARCIA
    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Daniel Vorcaro tentou comprar o Banco Máxima, instituição que deu origem ao Master, usando um embrião do esquema de ciranda financeira que hoje está sob investigação, mostra documento do Banco Central que propôs o veto à operação em fevereiro de 2019. A trama envolve a circulação de recursos entre empresas do próprio controlador, sem entrada real de recursos externos.

    Naquele momento, Vorcaro e outros pretendentes não conseguiram comprovar a origem dos recursos que seriam destinados a capitalizar o Máxima nem convencer o BC de que tinham capacidade econômica para assumir o controle do banco.

    Procurada desde terça-feira (14) para falar sobre os problemas na compra do Máxima, a defesa de Vorcaro na quis se manifestar.

    A estrutura usada pelo ex-banqueiro é detalhada por Sidnei Corrêa Marques, na época diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução do BC e relator do processo. A reportagem teve acesso a dois documentos que se tornaram públicos via LAI (Lei de Acesso à Informação).

    O BC apontou que, conforme documentação apresentada, tanto os recursos usados para a compra das ações de Saul Sabbá (então controlador do Máxima), por R$ 40 milhões, quanto os aportes adicionais de capital feitos por Vorcaro no banco, de R$ 48,1 milhões e R$ 22,5 milhões, tiveram origem na distribuição de resultados da Viking Participações, empresa que ficou conhecida por ser dona de aeronaves que ele costumava usar. O que, por sua vez, decorreu da reavaliação de ativos -terrenos e fundos de investimento.

    Os técnicos do BC suspeitaram se tratar de “circularização” de recursos -prática em que o dinheiro apenas circula entre empresas ligadas, sem entrada real de novos recursos. Segundo investigações, essa manobra foi usada por Vorcaro no caso do Master.

    O diretor afirmou que a fiscalização do BC apurou que “expressiva parcela de recursos para realizar a aquisição das ações do atual controlador foram originados no próprio Banco Máxima, mediante transferências em sequência de recursos entre a instituição, empresas de propriedade de Daniel Vorcaro e fundos de investimento”.

    Questionado durante o processo, de acordo com o documento, Vorcaro não apresentou elementos que elucidassem a origem dos recursos de forma “clara e inequívoca”.

    Boa parte do detalhamento da ciranda financeira está tarjada no documento do BC. Nos trechos que não estão sob sigilo, a autarquia descreve que, em 2016, as demonstrações financeiras da Viking registravam investimentos no valor de R$ 112,5 milhões.

    Os documentos retratavam a participação da empresa em outras duas sociedades, a WWS e Superávit, que entre 2015 e 2016 registraram valorizações extraordinárias em imóveis (4.800% e 600%, respectivamente). O Banco Central identificou fragilidade nos laudos que embasavam esses resultados contábeis da Viking, pelo modo como o patrimônio dessas duas empresas foi calculado.

    Após a reavaliação dos ativos, a firma subscreveu, em 1º de setembro de 2017, aproximadamente 2,6 milhões de cotas do fundo Brazil Realty mediante a transferência de mais de 500 mil ações da WWS (54,67% do seu capital social).

    Naquele mesmo mês, a Viking fez uma nova subscrição de cotas do fundo (mais de 2,1 milhões), mediante a transferência das ações restantes da WWS.

    Vorcaro é investigado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) por causa de operações do Brazil Realty, um fundo de investimento imobiliário fechado, por práticas como a superavaliação de ativos.

    “O Banco Máxima, presidido por Daniel Vorcaro, não apresentou qualquer documento ou informação que demonstre, de forma clara e inequívoca, a origem dos recursos utilizados na aquisição do controle e nos aumentos de capital da instituição, não estando satisfeitos, por conseguinte, os comandos normativos que exigem a demonstração da regular origem dos recursos”, disse o diretor do BC no voto.

    O escopo da operação para a compra do Máxima foi modificado ao longo do processo. Em 15 de setembro de 2017, Vorcaro compraria de Sabbá ações representativas de 56,87% do capital do banco, por R$ 40 milhões. Posteriormente, a forma de pagamento foi alterada para R$ 36 milhões em cotas do fundo Brazil Realty e R$ 4 milhões em espécie.

    Em 16 de janeiro de 2019, ficou acertado que entrariam outros participantes no negócio: Augusto Lima (10% de ações), Bruno Guedes (3%), Yan Tironi (3%), Alexandre Seguim (3%), Antonio Neto (3%), Felipe Simonsen (1,75%) e Armando Gallo (1,75%).

    O Banco Máxima enfrentava dificuldades financeiras e estava à beira de ser liquidado pelo BC.

    Um ex-integrante do Banco Central avalia que o dano ao sistema financeiro teria sido muito menor se a liquidação do Máxima tivesse ocorrido logo após a rejeição da compra por Vorcaro, em fevereiro de 2019 ou até antes, já que o tamanho do problema para o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) só foi crescendo.
    Do início das tratativas, em 2017, até a aprovação da compra do Máxima por Vorcaro, em outubro de 2019, a conta a ser paga pelo FGC quase triplicou e já estava próxima de R$ 4 bilhões. Hoje, as liquidações ligadas ao conglomerado Master (rebatizado em 2021) somam rombo de mais de R$ 50 bilhões no fundo.

    PLANO DE NEGÓCIOS REVISADO

    Após a rejeição, Vorcaro apresentou um plano de negócios revisado, com novos produtos, como a aquisição de recebíveis com lastro em LCA (Letra de Crédito do Agronegócio) e cartão consignado do Estado da Bahia. Além disso, ele sozinho aportou R$ 70 milhões no Máxima, com mais R$ 30 milhões dos outros sócios, entre março e junho de 2019.

    “A origem dos recursos foi regularmente demonstrada por todos os novos acionistas, conforme avaliado pelo Departamento de Organização do Sistema Financeiro”, disse o então diretor João Manoel Pinho de Mello no documento que recomendou a aprovação da compra oito meses depois da negativa. Em ambos os casos, as decisões foram tomadas pela diretoria colegiada por unanimidade.

    O BC entendeu que Vorcaro, na nova tentativa, demonstrou capacidade econômica para ser acionista controlador, o que foi crucial para a decisão favorável ao negócio.

    “No presente processo, foram feitas novas avaliações pelo Deorf [Departamento de Organização do Sistema Financeiro], com base na documentação encaminhada pelo interessado, em que se verificou a compatibilidade das projeções com os resultados das suas empresas até 31 de dezembro de 2018, os quais foram distribuídos parcialmente em 2019, demonstrando que o total de recursos esperados para este ano está realmente se concretizando”, complementou.

    Como mostrou a Folha de S. Paulo, no BC havia quem defendesse arrastar as tratativas. Mas pesou o fato de que Vorcaro passou a cumprir todos os requisitos objetivos analisados pelo órgão, o que poderia gerar problemas jurídicos à instituição se não fosse dada a aprovação.

    Vorcaro já usava ciranda financeira ao comprar banco que virou o Master, mostra BC

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  • Empresas de energia renováveis suspendem quase R$ 40 bi em investimentos e avaliam deixar Nordeste

    Empresas de energia renováveis suspendem quase R$ 40 bi em investimentos e avaliam deixar Nordeste

    O cenário se dá em razão de uma série de fatores. Além do lento crescimento da demanda por energia e o “curtailment” (corte forçado na geração), problemas já conhecidos, representantes do setor reclamam de uma recente elevação dos custos de operação, com a perda de vantagens fiscais e o aumento de exigências.

    JOÃO GABRIEL
    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Empresas do setor de energia renovável avaliam migrar do Nordeste, região de condições climáticas favoráveis à geração eólica e solar, para outros locais do Brasil, suspendendo investimentos próximos a R$ 38,8 bilhões entre 2025 e 2026.

    O cenário se dá em razão de uma série de fatores. Além do lento crescimento da demanda por energia e o “curtailment” (corte forçado na geração), problemas já conhecidos, representantes do setor reclamam de uma recente elevação dos custos de operação, com a perda de vantagens fiscais e o aumento de exigências.

    Integrantes do governo Lula (PT) ponderam que os benefícios fiscais concedidos no passado para impulsionar essas fontes alternativas não são mais necessários, uma vez que elas já ganharam espaço na matriz energética nacional. Com o mercado consolidado, dizem, agora é necessário ajustar a política tributária, para evitar que vantagens às energias eólicas e solares gerem um desequilíbrio no sistema energético nacional, encarecendo a conta ao consumidor.

    Procurado por meio de sua assessoria de imprensa desde o último dia 27 de março, o Ministério de Minas e Energia não se manifestou até a publicação deste texto.

    A maior parte dos empreendimentos de energia renovável está no Nordeste, região que é abundante em sol e vento. A pedido da reportagem, a Absolar e a Abeólica (associações que representam respectivamente as geradoras de energia solar e eólica) calcularam o impacto da crise no setor.

    A primeira entidade afirmou que, durante o ano de 2025, 141 usinas devolveram suas outorgas. Elas somariam R$ 18,9 bilhões.

    A Absolar acrescenta que, na comparação entre o projetado e o realizado no último ano, houve outros R$ 5,9 bilhões em investimentos frustrados.

    Já a Abeólica disse que a desaceleração do crescimento do setor gerou cerca de R$ 14 bi em investimentos suspensos.

    “Essa crise se agravou principalmente a partir de 2023, 2024 e o Nordeste, que recebe mais de 95% dos investimentos, está sofrendo. Nós temos inclusive fábricas no Nordeste demitindo e fechando por falta de investimento, de novos projetos”, afirma Elbia Gannoum, diretora-executiva da associação.

    A Casa dos Ventos, uma das principais empresas de renováveis do país, é uma das companhias que admite reduzir investimentos no Nordeste e recalcular sua rota para apostar em projetos em Mato Grosso e no Rio Grande do Sul.

    Procurada, a empresa informou que investe “tanto no Nordeste quanto em outras geografias”.

    Mato Grosso do Sul e o Rio Grande do Sul surgem como alternativas, pois, apesar de não terem condições climáticas tão favoráveis quanto as do Nordeste, estão mais próximos dos polos consumidores.

    O aumento do custo de geração tem explicação em dois dispositivos aprovados em 2025, na Medida Provisória 1304. Esse texto nasceu da pretensão do governo em reorganizar o setor elétrico, que acabou frustrada pela força dos lobbies no Congresso.

    A medida criou dispositivos para impulsionar o setor de baterias, com o objetivo de resolver o curtailment.

    Esse corte forçado de geração ocorre porque a quantidade produzida por fontes renováveis varia de acordo com o vento e o sol. Em momentos de pico, é necessário tirar essas usinas da tomada para evitar uma sobrecarga que pode colapsar a rede nacional.

    A medida, porém, traz prejuízo a essas usinas. Como mostrou a Folha de S. Paulo, o país hoje desperdiça o equivalente a uma usina de Belo Monte em razão do curtailment.

    Uma das formas mais eficazes de resolver o problema é usando baterias para guardar o excesso de energia gerado nas horas de pico para ser consumido quando o consumo aumenta.

    A medida provisória estabeleceu que apenas podem ter acesso ao Reidi (Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura), que dá desconto de impostos a usinas de geração solar e eólica, as que sejam integradas a sistemas de armazenamento.

    Na prática, as entidades reclamam que isso limitou o poder de investimento de algumas empresas.

    “O texto ocasionou um retrocesso, criando falta de isonomia para a fonte solar frente a outras tecnologias, ao restringir o acesso ao Reidi. Este tipo de requisito e limitação não existe para nenhuma outra fonte no Brasil”, afirmou a entidade.

    Outro dispositivo criticado é o repasse dos custos da reserva de capacidade para os novos empreendimentos. Essa reserva é a contratação de usinas para serem acionadas em momentos de baixa produção, mas alta demanda. Como as energias renováveis são intermitentes (não geram todo o tempo), há necessidade de contratar mais geradores de reserva.

    A exigência imposta a novos empreendimentos, segundo a entidade, encarece o custo, desestimula novos investimentos e “pode pressionar economicamente os projetos de geração renovável”.

    Além disso, as entidades se queixam que a Aneel aprovou, em 2022, duas resoluções que aumentam a taxa a ser paga pelas geradoras de energia à medida que elas estão mais distantes dos principais polos consumidores do país, como o Sul e o Sudeste.

    A Absolar avalia que isso “aumentou os custos de uso da rede para usinas situadas longe dos centros de carga, especialmente no Norte e Nordeste” e “pode deslocar os projetos fotovoltaicos”, o que já está acontecendo.

    “Os atos normativos em questão foram resultado de mais de cinco anos de debate, e após aprovação, tiveram seus efeitos e aplicação modulada de forma a trazer previsibilidade e adaptabilidade dos agentes”, rebate a Aneel.

    Dada a insatisfação do setor e sua capacidade de mobilização de parlamentares no Congresso, há, na Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal, um projeto para derrubar essas resoluções.

    Representantes das renováveis afirmam ainda que o Executivo tem demorado para realizar o leilão de contratação de baterias, que poderia resolver o problema do curtailment e reduzir o prejuízo às usinas.

    Reclamam que, ao invés disso, foi feito um leilão para reserva de capacidade cuja maior parte dos vencedores é composta por empresas de geração a gás e a carvão, combustíveis fósseis poluentes.

    “A gente precisa realmente ter uma solução porque, do contrário, vamos perder oportunidade de investir num país que tem uma grande potencialidade diante da transição energética. A situação de fato é preocupante”, diz Elbia.

    Há uma avaliação geral de que a chegada de data centers poderia impulsionar o setor de energia, se abastecidos com renováveis, pois consomem quantidades enormes de eletricidade -por outro lado, são criticados por exigir muita água.

    A criação de um programa nacional para esses empreendimentos, porém, está travado no Congresso Nacional.

    Empresas de energia renováveis suspendem quase R$ 40 bi em investimentos e avaliam deixar Nordeste

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  • Saiba como vai funcionar o cashback da restituição automática do IR

    Saiba como vai funcionar o cashback da restituição automática do IR

    Quem não foi obrigado a declarar em 2025 e, de acordo com cálculos da Receita Federal, teve direito à restituição de até R$ 1.000, poderá receber o dinheiro de volta em conta via Pix em um lote a ser pago no dia 15 de julho deste ano. Porém, para isso, há algumas exigências.

    Uma das maiores novidades da declaração do Imposto de Renda de 2026 vai impactar, curiosamente, pessoas que não prestaram contas ao fisco no ano passado.

    Trata-se da restituição automática, chamada de cashback pela própria Receita Federal. 

    Quem não foi obrigado a declarar em 2025 e, de acordo com cálculos da Receita Federal, teve direito à restituição de até R$ 1.000, poderá receber o dinheiro de volta em conta via Pix em um lote a ser pago no dia 15 de julho deste ano. Porém, para isso, há algumas exigências.

     

    • Estar com o CPF em situação regular (sem dívida ou outra pendência)
    • Estar com dados bancários atualiados, como chave Pix vinculada ao CPF
    • Não ter restrição junto à Receita Federal

    A Receita Federal estima que 4 milhões de brasileiros deverão receber a restituição automática e que o valor médio de recebimento será de R$ 125.

    >> Ouça na Radioagência Nacional

    Como saber se você está nesta lista? 

    O contribuinte será avisado pelos canais oficiais da Receita Federal, como o aplicativo Meu Imposto de Renda, portal do e-CAC, portal do contribuinte ou até mesmo no site da Receita Federal (na aba consulta pública das restituições).

    “Caso o contribuinte cheque que tem restituição e a Receita não tenha feito essa inclusão na base do lote residual, ele pode entrar com um recurso demonstrando que ele tinha direito, pelo e-Processo da Receita Federal, e buscar esse valor para ele de volta”, explica o vice-presidente de Desenvolvimento Profissional do Conselho Regional de Contabilidade do Rio de Janeiro, Edilson Júnior.

    É importante destacar que, na realidade, essa restituição se refere ao ano-calendário de 2024, ou seja, a declaração do Imposto de Renda de 2025.

    Eventuais valores relativos ao ano-calendário de 2025 e à declaração de 2026 só serão pagos no ano que vem.

    Edilson Júnior alerta que vale a pena o contribuinte entregar a declaração deste ano, mesmo sabendo que terá direito ao cashback não sendo obrigado a declarar. 

    “Com certeza, porque quando você declara, você antecipa. Quem fez a declaração em 2025 recebeu, no ano passado mesmo, a restituição, e não só agora com o cashback. Ou seja, você deve fazer a declaração mesmo sem estar obrigado para ter esse dinheiro de volta”.

    O prazo para a entrega da declaração do Imposto de Renda vai até 29 de maio deste ano.

    Qual é a ordem de recebimento da restituição do IRPF?

    A Receita Federal estima que cerca de 23 milhões de contribuintes devem receber a restituição neste ano. Em 2026 serão quatro lotes, pagos nos dias:

    • 29 de maio
    • 30 de junho
    • 31 de julho
    • 28 de agosto

    De acordo com a Receita Federal, 80% dos contribuintes devem ser restituídos nos dois primeiros lotes. A expectativa é de que até junho o dinheiro já esteja na conta.

    Como é a lista de prioridades nas restituições?

    Existem grupos prioritários para receber a restituição do Imposto de Renda: 

    • idosos com 80 anos ou mais;
    • idosos a partir de 60 anos, pessoas com deficiência ou doença grave;
    • professores cuja maior fonte de renda seja o magistério.

    Depois desses grupos, passam a ter prioridade os contribuintes que utilizarem a declaração pré-preenchida e optarem por receber a restituição via Pix, com chave vinculada ao CPF.

    Como saber exatamente a data em que vai receber a restituição?

    É só consultar via internet, na página da Receita Federal, no aplicativo ou diretamente no site www.restituicao.receita.fazenda.gov.br.

    O contribuinte precisa informar o CPF e a data de nascimento.

    Mas saiba que, enquanto a declaração estiver na malha fina, não tem pagamento de restituição.

    “A restituição do imposto de renda só pode ser creditada em conta corrente, conta poupança ou conta de pagamento pertencente ao CPF do titular da declaração, ou via Pix, desde que a chave seja o CPF do titular da declaração”, alerta o professor do Centro Universitário UDF, Deypson Carvalho.

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