Categoria: ECONOMIA

  • Acordo Mercosul-União Europeia pode ser assinado no sábado

    Acordo Mercosul-União Europeia pode ser assinado no sábado

    Itamaraty aponta que há, no entanto, preocupações com relação às salvaguardas que deverão ser apresentadas pelo bloco europeu

    O governo brasileiro trabalha com a expectativa de que o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia (UE) seja assinado no próximo dia 20, durante a 67ª Cúpula do Mercosul e Estados Associados. De acordo com o Itamaraty, há, no entanto, preocupações com relação às salvaguardas que deverão ser apresentadas pelo bloco europeu.

    “Nossa expectativa é de assinar o acordo no sábado, mas, de fato, as salvaguardas são motivo de preocupação”, disse, nesta segunda-feira (15), a secretária de América Latina e Caribe, Gisela Padovan, do Ministério das Relações Exteriores (MRE).

    A afirmação foi durante coletiva de imprensa para detalhar a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na cúpula de chefes de Estado, no dia 20 em Foz do Iguaçu (PR). O encontro deverá contar com a participação da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

    Mercosul

    No dia 19, um dia antes do encontro de chefes de Estado, está prevista uma reunião prévia do bloco, entre ministros das áreas econômicas.

    As reuniões de autoridades abordarão temas como a entrada de novos membros no bloco, além de questões de interesse comum, como os problemas causados por conta das mudanças climáticas.

    Segundo Gisela Padovan, o Brasil trabalha para incluir a Bolívia como Estado Parte do Mercosul. “Diversas reuniões têm sido feitas com esse objetivo, para que [a Bolívia] entre rápido [no bloco]”, disse a secretária, ao ponderar que, para isso, é necessário checar se alguns pré-requisitos já foram cumpridos por aquele país.

    Há também movimentos buscando aproximar o Mercosul de países da América Central e do Caribe. “As conversas com a República Dominicana estão avançando”, antecipou a secretária.

    Padovan reiterou que o Brasil sempre lutou para integrar os setores automotivo e açucareiro na Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul, saindo das atuais exceções e acordos bilaterais (como Brasil-Argentina), para criar uma política comum gradual.

    A secretária lembrou que, nesta edição, o encontro contará também com uma cúpula social. “Será uma oportunidade para que entidades da sociedade civil manifestem suas questões diretamente com os chefes de Estado”, disse Padovan.

    Salvaguardas

    As salvaguardas, citadas em tom de preocupação pela secretária, estão sendo criadas pelo parlamento europeu como forma de proteger o mercado europeu dos produtos agropecuários do Mercosul – em muitos casos com melhores condições de concorrência do que os produtos do velho continente.

    A França, maior produtor de carne bovina da União Europeia, é o país que mais tem criado dificuldades para o acordo entre os dois blocos. Em algumas oportunidades, representantes franceses classificaram o acordo como “inaceitável”, sob o argumento de que não leva em consideração exigências ambientais na produção agrícola e industrial.

    Agricultores europeus já protestaram diversas vezes, dizendo que o acordo levaria a importações baratas de commodities sul-americanas, principalmente carne bovina, que não atendem aos padrões de segurança alimentar e ecológicos do bloco europeu.

    Da parte brasileira, há também preocupações com relação a práticas sustentáveis que podem ser usada pelo bloco europeu como desculpa para aplicar medidas de proteção de seu mercado contra produtos de países de fora do bloco.

    Mercosul e União Europeia negociam esse acordo de livre comércio há 26 anos. Durante o encontro com a imprensa, a secretária do Itamaraty lembrou que a União Europeia é um mercado de aproximadamente 720 milhões de pessoas, com um PIB de US$ 22 trilhões.

    Histórico

    A União Europeia e o bloco formado pela Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai completaram as negociações sobre o acordo em dezembro passado, cerca de 25 anos após o início das conversações. Serão firmados dois textos: o primeiro de natureza econômica-comercial, que é de vigência provisória, e um acordo completo.

    Em setembro, eles foram submetidos formalmente pela Comissão Europeia ao Parlamento Europeu e aos estados-membros do bloco europeu. O Parlamento Europeu precisa aprovar com votos favoráveis de 50% dos deputados mais um, o que pode ter resistências de países como a França, que questionam termos do acordo.

    Além disso, pelo menos 15 dos 27 países precisam ratificar o texto, representando pelo menos 65% da população total da União Europeia, o que pode levar vários anos. Quando o acordo completo entrar em vigor, ele substituirá o acordo comercial provisório.

    Os países do Mercosul precisam fazer o mesmo e submeter o documento final aos seus parlamentares, mas a entrada em vigor é individual, ou seja, não é preciso esperar a aprovação dos parlamentos dos quatro estados-membros.

    Acordo Mercosul-União Europeia pode ser assinado no sábado

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  • Alckmin: País deve atingir US$ 345 bi em exportações e US$ 629 bi em corrente de comércio

    Alckmin: País deve atingir US$ 345 bi em exportações e US$ 629 bi em corrente de comércio

    Em evento, Alckmin lembrou de acordos internacionais do Mercosul com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA, na sigla em inglês) e com Cingapura; também destacou negócios fechados com diversos países

    O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, disse nesta segunda-feira, 15, que o Brasil vai atingir um recorde de US$ 345 bilhões em exportações em 2025. A corrente de comércio do País também deve ser recorde, com US$ 629 bilhões, afirmou.

    Nós vamos bater, presidente, este ano, recorde, mesmo com o mundo crescendo menos e com preços menores”, disse Alckmin, ao lado do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em um evento de celebração pela abertura de 500 mercados internacionais entre 2023 e 2025, e de inauguração da sede da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex).

    No seu discurso, o vice-presidente lembrou de acordos internacionais do Mercosul com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA, na sigla em inglês) e com Cingapura, e disse que o bloco conquista mercado com o acordo com a União Europeia, que deve sair nos próximos dias.

    Alckmin disse, ainda, que a reforma tributária vai desonerar as exportações, o que deve levar a uma expansão do setor.

    Ele também celebrou as negociações com os Estados Unidos, que reduziram o total de produtos brasileiros tarifados pelo país, e destacou que o esforço continua.

    Alckmin: País deve atingir US$ 345 bi em exportações e US$ 629 bi em corrente de comércio

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  • Receita amplia a 173 número de benefícios tributários na Declaração de Incentivos e Renúncias

    Receita amplia a 173 número de benefícios tributários na Declaração de Incentivos e Renúncias

    A Receita Federal ampliou para 173 os benefícios tributários que devem ser informados na Dirbi, incluindo 85 novos, principalmente ligados ao PIS/Pasep e à Cofins. A medida busca maior transparência e controle fiscal, além de atualizar regras após a perda de validade da MP sobre compensação de créditos.

    A Receita Federal publicou uma instrução normativa nesta segunda-feira, 15, que amplia para 173 o número de benefícios tributários que precisam ser informados na Declaração de Incentivos, Renúncias, Benefícios e Imunidades de Natureza Tributária (Dirbi). São 85 novos benefícios que entram na conta.

    “A medida tem como objetivo melhorar o controle, a transparência e a gestão dos benefícios fiscais e dos regimes especiais de tributação, conforme previsto na legislação vigente. Essas informações são fundamentais para aprimorar a gestão das políticas públicas e o acompanhamento do gasto tributário”, disse o órgão em nota.

    Segundo a Receita, a maior parte desses novos benefícios que deverão ser informados são relacionados ao PIS/Pasep e à Cofins.

    A nova norma também atualiza regras depois que a MP que previa condições para compensação de créditos relativos a tributos administrados pela Receita perdeu a validade.

    Receita amplia a 173 número de benefícios tributários na Declaração de Incentivos e Renúncias

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  • Funcionários da Petrobras entram em greve por tempo indeterminado

    Funcionários da Petrobras entram em greve por tempo indeterminado

    A paralisação, que atinge todo o país, foi aprovada na última sexta-feira (12), após a contraproposta apresentada pela companhia nas negociações do acordo coletivo de trabalho (ACT) ter sido rejeitada

    (FOLHAPRESS) – Os trabalhadores da Petrobras estão em greve desde a 0h desta segunda-feira (15), por tempo indeterminado. A paralisação, que atinge todo o país, foi aprovada na última sexta-feira (12), após a contraproposta apresentada pela companhia nas negociações do acordo coletivo de trabalho (ACT) ter sido rejeitada.

    Segundo Sérgio Borges, coordenador-geral do Sindipetro-NF, estão mobilizados os 14 sindicatos da FUP (Federação Única dos Petroleiros), que representa em torno de 25 mil empregados e opera 61% das unidades da Petrobras, e os da FNP (Federação Nacional dos Petroleiros), que representa mais de 50 mil trabalhadores e opera 80% da extração de petróleo do país.

    Procurada pela Folha de S.Paulo, a Petrobras não se manifestou até a publicação desta reportagem.

    A greve ocorre após mais de três meses de negociações sem acordo. Para a FUP, a proposta da estatal não contempla os principais pontos aprovados pela categoria: a retomada de direitos retirados em gestões anteriores, uma distribuição considerada mais justa dos resultados da empresa e o fim dos planos de equacionamento de déficit da Petros, o fundo de pensão dos funcionários.

    No campo salarial, os sindicatos criticam o reajuste oferecido: reposição da inflação do período mais ganho real de 0,5%, somando 5,66%. Os trabalhadores reivindicam 9,8%, como forma de recompor perdas acumuladas em anos sem aumento real.

    Também pesa para os sindicalistas a situação de aposentados e pensionistas, que organizaram vigílias em frente à sede da Petrobras, no Rio de Janeiro, em protesto contra os descontos relacionados ao equacionamento do fundo de pensão da companhia.

    A greve afeta unidades administrativas, plataformas e refinarias, a depender de sua duração.

    O QUE OS TRABALHADORES REIVINDICAM
    – ACT de um ano (2025-2026) e ultratividade
    – Solução para a pauta do offshore e o fim do ataque inacreditável na questão dos ‘desimplantes’
    – Reajuste na tabela da Hora Extra Troca de Turno (HETT) e a criação de uma tabela salarial única para toda a categoria, holding, subsidiárias, ativos e aposentados
    – Avanço na pauta do teletrabalho, aumento dos ‘dias coringas’ e inclusão de setores excluídos.
    – Pagamento das dívidas da Petrobras com a Petros
    – Retorno do Programa Jovem Universitário (PJU), com reembolso de 80% do valor da mensalidade, bem como benefício educacional superior extensivo aos empregados
    – O fim dos problemas constantes referentes aos embarques e a implementação do 14×21 para todos os embarcados (próprios e terceirizados)
    – Destravamento da discussão sobre o novo Plano de Cargos, Carreiras e Salários, congelada desde o início do ano
    – Reversão da mudança na área de SMS que levará a uma escala de 6×1 de médicos e dentistas, contrariando inclusive a retórica do governo federal
    – Combate ao avanço da terceirização, fim da contratação de empresas caloteiras
    – Fim do processo de privatização da PBIO
    – Isonomia alimentar, já! Concessão de vale alimentação para as unidades que têm alimentação e natura (industrial e offshore) nos termos da lei 5811/72

    Funcionários da Petrobras entram em greve por tempo indeterminado

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  • Segunda parcela do 13º salário deve ser paga até a próxima sexta-feira

    Segunda parcela do 13º salário deve ser paga até a próxima sexta-feira

    Um dos principais benefícios trabalhistas do país, o salário extra injetará R$ 369,4 bilhões na economia neste ano, segundo cálculos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese)

    A segunda parcela do décimo terceiro salário deve ser depositada a 95,3 milhões de brasileiros até a próxima sexta-feira (19). A primeira foi paga até 28 de novembro, conforme a legislação.

    Um dos principais benefícios trabalhistas do país, o salário extra injetará R$ 369,4 bilhões na economia neste ano, segundo cálculos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Em média, cada trabalhador com carteira assinada deverá receber R$ 3.512, somadas as duas parcelas.

    Essas datas valem apenas para os trabalhadores na ativa. Como nos últimos anos, o décimo terceiro dos aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) foi antecipado. A primeira parcela foi paga entre 24 de abril e 8 de maio e a segunda, entre 26 de maio e 6 de junho.

     

    Quem tem direito

    Segundo a Lei 4.090/1962, que criou a gratificação natalina, têm direito ao décimo terceiro aposentados, pensionistas e quem trabalhou com carteira assinada por pelo menos 15 dias. Com isso, o mês em que o empregado tiver trabalhado 15 dias ou mais será contado como mês inteiro, com pagamento integral da gratificação correspondente àquele mês.

    Trabalhadores em licença-maternidade e afastados por doença ou por acidente também recebem o benefício. No caso de demissão sem justa causa, o décimo terceiro deve ser calculado proporcionalmente ao período trabalhado e pago junto com a rescisão. No entanto, o trabalhador perde o benefício se for dispensado com justa causa.

    Cálculo proporcional

    O décimo terceiro salário só será pago integralmente a quem trabalha há pelo menos um ano na mesma empresa.

    Quem trabalhou menos tempo receberá proporcionalmente. A cada mês em que trabalha pelo menos 15 dias, o empregado tem direito a um doze avos (1/12) do salário total de dezembro. Dessa forma, o cálculo do décimo terceiro considera como um mês inteiro o prazo de 15 dias trabalhados.

    A regra que beneficia o trabalhador o prejudica no caso de excesso de faltas sem justificativa. O mês inteiro será descontado do décimo terceiro se o empregado deixar de trabalhar mais de 15 dias no mês e não justificar a ausência.

    Tributação

    O trabalhador deve estar atento quanto à tributação do décimo terceiro. Sobre o décimo terceiro, incide tributação de Imposto de Renda, INSS e, no caso do patrão, Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). No entanto, os tributos só são cobrados no pagamento da segunda parcela.

    A primeira metade do salário é paga integralmente, sem descontos. A tributação do décimo terceiro é informada num campo especial na declaração anual do Imposto de Renda Pessoa Física.

     

    Segunda parcela do 13º salário deve ser paga até a próxima sexta-feira

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  • França manifesta preocupação com acordo comercial entre União Europeia e Mercosul

    França manifesta preocupação com acordo comercial entre União Europeia e Mercosul

    A pressão da França ocorre enquanto os líderes dos 27 Estados-membros da UE se preparam para uma cúpula de final de ano abordando uma ampla gama de questões, desde o orçamento da UE até a Ucrânia e as tensões globais sobre a política econômica

    O gabinete do primeiro-ministro da França, Sebastien Lecornu, expressou fortes preocupações sobre o tão esperado acordo comercial da União Europeia (UE) com países latino-americanos em sua forma atual, afirmando que o acordo ainda pode deixar os agricultores do bloco vulneráveis.

    Em um comunicado no domingo, 15, ele menciona que o acordo com Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai não é aceitável em sua forma atual, acrescentando que a agricultura e a proteção do consumidor não podem “ser sacrificadas nas negociações comerciais”.

    “Esses avanços ainda estão incompletos e devem ser finalizados e depois implementados de maneira operacional, robusta e eficaz para entregar e avaliar completamente seus efeitos completos”, disse, afirmando que o país quer que os prazos de dezembro para o acordo sejam adiados para dar ao bloco tempo para garantir o que chamou de proteções legítimas para os agricultores europeus.

    Um porta-voz da comissão disse que o executivo da UE ainda espera assinar formalmente o acordo até o final do ano. A pressão da França ocorre enquanto os líderes dos 27 Estados-membros da UE se preparam para uma cúpula de final de ano abordando uma ampla gama de questões, desde o orçamento da UE até a Ucrânia e as tensões globais sobre a política econômica.

    A Comissão Europeia, braço executivo da UE, encarregado de redigir a legislação, moveu-se para aliviar as preocupações dos integrantes em outubro, propondo adicionar salvaguardas adicionais para o setor agrícola do bloco, que inclui monitorar as tendências do mercado sobre importações como carne bovina e aves, e comprometendo-se a investigar se houver um aumento de produtos mais baratos da América do Sul ou uma queda nos preços domésticos.

     

     

    França manifesta preocupação com acordo comercial entre União Europeia e Mercosul

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  • Governo Lula afrouxou regra de socorro a estados sem respaldo técnico do Tesouro

    Governo Lula afrouxou regra de socorro a estados sem respaldo técnico do Tesouro

    Um decreto publicado no início de outubro facilitou a adesão de São Paulo ao dispensar a maior parte dos estados de instituir um teto para seus gastos como contrapartida à redução na dívida com a União. Apenas aqueles que estão em programas de recuperação, como Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás, precisarão cumprir a exigência.

    IDIANA TOMAZELLI
    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afrouxou as regras do programa de socorro a estados sem ter o respaldo técnico do Tesouro Nacional, órgão vinculado ao Ministério da Fazenda e que é o responsável pela negociação e pelo acompanhamento das dívidas estaduais.

    Um decreto publicado no início de outubro facilitou a adesão de São Paulo ao dispensar a maior parte dos estados de instituir um teto para seus gastos como contrapartida à redução na dívida com a União. Apenas aqueles que estão em programas de recuperação, como Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás, precisarão cumprir a exigência.

    Documentos obtidos pela Folha de S.Paulo por meio da LAI (Lei de Acesso à Informação) mostram que o Tesouro não havia incluído esse dispositivo na minuta de decreto de regulamentação do chamado Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados), nem mencionou a necessidade de mudança nas notas técnicas emitidas pelas áreas.

    Nos bastidores, técnicos do órgão manifestaram contrariedade com a flexibilização, incluída posteriormente no ato assinado por Lula e pelo ministro Fernando Haddad (Fazenda).

    Procurado, o Ministério da Fazenda informou que a alteração “não se deu a pedido” do órgão. “Uma vez estando a minuta de decreto na Casa Civil, a questão foi levada à avaliação da AGU [Advocacia-Geral da União], de onde veio a definição da redação”, afirmou, em nota.

    Procurados, Casa Civil e AGU não se manifestaram.

    A derrubada da exigência do teto de gastos favorece a adesão de todos os demais estados que não estão em programas de recuperação, mas o caso de São Paulo é o mais emblemático por se tratar do maior devedor da União, com um estoque de R$ 288,6 bilhões (posição de dezembro de 2024). Além disso, o estado é comandado por Tarcísio de Freitas (Republicanos), rival político do Palácio do Planalto.

    Facilitar seu ingresso levará a União a abrir mão de bilhões em receitas financeiras nos próximos anos, com impacto no endividamento do país. Essa seria mais uma razão para o Tesouro Nacional ser ouvido a respeito do tema, o que não aconteceu.

    Simulações feitas pelo próprio Tesouro no início do ano mostram que São Paulo poderia deixar de pagar à União entre R$ 7,8 bilhões e R$ 13,1 bilhões só em 2026. São recursos que ficarão no caixa do estado e que poderão ser usados para investimentos e outras despesas em ano eleitoral.

    Nos anos seguintes, esse alívio tende a ser ainda maior. No cenário mais benevolente, com juro real zero, o estado deixaria de repassar ao governo federal R$ 412 bilhões até 2047, de acordo com as estimativas preliminares.

    Por outro lado, a adesão de São Paulo também dará tração ao FEF (Fundo de Equalização Federativa), criado para redistribuir parte dos valores aos estados menos endividados. As maiores contribuições virão de quem tiver o alívio mais significativo em sua dívida com a União.

    Por isso, o ingresso de São Paulo é decisivo para irrigar o novo fundo, que deve ter como principal beneficiário o estado da Bahia, reduto do ministro Rui Costa (Casa Civil). O órgão também não se manifestou sobre esse ponto.

    Tanto a lei complementar do Propag quanto a primeira versão do decreto preveem que Poderes e órgãos dos estados beneficiados “com qualquer tipo de suspensão, postergação ou redução extraordinária de pagamento de dívida com a União” seriam obrigados a adotar o limite de gastos.

    Pela redação, isso incluiria não só estados em dificuldades e que estão no RRF (Regime de Recuperação Fiscal), mas também aqueles que renegociaram suas dívidas com base em leis de 1993, 1997 e 2016. Isso alcança 25 das 27 unidades da federação, incluindo São Paulo e estados do Nordeste.

    Tal entendimento foi, inclusive, corroborado em decisão monocrática do ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), no mês de setembro.

    Em uma ação apresentada pelo estado do Ceará, que questionava a necessidade de adotar o limite de gastos para aderir ao programa, o ministro afirmou que a lei do Propag “não menciona o grau de endividamento ou a vinculação a determinado regime jurídico-fiscal, mas sim a existência de ‘qualquer tipo’ de postergação, suspensão ou redução extraordinária” para exigir a contrapartida.

    Apesar da incomum vitória da União em batalhas judiciais contra estados envolvendo temas fiscais, o governo federal decidiu flexibilizar a exigência, contrariando a posição de técnicos das áreas econômica e jurídica do Executivo.

    Após o decreto, o governo ainda sofreu uma derrota no Congresso Nacional que, na visão de técnicos, afrouxou ainda mais as regras do Propag.

    Os parlamentares restabeleceram a possibilidade de usar o FNDR (Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional), criado na reforma tributária, para abater parte da dívida com a União.

    Estados que conseguem abater 20% do saldo devedor têm acesso à condição mais generosa do programa, com redução dos juros a zero e menor obrigação de pagamentos ao FEF. Ou seja, o alívio é maior nessas condições.

    O artigo era central para o Rio de Janeiro, que não possui muitos ativos para entregar ao governo federal em troca da redução da dívida. Mas São Paulo também demonstrou, no passado, interesse no uso do FNDR para aderir ao Propag pelas melhores condições.

    O secretário de Fazenda de São Paulo, Samuel Kinoshita, disse, em nota, que “o Propag reúne mecanismos que podem contribuir para um melhor equacionamento de obrigações e créditos” e citou a possibilidade de um “adequado encontro de contas. Ele não disse se São Paulo vai aderir ao programa, embora tenha feito indicativos nesse sentido.

    “Após a recente autorização legislativa, o estado está em fase de análise técnica e de modelagem deste componente específico dentro do seu conjunto de iniciativas voltadas à transformação econômica”, afirmou.

    Segundo ele, os efeitos esperados “são relevantes para a sustentabilidade fiscal de médio prazo”, mas evitou estimar valores, uma vez que eles dependerão das opções de adesão a serem escolhidas pela administração paulista.

    Governo Lula afrouxou regra de socorro a estados sem respaldo técnico do Tesouro

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  • Johnson & Johnson deve pagar US$ 40 mi a pacientes com câncer após uso de talco, decide júri

    Johnson & Johnson deve pagar US$ 40 mi a pacientes com câncer após uso de talco, decide júri

    Os jurados da corte superior de Los Angeles determinaram que Monica Kent tem direito a US$ 18 milhões, e Deborah Schultz e seu marido a US$ 22 milhões, após argumentos de que a Johnson & Johnson sabia havia anos que seus produtos à base de talco eram perigosos, mas não alertou os consumidores.

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Um júri da Califórnia determinou que a Johnson & Johnson pague uma indenização de US$ 40 milhões a duas mulheres que alegam que o talco fabricado pela companhia é responsável pelos seus casos de câncer de ovário. A empresa disse que irá recorrer da decisão.

    Os jurados da corte superior de Los Angeles determinaram que Monica Kent tem direito a US$ 18 milhões, e Deborah Schultz e seu marido a US$ 22 milhões, após argumentos de que a Johnson & Johnson sabia havia anos que seus produtos à base de talco eram perigosos, mas não alertou os consumidores.

    Erik Haas, vice-presidente mundial de contencioso da Johnson & Johnson, disse em um comunicado que a empresa planeja “apelar imediatamente desta decisão e espera prevalecer, como geralmente fazemos com veredictos adversos aberrantes”.

    Em maio de 2020, a Johnson & Johnson anunciou que deixaria de vender o talco Johnson’s Baby nos Estados Unidos e no Canadá, alegando que a mudança fazia parte de uma ampla reavaliação de seu portfólio de produtos em meio à pandemia.

    Mas a suspensão aconteceu na sequência de uma série de litígios envolvendo a segurança do produto.

    Nos processos judiciais, os consumidores alegam que os produtos à base de talco da empresa foram contaminados com amianto, um conhecido agente cancerígeno.

    A J&J afirmou, em 2019, que em suas análises não encontrou o material cancerígeno em seus talcos. No entanto, testes conduzidos pela agência federal de saúde dos Estados Unidos (a Food and Drug Administration) constaram que havia vestígios de amianto nos produtos da marca.

    No final de março deste ano, um juiz federal de falências em Houston (EUA) rejeitou o pedido da Johnson & Johnson para aprovar um acordo de US$ 9 bilhões com dezenas de milhares de pessoas que processam a empresa por alegações de que os produtos causaram câncer.

    Segundo informações do The New York Times, mais de 90 mil reivindicações contra a Johnson & Johnson e outras partes estão pendentes, muito mais do que os tribunais podem processar individualmente.

    Johnson & Johnson deve pagar US$ 40 mi a pacientes com câncer após uso de talco, decide júri

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  • Estrangeiros já representam 4% das contratações com carteira; quase metade são venezuelanos

    Estrangeiros já representam 4% das contratações com carteira; quase metade são venezuelanos

    Dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) mostram que, apenas entre janeiro e outubro de 2025, o saldo entre admissões e demissões de pessoas de outras nacionalidades ficou positivo em 73,4 mil (ante um total de 1,8 milhão de novas vagas).

    MAELI PRADO E GABRIELA CECCHIN
    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Em meio ao salto na imigração de países da América Latina para o Brasil e à taxa de desemprego mais baixa da história, os estrangeiros já respondem por 4% das contratações do mercado formal de trabalho brasileiro, e quase metade deles são da Venezuela.

    Dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) mostram que, apenas entre janeiro e outubro de 2025, o saldo entre admissões e demissões de pessoas de outras nacionalidades ficou positivo em 73,4 mil (ante um total de 1,8 milhão de novas vagas).

    É mais do que os 71,1 mil em todo o ano passado, quando os estrangeiros também representaram cerca de 4% dos postos de trabalho com carteira assinada, e um salto de 196,2% em relação a 2020, quando começa a série do Caged pela atual metodologia.

    As principais nacionalidades dos contratados são venezuelanos (47,8% do total de estrangeiros admitidos neste ano), haitianos (8,2% do total), argentinos (4,8%) e paraguaios (4,3%).

    Eles vêm representando uma fatia cada vez maior do mercado formal de trabalho. Em 2020, quando o mercado como um todo eliminou postos de trabalho por causa da pandemia, foram 24,8 mil contratados; em 2021, o número caiu para 5.200 mil (ou 0,19% do saldo total); em 2022, esse número saltou para 35,9 mil (1,78% do total), e em 2023, para 47,3 mil (3,2%).

    O movimento está relacionado em parte ao forte fluxo de imigração para o Brasil entre a década passada e a primeira metade desta década. De 2010 a 2025, 182, 2 milhões de estrangeiros entraram no Brasil pelos postos de fronteira, enquanto 184,2 milhões deixaram o país. Ou seja, o saldo ficou negativo em mais de 2 milhões nesse período, segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública.

    “Em termos líquidos, quando há mais saída de brasileiros do que entrada de estrangeiros, perdemos mão de obra. Mas por outro lado estamos ganhando com os estrangeiros que vêm ao Brasil”, diz Bruno Imaizumi, economista especializado em mercado de trabalho da 4intelligence.

    Além da disponibilidade maior de mão de obra estrangeira, o crescimento é inversamente proporcional à queda na taxa de desemprego. Em 2021, a desocupação estava em 12,1%; em 2022, 8,3%; em 2023, 7,6%; em 2024, 6,2%. No trimestre encerrado em outubro deste ano, ficou em 5,4%, o menor patamar da série histórica iniciada em 2012, de acordo com dados do IBGE.

    “O principal motivo para a absorção de mão de obra estrangeira é o fato de que o mercado de trabalho se encontra aquecido o suficiente”, aponta Imaizumi.

    Ele lembra que a rotatividade do mercado de trabalho está em patamar recorde no Brasil, atingindo 36,1% dos trabalhadores formais nos últimos 12 meses encerrados em outubro. No pré-pandemia, no início de 2020, estava abaixo de 25%.

    Os estrangeiros são contratados principalmente para vagas em segmentos onde há dificuldade de se achar funcionários, como o posto de alimentador de linha de produção, que lidera as contratações de quem vem de fora do país (saldo positivo de 13,8 mil até outubro).

    Um levantamento feito pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) ajuda a explicar: 20,5% das indústrias paulistas que procuraram novos empregados entre o início de 2024 e março deste ano não conseguiram contratar.

    Entre as vagas mais ocupadas por estrangeiros, estão ainda faxineiros (5.300), açougueiros (4.700) e serventes de obras (4.100).
    “Há escassez de mão de obra brasileira para essas funções e para outras também”, aponta o professor sênior da Faculdade de Economia da USP e coordenador do salariômetro da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) Hélio Zylberstajn. “E para os países da América Latina, o Brasil virou um polo de atração.”

    Dados do Censo 2022 do IBGE mostram que, entre 2010 e 2022, houve um aumento de 2.900 para 271,5 mil venezuelanos chegando ao Brasil, em meio ao agravamento das dificuldades socioeconômicas da Venezuela durante a ditadura de Nicolás Maduro.

    É o caso da venezuelana Maria Hernandez, 32, que chegou ao Brasil com sua família em 2019 com a esperança de proporcionar melhores condições financeiras para sua filha, que na época tinha pouco mais de um ano.

    Ela conseguiu uma vaga com carteira assinada como analista de atendimento bilíngue, em português e espanhol, na Foundever, multinacional especializada em melhorar a experiência a consumidores. Hoje, seu cargo é de analista de treinamento.

    Formada em engenharia elétrica na Universidade José Antonio Anzoátegui, na cidade de El Tigre, Maria se tornou professora de física na Venezuela. “Eu comecei a trabalhar limpando, apesar de todos os meus estudos”, relata. “Não tenho planos de voltar. Fui muito bem acolhida aqui, minha filha mais nova é brasileira e a mais velha viveu muito mais tempo no Brasil do que na Venezuela..

    Os dados do Caged mostram que a maior parte dos venezuelanos estão sendo contratados nos estados do Sul do Brasil. Entre janeiro e outubro, 25,9 mil conseguiram emprego formal na região, com destaque para Santa Catarina, com 10,8 mil contratações, seguido do Paraná (9.300) e Rio Grande do Sul (5.600).

    O venezuelano Julio César, 27, que trabalha há seis meses como arrumadeiro em um Ibis Budget, da rede Accor, já morou em Erechim (RS), onde trabalhou por dois anos em uma empresa de ônibus, e em Cascavel (PR), onde trabalhou por nove meses em um frigorífico de frango.

    Para ele, a maior dificuldade de adaptação foi a língua. “Eu não sabia o que era copo, toalha, coisas muito simples que tive que aprender”, conta. “Quando eu morava na Venezuela, eu não tinha um emprego fixo, fazia sempre diárias. Aqui eu já consegui trabalhar por vários meses, fiquei mais estável”, comenta.

    Crises humanitárias, como o terremoto do Haiti em 2010, também explicam a expansão na chegada dos estrangeiros ao mercado de trabalho -o número de haitianos que chegaram ao Brasil saltou 106.294% em 12 anos até 2022, segundo o IBGE, passando de 54 para 57.453.

    Estrangeiros já representam 4% das contratações com carteira; quase metade são venezuelanos

    Veja Também: Gazeta Mercantil – Economia

  • Economia do País jamais poderia ser um problema para a reeleição de Lula, diz Haddad

    Economia do País jamais poderia ser um problema para a reeleição de Lula, diz Haddad

    Durante recebimento de homenagem do grupo Prerrogativas, em São Paulo, Haddad relembrou uma colocação feita pelo próprio presidente Lula mais cedo, durante cerimônia de inauguração do canal de televisão SBT News, de que o prognóstico recente de economistas não deu certo e que o que deu certo foi o Brasil.

    O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse na noite desta sexta-feira, 12, que, ao assumir o cargo, avaliou, junto a outros ministros, que a economia do País jamais poderia ser um problema para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

    Durante recebimento de homenagem do grupo Prerrogativas, em São Paulo, Haddad relembrou uma colocação feita pelo próprio presidente Lula mais cedo, durante cerimônia de inauguração do canal de televisão SBT News, de que o prognóstico recente de economistas não deu certo e que o que deu certo foi o Brasil.

    \”Ele falou, olhando para o governador de São Paulo: ‘Você viu, Tarcísio (de Freitas), que todos os prognósticos feitos pelos economistas do governo federal não deram certo’. O que deu certo foi o Brasil. O que deu certo foi a economia do País. E é motivo da gente satisfação\”, discursou Haddad, emendando que, quem tem apostado contra o Brasil tem errado.

    \”E o fato de a gente estar chegando no final do terceiro ano desse mandato e olhando para o futuro com condição de ver o presidente Lula enfrentar mais uma eleição em nome da democracia, do desenvolvimento, da justiça social com perspectivas muito favoráveis é uma coisa que hoje me torna uma pessoa muito feliz\”, disse.

    O ministro também relembrou o convite feito por Lula para que ele ocupasse a Fazenda e que o presidente faz as pessoas se \”apaixonarem\” por projetos.

    Em entrevista ao Estadão/Broadcast em novembro deste ano, Haddad disse estar satisfeito com sua atuação à frente da pasta e que já entregou ao presidente Lula tudo o que lhe foi encomendado. Ele deixou em aberto a sua continuidade no cargo em maio do ano que vem.

    Economia do País jamais poderia ser um problema para a reeleição de Lula, diz Haddad

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