Categoria: MUNDO

  • Trump diz que príncipe saudita acusado de matar jornalista é 'incrível em direitos humanos'

    Trump diz que príncipe saudita acusado de matar jornalista é 'incrível em direitos humanos'

    Evitado após morte do jornalista Jamal Khashoggi, em 2018, Mohammed bin Salman tenta elevar posição diplomática com trégua em Gaza; em visita com agenda cheia, americano quer concluir venda de caças F-35 e mais de R$ 3 tri em acordos

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (18) que o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, é “incrível em termos de diretos humanos”. Trata-se da primeira primeira visita do líder de fato do reino árabe a Washington desde 2018, quando o jornalista saudita Jamal Khashoggi foi assassinado dentro do consulado de seu país em Istambul.

    “Temos um homem extremamente respeitado no Salão Oval hoje, e um amigo meu de longa data, um grande amigo meu”, disse o republicano. “Estou muito orgulhoso do trabalho, o que ele fez é incrível em termos de direitos humanos e tudo mais.”

    MbS, como o príncipe herdeiro também é conhecido, foi recebido em cerimônia oficial com pompa na entrada pelo Gramado Sul da Casa Branca, com fanfarra, tapete vermelho e sobrevoo de jatos F-15, já operados pelos sauditas, e F-35, cuja venda é um dos objetivos da visita para Trump.

    Estava presente o grosso do gabinete do republicano: o vice-presidente, J. D. Vance, a chefe de gabinete, Susie Wiles, e os secretários Marco Rubio (Estado), Scott Bessent (Tesouro), Pete Hegseth (Defesa) e Howard Lutnick (Comércio).

    A morte de Khashoggi transformou em um pária internacional. Relatórios de inteligência dos EUA durante o governo de Joe Biden concluíram que MbS foi o mandante do assassinato do jornalista, um crítico da monarquia saudita que escrevia para o jornal americano The Washington Post.

    Reconstituições com informações e diálogos obtidos pela polícia turca indicam que Khashoggi foi sufocado e depois esquartejado depois de entrar no consulado com o intuito de obter documentos para se casar com sua noiva, Hatice Cengiz, que ficou do lado de fora do local esperando por ele.

    A visita desta terça-feira parece desenhada para mostrar o novo momento da relação entre Washington e Riad -e para ignorar a morte do jornalista.

    Trump e MbS terão reunião, almoço e jantar ao longo do dia. A previsão é de que o saudita tenha compromissos com o presidente americano das 11h (13h de Brasília) até se despedir, às 21h (23h de Brasília).

    O republicano espera concluir negócio com o príncipe para a venda de 48 caças F-35, além de investimento de US$ 600 bilhões (R$ 3,18 trilhões) que foram prometidos a Trump durante a visita do americano à Arábia Saudita, em maio.

    Esta seria a primeira venda dos caças F-35 americanos para o reino, e sua mera possibilidade já indica uma mudança significativa da política americana para o Oriente Médio e mexe com as alianças estabelecidas e a balança de poder na região.

    O Exército de Israel manifestou formalmente ao governo israelense se opor à venda sob o argumento de que perderia a vantagem de ser o único país da região operando os caças avançados. Tel Aviv tem trabalhado para dificultar vendas semelhantes a outras nações da região, como a Turquia e os Emirados Árabes Unidos. Nesta segunda-feira (17), Trump confirmou a repórteres a intenção de vender os F-35 para a Arábia Saudita.

    Além de equipamentos militares, o líder saudita busca garantias de segurança, acesso a tecnologias de inteligência artificial e avanços em um acordo sobre um programa nuclear civil. “Os sauditas gastarão muito dinheiro amanhã nos EUA”, disse um funcionário da Casa Branca à agência Reuters nesta segunda-feira.

    Para além das vendas e acordos previstos, Trump quer do príncipe herdeiro algum sinal de que Riad vai enfim se juntar aos Acordos de Abraão, nome dado aos pactos de normalização das relações entre países de maioria árabe e Israel que o republicano colocou em marcha durante seu primeiro mandato.

    Na ocasião, ele conseguiu vitórias menores mas importantes, com Bahrein, Marrocos e Emirados Árabes Unidos se juntando à iniciativa, em troca de acordos de investimento, concessões e vendas de armas americanas.

    Os sauditas, no entanto, foram mais relutantes. Dada a grande relevância política, econômica, militar e religiosa de Riad no Oriente Médio, a normalização das relações da Arábia Saudita com Israel era o grande prêmio da iniciativa diplomática, mas que parava em algumas condições sauditas difíceis de avançarem, como o rascunho de um caminho para a criação de um Estado palestino.

    Tudo desmoronou em 7 de outubro de 2023, com o ataque do Hamas às comunidades no sul de Israel que deixou 1.200 mortos e desencadeou a reação do Estado judeu na Faixa de Gaza, o que bloqueou qualquer chance de normalização.

    Com o mais recente acordo de cessar-fogo, MbS tenta posicionar Riad como força relevante do mundo árabe para a reconstrução do território palestino. Junto com a França, a Arábia Saudita liderou movimento que, por um lado, fez importantes países ocidentais reconheceram um Estado palestino e, por outro, fez nações árabes e muçulmanas condenarem o Hamas.

    “É muito importante para Trump que eles [sauditas] se juntem aos Acordos de Abraão durante seu mandato, então ele está aumentando a pressão”, afirmou à Reuters Dennis Ross, que foi negociador dos EUA para o Oriente Médio e hoje trabalha no think tank Instituto Washington para Políticas do Oriente Médio.

    O especialista diz ainda que a estratégia de Trump busca um relações mais multifacetadas que retirem a Arábia Saudita da esfera de influência da China. “O presidente Trump acredita que todos esses passos vinculam os sauditas aos EUA, da segurança a questões de finanças, IA e energia”, afirmou.

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  • Empresa polonesa é acusada de fornecer explosivos para Israel usar em Gaza

    Empresa polonesa é acusada de fornecer explosivos para Israel usar em Gaza

    Israel lançou em Gaza o equivalente a duas bombas nucleares no primeiro mês da guerra, segundo o Observatório Euro-Med de Direitos Humanos

    SÃO PAULO, SP (UOL/CBS NEWS) – A empresa estatal polonesa, Nitro-Chem, foi acusada por organizações Pró Palestina de fornecer a Israel explosivos usados em bombas implantadas na Faixa de Gaza.

    A fabricante teria fornecido TNT (trinitrotolueno) a empresas de armamento dos EUA para uso em projéteis, bombas e granadas militares exportadas para Israel. As informações do relatório foram levantadas pelas organizações pró Palestina Movimento da Juventude Palestina, Shadow World Investigations e Movement Research Unit.

    A Nitro-Chem é a única grande produtora de TNT na União Europeia e na Otan, segundo o relatório. “Este TNT é enviado para empresas de fabricação de armas dos EUA para a produção de grandes bombas aéreas, particularmente a série de bombas MK-80, na qual os militares israelenses se basearam fortemente para conduzir o genocídio em Gaza”, publicou o Movimento da Juventude Palestina no X.

    A Nitro-Chem também tem vendido explosivos, incluindo TNT, diretamente para Israel, ainda de acordo com o relatório. “Estima-se que 75 mil toneladas de explosivos tenham sido usadas contra a população de Gaza, com a empresa polonesa Nitro-Chem como fornecedora de TNT para as bombas da série MK-80, utilizadas por Israel”, afirmou o Movimento da Juventude Palestina no X.

    Bombardeios aéreos que mataram milhares de palestinos não seriam possíveis sem o TNT fabricado pela empresa polonesa. No relatório é pedido que a Nitro-Chem e que as autoridades polacas que cessem “imediatamente o fornecimento de TNT para a produção de bombas e artilharia da série MK-80 usadas por Israel, bem como o fornecimento direto de explosivos a Israel”.

    Israel lançou em Gaza o equivalente a duas bombas nucleares no primeiro mês da guerra, segundo o Observatório Euro-Med de Direitos Humanos. Mais de 25.000 toneladas de explosivos foram lançados no enclave.

    Empresa polonesa é acusada de fornecer explosivos para Israel usar em Gaza

  • Após recuo de Trump, Câmara aprova liberação de arquivos do caso Epstein

    Após recuo de Trump, Câmara aprova liberação de arquivos do caso Epstein

    Medida exige divulgação de todos os documentos não confidenciais sobre suposto esquema de tráfico sexual; após recuo, Trump disse que republicanos na Câmara e no Senado deveriam apoiar texto e prometeu sancioná-lo

    BRASÍLIA, DF E SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – Em voto quase unânime, a Câmara dos Representantes e o Senado dos Estados Unidos aprovaram nesta terça-feira (18) a liberação dos arquivos do Departamento de Justiça sobre Jeffrey Epstein, caso que tem gerado desgaste para o presidente Donald Trump e cobranças de sua base.

    Na Câmara, a medida teve placar de 427 votos a 1, com cinco abstenções. No Senado, recebeu aval de todos os parlamentares, sem exceção, após uma manobra do Partido Democrata. Agora, o texto vai para a sanção presidencial -Trump prometeu não vetar a lei se aprovada no Congresso.

    A reviravolta acontece dois dias após Trump abandonar sua oposição à medida. O texto exige a divulgação de todos os materiais não confidenciais sobre Epstein e o suposto esquema de tráfico sexual e exploração de menores que o financista teria operado.

    Na Câmara, o único voto contrário foi do republicano Clay Higgins, deputado trumpista da Louisiana. Em publicação no X, Higgins explicou sua posição, dizendo que a lei “revela a identidade de milhares de inocentes, entre testemunhas, familiares, etc”. “Se for aprovada da forma como está, uma revelação tão ampla de uma investigação criminal, liberada para uma mídia raivosa, irá resultar em pessoas inocentes sendo prejudicadas”, afirmou o parlamentar.

    No Senado, o líder da oposição, o senador por Nova York Chuck Schumer, manobrou para que a lei fosse aprovada por consenso -isto é, propôs que a Casa avalizasse a medida de maneira automática a menos que algum senador levantasse objeções. Nenhum republicano o fez, e o texto foi aprovado.

    Trump, cujas relações com Epstein têm sido exploradas por críticos e apoiadores, há muito tempo alimenta teorias conspiratórias sobre o abusador que cultivou muitos amigos ricos e poderosos -Epstein foi condenado por crimes sexuais na justiça estadual da Flórida em 2008. Ele foi preso por acusações semelhantes, mas mais graves, em 2019, quando morreu na prisão.

    Desde que o republicano retornou ao poder, o assunto se tornou um raro ponto fraco para ele, em particular para alguns de seus apoiadores mais radicais, que têm se mostrado descontentes com declarações de Trump e atos do governo sobre o caso.

    Uma pesquisa Reuters/Ipsos de outubro descobriu que apenas 4 em cada 10 republicanos aprovam a forma como Trump lida com o assunto, bem abaixo dos 9 em cada 10 que aprovam seu desempenho geral.

    Trump afirma que nunca teve nenhuma ligação com os supostos crimes de Epstein e tem se referido ao assunto como uma “farsa democrata”, usada para desviar o foco do que seriam pontos positivos de seu governo e falhas da oposição.

    A campanha parlamentar pela divulgação dos materiais sobre o financista foi liderada pelo republicano Thomas Massie, o que indicava a dificuldade do governo de resistir à medida. Massie coletou 218 assinaturas de colegas da Câmara em uma petição que forçou a votação da medida, algo que vinha sofrendo resistência do presidente da Casa, o também republicano Mike Johnson.

    O fato de Trump anteriormente se opor à divulgação do material azedou as relações com uma de suas mais fortes apoiadoras no Congresso, a deputada republicana Marjorie Taylor Greene, que criticou repetidas vezes o Departamento de Justiça por não divulgar mais detalhes sobre Epstein. Trump rebateu, chamado Greene de traidora.

    A súbita reviravolta do presidente veio no domingo (16), quando ele afirmou: “Os republicanos da Câmara deveriam votar para divulgar os arquivos de Epstein, porque não temos nada a esconder.”

    O principal democrata da Câmara, o deputado por Nova York Hakeem Jeffries, teve outra avaliação. “Donald Trump parece ter se acovardado no escândalo Epstein. Ele cedeu. É uma rendição completa e total”, disse ele em uma entrevista coletiva na segunda-feira (17).

    Mike Johnson havia dito a repórteres que ele e Trump estavam preocupados em proteger as vítimas de Epstein de exposição pública indesejada. “Não tenho certeza se a liberação faz isso, e isso é parte do problema”, disse o republicano na segunda-feira -argumento que repetiu no plenário antes de votar a favor da lei. Os apoiadores da medida dizem que as preocupações de Johnson são infundadas.

    Há dúvidas, no entanto, sobre o alcance real da divulgação dos materiais, porque a medida permite ao Departamento de Justiça manter sob sigilo documentos sujeitos a investigações -ao mesmo tempo, Trump pediu ao departamento para investigar a relação de Epstein com importantes nomes democratas, como o ex-presidente Bill Clinton e o ex-secretário do Tesouro Larry Summers.

    Na segunda, Summers disse estar “profundamente envergonhado” após as revelações de seus diálogos com Epstein e anunciou que se afastaria da vida pública. Professor de Harvard, ele continuará a dar aulas na instituição, entretanto.

    Epstein se declarou culpado de uma acusação estadual de prostituição de menores na Flórida em 2008 e cumpriu 13 meses de prisão. O Departamento de Justiça dos EUA, em 2019, o acusou de tráfico sexual de menores na esfera federal em um caso muito mais amplo, jogando luz em um esquema que pode ter vitimado mais de 200 mulheres. Epstein se declarou inocente dessas acusações e morreu na prisão antes do julgamento, no que foi considerado um suicídio.

    Emails divulgados na semana passada por um comitê da Câmara mostraram que o financista acreditava que Trump “sabia sobre as garotas”, embora não estivesse claro o que isso significava. A Casa Branca disse que os emails divulgados não continham prova de irregularidades por parte de Trump.

    Após recuo de Trump, Câmara aprova liberação de arquivos do caso Epstein

  • Texas classifica de terrorista principal associação muçulmana nos EUA

    Texas classifica de terrorista principal associação muçulmana nos EUA

    Medida abre caminho para que Conselho de Relações Islâmicas-Americanas seja expulso do estado; governador Greg Abbott (foto) cita caso de 2007 para afirmar que Cair tem ligações com facção palestina Hamas

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O governador do Texas, o republicano Greg Abbott, classificou oficialmente nesta terça-feira (18) o Centro de Relações Islâmicas-Americanas (Cair, na sigla em inglês) de organização terrorista, abrindo caminho para que a entidade, uma das mais importantes no combate à islamofobia nos Estados Unidos, seja expulsa do estado. Cerca de 300 mil muçulmanos vivem no Texas, ou pouco mais de 1% da população.

    No decreto, Abbott impõe a mesma classificação à Irmandade Muçulmana, grupo fundado em 1928 e considerado terrorista por países como o Egito e a Rússia. O Hamas, em seus primeiros anos, surgiu como braço palestino desse grupo.

    O texto diz que o Cair é uma “organização sucessora” da Irmandade Muçulmana nos EUA. Para embasar a afirmação, cita um processo de 2007 em que o Centro foi citado como uma de 275 organizações muçulmanas que seriam “cúmplices” de um esquema de lavagem de dinheiro que tinha o objetivo de financiar o Hamas.

    Embora o Cair nunca tenha sido acusado de algum crime, o FBI, a polícia federal americana, suspendeu sua cooperação com o centro em 2008, outro fato citado no decreto de Abbott para justificar a classificação de organização terrorista.

    As consequências da medida são severas. Com o decreto, o Cair e seus dirigentes agora não podem mais comprar terrenos, e o procurador-geral do estado deve abrir um processo para expulsar a organização do Texas.

    Fundado em 1994 em Washington, o Cair ganhou projeção nacional no início dos anos 2000 ao denunciar a explosão de casos de racismo e islamofobia nos EUA após os ataques de 11 de Setembro. O conselho processou uma série de empresas por discriminação no ambiente de trabalho e hoje possui filiais em uma série de estados americanos.

    Recentemente, a organização foi criticada por suas posições contra as ações de Israel na Faixa de Gaza e por falas de alguns de seus membros, que classificaram “sionistas” como inimigos de muçulmanos. A nível federal, republicanos pedem que o governo Donald Trump investigue possíveis ligações financeiras entre o Cair e o Hamas.

    A medida do Texas foi comemorada por membros do Partido Republicano como Valentina Gomez, pré-candidata à Câmara dos Representantes nas eleições de 2026. Em publicação no X, Gomez disse que se reuniu com Abbott para “tratar do problema muçulmano no Texas” e prometeu tornar o estado “o pior lugar para o Islã e para imigrantes ilegais”. Em resposta a comentários, afirmou ainda: “se eu chegar ao Congresso, o Texas se livrará desses muçulmanos sujos”.

    Texas classifica de terrorista principal associação muçulmana nos EUA

  • F-35 só empata jogo da Arábia Saudita com Israel no papel

    F-35 só empata jogo da Arábia Saudita com Israel no papel

    Aeronave só era operada pelo Estado judeu no Oriente Médio, mas experiência de combate é inigualável entre os rivais; Trump tenta afastar Riad da diversificação e da China, mas venda pode ser vetada como ocorreu com os Emirados

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – Além de isentá-lo publicamente pela morte de um jornalista e outras violações de direitos humanos, Donald Trump entregou ao príncipe Mohammed bin Salman o instrumento que a Arábia Saudita tanto desejava para buscar uma equiparação com Israel, a mais temida potência militar do Oriente Médio.

    Os caças F-35A prometidos ao reino pelos Estados Unidos só eram operados na região pelo Estado judeu, e no papel haverá um maior equilíbrio entre as forças aéreas de suas duas maiores máquinas mlitares.

    É preciso enfatizar o “no papel”. Israel tem uma capacidade de combate provada por uma existência toda forjada em guerras, que chegou a um patamar novo com os conflitos decorrentes do ataque do Hamas no 7 de outubro de 2023.

    Desde então, sua Aeronáutica provou-se letal com adversários menos capazes de se defender, como os terroristas da Faixa de Gaza, mas também contra o Irã, que viu seus recursos antiaéreos dizimados pelos israelense em junho passado.

    Já os sauditas, de longe donos do maior gasto militar regional, penaram durante sua intervenção direta na guerra civil do Iêmen, que durou de 2015 a 2022. Como nota análise anual do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, de Londres, foram expostas fraquezas no poder aéreo e no bombardeio de precisão de Riad.

    Ainda assim, os F-35 são uma aquisição disputada na região. Em 2019, Trump aprovou a venda de 50 F-35A por US$ 10,4 bilhões para os Emirados Árabes Unidos, que haviam concordado em ser os principais artífices dos Acordos de Abrãao -a normalização das relações com Israel de Estados árabes, visando isolar o Irã xiita.

    Em 2021, contudo, o novo governo de Joe Biden congelou a venda, alegando que os emiratis estavam muito próximos da China, que também buscou elevar a relação com Riad quando patrocinou a retomada dos laços diplomáticos entre sauditas e iranianos no ano passado.

    O caso dos Emirados é um conto cautelar, claro, mas o momento político é outro. Trump parece decidido a retomar o projeto Abraão, agora que algum tipo de encaminhamento para a faixa de Gaza está em curso.

    Ele até obrigou Binyamin Netanyahu a se desculpar na sua frente com o emir do Qatar pelo ataque contra membros do Hamas no reino do Golfo. O foco é fazer Bin Salman selar a paz com Israel, algo que parece muito difícil ainda com o belicoso premiê no poder.

    A desconfiança é tanta que os sauditas fecharam em setembro um pacto com o Paquistão que, na prática, os transformaram em uma potência nuclear ao prever assistência com armas do tipo do país islâmico em caso de conflito.

    Isso tudo explica o empurrão militar, além da necessidade de tirar Riad da rota de diversificação. Dada a resistência americana a fornecer as tecnologias furtivas ao radar do F-35, os sauditas equiparam sua frota com Eurofighter Typhoon europeus. Há hoje 71 desses modelos avançados ao lado de 217 F-15 americanos mais antigos, além de 65 aviões de ataque europeus Tornado.

    Os sauditas, como os emiratis agora, namoraram até a ideia de adquirir armas russas, algo mais complexo dado o comprometimento da indústria do país de Vladimir Putin com a guerra na Ucrânia.

    O sobrevoo da Casa Branca quando o príncipe chegou foi, com efeito, feito por F-35 e também F-15, sugerindo o interesse americano na grande compra de caças para substituir os modelos mais antigos do poderoso caça. Hoje, estão de olho nesse mercado o próprio Eurofighter e o francês Rafale.

    Os bolsos de Bin Salman são fundos. Em 2024, segundo o instituto de Londres, o país gastou 6,5% de seu Produto Interno Bruto com defesa, tendo o sétimo maior orçamento do mundo. Isso equivale a 34,3% do volume despendido no setor no Oriente Médio.

    Israel também gasta bastante: no ano passado, elevou em 79% as despesas e empenhou 6,4% do PIB com suas guerras. Tem hoje o 13º maior orçamento militar do planeta. O Estado judeu voa 39 dos 50 F-35 que encomendou, e foi o primeiro operador do modelo a usá-lo em combate. Sua frota de ataque, com 310 aeronaves, tem também F-15 e F-16 americanos.

    F-35 só empata jogo da Arábia Saudita com Israel no papel

  • Trump se irrita com pergunta e diz que Epstein era um 'pervertido doente'

    Trump se irrita com pergunta e diz que Epstein era um 'pervertido doente'

    Trump decidiu ofender um jornalista que o questionou sobre a liberação dos arquivos de Jeffrey Epstein, no qual o presidente norte-americano é citado

    SÃO PAULO, SP (UOL/CBS NEWS) – Em meio a discussão sobre a liberação dos arquivos de Jeffrey Epstein pela Câmara dos Estados Unidos, Donald Trump falou mais uma vez sobre o caso.

    Trump não gostou da pergunta sobre o caso Epstein e chamou o repórter de “péssimo”. Isso aconteceu em uma entrevista para jornalistas na Casa Branca, durante visita do príncipe saudita Bin Salman.

    Presidente foi questionado sobre o que espera sobre a divulgação dos arquivos de Epstein. Ele se irritou com a pergunta e continuou disparando contra o repórter da ABC News: “Eu acho que você é um repórter péssimo (…) pergunta terrível, pessoa terrível”, concluiu

    Republicano se defendeu dizendo não ter relação com o caso. Ele acredita que a discussão sobre os arquivos de Epstein seja uma “farsa democrática”.

    “Eu não tenho nada a ver com Jeffrey Epstein. Eu o joguei fora do meu clube há muitos anos, porque eu pensei que ele era um pervertido doente. Mas acho que me acahei certo”, disse Donald Trump.

    Trump foi ligado a Epstein após seu nome aparecer em e-mails recentemente divulgados. Apesar disso, ele nega ter conexão com os crimes sexuais cometidos.

    Trump se irrita com pergunta e diz que Epstein era um 'pervertido doente'

  • Segurança? Louvre fecha galeria devido a "fragilidade de vigas"

    Segurança? Louvre fecha galeria devido a "fragilidade de vigas"

    A fragilidade de algumas vigas da Galeria Campana, no Museu do Louvre, que sustentam os pisos do segundo andar na ala sul levou ao encerramento do espaço, que exibe uma coleção de vasos gregos

    O Museu do Louvre está, de novo, com problemas de segurança: desta vez, não por causa de um assalto, mas sim devido a problemas estruturais da Galeria Campana, onde é exibida uma coleção de vasos gregos.

    A fragilidade das vigas deve-se, em parte, ao fato de as últimas renovações terem sido feitas na década de 30.

    “A EPML iniciou imediatamente uma investigação complementar para determinar as causas destas alterações recentes e realizar os trabalhos necessários o mais rápido possível”, continuou a mesma nota. 

    A Galeria Campana, como é conhecida hoje, só abriu ao público em 2023. No início de 2020, o espaço foi alvo de uma intervenção significativa, que teve como prioridade a modernização da ala – e não a segurança, segundo relata o jornal Le Parisien.

    O encerramento acontece cerca de um mês depois de o museu mais famoso do mundo ter sido assaltado por um grupo de homens encapuzados. Em 19 de outubro, os assaltantes conseguiram invadir a Galeria Apollo e roubar oito peças da coleção de joias de Napoleão. 

    Ao todo, e até ao momento, as autoridades identificaram sete pessoas suspeitas de estarem envolvidas no assalto ao Louvre que, afinal, não teria demorado os sete minutos de que se falava no início.

    Segundo o Le Parisien, o roubo não teria chegado sequer aos quatro minutos: aos três minutos e cinquenta e dois segundos os ladrões já estavam saindo pela janela por onde entraram com as joias na mão. 

    Pelo caminho, ficou a coroa da Imperatriz Eugênie, encontrada já do lado de fora do museu e no chão – e, dizem as autoridades, danificada.

    Até ao momento o ‘cabeça’ do assalto ainda não foi encontrado, assim como as joias.

    Segurança? Louvre fecha galeria devido a "fragilidade de vigas"

  • Submarinos nucleares da Coreia do Sul podem gerar “efeito dominó nuclear”

    Submarinos nucleares da Coreia do Sul podem gerar “efeito dominó nuclear”

    A Coreia do Norte afirmou que o apoio dos EUA ao desenvolvimento de submarinos nucleares pela Coreia do Sul pode desencadear um efeito dominó nuclear na região, elevando tensões e alimentando uma nova corrida armamentista, mesmo após Seul propor diálogo militar para reduzir riscos na fronteira

    A Coreia do Norte declarou nesta terça-feira (18) que os planos da Coreia do Sul, em parceria com os Estados Unidos, para desenvolver submarinos movidos a energia nuclear vão provocar “inevitavelmente” um efeito dominó nuclear na Ásia. Segundo Pyongyang, esse avanço permitirá que Seul amplie sua capacidade militar de forma inédita e desencadeie uma “corrida armamentista intensa” na região.

    A posição foi divulgada em um editorial da agência estatal KCNA e representa a primeira reação norte-coreana aos documentos apresentados por Coreia do Sul e EUA na última semana, incluindo um informe sobre as duas cúpulas realizadas entre o presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, e o presidente americano, Donald Trump, e o comunicado final da 57ª Reunião Consultiva de Segurança.

    Nos documentos, Washington e Seul confirmam um afrouxamento parcial das restrições ao enriquecimento de urânio pela Coreia do Sul. O editorial critica duramente a decisão dos EUA de permitir que Seul avance em tecnologia nuclear naval e acusa Washington de dar “sinal verde” ao país para enriquecer urânio e reprocessar combustível nuclear. Para Pyongyang, essas medidas transformariam a Coreia do Sul em um “quase Estado nuclear”.

    A Coreia do Norte também acusa EUA e Coreia do Sul de abandonarem o conceito de “desnuclearização da Península Coreana” e substituí-lo por “desnuclearização da Coreia do Norte”, o que Pyongyang rejeita. O regime mantém a condição de que qualquer diálogo só poderá ocorrer se a questão nuclear for retirada da pauta.

    Em resposta, a porta-voz da Presidência sul-coreana, Kang Yu-jung, afirmou em comunicado que Seul “não tem qualquer intenção hostil ou de confronto”. Um representante do Ministério da Unificação, ouvido pela agência Yonhap, disse que o editorial apenas repete posições já conhecidas da Coreia do Norte e destacou o tom “moderado” do texto, que não cita diretamente os líderes dos EUA ou da Coreia do Sul.

    A manifestação ocorre um dia depois de Seul apresentar sua primeira proposta oficial de diálogo militar intercoreano no governo Lee, voltada a evitar incidentes na fronteira, e após a tentativa frustrada da administração Trump de realizar uma cúpula com Kim Jong-un durante a viagem do presidente americano à Ásia no mês passado.

    Submarinos nucleares da Coreia do Sul podem gerar “efeito dominó nuclear”

  • Mulher atropela homem e percorre quilômetros com o corpo debaixo do carro

    Mulher atropela homem e percorre quilômetros com o corpo debaixo do carro

    A polícia local está investigando um acidente que aconteceu na manhã desta segunda-feira (17), após uma mulher atropelar um homem e percorrer vários quilômetros com o corpo debaixo do carro

    Na manhã desta segunda-feira (17), um homem morreu em Sevilha, na Espanha, depois de ter sido atropelado. A vítima, de 50 anos, foi atingida pelas 8h15 da manhã, tendo o seu corpo sido arrastado durante vários quilômetros, sem que ninguém se tivesse percebido, destaca o El Pais.

    Tudo aconteceu em um momento em que chovia com grande intensidade. A mulher não teria percebido do atropelamento e terá alegado que pensou que o barulho que ouvia vinha do freio de mão.

    Segundo a Telecinco, no total, a mulher teria percorrido cerca de 8 quilômetros com o corpo do homem por baixo da sua viatura.

    Foi só quando parou em um semáforo vermelho, que a morotista foi avisada de que tinha algo debaixo do seu automóvel.

    Segundo relatou a própria aos serviços de emergência médica, ela reparou que se passava algo de estranho com o carro, como se algo a impedisse de seguir na velocidade certa. Pensou, porém, que o carro estava com problemas no freio de mão.

    Vale destacar que a mulher testou negativo para o consumo de álcool e drogas. Depois do incidente, a motorista precisou de ser atendida por uma equipe de apoio psicológico.

    Segundo a imprensa espanhola, a vítima apresentava muitos ferimentos, pelo que quando os paramédicos chegaram ao local já declararam o óbito.

    A polícia continua investigando o sucedido para tentar entender o motivo pelo qual a motorista não percebeu o que fez, nem como andou tantos quilômetros sem parar para ver o que estava acontecendo.

     

    Mulher atropela homem e percorre quilômetros com o corpo debaixo do carro

  • Trump promete sancionar lei para divulgar arquivos do caso Jeffrey Epstein

    Trump promete sancionar lei para divulgar arquivos do caso Jeffrey Epstein

    Presidente pediu que correligionários aprovem medida que obrigaria departamento a publicar materiais; republicano ainda afirma que não há nada a temer e que pretende pôr um fim à ‘farsa democrata’ sobre o caso

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – Em uma reviravolta no caso Epstein, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu para os deputados republicanos apoiarem a medida que obrigaria o Departamento de Justiça a divulgar os arquivos do caso do financista condenado por abuso de menores. Mais tarde, afirmou ainda que assinará a lei para liberar os documentos caso seja aprovada no Congresso.

    Após dias de pressão feita por um bloco republicano que ganha corpo no partido, Trump declarou que daria seu aval ao texto. “Claro que sim. Deixe o Senado analisar. Deixe qualquer um analisar, mas não fale muito sobre isso”, disse a repórteres -ele teria poder de veto sobre a lei.

    Mais cedo, após fazer o pedido a seus correligionários, o presidente afirmou que não tem nada a esconder. “É hora de superarmos essa farsa democrata perpetrada por lunáticos da esquerda radical para desviar a atenção do sucesso do Partido Republicano, incluindo nossa recente vitória sobre a paralisação do governo pelos democratas”, escreveu na rede Truth Social.

    Em entrevista concedida no domingo à ABC News, o deputado republicano Thomas Massie, do Kentucky, que tem liderado os esforços no Congresso para a divulgação dos arquivos, sugeriu que cem ou mais partidários poderiam votar a favor da liberação dos arquivos de Epstein nesta semana, apesar da oposição de Trump. O presidente da Câmara, Mike Johnson, também previu um número significativo de votos republicanos.

    Johnson disse, na semana passada, que anteciparia a votação do projeto de lei para esta semana e afirmou no programa “Fox News Sunday” que a Câmara precisava concluir isso e seguir em frente. Ele acrescentou, em tom semelhante ao de Trump, que não há nada a esconder.

    A longa amizade de Trump e Jeffrey Epstein chegou a um aparente fim em meados dos anos 2000. Mas Epstein permaneceu focado em Trump por anos, buscando explorar os resquícios de seu relacionamento até ser preso por acusações federais de tráfico sexual, em 2019 -mesmo ano em que morreu na prisão, antes de uma condenação final. Ele já havia sido condenado e preso em caso estadual semelhante, na Flórida, em 2008.

    Em mais de 20 mil páginas de emails repletos de erros de digitação e outras mensagens de Epstein divulgadas por um comitê do Congresso americano na quarta-feira (12), o milionário insulta Trump e insinua que possuía informações comprometedoras sobre o republicano.

    Ora em tom de fofoca, ora mordazes e conspiratórias, as mensagens mostram pessoas influentes pressionando Epstein por informações sobre Trump. O financista se apresentava como uma espécie de intérprete definitivo de Trump, alguém que o conhecia intimamente e seria “o único capaz de derrubá-lo”.

    O presidente americano tem lidado com críticas em relação ao caso até mesmo de apoiadores mais radicais. Parte importante de sua base de apoio tem demonstrado insatisfação com as declarações de Trump e ações de seu governo no sentido de não divulgar todo o material sobre o caso e subestimar as revelações contidas nele.

    O governo tem reagido para conter essas críticas. Se o caso ficou relativamente dormente enquanto durou a maior paralisação do governo federal americano da história, depois que ela foi encerrada o foco voltou para as relações entre Epstein e Trump.

    Em uma tentativa de desviar esse foco, por exemplo, o Pentágono anunciou o início da operação Lança do Sul na América Latina, na noite de quinta-feira (13) -ou seja, no dia seguinte à divulgação de milhares de novos emails sobre Epstein. Embora Washington tenha ampliado drasticamente a presença militar na região, o anúncio não mudou, na prática, as ações que já vinham sendo feitas desde setembro, e nenhum detalhe adicional sobre a operação foi fornecido.

    Já na sexta-feira (14), com a questão ainda em alta, Trump voltou à carga contra os democratas. A pedido do presidente, o Departamento de Justiça abriu investigação contra conhecidos nomes democratas no caso Epstein, como o do ex-presidente Bill Clinton.

    Além de Clinton, foram citados por Trump Larry Summers, ex-secretário do Tesouro, Reid Hoffman, cofundador do LinkedIn um dos maiores doadores à campanha de Kamala Harris durante a corrida presidencial de 2024 e o banco JPMorgan, o maior do país.

    “Epstein era democrata e é um problema dos democratas, não dos republicanos!”, escreveu Trump na sexta-feira. “Não perca seu tempo com Trump. Eu tenho um país para governar!”

    Trump promete sancionar lei para divulgar arquivos do caso Jeffrey Epstein