Categoria: MUNDO

  • "Insinuar uma pandemia é desonesto", diz casal francês a bordo do Hondius

    "Insinuar uma pandemia é desonesto", diz casal francês a bordo do Hondius

    Um casal francês retido no navio Hondius, onde foi registrado um surto de hantavírus, garantiu que “está tudo bem” a bordo e defendeu que “não há necessidade de dramatizar”

    Um casal francês retido a bordo do cruzeiro Hondius, onde foi registrado um surto de hantavírus, garantiu que “está tudo bem” dentro do navio e defendeu que “insinuar uma pandemia é desonesto”.

    Julia e Roland Seitre são dois dos cinco franceses a bordo e, em declarações à agência de notícias France-Presse (AFP), contaram que têm uma vida “quase normal”. 

    “Não há pânico a bordo. Está tudo bem para nós, bem como para os outros três franceses”, indicou o casal, que tem cerca de 60 anos e reside em Indre-et-Loire. 

    “Estamos ‘no mesmo barco’ desde 1 de abril. Falar em epidemia é errado, insinuar uma pandemia é desonesto”, frisaram os franceses, acrescentando que “não há necessidade de dramatizar demais”.

    Como é o dia a dia a bordo do navio de cruzeiro Hondius?

    Segundo contaram, os passageiros são “aconselhados a permanecer nas cabines o máximo de tempo possível para evitar grandes aglomerações”.

    No entanto, há “liberdade para circular, especialmente nos decks externos, onde se pode trocar as máscaras” de proteção individual. 

    “Podemos conversar entre nós em pequenos grupos e à distância e fazemos as nossas refeições no refeitório, respeitando o distanciamento social”, explicou o casal, garantindo que “está tudo bem para os turistas, assim como a tripulação deste navio envolvido nesta aventura improvável”.

    Hondius “distante das atividades de lazer tipicamente associadas a cruzeiros”

    Os franceses explicaram, ainda, que não se trata de um cruzeiro de luxo ou de lazer clássico e que não há, por exemplo, piscina, sauna, academia ou cinema.

    “Todos os passageiros são indivíduos apaixonados com objetivos diferentes, mas bem distantes das atividades de lazer tipicamente associadas a cruzeiros. Temos ornitólogos, entusiastas de história e geografia, amantes de lugares remotos, botânicos, especialistas em cetáceos e astrónomos”, destacaram.

    Julia e Roland Seitre são veterinários de formação, mas descrevem-se como “jornalistas freelancers especializados em natureza e meio ambiente”.

    O surto de hantavírus no navio cruzeiro MV Hondius já causou três mortes e há cinco outros casos suspeitos, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), que considera baixo o risco para a população mundial.

    A empresa proprietária do navio e organizadora do cruzeiro, a Oceanwide Expeditions, informou na quinta-feira que “não existem indivíduos sintomáticos a bordo” do Hondius, que partiu ao final da tarde de quarta-feira de Cabo Verde em direção às Ilhas Canárias, na Espanha, especificamente para o porto de Granadilla, em Tenerife, viagem com a previsão de demorar entre três e quatro dias.

    Os hantavírus são vírus zoonóticos, caracterizados por infectar roedores, e diferentes espécies circulam na Europa, na Ásia e no continente americano. Apenas algumas das espécies estão associadas a infecção humana, caso em que podem causar doença grave.

    Não existe vacina nem tratamento específico para este vírus, cuja estirpe dos Andes, detectada em passageiros do cruzeiro infectados, é a única em que se conhecem casos de transmissão entre humanos.

    O cruzeiro onde foram registados os casos e, até agora, três mortes zarpou de Ushuaia, na Patagônia, em 1 de abril, para uma viagem através do oceano Atlântico, e os investigadores querem determinar se o contágio aconteceu em terra (na Argentina, no Chile ou no Uruguai), através de roedores, ou já a bordo do navio.

    "Insinuar uma pandemia é desonesto", diz casal francês a bordo do Hondius

  • Irã acusa EUA de 'aventura militar imprudente' após ataque a navio iraniano

    Irã acusa EUA de 'aventura militar imprudente' após ataque a navio iraniano

    Chanceler iraniano acusa os EUA de violar cessar-fogo após ataque a petroleiro e fala em “aventura militar imprudente”; Irã diz ter retaliado contra navios americanos, enquanto Washington afirma ter agido em autodefesa diante de ofensiva com mísseis e drones

    SÃO PAULO, SP (UOL/CBS NEWS) – O chanceler iraniano, Abbas Aragchi, afirmou que os Estados Unidos optaram por uma “aventura militar imprudente” após as forças americanas atacarem nesta quinta-feira (07) um navio petroleiro iraniano.

    Nesta quinta, um porta-voz do regime iraniano acusou os EUA de violaram o cessar-fogo ao bombardear o navio. “Sempre que uma solução diplomática está em cima da mesa, os EUA optam por uma aventura militar imprudente. Seria uma tática de pressão grosseira? Ou o resultado de um sabotador enganando mais uma vez o presidente americano e o levando a outro atoleiro? Quaisquer que sejam as causas, o resultado é o mesmo: os iranianos nunca cedem à pressão”, disse o chanceler iraniano em resposta ao ataque.

    O navio iraniano estaria indo em direção ao Estreito de Hormuz. Ele estava em frente ao porto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, segundo informou a emissora iraniana Irib ao reproduzir comunicado feito por autoridades iranianas.

    Outros ataques aéreos também foram feitos em áreas civis, ainda de acordo com comunicado. O regime afirmou que o bombardeio ocorreu em cooperação com alguns países da região, nas costas das ilhas de Khamir, Sirik e Qeshm.

    “[Em retaliação, forças armadas iranianas] atacaram imediatamente navios militares americanos a leste do Estreito de Ormuz e ao sul do porto de Chabahar, causando-lhes danos significativos. [O Irã] dará uma resposta esmagadora a qualquer agressão sem a menor hesitação”, diz o comunicado do regime iraniano.

    EUA dizem ter interceptado “ataques iranianos não provocados”. Em comunicado, o Centcom (Comando Central dos Estados Unidos) afirmou que militares americanos responderam com “ataques de autodefesa” enquanto destróieres de mísseis guiados da Marinha dos EUA transitavam pelo Estreito de Hormuz em direção ao Golfo de Omã.

    Americanos acusam iranianos de lançarem bombardeio. Um ataque coordenado envolveria “múltiplos mísseis, drones e pequenas embarcações” enquanto os navios da marinha americana navegavam pelo canal marítimo internacional. Autoridades confirmaram que “nenhum ativo americano foi atingido” durante o confronto.

    CESSAR-FOGO FRÁGIL

    Trump anunciou em 7 de abril um cessar-fogo de duas semanas com o Irã. Em publicação na Truth Social, ele informou que os ataques haviam sido suspensos e a trégua, começado imediatamente. A declaração ocorreu após pedido do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que intermediava as conversas.

    Irã também aceitou a proposta do Paquistão e os dois países se encontraram pessoalmente para debater a paz permanente. A reunião aconteceu em Islamabade em 21 de abril, mas acabou sem acordo após mais de 20 horas.

    Trump ampliou de forma unilateral um cessar-fogo de duas semanas na terça-feira, dia final do cessar-fogo provisório. O objetivo é dar mais tempo para que os negociadores tentem um acordo no Paquistão. Mas as repetidas tentativas de uma nova reunião entre os dois países não avançaram desde então.

    O norte-americano tem batido na tecla de que o Irã precisa desistir do seu projeto nuclear para as negociações avançarem. Nesta quarta-feira (06), o líder supremo iraniano fez um pronunciamento informando que os cidadãos vão se empenhar em proteger as suas capacidades nucleares.

    Irã acusa EUA de 'aventura militar imprudente' após ataque a navio iraniano

  • Três mortos e 10 desaparecidos após erupção de vulcão na Indonésia

    Três mortos e 10 desaparecidos após erupção de vulcão na Indonésia

    Pelo menos três pessoas morreram, entre elas dois estrangeiros, e dez estão desaparecidas após erupção do Dukono, em Halmahera; autoridades mantêm buscas em área de risco e alertam para queda de cinzas e agravamento da atividade.

    Pelo menos dois estrangeiros e um indonésio morreram, e outras dez pessoas estão desaparecidas após a erupção do vulcão Dukono, na ilha de Halmahera, no leste da Indonésia, informaram as autoridades nesta quinta-feira.

    “Há três mortos, dois estrangeiros e um residente da ilha de Ternate”, afirmou o chefe da polícia da província de Halmahera do Norte, Erlichson Pasaribu, em declaração à emissora Kompas TV.

    Pasaribu não informou a nacionalidade das vítimas estrangeiras, segundo a agência France-Presse.

    De acordo com as autoridades, dez pessoas desapareceram em uma área que já estava fechada à visitação devido ao aumento da atividade vulcânica.

    Ainda segundo o balanço oficial, sete trilheiros conseguiram descer a montanha em segurança, enquanto cinco ficaram feridos.

    O porta-voz da Agência Nacional de Gestão de Desastres da Indonésia (BNPB), Abdul Muhari, informou em comunicado que equipes de busca e resgate seguem atuando na região, apesar da intensificação da atividade do vulcão.

    Pasaribu explicou que as operações ocorrem em terreno acidentado, o que dificulta o uso de veículos e obriga o transporte das vítimas em macas.

    “Ainda é possível ouvir estrondos da erupção, o que torna a evacuação da área de risco mais lenta”, disse.

    A erupção ocorreu no início da manhã, no horário local, lançando uma coluna de fumaça e cinzas que chegou a cerca de 10 quilômetros de altura, segundo Lana Saria, da agência nacional de geologia.

    As autoridades alertaram moradores das áreas próximas e da cidade de Tobelo para o risco de queda de cinzas, que pode prejudicar a saúde e afetar o transporte.

    O vulcão Dukono está atualmente no nível três de alerta, em uma escala que vai até quatro.

    Desde dezembro, o Centro de Vulcanologia e Mitigação de Riscos Geológicos recomenda que não se ultrapasse um raio de quatro quilômetros ao redor da cratera Malupang Warirang.

    Segundo o chefe da polícia local, os trilheiros ignoraram os avisos colocados no início da trilha e os alertas divulgados nas redes sociais.

    “Muitos são turistas estrangeiros que querem produzir conteúdo para as redes sociais”, afirmou Pasaribu.

    A Indonésia registra frequente atividade sísmica e vulcânica por estar localizada no chamado Anel de Fogo do Pacífico, uma região marcada pelo encontro de placas tectônicas.
     
     

     

    Três mortos e 10 desaparecidos após erupção de vulcão na Indonésia

  • Tripulação do navio Hondius “fez um grande churrasco” após primeira morte

    Tripulação do navio Hondius “fez um grande churrasco” após primeira morte

    Passageiros denunciam que morte foi tratada como “causa natural” e que medidas só vieram dias depois; tripulação teria feito churrasco enquanto casos aumentavam, levantando críticas sobre falhas na gestão do surto a bordo do cruzeiro

    Passageiros do cruzeiro MV Hondius denunciaram falhas na condução do surto a bordo após a primeira morte registrada na embarcação. Segundo relatos, a tripulação chegou a organizar um “grande churrasco” logo depois do anúncio do óbito, que foi inicialmente atribuído a “causas naturais”.

    Um dos passageiros, que já deixou o navio, afirmou que medidas como distanciamento social só começaram a ser adotadas dias depois. “Se tivéssemos podido nos isolar nas cabines e usar máscaras, acho que esse problema poderia ter sido minimizado”, disse, em entrevista à imprensa espanhola.

    Outros passageiros confirmaram a versão. “Fizeram um churrasco no navio, como se nada tivesse acontecido”, relataram turistas franceses.

    Um vídeo divulgado mostra o momento em que o capitão, Jan Dobrogowski, informa a morte de um passageiro holandês, sem mencionar qualquer risco de contágio. Na ocasião, o médico a bordo afirmou que a doença não era transmissível e que o navio estava seguro.

    No entanto, novos casos começaram a surgir nos dias seguintes, levantando críticas sobre a demora na adoção de medidas preventivas.

    De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o surto de hantavírus no navio já provocou três mortes e há outros casos suspeitos. A entidade considera, por enquanto, baixo o risco para a população mundial.

    O MV Hondius partiu de Ushuaia, na Argentina, com destino às Ilhas Canárias, na Espanha, em uma rota que incluía paradas na Antártida, Ilhas Malvinas e Geórgia do Sul. A bordo estavam 149 pessoas, de 23 nacionalidades.

    O primeiro caso foi de um turista holandês de 70 anos, que apresentou sintomas como febre, dor de cabeça e diarreia leve no dia 6 de abril. Ele morreu no navio no dia 11 e é considerado o paciente zero.

    O corpo foi desembarcado 13 dias depois na ilha de Santa Helena, no Atlântico Sul. A esposa dele, de 69 anos, também apresentou sintomas, foi transferida para Joanesburgo, na África do Sul, e morreu no dia seguinte. A infecção por hantavírus foi confirmada posteriormente.

    Em 2 de maio, um passageiro alemão também morreu após apresentar sintomas. Um turista suíço, que desembarcou em Santa Helena, foi hospitalizado em Zurique e testou positivo.

    Mais três casos suspeitos foram retirados do navio em Cabo Verde, incluindo dois tripulantes com sintomas e um passageiro assintomático que teve contato com infectados. Eles foram transferidos em voos médicos.

    O hantavírus é transmitido por roedores infectados, que eliminam o vírus por meio da urina, fezes e saliva.
     
     

     

    Tripulação do navio Hondius “fez um grande churrasco” após primeira morte

  • Argentina reforça vigilância epidemiológica de hantavírus em todo o país

    Argentina reforça vigilância epidemiológica de hantavírus em todo o país

    Autoridades investigam origem do contágio no navio que partiu de Ushuaia; cepa identificada é a Andes, única com transmissão entre humanos, enquanto OMS aponta três mortes e risco global considerado baixo

    Autoridades de saúde de diferentes províncias da Argentina se reuniram com representantes nacionais para coordenar ações de vigilância epidemiológica do hantavírus, após o surto registrado em um cruzeiro que partiu do país.

    De acordo com fontes oficiais, durante a reunião realizada na quinta-feira foram apresentadas informações atualizadas sobre os casos detectados no navio MV Hondius, que saiu do porto de Ushuaia, na província de Terra do Fogo.

    As autoridades informaram que, até o momento, não é possível confirmar a origem do contágio. No entanto, um teste realizado em um passageiro que deu entrada na África do Sul identificou que a variante do vírus corresponde à cepa Andes, presente no sul da Argentina, nas províncias de Chubut, Río Negro e Neuquén, além do sul do Chile.

    “Atualmente, estão sendo realizados novos estudos para determinar sua possível origem geográfica e sua relação com outras cepas envolvidas na transmissão entre pessoas”, informou o Ministério da Saúde argentino, em comunicado.

    Também foram apresentados dados sobre o trajeto feito por um casal holandês, primeiros a apresentar sintomas da doença e que posteriormente morreram. Eles passaram por diferentes regiões da Argentina, do Chile e do Uruguai entre o fim de novembro e o embarque no cruzeiro.

    O Ministério da Saúde reforçou a necessidade de intensificar a vigilância epidemiológica nas províncias e de orientar as equipes de saúde a melhorar a identificação e o diagnóstico de casos com sintomas compatíveis. Em 2026, já foram registrados 42 casos da doença no país.

    Segundo a Organização Mundial da Saúde, o surto no MV Hondius já causou três mortes e há cinco casos suspeitos. A entidade considera baixo o risco para a população mundial.

    A Oceanwide Expeditions, empresa responsável pelo navio, informou que não há passageiros com sintomas a bordo. A embarcação deixou Cabo Verde na quarta-feira à tarde e segue em direção às Ilhas Canárias, com chegada prevista ao porto de Granadilla, em Tenerife, dentro de três a quatro dias.

    Os hantavírus são vírus zoonóticos transmitidos principalmente por roedores. Diferentes variantes circulam na Europa, Ásia e Américas, mas apenas algumas causam infecção em humanos, podendo levar a quadros graves.

    Não há vacina nem tratamento específico para a doença. A cepa Andes, identificada em passageiros do cruzeiro, é a única conhecida com possibilidade de transmissão entre pessoas.

    O navio partiu de Ushuaia, na Patagônia, em 1º de abril, para uma viagem pelo Atlântico. As autoridades investigam se o contágio ocorreu em terra, na Argentina, Chile ou Uruguai, por meio de roedores, ou já durante a viagem a bordo.
     

    Argentina reforça vigilância epidemiológica de hantavírus em todo o país

  • Irã e EUA discutem proposta para reabrir Hormuz e suspender ataques por 30 dias, diz jornal

    Irã e EUA discutem proposta para reabrir Hormuz e suspender ataques por 30 dias, diz jornal

    Segundo New York Times, plano prevê fim do bloqueio contra navios e portos de Teerã e interrupção das ofensivas; Washington, porém, diz ter feito ataques retaliatórios contra alvos iranianos; Trump diz que ações foram ‘toque de amor’

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – Autoridades do Irã afirmaram nesta quinta-feira (7) que o regime do país está discutindo com os Estados Unidos uma proposta para reabrir o estreito de Hormuz e suspender as hostilidades por 30 dias enquanto as partes tentam negociar um acordo de paz mais amplo, segundo o jornal The New York Times.

    O plano em debate teria três pontos principais: o fim do bloqueio dos EUA contra navios e portos do Irã, a reabertura do estreito para o tráfego comercial e a interrupção dos combates, ainda de acordo com a publicação. O jornal mencionou três funcionários do regime que falaram sob a condição de anonimato porque, segundo eles, tratam-se de negociações delicadas. Autoridades americanas não se manifestaram.

    O programa nuclear iraniano é o maior impasse para a concretização do acordo, diz ainda o New York Times. Washington quer que Teerã concorde em entregar todo o seu estoque de urânio enriquecido e suspenda seu programa de enriquecimento por 20 anos.

    Mas o regime iraniano, até aqui, rejeita a proposta. Em contrapartida, autoridades do país persa teriam apresentado contraproposta em que sugerem diluir parte do urânio, enviar o restante para um terceiro país, possivelmente a Rússia, e suspender o programa nuclear por um período menor, de 10 a 15 anos.

    Funcionários e autoridades ouvidas pela agência de notícias Reuters também afirmaram nesta quinta que EUA e Irã se aproximam de um acordo temporário para interromper o conflito. A proposta em negociação gira em torno de um memorando de curto prazo, não de um acordo de paz abrangente.

    “Nossa prioridade é que eles anunciem um fim permanente da guerra, e o restante das questões poderá ser resolvido quando retomarem as negociações diretas”, afirmou à Reuters um funcionário paquistanês envolvido na mediação.

    Ainda na esfera diplomática, os EUA pressionaram os países-membros da ONU a apoiarem uma resolução que exige que o Irã interrompa ataques e ações de minagem no estreito de Hormuz. Apesar do apelo de Washington, diplomatas dizem que China e Rússia devem vetar a proposta no Conselho de Segurança.

    A nova resolução foi elaborada pelo governo americano e pelo Bahrein com apoio de Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Qatar. O texto condena supostaas violações do atual cessar-fogo e acusa Teerã de promover “ações e ameaças destinadas a fechar e restringir” a liberdade de navegação.

    O embaixador iraniano na ONU, Amir Saeid Iravani, afirmou que a resolução é “profundamente falha e unilateral”, além de politicamente motivada. “Os EUA não têm legitimidade legal, política ou moral para se apresentarem como defensores da liberdade de navegação ou da segurança marítima”, disse.

    Em paralelo, o regime acusou os EUA de violarem o cessar-fogo atualmente em vigor com ataques contra embarcações do país. Militares americanos, por sua vez, disseram ter incerpetado ofensivas iranianas contra três navios da Marinha em Hormuz. Também afirmaram ter feito ataques aéreos retaliatórios contra instalações militares responsáveis por atacar as forças americanas.

    Mais cedo, o Irã negou qualquer envolvimento de suas Forças Armadas na explosão de um navio da Coreia do Sul no estreito de Hormuz.

    Na segunda (4), um navio de bandeira panamenha operado pela sul-coreana HMM sofreu uma explosão e pegou fogo. Trump atribuiu o incidente a um ataque iraniano e pediu que o país asiático se juntasse às operações americanas de navegação na rota marítima. O Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Sul, por sua vez, afirmou que a causa do incêndio só poderá ser confirmada após a embarcação ser rebocada de volta ao porto e submetida a inspeção.

    Já o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que se reuniu recentemente com o líder supremo do país, Mojtaba Khamenei, segundo informou a mídia estatal iraniana. Foi o primeiro relato público de um encontro com Khamenei desde que ele sofreu ferimentos graves no início da guerra.

    Pezeshkian descreveu a reunião como marcada por uma atmosfera “humilde e profundamente cordial”.

    Irã e EUA discutem proposta para reabrir Hormuz e suspender ataques por 30 dias, diz jornal

  • Lula e Trump orientam ministros a resolverem tarifas em 30 dias

    Lula e Trump orientam ministros a resolverem tarifas em 30 dias

    Os EUA acusam o Brasil de concorrência desleal, mencionando o Pix, tarifas sobre etanol, desmatamento ilegal e proteção de propriedade intelectual; líderes dos dois países se encontraram para acordos

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (7), após reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, em Washington, que equipes dos dois governos deverão fechar uma proposta para resolver o impasse sobre tarifas de exportação e de uma investigação comercial aberta pelos norte-americanos contra o Brasil desde o ano passado.

    O objetivo é que uma proposta seja levada aos dois líderes em cerca de 30 dias. O Brasil voltou a defender o encerramento da apuração aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.

    “Eu falei assim: ‘Vamos colocar um grupo de trabalho e vamos permitir que esse moço [do Ministério] da Indústria e Comércio do Brasil, junto com o teu ministro do Comércio, sentem em 30 dias e apresentem para nós uma proposta para a gente poder bater o martelo’. Quem estiver errado vai ceder. Se a gente tiver que ceder, nós vamos ceder”, disse Lula a jornalistas na sede da Embaixada do Brasil em Washington.

    No procedimento, os EUA acusam o Brasil de concorrência desleal, mencionando o Pix, tarifas sobre etanol, desmatamento ilegal e proteção de propriedade intelectual. 

    Em abril deste ano, técnicos brasileiros reuniram-se nos EUA para esclarecimentos, defendendo o país contra a alegação de práticas desleais. 

    O governo brasileiro não reconhece a legitimidade de instrumentos unilaterais como a Seção 301, argumentando inconsistência com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). 

    Segundo Lula, o tema do Pix não foi mencionado durante a reunião entre os presidentes.

    Encontro prolongado

    Lula e Trump se reuniram por mais de 3 horas na Casa Branca, em Washington, incluindo um almoço oferecido pelo norte-americano. 

    A expectativa era que ambos atendessem à imprensa no Salão Oval antes da reunião, mas o presidente brasileiro pediu para que a conversa com a imprensa ocorresse após o encontro.

    Em postagem nas redes sociais, Trump informou que discutiu “muitos tópicos” com Lula, incluindo questões comerciais e de tarifas, e chamou Lula de “um presidente muito dinâmico”. 

    “A reunião foi muito produtiva. Nossos representantes têm reuniões agendadas para discutir alguns pontos-chave. Outras reuniões serão agendadas nos próximos meses, conforme necessário”, escreveu o norte-americano.

    Lula chegou à Casa Branca pouco depois do meio-dia (horário de Brasília). O encontro foi previamente negociado pelas equipes dos dois países, com a expectativa de tratar diversos temas, como comércio, combate ao crime organizado, além de questões geopolíticas e de minerais críticos.

    A jornalistas, Lula disse ter saído muito otimista da reunião bilateral. 

    “Eu acho que o Brasil está preparado para discutir com qualquer país do mundo, qualquer assunto. Não tem assunto proibido. A única coisa que não abrimos mão é da nossa democracia e da nossa soberania. O resto é tudo discutido”, afirmou o presidente.

    Crime organizado

    Durante a coletiva de imprensa, Lula anunciou que o governo brasileiro vai lançar um plano de combate ao crime organizado “na semana que vem” e que, na conversa com Trump, ficou acertado que uma das frentes de trabalho entre dos dois governos será a cooperação para asfixiar financeiramente as organizações criminosas transnacionais que atuam no Brasil e nos EUA.

    “Precisamos destruir o potencial financeiro do crime organizado e das facções”, defendeu. 

    Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, equipes da Receita Federal brasileira e a contraparte norte-americana deverão fazer operações conjuntas para bloquear o contrabando de armas e outros produtos, incluindo o tráfico ilegal de drogas sintéticas provenientes dos EUA.

    Ainda segundo Lula, eles não trataram sobre facções criminosas que atuam no Brasil. O governo dos EUA estuda mudar a designação de facções brasileiras como grupo terroristas, o que na avaliação do Brasil e de especialistas é um risco à soberania e não ajuda no combate ao crime

    Em abril, Brasil e Estados Unidos já haviam anunciado um acordo de cooperação mútua visando combater o tráfico internacional de armas e drogas. 

    A parceria prevê o compartilhamento de informações sobre apreensões feitas nas aduanas dos dois países, de forma a viabilizar uma investigação célere de padrões, rotas e vínculos entre remetentes e destinatários de produtos ilícitos.

    Terras raras

    Outro ponto abordado na reunião entre Lula e Trump foi os investimentos na exploração dos minerais críticos e das terras raras, que são fundamentais na fabricação de componentes eletrônicos de equipamentos de alta tecnologia. 

    Na coletiva de imprensa, Lula disse ter informado a Trump da aprovação, nesta quarta-feira (6), da lei que institui Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE). 

    O projeto prevê, entre outros pontos, a criação de um comitê ou conselho responsável por definir quais são os minerais críticos e estratégicos do país.

    Com cerca de 21 milhões de toneladas, a reserva brasileira de terras raras é a segunda maior já mapeada no mundo, ficando atrás apenas da China, que detém aproximadamente 44 milhões de toneladas. Porém, apenas cerca de 25% do território nacional foi mapeado, o que indica um enorme potencial ainda desconhecido.

    “Qualquer um que quiser, o Brasil estará aberto a construir parceria. O que nós não queremos é ser meros exportadores dessas coisas. Não queremos repetir o que aconteceu com a prata na América Latina, com o ouro no Brasil, com o minério de ferro que a gente manda muito para fora e a gente poderia fazer um processo de transformação interna que a gente não fez. Então, com as terras raras, a gente vai mudar de comportamento”, garantiu o presidente.

    Vistos revogados

    Lula disse ter entregue a Trump uma lista de autoridades e seus familiares brasileiros que ainda estão sofrendo com restrição de vistos norte-americanos como retaliação por conta do julgamento da tentativa de golpe de Estado no Brasil. 

    Parte da suspensão de vistos teria sido interrompida, mas algumas pessoas seguem sancionadas, incluindo, segundo Lula, a filha de 10 anos de idade do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e alguns ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).  

    Fazem parte da comitiva presidencial os ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira; da Justiça e Segurança Pública, Wellington César; da Fazenda, Dario Durigan; do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa; de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

    Histórico

    A relação comercial entre Brasil e Estados Unidos atravessa, desde 2025, uma fase de tensões decorrentes da política tarifária adotada pelo presidente Donald Trump, que retomou medidas protecionistas já observadas em seu primeiro mandato.

    O ciclo de disputas começou com a imposição de tarifas de 25% sobre as importações de aço e alumínio, afetando diretamente o Brasil, um dos principais fornecedores desses produtos ao mercado norte-americano.

    As justificativas apresentadas pelos EUA para tais medidas combinavam argumentações econômicas e políticas.

    Houve também críticas à Suprema Corte brasileira, no contexto das decisões do Judiciário brasileiro relacionadas ao processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, envolvido com os atos golpistas que culminaram com o 8 de janeiro de 2023.

    Em abril, os Estados Unidos adotaram tarifas adicionais sobre diversos produtos brasileiros, sob o argumento de falta de reciprocidade comercial. O governo brasileiro intensificou algumas tratativas diplomáticas e, mais adiante, levou o tema à Organização Mundial do Comércio (OMC).

    Além disso, o Brasil fortaleceu alguns de seus instrumentos legais, como medidas de reciprocidade e retaliação, na tentativa de evitar uma escalada ainda maior por parte do governo dos EUA.

    No fim de 2025 e no início deste ano, houve recuo parcial dos Estados Unidos, com exclusões de produtos e substituição do tarifaço por uma tarifa global temporária de cerca de 10%. Setores como aço e alumínio, porém, seguem com taxas elevadas.

    A comitiva brasileira retorna a Brasília ainda esta noite com previsão de chegada nesta sexta-feira (8).

    Lula e Trump orientam ministros a resolverem tarifas em 30 dias

  • Líbano e Israel farão nova rodada de negociações nos EUA em meio a frágil trégua

    Líbano e Israel farão nova rodada de negociações nos EUA em meio a frágil trégua

    Encontro nos dias 14 e 15 será o terceiro entre os países, que não têm relações diplomáticas formais. Bombardeios de Tel Aviv e ataques do Hezbollah a tropas israelenses continuam apesar de cessar-fogo

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – Líbano e Israel realizarão nova rodada de negociações em Washington na semana que vem, segundo afirmou um funcionário do governo dos Estados Unidos, que pediu anonimato, nesta quinta-feira (7). Apesar da continuidade das conversas e do frágil cessar-fogo em vigor, forças israelenses têm ampliado seus ataques contra o Hezbollah no Líbano, principalmente no sul do país.

    O funcionário do Departamento de Estado americano indicou que a nova rodada de conversas entre Israel e Líbano ocorrerá nos dias 14 e 15 de maio. A autoridade não detalhou quem participaria do encontro; o último ocorreu na Casa Branca com a presença do presidente Donald Trump, do vice-presidente J. D. Vance e de diplomatas dos três países.

    A reunião será o terceiro encontro entre as partes com mediação dos EUA nos últimos meses. Israel e Líbano estão tecnicamente em estado de guerra e não mantêm relações diplomáticas desde a criação do Estado judeu, em 1948.

    O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou na terça-feira (5) que um acordo de paz entre as partes era “perfeitamente viável”, e insistiu que o Hezbollah era o obstáculo, e não qualquer outra questão entre os dois governos.

    O Líbano foi arrastado para o conflito no Oriente Médio quando o Hezbollah, uma facção xiita apoiada pelo Irã, lançou foguetes contra Israel após Washington e Tel Aviv iniciarem o conflito contra Teerã no dia 28 de fevereiro.

    Na última reunião entre os rivais em Washington, no dia 23, uma extensão de três semanas da trégua foi anunciada por Trump, mas isso não impediu que Israel continuasse sua campanha de bombardeios contra o grupo radical, que por sua vez reivindicou ataques contra as forças israelenses que ocupam algumas partes do sul do Líbano.

    Nesta quinta, o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, disse que não havia “imunidade” para os inimigos de Israel, um dia após ataque em Beirute que teve como alvo Ahmed Ali Balout, um comandante do Hezbollah. Foi o primeiro ataque aos subúrbios ao sul de Beirute, onde a facção tem muita força política, desde o início do cessar-fogo.

    Israel afirmou que o ataque matou o comandante da força de elite Radwan do grupo. O Hezbollah não emitiu qualquer declaração sobre o ataque ou sobre a situação do comandante.

    “Ele provavelmente leu na imprensa que tinha imunidade em Beirute. Bem, ele leu e isso não é mais o caso”, disse Netanyahu. “Digo aos nossos inimigos da forma mais clara possível: nenhum terrorista tem imunidade”, afirmou o premiê.

    Israel segue também fazendo ataques na Faixa de Gaza, território palestino que tem mais de 50% de sua área controlada pelas forças do Estado judeu enquanto não avançam as etapas subsequentes do acordo que reduziu a intensidade do conflito em Gaza.

    Um bombardeio israelense matou o filho do principal negociador do Hamas nas conversas, também mediadas pelos EUA, sobre o futuro de Gaza, disse um alto funcionário do Hamas na quinta-feira, enquanto líderes do grupo terrorista realizavam conversas no Cairo com o objetivo de preservar a trégua com Israel.

    Azzam Al-Hayya, filho de Khalil Al-Hayya, não resistiu aos ferimentos na quinta-feira após ser atingido na noite de quarta-feira, segundo autoridades de saúde em Gaza e do Hamas. Ele foi o quarto filho do chefe exilado do Hamas a ser morto em ataques israelenses no território palestino.

    Líbano e Israel farão nova rodada de negociações nos EUA em meio a frágil trégua

  • Lula propôs a Trump criar grupo de combate ao crime organizado

    Lula propôs a Trump criar grupo de combate ao crime organizado

    Presidente brasileiro afirma que repressão isolada não resolve problema da produção de drogas na região. Governo tenta evitar classificação de CV e PCC como terroristas por temer intervenção dos EUA

    WASHINGTON, EUA E SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou após encontro na Casa Branca com seu homólogo americano, Donald Trump, que os dois não discutiram a designação do CV (Comando Vermelho) e do PCC (Primeiro Comando da Capital) como organizações terroristas. “Não foi discutido isso”, disse o líder brasileiro ao ser questionado sobre o assunto pela Folha de S.Paulo.

    Lula, entretanto, disse que os dois discutiram temas considerados tabus, entre eles o combate ao crime organizado e ao narcotráfico.

    O brasileiro disse ter defendido ao presidente americano que a repressão isolada não resolve o problema da produção de drogas na América Latina. Para ele, é necessário criar alternativas econômicas para os países produtores de drogas. “Como você vai fazer um país deixar de produzir coca se você não oferece uma alternativa de produto para que alguém possa plantar e ganhar dinheiro?”, disse ele.

    Lula afirmou ter proposto a criação de um grupo internacional de combate ao crime organizado, envolvendo países da América Latina e, possivelmente, outras nações, “quiçá de todo o mundo”.

    Notícias ao Minuto [Delegação brasileira na Casa Branca com Trump]© Getty Images  

    “Nós criamos uma base na cidade de Manaus para combater o crime organizado, o tráfico de armas e de drogas na fronteira brasileira, com a participação de delegados da polícia de todos os países da América do Sul. Se os EUA quiserem compartilhar e participar conosco, estarão convidados”, afirmou Lula.

    O governo Lula tenta evitar a mudança na designação do CV e do PCC. Como mostrou a Folha de S.Paulo, o Planalto avalia que a designação abriria brecha legal para intervenções dos EUA em território brasileiro.

    Em suas redes sociais, Trump escreveu que o encontro correu “muito bem” e que os líderes discutiram vários assuntos, incluindo comércio e tarifas. O republicano não mencionou debates relacionados ao crime organizado.

    Já o petista afirmou na entrevista coletiva que a reunião marcou “um passo importante” para fortalecer a relação histórica entre os dois países e defender o multilateralismo diante das tensões comerciais globais. “Saio daqui com a ideia de que nós demos um passo importante na consolidação da relação democrática histórica que o Brasil tem com os EUA”, disse.

    O presidente ressaltou que Brasil e EUA são “as duas maiores democracias do hemisfério” e afirmou que a boa relação entre os países pode servir de exemplo internacional. Segundo ele, o tema já havia sido tratado em conversa anterior com Trump, durante encontro na Malásia.

    Lula também disse ter destacado a relevância histórica dos EUA para a economia brasileira, lembrando que, ao longo do século 20, o país foi o principal parceiro comercial do Brasil. Ao mesmo tempo, criticou o que chamou de perda de interesse de Washington pela América Latina nas últimas décadas.

    Segundo o presidente brasileiro, os EUA passaram a olhar a região principalmente sob a ótica do combate ao narcotráfico, enquanto deixaram de ampliar investimentos e parcerias econômicas.

    “É importante que os EUA voltem a ter interesse nas coisas do Brasil”, afirmou. “Muitas vezes fazemos licitações internacionais para rodovias ou ferrovias e os EUA não participam. Quem participa são os chineses.”

    Lula comparou ainda a postura americana à da União Europeia, dizendo que o bloco também teria reduzido sua atenção à América Latina após priorizar o Leste Europeu. Para o presidente, o cenário internacional atual fez o mundo voltar a perceber a importância estratégica da região.

    O brasileiro afirmou também que os dois conversaram sobre terras raras e tarifas, mas que não chegaram a falar sobre o PIX, alvo de investigação comercial nos EUA. Lula disse também ter brincado com Trump em relação aos vistos na Copa do Mundo. “Espero que você não venha anular o visto dos jogadores brasileiros. Vamos vir aqui para ganhar. Ele riu”, disse.

    Antes, o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, também afirmou que a reunião foi positiva. Ele disse que os presidentes discutiram as investigações da Seção 301, abertas pelo governo Trump contra o Brasil e que podem resultar em sanções e tarifas adicionais ao país.

    O governo brasileiro ressaltou a necessidade de concluir a investigação. As tarifas também entraram na pauta das discussões, e as partes concordaram em voltar a se reunir nos próximos 30 dias para reavaliar o tema, acrescentou ele.

    Esta foi a sexta visita do petista à sede do governo americano, sendo a primeira sob Trump. Em mandatos anteriores, Lula visitou a Casa Branca em 2002 -ainda como eleito, antes de assumir o cargo-, 2003 e 2008, em encontros com o então presidente George Bush. Em seguida, em 2009, encontrou Barack Obama e, já em seu terceiro mandato, o brasileiro foi recebido por Joe Biden, em 2023.

    Lula propôs a Trump criar grupo de combate ao crime organizado

  • Brasil suspende exigência de visto para chineses até dezembro de 2026

    Brasil suspende exigência de visto para chineses até dezembro de 2026

    Medida oficializada por Alckmin entra em vigor na próxima segunda-feira (11) e vale para viagens de até 30 dias. Decisão foi tomada em reciprocidade à China, que suspendeu o visto para brasileiros em junho de 2025

    SALVADOR, BA (CBS NEWS) – O presidente em exercício, Geraldo Alckmin (PSB), oficializou nesta quinta-feira (7) o acordo que suspende a exigência de vistos para entrada de cidadãos chineses no Brasil em viagens de curta duração.

    A medida, que entra em vigor na próxima segunda-feira (11) foi adotada em reciprocidade à China, que suspendeu a exigência de visto para cidadãos brasileiros entrarem no país em junho de 2025.

    A decisão foi publicada no Diário Oficial da União desta quinta e anunciada por Alckmin em Fortaleza durante a abertura da 10ª edição do Salão do Turismo, evento promovido pelo Ministério do Turismo.

    Em discurso, Alckmin destacou o potencial de crescimento do número de turistas vindos da China, país com 1,3 bilhão de habitantes.

    Alckmin afirmou também que, mesmo com a exigência de vistos, o número de turistas chineses cresceu 35% no ano passado. A expectativa é de um crescimento ainda maior com a queda do visto.

    O acordo que suspende a exigência de vistos permanece em vigor até 31 de dezembro de 2026 e é válido para viagens de até 30 dias para turismo, negócios, trânsito, além da participação em atividades artísticas ou esportivas.

    A decisão de suspender a exigência de visto foi anunciada pelo presidente Lula em 23 de janeiro. No dia anterior, Lula havia comunicado a decisão ao líder chinês Xi Jinping em conversa por telefone.

    O Brasil vive um momento de ascensão na entrada de turistas vindos de outros países. Em 2025, o Brasil alcançou o recorde de 9,2 milhões de turistas estrangeiros. No primeiro trimestre de 2026, 3,4 milhões de visitantes internacionais entraram no país.

    Brasil suspende exigência de visto para chineses até dezembro de 2026