Categoria: MUNDO

  • Maduro propôs deixar poder na Venezuela em dois anos, e EUA rejeitaram, diz jornal

    Maduro propôs deixar poder na Venezuela em dois anos, e EUA rejeitaram, diz jornal

    The New York Times afirma que proposta foi feita em negociações que ocorrem nos bastidores; Forças Armadas americanas continuam mobilizadas no Caribe e pressionam ditador

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, propôs ao governo dos Estados Unidos renunciar em dois anos, de acordo com o jornal americano The New York Times, que ouviu diversas pessoas com conhecimento do assunto, sob anonimato. A Casa Branca, ainda segundo o jornal, recusou a oferta de Maduro.

    A proposta ocorre em meio a uma grande pressão de Washington contra o ditador e autoridades do regime. O maior porta-aviões do mundo e uma série de outras embarcações, aeronaves e milhares de soldados estão posicionados no Caribe enquanto os EUA têm assassinado supostos narcotraficantes em lanchas na região, sem fornecer evidências da ligação dos barcos com o narcotráfico.

    A mensagem a Caracas é clara, já que Washington considera Maduro líder de um cartel de drogas, acusação que o ditador rejeita.

    Embora as ameaças estejam dadas, o presidente Donald Trump abriu a possibilidade de diálogo com Caracas, no último domingo (16). Teria sido a partir dessa nova rodada de negociações que Maduro fez a proposta rejeitada, segundo o New York Times.

    Trump assinou planos para que a agência de inteligência americana execute operações secretas dentro da Venezuela -ações que podem ter como objetivo preparar o campo de batalha para operações futuras, disseram as pessoas com quem o New York Times conversou.

    Não está claro quais seriam as ações secretas ou quando qualquer uma delas poderia ser executada. Trump ainda não autorizou o uso de tropas em solo venezuelano, o que significa que a próxima fase da campanha de pressão contra Maduro poderia estar relacionada a atos de sabotagem ou algum tipo de operação cibernética, psicológica ou de informação.

    Segundo o jornal, o presidente americano não tomou uma decisão sobre o curso mais amplo de ação a seguir na Venezuela -na semana passada, ele disse que já havia se decidido, mas que não divulgaria qual medida tomaria.

    Ele tampouco tem falado publicamente sobre objetivos além de conter o fluxo de drogas da região, Planejadores militares e da CIA prepararam múltiplas opções para diferentes contingências, além de listas de supostas instalações de drogas que poderiam ser atacadas.

    O Pentágono também avalia ataques a unidades militares próximas a Maduro. Trump realizou duas reuniões na semana passada na Sala de Crise da Casa Branca, local de tomada de decisões de presidentes americanos em situações de emergência, para discutir a situação na Venezuela e revisar opções com seus principais conselheiros.

    Qualquer ação secreta da CIA provavelmente ocorreria antes de tais ataques militares. Tanto a Casa Branca como a CIA recusaram-se a comentar sobre a ordem de Trump após pedidos do New York Times.

    Maduro propôs deixar poder na Venezuela em dois anos, e EUA rejeitaram, diz jornal

  • Consulado pede providências sobre agressão a criança brasileira

    Consulado pede providências sobre agressão a criança brasileira

    Consulado pede providências sobre agressão a criança brasileira

    O consulado brasileiro na cidade do Porto, em Portugal, entrou em contato com autoridades portuguesas, solicitando informações sobre o ocorrido com o menino brasileiro de 9 anos, que sofreu amputação parcial de dois dedos em uma escola naquele país.

    Os diplomatas brasileiros contactaram também a mãe do menino, Nívea Estevam, a quem foi oferecida assistência jurídica e psicológica à família.

    O caso ocorreu em Cinfães, no dia 10 de novembro, na Escola Básica Fonte Coberta. As suspeitas são de que a agressão – cometida por outros estudantes que teriam usado uma porta do banheiro para pressionar os dedos da criança – teria sido motivada por xenofobia e racismo. 

    Relatos da mãe da criança indicam que estudantes praticavam bullying contra seu filho. O caso chamou a atenção da mídia portuguesa, levando a coordenadora do Bloco da Esquerda (BE), Mariana Mortágua, a questionar o Ministério da Educação de Portugal sobre a possibilidade de se tratar de mais um caso de racismo e xenofobia nas escolas do país.

    Informações e providências

    A solicitação de informações sobre o caso foi feita pelo embaixador do Brasil em Lisboa, Raimundo Carrero, a autoridades dos ministérios da Administração Interna e da Educação, Ciência e Inovação.

    Segundo as autoridades consulares brasileiras, na solicitação de informações foi pedido também que providências sejam adotadas, caso se confirmem as suspeitas de motivações xenofóbicas ou racistas contra o estudante brasileiro, que é negro.

    Denúncia

    Diante do ocorrido, a mãe do menino usou as redes sociais para denunciar o caso. Disse que foi procurada pela escola, que classificou o caso como um acidente. Disse também ter sido mal atendida, ao contactar a polícia pública portuguesa para denunciar o caso, após ter informado sobre a possibilidade de se tratar de um caso de racismo.

    Segundo ela, o policial teria batido na mesa e dito que não toleraria que se falasse em racismo ou xenofobia porque todos seriam iguais em Portugal, e que se a escola havia dito que foi algo acidental, é porque, de fato, teria sido um acidente.

    Consulado pede providências sobre agressão a criança brasileira

  • Político australiano renuncia após filha surgir em série de pornografia

    Político australiano renuncia após filha surgir em série de pornografia

    Dugal Saunders decidiu renunciar ao cargo de líder do Partido Nacional de Nova Gales, justificando a sua saída com querer concentrar-se na família

    O líder do Partido Nacional de Nova Gales do Sul (NSW), Dugald Saunders, renunciou, nesta segunda-feira (17), ao cargo depois de a filha de 19 anos ter participado de uma série sobre a indústria pornográfica. 

    O The Australian revela que Saunders chocou os colegas com a sua renúncia repentina ao cargo de líder do partido, justificando que queria se concentrar na família. O seu anúncio aconteceu exatamente um dia depois de a filha ter aparecido em uma série sobre pornografia online. 

    No entanto, um porta-voz do deputado afirmou que foi apenas uma coincidência a renúncia ter acontecido após a aparição da filha no documentário, destacando que Dugald Saunders teria vários membros da família com doenças graves. 

    Em um comunicado, Sanders referiu que estava “dando um passo atrás” para “focar na família”, mas que foi “uma honra liderar a equipe parlamentar durante um período desafiante na oposição”.

    “É também o momento certo para que um novo líder assuma esta luta antes das próximas eleições”, disse, uma vez que Nova Gales de Sul irá ter eleições em março de 2027. 

    Saunders, que liderava o partido desde 2023 e que, em tempos, foi locutor da ABC Western Planis, foi ainda elogiado pelo líder da oposição, Mark Speakman, que afirmou que o homem continuaria sendo um “campeão do seu eleitorado em Dubbo”.

    “As pessoas ainda se lembram dele narrando os Jogos Olímpicos de Sydney (em 2000) e dos anos na Rádio ABC, dando voz aos moradores de toda a região oeste”, disse Speakman, acrescentando que quando Saunders entrou na política “as qualidades como locutor foram aproveitadas”.

    Quanto à filha do líder do partido, a jovem apareceu no primeiro episódio de Spicy Summer, onde contou aos produtores que começou a criar conteúdo pornográfico quando completou 18 anos. 

    “O TikTok me inspirou. Se eles conseguem, eu também consigo”, referiu Charlie, de 19 anos.

    Charlie acusou ainda as mulheres mais velhas de terem “inveja” porque o OnlyFans “não existia quando eram mais jovens e que tinham de ser apenas donas de casa”. 

    Em seguida, a jovem é filmada a fazer um ‘beer bong’, que é um funil com um tubo longo que permite que alguém beba álcool. Já sobre o conteúdo que estava disposta a fazer, Charlie afirmou que nada estava fora de questão.  “Literalmente, já fiz de tudo, sem mostrar a minha cara”, disparou.

    Político australiano renuncia após filha surgir em série de pornografia

  • Oposição na Alemanha crítica Merz por saldo desastroso de viagem a Belém

    Oposição na Alemanha crítica Merz por saldo desastroso de viagem a Belém

    Declarações de Friedrich Merz sobre Belém geraram forte reação de opositores e ambientalistas na Alemanha, que apontaram desrespeito ao Brasil e falhas na política externa e climática. O episódio viralizou nas redes e ampliou a pressão sobre o primeiro-ministro após a visita à COP30.

    (CBS NEWS) – Katharina Dröge, co-líder dos Verdes no Parlamento alemão, criticou Friedrich Merz pelas declarações negativas em relação a Belém. “Aos poucos começamos a nos perguntar se o o primeiro-ministro ainda pode aparecer em algum lugar sem colocar a Alemanha em uma situação difícil”, disse a opositora à agência DPA.

    “A imagem que o primeiro-ministro transmitiu durante sua viagem ao Brasil foi desastrosa: falta de tato na política externa, falta de ambição na política climática e simplesmente desrespeito ao Brasil.” Merz também foi criticado por ambientalistas alemães que participam da COP30 em Belém.

    Lars Klingbeil, vice-premiê e principal nome do SPD na coligação de governo montada pelo conservador Merz, fez uma defesa calculada do chefe. “Acho que, no geral, podemos dizer que foi uma visita muito boa a Belém por parte do primeiro-ministro”, disse o social-democrata durante uma viagem à China.

    Sobre o incidente, Klingbeil diz ter percebido “que existe essa irritação”. “Porém vamos dissipá-la rapidamente.” Questionado se o primeiro-ministro deveria se expressar dessa forma, o aliado pulou para a teoria: “Sempre sou a favor de que os políticos possam falar livremente”.

    Após resposta pública do presidente Lula a Merz, a reportagem voltou a procurar o governo alemão em Berlim, mas não obteve resposta. Na terça-feira (18), o gabinete do primeiro-ministro não comentou as críticas ao chefe de governo, mas enalteceu a “beleza natural” do Brasil e relatou que Merz lamentou não ter tido mais tempo para conhecer Belém e a Amazônia.

    Na última segunda-feira, vídeo de um discurso de Merz comparando Brasil e Alemanha e sublinhando de maneira negativa Belém viralizou nas redes sociais, provocando reação de políticos, diplomatas e ambientalistas.

    Oposição na Alemanha crítica Merz por saldo desastroso de viagem a Belém

  • 2024 foi o pior ano para as crianças desde a II Guerra Mundial

    2024 foi o pior ano para as crianças desde a II Guerra Mundial

    O representante da UNICEF, Bainvel, afirma que 2024 se tornou o pior ano para a infância desde a Segunda Guerra, com mais pobreza, violência, falta de vacinas e milhões de crianças deslocadas, enquanto a Unicef cobra novas estratégias globais e financiamento adequado para proteger seus direitos.

    O representante da Unicef junto à União Europeia, Bertrand Bainvel, afirmou nesta quarta-feira (19) que 2024 se tornou o pior ano para as crianças desde a Segunda Guerra Mundial. Segundo ele, o planeta vive uma crise global de solidariedade, marcada por mais pobreza, menos acesso a educação e imunização, além de um número recorde de pessoas deslocadas — metade delas, crianças.

    Diretor do Escritório de Parcerias da Unicef em Bruxelas, Bainvel participou de uma conferência em Lisboa e descreveu o cenário atual como um período de profunda incerteza para a infância. Ele lembrou que, em 1989, o mundo se uniu para aprovar a Convenção sobre os Direitos da Criança, hoje o documento mais ratificado do planeta, mas que precisa ser atualizado diante de desafios contemporâneos, como o impacto das novas tecnologias.

    Bainvel destacou ainda que o subfinanciamento das agências da ONU e de entidades de defesa dos direitos humanos cria obstáculos sérios para atuar em escala global. Para ele, investir em proteção à infância “não é caridade, é responsabilidade”. Os próximos meses serão decisivos, já que a União Europeia discutirá o próximo Quadro Financeiro Plurianual, que determinará o volume de recursos destinados a organismos como a Unicef entre 2028 e 2034.

    A diretora executiva da Unicef, Beatriz Imperatori, também defendeu novas estratégias para enfrentar a violência contra crianças. Apenas em 2024, mais de 1,3 milhão de pessoas relataram ter sofrido violência na infância, incluindo mais de mil denúncias de abuso sexual infantil.

    Imperatori ressaltou a urgência de políticas robustas de prevenção e destacou a proposta do Comitê Português para a Unicef, que defende a criação de uma Estratégia Nacional para a Erradicação da Pobreza Infantil e de uma entidade independente para coordenar as políticas de proteção à infância em Portugal.

    Apesar dos desafios, a diretora lembrou que os 35 anos da Convenção sobre os Direitos da Criança representam avanços importantes em Portugal, como a queda expressiva do analfabetismo, a ampliação da escolaridade obrigatória, o acesso universal à saúde, o fortalecimento da cobertura vacinal e a proibição de casamentos antes dos 18 anos a partir de 2025.

    A Unicef celebra nesta quinta-feira (20) o aniversário da Declaração dos Direitos da Criança, adotada em 1959, e da Convenção de 1989.

     
     

    2024 foi o pior ano para as crianças desde a II Guerra Mundial

  • Incêndio atinge pelo menos 170 edifícios na cidade de Oita no Japão

    Incêndio atinge pelo menos 170 edifícios na cidade de Oita no Japão

    Um incêndio de grandes proporções devastou parte de uma área residencial em Oita, no sul do Japão, destruindo dezenas de imóveis, deixando uma pessoa desaparecida e forçando a retirada de 175 moradores enquanto bombeiros seguem em ação para conter as chamas que avançam pela floresta próxima

    Um grande incêndio atingiu uma área residencial na cidade de Oita, no sul do Japão, deixando uma pessoa desaparecida e forçando a retirada de 175 moradores, segundo autoridades locais.

    De acordo com a emissora NHK, equipes de bombeiros continuam trabalhando para controlar o fogo, que também avançou para uma área de floresta próxima.

    Imagens registradas na noite de terça-feira mostram chamas intensas consumindo casas enquanto moradores eram levados para um centro de evacuação.

    O incêndio começou ainda na noite de terça e levou à retirada de famílias de 115 residências. Ao todo, pelo menos 170 prédios foram atingidos.

    O governo regional informou que o governador pediu apoio das Forças de Autodefesa do Japão para reforçar o combate ao fogo.

    Cerca de 300 casas permanecem sem energia elétrica e uma pessoa segue desaparecida.

    Incêndio atinge pelo menos 170 edifícios na cidade de Oita no Japão

  • Trump diz que príncipe saudita acusado de matar jornalista é 'incrível em direitos humanos'

    Trump diz que príncipe saudita acusado de matar jornalista é 'incrível em direitos humanos'

    Evitado após morte do jornalista Jamal Khashoggi, em 2018, Mohammed bin Salman tenta elevar posição diplomática com trégua em Gaza; em visita com agenda cheia, americano quer concluir venda de caças F-35 e mais de R$ 3 tri em acordos

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (18) que o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, é “incrível em termos de diretos humanos”. Trata-se da primeira primeira visita do líder de fato do reino árabe a Washington desde 2018, quando o jornalista saudita Jamal Khashoggi foi assassinado dentro do consulado de seu país em Istambul.

    “Temos um homem extremamente respeitado no Salão Oval hoje, e um amigo meu de longa data, um grande amigo meu”, disse o republicano. “Estou muito orgulhoso do trabalho, o que ele fez é incrível em termos de direitos humanos e tudo mais.”

    MbS, como o príncipe herdeiro também é conhecido, foi recebido em cerimônia oficial com pompa na entrada pelo Gramado Sul da Casa Branca, com fanfarra, tapete vermelho e sobrevoo de jatos F-15, já operados pelos sauditas, e F-35, cuja venda é um dos objetivos da visita para Trump.

    Estava presente o grosso do gabinete do republicano: o vice-presidente, J. D. Vance, a chefe de gabinete, Susie Wiles, e os secretários Marco Rubio (Estado), Scott Bessent (Tesouro), Pete Hegseth (Defesa) e Howard Lutnick (Comércio).

    A morte de Khashoggi transformou em um pária internacional. Relatórios de inteligência dos EUA durante o governo de Joe Biden concluíram que MbS foi o mandante do assassinato do jornalista, um crítico da monarquia saudita que escrevia para o jornal americano The Washington Post.

    Reconstituições com informações e diálogos obtidos pela polícia turca indicam que Khashoggi foi sufocado e depois esquartejado depois de entrar no consulado com o intuito de obter documentos para se casar com sua noiva, Hatice Cengiz, que ficou do lado de fora do local esperando por ele.

    A visita desta terça-feira parece desenhada para mostrar o novo momento da relação entre Washington e Riad -e para ignorar a morte do jornalista.

    Trump e MbS terão reunião, almoço e jantar ao longo do dia. A previsão é de que o saudita tenha compromissos com o presidente americano das 11h (13h de Brasília) até se despedir, às 21h (23h de Brasília).

    O republicano espera concluir negócio com o príncipe para a venda de 48 caças F-35, além de investimento de US$ 600 bilhões (R$ 3,18 trilhões) que foram prometidos a Trump durante a visita do americano à Arábia Saudita, em maio.

    Esta seria a primeira venda dos caças F-35 americanos para o reino, e sua mera possibilidade já indica uma mudança significativa da política americana para o Oriente Médio e mexe com as alianças estabelecidas e a balança de poder na região.

    O Exército de Israel manifestou formalmente ao governo israelense se opor à venda sob o argumento de que perderia a vantagem de ser o único país da região operando os caças avançados. Tel Aviv tem trabalhado para dificultar vendas semelhantes a outras nações da região, como a Turquia e os Emirados Árabes Unidos. Nesta segunda-feira (17), Trump confirmou a repórteres a intenção de vender os F-35 para a Arábia Saudita.

    Além de equipamentos militares, o líder saudita busca garantias de segurança, acesso a tecnologias de inteligência artificial e avanços em um acordo sobre um programa nuclear civil. “Os sauditas gastarão muito dinheiro amanhã nos EUA”, disse um funcionário da Casa Branca à agência Reuters nesta segunda-feira.

    Para além das vendas e acordos previstos, Trump quer do príncipe herdeiro algum sinal de que Riad vai enfim se juntar aos Acordos de Abraão, nome dado aos pactos de normalização das relações entre países de maioria árabe e Israel que o republicano colocou em marcha durante seu primeiro mandato.

    Na ocasião, ele conseguiu vitórias menores mas importantes, com Bahrein, Marrocos e Emirados Árabes Unidos se juntando à iniciativa, em troca de acordos de investimento, concessões e vendas de armas americanas.

    Os sauditas, no entanto, foram mais relutantes. Dada a grande relevância política, econômica, militar e religiosa de Riad no Oriente Médio, a normalização das relações da Arábia Saudita com Israel era o grande prêmio da iniciativa diplomática, mas que parava em algumas condições sauditas difíceis de avançarem, como o rascunho de um caminho para a criação de um Estado palestino.

    Tudo desmoronou em 7 de outubro de 2023, com o ataque do Hamas às comunidades no sul de Israel que deixou 1.200 mortos e desencadeou a reação do Estado judeu na Faixa de Gaza, o que bloqueou qualquer chance de normalização.

    Com o mais recente acordo de cessar-fogo, MbS tenta posicionar Riad como força relevante do mundo árabe para a reconstrução do território palestino. Junto com a França, a Arábia Saudita liderou movimento que, por um lado, fez importantes países ocidentais reconheceram um Estado palestino e, por outro, fez nações árabes e muçulmanas condenarem o Hamas.

    “É muito importante para Trump que eles [sauditas] se juntem aos Acordos de Abraão durante seu mandato, então ele está aumentando a pressão”, afirmou à Reuters Dennis Ross, que foi negociador dos EUA para o Oriente Médio e hoje trabalha no think tank Instituto Washington para Políticas do Oriente Médio.

    O especialista diz ainda que a estratégia de Trump busca um relações mais multifacetadas que retirem a Arábia Saudita da esfera de influência da China. “O presidente Trump acredita que todos esses passos vinculam os sauditas aos EUA, da segurança a questões de finanças, IA e energia”, afirmou.

    Trump diz que príncipe saudita acusado de matar jornalista é 'incrível em direitos humanos'

  • Empresa polonesa é acusada de fornecer explosivos para Israel usar em Gaza

    Empresa polonesa é acusada de fornecer explosivos para Israel usar em Gaza

    Israel lançou em Gaza o equivalente a duas bombas nucleares no primeiro mês da guerra, segundo o Observatório Euro-Med de Direitos Humanos

    SÃO PAULO, SP (UOL/CBS NEWS) – A empresa estatal polonesa, Nitro-Chem, foi acusada por organizações Pró Palestina de fornecer a Israel explosivos usados em bombas implantadas na Faixa de Gaza.

    A fabricante teria fornecido TNT (trinitrotolueno) a empresas de armamento dos EUA para uso em projéteis, bombas e granadas militares exportadas para Israel. As informações do relatório foram levantadas pelas organizações pró Palestina Movimento da Juventude Palestina, Shadow World Investigations e Movement Research Unit.

    A Nitro-Chem é a única grande produtora de TNT na União Europeia e na Otan, segundo o relatório. “Este TNT é enviado para empresas de fabricação de armas dos EUA para a produção de grandes bombas aéreas, particularmente a série de bombas MK-80, na qual os militares israelenses se basearam fortemente para conduzir o genocídio em Gaza”, publicou o Movimento da Juventude Palestina no X.

    A Nitro-Chem também tem vendido explosivos, incluindo TNT, diretamente para Israel, ainda de acordo com o relatório. “Estima-se que 75 mil toneladas de explosivos tenham sido usadas contra a população de Gaza, com a empresa polonesa Nitro-Chem como fornecedora de TNT para as bombas da série MK-80, utilizadas por Israel”, afirmou o Movimento da Juventude Palestina no X.

    Bombardeios aéreos que mataram milhares de palestinos não seriam possíveis sem o TNT fabricado pela empresa polonesa. No relatório é pedido que a Nitro-Chem e que as autoridades polacas que cessem “imediatamente o fornecimento de TNT para a produção de bombas e artilharia da série MK-80 usadas por Israel, bem como o fornecimento direto de explosivos a Israel”.

    Israel lançou em Gaza o equivalente a duas bombas nucleares no primeiro mês da guerra, segundo o Observatório Euro-Med de Direitos Humanos. Mais de 25.000 toneladas de explosivos foram lançados no enclave.

    Empresa polonesa é acusada de fornecer explosivos para Israel usar em Gaza

  • Após recuo de Trump, Câmara aprova liberação de arquivos do caso Epstein

    Após recuo de Trump, Câmara aprova liberação de arquivos do caso Epstein

    Medida exige divulgação de todos os documentos não confidenciais sobre suposto esquema de tráfico sexual; após recuo, Trump disse que republicanos na Câmara e no Senado deveriam apoiar texto e prometeu sancioná-lo

    BRASÍLIA, DF E SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – Em voto quase unânime, a Câmara dos Representantes e o Senado dos Estados Unidos aprovaram nesta terça-feira (18) a liberação dos arquivos do Departamento de Justiça sobre Jeffrey Epstein, caso que tem gerado desgaste para o presidente Donald Trump e cobranças de sua base.

    Na Câmara, a medida teve placar de 427 votos a 1, com cinco abstenções. No Senado, recebeu aval de todos os parlamentares, sem exceção, após uma manobra do Partido Democrata. Agora, o texto vai para a sanção presidencial -Trump prometeu não vetar a lei se aprovada no Congresso.

    A reviravolta acontece dois dias após Trump abandonar sua oposição à medida. O texto exige a divulgação de todos os materiais não confidenciais sobre Epstein e o suposto esquema de tráfico sexual e exploração de menores que o financista teria operado.

    Na Câmara, o único voto contrário foi do republicano Clay Higgins, deputado trumpista da Louisiana. Em publicação no X, Higgins explicou sua posição, dizendo que a lei “revela a identidade de milhares de inocentes, entre testemunhas, familiares, etc”. “Se for aprovada da forma como está, uma revelação tão ampla de uma investigação criminal, liberada para uma mídia raivosa, irá resultar em pessoas inocentes sendo prejudicadas”, afirmou o parlamentar.

    No Senado, o líder da oposição, o senador por Nova York Chuck Schumer, manobrou para que a lei fosse aprovada por consenso -isto é, propôs que a Casa avalizasse a medida de maneira automática a menos que algum senador levantasse objeções. Nenhum republicano o fez, e o texto foi aprovado.

    Trump, cujas relações com Epstein têm sido exploradas por críticos e apoiadores, há muito tempo alimenta teorias conspiratórias sobre o abusador que cultivou muitos amigos ricos e poderosos -Epstein foi condenado por crimes sexuais na justiça estadual da Flórida em 2008. Ele foi preso por acusações semelhantes, mas mais graves, em 2019, quando morreu na prisão.

    Desde que o republicano retornou ao poder, o assunto se tornou um raro ponto fraco para ele, em particular para alguns de seus apoiadores mais radicais, que têm se mostrado descontentes com declarações de Trump e atos do governo sobre o caso.

    Uma pesquisa Reuters/Ipsos de outubro descobriu que apenas 4 em cada 10 republicanos aprovam a forma como Trump lida com o assunto, bem abaixo dos 9 em cada 10 que aprovam seu desempenho geral.

    Trump afirma que nunca teve nenhuma ligação com os supostos crimes de Epstein e tem se referido ao assunto como uma “farsa democrata”, usada para desviar o foco do que seriam pontos positivos de seu governo e falhas da oposição.

    A campanha parlamentar pela divulgação dos materiais sobre o financista foi liderada pelo republicano Thomas Massie, o que indicava a dificuldade do governo de resistir à medida. Massie coletou 218 assinaturas de colegas da Câmara em uma petição que forçou a votação da medida, algo que vinha sofrendo resistência do presidente da Casa, o também republicano Mike Johnson.

    O fato de Trump anteriormente se opor à divulgação do material azedou as relações com uma de suas mais fortes apoiadoras no Congresso, a deputada republicana Marjorie Taylor Greene, que criticou repetidas vezes o Departamento de Justiça por não divulgar mais detalhes sobre Epstein. Trump rebateu, chamado Greene de traidora.

    A súbita reviravolta do presidente veio no domingo (16), quando ele afirmou: “Os republicanos da Câmara deveriam votar para divulgar os arquivos de Epstein, porque não temos nada a esconder.”

    O principal democrata da Câmara, o deputado por Nova York Hakeem Jeffries, teve outra avaliação. “Donald Trump parece ter se acovardado no escândalo Epstein. Ele cedeu. É uma rendição completa e total”, disse ele em uma entrevista coletiva na segunda-feira (17).

    Mike Johnson havia dito a repórteres que ele e Trump estavam preocupados em proteger as vítimas de Epstein de exposição pública indesejada. “Não tenho certeza se a liberação faz isso, e isso é parte do problema”, disse o republicano na segunda-feira -argumento que repetiu no plenário antes de votar a favor da lei. Os apoiadores da medida dizem que as preocupações de Johnson são infundadas.

    Há dúvidas, no entanto, sobre o alcance real da divulgação dos materiais, porque a medida permite ao Departamento de Justiça manter sob sigilo documentos sujeitos a investigações -ao mesmo tempo, Trump pediu ao departamento para investigar a relação de Epstein com importantes nomes democratas, como o ex-presidente Bill Clinton e o ex-secretário do Tesouro Larry Summers.

    Na segunda, Summers disse estar “profundamente envergonhado” após as revelações de seus diálogos com Epstein e anunciou que se afastaria da vida pública. Professor de Harvard, ele continuará a dar aulas na instituição, entretanto.

    Epstein se declarou culpado de uma acusação estadual de prostituição de menores na Flórida em 2008 e cumpriu 13 meses de prisão. O Departamento de Justiça dos EUA, em 2019, o acusou de tráfico sexual de menores na esfera federal em um caso muito mais amplo, jogando luz em um esquema que pode ter vitimado mais de 200 mulheres. Epstein se declarou inocente dessas acusações e morreu na prisão antes do julgamento, no que foi considerado um suicídio.

    Emails divulgados na semana passada por um comitê da Câmara mostraram que o financista acreditava que Trump “sabia sobre as garotas”, embora não estivesse claro o que isso significava. A Casa Branca disse que os emails divulgados não continham prova de irregularidades por parte de Trump.

    Após recuo de Trump, Câmara aprova liberação de arquivos do caso Epstein

  • Texas classifica de terrorista principal associação muçulmana nos EUA

    Texas classifica de terrorista principal associação muçulmana nos EUA

    Medida abre caminho para que Conselho de Relações Islâmicas-Americanas seja expulso do estado; governador Greg Abbott (foto) cita caso de 2007 para afirmar que Cair tem ligações com facção palestina Hamas

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O governador do Texas, o republicano Greg Abbott, classificou oficialmente nesta terça-feira (18) o Centro de Relações Islâmicas-Americanas (Cair, na sigla em inglês) de organização terrorista, abrindo caminho para que a entidade, uma das mais importantes no combate à islamofobia nos Estados Unidos, seja expulsa do estado. Cerca de 300 mil muçulmanos vivem no Texas, ou pouco mais de 1% da população.

    No decreto, Abbott impõe a mesma classificação à Irmandade Muçulmana, grupo fundado em 1928 e considerado terrorista por países como o Egito e a Rússia. O Hamas, em seus primeiros anos, surgiu como braço palestino desse grupo.

    O texto diz que o Cair é uma “organização sucessora” da Irmandade Muçulmana nos EUA. Para embasar a afirmação, cita um processo de 2007 em que o Centro foi citado como uma de 275 organizações muçulmanas que seriam “cúmplices” de um esquema de lavagem de dinheiro que tinha o objetivo de financiar o Hamas.

    Embora o Cair nunca tenha sido acusado de algum crime, o FBI, a polícia federal americana, suspendeu sua cooperação com o centro em 2008, outro fato citado no decreto de Abbott para justificar a classificação de organização terrorista.

    As consequências da medida são severas. Com o decreto, o Cair e seus dirigentes agora não podem mais comprar terrenos, e o procurador-geral do estado deve abrir um processo para expulsar a organização do Texas.

    Fundado em 1994 em Washington, o Cair ganhou projeção nacional no início dos anos 2000 ao denunciar a explosão de casos de racismo e islamofobia nos EUA após os ataques de 11 de Setembro. O conselho processou uma série de empresas por discriminação no ambiente de trabalho e hoje possui filiais em uma série de estados americanos.

    Recentemente, a organização foi criticada por suas posições contra as ações de Israel na Faixa de Gaza e por falas de alguns de seus membros, que classificaram “sionistas” como inimigos de muçulmanos. A nível federal, republicanos pedem que o governo Donald Trump investigue possíveis ligações financeiras entre o Cair e o Hamas.

    A medida do Texas foi comemorada por membros do Partido Republicano como Valentina Gomez, pré-candidata à Câmara dos Representantes nas eleições de 2026. Em publicação no X, Gomez disse que se reuniu com Abbott para “tratar do problema muçulmano no Texas” e prometeu tornar o estado “o pior lugar para o Islã e para imigrantes ilegais”. Em resposta a comentários, afirmou ainda: “se eu chegar ao Congresso, o Texas se livrará desses muçulmanos sujos”.

    Texas classifica de terrorista principal associação muçulmana nos EUA