Categoria: MUNDO

  • Trump diz acreditar que 'terá a honra' de tomar Cuba

    Trump diz acreditar que 'terá a honra' de tomar Cuba

    Desde janeiro, o governo de Donald Trump impôs um embargo energético a ilha; Cuba confirmou na sexta-feira (13) que está em negociações com os Estados Unidos

    SÃO PAULO, SP (UOL/CBS NEWS) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou hoje acreditar que terá “a honra” de tomar Cuba.

    “Eu acredito que terei a honra de tomar Cuba. Isso é uma grande honra. (…) Tomar Cuba de alguma forma, sim, tomar Cuba. Quer dizer, seja libertando-a, tomando-a, acho que posso fazer o que quiser com ela”, disse Donald Trump.

    Mesmo pressionado, o republicano não compartilhou detalhes de como poderia ser uma suposta operação militar contra o país.

    Acordo com Cuba

    Ontem, o norte-americano declarou que Cuba quer chegar a um acordo com os EUA, o qual, segundo ele, será alcançado “muito em breve”. “Cuba também quer fechar um acordo, e acho que muito em breve chegaremos a um acordo ou faremos o que for necessário”, disse o presidente americano a repórteres a bordo do Air Force One.

    “Estamos em negociações com Cuba”, acrescentou. Ele enfatizou que “irá lidar com o Irã antes de Cuba”. Um ataque conjunto entre Israel e os EUA matou o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, em 28 de fevereiro. “Acho que algo vai acontecer em Cuba muito em breve”, afirmou.

    Cuba confirmou na sexta-feira (13) que está em negociações com os Estados Unidos. A ilha disse ter liberto presos políticos como parte de um acordo com o Vaticano, mediador de longa data entre esses dois inimigos ideológicos.

    Trump tem feito declarações cada vez mais ofensivas contra Cuba. Desde meados de janeiro, o republicano afirmava que negociações estavam em andamento com altos funcionários da ilha, mas Havana havia negado esses contatos até então.

    Desde janeiro, Washington impôs um embargo energético a Cuba. Os EUA invocam a “ameaça excepcional” que esta ilha, localizada a apenas 150 quilômetros da costa da Flórida, representa para a segurança nacional dos EUA.

    A rede elétrica nacional de Cuba entrou em colapso novamente hoje, deixando cerca de 10 milhões de pessoas sem energia. A UNE, operadora da rede do país, informou afirmou nas redes sociais que está investigando as causas do apagão. “Não foram relatadas avarias em nenhuma das unidades térmicas que estavam em operação no momento da desconexão do SEN”, diz publicação.

    Na última semana, Trump declarou que Cuba estava em “sérios apuros”. Ele ressaltou que os EUA poderiam ou não fazer parte de uma “tomada amigável” do país. “Eles estão, como se diz, à beira do colapso”, informou a CNN Internacional.

    Já no dia 5 de março, o republicano afirmou que uma operação contra o território cubano é “uma questão de tempo”. “Queremos terminar com esse [conflito] primeiro”, afirmou, se referindo à guerra com o Irã. A fala foi dita pelo republicano durante discurso para receber o time de futebol Inter Miami, campeão da Major League Soccer.

    Trump diz acreditar que 'terá a honra' de tomar Cuba

  • Sob bloqueio dos EUA, Cuba sofre falha total da rede elétrica e fica no escuro

    Sob bloqueio dos EUA, Cuba sofre falha total da rede elétrica e fica no escuro

    Ilha vive grave desabastecimento energético e tumultos em meio à crise, que piora desde janeiro; movimentos agressivos da diplomacia de Washington colocam Havana sob apreensão de possível ação americana

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O operador estatal de energia elétrica de Cuba afirmou que a rede de energia do país colapsou nesta segunda-feira (16), deixando todos os cerca de 10 milhões de habitantes da ilha sem luz. O país vive atualmente um bloqueio imposto pelos Estados Unidos sobre o petróleo, fundamental para a sobrevivência do setor energético da ilha.

    O bloqueio já dura cerca de três meses, aprofundado pela captura do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, no início de janeiro. Caracas, agora liderado por Delcy Rodríguez sob a tutela de Washington, era o principal fiador energético da Havana.

    A ilha já vivia sob apagões constantes há anos, o que se aprofundou já no ano passado.

    No sábado (14), manifestantes críticos ao regime atacaram um escritório do Partido Comunista no centro de Cuba, informou um jornal estatal, em uma rara explosão de dissidência pública provocada pelos apagões.

    O regime cubano tem conversado com a Casa Branca desde então, conforme admitiu o líder Miguel Díaz-Canel, em anúncio televisionado na última sexta-feira (13).

    O contato não é inédito. Embora antagonistas, os dois países já passaram por outros momentos de negociação desde que a Revolução Cubana tirou do poder o ditador Fulgencio Batista, aliado dos EUA, em 1959. De lá para cá, ao menos 13 presidentes americanos tentaram, sem sucesso, alterar o status quo da ilha, combinando pressões estratégicas e cálculos domésticos.

    Em nenhum momento, porém, os ventos pareceram tão favoráveis a Washington, que coloca a ilha como próximo alvo de movimentos agressivos da diplomacia do segundo mandato de Trump que refletem sua “Doutrina Donroe” de intervenções no Hemisfério Ocidental.

    Sob bloqueio dos EUA, Cuba sofre falha total da rede elétrica e fica no escuro

  • Chefe de gabinete da Casa Branca recebe diagnóstico de câncer de mama

    Chefe de gabinete da Casa Branca recebe diagnóstico de câncer de mama

    Susie Wiles recebeu um diagnóstico de câncer de mama e afirmou que detectou o câncer de forma precoce e que está “encorajada por um prognóstico positivo”; Trump comentou sobre a saúde da funcionária

    WASHINGTON, EUA (CBS NEWS) – A chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, recebeu um diagnóstico de câncer de mama. A informação foi divulgada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelas redes sociais e durante um evento ao lado de Wiles, no início da tarde desta segunda-feira (16).

    Wiles, conhecida como “dama de gelo”, já teria iniciado um tratamento e não deve sair do cargo. Em um depoimento encaminhado ao jornal The New York Times, ela afirma que detectou o câncer de forma precoce e que está “encorajada por um prognóstico positivo” e agradeceu a Trump.

    “Sou profundamente grata pelo apoio e incentivo do presidente Trump enquanto passo pelo tratamento e continuo desempenhando as funções de meu cargo atual”.

    Trump afirma que “durante o período do tratamento, ela passará praticamente todo o tempo na Casa Branca, o que me deixa, como presidente, muito feliz”.

    “Sua força e compromisso em continuar fazendo tão bem o trabalho que ama enquanto passa pelo tratamento dizem tudo o que você precisa saber sobre ela”, prosseguiu o presidente. “Em breve ela estará melhor do que nunca.”

    O cargo de Wiles faz dela a pessoa mais poderosa do governo depois do próprio presidente, e uma das mais próximas a ele. Chefe de gabinete, ela é a primeira mulher a exercer a função e foi descrita como peça chave durante a campanha de 2024, que levou Trump de volta a Casa Branca.

    Trump falou durante um evento com o conselho do Trump Kennedy Center sobre a saúde de Wiles e ela, que estava presente, agradeceu ao presidente. “Ela vai cuidar disso ao invés de esperar. Eu disse ‘faça imediatamente’ porque esse tipo de elemento, a única coisa que eu sei, é que quanto mais rápido [o tratamento], melhor.”

    Chefe de gabinete da Casa Branca recebe diagnóstico de câncer de mama

  • Irã divulga nova carta de líder; Trump ironiza que Mojtaba ainda não falou

    Irã divulga nova carta de líder; Trump ironiza que Mojtaba ainda não falou

    Novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, divulga carta sobre continuidade no governo em meio a dúvidas sobre sua saúde após ataques; autoridades iranianas confirmaram que o novo líder se feriu em ataque

    SÃO PAULO, SP (UOL/CBS NEWS) – Em meio a especulações sobre o real estado de saúde do novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, o governo iraniano divulgou hoje uma nova carta assinada pelo aiatolá.

    Anúncio assinado por Mojtaba diz que funcionários da República Islâmica nomeados por Ali Khamenei serão mantidos em suas funções. O último líder supremo do Irã foi morto em um ataque coordenado entre os Estados Unidos e Israel no fim de fevereiro. Dias depois, em 8 de março, Mojtaba foi nomeado sucessor do pai.

    “Após consultas de alguns gestores e funcionários das instituições que foram nomeados diretamente pelo Líder Mártir (Ali Khamenei ), anuncio que nenhum deles precisa renovar suas nomeações neste momento e que devem continuar trabalhando com base nas medidas e políticas que receberam durante sua vida”, disse carta assinada por Mojtaba Khamenei.

    Autoridades iranianas confirmaram que o novo líder se feriu no primeiro ataque dos EUA e Israel ao país. O filho do presidente iraniano, Yousef Pezeshkian, disse em sua conta no Telegram que Mojtaba está “são e salvo”. Por outro lado, o governo Donald Trump chegou a afirmar que Mojtaba está “desfigurado”, com diversas fraturas.

    A ausência de imagens e discursos do novo líder supremo alimenta especulações sobre seu real estado de saúde, o que tem sido ironizado por Trump. Hoje, o presidente norte-americano especulou novamente sobre a situação de Mojtaba.

    Muita gente diz que ele está gravemente desfigurado. Dizem que ele perdeu a perna, (…) outros dizem que ele morreu. Ninguém diz que ele está 100% saudável, e ele não se pronunciou (…) Donald Trump, durante coletiva de imprensa

    Irã divulga nova carta de líder; Trump ironiza que Mojtaba ainda não falou

  • Trump começou uma guerra "porque é divertido", diz ministro iraniano

    Trump começou uma guerra "porque é divertido", diz ministro iraniano

    O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano disse que o Irã está pronto para se defender enquanto for preciso, destacando que já várias pessoas morreram porque o presidente dos Estados Unidos quis começar uma guerra “porque é divertido”

    O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, apontou o dedo ao presidente dos Estados Unidos, dizendo que Donald Trump decidiu atacar o Irã “porque é divertido” e o acusou de começar uma “guerra ilegal”. 

    “Estamos prontos para nos defender durante o tempo necessário. Há pessoas mortas simplesmente porque o presidente Trump quer se divertir. Eles estão afundando navios e atacando lugares diferente porque é divertido”, disse o ministro durante uma entrevista ao programa “Face the Nation”.

    Estes comentários surgem em um momento em que o conflito no Oriente Médio tem vindo a ganhar novos contornos, uma vez que Donald Trump já afirmou que a guerra poderá prolongar-se mais do que inicialmente estava previsto. 

    Vale lembrar que, em uma recente entrevista à Fox News Radio, o presidente norte-americano disse que saberá quando a guerra estiver perto do fim, notando que reconhecerá esse momento “quando o sentir na pele”. 

    O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano foi ainda pressionado para responder sobre os ataques do Irã a outros países do Médio Oriente, tendo defendido as ações do seu país e alegando que Teerã está apenas atacando as bases militares norte-americanas.

    “O nosso alvo são apenas os nativos americanos, instalações americanas, bases militares americanas. Eles estão usando o nosso território para nos atacar. Eles usam o território dos Emirados Árabes Unidos para nos atacar”, disse.

    Vale lembrar que os Estados Unidos e Israel lançaram em 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irã, tendo matado durante a ofensiva o ex-líder supremo Ali Khamenei, no cargo desde 1989.

    O Irã fechou o estreito de Ormuz e lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região.

    Trump começou uma guerra "porque é divertido", diz ministro iraniano

  • Israel diz ter destruído avião que era usado por Ali Khamenei no Irã

    Israel diz ter destruído avião que era usado por Ali Khamenei no Irã

    Autoridades israelenses disseram que a aeronave, usada por Ali Khamenei e por integrantes da cúpula iraniana, foi destruída em um ataque ao aeroporto de Mehrabad, em Teerã. Segundo o Exército de Israel, o objetivo da ação é enfraquecer a coordenação militar e política do regime iraniano

    SÃO PAULO, SP (UOL/CBS NEWS) – O Exército de Israel afirmou nesta segunda-feira (16) que destruiu um avião apontado como sendo do ex-líder supremo do Irã e que era usado por Ali Khamenei, morto no ataque de 28 de fevereiro.

    O ataque teria ocorrido na madrugada desta segunda-feira. Segundo comunicado publicado no Telegram, a aeronave foi desmantelada no Aeroporto Mehrabad, em Teerã.

    O veículo seria usado por todo regime iraniano. “A aeronave era usada por Ali Khamenei, o líder supremo do regime terrorista iraniano, outros altos funcionários e militares iranianos para realizar aquisições militares e coordenar voos domésticos e internacionais com os países do Eixo”, diz Israel.

    Os militares israelenses acreditam que comprometeram estrutura do governo com a ofensiva. “Prejudica a capacidade de coordenação da liderança do regime iraniano com os países do Eixo, seus esforços de fortalecimento militar e sua capacidade de recuperar suas capacidades”, argumentaram.

    Israel tem se concentrado em ataques que destruam estruturas do regime iraniano. Desde o início do conflito, o país tem relatado bombardeios ao centro de Teerã, onde se concentram a maior parte de edifícios das autoridades.

    Ali Khamenei foi morto após ataque coordenado dos EUA e Israel no dia 28 de fevereiro. Ele morreu no escritório onde trabalhava, segundo a mídia estatal iraniana. A agência Reuters informou que a mídia do país disse que ele estava no local, cumprindo suas funções, quando foi atingido.

    Familiares de Khamenei também foram atingidos na ofensiva, segundo relatos divulgados nos dias seguintes. A Al Jazeera, citando a agência iraniana Fars, informou que filha, genro e neto do líder supremo morreram; os nomes não foram revelados. A morte da esposa, Mansoureh Khojasteh Bagherzadeh, também havia sido confirmada, mas mídia local voltou atrás dias depois.

    Filho de Ali Khamenei e atual líder supremo do país, Mojtaba Khamenei também ficou ferido. Autoridades iranianas confirmaram que ele se feriu no primeiro ataque dos EUA e Israel ao país. O filho do presidente iraniano, Yousef Pezeshkian, disse em sua conta no Telegram que Mojtaba está “são e salvo”. Por outro lado, o governo Trump chegou a afirmar que Mojtaba está “desfigurado”, com diversas fraturas.

    A ausência de imagens e discursos do novo líder supremo iraniano está alimentando especulações sobre o real estado de saúde de Mojtaba. Ele foi nomeado oficialmente no último dia 8 de março, dias após a morte de seu pai.

    Israel diz ter destruído avião que era usado por Ali Khamenei no Irã

  • Investigação aponta possível identidade do misterioso artista Banksy

    Investigação aponta possível identidade do misterioso artista Banksy

    Reportagem da Reuters afirma ter reunido indícios de que o grafiteiro britânico seria Robin Gunningham, nome já citado em teorias anteriores. Mesmo assim, advogado do artista diz que vários detalhes da investigação não podem ser confirmados

    O artista britânico Banksy é um dos nomes mais famosos e misteriosos da arte contemporânea. Conhecido por seus grafites espalhados por diferentes cidades do mundo, ele sempre manteve a identidade em segredo, o que alimenta há anos especulações sobre quem está por trás das obras.

    Agora, uma investigação conduzida pela agência de notícias Reuters afirma ter reunido elementos suficientes para identificar o artista. De acordo com a reportagem, há fortes indícios de que Banksy seja Robin Gunningham, britânico que posteriormente teria adotado o nome David Jobes para evitar reconhecimento público.

    A suspeita envolvendo Gunningham não é nova. Em 2008, o jornal britânico Daily Mail já havia apontado que ele seria o responsável pelas obras assinadas por Banksy. Com o passar do tempo, novas pistas e análises reforçaram essa hipótese.

    Segundo a Reuters, a investigação analisou declarações do próprio artista, relatos de pessoas próximas e outros detalhes que poderiam ajudar a revelar sua identidade. O trabalho reúne informações sobre diferentes momentos da trajetória de Banksy, incluindo uma viagem à Ucrânia, onde o artista teria interagido com moradores locais.

    A reportagem também menciona um episódio envolvendo o fotógrafo jamaicano Peter Dean Rickards, que teria entrado em conflito com o artista após divulgar uma imagem que supostamente mostrava Banksy.

    Procurado pela Reuters, o advogado do artista, Mark Stephens, afirmou que seu cliente não confirma a veracidade de vários detalhes apresentados na investigação.

    Segundo ele, o anonimato sempre foi mantido por razões de segurança. “Banksy já foi alvo de comportamentos ameaçadores e extremistas”, afirmou o advogado.

    A possível identidade do artista também já havia sido investigada por outras pessoas ao longo dos anos. Um dos casos mais curiosos envolve o detetive espanhol Francisco Marco, que afirmou ter chegado à mesma conclusão após iniciar uma investigação motivada por um desafio feito por seus filhos.

    Marco, que dirige a agência Método 3, contou que decidiu investigar quem era Banksy após uma aposta familiar. A partir de seu escritório em Barcelona, ele reuniu informações e enviou investigadores para diferentes locais.

    Durante a apuração, o detetive afirmou ter encontrado o registro de um domínio na internet relacionado ao artista, o L3ANSKY.COM, criado em 2009 e registrado em nome de Robin Gunningham.

    Apesar das diversas investigações e teorias apresentadas ao longo dos anos, a identidade de Banksy nunca foi oficialmente confirmada.
     
     

     

    Investigação aponta possível identidade do misterioso artista Banksy

  • Países recusam ajuda a Trump no estreito de Hormuz; Irã ataca oleoduto

    Países recusam ajuda a Trump no estreito de Hormuz; Irã ataca oleoduto

    Países europeus rejeitam pedido de Donald Trump para enviar navios de guerra ao Estreito de Hormuz. Enquanto aliados evitam envolvimento direto, tensões no Oriente Médio continuam afetando o comércio global de petróleo e ampliando riscos para a economia mundial

    IGOR GIELOW (CBS NEWS) – O apelo feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que outros países enviem navios de guerra ao Estreito de Hormuz, com o objetivo de escoltar petroleiros na região, não teve adesão imediata.

    Nesta segunda-feira (16), governos do Reino Unido, Alemanha, Itália, Grécia e Austrália rejeitaram a proposta. Japão e Coreia do Sul afirmaram que ainda analisam a possibilidade de participar de uma missão desse tipo.

    No sábado (14), Trump havia defendido em sua rede social, a Truth Social, que seria do interesse de países como China, França, Japão e Coreia do Sul manter aberta a passagem estratégica por onde circula cerca de um quinto da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito.

    Desde o início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, há pouco mais de duas semanas, a principal estratégia iraniana tem sido provocar instabilidade no mercado global de petróleo. A interrupção parcial da circulação no estreito obrigou diversos países a recorrerem a reservas emergenciais de energia.

    A expectativa de Teerã é que a pressão econômica internacional leve o mundo a exigir o fim do conflito, garantindo a sobrevivência do regime islâmico. No entanto, com a campanha aérea contra o país em andamento, o resultado ainda é incerto.

    Sem obter resposta ao longo do fim de semana, Trump elevou o tom. Em entrevista ao jornal Financial Times no domingo (15), afirmou que a falta de apoio europeu “será muito ruim para o futuro da Otan”.

    Os Estados Unidos lideram a aliança militar criada em 1949, formada também pelo Canadá e por cerca de 30 países europeus. Desde seu primeiro mandato, entre 2017 e 2021, Trump tem pressionado aliados da organização, argumentando que eles dependem excessivamente de Washington para sua segurança.

    No ano passado, o presidente americano já havia transferido aos europeus grande parte da responsabilidade pelo apoio à Ucrânia na guerra contra a Rússia. Na ocasião, suspendeu o envio direto de dinheiro e armas a Kiev, passando a fornecer equipamentos por meio de compras feitas pela Otan em estoques militares americanos.

    No atual conflito com o Irã, Trump atua praticamente isolado ao lado do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu. Diversos países europeus criticaram a ofensiva militar, defendendo que a diplomacia seria o melhor caminho para lidar com Teerã.

    Apesar disso, o agravamento da crise energética global pressiona os governos europeus. Para evitar uma disparada ainda maior no preço do petróleo, os Estados Unidos chegaram a flexibilizar parcialmente sanções sobre o petróleo russo, que financia a guerra conduzida por Vladimir Putin.

    Trump também tenta envolver a China no cenário. O país asiático é rival estratégico de Washington e responsável pela compra de grande parte do petróleo iraniano.

    Na sexta-feira (13), forças americanas atacaram a ilha de Kharg, um dos principais centros de produção de petróleo do Irã. Os terminais de exportação, no entanto, não foram destruídos. Posteriormente, Trump afirmou que poderia atingir essas estruturas “só por diversão”.

    Na entrevista ao Financial Times, o presidente americano também sugeriu que poderia adiar uma visita prevista para o próximo mês ao líder chinês Xi Jinping. Nesta segunda-feira, o governo de Pequim afirmou que ainda considera válida a agenda inicialmente planejada.

    Enquanto isso, o Irã também tenta administrar o conflito. Logo após o início da guerra, o país anunciou o fechamento do Estreito de Hormuz e iniciou ataques contra navios e instalações petrolíferas de países árabes da região.

    Nos últimos dias, o discurso iraniano mudou. Autoridades passaram a afirmar que o estreito estaria fechado apenas para Estados Unidos, Israel e seus aliados.

    “Do nosso ponto de vista, o estreito está aberto”, afirmou nesta segunda-feira o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi.

    Como gesto de aparente normalidade, Teerã permitiu a passagem de um petroleiro paquistanês transportando petróleo dos Emirados Árabes Unidos. De acordo com o sistema de monitoramento marítimo Marine Traffic, o navio Karachi concluiu a travessia no domingo e chegou nesta segunda-feira à costa de Omã.

    Apesar disso, o Irã mantém ataques com mísseis e drones em diferentes pontos do Oriente Médio. Também nesta segunda-feira, um bombardeio atingiu o terminal petrolífero de Fujairah, um dos sete emirados que compõem os Emirados Árabes Unidos.

    O porto tem importância estratégica porque recebe o único oleoduto do país que contorna o Estreito de Hormuz, transportando petróleo dos campos de Habshan, em Abu Dhabi. Após o ataque, as operações de embarque foram suspensas.

    Os Emirados Árabes Unidos têm sido um dos principais alvos da retaliação iraniana, registrando mais ataques do que Israel. Nesta segunda-feira, o aeroporto de Dubai, um dos mais movimentados do mundo em tempos de paz, foi fechado após um drone iraniano explodir um tanque de combustível próximo ao terminal.

    Países recusam ajuda a Trump no estreito de Hormuz; Irã ataca oleoduto

  • Austrália e Japão descartam enviar navios ao Estreito de Ormuz

    Austrália e Japão descartam enviar navios ao Estreito de Ormuz

    Aliados dos Estados Unidos afirmaram que não planejam participar de uma operação naval na região, mesmo após pedido de Donald Trump. A passagem estratégica, por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial, permanece praticamente fechada em meio à escalada do conflito no Oriente Médio

    A Austrália e o Japão informaram que não pretendem enviar navios de guerra para o Estreito de Ormuz, depois de o presidente dos Estados Unidos pedir apoio de países aliados para garantir a segurança da rota marítima estratégica.

    “Não enviaremos nenhum navio para o Estreito de Ormuz. Sabemos o quanto isso é extremamente importante, mas não é algo que nos tenha sido solicitado nem para o qual estejamos contribuindo”, afirmou a ministra australiana dos Transportes, Catherine King, em entrevista à emissora pública ABC.

    O governo japonês também indicou que, neste momento, não prevê realizar uma operação de segurança marítima na região. “Diante da situação atual no Irã, não temos a intenção de ordenar uma operação de segurança marítima”, declarou o ministro da Defesa do Japão, Shinjiro Koizumi, durante sessão no Parlamento.

    O Irã já havia advertido que qualquer participação de outros países no conflito poderia ampliar ainda mais a guerra que tem elevado a tensão no Oriente Médio e provocado alta nos preços do petróleo.

    A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, afirmou que uma operação de segurança marítima no estreito seria “extremamente difícil do ponto de vista jurídico”.

    O envio das Forças de Autodefesa japonesas ao exterior continua sendo um tema politicamente sensível no país, que mantém uma postura oficialmente pacifista. Muitos eleitores ainda defendem os princípios da Constituição de 1947, imposta pelos Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial, que estabelece a renúncia do Japão à guerra.

    Takayuki Kobayashi, responsável pela estratégia política do Partido Liberal Democrata (PLD), partido da primeira-ministra, declarou no domingo que o nível de exigência política para que Tóquio envie navios de guerra ao Golfo Pérsico é “extremamente elevado”.

    Quarta maior economia do mundo, o Japão é o quinto maior importador global de petróleo. Cerca de 95% do petróleo consumido no país vem do Oriente Médio, e aproximadamente 70% desse volume passa pelo Estreito de Ormuz, que está praticamente fechado desde o início do conflito.

    No domingo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que pediu a diversos países — incluindo aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) — que enviem navios de guerra para o Estreito de Ormuz com o objetivo de manter aberta e segura a rota por onde passa cerca de 20% do petróleo transportado diariamente no mundo.

    O pedido ocorreu após o novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, anunciar que a passagem permanecerá fechada.

    “É apropriado que aqueles que se beneficiam do estreito ajudem a garantir que nada de ruim aconteça ali”, disse Trump em entrevista ao jornal Financial Times, destacando que Europa e China dependem do petróleo do Golfo.

    “Se não houver resposta, ou se a resposta for negativa, acho que será muito ruim para o futuro da Otan”, acrescentou.

    Em publicação na rede Truth Social, Trump também afirmou esperar que China, França, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido e outros países afetados pela restrição enviem navios para a região.

    “Acredito que a China também deveria ajudar, porque obtém 90% do seu petróleo através do estreito”, escreveu.

    O presidente norte-americano sugeriu ainda que gostaria de ver esse apoio antes de sua visita a Pequim. No entanto, também indicou que a viagem oficial à China, prevista para o final do mês, pode ser adiada, o que também adiaria o encontro com o presidente chinês, Xi Jinping.
     
     

    Austrália e Japão descartam enviar navios ao Estreito de Ormuz

  • Líder supremo do Irã pode estar em Moscou após ataque, dizem fontes

    Líder supremo do Irã pode estar em Moscou após ataque, dizem fontes

    Rumores sobre o estado de saúde de Mojtaba Khamenei aumentaram após relatos de que ele teria sido levado à Rússia para uma cirurgia. O novo líder iraniano não apareceu em público desde que assumiu o cargo após a morte do pai.

    Nomeado líder supremo do Irã em 8 de março, Mojtaba Khamenei, de 56 anos, tornou-se alvo de especulações sobre seu estado de saúde. Desde que assumiu o posto após a morte do pai, Ali Khamenei, rumores sobre sua condição física têm circulado com intensidade, principalmente depois que ele divulgou seu primeiro pronunciamento oficial sem aparecer em vídeo.

    Relatos indicam que Mojtaba teria ficado ferido em um ataque realizado pelos Estados Unidos em 28 de fevereiro, o mesmo bombardeio que matou seu pai e a esposa dele. A gravidade das lesões ainda não é conhecida com precisão.

    Inicialmente surgiram boatos de que ele teria morrido. Em seguida, passaram a circular versões afirmando que estaria em coma. Outras alegações mencionam amputação de uma perna ou desfiguração. Embora nenhuma dessas informações tenha sido confirmada oficialmente, todas apontam para a possibilidade de ferimentos graves.

    Neste fim de semana, surgiram novas informações indicando que Mojtaba Khamenei teria sido levado às pressas para Moscou para receber tratamento médico. Segundo o jornal kuwaitiano Al-Jarida, o líder iraniano teria sido transportado em um avião militar russo e submetido a uma cirurgia em um dos palácios ligados ao presidente Vladimir Putin.

    O jornal afirma que a operação teria sido bem-sucedida, citando uma fonte considerada próxima ao novo líder supremo. De acordo com essa mesma fonte, as lesões exigiam tratamento especializado, o que teria levado o próprio presidente russo a sugerir que Mojtaba fosse tratado na Rússia durante uma conversa telefônica ocorrida na quinta-feira. A transferência teria sido realizada no mesmo dia.

    Apesar dessas informações, não há confirmação oficial sobre o local onde o líder iraniano se encontra atualmente.

    Incerteza sobre o paradeiro

    Uma semana após sua nomeação como líder supremo, o paradeiro de Mojtaba Khamenei ainda não foi esclarecido. Ele não apareceu em público nem em vídeos oficiais, tendo divulgado apenas um discurso.

    Na semana passada, Yousef Pezeshkian, filho do presidente iraniano, afirmou que o novo líder está “seguro”, embora tenha ficado ferido no ataque que matou seu pai.

    Segundo fontes próximas ao governo iraniano, Khamenei teria sofrido ferimentos nas pernas, mas permanece consciente e protegido em um local altamente seguro, com comunicação limitada.

    Mesmo assim, os detalhes sobre a extensão dos ferimentos e sua condição atual permanecem pouco claros.

    Quem é Mojtaba Khamenei
    Mojtaba Khamenei nasceu na cidade de Mashhad cerca de dez anos antes da Revolução Islâmica de 1979. Apesar de nunca ter ocupado cargos formais no governo, era considerado há anos um dos principais nomes para suceder o pai no comando do regime iraniano.

    Conhecido por atuar nos bastidores da política iraniana, ele também participou da Guerra Irã-Iraque na década de 1980, integrando o batalhão Habib ibn Mazahir, ligado à Guarda Revolucionária. Muitos integrantes dessa unidade posteriormente assumiram funções nos serviços de inteligência do país.

    Com a chegada de Ali Khamenei ao posto de líder supremo em 1989, a família passou a ter acesso a uma rede de recursos financeiros e ativos ligados a empresas e setores estratégicos da economia iraniana.

    Documentos diplomáticos dos Estados Unidos divulgados pelo Wikileaks descrevem Mojtaba como “o poder por trás da cortina”. Segundo esses relatórios, ele teria construído uma forte base de influência dentro da estrutura de poder do país.

    Um telegrama diplomático norte-americano de 2008 afirmava que Mojtaba Khamenei era visto dentro do regime como um gestor determinado e um possível futuro líder nacional, avaliação que, segundo o documento, também poderia ser compartilhada por seu próprio pai.
     

     
     

    Líder supremo do Irã pode estar em Moscou após ataque, dizem fontes