Categoria: MUNDO

  • Hezbollah rejeita negociação do governo do Líbano com Israel

    Hezbollah rejeita negociação do governo do Líbano com Israel

    Naim Qassem, atual líder da facção xiita libanesa, um dos principais aliados regionais do Irã, descreveu as negociações como inúteis em discurso televisionado, e afirmou que vai continuar a confrontar ataques israelenses no Líbano

    (CBS NEWS) – O Hezbollah instou o governo do Líbano nesta segunda-feira (13) a cancelar as negociações para o fim do conflito com Israel, previstas para ocorrer nesta terça (14), em Washington, com mediação dos Estados Unidos.

    Naim Qassem, atual líder da facção xiita libanesa, um dos principais aliados regionais do Irã, descreveu as negociações como inúteis em discurso televisionado, e afirmou que vai continuar a confrontar ataques israelenses no Líbano.

    Wafiq Safa, autoridade do conselho político do grupo, afirmou ainda em entrevista coletiva à imprensa internacional que a facção “não está vinculada ao que for concordado [entre Líbano e Israel]”. “Não estamos interessados ou preocupados com os resultados das negociações”, afirmou Safa.

    Muita incerteza envolve a rara conversa entre as duas partes -formalmente em guerra desde a criação do Estado de Israel. Além da agora pública oposição do Hezbollah ao diálogo com o adversário, Tel Aviv também afirmou que não vai discutir em Washington uma trégua com a facção; Beirute diz que pretende pressionar por um cessar-fogo durante a conversa.

    O governo libanês é a parte com menor margem de manobra. Enquanto vê bombas caírem na capital e seu território ao sul voltar a ser ocupado por Israel, precisa balancear as negociações para que o Hezbollah não se sinta fundamentalmente ameaçado como organização.

    Isso porque o grupo extremista é também um partido político com ampla relevância social e capilaridade no país, em particular em áreas de maioria muçulmana xiita.

    Além disso, como a política libanesa funciona sobre uma base sectária, ou seja, dividida de modo que o governo reflita ao menos em parte sua diversidade religiosa, aliados do Hezbollah detêm posições até mesmo no gabinete nacional.

    Militarmente a situação também não favorece posições mais duras do governo libanês contra a facção, que possui poder bélico maior do que o próprio Exército do país.

    Na frente de combate, as Forças Armadas de Israel completaram o cerco à cidade de Bint Jbeil, logo após a fronteira, no sul do Líbano, e iniciou um ataque terrestre no local, segundo um porta-voz militar israelense e funcionários de segurança libaneses afirmaram à agência Reuters.

    Os funcionários libaneses dizem que combatentes do Hezbollah entrincheirados na cidade estavam prontos para lutar até a morte, citando a importância estratégica e simbólica de Bint Jbeil, um reduto da facção, capital provincial e porta de entrada para as aldeias vizinhas. Oficiais israelenses esperam controle operacional total da cidade em poucos dias.

    O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, cruzou a fronteira neste domingo (12) e visitou tropas israelenses que ocupam o vizinho.

    “Nós evitamos uma invasão vinda do Líbano graças a essa zona de segurança”, disse Netanyahu aos soldados. “Ainda há mais a ser feito, e estamos fazendo. Estamos repelindo o perigo das munições antitanque e estamos lidando com foguetes”, afirmou o primeiro-ministro, que esteve no território libanês acompanhado do ministro da Defesa, Israel Katz, e de altos comandantes militares.

    Ainda nesta segunda-feira, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha disse que houve um ataque a um centro da organização em Tiro, no sul do Líbano. A agência de notícias estatal do Líbano relatou a morte de uma pessoa no ataque, mas não revelou a identidade da vítima.

    O Exército de Israel afirmou ter realizado um ataque contra um “terrorista do Hezbollah” em Tiro e estava investigando relatos de que o ataque havia causado danos a um centro da Cruz Vermelha. Os militares não identificaram o indivíduo que disseram ter matado.

    As forças de Tel Aviv afirmaram ainda que um foguete do Hezbollah atingiu a cidade de Nahariyya, no norte de Israel. O projétil atingiu um prédio residencial de três andares, segundo o corpo de bombeiros, e uma mulher ficou ferida por estilhaços, de acordo com socorristas.

    O Exército israelense também disse que interceptou mais de 10 drones e foguetes lançados contra Israel a partir do Líbano entre a manhã e o fim da tarde.

    Uma autoridade de segurança estrangeira baseada no Líbano disse que a tomada de Bint Jbeil daria a Israel melhor controle sobre toda a faixa da fronteira sudeste do Líbano, restando apenas a área oeste da zona fronteiriça, que é em grande parte floresta e de mais difícil acesso.

    Hezbollah rejeita negociação do governo do Líbano com Israel

  • Espanha inicia processo para regularizar meio milhão de imigrantes

    Espanha inicia processo para regularizar meio milhão de imigrantes

    Medida permitirá que imigrantes solicitem regularização até 30 de junho, garantindo acesso a direitos e integração formal ao mercado de trabalho; governo defende impacto positivo na economia e no envelhecimento da população, enquanto oposição criticava proposta semelhante no Parlamento

    O governo da Espanha aprovou nesta terça-feira (14) um decreto que permite iniciar imediatamente um processo extraordinário de regularização de imigrantes, que pode beneficiar cerca de meio milhão de pessoas. A medida já havia sido anunciada no fim de janeiro.

    “Um ato de normalização, de reconhecer a realidade de quase meio milhão de pessoas que já fazem parte da nossa vida quotidiana. E também um ato de justiça e uma necessidade” de um país “que envelhece” e que “sem novas pessoas a trabalhar e a descontar para a segurança social” verá a “prosperidade travada”, afirmou o primeiro-ministro Pedro Sánchez em publicação nas redes sociais.

    O decreto será publicado na quarta-feira e entra em vigor imediatamente. A partir de quinta-feira, os imigrantes poderão solicitar a regularização até o dia 30 de junho, segundo informou a ministra da Inclusão, Segurança Social e Migrações, Elma Saiz, em coletiva de imprensa em Madri.

    Para dar conta da demanda, o governo reforçou em 550 pessoas as equipes responsáveis pelo processo, acrescentou a ministra.

    A iniciativa será implementada por meio de um decreto do Executivo, sem necessidade de aprovação do Parlamento. Uma proposta semelhante, baseada em uma petição popular com 700 mil assinaturas e o apoio de cerca de 900 instituições, incluindo a Igreja Católica, chegou a ser aceita para debate, mas está travada desde abril de 2024 por partidos de direita e extrema direita.

    Elma Saiz afirmou que a medida tem “tripla legitimidade, social, política e económica”, destacando que, apesar do impasse no Parlamento, a proposta conta com amplo apoio de sindicatos, entidades empresariais e organizações sociais. Segundo ela, essas instituições vêm defendendo a regularização “há meses ou até anos”.

    A ministra ressaltou que a iniciativa vai beneficiar pessoas que já vivem no país, garantindo a elas “plenos direitos” e a possibilidade de também “cumprir as suas obrigações”. Ela citou ainda estudos que apontam a imigração como um fator importante para o crescimento econômico da Espanha e para o rejuvenescimento da população.

    O processo é voltado a estrangeiros que estavam vivendo no país há pelo menos cinco meses até 31 de dezembro de 2025 ou que tenham solicitado proteção internacional até essa mesma data, desde que não possuam antecedentes criminais.

    A estimativa do governo é que cerca de 500 mil pessoas sejam regularizadas com essa medida.

    Segundo dados do think tank Funcas, aproximadamente 840 mil pessoas viviam em situação irregular na Espanha em 2025. O mesmo estudo aponta que o número de estrangeiros de fora da União Europeia nessa condição cresceu significativamente, passando de 107 mil em 2017 para 840 mil em 2025.

    Desde 1986, a Espanha já realizou nove processos extraordinários de regularização migratória, promovidos por governos de diferentes orientações políticas. O mais recente ocorreu em 2005, quando mais de 575 mil pessoas tiveram a situação regularizada.
     

     
     

    Espanha inicia processo para regularizar meio milhão de imigrantes

  • Ex-aluno invade escola, atira e deixa 18 feridos na Turquia

    Ex-aluno invade escola, atira e deixa 18 feridos na Turquia

    Ataque ocorreu em Siverek, quando jovem de 19 anos abriu fogo com espingarda, fez reféns e depois tirou a própria vida; vítimas foram levadas ao hospital e motivação ainda é desconhecida

    Um ex-aluno abriu fogo em uma escola na cidade de Siverek, na Turquia, deixando ao menos 18 pessoas feridas. O ataque ocorreu na Escola Secundária Ahmet Koyuncu Vocational and Technical Anatolian, localizada na província de Şanlıurfa.

    Após os disparos, as forças de segurança evacuaram rapidamente o prédio escolar. A polícia foi acionada e cercou a área, tentando negociar a rendição do suspeito. No entanto, segundo informações da emissora NTV, citadas pelo Daily Mail, o jovem, de 19 anos, acabou tirando a própria vida.

    De acordo com as autoridades, o atirador era ex-aluno da instituição e utilizou uma espingarda de caça para cometer o ataque. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram estudantes deixando o local às pressas, em meio ao pânico.

    Segundo o governador da província, Hasan Şıldak, o suspeito conseguiu entrar no campus antes de iniciar os disparos. Os primeiros tiros teriam sido feitos do lado de fora do prédio, e, em seguida, ele invadiu a escola. Há relatos de que alguns alunos chegaram a ser feitos reféns durante a ação.

    As vítimas foram socorridas e levadas a um hospital em Siverek. Pelo menos 12 pessoas permanecem internadas.

    As motivações do ataque ainda não foram esclarecidas. Episódios desse tipo, especialmente em escolas, são considerados raros na Turquia.

    Ex-aluno invade escola, atira e deixa 18 feridos na Turquia

  • EUA propõem pausa de 20 anos em programa nuclear do Irã

    EUA propõem pausa de 20 anos em programa nuclear do Irã

    Proposta inclui suspensão do enriquecimento de urânio em troca de alívio de sanções, mas negociações fracassam após impasse com Teerã; divergências sobre Ormuz e exigências nucleares seguem como principais obstáculos ao acordo

    Os Estados Unidos apresentaram uma proposta para suspender por 20 anos o programa de enriquecimento de urânio do Irã, como parte de uma tentativa de acordo para encerrar o conflito em curso. A informação foi divulgada pela imprensa norte-americana nesta segunda-feira.

    Segundo jornais dos EUA, que citam fontes próximas às negociações realizadas no sábado em Islamabad, Washington pediu a Teerã que se comprometa a interromper o enriquecimento de urânio por duas décadas.

    De acordo com o The Wall Street Journal, a proposta incluiria um alívio das sanções econômicas como contrapartida. Já o The New York Times informou que o Irã teria sugerido uma suspensão menor, de cinco anos, para suas atividades nucleares.

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, iniciou a ofensiva em 28 de fevereiro, alegando que o Irã estaria desenvolvendo uma arma nuclear, o que é negado por Teerã. O republicano afirmou que não permitirá que o país tenha esse tipo de armamento.

    As negociações, no entanto, terminaram sem acordo. O vice-presidente JD Vance deixou as conversas no domingo sem avanços, com divergências centrais relacionadas ao programa nuclear iraniano e à reabertura do Estreito de Ormuz.

    As propostas divulgadas pela imprensa são vistas como uma versão mais moderada das exigências feitas publicamente por Trump, que já defendeu que o Irã abandone de forma definitiva qualquer ambição nuclear.

    Em 2018, durante seu primeiro mandato, Trump retirou os Estados Unidos do acordo nuclear firmado em 2015 entre o Irã e potências internacionais. O tratado previa a redução das sanções em troca de limites rigorosos ao enriquecimento de urânio e maior fiscalização das instalações nucleares iranianas.

    “Uma coisa é os iranianos afirmarem que não irão dotar-se de armas nucleares, mas outra coisa é nós implementarmos os mecanismos necessários para garantir que isso não aconteça”, afirmou JD Vance na segunda-feira, após o fracasso das negociações no Paquistão. Segundo ele, os Estados Unidos apresentaram “linhas vermelhas claras”.

    O Irã, por sua vez, mantém a posição de que não aceitará restrições ao direito de enriquecer urânio, alegando que seu programa nuclear tem fins exclusivamente civis.

    Para o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, a “questão central” é a retirada de todo o urânio já enriquecido em níveis elevados pelo Irã, além de garantias de que não haverá novos avanços no programa nuclear “nos próximos anos, ou mesmo nas próximas décadas”.

    Enquanto isso, a Rússia indicou nesta segunda-feira que está disposta a receber em seu território o urânio enriquecido iraniano, como parte de um eventual acordo entre Washington e Teerã.
     
     

     

    EUA propõem pausa de 20 anos em programa nuclear do Irã

  • Trump se nega a pedir desculpas ao papa Leão 14 e apaga imagem em que parece Jesus

    Trump se nega a pedir desculpas ao papa Leão 14 e apaga imagem em que parece Jesus

    Trump afirmou nesta segunda-feira (13) que não vai pedir desculpas. “O papa disse coisas que estão erradas e ele é contra o que estou fazendo no Irã, e não podemos ter um Irã nuclear”, afirmou o presidente em entrevista a jornalistas na Casa Branca

    (CBS NEWS) – As tensões entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o papa Leão 14, cresceram após o americano criticar o pontifice e chamá-lo de “terrível” e “fraco” pelas redes sociais. Além das ofensas, Trump postou uma imagem produzida por inteligência artificial em que aparece vestido como se fosse Jesus com a mão apoiada sobre a testa de um homem aparentemente doente.

    Trump afirmou nesta segunda-feira (13) que não vai pedir desculpas. “O papa disse coisas que estão erradas e ele é contra o que estou fazendo no Irã, e não podemos ter um Irã nuclear”, afirmou o presidente em entrevista a jornalistas na Casa Branca.

    Nas últimas semanas, o papa se colocou contra a guerra, disse que “Deus não abençoa nenhum conflito” e que quem segue Cristo não apoia o lançamento de bombas. Após a reação negativa de Trump, o pontifice disse não temer o governo do republicano e prometeu continuar falando sobre a guerra.

    Horas depois, a imagem de Trump semelhante a Jesus foi tirada do ar. Em entrevista a jornalistas, o presidente disse que ele mesmo publicou a imagem. “Achei que fosse eu como médico e que tivesse a ver com a Cruz Vermelha, como um trabalhador da Cruz Vermelha lá, que nós apoiamos”, disse, atribuindo à imprensa a comparação com Jesus.

    “Só a imprensa falsa poderia inventar essa. Acabei de ouvir sobre isso e disse: como eles chegaram a essa conclusão? A ideia é que eu fosse um médico, fazendo as pessoas se sentirem melhor -e eu faço as pessoas se sentirem melhores.”

    A publicação da imagem foi criticada por conservadores nos EUA, que pediram que o presidente tirasse a montagem do ar e o acusaram de blasfêmia. Megan Basham, escritora e comentarista cristã protestante conservadora, classificou a postagem de “blasfêmia revoltante” e exigiu que o presidente pedisse perdão a Deus e ao povo americano.

    Já Isabel Brown, influenciadora conservadora e podcaster do Daily Wire, descreveu o post como “nojento e inaceitável”, afirmando que era uma leitura errada do sentimento religioso atual do país. Michael Knowles, podcaster católico conservador, que também trabalha no Daily Wire, sugeriu que, independentemente da intenção, seria melhor para o presidente deletar a imagem tanto por razões espirituais quanto políticas.

    Riley Gaines, ex-nadadora universitária e ativista conservadora que costuma participar de comícios de Trump, criticou a falta de humildade na postagem. “Ele realmente pensa isso?”, escreveu ela. “De qualquer forma, duas coisas são verdadeiras: 1) um pouco de humildade lhe faria bem; 2) Deus não deve ser zombado.”

    Eleitores cristãos, incluindo católicos, formam uma parte crucial da base política de Trump. O republicano, que não frequenta a igreja regularmente, conquistou maiorias entre eleitores cristãos na eleição de 2024 que antes estavam mais divididos.

    David Gibson, diretor do Centro de Religião e Cultura da Universidade Fordham, uma instituição católica de Nova York, disse ser difícil entender a motivação de Trump ao atacar o papa e publicar a imagem, mas também ser difícil prever se os católicos americanos se voltariam contra ele.

    “Será que essa atitude ultrapassará um limite para eles? Será que finalmente punirão Trump e o Partido Republicano nas urnas?”, questionou. “Este é um momento decisivo: os católicos americanos escolherão o papa ou o presidente?”

    Trump se nega a pedir desculpas ao papa Leão 14 e apaga imagem em que parece Jesus

  • Haiti decreta três dias de luto após morte de 25 pessoas em ponto turístico

    Haiti decreta três dias de luto após morte de 25 pessoas em ponto turístico

    Tragédia ocorreu durante tumulto em celebração anual na Citadelle Laferrière, patrimônio reconhecido pela Unesco; Brasil manifesta solidariedade ao povo haitiano e condolências às famílias das vítimas

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O governo do Haiti decretou três dias de luto nacional após a morte de 25 pessoas durante um tumulto em uma fortaleza histórica na Citadelle Laferrière, uma das principais atrações turísticas do país, no sábado (11).

    O primeiro-ministro Alix Didier Fils-Aimé anunciou que o luto começará nesta terça-feira (14) e afirmou que o governo vai custear as despesas funerárias dos mortos. Ele também manifestou “as mais sinceras condolências às famílias enlutadas” e disse que muitos dos atingidos são jovens. Dezenas de pessoas ficaram feridas, e as autoridades ainda não divulgaram a identidade das vítimas.

    Inicialmente, o número de mortos havia sido estimado em 30, mas foi revisado para 25, segundo Emmanuel Pierre, chefe nacional da proteção civil.

    Jean Henri Petit, responsável pela Defesa Civil no Departamento Norte, disse que o tumulto ocorreu durante uma concentração de estudantes e visitantes que participavam de uma celebração anual ligada à Citadelle Laferrière, uma fortaleza histórica e patrimônio reconhecido pela Unesco.

    Os relatos iniciais indicam que os visitantes se aglomeraram em torno de uma única entrada e que ocorreu um confronto entre aqueles que tentavam entrar e sair do local.

    Construída no início do século 19, logo após a independência do Haiti da França, a cidadela é considerada Patrimônio Mundial e costuma atrair grande público. No dia do incidente, a presença de centenas de visitantes e a chuva teriam agravado a situação, contribuindo para que houvesse uma debandada.

    A tragédia ocorreu em um momento de crise no país, marcado pela violência de gangues e por uma escalada de confrontos com forças de segurança. Nos últimos anos, o Haiti também enfrentou uma série de desastres, incluindo explosões de tanques de combustível (em 2021, com cerca de 90 mortos; e em 2024, com mais de 20 vítimas), além de um terremoto que deixou cerca de 2.000 mortos em 2021.

    Vários países se manifestaram sobre a tragédia. Em nota, o governo brasileiro afirmou ter recebido “com profundo pesar” a notícia do acidente e manifestou solidariedade ao povo haitiano, além de condolências às famílias das vítimas e votos de pronta recuperação aos feridos.

    Haiti decreta três dias de luto após morte de 25 pessoas em ponto turístico

  • Reino Unido rejeita bloqueio proposto por Trump no Estreito de Ormuz

    Reino Unido rejeita bloqueio proposto por Trump no Estreito de Ormuz

    Trump cobra aliados para auxiliarem EUA a controlar passagem; Keir Starmer rejeitou participar do bloqueio naval anunciado pelo presidente norte-americano

    O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, rejeitou participar do bloqueio naval anunciado pelo presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, no Estreito de Ormuz, após a Casa Branca dizer que “outros países” participariam da missão.

    “Minha decisão foi muito clara: qualquer que seja a pressão, e tem havido uma pressão considerável, não vamos ser arrastados para a guerra”, afirmou Starmer à BBC, nesta segunda-feira (13).

    A mídia britânica informou que os navios caça-minas e a capacidade antidrone do Reino Unido continuariam operando no Oriente Médio, mas que navios e soldados da Marinha britânica não seriam usados para bloquear portos iranianos.

    O Reino Unido e a França planejam realizar “nos próximos dias” uma conferência para discutir a restauração da liberdade de navegação no Estreito de Ormuz “assim que as circunstâncias permitirem”, segundo o presidente francês Emmanuel Macron.  

    “Organizaremos uma conferência com aqueles países dispostos a contribuir ao nosso lado para uma missão multinacional pacífica destinada a restaurar a liberdade de navegação no estreito. Essa missão estritamente defensiva, separada das partes beligerantes do conflito”, disse Macron em uma rede social.

    Outro país que vem sendo pressionado por Donald Trump para contribuir com o esforço para reabrir o estreito é o Japão, grande importador de petróleo dos países do Golfo Pérsico.

    Em coletiva de imprensa realizada hoje, o chefe de gabinete do governo japonês Minoru Kihara disse que o Japão acompanha “de perto” a situação e defendeu um acordo por meio da diplomacia.

    “O mais importante é conseguir uma desescalada da situação, incluindo garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz, e chegar a um acordo final por meio da diplomacia o mais rápido possível”, afirmou, segundo o jornal Japan Times.

    A negativa de aliados de participarem dos esforços dos EUA para reabrir o Estreito de Ormuz tem gerado a reação do presidente Trump, que chegou a chamar os países de “covardes” e ameaçar abandonar a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

    China

    Por sua vez, a China afirmou que, para resolver a questão da navegação no Estreito de Ormuz, é necessário, em primeiro lugar, resolver o conflito bélico no Oriente Médio.  

    “A causa principal da perturbação no Estreito de Ormuz é o conflito militar. Para resolver a questão, o conflito deve cessar o mais rápido possível. Todas as partes precisam manter a calma e exercer contenção. A China continuará a desempenhar um papel construtivo”, afirmou Guo Jiakun, porta-voz do ministério das relações exteriores na China, em coletiva de imprensa nesta segunda-feira. 

    Irã ameaça retaliar

    As Forças Armadas da República Islâmica do Irã ameaçaram realizar retaliações contra portos no Golfo Pérsico e no Mar do Omã caso a segurança dos portos iranianos seja colocada em risco. Teerã informou ainda que os inimigos do país persa não poderão passar por Ormuz. 

    Após o fracassado das negociações para um acordo de paz em Islamabad, capital do Paquistão, nesse final de semana, o presidente dos EUA Donald Trump anunciou que bloquearia a passagem de navios na saída do Estreito de Ormuz. 

    “O bloqueio será aplicado imparcialmente contra embarcações de todas as nações que entram ou saem de portos e áreas costeiras iranianas, incluindo todos os portos iranianos no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã”, informou, em comunicado, o Comando Central dos EUA.

    Conselho de Segurança da ON

    Na semana passada, a Rússia e a China vetaram a resolução apresentado pelo Bahrein, em nome dos países do Golfo Pérsico, que pretendia autorizar os países a usarem a força para reabrir o Estreito de Ormuz. 

    O preço do barril de petróleo tipo Brent voltou a subir nesta segunda-feira com o anúncio de bloqueio naval dos EUA, chegando ao nível dos US$ 100 novamente, alta de cerca de 5,5%.

    Antes da guerra, passavam pelo Estreito cerca de 20 milhões de barris de petróleo por dia. Estima-se que cerca de 20% do petróleo e gás do planeta passe por Ormuz.

    Reino Unido rejeita bloqueio proposto por Trump no Estreito de Ormuz

  • Papa responde a Trump: “Não tenho medo do presidente dos EUA"

    Papa responde a Trump: “Não tenho medo do presidente dos EUA"

    Trump criticou duramente o Papa Leão XIV por posições sobre conflitos internacionais, questionando sua atuação política; presidente afirma que o pontífice deveria focar no papel religioso, em meio a divergências sobre Irã, Venezuela e negociações globais

    Durante o voo de ida para Argel, primeira etapa da viagem à África, o papa Leão XIV disse que não tem medo do presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump. “Continuarei falando com voz forte sobre a mensagem do Evangelho, pela qual a Igreja trabalha. Não somos políticos, não olhamos para a política externa com a mesma perspectiva. Mas acreditamos na mensagem do Evangelho como construtores de paz”. 

    Leão XIV respondeu às críticas de Trump, feitas na rede Truth Social, de que o papa é fraco em política externa e deve deixar de agradar a esquerda radical.

    “Não quero um papa que ache que está bem o Irã ter arma nuclear. Não quero um papa que considere terrível que os Estados Unidos tenham atacado a Venezuela. E não quero um papa que critique o presidente dos Estados Unidos quando estou fazendo exatamente aquilo para que fui eleito”, declarou.”

    Trump sugeriu que Leão XIV foi eleito porque era estadunidense, pensaram que seria a melhor forma de lidar com o republicano, e pediu que ele seja grato. Leão XIV diz que não vê seu papel como o de um político e que não quer entrar em debate com o presidente dos EUA. “A minha mensagem é o Evangelho e continuo a falar com força contra a guerra” 

    Durante a viagem, o papa cumprimentou os cerca de 70 jornalistas que o acompanham: “É uma viagem especial, a primeira que eu queria fazer. Uma oportunidade muito importante para promover a reconciliação e o respeito pelos povos”. Ele visitará até a próxima quinta-feira (23) a Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial. 

    Falar com força contra a guerra

    Segundo Leão XIV, a mensagem do Evangelho não deve ser deturpada como alguns estão fazendo. “Eu continuo a falar com força contra a guerra, buscando promover a paz, promovendo o diálogo e o multilateralismo com os Estados para encontrar soluções aos problemas. Muitas pessoas estão sofrendo hoje, muitos inocentes foram mortos e acredito que alguém deve se levantar e dizer que há um caminho melhor”. 

    Ele diz que sua mensagem é para todos os líderes do mundo, não apenas para Trump: “Tentemos acabar com as guerras e promover a paz e a reconciliação”. 

    Papa responde a Trump: “Não tenho medo do presidente dos EUA"

  • Israel critica Espanha após explosão de boneco de Netanyahu

    Israel critica Espanha após explosão de boneco de Netanyahu

    Uma imagem do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, foi destruída em um festival religioso espanhol

    Um festival espanhol decidiu fazer explodir a imagem do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, durante um evento religioso em Málaga, no último dia 5 de abril. Agora, Israel acusa o país europeu de ódio antissemita. 

    Segundo o Daily Mail, o ministro dos Negócios Estrangeiros israelense chamou a atenção do embaixador de Espanha em Israel sobre o acontecimento.

    Um boneco gigante de Netanyahu foi colocado no centro de uma cerimônia na localidade de El Burgo. A imagem foi erguida e depois uma série de explosivos a fizeram desaparecer, perante os fortes aplausos de quem estava presente.

    Esta não é a primeira vez que o evento usa imagens de líderes mundiais, tendo já feito explodir igualmente figuras representando o presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, ou do presidente russo Vladimir Putin, explicou entretanto a autarca local María Dolores Narváez.

    Após o evento, o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel recorreu à rede social X para afirmar que este “repugnante ódio antissemita demonstrado” é “resultado direto” do “incitamento sistêmico” por parte do governo de Pedro Sánchez, o primeiro-ministro espanhol.

    Já uma fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros espanhol garante que está “empenhado em combater o antissemitismo e qualquer forma de ódio ou discriminação. Como tal, rejeitamos totalmente qualquer alegação insidiosa que sugira o contrário”. 

    Recorde-se que Espanha tem criticado de forma veemente as campanhas militares dos EUA e de Israel contra o Irão, apesar das advertências dos Estados Unidos sobre os aliados da OTAN que não cooperam. Donald Trump chegou mesmo a ser muito crítico em relação à posição de Pedro Sánchez, afirmando que os EUA não se esquecerão dos países que não o apoiaram neste conflito.

    Assista ao momento alto do festival de Burgos no vídeo acima.

    Israel critica Espanha após explosão de boneco de Netanyahu

  • Cuba estuda movimentação militar dos EUA diante de ameaças de Trump

    Cuba estuda movimentação militar dos EUA diante de ameaças de Trump

    Embaixador José Cabañas destaca que risco de invasão é permanente

    Diante das ameaças de Donald Trump de “tomar Cuba”, o governo em Havana tem estudado a movimentação militar dos Estados Unidos (EUA) na região. O embaixador cubano José R. Cabañas Rodríguez destacou que a invasão da ilha é uma possibilidade para a qual o país se preparou.   

    “Os que precisam analisar a iminência, ou não, da invasão fazem o seu trabalho, se estuda constantemente o movimento das forças militares, sabemos que a guerra hoje pode ser liberada à distância”, disse o diretor do Centro de Investigações de Política Internacional (Cipi), em Havana.

    Cabañas destacou à Agência Brasil que o risco de uma ação militar dos EUA está presente em Cuba desde o triunfo da Revolução, em 1959, e que sempre ressurge quando os EUA percebem um momento de fragilidade econômica que possa oferecer uma chance de sucesso.

    “É uma possibilidade para a qual Cuba historicamente se preparou, e entendemos aqui que a chave para enfrentar tal situação é a unidade do povo”, completou, lembrando da invasão da Praia Girón, em 1961, apoiada pelos EUA e vencida pelas forças leais a Fidel Castro.   

    O diplomata Cabañas atuou como representante de Havana em Washington a partir de 2012, tendo sido o primeiro embaixador de Cuba nos EUA durante governo de Barack Obama.

    Invasão iminente?

    O também professor de relações internacionais José Cabañas lembrou que, em muitos momentos, a invasão de Cuba parecia iminente, como quando os EUA invadiram a ilha de Granada, em 1983, ou durante a invasão dos EUA no Panamá, em 1989.

    “No ano de 1989, houve uma grande mobilização de forças militares nas proximidades de Cuba. Algumas pessoas pensavam que a invasão contra Cuba era iminente”, comentou.

    Cabañas destacou o agravante que, no caso de Cuba, os estadunidenses não precisariam se deslocar até a ilha. “Porque a base naval ilegal em Guantánamo permanece ocupada, onde eles mantêm forças e recursos. Assim, várias gerações de cubanos cresceram e viveram suas vidas sob essa ameaça”, disse. Os EUA têm uma base em Guantánamo, em Cuba, desde 1903. 

    Diferentemente de outras épocas, agora existe um excesso de informação sobre possível invasão a Cuba que o diplomata avalia como tentativa de amedrontar a população.

    “Sabemos que as guerras atuais se lutam, de alguma maneira, usando a informação. Se trata de contaminar o país e a população que vão ser agredidos, para que as pessoas tenham medo, se desanimem. Lemos o que publica a imprensa corporativa estadunidense indicando nessa direção [da invasão]. Entendemos que se quer intoxicar a nossa população”, comentou.

    Negociação com EUA

    A Casa Branca tem renovado constantemente as ameaças de ação militar contra Cuba após o recrudescimento do bloqueio econômico imposto à ilha, com ameaças de sanção aos países que vendam petróleo para Havana.

    A medida fez Cuba ficar mais de três meses sem receber uma gota de petróleo, levando a apagões diários de mais de 12 horas na capital e de até o dia inteiro em municípios do interior do país de 11 milhões de habitantes. 

    No final de março, um petroleiro russo furou o bloqueio dos EUA com 100 mil toneladas métricas de petróleo bruto, dando um pequeno alívio ao país. Porém, a carga daria para suprir a demanda de um terço do consumo de um mês, segundo o governo local. 

    Nesse contexto, foram iniciadas negociações entre Havana e Washington em busca de acordo que permita a Cuba importar petróleo.

    O diplomata e acadêmico José Cabañas destacou que não é a primeira vez que Cuba faz negociação com a Casa Branca, mas que não deve admitir concessões que violem a soberania frente aos EUA.

    “Sempre negociamos com os EUA e com qualquer outro país a partir de uma posição de igualdade, respeito e reciprocidade. E Cuba nunca, nem mesmo nas piores circunstâncias, considerou que precisasse fazer concessões para alcançar uma relação respeitosa com os EUA”, destacou.

    Cuba denuncia bloqueio na ONU

    Na semana passada, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, denunciou às Nações Unidas (ONU) o bloqueio energético dos EUA contra o país como punição coletiva, com objetivo de subjugar o povo cubano pela fome, doenças e escassez de bens de primeira necessidade.

    “Mais de 96 mil cubanos, incluindo 11 mil crianças, aguardam cirurgias devido aos cortes de energia, apesar dos esforços das instituições de saúde para encontrar soluções. Mais de 16 mil pacientes que necessitam de radioterapia e 2.888 que dependem de hemodiálise são afetados pela interrupção de serviços que exigem fornecimento estável de energia”, disse.

    Cubanos que vivem em Havana relatam que o país vive o “pior momento”, com as dificuldades enfrentadas pela população, após o endurecimento do bloqueio energético imposto pelos EUA a partir do final de janeiro deste ano. 

    A luta pela opinião pública dos EUA

    Na semana passada, Díaz-Canel recebeu parlamentares do Partido Democrata dos EUA, que são críticos ao bloqueio energético imposto por Trump. A deputada Pramila Jayapal defendeu que os EUA e Cuba deveriam normalizar as relações. 

    “O embargo dos EUA contra Cuba é o mais longo da história mundial — e o bloqueio de combustível está causando uma crise humanitária ainda maior para o povo cubano”, comentou em uma rede social.

    O embaixador José Cabañas Rodríguez disse que, dentro dos EUA, existe um movimento de solidariedade a Cuba que pode pressionar contra uma invasão.

    “É talvez uma grande contradição que, no país com uma política oficial agressiva contra Cuba, existe possivelmente um dos maiores movimentos de solidariedade que temos no exterior, e que está ativo”, ressaltou.

    Para falar diretamente com a opinião pública norte-americana, o presidente cubano concedeu entrevista exclusiva à emissora NBC News, publicada nesse domingo (12), destacando a determinação do governo de resistir a qualquer ação militar contra o país. 

    “Se isso acontecer [uma invasão], haverá combate, haverá luta. Nós nos defenderemos, e se tivermos que morrer, morreremos, porque como diz nosso hino nacional: ‘morrer pela pátria é viver’”, afirmou.

    O aperto do cerco econômico ao país caribenho neste ano reforça a tentativa dos EUA de derrubar o governo liderado pelo Partido Comunista, que desafia a hegemonia política de Washington na América Latina há mais de seis décadas. O embargo dos EUA contra Cuba já dura 66 anos, com as primeiras medidas adotadas logo após a Revolução Cubana, de 1959.

    Cuba estuda movimentação militar dos EUA diante de ameaças de Trump