Categoria: MUNDO

  • Confira a íntegra do discurso de Lula na abertura da Assembleia da ONU

    Confira a íntegra do discurso de Lula na abertura da Assembleia da ONU

    Lula discursou na abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), onde, por tradição, o Brasil é o primeiro país a ocupar a tribuna do evento, que acontece anualmente e em 2025 completa 80 edições

    Nesta terça-feira (23), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou na abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, nos Estados Unidos. Por tradição, o Brasil é o primeiro país a ocupar a tribuna do evento, que acontece anualmente e em 2025 completa 80 edições. Em sua fala, o presidente do Brasil falou de questões internas e externas, como as sanções dos Estados Unidos à economia e ao judiciário brasileiros, o genocídio em Gaza, as mudanças climáticas, regulação das big techs, democracia e América Latina. 

     
    Confira abaixo a íntegra do discurso 

    “Senhora Presidenta da Assembleia Geral, Annalena Baerbock, Senhor Secretário-Geral, António Guterres, Caros chefes de Estado e de Governo e representantes dos Estados-Membros aqui reunidos. Este deveria ser um momento de celebração das Nações Unidas.

    Criada no fim da Guerra, a ONU simboliza a expressão mais elevada da aspiração pela paz e pela prosperidade.

    Hoje, contudo, os ideais que inspiraram seus fundadores em São Francisco estão ameaçados, como nunca estiveram em toda a sua história.

    O multilateralismo está diante de nova encruzilhada.

    A autoridade desta Organização está em xeque.

    Assistimos à consolidação de uma desordem internacional marcada por seguidas concessões à política do poder.

    Atentados à soberania, sanções arbitrárias e intervenções unilaterais estão se tornando a regra.

    Existe um evidente paralelo entre a crise do multilateralismo e o enfraquecimento da democracia.

    O autoritarismo se fortalece quando nos omitimos frente a arbitrariedades.

    Quando a sociedade internacional vacila na defesa da paz, da soberania e do direito, as consequências são trágicas.

    Em todo o mundo, forças antidemocráticas tentam subjugar as instituições e sufocar as liberdades.

    Cultuam a violência, exaltam a ignorância, atuam como milícias físicas e digitais, e cerceiam a imprensa.

    Mesmo sob ataque sem precedentes, o Brasil optou por resistir e defender sua democracia, reconquistada há quarenta anos pelo seu povo, depois de duas décadas de governos ditatoriais.

    Não há justificativa para as medidas unilaterais e arbitrárias contra nossas instituições e nossa economia. 

    A agressão contra a independência do Poder Judiciário é inaceitável.

    Essa ingerência em assuntos internos conta com o auxílio de uma extrema direita subserviente e saudosa de antigas hegemonias.

    Falsos patriotas arquitetam e promovem publicamente ações contra o Brasil.

    Não há pacificação com impunidade.

    Há poucos dias, e pela primeira vez em 525 anos de nossa história, um ex-chefe de Estado foi condenado por atentar contra o Estado Democrático de Direito.

    Foi investigado, indiciado, julgado e responsabilizado pelos seus atos em um processo minucioso.

    Teve amplo direito de defesa, prerrogativa que as ditaduras negam às suas vítimas.

    Diante dos olhos do mundo, o Brasil deu um recado a todos os candidatos a autocratas e àqueles que os apoiam: nossa democracia e nossa soberania são inegociáveis.

    Seguiremos como nação independente e como povo livre de qualquer tipo de tutela.

    Democracias sólidas vão além do ritual eleitoral.

    Seu vigor pressupõe a redução das desigualdades e a garantia dos direitos mais elementares: a alimentação, a segurança, o trabalho, a moradia, a educação e a saúde.

    A democracia falha quando as mulheres ganham menos que os homens ou morrem pelas mãos de parceiros e familiares.

    Ela perde quando fecha suas portas e culpa migrantes pelas mazelas do mundo.

    A pobreza é tão inimiga da democracia quanto o extremismo.

    Por isso, foi com orgulho que recebemos da FAO a confirmação de que o Brasil voltou a sair do Mapa da Fome neste ano de 2025. 

    Mas no mundo, ainda há 670 milhões de pessoas famintas. Cerca de 2,3 bilhões enfrentam insegurança alimentar.

    A única guerra de que todos podem sair vencedores é a que travamos contra a fome e a pobreza.

    Esse é o objetivo da Aliança Global que lançamos no G20, que já conta com o apoio de 103 países.

    A comunidade internacional precisar rever as suas prioridades: 

    – Reduzir os gastos com guerras e aumentar a ajuda ao desenvolvimento;

    – Aliviar o serviço da dívida externa dos países mais pobres, sobretudo os africanos; e

    – Definir padrões mínimos de tributação global, para que os super-ricos paguem mais impostos que os trabalhadores.

    A democracia também se mede pela capacidade de proteger as famílias e a infância.

    As plataformas digitais trazem possibilidades de nos aproximar como jamais havíamos imaginado.  

    Mas têm sido usadas para semear intolerância, misoginia, xenofobia e desinformação.

    A internet não pode ser uma “terra sem lei”. Cabe ao poder público proteger os mais vulneráveis.

    Regular não é restringir a liberdade de expressão. É garantir que o que já é ilegal no mundo real seja tratado assim no ambiente virtual.

    Ataques à regulação servem para encobrir interesses escusos e dar guarida a crimes, como fraudes, tráfico de pessoas, pedofilia e investidas contra a democracia.

    O Parlamento brasileiro corretamente apressou-se em abordar esse problema.

    Com orgulho, promulguei na última semana uma das leis mais avançadas do mundo para a proteção de crianças e adolescentes na esfera digital.

    Também enviamos ao Congresso Nacional projetos de lei para fomentar a concorrência nos mercados digitais e para incentivar a instalação de datacenters sustentáveis.

    Para mitigar os riscos da inteligência artificial, apostamos na construção de uma governança multilateral em linha com o Pacto Digital Global aprovado neste plenário no ano passado. 

    Senhoras e senhores,

    Na América Latina e Caribe, vivemos um momento de crescente polarização e instabilidade.

    Manter a região como zona de paz é nossa prioridade.

    Somos um continente livre de armas de destruição em massa, sem conflitos étnicos ou religiosos.

    É preocupante a equiparação entre a criminalidade e o terrorismo.

    A forma mais eficaz de combater o tráfico de drogas é a cooperação para reprimir a lavagem de dinheiro e limitar o comércio de armas.

    Usar força letal em situações que não constituem conflitos armados equivale a executar pessoas sem julgamento.

    Outras partes do planeta já testemunharam intervenções que causaram danos maiores do que se pretendia evitar, com graves consequências humanitárias. 

    A via do diálogo não deve estar fechada na Venezuela.

    O Haiti tem direito a um futuro livre de violência.

    E é inadmissível que Cuba seja listada como país que patrocina o terrorismo.

    No conflito na Ucrânia, todos já sabemos que não haverá solução militar. 

    O recente encontro no Alaska despertou a esperança de uma saída negociada.

    É preciso pavimentar caminhos para uma solução realista.

    Isso implica levar em conta as legítimas preocupações de segurança de todas as partes.

    A Iniciativa Africana e o Grupo de Amigos da Paz, criado por China e Brasil, podem contribuir para promover o diálogo.

    Nenhuma situação é mais emblemática do uso desproporcional e ilegal da força do que a da Palestina.

    Os atentados terroristas perpetrados pelo Hamas são indefensáveis sob qualquer ângulo.

    Mas nada, absolutamente nada, justifica o genocídio em curso em Gaza.

    Ali, sob toneladas de escombros, estão enterradas dezenas de milhares de mulheres e crianças inocentes.

    Ali também estão sepultados o Direito Internacional Humanitário e o mito da superioridade ética do Ocidente.

    Esse massacre não aconteceria sem a cumplicidade dos que poderiam evitá-lo.

    Em Gaza a fome é usada como arma de guerra e o deslocamento forçado de populações é praticado impunemente.

    Expresso minha admiração aos judeus que, dentro e fora de Israel, se opõem a essa punição coletiva.

    O povo palestino corre o risco de desaparecer.

    Só sobreviverá com um Estado independente e integrado à comunidade internacional.

    Esta é a solução defendida por mais de 150 membros da ONU, reafirmada ontem, aqui neste mesmo plenário, mas obstruída por um único veto.

    É lamentável que o presidente Mahmoud Abbas tenha sido impedido pelo país anfitrião de ocupar a bancada da Palestina nesse momento histórico. 

    O alastramento desse conflito para o Líbano, a Síria, o Irã e o Catar fomenta escalada armamentista sem precedentes.

    Senhora presidenta,

    Bombas e armas nucleares não vão nos proteger da crise climática.

    O ano de 2024 foi o mais quente já registrado.

    A COP30, em Belém, será a COP da verdade.

    Será o momento de os líderes mundiais provarem a seriedade de seu compromisso com o planeta.

    Sem ter o quadro completo das Contribuições Nacionalmente Determinadas (as NDCs), caminharemos de olhos vendados para o abismo.

    O Brasil se comprometeu a reduzir entre 59 e 67% suas emissões, abrangendo todos os gases de efeito estufa e todos os setores da economia.

    Nações em desenvolvimento enfrentam a mudança do clima ao mesmo tempo em que lutam contra outros desafios.

    Enquanto isso, países ricos usufruem de padrão de vida obtido às custas de duzentos anos de emissões.

    Exigir maior ambição e maior acesso a recursos e tecnologias não é uma questão de caridade, mas de justiça.

    A corrida por minerais críticos, essenciais para a transição energética, não pode reproduzir a lógica predatória que marcou os últimos séculos.

    Em Belém, o mundo vai conhecer a realidade da Amazônia.

    O Brasil já reduziu pela metade o desmatamento na região nos dois últimos anos.

    Erradicá-lo requer garantir condições dignas de vida para seus milhões de habitantes.

    Fomentar o desenvolvimento sustentável é o objetivo do Fundo Florestas Tropicais para Sempre, que o Brasil pretende lançar para remunerar os países que mantêm suas florestas em pé.  

    É chegado o momento de passar da fase de negociação para a etapa de implementação.

    O mundo deve muito ao regime criado pela Convenção do Clima.

    Mas é necessário trazer o combate à mudança do clima para o coração da ONU, para que ela tenha a atenção que merece.

    Um Conselho vinculado à Assembleia Geral com força e legitimidade para monitorar compromissos dará coerência à ação climática.

    Trata-se de um passo fundamental na direção de uma reforma mais abrangente da Organização, que contemple também um Conselho de Segurança ampliado nas duas categorias de membros.

    Poucas áreas retrocederam tanto como o sistema multilateral de comércio.

    Medidas unilaterais transformam em letra morta princípios basilares como a cláusula de Nação Mais Favorecida.

    Desorganizam cadeias de valor e lançam a economia mundial em uma espiral perniciosa de preços altos e estagnação.

    É urgente refundar a OMC em bases modernas e flexíveis.

    Senhoras e senhores,

    Este ano, o mundo perdeu duas personalidades excepcionais: o ex-presidente do Uruguai, Pepe Mujica, e o Papa Francisco.

    Ambos encarnaram como ninguém os melhores valores humanistas.

    Suas vidas se entrelaçaram com as oito décadas de existência da ONU.

    Se ainda estivessem entre nós, provavelmente usariam esta tribuna para lembrar:

    – Que o autoritarismo, a degradação ambiental e a desigualdade não são inexoráveis;

    – Que os únicos derrotados são os que cruzam os braços, resignados;

    – Que podemos vencer os falsos profetas e oligarcas que exploram o medo e monetizam o ódio; e

    – Que o amanhã é feito de escolhas diárias e é preciso coragem de agir para transformá-lo.

    No futuro que o Brasil vislumbra não há espaço para a reedição de rivalidades ideológicas ou esferas de influência.

    A confrontação não é inevitável.

    Precisamos de lideranças com clareza de visão, que entendam que a ordem internacional não é um “jogo de soma zero”.

    O século 21 será cada vez mais multipolar. Para se manter pacífico, não pode deixar de ser multilateral.

    O Brasil confere crescente importância à União Europeia, à União Africana, à ASEAN, à CELAC, aos BRICS e ao G20.

    A voz do Sul Global deve ser ouvida.

    A ONU tem hoje quase quatro vezes mais membros do que os 51 que estiveram na sua fundação.

    Nossa missão histórica é a de torná-la novamente portadora de esperança e promotora da igualdade, da paz, do desenvolvimento sustentável, da diversidade e da tolerância.

    Que Deus nos abençoe a todos.

    Muito obrigado.”

    Assista ao vídeo com a íntegra do discurso

    https://www.youtube.com/watch?v=gB0-M0lpk10

     

    Confira a íntegra do discurso de Lula na abertura da Assembleia da ONU

  • Trump fala em 'excelente química' com Lula em encontro na ONU; os dois vão se reunir

    Trump fala em 'excelente química' com Lula em encontro na ONU; os dois vão se reunir

    O presidente Donald Trump disse que ficou impressionado com Lula, que o abraçou nos bastidores do plenário da ONU e que convidou o presidente brasileiro para um encontro na próxima semana

    NOVA YORK, EUA (CBS NEWS) – Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump tiveram um breve encontro nesta terça-feira (23), entre os discursos de ambos na Assembleia-Geral das Nações Unidas, e combinaram de realizar uma reunião na próxima semana. Os detalhes ainda não foram divulgados.

    A aproximação ocorre em pleno tarifaço do republicano contra o Brasil e em meio a um novo pacote de sanções americanas.

    Trump estava na sala reservada da ONU e acompanhou todo o discurso de Lula, recheado de críticas a ações dos Estados Unidos. O petista entrou na sala ao deixar o púlpito. Trump tomou a iniciativa de falar com ele, porque já estava no local quando o presidente chegou, segundo integrantes do governo.

    Trump disse que eles precisavam conversar. Lula afirmou estar aberto a fazer conversas, que sempre esteve. O americano então sugeriu que poderia ser na próxima semana a reunião, ao que Lula confirmou. O chefe do cerimonial, Fernando Igreja, fez a tradução na hora.

    Trump anunciou publicamente o encontro no fim de seu discurso no evento. O republicano disse que houve “excelente química” e que os dois vão se encontrar na próxima semana.

    “Eu só faço negócios com pessoas que eu gosto. E eu gostei dele, e ele de mim. Por pelo menos 30 segundos nós tivemos uma química excelente, isso é um bom sinal”, disse o americano, que discursou após o petista.

    A Presidência confirmou o encontro entre Lula e Trump e o agendamento da reunião entre os dois para a próxima semana, sem dar mais detalhes.

    Lula fez fala recheada de recados a ações dos Estados Unidos, da aplicação de sanções a ações militares no Caribe.

    Esta foi a primeira vez que Lula ficou no mesmo ambiente que Trump desde que o americano aplicou sanções ao Brasil, a partir do final de maio.

    Em abril, os dois foram à missa do funeral do papa Francisco, mas Lula afirmou nem ter visto Trump na ocasião. Depois, em meados de maio, havia expectativa de que eles pudessem se esbarrar na cúpula do G7, em meados de maio, no Canadá. Mas isso não ocorreu porque Trump antecipou sua volta aos EUA.

    No início da manhã, Lula fez o discurso de abertura no segmento de alto nível da Assembleia-Geral da ONU. Trump falou em seguida.

    O encontro entre Lula e Trump, embora tenha sido um rápido encontro, não estava na agenda de nenhum dos dois mandatários. Ela ocorre num momento de distanciamento inédito entre Brasil e EUA por causa do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) -um aliado de Trump.

    O republicano classificou o processo contra Bolsonaro de caça às bruxas e, com base nisso, aplicou uma série de medidas punitivas contra o país. Entre elas, a cassação de vistos de autoridades, a imposição de sanções financeiras contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), e um tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros.

    Na mais recente escalada, Trump incluiu a esposa de Moraes, Viviane Barci, em punições financeiras com base na Lei Magnitsky, e suspendeu os vistos de uma nova leva de autoridades brasileiras, entre elas o do ministro Jorge Messias (Advocacia-Geral da União).

    Trump fala em 'excelente química' com Lula em encontro na ONU; os dois vão se reunir

  • Macron é 'barrado' pela polícia de Nova York por causa de… Trump

    Macron é 'barrado' pela polícia de Nova York por causa de… Trump

    O francês reagiu a situação com bom humor, ligou para o presidente norte-americano e depois disso seguiu tranquilamente a pé pelas ruas da cidade de Nova York

    O presidente da França, Emmanuel Macron, passou por um momento cômico durante a sua visita a Nova York, nos Estados Unidos, na noite desta segunda-feira (22).

    Macron saía da sede da Organização das Nações Unidas (ONU) quando foi interpelado por um policial, que o impediu de atravessar uma rua.

    O agente fazia parte da equipe de segurança que seguia a comitiva de Donald Trump. O carro onde estava o presidente dos EUA ia passar momentos depois, estando por isso a vedação a circulação de pessoas na rua.

    Entre eles estava, contudo, uma figura igualmente importante e que acabou por encarar toda a situação com… bastante bom-humor.

    O presidente de França pegou no telefone e ligou diretamente para o responsável pela sua situação.

    Depois do fim de todo o aparato, Macron prosseguiu o seu caminho a pé, sendo parado por vários pedestres.

    Emmanuel Macron se encontra nos EUA, onde participou na Conferência Internacional para a Solução Pacífica da Questão da Palestina e Implementação da Solução de Dois Estados.

     
    Nova Iorque acolhe Conferência para a Solução de Dois Estados 

    A Conferência Internacional para a Solução Pacífica da Questão da Palestina e Implementação da Solução de Dois Estados, copresidida pela França e Arábia Saudita, decorreu em Nova York, na qual vários países reconhecerão o Estado palestino.

    Na conferência, a França reconheceu formalmente o Estado da Palestina, uma decisão para promover a paz entre israelitas e palestinos, anunciou o Presidente francês, Emmanuel Macron, perante as Nações Unidas.

    “Chegou o momento (…). Declaro que hoje a França reconhece o Estado da Palestina”, afirmou Macron, na abertura da conferência de alto nível sobre a solução dos dois Estados, copresidida por Paris e Riade. 

    Macron sublinhou que estava sendo “fiel ao compromisso histórico da França” no Médio Oriente, onde reconhece que Paris tem “uma responsabilidade histórica”.

    “Devemos fazer tudo para preservar a possibilidade de uma solução de dois Estados, com Israel e a Palestina a viverem lado a lado em paz e segurança”, acrescentou.

    Macron anunciou também que será aberta uma embaixada francesa na Palestina condicionada à libertação de “todos os reféns” detidos pelo movimento islamita Hamas e a um “cessar-fogo” em Gaza.

    França reconhece formalmente o Estado da Palestina: “Chegou o momento” 

    A França reconheceu formalmente o Estado da Palestina, uma decisão para promover a paz entre israelitas e palestinos, anunciou o Presidente francês, Emmanuel Macron, perante as Nações Unidas.

    Macron acrescentou ainda que o reconhecimento é também “uma derrota para o Hamas, bem como para todos aqueles que promovem o antissemitismo e alimentam obsessões anti-sionistas e que querem a destruição do Estado de Israel”.

    A tomada de posição da França é significativa, uma vez que o país é o que tem a maior comunidade judaica da Europa, por ser historicamente um dos mais firmes aliados de Israel e por ter um lugar permanente (e portanto poder de veto) no Conselho de Segurança da ONU, para além de ser uma das principais economias do mundo.

    Macron anunciou também que mais cinco países se juntarão nas próximas horas ao reconhecimento do Estado palestino, como Bélgica, Malta, Luxemburgo, Andorra e São Marino.

    No domingo, Portugal, Reino Unido, Canadá e Austrália formalizaram o reconhecimento do Estado da Palestina.

    Macron é 'barrado' pela polícia de Nova York por causa de… Trump

  • Trump falará em 'retorno da força' dos EUA em discurso na ONU, diz secretária de imprensa

    Trump falará em 'retorno da força' dos EUA em discurso na ONU, diz secretária de imprensa

    Lula abre os discursos da Assembleia-Geral da ONU nesta terça-feira (23), seguido por Donald Trump, mantendo a tradição de Brasil e EUA iniciarem as falas dos chefes de Estado desde 1955. A sessão contará ainda com líderes de mais de 30 países

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – A secretária de imprensa do governo Donald Trump, Karoline Leavitt, afirmou que o presidente americano vai ressaltar o “retorno da força” do país em seu primeiro discurso do segundo mandato para a Assembleia-Geral da ONU. Trump falará logo após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

    Outro ponto central, segundo Leavitt, será uma “fala dura” sobre o que chamou de “fracassos do globalismo” -termo usado pela direita americana para criticar esforços de cooperação internacional e multilateralismo.

    Trump falará em 'retorno da força' dos EUA em discurso na ONU, diz secretária de imprensa

  • Irã executou pelo menos 1.000 condenados desde o início do ano

    Irã executou pelo menos 1.000 condenados desde o início do ano

    ONG denuncia que país vive a pior onda de execuções desde 2008, com média de nove enforcamentos por dia; maioria dos casos está ligada ao tráfico de drogas e a condenações por homicídio.

    Pelo menos 1.000 pessoas condenadas à morte foram executadas no Irã desde o início de 2025, segundo balanço divulgado nesta terça-feira (23) pela ONG Iran Human Rights (IHR), que denuncia uma “campanha de massacres” nas prisões do país.

    O número já supera o recorde de 975 execuções registrado em 2024 e é o mais alto desde que a entidade, com sede na Noruega, começou a monitorar os casos em 2008. Apenas na última semana, foram pelo menos 64 execuções — uma média de nove enforcamentos por dia. A ONG ressalta, porém, que os dados provavelmente estão subestimados devido à falta de transparência das autoridades iranianas.

    Organizações de direitos humanos vêm acusando o regime do aiatolá Ali Khamenei de intensificar execuções em escala inédita nos últimos anos, em meio aos protestos de 2022 e 2023 contra o governo e à guerra de 12 dias contra Israel em junho.

    “Nos últimos meses, a República Islâmica lançou uma campanha de massacres nas prisões iranianas. Sem uma reação internacional séria, a dimensão desse massacre cresce a cada dia. As execuções arbitrárias e em massa, sem garantias de julgamento justo, configuram crimes contra a humanidade”, disse o diretor da IHR, Mahmood Amiry-Moghaddam.

    Segundo a ONG, cerca de 50% das execuções estão ligadas ao tráfico de drogas, 43% a condenações por homicídio, 3% a acusações de segurança nacional (como rebelião armada, “corrupção na Terra” e “inimizade contra Deus”), 3% a casos de estupro e 1% a espionagem em favor de Israel.

    O Irã ocupa hoje a segunda posição mundial em número de execuções, atrás apenas da China, de acordo com entidades como a Anistia Internacional.

    O relatório foi divulgado enquanto o presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, participa da Assembleia-Geral da ONU em Nova York, em um momento em que Teerã enfrenta a retomada de sanções econômicas por causa do seu programa nuclear.

    Irã executou pelo menos 1.000 condenados desde o início do ano

  • Assembleia-Geral da ONU tem discursos de Lula e Trump e começa às 10h

    Assembleia-Geral da ONU tem discursos de Lula e Trump e começa às 10h

    Lula abre os discursos da Assembleia-Geral da ONU nesta terça-feira (23), seguido por Donald Trump, mantendo a tradição de Brasil e EUA iniciarem as falas dos chefes de Estado desde 1955. A sessão contará ainda com líderes de mais de 30 países

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será o primeiro líder a discursar na Assembleia-Geral da ONU nesta terça-feira (23), de acordo com a tradição segundo a qual o Brasil abre as falas dos chefes de Estado. Em seguida, seu homólogo americano, Donald Trump, falará na tribuna, seguindo a ordem que se repete desde 1955, com algumas raras exceções.

    Antes do brasileiro, falam o secretário-geral da ONU, António Guterres, e a presidente da Assembleia-Geral, Annalena Baerbock.
    Confira a ordem dos discursos abaixo:

    Manhã
    – Secretário-geral da ONU, António Guterres
    – Presidente da Assembleia-Geral, Annalena Baerbock
    – Brasil
    – EUA
    – Indonésia
    – Turquia
    – Peru
    – Jordânia
    – Coreia do Sul
    – Qatar
    – Suriname
    – Lituânia
    – Portugal
    – Uruguai
    – Eslovênia
    – Egito
    – Cazaquistão
    – África do Sul
    – Uzbequistão

    Tarde
    – Mongólia
    – Turcomenistão
    – Chile
    – Tadjiquistão
    – Líbano
    – França
    – Quirguistão
    – El Salvador
    – Polônia
    – Moçambique
    – México
    – Vietnã
    – Angola
    – Romênia
    – Marrocos
    – Maldivas
    – Iraque
    – Finlândia
    – Bósnia-Herzegovina

    Assembleia-Geral da ONU tem discursos de Lula e Trump e começa às 10h

  • Macron é barrado em Nova York para passagem de comitiva de Trump

    Macron é barrado em Nova York para passagem de comitiva de Trump

    Em Nova York para a Assembleia-Geral da ONU, Emmanuel Macron foi parado pela polícia durante a passagem da comitiva de Donald Trump. O francês reagiu com bom humor, ligou para o presidente americano e transformou o contratempo em piada diante de jornalistas e diplomatas

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O jornalista Rémy Buisine, da plataforma francesa de vídeos Brut., flagrou uma cena inusitada do presidente Emmanuel Macron nas ruas de Nova York, onde está para participar da Assembleia-Geral da ONU.

    Macron, como mostra o vídeo, foi brevemente bloqueado pela polícia devido à passagem da comitiva do presidente americano, Donald Trump.
    Bem-humorado, o presidente francês ligou para Trump para fazer piada com a situação.

     
     
     

     
     
    Ver essa foto no Instagram

     
     
     
     

     
     

     
     
     

     
     

    Uma publicação compartilhada por Brut. (@brutofficiel)

    Nesta segunda, Macron afirmou que a França reconhece o Estado da Palestina, oficializando anúncio feito em julho de que tomaria esse passou durante a reunião da ONU.

    Macron deu a declaração durante evento sobre o fim do conflito no Oriente Médio e a solução de dois Estados na região de Israel-Palestina. O encontro é presidido pela França e pela Arábia Saudita, e não tem a presença de Israel e Estados Unidos, contrários à proposta de reconhecimento da Palestina e do estabelecimento da solução de dois Estados.

    Macron é barrado em Nova York para passagem de comitiva de Trump

  • Hamas propõe aos EUA cessar-fogo de 60 dias em Gaza em troca de reféns

    Hamas propõe aos EUA cessar-fogo de 60 dias em Gaza em troca de reféns

    O grupo palestino apresentou a Donald Trump uma proposta de trégua em Gaza com a promessa de libertar metade dos reféns. A iniciativa surge em meio ao avanço militar israelense e ao reconhecimento internacional crescente do Estado palestino, intensificando pressões diplomáticas sobre o conflito

    O Hamas apresentou ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, uma proposta de cessar-fogo de 60 dias na Faixa de Gaza em troca da libertação de metade dos reféns que mantém no enclave. A informação foi confirmada pelo próprio grupo islâmico palestino à agência EFE.

    Segundo a rede norte-americana Fox News, que citou um alto funcionário do governo Trump e uma fonte envolvida nas negociações, o plano está formalizado em uma carta que deve ser entregue ao presidente ainda nesta semana.

    De acordo com uma fonte do Hamas no Cairo, o documento já foi encaminhado ao Egito e ao Qatar, mediadores da guerra em Gaza, que se encarregarão de repassar a carta a Trump. A proposta inclui um “pedido de garantia pessoal do presidente norte-americano” para que o cessar-fogo seja cumprido, enquanto o Hamas se compromete a libertar metade dos 48 reféns que ainda mantém sob seu poder.

    Trump tem insistido repetidamente na libertação de todos os reféns sequestrados durante o ataque de 7 de outubro de 2023, que marcou o início da guerra. Desde então, diferentes tentativas de cessar-fogo foram propostas, muitas delas quebradas por Israel, segundo o Hamas. A mais recente, aceita em 18 de agosto, previa a troca de dez reféns israelenses por ampla entrada de ajuda humanitária, mas Tel Aviv manteve os planos militares para conquistar a Cidade de Gaza.

    No domingo (21), o Exército israelense confirmou a entrada de tanques na região central da cidade, habitada por cerca de 1 milhão de pessoas. Estima-se que 550 mil civis já tenham fugido desde que os bombardeios se intensificaram em meados de agosto.

    O braço armado do Hamas também divulgou um vídeo do refém germano-israelense Alon Ohel, de 24 anos, capturado em 7 de outubro. Nas imagens, o jovem pede ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que garanta a libertação dos reféns e convoca sua família a continuar protestando contra o governo. Este é o segundo vídeo de Ohel divulgado em setembro; no início do mês, ele apareceu ao lado de outro refém, Guy Gilboa-Dalal.

    De acordo com dados oficiais de Israel, 251 pessoas foram sequestradas no ataque, das quais 47 permanecem em Gaza. O Exército afirma que pelo menos 25 desses reféns já morreram.

    O ataque inicial deixou 1.219 mortos em Israel, em sua maioria civis. Em resposta, a ofensiva militar israelense em Gaza já causou 65.344 mortes, também em grande parte de civis, segundo o Ministério da Saúde controlado pelo Hamas. Os números, embora divulgados pelo grupo, são considerados confiáveis pela ONU.

    No campo diplomático, a pressão internacional aumenta. No domingo, Portugal, Reino Unido, Canadá e Austrália reconheceram formalmente o Estado da Palestina, somando-se a quase 150 países que já o fizeram. Israel rejeitou a decisão, classificando-a como “uma enorme recompensa ao terrorismo”. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu reafirmou que não aceitará um Estado palestino.

    O Hamas, por sua vez, comemorou o reconhecimento como “uma vitória” para os direitos do povo palestino. A França também prometeu oficializar o reconhecimento durante a conferência da ONU sobre a solução de dois Estados, em Nova York, nesta semana de alto nível da Assembleia-Geral.
     
     
     

    Hamas propõe aos EUA cessar-fogo de 60 dias em Gaza em troca de reféns

  • Trump sugere que paracetamol na gravidez pode causar autismo

    Trump sugere que paracetamol na gravidez pode causar autismo

    Em coletiva, presidente dos EUA disse que gestantes devem evitar o uso do medicamento, sem apresentar provas científicas. Fabricante do Tylenol e médicos classificaram a fala como irresponsável e alertaram para riscos à saúde das mulheres.

    Donald Trump cumpriu a promessa de fazer um “anúncio importante” nesta segunda-feira (22) e declarou, em coletiva de imprensa ao lado do secretário da Saúde, Robert F. Kennedy Jr., que a FDA (Agência de Alimentos e Medicamentos dos EUA) recomendará que grávidas evitem o uso de paracetamol. Segundo ele, haveria uma ligação entre o consumo do medicamento durante a gestação e o aumento de diagnósticos de autismo no país.

    O presidente norte-americano sugeriu que o paracetamol só seja usado se houver recomendação médica específica. Apesar disso, não apresentou evidências científicas para embasar a orientação e citou rumores de que Cuba teria índices menores de autismo porque não dispõe de Tylenol, marca mais popular do fármaco.

    Especialistas, no entanto, ressaltam que a elevação de diagnósticos de autismo nos EUA está ligada a mudanças na definição da condição, que passou a incluir casos mais leves dentro do espectro, além do avanço nos métodos de identificação. Segundo a Associated Press, não existe uma causa única para o transtorno.

    A fabricante Kenvue, responsável pelo Tylenol, refutou a declaração de Trump. “Discordamos veementemente de qualquer sugestão contrária à ciência independente”, afirmou Melissa Witt, porta-voz da empresa, ao The New York Times. “Estamos profundamente preocupados com o risco que isso representa para a saúde das mulheres grávidas.”

    O presidente do Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas, Steven Fleischman, classificou a fala como “irresponsável” e alertou para a confusão que pode gerar entre gestantes. “O anúncio de hoje não é apoiado por todas as evidências científicas e simplifica perigosamente as muitas e complexas causas dos problemas neurológicos em crianças”, disse.

    A FDA também anunciou, após a coletiva, que iniciou o processo de aprovação da leucovorina como tratamento para crianças com autismo associado à deficiência de folato cerebral (DFC). O medicamento, já usado no tratamento de câncer e anemia, apresentou resultados positivos em estudos ao melhorar a comunicação verbal de pacientes com esse perfil.

    Segundo nota da agência, indivíduos com deficiência de folato no cérebro podem apresentar atrasos no desenvolvimento com características autistas, convulsões e dificuldades motoras, e a leucovorina pode ajudar a reduzir esses sintomas.

     

    Trump sugere que paracetamol na gravidez pode causar autismo

  • Trump diz que mulheres grávidas não devem tomar paracetamol devido ao risco de autismo

    Trump diz que mulheres grávidas não devem tomar paracetamol devido ao risco de autismo

    Cientistas estudam uma possível conexão citada por Trump há anos, mas as pesquisas até agora produziram resultados inconclusivos; o paracetamol é considerado uma das poucas opções seguras para tratar dor ou febre durante a gravidez

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta segunda-feira (22) que a FDA (Food and Drug Administration, a Anvisa dos EUA) pedirá aos médicos que aconselhem mulheres grávidas a não usarem Tylenol , conhecido como paracetamol, devido ao risco aumentado de autismo.

    “Tomar Tylenol não é bom. Eu digo: não é bom”, disse Trump. “Por esse motivo, eles recomendam fortemente que as mulheres limitem o uso de Tylenol durante a gravidez, a menos que seja clinicamente necessário.”

    No domingo (21), Trump disse que achava o paracetamol “um fator muito importante” para o autismo.

    No entanto, cientistas estudam uma possível conexão há anos, mas as pesquisas até agora produziram resultados inconclusivos.

    O paracetamol é considerado uma das poucas opções seguras para tratar dor ou febre durante a gravidez. Os médicos já alertam rotineiramente as gestantes contra o uso prolongado.

    Estudos que examinaram o possível risco ao desenvolvimento cerebral fetal são mistos. Enquanto alguns encontraram uma ligação com distúrbios do neurodesenvolvimento em crianças, outros não.

    Alguns cientistas recomendaram que os profissionais de saúde tomem uma postura preventiva e alertem as mulheres grávidas sobre a possibilidade de uma ligação entre o paracetamol e o autismo.

    Trump diz que mulheres grávidas não devem tomar paracetamol devido ao risco de autismo