Categoria: MUNDO

  • Israel extermina povo palestino e tenta aniquilar sonho de nação, diz Lula

    Israel extermina povo palestino e tenta aniquilar sonho de nação, diz Lula

    O presidente Lula saudou os países que reconheceram o Estado palestino recentemente, como a França, o Reino Unido, Canadá e Portugal, entre outros

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou que as ações de Israel na Faixa de Gaza são um extermínio do povo palestino que tenta também acabar com as possibilidades de criação de um Estado palestino.

    “O que esta acontecendo em Gaza não é só o extermínio do povo palestino, mas uma tentativa de aniquilamento de seu sonho de nação. Tanto Israel quanto a Palestina têm direito de existir”, afirmou Lula durante conferência sobre a Palestina e a solução de dois Estados, na ONU -evento boicotado por Israel e Estados Unidos.

    A declaração de Lula, de pouco menos de cinco minutos, foi recheada de condenações das ações de Israel tanto em Gaza como na Cisjordânia, intercaladas a críticas à paralisia do Conselho de Segurança da ONU, que ele chamou de obstáculos ao multilateralismo.

    “O conflito entre Israel e Palestina é símbolo maior dos obstáculos enfrentados pelo multilateralismo. Ee mostra que a tirania do veto sabota a própria razão de ser da ONU, de evitar que atrocidades como as que motivaram sua fundação se repitam”, afirmou Lula.

    A referência ao poder de veto é uma crítica velada aos Estados Unidos, cujo governo de Donald Trump está em rota de colisão com o governo Lula e vem exercendo o poder de veto americano para barrar resoluções que têm como objetivo pôr fim à guerra em Gaza.

    “[O veto] também vai contra sua [da ONU] vocação universal, bloqueando a admissão como membro pleno de um Estado cuja criação deriva da autoridade da própria Assembleia-Geral”, afirmou o presidente brasileiro.

    Lula lembrou que o plano de partilha do então mandato britânico da Palestina foi adotado em sessão há 78 anos presidida pelo brasileiro Oswaldo Aranha. “Naquela ocasião, nasceu a perspectiva de dois Estados, mas só um se materializou.”

    “Um Estado se assenta sobre três pilares: o território, a população e o governo. Todos têm sido sistematicamente solapados no caso palestino”, disse Lula.

    Como falar em território diante de uma ocupação ilegal que cresce a cada novo assentamento? Como manter uma população diante da limpeza étnica a que assistimos em tempo real? E como construir um governo sem empoderar a Autoridade Palestina?”, afirmou o presidente brasileiro.

    Lula lembrou do relatório recente de comissão inquérito da ONU para voltar a chamar as ações de Israel em Gaza de genocídio. O petista também ressaltou a decisão do governo brasileiro de entrar como parte do processo aberto pela África do Sul na Corte Internacional de Justiça contra Tel Aviv.

    Lula também voltou a condenar os atos terroristas do Hamas no 7 de outubro de 2023. “Os atos terroristas cometidos pelos Hamas são inaceitáveis, e o Brasil foi enfático ao condená-los, mas o direito de defesa não autoriza a matança indiscriminada de civis”, afirmou Lula.

    O presidente brasileiro citou ainda Israel e EUA ao falar sobre a fome no território palestino conflagrado. “Meio milhão de palestinos não têm comida suficiente -mais do que a população de Miami ou de Tel Aviv”, afirmou Lula.

    O presidente saudou os países que reconheceram o Estado palestino recentemente, como a França, o Reino Unido, Canadá e Portugal, entre outros, e disse se comprometer a “reforçar o controle sob importações de assentamentos ilegais da Cisjordânia e manter suspensas as exportações de material de defesa, inclusive de uso dual, que possam ser usados em crimes contra a humanidade e genocídio”.

    Lula disse ainda que “diante da omissão do Conselho de Segurança”, a Assembleia-Geral “precisa exercer sua responsabilidade”, e afirmou em seguida que o governo brasileiro apoia a criação de um órgão inspirado no comitê especial contra o apartheid sul-africano.

    O petista deu as declarações após a fala do presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, que disse estar pronto para governar a Faixa de Gaza.

    Antes dele, o presidente francês, Emmanuel Macron, também havia dado declaração em que oficializou o reconhecimento do Estado da Palestina pela França -Paris preside a conferência ao lado da Arábia Saudita.

    “Esse reconhecimento é uma forma de afirmar que o povo palestino não é só mais um povo”, disse Macron. “É um povo com história e dignidade, e o reconhecimento de seu Estado não subtrai nada do povo de Israel.”

    A oficialização da posição de Paris ocorre um dia após decisões no mesmo sentido tomadas por Austrália, Canadá, Portugal e Reino Unido, que oficializaram o reconhecimento da Palestina neste domingo (21).

    A França, além de ser agora o terceiro país do G7 -junto de Reino Unido e Canadá- a reconhecer a Palestina, concede peso a sua mudança de posição porque é o país com a maior comunidade judaica e, ao mesmo tempo, a maior comunidade árabe na Europa.

    A decisão de Paris e Londres também isola Washington no Conselho de Segurança da ONU, no qual, agora, 4 dos 5 membros permanentes reconhecem a Palestina -China e Rússia já defendiam essa posição.

     

    Israel extermina povo palestino e tenta aniquilar sonho de nação, diz Lula

  • Macron declara que França reconhece oficialmente Estado da Palestina

    Macron declara que França reconhece oficialmente Estado da Palestina

    Emmanuel Macron deu a declaração durante evento sobre o fim do conflito no Oriente Médio e a solução de dois Estados na região de Israel-Palestina

    SÃO PAULO, SP, E BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou nesta segunda-feira (22) que a França agora reconhece o Estado da Palestina, oficializando anúncio feito em julho de que reconheceria a Palestina durante a reunião da ONU.

    Macron deu a declaração durante evento sobre o fim do conflito no Oriente Médio e a solução de dois Estados na região de Israel-Palestina. O evento é presidido pela França e pela Arábia Saudita, e não tem a presença de Israel e Estados Unidos, contrários à proposta de reconhecimento da Palestina e do estabelecimento da solução de dois Estados.

    Esse reconhecimento é uma forma de afirmar que o povo palestino não é só mais um povo”, disse Macron, sob aplausos dos presentes no salão da Assembleia-Geral das Nações Unidas. “É um povo com história e dignidade, e o reconhecimento de seu Estado não subtrai nada do povo de Israel.”

    A oficialização da posição de Paris ocorre um dia após decisões no mesmo sentido tomadas por Austrália, Canadá, Portugal e Reino Unido, que oficializaram o reconhecimento da Palestina neste domingo (21).

    A França, além de ser agora o terceiro país do G7 -junto de Reino Unido e Canadá- a reconhecer a Palestina, concede peso a sua mudança de posição porque é o país com a maior comunidade judaica e, ao mesmo tempo, a maior comunidade árabe na Europa.

    Em seu discurso, o presidente francês anunciou que seu país abrirá uma embaixada na Palestina “assim que os reféns do Hamas forem devolvidos e um cessar-fogo for assinado”.

    “Depende da liderança Palestina, e do Estado palestino, dar ao seu povo, traumatizado por décadas de ocupação, a esperança de um sistema democrático”, disse Macron, que citou compromissos que o presidente da Autoridade Nacional Palestina, que tiveram a concordância de Mahmoud Abbas -cujo visto foi negado pelo governo de Donald Trump e, por isso, não estava presente.

    “Estado soberano e desmilitarizado, reconhecido por Israel em uma região que finalmente verá a paz. Espero que parceiros árabes reconheçam a existência de Israel e normalizem relações assim que o Estado palestino for estabelecido”, afirmou Macron.

    Após fala de Macron, o ministro das Relações Exteriores da Arábia Saudita, o príncipe Faisal bin Fahran Al Saud, condenou o ataque de Israel contra o Qatar em seu discurso.

    O membro da família real saudita disse que a solução de dois Estados é a única que trará paz na região e que, ao enfraquecer essa possibilidade, Tel Aviv coloca em perigo a estabilidade de todo o Oriente Médio.

    Macron declara que França reconhece oficialmente Estado da Palestina

  • “Não podemos admitir intervenções externas", defende Mauro Vieira

    “Não podemos admitir intervenções externas", defende Mauro Vieira

    O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, discursou na Reunião de Chanceleres Intra-Celac, em Nova York, nos Estados Unidos; “Permitir medidas de intimidação, sem nenhuma reação coletiva, seria um convite permanente a novas ingerências”, disse

    O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, defendeu, nesta segunda-feira (22), em discurso, a união dos países latino-americanos e caribenhos para que a soberania da região seja respeitada. Vieira defendeu também a criação de um grupo de trabalho para acompanhar e dar sentido estratégico às relações e diálogos dos países latinos com outras nações e regiões.

    O ministro discursou na Reunião de Chanceleres da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos, Intra-Celac, em Nova York, onde participa da Semana de Alto Nível da Assembleia Geral das Nações Unidas.

    “Não podemos admitir intervenções externas, sob nenhum pretexto. Permitir medidas de intimidação, sem nenhuma reação coletiva, seria um convite permanente a novas ingerências. Mais do que nunca, é urgente e necessário fortalecer a Celac como mecanismo-chave para a defesa da soberania dos países latino-americanos e caribenhos”, afirmou. 

    O ministro ressaltou que a região passa por intervenções que remontam a atitudes do passado e que ferem a soberania dos países. “Assistimos à intromissão de forças militares extrarregionais na América Latina e no Caribe. Em muitos sentidos, nossa região vive uma ressurgência do passado, de atitudes insolentes que remontam não só ao século 20 como ao século 19”, criticou.

    No início do mês, a maioria dos países do grupo assinou documento manifestando “profunda preocupação” pela movimentação militar “extrarregional” na região do Caribe, em referência indireta ao envio de navios, submarinos e militares pelos Estados Unidos à costa da Venezuela.

    No discurso, o ministro enfatizou que “designar grupos criminosos como alvos terroristas legítimos pode dar pretexto a formas arbitrárias de agressão armada, em violação da Carta das Nações Unidas”. “Esse é um precedente perigoso. Caso consolidado, constituiria um convite a um enfraquecimento do ordenamento normativo vigente em nossa região e à instabilidade geopolítica”, completou.

    O ministro destacou ainda que, para o Brasil, a Celac é um importante foro para se avançar conjuntamente em pautas regionais como a luta contra a fome e a pobreza, a promoção do desenvolvimento e o fortalecimento da infraestrutura de integração dos territórios.

    “A agenda externa da Celac no atual contexto internacional adquire uma relevância singular para projetar a voz e os interesses da região e fortalecer o multilateralismo. Defendo a criação de um grupo de trabalho sobre os diversos diálogos que mantemos com países e grupos de outras regiões, medida necessária para acompanhar adequadamente o desenvolvimento desses diálogos e conferir-lhes sentido estratégico”, disse.

    O ministro defendeu também no discurso que o próximo secretário-geral das Nações Unidas, cargo atualmente ocupado pelo português e timorense António Guterres, “seja um cidadão da América Latina e do Caribe, em busca do fortalecimento de um sistema internacional mais justo, inclusivo e representativo”. As eleições ocorrem em 2026.

    Fundada em 2010, a Celac é um mecanismo de diálogo que reúne os 33 países latino-americanos e caribenhos. Desde sua criação, tem promovido reuniões sobre os diversos temas de interesse das nações latino-americanas e caribenhas, como educação, desenvolvimento social, cultura, transportes, infraestrutura e energia.

    Além dos 33 países, a Cepal reúne nações da América do Norte, Europa e Ásia que mantêm vínculos históricos, econômicos e culturais com a região, totalizando 46 Estados-Membros e 14 membros associados (condição jurídica atribuída a alguns territórios não independentes do Caribe).

    “Não podemos admitir intervenções externas", defende Mauro Vieira

  • Quem foi Magnitsky, advogado morto na prisão e que batiza lei dos EUA

    Quem foi Magnitsky, advogado morto na prisão e que batiza lei dos EUA

    O advogado tributátio Sergei Magnitsky tornou-se símbolo da violação dos direitos humanos na Rússia; ele foi preso por denunciar fraudes de autoridades russas

    SÃO PAULO, SP (UOL/CBS NEWS) – Sergei Magnitsky batiza a lei aplicada contra a mulher do ministro do STF Alexandre de Moraes, a advogada Viviane Barci de Moraes, e ao instituto Lex, ligado à família. Ele foi preso em 2008 após denunciar fraudes de autoridades russas e morreu quase um ano depois na prisão.

    QUEM FOI SERGEI MAGNITSKY

    Ele foi um advogado tributário que expôs uma fraude de membros do Ministério do Interior da Rússia. Magnitsky trabalhava para um fundo de investimento estrangeiro: o Hermitage Capital Management, cujo proprietário, o britânico William F. Browder, entrou em conflito com autoridades russas.

    Magnitsky trabalhava como advogado para Hermigate quando foi preso. As autoridades acusaram a companhia de não pagar cerca de US$ 17,4 milhões em impostos.

    Browder foi o maior investidor estrangeiro da Rússia até 2005, quando teve sua entrada no país negada. Para se defender no caso, ele contratou Magnitsky. Na época, o governo russo alegou que o investidor era uma ameaça para a segurança nacional.

    Magnitsky denunciou um desvio de US$ 230 milhões das autoridades russas. Em seguida, foi preso em 2008, sob a acusação de evasão fiscal pelo governo.
    Ele morreu na prisão em 2009, aos 37 anos, após 11 meses sob custódia. O advogado estava detido na prisão de Matrosskaya Tishina, em Moscou, e deixou esposa e dois filhos.

    O governo russo disse, à época, que ele morreu de insuficiência cardíaca. Porém, o conselho de direitos humanos do Kremlin levantou suspeitas de que ele teria sido espancado até a morte.

    Advogado não teria recebido cuidados médicos adequados na prisão, segundo relatos. As autoridades, no entanto, negaram que ele tivesse alertado sobre seus problemas de saúde.

    Mesmo morto, Magnitsky foi condenado junto com o seu ex-cliente, Browder. O empresário que tem cidadania britânica, mesmo tendo nascido nos EUA, buscou justiça fora da Rússia.

    Browder pediu que governos estrangeiros aplicassem proibições de vistos e congelamento de ativos para violadores de diretos humanos e funcionários corruptos. Ele foi condenado a nove anos de prisão na Rússia e desde então tem sido um ativista no âmbito dos direitos humanos.

    ‘NÃO HÁ NENHUM OUTRO CASO COMO O DE MORAES’

    Browder disse que o uso da Magnitsky contra Moraes foi feito por “motivos políticos óbvios”. Para ele, não há participação do ministro em tortura ou corrupção.

    “O uso da lei Magnitsky pela administração de Trump é uma violação grosseira. Está sendo feita por motivos políticos óbvios, não há nenhuma alegação que eu saiba de que o ministro esteja envolvido em tortura ou corrupção em grande escala. Pelo que li, parece muito claro que Donald Trump e outros estão bravos com ele [Moraes] por ele estar processando o ex-presidente brasileiro [Jair Bolsonaro, réu por tentativa de golpe de Estado].”

    “Essa lei não foi feita para resolver disputas políticas. Foi feita para ajudar as vítimas de grandes violações de direitos humanos. […] Não vi nenhum outro caso em que a lei foi mal utilizada assim.”

    “Sou especialista é na Lei Magnitsky. Não sou especialista no Brasil ou nesse juiz em particular. E o que posso dizer é que não é preciso ser especialista, as alegações que adversários [de Moraes] fizeram contra ele não estão no nível de sanção pela Lei Magnitsky. Se você pegar a acusação mais séria, a de que ele derrubou [contas do] Twitter, de que não acredita em liberdade de expressão… essas coisas não são sancionáveis pela Lei Magnitsky.”

    ENTENDA A LEI

    Lei permite que EUA apliquem sanções unilaterais contra estrangeiros. As punições valem para acusados de corrupção grave ou violações sistemáticas de direitos humanos e incluem bloqueio de bens em solo americano, congelamento de contas e outras transações pelo sistema financeiro dos EUA, além de proibição de entrada no país.

    O texto prevê a possibilidade de perder acesso a cartões emitidos por bancos americanos e ao Google Pay e Apple Pay. A esposa do ministro também pode ser monitorada por empresas americanas como o Google para garantir que não está contornando as sanções. Empresas e cidadãos americanos ficam impedidos de negociar com ela, mas não há previsão de sanção para pessoas ou entidades internacionais.

    Não há necessidade de processo judicial. Basta uma decisão do Executivo com base em relatórios ou documentos de organizações internacionais, imprensa e testemunhos para ser aplicada.

    Foi aprovada no governo Obama, em 2012, e ampliada em 2016. A lei foi criada para punir os envolvidos na morte do advogado Sergei Magnitsky, que denunciou esquema de corrupção com autoridades fiscais russas antes de morrer na prisão em Moscou.

    Ofensiva contra Moraes aumentou por pressão de Eduardo Bolsonaro. O deputado trabalhou para convencer republicanos a adotarem sanções contra o ministro com base na Lei Magnitsky e ganhou apoio de Elon Musk e outros conservadores.

    Sanção vem 11 dias após a condenação de Bolsonaro e enquanto Lula fala na ONU. A aplicação tem como objetivo impulsionar a aprovação da anistia -um projeto da direita brasileira que pretende dar perdão a condenados pela tentativa de golpe em 8 de Janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

    Quem foi Magnitsky, advogado morto na prisão e que batiza lei dos EUA

  • Jornalista que denunciou a Covid-19 na China é condenada (de novo)

    Jornalista que denunciou a Covid-19 na China é condenada (de novo)

    De acordo com a associação Jornalistas sem Fronteiras (conhecidos pela sigla RSF), durante o último ano “a jornalista Zhang Zhan foi completamente isolada do mundo exterior, e quase toda a informação sobre a sua localização foi mantida em segredo”

    Zhang Zhan, a jornalista chinesa que revelou ao mundo a realidade da Covid-19 ainda na sua fase inicial, em Wuhan, na China, voltou a ser condenada a mais quatro anos de prisão por “provocar problemas” no país.

    A jornalista voltou a ser presa em 28 de agosto de 2024, por reportar as supostas violações de direitos humanos perpetuadas pelo governo chinês. Durante o último ano, segundo a associação Jornalistas sem Fronteiras (conhecidos pela sigla RSF), “a jornalista foi completamente isolada do mundo exterior, e quase toda a informação sobre a sua localização foi mantida em segredo”.

    Notícias ao Minuto [Registro da jornalista Zhang Zhan]© X  

    “Ela deveria ser celebrada globalmente como uma ‘heroína da informação’. Não detida em prisões com condições subumanas”, afirma a gerente de advocacia da RSF da região da Ásia-Pacifico, em um comunicado citado pela NBC News. “Esta perseguição tem de acabar”, acrescenta.

    O advogado de Zhang, Ren Qyanniu, disse na rede social X que as acusações não tinham qualquer base jurídica e que a jornalista estava sendo julgado devido a comentários que deixou em sites internacionais.

    A autoridades chinesas em uma especificaram publicamente quais foram as atividades de Zhang que “provocaram problemas” e levaram a esta nova acusação.

    “Esta é a segunda vez que Zhang Zhan enfrentou um julgamento sobre acusações sem qualquer base que mostram nada mais do que um ato de perseguição claro ao trabalho jornalístico dela”, afirmou Beh Lih Yi, diretor para a Ásia-Pacífico do Comité para a Proteção dos Jornalistas.

    Zhang foi presa pela primeira vez a 14 de maio de 2020, enquanto fazia a cobertura do início da Covid-19. 

    Nas redes sociais, a jornalista publicou mais de 100 vídeos, nos meses anteriores à sua detenção, onde documentou o que estava acontecendo na cidade de Wuhan: de hospitais abarrotados a ruas completamente desertas – uma realidade muito mais crítica do que aquela que o governo chinês queria que o público visse.

    Sete meses depois de ser detida, foi condenada a quatro anos de prisão, sob a mesma acusação que agora a voltou a levar para prisão: “provocar problemas” no país.

    Já na época, o advogado de Zhang tinha dito que a jornalista acreditava que estava sendo “perseguida por exercer o seu direito à liberdade de expressão”.

    O advogado contou ainda que nos primeiros meses de aprisionamento, Zhang comprometeu-se com uma greve de fome, que quase a matou, e obrigou as autoridades a amarram-lhe os braços e à alimentarem à força com recurso a um tubo nasal. A representação da jornalista contou que, por vezes, os guardas a deixavam algemada durante dias a fio

    A primeira sentença da jornalista terminou em maio de 2024 – portanto, apenas três meses antes de voltar a ser detida.

    Segundo a RSF a China é o país com mais reclusos jornalista, com pelo menos, 124 destes profissionais atrás das grades. No Index de Liberdade de Imprensa Mundial da RSF de 2025, o país surge no lugar 178 de 180. Atrás de si surge apenas a Coreia do Norte e a Eritreia, um país da África Oriental.

    Jornalista que denunciou a Covid-19 na China é condenada (de novo)

  • Países asiáticos esvaziam regiões e suspendem voos para chegada de supertufão

    Países asiáticos esvaziam regiões e suspendem voos para chegada de supertufão

    Supertufão Ragasa ameaça China, Taiwan e Filipinas com ventos de até 223 km/h, chuvas intensas e risco de inundações, maremotos e deslizamentos. Autoridades já evacuaram milhares de pessoas, suspenderam aulas, voos e trens de alta velocidade em áreas sob alerta máximo

    (CBS NEWS) – China, Taiwan e Filipinas se preparam para a passagem do supertufão Ragasa, que promete ser a mais forte tempestade do ano na região, segundo agências de meteorologia dos países. Diversas áreas estarão sujeitas a alagamento, maremotos, ventanias e deslizamento.

    Segundo o Centro Meteorológico Nacional da China, os ventos devem chegar a 223 km/h, e são esperados chuvas intensas e mar agitado nas regiões sul e leste do país.

    A Administração Meteorológica da China ativou uma resposta de emergência nível 2, o que significa que as unidades centrais e provinciais entram formalmente em estado de emergência, com operação reforçada e previsão e vigilância intensificada.

    Já o Observatório Meteorológico Central emitiu alerta laranja, o segundo em nível de gravidade dos fenômenos, o que indica urgência elevada.

    Na província de Guangdong, uma das áreas que devem ser as mais afetadas da China, a Administração de Segurança Marítima ativou uma resposta de emergência de nível 2 e realocou mais de 10.000 embarcações para abrigo, segundo a mídia estatal chinesa. O órgão governamental mobilizou 23 embarcações de resgate, rebocadores de alta potência e três helicópteros de resgate especializados.

    As autoridades provinciais também determinaram que a partir das 12h de terça (1h de Brasília) os trens de alta velocidade que passam pelo local serão suspensos gradualmente.

    Na cidade de Zhuhai, foi determinada a suspensão de aulas, trabalho, produção, operação e negócios, além de fechamento de pontes e estradas, segundo a agência chinesa.

    Wang Changxiao, diretor do Departamento de Prevenção e Mitigação de Desastres da Gestão de Emergências de Shenzhen, afirmou em entrevista ao portal Shenzhen News que a cidade se prepara para realocar cerca de 400 mil pessoas que vivem em áreas propensas a inundações.

    A cidade, um dos polos tecnológicos da China, abriga empresas como Huawey, BYD e Tencent. No sábado (20), o observatório da cidade emitiu alerta de calamidade.

    O aeroporto de Hong Kong deve cancelar cerca de 700 voos entre terça e quarta-feira, quando o território deve sofrer os principais efeitos do supertufão, de acordo com a agência de notícias South China Morning Post. As autoridades de aviação local consideram suspender a maior parte dos pousos e decolagens por 36 horas, das 18h da terça (7h de Brasília) às 6h da manhã de quinta-feira (19h de quarta em Brasília). As aulas também foram suspensas por dois dias.

    Nas Filipinas, a agência oficial de comunicação do governo afirma que mais de 10 mil pessoas foram evacuadas de forma preventiva.

    Um comunicado afirma que os impactos maiores devem ser causados no país entre segunda e terça-feira. São esperados danos em casas e prédios feitos de materiais não fortificados, interrupções na eletricidade e em serviços de água, além de problemas no tráfego em terra e ar, com jornadas tomando mais tempo que o costume.

    As autoridades de Taiwan esperam que o tufão atinja o país entre segunda e quarta, com inundações como uma das principais consequências. Diversas áreas da região costeira determinaram o fechamento de estradas e alertas para possível deslizamento de terra, com a região sul como uma das mais afetadas.

    Foi orientado que embarcações navegando pelo Estreito de Taiwan, sudeste de Taiwan, canal de Bashi e nas águas da Ilha Dongsha exerçam vigilância rigorosa.

    Países asiáticos esvaziam regiões e suspendem voos para chegada de supertufão

  • Putin fala em estender por um ano acordo que limita armas nucleares se EUA fizerem o mesmo

    Putin fala em estender por um ano acordo que limita armas nucleares se EUA fizerem o mesmo

    Putin afirmou estar disposto a prorrogar por um ano o tratado Novo Start, último acordo nuclear em vigor entre Rússia e EUA, desde que Washington faça o mesmo. O pacto, que expira em 2026, limita arsenais estratégicos e permanece sem negociações de renovação

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse nesta segunda-feira (22) que estava pronto para estender por um ano o último acordo entre Washington e Moscou que tenta limitar o número de armas nucleares de ambos os lados se o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fizer o mesmo.

    A fala ocorre a pouco mais de quatro meses do prazo do tratado que tenta controlar o número de armas que podem destruir o mundo, o chamado Novo Start. Até agora, Rússia e EUA não iniciaram conversas sobre a renovação ou revisão do texto, embora Trump tenha falado sobre seu desejo de fazer um novo acordo do tipo incluindo a China -ideia que Pequim rejeitou.

    “A Rússia está disposta, após 5 de fevereiro de 2026, a continuar respeitando as limitações quantitativas centrais previstas pelo tratado Novo Start”, declarou Putin em uma reunião televisionada de seu Conselho de Segurança.

    Após essa data, continuou, a Rússia decidirá se vai manter as restrições. “Acreditamos que esta medida só será viável se os EUA agirem de maneira similar e não tomarem medidas que minem ou violem a proporção atual de capacidades de dissuasão”, afirmou.

    O líder disse ainda que a Rússia está monitorando as armas nucleares e a atividade de defesa dos EUA e prestando atenção especial aos planos de Washington para reforçar suas defesas antimísseis. “Procederemos com base no fato de que a implementação prática de tais ações desestabilizadoras poderia anular nossos esforços para manter o status quo no Start”, afirmou. “Responderemos de acordo.”

    O Novo Start (que vem da sigla inglesa para Tratado de Redução de Armas Estratégicas) é o descendente direto do primeiro acordo do tipo, entre soviéticos e americanos, em 1972. Foi assinado em 2010, buscando limitar o número de bombas a 1.550 de cada lado, além de 700 meios militares para empregá-las (aviões, mísseis e submarinos).

    O acordo também prevê um mecanismo de verificação, embora essas inspeções tenham sido oficialmente interrompidas há dois anos. Na ocasião, pouco antes de a Guerra da Ucrânia completar um ano, Putin afirmou que não estava se retirando do tratado, mas suspendendo sua participação.

    Este é o último acordo de controle de armamento entre Washington e Moscou. Em 2019, os EUA se retiraram de um importante tratado de desarmamento assinado em 1987 com a Rússia sobre armas nucleares de alcance intermediário.

    Ao fim da Guerra Fria, o mundo tinha cerca de 70 mil ogivas nucleares, a maioria absoluta nas mãos das duas potências. Agora são 12,2 mil, segundo a Federação dos Cientistas Americanos, 87% delas com os mesmos donos -mas há novos atores no palco desde então, como Paquistão e Coreia do Norte.

    Putin afirmou ainda que sua proposta era de interesse dos esforços para evitar a proliferação de armas nucleares globalmente e poderia ajudar a estimular o diálogo com Washington. A oferta ocorre no momento em que a Ucrânia tenta persuadir Trump a impor sanções mais duras à Rússia.

    A proposta parece ser uma mudança unilateral de política por parte de Moscou, que até agora insistiu que só se envolveria com os EUA em tais assuntos se a relação geral com o adversário, prejudicada pelas diferenças sobre a guerra na Ucrânia, melhorassem. Até agora, Washington não reagiu.

    Putin fala em estender por um ano acordo que limita armas nucleares se EUA fizerem o mesmo

  • Gestão Trump afeta o financiamento climático

    Gestão Trump afeta o financiamento climático

    Presidente da COP-30 alerta que políticas de Donald Trump podem reduzir o ritmo do financiamento climático, mas destaca relatório em elaboração por Brasil e Azerbaijão com alternativas para ampliar recursos, como taxação de super-ricos e combustíveis fósseis, e alcançar US$ 1,3 trilhão anuais até 2035.

    As políticas do presidente americano, Donald Trump, impactam na busca pelo volume trilionário que o financiamento climático carece anualmente, alertou o presidente da COP-30, André Corrêa do Lago. Brasil e Azerbaijão trabalham em um relatório com sugestões para ampliar essa cifra de US$ 300 bilhões para US$ 1,3 trilhão por ano até 2035. “Impacta, naturalmente. Mas o que nós vamos mostrar, nesse relatório, é quais são os instrumentos que a gente acredita que podem ser usados para eventualmente chegar a US$ 1,3 trilhão em financiamento climático por ano”, disse ele, ontem, em Nova York, a jornalistas.

    Segundo o embaixador, novos elementos de financiamento serão propostos no relatório. Entre eles, estão a taxação dos super-ricos, de petróleo e de passagem aérea. Somente o último poderia angariar US$ 80 bilhões, volume que é o dobro do somado de todos os fundos voltados para o clima, segundo Corrêa do Lago. “Há várias indicações de diminuição de entusiasmo com a agenda do clima. Mas essas dificuldades estão aparecendo porque essa agenda avançou muito”, avaliou Corrêa do Lago.

    A expectativa do presidente da COP-30 é de que todos os países compareçam à conferência. Sobre os americanos, que se retiraram do Acordo de Paris, os EUA poderiam enviar uma delegação técnica. Ele disse, no entanto, que não sabe se já há alguma reserva de hotel em Belém para enviados de Trump.

    Gestão Trump afeta o financiamento climático

  • Portugal, Austrália, Canadá e Reino Unido reconhecem a Palestina

    Portugal, Austrália, Canadá e Reino Unido reconhecem a Palestina

    A decisão conjunta, anunciada neste domingo (21), ocorre às vésperas da Assembleia Geral da ONU e reforça a pressão internacional por uma solução de dois Estados. Os quatro países condenaram ações de Israel em Gaza, mas também responsabilizaram o Hamas pelo ataque de outubro de 2023

    Austrália, Canadá, Portugal e Reino Unido anunciaram neste domingo (21) o reconhecimento oficial do Estado da Palestina, em declarações feitas nas redes sociais e durante entrevistas à imprensa. A decisão marca uma movimentação histórica, às vésperas da Assembleia Geral da ONU em Nova York, e antecipa a Conferência Internacional de Alto Nível sobre a Questão Palestina, organizada pela França e pela Arábia Saudita.

     
    Os quatro países, que se somam a mais de 140 já favoráveis à causa, justificaram a medida como um passo essencial para viabilizar a solução de dois Estados. Apesar das críticas às ações de Israel em Gaza, que já deixaram dezenas de milhares de mortos, em sua maioria civis, os governos também responsabilizaram o Hamas pelo ataque de 7 de outubro de 2023, quando centenas de israelenses foram mortos ou sequestrados. Todos deixaram claro que o grupo não terá papel em um eventual Estado palestino.

    No Reino Unido, o primeiro-ministro Keir Starmer anunciou o reconhecimento sob forte pressão de sua legenda, o Partido Trabalhista, e defendeu o direito de israelenses e palestinos a viverem em paz. O premiê canadense, Mark Carney, afirmou que o Canadá apoia a criação do Estado desde 1947, mas criticou tanto os ataques do Hamas quanto as medidas do governo Netanyahu, como o bloqueio de ajuda humanitária e a expansão de assentamentos na Cisjordânia, considerados ilegais pelo direito internacional.

    Da Austrália, Anthony Albanese ressaltou que a decisão busca atender às aspirações legítimas do povo palestino e deve ser acompanhada por cessar-fogo em Gaza e pela libertação imediata dos reféns sequestrados em 2023.

    Mais tarde, em Nova York, o presidente português Marcelo Rebelo de Sousa também confirmou o reconhecimento e defendeu a necessidade de manter viva a possibilidade de dois Estados. Segundo o professor Daniel Pineu, especialista em relações internacionais, a posição de Portugal acompanha a de seus principais parceiros europeus e pode ter reflexos internos, conquistando apoio de setores mais jovens do eleitorado.

    A reação de Israel foi imediata. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu acusou os líderes que reconheceram a Palestina de “recompensar o terrorismo” e reiterou que não permitirá a criação de um Estado palestino a oeste do rio Jordão.

    O anúncio reforça uma tendência entre países ocidentais, depois que Espanha, Noruega e Irlanda já haviam reconhecido a Palestina em 2024. O Brasil fez o mesmo em 2010, adotando como referência as fronteiras de 1967, que incluem a Faixa de Gaza, a Cisjordânia e Jerusalém Oriental como capital.

     
     

    Portugal, Austrália, Canadá e Reino Unido reconhecem a Palestina

  • Trump transforma homenagem a Charlie Kirk em comício religioso e político

    Trump transforma homenagem a Charlie Kirk em comício religioso e político

    Diante de 73 mil pessoas no Arizona, Donald Trump disse que o assassinato de Charlie Kirk foi “um ataque contra toda a nação” e anunciou que o ativista receberá a Medalha Presidencial da Liberdade. O evento teve tom de campanha, exaltando religião e patriotismo

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, transformou a homenagem ao ativista conservador Charlie Kirk, assassinado em 10 de setembro, em um grande comício político marcado por apelos à “restauração da religião” e denúncias de um suposto “ataque contra toda a nação”.

    Diante de cerca de 73 mil pessoas reunidas no estádio State Farm, no Arizona, Trump classificou o crime como “um ataque contra as liberdades mais sagradas e os direitos fundamentais concedidos por Deus”. Segundo ele, o disparo que matou Kirk “estava apontado para todos os americanos”. O republicano anunciou ainda que o ativista será condecorado postumamente com a Medalha Presidencial da Liberdade, a maior honraria civil dos EUA.

    O evento, que durou quase cinco horas, reuniu nomes de peso da administração Trump, como o vice-presidente JD Vance, o secretário de Estado Marco Rubio, o secretário da Defesa Pete Hegseth, o secretário da Saúde Robert F. Kennedy Jr. e a diretora de inteligência nacional Tulsi Gabbard. Todos exaltaram a atuação de Kirk como líder do conservadorismo cristão no país. Fundador da Turning Point ainda aos 18 anos, ele organizava debates em universidades e se tornou uma figura influente junto aos jovens da direita cristã, sendo apontado por Trump como peça-chave na eleição presidencial de 2024.

    A viúva do ativista, Erika Kirk, hoje diretora executiva da Turning Point, subiu ao palco vestida de branco e afirmou perdoar o suspeito de 22 anos pelo crime. “Charlie queria salvar jovens como aquele que lhe tirou a vida. Eu o perdoo, porque é isso que Cristo faria”, disse.

    Durante os discursos, vários aliados de Trump compararam Kirk a uma figura messiânica. Marco Rubio afirmou que sua missão “era como a de Jesus Cristo” e Pete Hegseth declarou que todos estavam “na igreja de Charlie”, lembrando que “Kirk” significa “igreja” em alemão. O vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, amigo pessoal do ativista, fez um dos discursos mais inflamados: “Vocês pensaram que podiam matar Charlie Kirk? Tornaram-no imortal”.

    O tom de campanha eleitoral foi reforçado pelo próprio Trump, que voltou a defender a “restauração das fronteiras, da ordem pública e de Deus nos Estados Unidos”, reafirmando sua promessa de “devolver a grandeza à América”.

    A cerimônia, tratada pelas autoridades como evento de segurança máxima, atraiu dezenas de milhares de pessoas desde as primeiras horas do dia, muitas usando camisetas com frases como “Liberdade” e “Eu sou Charlie Kirk”.

    Trump transforma homenagem a Charlie Kirk em comício religioso e político