Categoria: MUNDO

  • Itamaraty alerta para falsas propostas de emprego no Sudeste Asiático

    Itamaraty alerta para falsas propostas de emprego no Sudeste Asiático

    O documento foi preparado em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e com a Defensoria Pública da União (DPU) e faz uma série de recomendações.

    O Sudeste Asiático, que reúne países como Tailândia, Camboja, Vietnã e Mianmar, tem se consolidado como o principal foco de tráfico de cidadãos brasileiros para exploração laboral, representando uma crescente preocupação para as embaixadas do Brasil na região. O alerta é do Palácio Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores (MRE), que formulou uma cartilha destinada a orientar na identificação dos riscos e até mesmo na busca por repatriação quando o cidadão já tiver emigrado e se encontrar em situação de emergência. O documento foi preparado em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e com a Defensoria Pública da União (DPU) e faz uma série de recomendações.

    Segundo a publicação, os brasileiros aliciados são, em sua maioria, jovens com conhecimentos em informática. Eles costumam ser recrutados por meio de redes sociais com falsas promessas de emprego em call centers ou supostas empresas de tecnologia. Oferta de salários competitivos, supostas comissões por ativos
    vendidos e passagens aéreas e hospedagem incluídas costumam ser uma isca para atrair as vítimas brasileiras. Países como Camboja e Mianmar, este último imerso em uma grave guerra civil, são os destinos mais perigosos para esse tipo de golpe.

    Ao chegarem nesses países, os brasileiros vítimas do tráfico internacional de pessoas são submetidos a funções com longas jornadas de trabalho, privação parcial de liberdade, abusos físicos e obrigação de trabalhar em atividades ilícitas, como golpes golpes e outras fraudes virtuais e esquemas com jogos de azar, criptomoedas e outros crimes.

     

    “Mesmo após eventual liberação, as vítimas podem enfrentar dificuldades para retornar ao Brasil, sobretudo nos casos em que estejam com o visto vencido, situação em que se faz necessária a obtenção de autorização de saída junto às autoridades migratórias locais, além do pagamento de multa pelo período de permanência irregular. Diante desse cenário, o Itamaraty recomenda não aceitar ofertas de trabalho no Sudeste Asiático que prometam ganhos elevados, contratação rápida ou intermediação informal”, disse a pasta, em nota.

    No ano passado, os brasileiros Luckas Viana dos Santos, de 31 anos, e Phelipe de Moura Ferreira, de 26, conseguiram escapar de uma quadrilha de tráfico humano em Mianmar. Eles aceitaram uma oferta de trabalho que oferecia salário atraente e mudança de vida. Ao chegarem à região de Myawaddy, no país asiático – que está em guerra civil -, ambos tiveram os passaportes confiscados e foram mantidos em cativeiro por um grupo que opera golpes online, com jornadas de mais de 15 horas diárias, torturas e espancamentos quando metas não eram cumpridas. Após fugirem pela fronteira com a Tailândia, eles receberam assistência consular em Bangkok e o Itamaraty atuou no processo de repatriação.

    Repatriação

    Na cartilha sobre tráfico humano internacional, Itamaraty, MJSP e DPU esclarecem que brasileiros que se encontram no exterior devem garantir, por recursos próprios, seu retorno ao Brasil. Assim, via de regra, não há obrigação do Estado brasileiro em pagar passagem de retorno do exterior para nenhum nacional, com exceção de algumas situações previstas no procedimento de repatriação. Isso ocorre quando for caracterizada a situação de desvalimento do cidadão brasileiro fora do país e mediante disponibilidade orçamentária da assistência consular do MRE.

    Nesses casos excepcionais, o cidadão brasileiro precisa apresentar declaração de hipossuficiência econômica solicitada junto à Defensoria Pública da União e não ter sido repatriado anteriormente. Uma portaria do MRE define que a repatriação será concedida para o primeiro ponto de entrada em território nacional, devendo deslocamentos internos no Brasil serem feitos por conta própria. Também não cabe a repatriação de brasileiros que também tenham cidadania no país em que residem.

    Brasil no Sudeste Asiático

    O Sudeste Asiático conta com embaixadas brasileiras na Tailândia (Bangkok), no Camboja (Phnom Pehn) e no Mianmar (Yangon). A embaixada em Bangkok também presta assistência a brasileiros que se encontram no Laos, país onde ainda não há embaixada ou consulado do Brasil.

    Quem for submetido a condições que caracterizem uma situação de tráfico humano internacional deve ir pessoalmente à embaixada ou ao consulado mais próximo, no horário comercial de funcionamento, para se apresentar e realizar uma entrevista pessoal. Em casos de emergência, a opção é ligar nos números de plantão consular das respectivas embaixadas.

    São consideradas emergências que necessitam a atuação imediata do agente consular situações de crises humanitárias decorrentes de desastres naturais, de guerras civis ou conflitos armados, desaparecimento brasileiros no exterior nas últimas 48 horas, casos de tráfico de pessoas, de violência, de maus-tratos e de internação hospitalar de pessoas sem documentos ou sem recursos financeiros. Situações que envolvem prisões, detenções, retenções migratórias e acidentes graves também são consideradas emergências que devem receber atendimento consular.

    Itamaraty alerta para falsas propostas de emprego no Sudeste Asiático

  • Lula exibe luva com quatro dedos em encontro com presidente da Coreia do Sul

    Lula exibe luva com quatro dedos em encontro com presidente da Coreia do Sul

    A peça faz referência à trajetória de Lula, que perdeu o dedo mínimo da mão esquerda após um acidente de trabalho, quando ainda era metalúrgico, em 1964. Lee Jae-myung tem uma história semelhante: também trabalhou em fábricas na juventude e sofreu um grave acidente que resultou em deficiência permanente na mão.

    RIO DE JANEIRO, RJ (CBS NEWS) – Durante encontro com o líder sul-coreano Lee Jae-Myung, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou à primeira-dama Janja uma luva com quatro dedos, confeccionada pelo governo da Coreia do Sul. A cena chamou atenção pelo significado pessoal e político.

    A peça faz referência à trajetória de Lula, que perdeu o dedo mínimo da mão esquerda após um acidente de trabalho, quando ainda era metalúrgico, em 1964. Lee Jae-myung tem uma história semelhante: também trabalhou em fábricas na juventude e sofreu um grave acidente que resultou em deficiência permanente na mão.

    Recentemente, Lee publicou nas redes sociais um vídeo feito com inteligência artificial em que versões infantis dele e de Lula aparecem se abraçando. Na postagem, chamou Lula de “irmão” e afirmou que as dificuldades enfrentadas no passado não os impediram de chegar ao poder.

    Mais do que um gesto protocolar, a luva se tornou símbolo da identificação entre os dois líderes, que compartilham origens humildes, trabalho precoce e acidentes industriais -experiências que, segundo eles, influenciaram sua atuação política e compromisso social.

    Lula exibe luva com quatro dedos em encontro com presidente da Coreia do Sul

  • Guerra da Ucrânia? Os conflitos mais mortais do século 21

    Guerra da Ucrânia? Os conflitos mais mortais do século 21

    Revelando o número de vítimas dos conflitos que mais marcaram este século.

    O século 21 viu alguns dos conflitos mais devastadores e destrutivos da história moderna, incluindo a guerra entre a Rússia e Ucrânia em andamento, o conflito Israel-Hamas e a brutal Guerra Civil Síria. Esses confrontos, e várias outros neste século, causaram milhões de mortes, deslocamento generalizado e profunda agitação social e econômica. À medida que as potências globais e os atores regionais continuam a lutar por recursos, ideologias e controle territorial, os civis sofrem o peso da violência.

    Guerra da Ucrânia? Os conflitos mais mortais do século 21

  • Número de presos políticos soltos na Venezuela após anistia sobe para 91, diz ONG

    Número de presos políticos soltos na Venezuela após anistia sobe para 91, diz ONG

    De acordo com o diretor-presidente da organização, Alfredo Romero, com a nova leva de solturas, 545 presos já deixaram unidades prisionais em todo o país desde 8 de janeiro, quando Nicolás Maduro foi capturado durante uma operação militar americana em Caracas.

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – A Justiça da Venezuela libertou 91 presos políticos desde a aprovação da anistia na última quinta-feira (19), segundo o balanço mais recente divulgado nesta terça-feira (24) pela organização venezuelana de direitos humanos Foro Penal.
    Até segunda (23), o número de libertados era 65. Apesar do aumento nas últimas 24 horas, a cifra ainda está distante dos mais de 1.500 pedidos apresentados à Justiça venezuelana.

    De acordo com o diretor-presidente da organização, Alfredo Romero, com a nova leva de solturas, 545 presos já deixaram unidades prisionais em todo o país desde 8 de janeiro, quando Nicolás Maduro foi capturado durante uma operação militar americana em Caracas.

    Já o regime liderado por Delcy Rodríguez afirma que quase 2.200 pessoas foram libertadas de prisões venezuelanas ou tiveram outras restrições legais retiradas. O chavismo nunca reconheceu oficialmente a existência de presos políticos nem forneceu lista de nomes.

    Antes desta nova leva de pessoas soltas libertados pela lei da anistia, havia quase 650 pessoas presas, segundo a Foro Penal. Especialistas questionam o alcance da legislação aprovada, já que centenas de detidos, como militares envolvidos em atividades tidas como “terroristas” podem ficar de fora.

    A anistia não é automática: os afetados devem comparecer ao tribunal responsável pelo seu caso e solicitar a aplicação do benefício, que abrange eventos específicos ocorridos durante os 27 anos do chavismo.

    Potenciais beneficiários da nova lei afirmam que tribunais têm atrasado ou recusado o recebimento de pedidos para garantir liberdade plena.

    Advogados de presos políticos que foram aos tribunais em Caracas nesta segunda (23) para apresentar os primeiros pedidos relataram à agência de notícias AFP que receberam negativas e tiveram atrasos ao protocolar documentos.

    “Os tribunais que nos submeteram arbitrariamente a processo continuam sendo nossos algozes, não se pode permitir que violem a lei de anistia”, afirmou Rodrigo Cabezas, ex-ministro das Finanças de Hugo Chávez, em liberdade condicional desde julho de 2025.
    Segundo ele, o tribunal responsável por seu caso argumentou inexistência de expediente ao rejeitar o pedido.

    A lei estabelece prazo máximo de 15 dias para que os juízes verifiquem se o caso se enquadra nos critérios da anistia.

    O advogado Omar Mora Tosta, que representa integrantes do partido da líder opositora María Corina Machado, disse que as respostas variam conforme o tribunal. O sindicato dos trabalhadores da imprensa declarou que nenhum tribunal aceitou os requerimentos apresentados por um grupo de jornalistas.

    Em outros casos, houve avanço. A comerciante Liomary Espina, 57, disse ter conseguido protocolar o pedido e aguarda resposta nos próximos dias.

    A Assembleia Nacional criou uma comissão especial para acompanhar a implementação da lei.

    Número de presos políticos soltos na Venezuela após anistia sobe para 91, diz ONG

  • Lula diz que vale "qualquer sacrifício" para prender magnatas do crime

    Lula diz que vale "qualquer sacrifício" para prender magnatas do crime

    Combate ao crime organizados será um dos temas da reunião de Lula com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump; Lula desembarcou na Ásia no último dia 18 e cumpriu agendas na Índia e na Coreia do Sul

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta terça-feira (24), que o Brasil fará “qualquer sacrifício” para prender os “magnatas da corrupção e do narcotráfico”. O combate ao crime organizados será um dos temas da reunião de Lula com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que deve ocorrer no mês que vem, em Washington.

    “O desejo nosso é colocar os magnatas da corrupção e do narcotráfico na cadeia, e para isso nós faremos qualquer sacrifício”, disse Lula em entrevista à imprensa em Seul, capital da Coreia do Sul, onde o presidente foi recebido para uma visita de Estado.

    “Quando eu for aos Estados Unidos, eu vou levar junto comigo a Polícia Federal, a Receita Federal, o Ministério da Fazenda, o Ministério da Justiça e vou mostrar para ele [Trump] que se ele quiser, de verdade, combater o crime organizado, o narcotráfico, o tráfico de armas, o Brasil será parceiro de primeira hora, porque nós temos expertise nisso com a nossa Polícia Federal”, acrescentou. 

    A pauta completa da reunião está sendo elaborada e, de acordo com o presidente, inclui temas de interesse do Brasil, do multilateralismo e da democracia. “E ele [Trump] também tem a pauta dele para mim”, destacou.

    Lula desembarcou na Ásia no último dia 18 e cumpriu agendas na Índia e na Coreia do Sul.

    Hoje, Lula ressaltou as negociações para um acordo comercial entre Coreia e o Mercosul serão retomadas. Elas estão paradas desde 2021.

    “Eu lembrei a ele [Lee Jae-Myung, presidente da Coreia do Sul] que era muito importante, neste instante em que se discute a volta do unilateralismo, voltarmos a discutir esse acordo. Ele se mostrou muito interessado. Vamos montar as comissões para começar a debater e, se tudo der certo, podemos concluir esses acordos este ano”, resumiu.

    A ampliação do acordo de comércio preferencial Mercosul-Índia também é prioridade para o Brasil, com vista ao livre comércio.

    De Seul, Lula seguiu hoje para Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, onde tem uma reunião de trabalho com o presidente do país, Mohammed bin Zayed Al Nahyan. O presidente foi questionado sobre a tensão no Oriente Médio diante da troca de ameaças entre os Estados Unidos e o Irã, mas afirmou que a reunião com Al Nahyan será sobre temas de interesse do Brasil.

    “Eu não vou discutir a guerra do Irã, eu não sou representante da ONU, não sou do Conselho de Segurança como membro permanente da ONU. Eu vou discutir a relação comercial e política entre Brasil e os Emirados Árabes. Eu acho que nós não estamos precisando de guerra, estamos precisando de paz, estamos precisando de investimento, desenvolvimento que é isso que vai fazer melhorar a vida do povo”, disse.

    Ainda nesta terça-feira, a comitiva presidencial embarca de volta para Brasília.

    Lula diz que vale "qualquer sacrifício" para prender magnatas do crime

  • Venezuela pede à ONU libertação imediata de Maduro, preso nos EUA

    Venezuela pede à ONU libertação imediata de Maduro, preso nos EUA

    Ditador deposto foi capturado em incursão americana em janeiro e enfrenta em Nova York julgamento por tráfico; chefe de diplomacia da UE sugere suspender sanções contra líder interina Delcy Rodríguez após aprovação de anistia

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – A Venezuela solicitou às Nações Unidas nesta segunda-feira (23) a libertação “imediata” do ditador deposto Nicolás Maduro, preso nos Estados Unidos. O pedido é feito em paralelo à libertação de presos políticos no país, resultado de uma lei de anistia promulgada pela líder interina Delcy Rodríguez.

    Maduro foi capturado em uma incursão dos EUA em 3 de janeiro, que incluiu bombardeios em Caracas e outras regiões vizinhas. Sua esposa, Cilia Flores, também foi detida na mesma operação. Ambos enfrentam julgamento por tráfico de droga em Nova York, onde o venezuelano se declarou “prisioneiro de guerra”.

    A Venezuela exige “a libertação imediata, pelo governo dos Estados Unidos, do presidente constitucional da República Bolivariana da Venezuela, Nicolás Maduro Moros, e da sua esposa, a primeira-dama Cilia Flores”, declarou o chanceler Yván Gil perante o Conselho de Direitos Humanos da ONU.

    Após o ataque dos EUA, Delcy, a então vice, assumiu o poder no país e reverteu a relação tensa com o presidente Donald Trump. Ela cedeu o controle da indústria petrolífera, iniciou um processo de libertação de presos políticos que precedeu uma anistia geral decretada em 19 de fevereiro e ordenou o fechamento da prisão de Helicoide, apontada por observadores como um centro de tortura.

    O regime anunciou o início das reformas no presídio para transformá-lo em um centro social e esportivo para a polícia. Ativistas pedem que ela seja transformada em um museu memorial.

    O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, que é irmão de Delcy, informou que 1.500 pessoas haviam solicitado anistia aos tribunais. A ONG Foro Penal, dedicada à defesa de presos políticos, relatou que 65 pessoas obtiveram liberdade plena nos últimos três dias, segundo um relatório publicado nesta segunda. Depois da publicação, durante a tarde, pelo menos outros 30 presos foram libertados nos arredores de Caracas, segundo jornalistas da agência AFP.

    A lei, no entanto, foi considerada insuficiente e excludente por organizações de direitos humanos. O texto não abrange, por exemplo, casos relacionados aos militares, frequentes na prisão de Rodeo I, onde cerca de 200 detentos entraram em greve de fome no fim de semana.

    Maduro liderou o país entre 2013 e 2026. Ele foi investigado pelo Tribunal Penal Internacional por crimes contra a humanidade, e sua reeleição em 2024 foi marcada por acusações de fraude.

    “Os direitos humanos não podem ser instrumentos de guerra política, não podem ser seletivos, não podem depender de alinhamentos ideológicos”, declarou o ministro das Relações Exteriores em Genebra, pedindo o fim das sanções contra a Venezuela. “A Venezuela não está aqui para se esquivar de responsabilidades”, afirmou. “Somos um Estado comprometido com o fortalecimento de nossas instituições.”

    Em uma série de mudanças no gabinete nesta segunda, Delcy demitiu Camilla Fabri, esposa de Alex Saab, que é acusado de ser operador financeiro de Maduro. Saab foi preso em Cabo Verde em 2020 e extraditado para os EUA em outubro de 2021. Retornou para a Venezuela em uma troca de prisioneiros e ingressou no regime em outubro de 2024. Delcy o exonerou em janeiro. Ele era responsável pelo Ministério da Indústria e também pelos investimentos internacionais.

    A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou nesta segunda que proporá ao bloco a suspensão das sanções contra Delcy, após os parlamentares venezuelanos terem aprovado a lei de anistia. “Se haverá consenso, veremos. Ainda não sabemos”, disse. Na última sexta, o ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albarés, havia instado a UE a prosseguir com essa medida.

    Venezuela pede à ONU libertação imediata de Maduro, preso nos EUA

  • Polícia libera após fiança ex-embaixador britânico acusado de vazar informações a Epstein

    Polícia libera após fiança ex-embaixador britânico acusado de vazar informações a Epstein

    Peter Mandelson teria compartilhado informações sigilosas do governo britânico com financista; ele foi detido quatro dias após prisão do ex-príncipe Andrew por acusação semelhante

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – A polícia de Londres concedeu nesta terça-feira (24) liberdade a Peter Mandelson, ex-embaixador britânico nos Estados Unidos, após o pagamento de fiança. Ele foi detido na segunda-feira (23), em Londres, sob suspeita de má conduta no exercício de cargo público devido aos seus vínculos com Jeffrey Epstein.

    Escolhido pelo primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, como embaixador em dezembro de 2024, Mandelson foi demitido em setembro de 2025 depois que parte dos documentos do caso Epstein veio à tona e mostrou que o diplomata manteve amizade com o abusador mesmo depois da condenação por prostituição de menores, em 2008.

    O caso, entretanto, ganhou novas proporções depois que o Departamento de Justiça dos EUA publicou mais documentos em janeiro. Neles, ficou comprovado que Mandelson compartilhou informações sigilosas do governo britânico com Epstein na época em que era secretário para Negócios e Comércio do governo do trabalhista Gordon Brown (2007-2010).

    Após as novas revelações, a polícia anunciou a abertura de uma investigação contra o ex-embaixador britânico. Mandelson foi preso, e a polícia anunciou buscas em duas residências dele, uma no bairro londrino de Camden e a outra em Wiltshire, sudoeste da Inglaterra.

    Segundo a corporação, ele foi interrogado e liberado sob investigação.

    Mandelson foi preso quatro dias após a prisão do ex-príncipe Andrew Mountbatten-Windsor. O irmão do rei Charles 3º também é suspeito de má conduta no exercício de cargo público por supostamente ter repassado informações confidenciais ao financista americano quando era representante especial do Reino Unido para o comércio, de 2001 a 2011.

    Os arquivos também revelaram que o marido de Mandelson, o brasileiro Reinaldo Ávila da Silva, recebeu £ 10 mil (R$ 71 mil) do bilionário americano. Após o escândalo, o ex-embaixador britânico anunciou sua aposentadoria da Câmara dos Lordes.

    Starmer disse que Mandelson “decepcionou seu país” com a relação com Epstein. O premiê afirmou ao seu gabinete que estava horrorizado com as revelações.

    Emails revelaram que Silva, o marido do ex-embaixador, recebeu várias transferências de Epstein em 2009 e 2010 para ajudá-lo a seguir seu sonho de se tornar osteopata. Não foi detalhado o montante total nem o período exato em que os pagamentos ocorreram.

    Mandelson também foi um dos arquitetos do renascimento do Partido Trabalhista como força eleitoral nos anos 1990, sob Tony Blair. Ele se desfiliou do partido no domingo (22).

    Uma condenação por má conduta em cargo público pode resultar em pena máxima de prisão perpétua e deve ser julgada em um tribunal que trata crimes mais graves.

    A relação de Mandelson com Epstein é mais um capítulo do escândalo envolvendo figuras de alto escalão do governo no Reino Unido. Morgan McSweeney, chefe de gabinete de Starmer, renunciou neste mês.

    Polícia libera após fiança ex-embaixador britânico acusado de vazar informações a Epstein

  • Trump e Putin fazem Europa puxar gasto militar global

    Trump e Putin fazem Europa puxar gasto militar global

    Fatia do continente no total subiu de 17% em 2022 para 21,4% no ano passado, mostra a publicação Balanço Militar; recorde histórico está mantido; EUA tiveram queda temporária de despesa, mas ela será compensada com o trilionário plano do republicano; Brasil cai para 20º ranking

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – Mesmo com uma pequena queda temporária na gigantesca despesa dos Estados Unidos com defesa, o gasto militar global cresceu em 2025, mantendo o maior patamar histórico desde a Segunda Guerra Mundial.

    O crescimento ante 2024 foi de 2,5% em termos reais, chegando a US$ 2,63 trilhões -ou R$ 13,58 trilhões, cerca de R$ 1 trilhão a mais que PIB do Brasil estimado para 2025. Quem puxou a alta foi a Europa, região que registrou recordistas 12,7% de aumento no dispêndio com suas Forças Armadas.

    É o que aponta a 67ª edição do Balanço Militar, o mais completo raio-X do setor de defesa no mundo, publicado nesta terça-feira (24) pelo britânico Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, conhecido por sua sigla nglesa, IISS.

    O gasto europeu é cortesia de dois presidentes, Vladimir Putin e Donald Trump. O russo vinha alterando a percepção de risco no continente desde que anexou a Crimeia, em 2014, mas isso explodiu com a invasão total da Ucrânia, que completa quatro anos também nesta terça.

    Se isso acendeu alertas e colocou em marcha a remilitarização europeia, foi o americano quem catalisou o processo ao voltar ao poder no ano passado.

    Ele cumpriu sua promessa de passar a conta do apoio ocidental a Kiev para os europeus, zerando seu envio de ajuda e fazendo os colegas comprar suas armas para fornecer aos ucranianos. E antagonizou-se com os aliados continentais na Otan, ameaçando inclusive tomar a Groenlândia da Dinamarca à força.

    Com tudo isso, o gasto europeu disparou, puxado principalmente pela Alemanha. Em 2024, Berlim havia gasto US$ 88 bilhões (R$ 455 bilhões), em valores corrigidos, em 2025 foram US$ 107,3 bilhões (R$ 555 bilhões), com muito mais por vir.

    Com isso, os alemães ampliaram a vantagem sobre o quinto lugar no ranking, o Reino Unido. O resultado desse processo é que a Europa passou de 17% da fatia mundial desse gasto em 2022, quando houve a invasão, para 21,4% meros três anos depois.

    É um grande aumento, em especial numa área em que contratos são de longuíssimo prazo e demandam investimentos pesados.

    Na primeira posição do ranking, os EUA reinam soberanos, apesar de um soluço orçamentário que viu o país gastar cerca de 5% a menos com defesa no ano passado.

    Isso ocorreu porque o ano fiscal de 2025, que vai de outubro de 2024 a setembro seguinte, foi o primeiro em que valeu uma regra de manutenção de patamar de gastos nominais na área de defesa.

    A resposta de Trump foi apresentar o primeiro orçamento da área a passar do US$ 1 trilhão (R$ 5,17 trilhões), que foi aprovado em dezembro e pode ficar até 50% maior, com programas como o sistema antimíssil Domo Dourado. Logo, o relatório do IISS de 2026 trará novo recorde, além de refletir as aventuras do americano na Venezuela e no Irã.

    Ainda assim, os EUA gastaram 35% do valor global com Forças Armadas, mais do que qualquer região combinada do planeta. Em dez dias, os americanos aplicam tudo o que o Brasil tem à disposição para defesa num ano todo.

    Mesmo reduzido, o orçamento americano quase empata com a soma dos próximos 14 países no top 15 do IISS, US$ 1,15 trilhão (R$ 5,94 trilhão), e ultrapassa com folga os US$ 550 bilhões (R$ 2,84 trilhão) do restante do mundo.

    Do ponto de vista de gasto em proporção ao PIB, Trump não cumpre o que cobra dos aliados, ou seja, 5%. Os EUA baixaram seu dispêndio a 3% do Produto Interno Bruto no ano passado. O mundo, em compensação, segue crescendo, tendo chegado a 2,01%.

    Uma novidade ocorre no segundo e terceiro postos do ranking, que há anos são ocupados respectivamente por China e Rússia, rivais de Washington na Guerra Fria 2.0.

    Considerando seus orçamentos não pelos valores nominais, mas sim pelo critério de paridade de poder de compra, ou seja, o quanto rende o dinheiro considerando os custos de produção naqueles países, pela primeira vez na história o total combinado ultrapassa o dos EUA.

    Pequim gastou US$ 251,3 bilhões (R$ 1,3 trilhão), mas na prática equivaleram a US$ 531,4 bilhões (R$ 2,74 trilhão). Já Moscou aplicou US$ 186,2 bilhões (R$ 962 bilhões), US$ 523,6 bilhões (R$ 2,7 trilhão) de fato.

    Isso se deu pela combinação do engasgo americano e a contínua expansão dos gastos dos rivais. Putin, contudo, colocou o pé no freio após ter elevado em 2024 seu gasto em 57% ante o registrado em 2023.

    Em 2025, o crescimento foi de cerca de 3% em termos reais, embora o próprio IISS diga que isso apenas possa significar um melhor manejo do orçamento. “A Rússia mantém sua máquina de guerra”, disse o diretor-geral do IISS, Bastian Giegerich, dizendo que Moscou mostrou capacidade adaptativa e de recuperação apesar de pesadas perdas. “O país segue sendo uma ameaça à Europa.”

    Putin até elevou um pouco seu gasto em proporção ao PIB, de 7,16% em 2024 para 7,33% em 2025. É o terceiro maior nível do mundo, atrás da previsível Ucrânia (21,2%) e da surpreendente Argélia, que com 8,8% puxa o dispêndio da macrorregião Oriente Médio/Norte da África ao lado do beligerante Israel (6,5%).

    O Brasil, que já havia caído três posições no ranking de 2023 para 2024, desceu mais três degraus e ocupa o 20º lugar nas contas do IISS, devido principalmente ao cortes orçamentários. No fim do ano, Congresso aprovou e o presidente Lula (PT) sancionou projeto prevendo gasto de até R$ 5 bilhões anuais por fora da meta fiscal com projetos prioritários, mas isso não deve alterar muito o quadro geral.

    Trump e Putin fazem Europa puxar gasto militar global

  • Austrália: médico é acusado de tirar útero e ovário de mulheres saudáveis

    Austrália: médico é acusado de tirar útero e ovário de mulheres saudáveis

    Várias mulheres acusam um ginecologista australiano de remover órgãos devido à suspeita de endometriose, apesar da falta de evidências que comprovem o diagnóstico. A polícia local está a investigar as denúncias

    Um cirurgião de Melbourne, na Austrália, está sendo acusado por várias pacientes (e até por outros médicos) de realizar cirurgias, incluindo de remoção de órgãos, sob o pretexto de um diagnóstico de endometriose grave, a mulheres com poucos ou nenhuns sintomas.

    Segundo a emissora australiana ABC, algumas destas mulheres foram sujeitas à remoção do útero e dos ovários, mesmo sem apresentar praticamente nenhum sinal de endometriose. Várias pacientes relatam sentir dores durante meses ou anos após a cirurgia.

    O médico, Simon Gordon, foi afastado do Hospital Privado Epworth (o maior hospital privado do estado de Victoria) em outubro, quando a administração descobriu que o programa Four Corners estava investigando ele. O cirurgião optou por se aposentar no fim de semana seguinte. 

    O especialista negou qualquer irregularidade e disse à ABC que nunca realizou cirurgias de endometriose sem estar “absolutamente convencido” dos seus benefícios para as pacientes.

    “Durante gerações, a dor sofrida pelas mulheres foi ignorada, minimizada e não tratada”, disse ele. “A minha preocupação era tentar aliviar a dor e restaurar a qualidade de vida das pacientes, um grupo antes negligenciado e desconsiderado.”

    “Ao longo da minha carreira em ginecologia, sempre agi de forma ética e responsável com as minhas pacientes”, assegurou ainda.

    Contudo, a investigação, que durou sete meses, gerou diversas queixas de médicos e pacientes à administração do hospital e aos órgãos reguladores da área médica.

    A maioria das mulheres entrevistadas pelo programa Four Corners tinha sido submetida ao chamado procedimento 35641, destinado a casos de endometriose grave, em circunstâncias nas quais os seus exames não apresentavam endometriose ou apenas uma endometriose leve.

    Esta cirurgia custa mais de mil dólares (cerca de 5,2 mil reais), um valor significativamente maior do que outros que cobrem procedimentos como a laparoscopia, para casos de endometriose menos grave.

    Entre as pessoas que receberam queixas sobre o Gordon em Epworth, estavam três diretores de serviços médicos e uma enfermeira-chefe que supervisionava as enfermeiras do centro cirúrgico.

    A endometriose grave, ou “endometriose infiltrativa profunda”, afeta apenas cerca de 20% das mulheres com a doença. Ginecologistas entrevistados pela ABC afirmaram que submetem as pacientes à cirurgia 35641 apenas em circunstâncias muito raras.

    A primeira-ministra de Victoria, Jacinta Allan, já reagiu à reportagem, afirmando estar indignada com as alegações e garantindo que as denunciou à polícia.

    “Remover os órgãos de uma mulher sem necessidade clínica é crime”, afirmou em um comunicado divulgado na terça-feira. A polícia local confirmou posteriormente que estava investigando as denúncias.

    Ao longo dos últimos cinco anos, médicos e pacientes apresentaram diversas queixas sobre os métodos do médico Simon Gordon à Agência Reguladora de Profissionais de Saúde da Austrália.

    Os focos de endometriose encontram-se mais frequentemente nos ovários, nas trompas, nos ligamentos que sustentam o útero e no revestimento da cavidade pélvica ou abdominal. Os principais sintomas são a dor menstrual (dismenorreia), dor na relação sexual (dispareunia), dor ao evacuar (disquezia) e dor ao urinar (disúria). No entanto, há outras dores associadas como a abdominal ou torácica e cada doente apresenta sintomas e níveis muito distintos de dor.

    Austrália: médico é acusado de tirar útero e ovário de mulheres saudáveis

  • Novas tarifas globais impostas por Donald Trump entram em vigor hoje

    Novas tarifas globais impostas por Donald Trump entram em vigor hoje

    No sábado, o Presidente dos EUA anunciou que a nova tarifa alfandegária global iria aumentar de 10% para 15%, “com efeito imediato”. Esta taxa vai somar-se às “tarifas aduaneiras normais já em vigor”

    Nesta terça-feira (24), entram em vigor as novas tarifas globais de 15% propostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Essa nova sobretaxa, cujo decreto foi assinado na sexta-feira, visa substituir as taxas alfandegárias indiscriminadas que existiam até então, bem como aquelas previstas nos diversos acordos comerciais assinados desde então com a maioria dos principais parceiros do país.

    No entanto, isso não substitui as chamadas taxas alfandegárias setoriais, que variam de 10% a 50% em diversos setores de atividade, como cobre, automóveis ou madeira para construção.

    O presidente dos Estados Unidos já avisou, entretanto, que todos os países devem cumprir os acordos de tarifas que tenham aceito, apesar da decisão do Supremo Tribunal dos EUA que derrubou muitas das suas tarifas sobre importações.

    No sábado, o Presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que a nova tarifa alfandegária global iria aumentar de 10% para 15%, “com efeito imediato”.

    Esta taxa vai somar-se às “tarifas aduaneiras normais já em vigor”, afirmou o Presidente republicano, acrescentando que “todos os acordos” continuam válidos e que Washington apenas vai “proceder de forma diferente”.

    A Comissão Europeia exigiu “total clareza” por parte de Washington, defendendo que a situação atual não é favorável a um comércio transatlântico “justo, equilibrado e mutuamente benéfico”, conforme previsto no acordo entre a UE e os EUA.

    “Acordo é acordo. Enquanto maior parceiro comercial dos EUA, a UE espera que os compromissos assumidos sejam respeitados”, declarou a instituição.

    O anúncio aconteceu um dia depois de Trump ter anunciado uma tarifa global de 10% sobre todos os países, por um período de 150 dias.

    Horas antes, o Supremo Tribunal dos EUA determinou, por seis votos contra três, que o Governo norte-americano excedeu os poderes invocados para impor as chamadas “tarifas recíprocas” aos parceiros comerciais de Washington.

    Haddad diz que Competitividade brasileira não era e não será afetada com tarifas

    A competitividade do Brasil não será afetada pelas tarifas globais de 10% impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

    “Nossa competitividade não é afetada, como já não era. Nós dissemos desde sempre que isso ia prejudicar o consumidor americano, que no café da manhã, no almoço e no jantar consome produtos brasileiros”, declarou o ministro à imprensa neste sábado (21).

    “O Brasil é grande demais para ser quintal de quem quer que seja. Nós temos que ser parceiros do mundo todo”, disparou o ministro.

    A instabilidade tarifária complica o cenário, mas o Brasil colhe frutos da ação diplomática. “Obviamente que não queríamos estar passando por isso, mas eu penso que, diante do desafio, o Brasil e a diplomacia brasileira andaram bem”, disse. 

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