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  • Trump anuncia tarifa global de 10% para contornar IEEPA após decisão da Suprema Corte

    Trump anuncia tarifa global de 10% para contornar IEEPA após decisão da Suprema Corte

    O Supremo Tribunal dos Estados Unidos anulou, esta sexta-feira (20), a maioria das tarifas impostas pelo presidente norte-americano, Donald Trump, a nível global, por considerar que o chefe de Estado excedeu a sua autoridade

    O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira, 20, que assinará ainda nesta mesma data um decreto impondo uma tarifa global de 10% com base na Seção 122 da Lei de Comércio, horas após a Suprema Corte derrubar as tarifas adotadas sob a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). \”A decisão da Suprema Corte é profundamente decepcionante\”, afirmou Trump, em coletiva convocada após o veredicto. “Tenho vergonha de certos membros da Suprema Corte”, disse, ao mesmo tempo em que parabenizou os juízes dissidentes que votaram a favor das tarifas – entre eles Brett Kavanaugh.

    Trump afirmou que a nova tarifa global de 10%, com base na Seção 122, será aplicada “além das tarifas normais já cobradas”, o que indica caráter cumulativo e não substitutivo em relação às tarifas já em vigor.

    Por 6 votos a 3, a Corte concluiu que a IEEPA não autoriza o presidente a impor tarifas, ressaltando que a Constituição atribui ao Congresso o poder de instituir e arrecadar tributos. O presidente da Corte, John Roberts, destacou no voto majoritário que os termos da lei de 1977 não conferem autorização clara para tarifas amplas, de valor e duração ilimitados.

    Trump reagiu com ataques diretos ao tribunal, dizendo que a Corte foi “influenciada por interesses estrangeiros”, age como “tola e subserviente” e que “países estrangeiros estão dançando nas ruas após a decisão, mas não por muito tempo”.

    Segundo ele, o caso das tarifas era “um símbolo da segurança econômica nacional” e as medidas “nos proporcionaram grande segurança nacional”.

    O presidente dos EUA afirmou que as tarifas ligadas ao fentanil permanecem e que todas as tarifas aplicadas sob as Seções 232 e 301 continuam em vigor. Ele também anunciou a abertura de novas investigações com base na Seção 301.

    Trump sustentou que a decisão “não anulou tarifas, apenas anulou um de seus formatos de aplicação” e que a Suprema Corte “consolidou” seus poderes tarifários ao indicar outros caminhos legais. “Agora estou indo em uma direção diferente. Provavelmente a direção que eu deveria ter ido desde o início. Uma direção mais forte”, declarou, acrescentando que poderá “cobrar muito mais do que cobrava antes” sob dispositivos como as Seções 122, 201, 301, 232 e 338.

    As Seções 122, 201 e 301 integram a Lei de Comércio de 1974 e oferecem diferentes instrumentos tarifários ao Executivo: a Seção 122 permite impor tarifas de até 15% por até 150 dias para enfrentar desequilíbrios no balanço de pagamentos, sem investigação prévia. A Seção 201 autoriza salvaguardas temporárias – como tarifas ou cotas -, e a Seção 301 permite retaliar práticas comerciais consideradas desleais por outros países, após investigação do USTR, sendo amplamente usada contra a China.

    Já a Seção 232, da Lei de Expansão Comercial de 1962, possibilita tarifas por razões de segurança nacional, com base em investigação do Departamento de Comércio, enquanto a Seção 338, da Lei Tarifária de 1930, autoriza tarifas de até 50% contra países que discriminem produtos dos EUA – dispositivo antigo e nunca aplicado, mas ainda formalmente disponível.

    Trump anuncia tarifa global de 10% para contornar IEEPA após decisão da Suprema Corte

  • Trump diz que é 'uma desgraça' a decisão da Suprema Corte de barrar suas tarifas

    Trump diz que é 'uma desgraça' a decisão da Suprema Corte de barrar suas tarifas

    O Supremo Tribunal dos Estados Unidos anulou, esta sexta-feira (20), a maioria das tarifas impostas pelo presidente norte-americano, Donald Trump, a nível global, por considerar que o chefe de Estado excedeu a sua autoridade

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que é “uma desgraça” a decisão da Suprema Corte do país de derrubar as tarifas de importação impostas pelo republicano.

    Segundo apuração do jornal The New York Times feita com duas pessoas próximas ao governo, a declaração de Trump foi dada em um encontro com governadores nesta sexta-feira (20).

    A Suprema Corte definiu por 6 votos a 3 que o uso de uma lei de 1977 para justificar a cobrança de taxas de outros países é irregular, pois o presidente não pode impor tarifas amplas sem autorização explícita do Congresso.

    Presidente da Suprema Corte, John Roberts, afirmou que o presidente deve “‘apontar uma autorização clara do Congresso’ para justificar sua extraordinária afirmação desse poder.”

    Trump se apoiou na IEEPA (Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional) para a condução das tarifas. Para Roberts, o órgão “autoriza o presidente a investigar, bloquear durante a pendência de uma investigação, regular, dirigir e obrigar, anular, invalidade, prevenir ou proibir importação ou exportação” e aponta que, nesta lista, não há menção a tarifas ou impostos.

    “Se o Congresso tivesse a intenção de conceder o poder distinto e extraordinário de impor tarifas, teria feito isso expressamente, como tem feito de forma consistente em outras leis tarifárias”, disse Roberts.

    A medida impacta a maioria, mas não todas as tarifas impostas pelo presidente. Entre as exceções estão as tarifas que foram implementadas sob a Seção 232, que se refere a uma disposição da Lei de Expansão Comercial dos EUA que permite a imposição de tarifas quando a segurança nacional é considerada em risco. Entre os produtos, estão aço, alumínio, madeira e o setor automotivo.

    A derrota representa um duro golpe econômico e político a uma das iniciativas mais emblemáticas do segundo mandato de Trump. Além de perder capital político, os EUA podem ser obrigados a devolver mais de US$ 175 bilhões (R$ 912 bilhões) de arrecadações tarifárias, segundo um cálculo realizado por economistas do Penn-Wharton Budget Model a pedido da Reuters.

    O Brasil, que chegou a ser taxado em 50% antes de ter parte das tarifas reduzidas no fim do ano passado, aguarda com expectativa o fim das sobretaxas. A previsão era que oassunto estaria na pauta do encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Trump -reunião prevista para março, mas ainda sem data definida.

    Em fevereiro, o vice-presidente Geraldo Alckmin expressou otimismo com a relação bilateral. “A expectativa é positiva e mais focada na relação Brasil-Estados Unidos. Já melhorou. Nós tínhamos 37% da exportação brasileira para os Estados Unidos agravada com 10%, mais 40% -tarifaço de 50%. Hoje está em 22%. Já caiu bem. Mas a ideia é zerar. Não há razão para ter um tarifaço”, disse.

    Parte da produção brasileira ainda é impactada pela cobrança adicional de sobretaxa de 40%, que foi determinada por Trump em junho do ano passado. Na ocasião, o mandatário dos EUA isentou 700 itens como as peças de aviação. Cinco meses depois, Trump retirou a tarifa de 40% sobre mais de 200 produtos, mas a maioria era agrícola ou da pecuária. A cobrança dos 40% segue para 22% das exportações brasileiras, de acordo com Alckimin.

    Os reembolsos de US$ 175 bilhões excederiam os gastos combinados do Departamento de Transportes, de US$ 127,6 bilhões, e do Departamento de Justiça, de US$ 44,9 bilhões, no ano fiscal de 2025.

    O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, já afirmou que o governo deve recorrer da decisão da Corte, mas também adiantou que a gestão pode cobrir quaisquer reembolsos de tarifas.

    Apesar das taxas, a economia norte-americana não conseguiu o impulso tão propagado por Trump. O déficit comercial em 2025 reduziu apenas 0,2%, para US$ 901,5 bilhões (R$ 4,72 trilhões), mesmo com as cobranças a produtos importados. Se for levado em consideração apenas a negociação de bens de consumo, o déficit bateu recorde, atingindo US$ 1,24 trilhão (R$ 6,49 trilhões), segundo dados divulgados pelo governo nessa quinta-feira (19).

    O emprego nas fábricas diminuiu em 83 mil postos de trabalho de janeiro de 2025 a janeiro de 2026, o custo de vida do norte-americano aumentou, levando inclusive os restaurantes a reduzirem as porções para atrair o público, e a inflação fechou 2025 em 2,9%.

    Em novembro, Trump anunciou que pagaria US$ 2.000 a cada americano em virtude da cobrança de tarifas, mas até o momento a medida não foi aprovada.

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  • Trump anuncia que vai divulgar arquivos sobre extraterrestres

    Trump anuncia que vai divulgar arquivos sobre extraterrestres

    Anúncio ocorre após polêmica envolvendo declarações de Barack Obama sobre extraterrestres. Casa Branca não detalhou quais documentos poderão ser divulgados, enquanto Pentágono afirma que relatórios recentes não encontraram evidências de vida alienígena

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que pretende ordenar ao Pentágono e a outras agências federais a abertura de documentos relacionados à vida extraterrestre. A decisão foi divulgada após uma nova polêmica envolvendo declarações do ex-presidente Barack Obama sobre o tema.

    “Diante do enorme interesse demonstrado, darei ordens ao Secretário da Guerra e a outros departamentos e agências relevantes para iniciar o processo de identificação e divulgação de arquivos governamentais relacionados à vida alienígena e extraterrestre, fenômenos aéreos não identificados (UAP) e objetos voadores não identificados (OVNIs), bem como qualquer outra informação ligada a esses assuntos altamente complexos, mas extremamente interessantes e importantes”, escreveu Trump na rede social Truth Social.

    Segundo a CNN, ainda não está claro que tipo de material poderá ser tornado público nem quando isso ocorrerá. Nos últimos anos, o Departamento de Defesa tem conduzido investigações por meio do Escritório de Resolução de Anomalias em Todos os Domínios, responsável por catalogar e analisar relatos de objetos voadores não identificados. Em relatório divulgado em 2024, o órgão afirmou não ter encontrado evidências de vida extraterrestre.

    A iniciativa de Trump ocorre após críticas a Obama, que em um podcast sugeriu, em tom descontraído, que extraterrestres poderiam existir. “Ele divulgou informações confidenciais, não deveria ter feito isso”, afirmou Trump a jornalistas a bordo do Air Force One. “Não sei se são reais ou não, mas ele cometeu um grande erro”, acrescentou.

    O que disse Obama

    No fim de semana anterior, ao participar de um podcast, Obama respondeu a uma pergunta sobre extraterrestres dizendo: “Eles são reais, mas eu não os vi”. Em seguida, afirmou que, até onde sabia, não existem instalações subterrâneas destinadas a esconder seres de outro planeta, como sustentam teorias conspiratórias.

    Após a repercussão nas redes sociais, o ex-presidente publicou mensagem no Instagram para esclarecer que o comentário foi feito em tom leve. “Estatisticamente, o universo é tão vasto que as chances de existir vida em outros lugares são altas”, escreveu.

    A origem das teorias sobre a Área 51

    Grande parte das especulações sobre vida extraterrestre nos Estados Unidos gira em torno da Area 51, instalação militar da Força Aérea localizada em Groom Lake, no estado de Nevada. O complexo é restrito ao público e opera sob rígido esquema de segurança.

    De acordo com a Enciclopédia Britânica, funcionários da base chegam ao local por meio de voos autorizados a partir de um terminal reservado no aeroporto de Las Vegas. Imagens de satélite da instalação foram censuradas até 2018, aumentando o mistério em torno do local.

    As teorias ganharam força em 1989, quando Robert Lazar afirmou ter trabalhado na base com tecnologia extraterrestre. Ele declarou ao jornalista George Knapp ter visto fotos de autópsias de alienígenas e alegou que o governo analisava naves recuperadas. Embora suas afirmações tenham sido desmentidas, elas alimentaram décadas de especulações.

    Segundo a CIA, muitos relatos de OVNIs na região estariam ligados a testes de aeronaves militares, como o U-2. “Não há evidências de contato extraterrestre na Área 51 ou em qualquer outro lugar”, afirma a agência.

    Trump anuncia que vai divulgar arquivos sobre extraterrestres

  • Supremo Tribunal dos EUA anula tarifas impostas por Trump a nível global

    Supremo Tribunal dos EUA anula tarifas impostas por Trump a nível global

    O Supremo Tribunal dos Estados Unidos anulou, esta sexta-feira (20), a maioria das tarifas impostas pelo presidente norte-americano, Donald Trump, a nível global, por considerar que o chefe de Estado excedeu a sua autoridade

    Nesta sexta-feira (20), o Supremo Tribunal dos Estados Unidos anulou a maioria das tarifas impostas a nível global pelo presidente norte-americano, Donald Trump, justificando que o magnata violou a lei federal.

    Os três juízes liberais – Ketanji Brown Jackson, Elena Kagan e Sonia Sotomayor – e os três juízes conservadores – Amy Coney Barrett, Neil Gorsuch e John Roberts – votaram a favor da revogação das tarifas, enquanto os juízes Brett Kavanaugh, Samuel Alito e Clarence Thomas discordaram.

    Os magistrados consideraram que o chefe de Estado excedeu a sua autoridade ao impor tarifas abrangentes através de uma lei reservada para situações de emergência nacional. Realçaram, por isso, que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional “não autoriza o presidente a impor tarifas”.

    “O presidente afirma ter o poder extraordinário de impor unilateralmente tarifas de montante, duração e âmbito ilimitados. À luz da amplitude, do historial e do contexto constitucional dessa autoridade reivindicada, deve identificar uma autorização clara do Congresso para a exercer”, apontou o presidente do Supremo Tribunal, John Roberts, citado pelo Politico.

    O mesmo meio de comunicação realçou que, na ótica dos juízes, a lei de 1977 “não cumpre” os requisitos de aprovação do Congresso.

    “Quando o Congresso concede o poder de impor tarifas, o faz de forma clara e com restrições cuidadosas. Neste caso, não fez nenhuma das duas coisas”, escreveu Roberts.

    Ainda assim, os magistrados não especificaram o que será feito com o dinheiro que a Administração Trump acumulou até ao momento. Aliás, dados federais indicam que o Tesouro arrecadou mais de 133 bilhões de dólares (cerca de 100 mil milhões de euros) em receitas provenientes das tarifas impostas ao abrigo da lei de emergência.

    Significa isto que o governo pode ser obrigado a emitir bilhões de dólares em reembolsos, uma vez que muitas empresas já entraram com ações judiciais.

    “Os Estados Unidos podem ser obrigados a reembolsar bilhões de dólares aos importadores que pagaram as tarifas da IEEPA, mesmo que alguns importadores já tenham repassado os custos aos consumidores ou a outros. O processo de reembolso provavelmente será uma confusão”, indicou Brett Kavanaugh.

    Vale destacar que a decisão não contempla as tarifas para a indústria siderúrgica, do alumínio, da madeira e automóvel, que foram implementadas ao abrigo da Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962, invocando preocupações de segurança nacional.

    Nessa linha, aplica-se às tributações na China, México e Canadá, países em que o combate ao tráfico de droga constituía, na ótica de Trump, uma emergência. A legislação foi novamente usada em abril, com a cobrança de impostos de 10% a 50% sobre as mercadorias de quase todos os países do mundo.

    Pairam ainda questões quanto ao futuro dos acordos comerciais que a Administração Trump celebrou com a União Europeia, com o Japão, com a Coreia do Sul e com outros parceiros comerciais para reduzir as tarifas impostas às exportações para os Estados Unidos.

    Supremo Tribunal dos EUA anula tarifas impostas por Trump a nível global

  • Entre protestos e uma greve geral, Milei aprova reforma trabalhista na Câmara

    Entre protestos e uma greve geral, Milei aprova reforma trabalhista na Câmara

    Na aprovação na Câmara, a proposta foi aprovada por 135 parlamentares, e rejeitada por 115. O projeto deverá voltar ao Senado devido à remoção de um artigo que reduz a remuneração paga aos trabalhadores durante licenças médicas

    (CBS NEWS) – O governo de Javier Milei venceu na madrugada desta sexta-feira (20) uma de suas principais batalhas legislativa deste ano: a aprovação na Câmara da reforma trabalhista. Para chegar a esta sessão, primeiro foi preciso passar pelo Senado na semana passada, onde ele teve que aceitar mais de 20 mudanças no projeto original.

    Na aprovação na Câmara, a proposta foi aprovada por 135 parlamentares, e rejeitada por 115. O projeto deverá voltar ao Senado devido à remoção de um artigo que reduz a remuneração paga aos trabalhadores durante licenças médicas.

    O texto, que tem mais de 200 artigos, traz mudanças significativas, como a redução das indenizações por demissão, a possibilidade de fracionar férias e a ampliação da jornada de trabalho.

    A oposição, composta principalmente por kirchneristas, os partidos de esquerda e sindicatos, criticava a reforma, classificando-a como “regressiva” e “anticonstitucional”, e se move para contestar sua validade.

    O governo, por sua vez, defendia que a reforma pode diminuir a informalidade no trabalho, que afeta mais de 40% do mercado, e gerar empregos.

    O governismo chegou à sessão confiante com a aprovação. O foco de discussão era em relação a um possível efeito de desfinanciar o FAL (Fundo de Assistência Trabalhista) e o sistema previdenciário. O segundo ponto é a proposta de revogar vários estatutos profissionais, que também encontrava resistência.

    Milei, que viajou aos Estados Unidos, para participar da primeira reunião do Conselho de Paz convocado por Donald Trump, quer sancionar a reforma até o início de março, quando as sessões ordinárias do Congresso se reiniciam.

    Enquanto os manifestantes e as forças policiais se enfrentavam na praça dos Dois Congressos, circulou nas redes sociais um vídeo em que o presidente aparece cantando um trecho da música “Burning Love”, de Elvis Presley, ao lado do primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán.

    A sessão foi marcada por um clima de tensão, especialmente entre os governistas e os deputados do bloco União pela Pátria (peronismo), que atacaram o projeto e criticaram uma minoria peronista por apoiar a reforma. Os deputados da oposição argumentaram que a medida representaria uma transferência de riqueza que causaria sofrimento a muitos trabalhadores.

    Não apenas o bloco peronista União pela Pátria e a esquerda se opuseram à reforma, mas também membros do Províncias Unidas. O deputado Miguel Ángel Pichetto criticou o texto, apontando que ele não representa uma modernização do trabalho e alertou que não há benefícios para os trabalhadores.

    Pablo Juliano, de uma facção dissidente da UCR (União Cívica Radical), afirmou que sua identidade política o impede de apoiar a reforma, fazendo eco às críticas à proposta apresentada.

    A discussão na Câmara começou às 14h de quinta-feira (19), e o governo Milei havia prometido reprimir os protestos contra a reforma. Ao longo do dia, houve confrontos entre manifestantes e forças de segurança na frente do Congresso, no centro de Buenos Aires.

    A sessão também ocorreu no mesmo dia de uma greve geral, a quarta sob o governo de Milei, que durou 24 horas e foi convocada pela CGT (Central Geral dos Trabalhadores). Os sindicalistas consideram as mudanças propostas pelo governo prejudiciais para os trabalhadores. O governo, por sua vez, descreveu a greve como uma forma de extorsão.

    Trabalhadores de diversas categorias, como motoristas de ônibus, bancários e professores, começaram a se reunir perto do Parlamento assim que a sessão começou.

    À tarde, parte dos manifestantes jogaram garrafas na polícia, que respondeu com jatos d’água e gás de pimenta. A situação levou à dispersão da mobilização, com a polícia posicionando agentes para controlar o acesso ao Congresso. Até o fim da noite, pelo menos 14 pessoas haviam sido detidas.

    PRINCIPAIS MUDANÇAS DA REFORMA DE MILEI

    COMO É – COMO PODE FICAR

    – Até 8 horas por dia e 48 horas semanais – Até 12 horas por dia com 12 horas de descanso
    – No mínimo, de 14 dias seguidos – Podem ser divididas em períodos de, no mínimo, sete dias
    – Indenização por um ano, incluindo 13º e bônus – Benefício sem 13º ou bônus
    – Serviços mínimos em atividades essenciais – Mais serviços são considerados essenciais e devem ter 75% de operação
    – Pagamento de horas extras – Hora extra pode ser compensada com folgas ou redução de jornada
    – Seguem vigentes, mesmo depois de vencidos – Perdem a validade, a não ser as normas sobre condições de trabalho

    Entre protestos e uma greve geral, Milei aprova reforma trabalhista na Câmara

  • Ursos invadem pista de esqui nos EUA e surpreendem turistas; assista

    Ursos invadem pista de esqui nos EUA e surpreendem turistas; assista

    Três ursos cruzaram uma pista no resort Northstar, na região do Lago Tahoe, e obrigaram esquiadores a frear bruscamente. Apesar do susto, ninguém ficou ferido. Especialistas explicam que a circulação dos animais é comum na área

    Dividir a pista de esqui com animais selvagens não é exatamente o que se espera de um dia de lazer na neve. Se recentemente um ataque de leopardo-das-neves chamou atenção pelo desfecho dramático, desta vez a natureza protagonizou uma cena inusitada e, felizmente, sem vítimas.

    Na quarta-feira, frequentadores do resort Northstar California Resort, nas proximidades do Lago Tahoe, nos Estados Unidos, foram surpreendidos ao descer uma das pistas e se depararem com três ursos cruzando o trajeto. Alguns esquiadores precisaram frear bruscamente para evitar colisão.

    De acordo com a CBS News, os animais seriam dois filhotes acompanhados de um urso adulto. As imagens foram registradas por turistas que estavam no teleférico e mostram o espanto de quem assistia à cena do alto, enquanto os ursos atravessavam a área aparentemente indiferentes à movimentação humana.

    Segundo a NBC News, avistamentos de vida selvagem não são incomuns na região da Serra Nevada, mas a presença simultânea de três ursos em plena pista de esqui, com dezenas de pessoas no local, chamou atenção.

    O resort está situado em área que integra o habitat natural do urso-negro-americano, espécie comum na Bacia do Lago Tahoe ao longo de todo o ano. Especialistas explicam que, embora muitos ursos entrem em um período de letargia durante o inverno, eles podem acordar e circular, sobretudo em dias mais amenos ou quando buscam alimento.

    Com as temperaturas acima da média para a estação, a circulação dos animais pela região não é considerada incomum. Funcionários do resort informaram que não houve registro de feridos ou incidentes relacionados ao episódio. Os ursos pareciam apenas atravessar o território que, em última instância, é deles.

    Caso na China teve desfecho diferente

    Nem todos os encontros entre turistas e animais selvagens terminam de forma tranquila. Em janeiro, uma esquiadora foi atacada por um leopardo-das-neves no Geoparque Global de Keketuohai, área reconhecida pela UNESCO e localizada no condado de Fuyun, na China.

    De acordo com o jornal The Straits Times, a mulher teria se aproximado do animal para fotografá-lo, ficando a cerca de três metros de distância. O felino, sentindo-se ameaçado, reagiu e a feriu, provocando escoriações no rosto.

    Imagens divulgadas após o incidente mostram a turista sendo amparada por outras pessoas. A selfie registrada instantes antes do ataque viralizou nas redes sociais. Na foto, ela aparece sorrindo ao lado do leopardo, que já demonstrava sinais de alerta.

    Os dois episódios, embora distintos no desfecho, reforçam o mesmo alerta: em áreas de natureza selvagem, o respeito ao habitat dos animais é fundamental para evitar riscos tanto para visitantes quanto para a própria fauna.

    Ursos invadem pista de esqui nos EUA e surpreendem turistas; assista

  • ONU alerta sobre exploração de pessoas obrigadas a cometerem crimes informáticos

    ONU alerta sobre exploração de pessoas obrigadas a cometerem crimes informáticos

    Relatório denuncia redes internacionais que recrutam vítimas sob falsas promessas de emprego e as mantêm em condições degradantes para aplicar golpes online. Documento cita tortura, exploração sexual e mortes em tentativas de fuga, sobretudo no Sudeste Asiático

    Milhares de pessoas ao redor do mundo foram forçadas a trabalhar para redes de golpes digitais, muitas delas com base no Sudeste Asiático, vivendo em condições degradantes e submetidas a graves violações de direitos humanos. A denúncia consta em relatório divulgado nesta terça-feira pelo Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

    O documento reúne centenas de depoimentos de vítimas e detalha casos de tortura, maus-tratos, exploração sexual, abortos forçados, privação de alimentos e confinamento em isolamento. “A lista de abusos é avassaladora”, afirmou o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk.

    Segundo o relatório, os abusos ocorreram entre 2021 e 2025 em centros de fraude digital localizados no Camboja, Laos, Myanmar, Filipinas e Emirados Árabes Unidos. A atuação dessas redes, porém, também foi identificada em países da África e das Américas.

    As vítimas são originárias de diferentes partes do mundo, com predominância de cidadãos asiáticos. Também há registros de recrutamento em países europeus como França, Alemanha e Reino Unido, além de nações da América Latina, entre elas Peru, Colômbia, Brasil e México.

    Após serem aliciadas, as pessoas eram obrigadas a aplicar golpes online, que incluíam roubo de identidade, extorsão, fraudes financeiras e outros tipos de estelionato digital.

    Relatos apontam que muitos eram mantidos em grandes complexos que funcionavam como “cidades autossuficientes”, com prédios fortificados, muros altos com arame farpado e vigilância de seguranças armados. Quem não atingia metas mensais de fraude era submetido a punições severas.

    Sobreviventes contaram ainda que colegas morreram ao tentar fugir, muitas vezes ao cair de sacadas e telhados. Aqueles capturados após tentativas de escape sofriam castigos físicos e psicológicos.

    De acordo com a ONU, nenhuma das vítimas entrevistadas recebeu o pagamento prometido pelos recrutadores. O relatório também menciona suspeitas de conivência de policiais e agentes de fronteira em alguns casos, inclusive com participação em abusos.

    Diante das denúncias, o órgão das Nações Unidas pediu a realização de operações coordenadas e seguras para resgatar as vítimas, além da implementação de programas de apoio e reabilitação para os sobreviventes.

    Volker Türk fez um apelo à comunidade internacional para enfrentar o avanço dessas redes criminosas, que têm como principal foco o Sudeste Asiático, mas vêm se expandindo para outras regiões.

    Em relatório anterior, divulgado em 2023, a ONU já estimava que centenas de milhares de pessoas haviam sido recrutadas à força para participar de esquemas de fraude online.
     

     
     

    ONU alerta sobre exploração de pessoas obrigadas a cometerem crimes informáticos

  • Irã ameaça atingir bases dos EUA e eleva tensão no Oriente Médio

    Irã ameaça atingir bases dos EUA e eleva tensão no Oriente Médio

    Em carta à ONU, Teerã afirma que responderá “de forma decisiva” a qualquer ataque e classificará instalações norte-americanas na região como alvos legítimos. Declarações ocorrem após ultimato de Donald Trump sobre acordo nuclear e em meio a reforço militar dos EUA

    O governo do Irã informou ao secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, que reagirá “de forma decisiva e proporcional” a qualquer ataque contra seu território e advertiu que bases dos Estados Unidos no Oriente Médio poderão ser consideradas alvos legítimos em caso de ação militar.

    Em carta enviada na quinta-feira à ONU, a Missão Permanente do Irã afirmou que declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, indicam “risco real de agressão militar”, embora tenha ressaltado que Teerã não pretende iniciar um conflito. O embaixador iraniano citou o artigo 51 da Carta das Nações Unidas, que trata do direito à autodefesa, ao sustentar que o país responderá dentro dos princípios do direito internacional.

    O documento acrescenta que, diante de uma eventual ofensiva, “todas as bases, infraestruturas e ativos norte-americanos na região” poderão ser alvo de retaliação.

    Horas antes, Trump declarou em Washington que dará um prazo de dez dias para que haja avanço em um acordo com o Irã sobre o programa nuclear. Caso contrário, segundo ele, poderão ocorrer “coisas más”. O presidente afirmou que busca um entendimento “significativo”, mas sinalizou que o desfecho pode ser mais duro se não houver consenso.

    Na sequência das declarações, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, também elevou o tom e afirmou que o Irã enfrentará uma resposta severa caso ataque o território israelense. Em pronunciamento durante cerimônia militar, disse que o país está preparado para qualquer cenário.

    As trocas de ameaças ocorrem em meio ao reforço da presença militar dos Estados Unidos no Oriente Médio, com mobilização de meios navais e aéreos. Segundo a emissora CNN e o jornal The New York Times, forças norte-americanas estariam prontas para uma possível operação contra o Irã nos próximos dias, embora a decisão final ainda não tenha sido anunciada pela Casa Branca.

    Na terça-feira, representantes dos dois países concluíram uma segunda rodada de negociações na Suíça sem avanços concretos. Paralelamente, a Guarda Revolucionária Islâmica realiza exercícios militares no Estreito de Ormuz, área estratégica para o comércio global de petróleo, em um movimento interpretado como demonstração de força diante da escalada de tensões.
     
     

     

    Irã ameaça atingir bases dos EUA e eleva tensão no Oriente Médio

  • Plano de Trump para reconstruir Gaza prevê arranha-céus à beira-mar

    Plano de Trump para reconstruir Gaza prevê arranha-céus à beira-mar

    Conselho da Paz anunciou envio de US$ 7 bi para reconstrução da região; Nações Unidas dizem ser necessários US$ 70 bi; comitê palestino apoiado por EUA diz que 2.000 pessoas já se candidataram para força policial no território

    WASHINGTON, EUA (CBS NEWS) – O Conselho da Paz criado por Donald Trump apresentou nesta quinta-feira (19) um plano de reconstrução da Faixa de Gaza que prevê arranha-céus à beira-mar, ferrovias, portos, aeroporto e exploração de gás natural no território palestino.

    O conselho, criado pelo presidente dos Estados Unidos, anunciou na reunião um investimento inicial de US$ 7 bilhões (cerca de R$ 37 bilhões) para ajudar na recuperação de Gaza, devastada por bombardeios de Israel durante dois anos de guerra contra o grupo terrorista Hamas.

    O valor, entretanto, corresponde a 10% dos US$ 70 bilhões que seriam necessários para reconstruir o território ao longo de décadas, de acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas), dos quais US$ 20 bilhões precisariam ser gastos nos primeiros três anos para estabilizar a grave crise humanitária pela qual passam os palestinos de Gaza.

    O plano detalhado em Washington mostra que 85% dos prédios e construções de Gaza foram destruídos. Em outubro de 2025, as Nações Unidas disseram que o conflito gerou cerca de 55 milhões de toneladas de entulho, uma quantidade de escombros equivalente a 13 vezes o volume das pirâmides de Gizé, no Egito.

    O projeto apresentado na quinta, que não mencionou tempo ou custo de cada uma das suas fases, prevê que a curto prazo sejam removidos escombros e munições não explodidas, além de restabelecimento das cadeias de suprimento, fornecimento de água, saneamento e energia.

    Na sequência, virá a construção de habitação permanente, hospitais, clínicas, escolas e universidades. Por fim, a longo prazo, é esperada a construção de arranha-céus à beira-mar, com infraestrutura de transporte, exploração de recursos energéticos e desenvolvimento urbano avançado.

    Participaram da primeira reunião do Conselho da Paz líderes de 20 países que já aderiram à iniciativa de Trump, como a Argentina, o Egito e a Turquia. O Brasil ainda não respondeu ao convite do americano, e o governo Lula (PT) avalia que a organização tem risco de esvaziar a ONU.

    Trump anunciou que os EUA vão enviar US$ 10 bilhões (R$ 52 bilhões) para o Conselho da Paz, mas não detalhou qual será o uso desta verba. Alguns dos países presentes se comprometeram com aportes de dinheiro para o conselho, como os Emirados Árabes, que anunciaram US$ 1,2 bilhão para o grupo, o Qatar, com US$ 1 bilhão, e Arábia Saudita com US$ 1 bilhão -que devem ser pagos ao longos próximos anos.

    Outros países se comprometeram a ajudar a estabilizar Gaza com outros tipos de esforços. A Indonésia ofereceu enviar pelo menos 8.000 soldados para formar uma força de segurança na região, enquanto o Cazaquistão afirmou que vai enviar dinheiro e também trigo ao território palestino. O Bahrein vai ajudar com infraestrutura para serviços digitais e o Uzbequistão se prontificou a reconstruir escolas, creches e hospitais.

    O Egito afirma que vai continuar os esforços para treinar policiais palestinos a fim de manter a segurança na Faixa de Gaza. A Romênia vai atuar na construção de serviços de emergência, escolas e instituições, e a Turquia disse que vai contribuir no setor de saúde, educação e treinamento da polícia.

    O empreendedor imobiliário americano Marc Rowan, indicado por Trump a uma cadeira no conselho, detalhou que, em um primeiro momento, serão construídas 100 mil casas e, a longo prazo, 400 mil, número que comportaria toda a população da região. O valor total das construções das residências seria de US$ 30 bilhões.

    Não foram anunciadas datas ou previsões para isso. “O potencial é gigantesco, mas precisa começar em algum lugar. O começo é em Rafah, onde vai ser o primeiro local onde a segurança vai ser estabelecida”, disse Rowan, que afirmou que “não há um problema financeiro, há um problema de paz”.

    Ele afirmou ainda que a região é valiosa do ponto de vista imobiliário e vale o investimento. “Só a costa vale US$ 50 bilhões, as residências mais de US$ 30 bilhões, a infraestrutura US$ 30 bilhões”, disse o bilionário.

    A ideia de arranha-céus na região já tinha sido apresentada no Fórum Econômico de Davos, na Suíça, em janeiro. No evento, slides mostravam dezenas de prédios na costa do Meditarrêneo e conjuntos habitacionais na área de Rafah.

    No ano passado, Trump já tinha ventilado a ideia de usar a região de Gaza para construções luxuosas. Em fevereiro, ele sugeriu que a área deveria ser despovoada para ser reconstruída como uma espécie de resort ao gosto de suas propriedades na Flórida e no Mediterrâneo.

    Ele afirmou na ocasião que os Estados Unidos deveriam liderar o esforço, tomando para si o território e até enviando tropas. Na prática, o Conselho da Paz concretiza essa ideia, uma vez que o comitê tecnocrático palestino que governará Gaza está sob supervisão e controle de Trump.

    Além dos prédios luxuosos, foi anunciada também a implementação de internet de alta-velocidade para toda a população até julho deste ano com o objetivo de possibilitar pagamento com carteira digital, o que seria uma forma de retomar o comércio em Gaza.

    De acordo com o comitê palestino apoiado pelos EUA, foram abertas as inscrições para uma força policial em Gaza, que deverá suplantar o controle armado que os terroristas do Hamas hoje detém no território. O comitê afirmou que cerca de 2.000 palestinos se inscreveram para a força policial nas primeiras horas após o anúncio.

    Em publicação no X, o Comitê Nacional para a Administração de Gaza afirma que um processo de recrutamento “está aberto a homens e mulheres qualificados que desejam servir na força policial”.

    O comunicado inclui um link para um site onde palestinos podem se candidatar. Os candidatos devem ser residentes de Gaza com idade entre 18 e 35 anos, não ter antecedentes criminais e estar em boa forma física.

    Plano de Trump para reconstruir Gaza prevê arranha-céus à beira-mar

  • Nono presidente do Peru em dez anos, José Balcázar já defendeu casamento infantil

    Nono presidente do Peru em dez anos, José Balcázar já defendeu casamento infantil

    Político de 83 anos tem histórico de polêmicas e deve sofrer pressão para perdoar Pedro Castillo, preso por autogolpe; professor e advogado foi apontado na quarta (18) pelo Parlamento para presidir o país de forma interina até julho

    BUENOS AIRES, ARGENTINA (CBS NEWS) – Não vai ser uma tarefa simples, e a figura escolhida é menos do que ideal. Com José Balcázar, político de 83 anos com histórico de corrupção e de defesa de teses como o casamento infantil, a esquerda volta ao poder no Peru.

    Terá o desafio de conduzir o país até as eleições, que acontecem em menos de dois meses, negociar com um Congresso cada vez mais poderoso e lidar com a sombra do ex-presidente Pedro Castillo. Balcázar foi selecionado pelo Parlamento e assume automaticamente a Presidência do país de forma interina, depois que os congressistas derrubaram o antecessor, José Jerí.

    Professor e advogado de 83 anos, ele venceu no segundo turno da votação a centro-direitista Maricarmen Alva, recebendo 60 votos dos parlamentares ante 46 de sua oponente, tornando-se o nono presidente do Peru desde 2016.

    Ele foi eleito como representante do partido Peru Livre, que elegeu Pedro Castillo em 2021. O ex-presidente perdeu o poder e foi condenado em 2025 por autogolpe -ele tentou dissolver o Congresso em 2022, sem sucesso.

    Uma dúvida agora é se Balcázar tentará indultar Castillo, como defendem políticos do Peru Livre. “Nenhum perdão está na pauta. O que sei é que o ex-presidente tem um processo criminal e que deve seguir seu curso correspondente”, garantiu ele à imprensa.

    A imprensa peruana também especula sobre o grau de influência que o líder do partido, Vladimir Cerrón, terá no novo governo. Barcázar afirma que buscará o consenso e que não tem nada contra a príncipal líder da oposição, Keiko Fujimori, da Força Popular.

    “É um dia muito triste para o país. Permitiram que a esquerda radical governasse novamente. Todos sabemos quem são os irresponsáveis que nos levaram ao caos. Nunca deveriam ter aberto essa porta”, escreveu Keiko, filha do ditador Alberto Fujimori, no X.

    Balcázar entrou no Congresso em 2021 como representante da província de Lambayeque, com mandato até 2026. Nascido em Cajamarca, formou-se na Universidade Nacional Pedro Ruíz Gallo. No Parlamento, atuou na comissão que elegeu novos magistrados do Tribunal Constitucional e é vice-presidente da Comissão de Justiça. Chegou a deixar o partido de Castillo para formar o Bicentenário do Peru com outros congressistas, mas depois retornou à sigla.

    Ainda como parlamentar, ele se envolveu em uma polêmica em 2023, ao defender o casamento infantil quando a proibição dessa prática era debatida na Comissão de Justiça e Direitos Humanos do Congresso. “Hoje em dia as pessoas não se casam, são todas uniões de fato. Desde os 14 anos, as meninas já estão grávidas. Com a lei que queremos, o que vamos fazer? Proibir aquelas pessoas que engravidam ainda menores?”, questionou.

    Ele depois tentou justificar sua posição, insistindo que pessoas com mais de 14 anos podem fazer contratos e enfatizou que as críticas contra ele tinham como objetivo desqualificá-lo.

    Balcázar também foi juiz e membro provisório da Suprema Corte de Justiça do país, mas sua carreira no Judiciário foi manchada por um suposto desvio de recursos, ainda investigado, de uma associação de magistrados, a Ordem dos Advogados de Lambayeque, que foi contra a sua candidatura à Presidência.

    O novo governo começa com o desafio de garantir as eleições gerais, em 12 de abril, e a transição até 28 de julho, com um histórico desfavorável: dos últimos 7 presidentes, 4 foram destituídos, e 2 renunciaram antes de serem afastados.

    O partido de Balcázar hoje tem 11 de 130 representantes no Congresso. Para vencer Maricarmen, ele precisou negociar com diferentes correntes políticas, inclusive com parlamentares que meses antes sustentavam o mandato de Jerí.

    Em seu discurso de posse na madrugada desta quinta-feira (19), o novo presidente dos peruanos afirmou que sua gestão garantirá eleições transparentes e assegurou que priorizará a luta contra a insegurança.

    “Antes de tudo, [vamos] garantir que haverá uma transição democrática, pacífica e transparente, que não haja dúvidas nas eleições; segundo, uma pacificação. […] Precisamos pacificar este país, é uma questão de começar a trabalhar”, disse ele.

    Além disso, garantiu que manterá uma linha econômica estável e que “não se pode conduzir o país através de provações”. “Não vamos dar saltos no vazio”, acrescentou.

    A rápida destituição de José Jerí no dia anterior acende um alerta sobre a dificuldade que os presidentes têm para manter apoio no Legislativo, e a facilidade com que o Congresso peruano pode destituir os chefes do Executivo.

    A Constituição de 1990 permite ao Congresso declarar a vacância da Presidência por “incapacidade moral”, e a tendência é que os atores políticos utilizem esse mecanismo como forma de pressão e uma moeda de troca contra os ocupantes da Casa de Pizarro, sede do Executivo peruano.

    A dificuldade reside no fato de que “incapacidade moral” é um conceito vago, baseado na opinião de legisladores.

    A última década de instabilidade também enfraqueceu e fragmentou o conjunto de partidos políticos no país, facilitando a troca de cargos e permitindo que a destituição do presidente seja usada como ameaça.

    RELEMBRE OS PRESIDENTES DO PERU DESDE 2016

    Ollanta Humala
    (jul.11-jul.16) Último líder peruano a concluir o mandato

    Pedro Pablo Kuczynski
    (jul.16-mar.18) Eleito em 2016, renunciou antes de ser destituído por denúncias de corrupção

    Martín Vizcarra
    (mar.18-nov.20) Foi vice de PPK, destituído pelo Congresso por denúncias de corrupção

    Manuel Merino
    (10.nov.20-15.nov.20) Era presidente do Congresso, renunciou por falta de apoio

    Francisco Sagasti
    (nov.20-jul.21) Presidia o Congresso, assumiu para completar mandato

    Pedro Castillo
    (jul.21-dez.22) Eleito em 2021, foi destituído ao tentar um autogolpe

    Dina Boluarte
    (dez.22-out.25) Foi vice de Castillo, deposta pelo Congresso por ‘incapacidade moral

    José Jeri
    (out.25-fev.26) Presidia o Congresso, foi deposto por ‘má conduta’

    José Balcázar
    (desde 18.fev.26) Escolhido pelo Congresso para completar mandato até julho

     

    Nono presidente do Peru em dez anos, José Balcázar já defendeu casamento infantil