Categoria: MUNDO

  • Estados Unidos registram maior percepção de corrupção da história

    Estados Unidos registram maior percepção de corrupção da história

    Relatório de 2025 da Transparência Internacional mostra que o país alcançou sua menor pontuação histórica no Índice de Percepção da Corrupção, refletindo avanço da desconfiança sobre instituições públicas e retrocessos no combate a práticas ilícitas, com impactos que ultrapassam as fronteiras dos Estados Unidos.

    A corrupção segue em alta inclusive em democracias consideradas consolidadas, com destaque negativo para os Estados Unidos, que registraram em 2025 o pior desempenho de sua história no Índice de Percepção da Corrupção (IPC). Os dados constam no relatório divulgado nesta terça-feira pela Transparência Internacional.

    Segundo o levantamento, mesmo que os acontecimentos mais recentes de 2025 ainda não estejam totalmente refletidos, os Estados Unidos apresentaram uma queda expressiva na avaliação e alcançaram 64 pontos em uma escala que vai de 0, considerado altamente corrupto, a 100, visto como muito íntegro.

    Os países com melhor desempenho no ranking continuam concentrados no topo da tabela, com pontuações acima de 80. A liderança é da Dinamarca, com 89 pontos, seguida por Finlândia, com 88, e Singapura, com 84. A ONG, no entanto, alerta que nem mesmo essas nações estão imunes a práticas corruptas, especialmente quando facilitam lavagem de dinheiro ou a circulação de recursos ilícitos provenientes de outros países, fenômeno que não é plenamente captado pelo índice.

    Casos como os de Suíça e Singapura, ambos bem posicionados no ranking, são citados no relatório como exemplos de países frequentemente criticados por permitirem a movimentação de dinheiro de origem ilegal.

    Em escala global, a média do IPC ficou em 42 pontos, o nível mais baixo registrado em mais de dez anos. De acordo com a Transparência Internacional, mais de dois terços dos países avaliados, 122 dos 180 analisados, obtiveram pontuação inferior a 50, o que evidencia dificuldades generalizadas no combate à corrupção.

    O relatório também aponta que o número de países com notas acima de 80 caiu drasticamente na última década, passando de 12 para apenas cinco. A deterioração do cenário nos Estados Unidos, segundo a ONG, tem efeitos globais, especialmente por conta do impacto de leis como a que regula práticas de corrupção no exterior, que influencia empresas de diversos países.

    A Transparência Internacional cita ainda decisões adotadas no início do segundo mandato de Donald Trump, em 2025, como o congelamento temporário de mecanismos de controle, interpretadas como sinais de maior tolerância a práticas comerciais corruptas. Além disso, os cortes na ajuda norte-americana a organizações da sociedade civil no exterior teriam enfraquecido iniciativas globais de combate à corrupção.

    Esse contexto, segundo os analistas, encorajou governos de outros países a restringirem ainda mais a atuação de organizações não-governamentais, jornalistas e vozes independentes. Como reflexo, a percepção da corrupção também piorou em países como Canadá, Nova Zelândia e em diversas nações da Europa Ocidental, incluindo Reino Unido, França e Suécia.

    Desde 2012, 13 países da Europa Ocidental e da União Europeia apresentaram queda significativa no índice, enquanto apenas sete conseguiram avanços relevantes. Apesar do cenário preocupante, o presidente da Transparência Internacional, François Valérian, destacou que a corrupção não é inevitável e defendeu ações firmes dos governos para proteger o espaço cívico e garantir a integridade institucional.

    O relatório aponta ainda que a repressão à sociedade civil se intensificou na última década em países como Geórgia, Indonésia e Peru, onde novas leis limitaram o financiamento de ONGs e estimularam campanhas de intimidação. Em ambientes assim, jornalistas e ativistas enfrentam cada vez mais obstáculos para denunciar abusos de poder.

    Situações extremas são observadas em países como Rússia e Venezuela, onde a repressão forçou críticos ao exílio e aumentou os riscos para quem expõe irregularidades. Segundo a Transparência Internacional, desde 2012, ao menos 150 jornalistas que investigavam corrupção fora de zonas de guerra foram assassinados, quase todos em países com altos índices de corrupção.

    Na base do ranking, aparecem países marcados por instabilidade e forte repressão à sociedade civil, como Sudão do Sul, Somália e Venezuela. O relatório alerta que esse cenário ameaça também nações que registraram quedas expressivas nos últimos anos, como Turquia, Hungria e Nicarágua.
     
     
     

    Estados Unidos registram maior percepção de corrupção da história

  • Guantánamo: Capítulos sombrios da prisão sem fim

    Guantánamo: Capítulos sombrios da prisão sem fim

    O presidente dos EUA disse que a instalação deve abrigar “os piores estrangeiros ilegais criminosos que ameaçam o povo americano”

    Donald Trump ordenou a construção de um centro de detenção na Base Naval da Baía de Guantánamo, em Cuba, para abrigar até 30.000 migrantes. O presidente dos EUA disse que a instalação deve ser separada da prisão militar de alta segurança da base e deve abrigar “os piores estrangeiros ilegais criminosos que ameaçam o povo americano”. A base tem sido usada há muito tempo para prender imigrantes, uma prática que tem sido criticada por alguns grupos de direitos humanos. Mas a mudança proposta trouxe memórias sombrias de quando a Baía de Guantánamo estava atolada em controvérsia após a detenção de “combatentes inimigos” depois dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001.

    Guantánamo: Capítulos sombrios da prisão sem fim

  • Assaltantes explodem carro-forte e trocam tiros com a polícia na Itália

    Assaltantes explodem carro-forte e trocam tiros com a polícia na Itália

    Os criminosos, disfarçados de policiais, atearam fogo a uma van para forçar a parada do veículo e, em seguida, detonaram um explosivo para arrombar a parte de trás do carro.

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – Um grupo de pelo menos oito assaltantes explodiu um carro-forte em uma rodovia no sul da Itália nesta segunda-feira (9). Os criminosos, disfarçados de policiais, atearam fogo a uma van para forçar a parada do veículo e, em seguida, detonaram um explosivo para arrombar a parte de trás do carro.

    Um vídeo da explosão circula nas redes sociais desde a manhã de segunda. Nele, é possível ver os assaltantes, mascarados e fortemente armados, parados junto a um carro com uma luz piscante, provavelmente com o objetivo de simular uma viatura.

    O incidente aconteceu na rodovia 613, que liga as cidades de Lecce e Brindisi, na altura da vila de Tuturano, próxima ao mar Adriático.
    De acordo com a imprensa italiana, uma espuma de segurança do carro-forte, projetada para impedir ataques do tipo, foi acionada no momento da explosão e não permitiu que os assaltantes tivessem acesso às cédula no interior do veículo. A chegada rápida da polícia também evitou o roubo. Os criminosos trocaram tiros com a polícia antes de fugir, mas ninguém ficou ferido.

    Mais tarde, pelo menos dois suspeitos foram presos, segundo as autoridades locais.

    Assaltantes explodem carro-forte e trocam tiros com a polícia na Itália

  • Ranking dos arranha-céus mais altos do mundo

    Ranking dos arranha-céus mais altos do mundo

    Esses prédios são maravilhas de engenharia, ambição e orgulho nacional

    Cada uma dessas torres notáveis ​​reflete ambição, inovação e o espírito das cidades sobre as quais se erguem. Clique para descobrir os edifícios mais altos do mundo e as curiosidades fascinantes que tornam cada um deles único.

    Ranking dos arranha-céus mais altos do mundo

  • A história sombria da intervenção dos EUA na América Latina e no Brasil

    A história sombria da intervenção dos EUA na América Latina e no Brasil

    A longa sombra da política dos EUA sobre a região

    Das confrontações da Guerra Fria em Cuba às crises políticas modernas da Venezuela, o envolvimento dos EUA na América Latina, inclusive no Caribe e no Brasil, deixou uma marca indelével. Intervenções militares, operações secretas e sanções econômicas influenciaram repetidamente os rumos da região, muitas vezes gerando debates sobre soberania e estabilidade. Esses episódios históricos continuam moldando a diplomacia e a opinião pública contemporâneas.

    Clique para explorar as intervenções dos Estados Unidos que afetaram governos, economias e sociedades em toda a América Latina.

    A história sombria da intervenção dos EUA na América Latina e no Brasil

  • Cúmplice de Epstein se recusa a responder perguntas em depoimento

    Cúmplice de Epstein se recusa a responder perguntas em depoimento

    Maxwell evocou seu direito de permanecer em silêncio durante o depoimento, quando falou por vídeo da prisão no Texas em que cumpre sua sentença. Ela defende sua inocência e tenta reverter a condenação.

    ISABELLA MENON
    WASHINGTON, EUA (CBS NEWS) – A ex-namorada e cúmplice de Jeffrey Epstein, Ghislaine Maxwell, condenada a 20 anos de prisão por ajudar o criminoso sexual a abusar de adolescentes, recusou-se a responder perguntas de congressistas dos Estados Unidos nesta segunda-feira (9).

    Maxwell evocou seu direito de permanecer em silêncio durante o depoimento, quando falou por vídeo da prisão no Texas em que cumpre sua sentença. Ela defende sua inocência e tenta reverter a condenação.
    A defesa de Maxwell já havia dito a legisladores que não responderia a perguntas, mas congressistas, incluindo o republicano James Comer, presidente do Comitê de Supervisão e Reforma do Governo da Câmara, insistiu que o depoimento fosse realizado.

    Após a audiência, Comer afirmou que, inicialmente, ela havia pedido que o comitê de supervisão concedesse imunidade para que depusesse. “Quando nos reunimos com as sobreviventes de Epstein, ficou bem claro, segundo as sobreviventes que Maxwell era uma pessoa muito ruim e que cometeu muitos crimes.”

    De acordo com Comer, na audiência, ela pediu imunidade ao presidente dos EUA, Donald Trump. “Não acho que ela deva receber qualquer tipo de imunidade ou clemência. Mas, obviamente, à medida que mais documentos forem lidos e compreendidos, vamos avaliar a partir daí”, afirmou o republicano.

    Do lado democrata, congressistas criticaram o silêncio de Maxwell. A deputada Jasmine Crockett, do Texas, afirmou que ela e seus colegas de partido vão tentar trazer a cúmplice de Epstein de volta para, de fato, ajudar na investigação.

    “Está muito claro que ela usou essa oportunidade não apenas para fazer campanha por clemência, como vem fazendo, mas também para enviar uma mensagem direta que espera que as pessoas presentes no depoimento transmitam ao presidente dos EUA: a de que o silêncio dela pode ser comprado por meio de clemência”, disse Crockett.

    Os congressistas afirmaram que têm diversas perguntas para Maxwell que não foram respondidas, como quem eram as pessoas envolvidas em tráfico sexual e lavagem de dinheiro e se o presidente dos EUA, Donald Trump, estava envolvido no esquema.
    “Vamos ser claros, Donald Trump não foi apenas citado, como foi citado mais de 38 mil vezes nos arquivos que foram divulgados há duas semanas”, disse a deputada Melanie Stansbury.

    O comitê tem sido palco de disputas entre em torno do caso Epstein e depoimentos, em particular entre o presidente do colegiado e democratas. Na semana passada, o ex-presidente Bill Clinton e ex-secretária de Estado Hillary Clinton exigiram uma audiência pública para esclarecer a relação deles com Epstein -o democrata aparece com o criminoso sexual em fotos divulgadas pelo Departamento de Justiça sobre o caso.

    Tanto ele quanto Hillary foram convocados para audiências no comitê, que investiga as conexões entre Epstein e figuras poderosas nos EUA, mas não compareceram.

    Eles disseram que já tinham fornecido todas as informações que possuem sobre o caso ao Legislativo e classificaram a insistência em tê-los em audiência de algo político.

    Na semana passada, eles haviam concordado em depor após o comitê ter aprovado duas resoluções que recomendavam que o plenário declarasse a dupla culpada por desacato criminal ao Congresso. O crime pode levar a multas de até US$ 100 mil (R$ 532 mil) ou a um ano de prisão.

    PRÓXIMAS AUDIÊNCIAS DO CASO EPSTEIN
    – 18/2: Lex Wexner, cliente de Epstein e ex-CEO da Victorias Secret
    – 26/2: Hillary Clinton, ex-secretaria de Estado dos EUA
    – 27/2: Bill Clinton, ex-presidente dos EUA
    – 11/3: Richard Kahn, contador do Epstein
    – 19/3: Darren Indike, advogado do Epstein

    Cúmplice de Epstein se recusa a responder perguntas em depoimento

  • Veja reações à condenação de símbolo pró-democracia em Hong Kong

    Veja reações à condenação de símbolo pró-democracia em Hong Kong

    “A decisão do Tribunal Superior de Hong Kong de condenar Jimmy Lai a 20 anos é um desfecho injusto e trágico para este caso”, afirmou Marco Rubio, secretário de Estado do governo Donald Trump, em comunicado.

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – Os Estados Unidos, a União Europeia, o Reino Unido e o Canadá criticaram a condenação de Jimmy Lai, 78, magnata da mídia pró-democracia em Hong Kong, a 20 anos de prisão

    “A decisão do Tribunal Superior de Hong Kong de condenar Jimmy Lai a 20 anos é um desfecho injusto e trágico para este caso”, afirmou Marco Rubio, secretário de Estado do governo Donald Trump, em comunicado.

    “Isso demonstra ao mundo que Pequim está disposta a ir a extremos para silenciar aqueles que defendem as liberdades fundamentais”, acrescentou Rubio, que pediu também que Lai seja colocado em “liberdade condicional humanitária”.

    O magnata teve o mais longo julgamento já registrado sob a Lei de Segurança Nacional, imposta pela China em 2020. O empresário foi sentenciado com base na acusação de sedição, além de conluio com forças estrangeiras, crime que prevê prisão perpétua como pena máxima.

    Lai é fundador e dono do jornal pró-democracia Apple Daily, que encerrou suas atividades em 2021 após uma ofensiva das autoridades.

    A União Europeia criticou a decisão nesta segunda-feira (9), chamando-a de perseguição politicamente motivada e afirmando que ela prejudica a reputação de Hong Kong.

    “A UE pede às autoridades de Hong Kong que restaurem a confiança na liberdade de imprensa em Hong Kong, um dos pilares de seu sucesso histórico como centro financeiro internacional, e que parem de processar jornalistas”, afirmou o departamento de política externa da UE em comunicado.

    A ministra das Relações Exteriores do Canadá, Anita Anand, afirmou nesta segunda-feira (9) que o país está decepcionado com a condenação e reforçou o coro de uma libertação imediata por razões humanitárias.

    A China reagiu, dizendo que Lai “merecia ser severamente punido de acordo com a lei”, segundo Lin Jian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores Jian afirmou que os órgãos judiciais de Hong Kong cumpriram suas funções.

    A chanceler britânica Yvette Cooper afirmou que a sentença é efetivamente uma pena de prisão perpétua. “As autoridades de Hong Kong devem encerrar a terrível provação de Jimmy Lai e libertá-lo para que possa estar com sua família”, escreveu na rede social X.

    O magnata tem cidadania britânica, e seu filho apelou ao governo trabalhista de Keir Starmer que faça “muito mais” para garantir a libertação de seu pai idoso.

    “Muito mais precisa ser feito e rapidamente porque, se não, ele vai morrer na prisão”, disse Sebastien Lai, também cidadão britânico, à agência de notícias Reuters em Londres.

    Ele criticou os esforços do primeiro-ministro Keir Starmer para restabelecer as relações de Londres com Pequim e disse que foi um erro Starmer visitar a China no mês passado sem antes exigir que seu pai fosse libertado da prisão.

    “Eu gostaria que o primeiro-ministro fizesse mais”, disse ele. “Não estamos pedindo o mundo. Isso não é algo difícil para eles fazerem.”

    Veja reações à condenação de símbolo pró-democracia em Hong Kong

  • Candidato da ultradireita de Portugal foi o mais votado por eleitores no Brasil

    Candidato da ultradireita de Portugal foi o mais votado por eleitores no Brasil

    Seu nome foi o mais votado entre os portugueses que moram no país e entre os brasileiros com dupla cidadania. Ventura teve ao todo 4.269 votos no Brasil, ou 58,73% do total, contra 3.000 (41,27%) do presidente eleito António José Seguro, um quadro histórico do Partido Socialista.

    JOÃO GABRIEL DE LIMA
    LISBOA, PORTUGAL (CBS NEWS) – Derrotado por margem significativa nas eleições presidenciais -mais de trinta pontos percentuais-, o candidato da ultradireita portuguesa, André Ventura, ganhou um prêmio de consolação no Brasil.

    Seu nome foi o mais votado entre os portugueses que moram no país e entre os brasileiros com dupla cidadania. Ventura teve ao todo 4.269 votos no Brasil, ou 58,73% do total, contra 3.000 (41,27%) do presidente eleito António José Seguro, um quadro histórico do Partido Socialista.

    O Partido Chega, presidido por Ventura, já havia conseguido um bom resultado no Brasil nas eleições parlamentares de 2025. Na ocasião, a legenda de ultradireita obteve 12.930 votos, o que lhe valeu igualmente a primeira posição no país. O resultado do ano passado, no entanto, foi muito mais importante do que a vitória conseguida agora. Ela ajudou o Chega a se tornar o segundo maior partido na Assembleia da República.

    O Parlamento português tem 230 assentos. Quatro deles são ocupados por deputados eleitos por cidadãos portugueses que vivem no estrangeiro. Na votação realizada em terras lusitanas, houve um empate entre o Chega e o Partido Socialista, cada um com 58 deputados.

    A votação obtida no estrangeiro, no entanto, garantiu mais dois deputados à Aliança Democrática -coligação de centro-direita que venceu o pleito e deu a Luís Montenegro o cargo de premiê- e dois ao Chega. Com isso, a legenda que representa a ultradireita portuguesa se tornou a maior da oposição, com 60 deputados, contra 58 do Partido Socialista. Os eleitores brasileiros contribuíram para esse resultado.

    Os 4.269 votos que Ventura recebeu no Brasil nesta eleição presidencial -menos que os 12.930 que o Chega amealhou em 2025- acabam diluídos em meio à massa de cidadãos portugueses com direito a voto: 10,97 milhões, sendo cerca de 15% no estrangeiro. É um número pouco significativo que, ao contrário do que ocorre nas eleições parlamentares, não faz diferença no resultado final.

    Contando-se apenas os residentes no Brasil, o número continua sendo ínfimo. Existem 303.670 cidadãos portugueses ou brasileiros naturalizados aptos a votar na eleição portuguesa, dos quais apenas 7.308 foram às urnas no domingo (8) – 2,41%. Seguro ganhou em apenas um dos dez consulados, o de Porto Alegre. Proporcionalmente, a maior votação de Ventura foi em Belém do Pará, 73,89% dos votos.

    Em números absolutos, Ventura só chegou aos quatro dígitos em São Paulo, com 1.179 votos, ou 58,58%. Mesmo quando representam porcentagens significativas os números são muito pequenos. O segundo consulado com maior proporção de votos para Ventura foi o de Fortaleza, 64,98%. Esse percentual corresponde, no entanto, a apenas 141 votos, insuficientes para eleger um representante na Assembleia de Freguesia (bairro) de Santa Maria Maior, onde se situam várias das principais casas de fado de Lisboa.

    Candidato da ultradireita de Portugal foi o mais votado por eleitores no Brasil

  • Irã sugere aos EUA diluir urânio em troca de fim das sanções

    Irã sugere aos EUA diluir urânio em troca de fim das sanções

    Teerã sinaliza disposição para diluir estoque de urânio enriquecido em troca do fim das sanções, mas desconfiança mútua, pressão militar dos EUA e exigências de Israel dificultam avanço das negociações sobre o programa nuclear iraniano

    IGOR GIELOW – 

    (CBS NEWS) — O Irã apresentou sua primeira proposta pública de concessão nas negociações com os Estados Unidos sobre o programa nuclear do país. A sinalização envolve a diluição do estoque de urânio enriquecido, medida que reduziria o risco de uso militar do material.

    A proposta foi mencionada nesta segunda-feira (9) pelo chefe da Organização de Energia Atômica do Irã, Mohammad Eslami, em conversa com jornalistas em Teerã. Segundo ele, o país estaria disposto a adotar essa medida caso os Estados Unidos suspendam as sanções econômicas impostas à teocracia iraniana.

    Dados da Agência Internacional de Energia Atômica indicam que o Irã possui cerca de 400 quilos de urânio enriquecido a 60%, nível considerado sensível por permitir a produção de armas nucleares de baixo rendimento. Para bombas mais potentes, o enriquecimento costuma ultrapassar 80%.

    A possibilidade de um alívio nas sanções, porém, parece distante. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem adotado postura dura em relação ao Irã e reforçou recentemente o cerco militar ao país. Em 2018, durante seu primeiro mandato, Trump retirou os EUA do acordo nuclear firmado com Teerã, alegando que o regime iraniano descumpria compromissos.

    Desde então, segundo a AIEA, o Irã passou a violar gradualmente os limites do pacto, ultrapassando o que o órgão classificou como “linhas vermelhas”. Israel, principal rival regional do Irã e potência nuclear não declarada, estima que o material acumulado seria suficiente para até 15 ogivas de menor potência.

    No ano passado, Israel e Irã chegaram a se enfrentar em um conflito direto de 12 dias. À época, Trump interveio para negociar um cessar-fogo e autorizou bombardeios contra instalações nucleares iranianas em junho. Agora, o presidente americano volta a ameaçar novas ações, aproveitando um momento de instabilidade interna no país persa, que reprimiu duramente protestos contra o regime em janeiro.

    Enquanto Washington defende o fim completo do programa nuclear iraniano, posição rejeitada por Teerã, Israel vai além e cobra também o desmantelamento da capacidade iraniana de lançar mísseis balísticos, considerados uma ameaça regional apesar do desempenho limitado no último conflito.

    Na sexta-feira (6), Estados Unidos e Irã realizaram, em Omã, a primeira rodada de negociações indiretas desde a guerra. Eslami classificou o encontro como difícil e afirmou que a relação entre os países é marcada por “falta de confiança mútua”. Ainda assim, disse que o Irã permanece aberto ao diálogo e lembrou que instalações não atingidas por ataques americanos em 2025 foram inspecionadas pela AIEA, embora o diretor do órgão, o argentino Rafael Grossi, reclame da falta de acesso total.

    Do ponto de vista técnico, a diluição do urânio enriquecido envolve a adição de material empobrecido, procedimento comum em processos de desmantelamento de arsenais nucleares, quando combustível militar é reaproveitado para uso civil. Reatores de usinas utilizam urânio com enriquecimento entre 3% e 5%, enquanto aplicações médicas e navais demandam níveis mais elevados.

    Paralelamente, a Rússia, aliada de Teerã, apresentou na semana passada uma proposta alternativa para custodiar o estoque de urânio enriquecido fora do território iraniano. Moscou sugeriu retirar o material do país como forma de reduzir tensões e facilitar um eventual acordo.

    Irã sugere aos EUA diluir urânio em troca de fim das sanções

  • Tribunal do Irã condena Nobel da Paz a mais sete anos e meio de prisão

    Tribunal do Irã condena Nobel da Paz a mais sete anos e meio de prisão

    Narges tinha sido detida em 12 de dezembro de 2025 na cidade de Mashhad, no nordeste do país, juntamente com outros ativistas, depois de discursar numa cerimónia em memória de um advogado encontrado morto.

    O advogado de Narges Mohammadi, Prêmio Nobel da Paz 2023, confirmou a nova condenação da ativista iraniana de direitos humanos. É a oitava sentença contra ela em 25 anos de contestação ao regime de Teerã, contra a pena de morte no país e contra o rígido código de vestuário para as mulheres.

    Narges tinha sido detida em 12 de dezembro de 2025 na cidade de Mashhad, no nordeste do país, juntamente com outros ativistas, depois de discursar numa cerimónia em memória de um advogado encontrado morto. 

    “Foi condenada a seis anos de prisão por reunião e conspiração para cometer crimes”, afirmou o seu advogado, Mostafa Nili, numa publicação na rede social X, acrescentando que a ativista também está proibida de sair do país durante dois anos.

     

    Narges Mohammadi, de 53 anos, já tinha sido condenada, em outro processo, a 18 meses de prisão por “atividades de propaganda” e a dois anos de exílio na cidade de Khosf, na província de Khorasan do Sul, no leste do país, explicou o advogado..

    De acordo com a lei iraniana, as penas de prisão não podem ser cumpridas consecutivamente. A última sentença é passível de recurso.

    Mostafa Nili está esperançoso de que a saúde debilitada de Mohammadi, permita que ela seja temporariamente “libertada sob fiança para tratamento médico”.

    Em dezembro de 2024, a Prémio Nobel da Paz foi libertada durante três semanas por motivos médicos relacionados com “a sua condição física após a remoção de um tumor e de um enxerto ósseo”, lembrou o advogado.

    Narges faz greve de fome há uma semana, uma das múltiplas realizadas nas diversas vezes em que foi julgada, condenada e detida pelo seu ativismo. 

    Desta vez, ela reivindica “o direito a fazer um telefonema”, a “ter acesso aos advogados no Irã” e a receber visitas, de acordo com a advogada Chirinne Ardakani, a partir de Paris.

    Pressão sobre a família

    Em janeiro deste ano, a partir da prisão, Narges Mohammadi denunciou uma operação de pressão feita pelas autoridades de Teerã, na casa do seu irmão na cidade iraniana de Mashhad.

    Em comunicado divulgado em 22 de janeiro pela rede X, a fundação com o nome da Prêmio Nobel da Paz disse ter conhecimento de que agentes de segurança invadiram a casa da família, em Mashhad, e realizaram uma busca na residência.

    No texto publicado no perfil da ativista, a fundação afirma que o ataque faz parte da crescente e contínua pressão exercida sobre a família de Narges Mohammadi nos últimos meses.

    A ativista não vê os dois filhos, que vivem em Paris, desde 2015. 

    A última chamada telefônica com a família data de 14 de dezembro. Os familiares foram informados por um prisioneiro libertado de uma greve de fome que era feita por Nardes.

    A última década de Mohammadi foi passada atrás das grades. Mesmo atrás das grades, a Prêmio Nobel não se manteve em silêncio, organizando protestos no pátio da prisão e realizando greves de fome.

    A agência de notícias Efe relatou, no início do ano, citando fontes que não se quiseram se identificar, que a detenção de Narges Mohammadi tem sido marcada por espancamentos e negação de assistência médica, o que, especialmente devido ao seu histórico de problemas cardíacos, colocou a vida dela em grave perigo.

    No mesmo contexto, um dos detidos recentemente libertados do Centro de Detenção de Inteligência de Mashhad descreveu o estado físico de Narges Mohammadi e de seu companheiro, Pouran Nazemi, como “alarmante”.

     

     

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