Categoria: MUNDO

  • Papa Leão lamenta que guerra contra Irã "esteja cada vez pior"

    Papa Leão lamenta que guerra contra Irã "esteja cada vez pior"

    Pontífice critica escalada da violência e alerta para o aumento do sofrimento humano com o conflito. Ele defende solução por meio do diálogo e reforça apelos por cessar-fogo diante do risco de agravamento da crise no Oriente Médio

    O papa Leão XIV voltou a manifestar preocupação com o aumento do teor de animosidade na crescente guerra contra o Irã, repetindo os apelos por um cessar-fogo em meio a relatos de que os Estados Unidos ( EUA) planejam enviar milhares de soldados para o Oriente Médio em um reforço militar.

    Primeiro papa norte-americano, ele lamentou que “o ódio esteja aumentando e a violência ficando cada vez pior”.

    “Quero renovar o apelo por um cessar-fogo, para trabalhar pela paz, mas não com armas — em vez disso, por meio do diálogo, buscando verdadeiramente uma solução para todos”, disse ele aos jornalistas quando deixava sua residência em Castel Gandolfo, na Itália.

     

    “Há mais de 1 milhão de pessoas deslocadas e muitos mortos”, disse o papa. “Convido todas as autoridades a trabalhar verdadeiramente por meio do diálogo para resolver os problemas.”

    Leão, que é conhecido por escolher suas palavras com cuidado, tem aumentado os apelos para o fim da guerra contra o Irã nos últimos dias. No domingo (22), ele disse que o conflito é um “escândalo para toda a família humana”.

     

    Papa Leão lamenta que guerra contra Irã "esteja cada vez pior"

  • Agência nuclear da ONU admite negociações entre EUA e Irã

    Agência nuclear da ONU admite negociações entre EUA e Irã

    Diretor da AIEA diz que guerra pode abrir espaço para diálogo entre Estados Unidos e Irã, apesar de negativas de Teerã. Possíveis negociações no Paquistão devem tratar de programa nuclear, mísseis e exigências mais amplas para um acordo duradouro

    O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, afirmou que há possibilidade de negociações entre Estados Unidos e Irã acontecerem no próximo fim de semana no Paquistão. A avaliação ocorre após, segundo ele, o presidente americano ter adotado um tom mais moderado em relação à guerra no Oriente Médio.

    Em entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera, Grossi disse que já existem contatos em andamento para tentar viabilizar um acordo. Apesar disso, o governo iraniano segue negando qualquer tipo de diálogo com Washington.

    Mesmo com a negativa oficial de Teerã, o chefe da AIEA acredita que as conversas podem ocorrer em Islamabad e incluir temas sensíveis, como o programa nuclear iraniano, o uso de mísseis e as relações do país com grupos aliados na região.

    Grossi destacou que a agência da ONU está disposta a participar das negociações como mediadora. Segundo ele, a AIEA pode atuar como um “interlocutor imparcial e voltado para a paz”.

    Para o diretor, as mais de três semanas de conflito podem ter mudado o cenário diplomático. “Três semanas de guerra deixaram marcas. Causaram muitos danos, paralisando a infraestrutura econômica, energética e produtiva do Irã. Isso pode tornar a conversa diferente”, afirmou.

    Ele também indicou que as negociações devem ir além de acordos pontuais e envolver pontos mais amplos. Entre as possíveis exigências dos Estados Unidos estaria a interrupção total do enriquecimento de urânio por parte do Irã.

    Grossi ressaltou ainda que, apesar dos ataques recentes, as instalações nucleares iranianas não sofreram danos considerados decisivos.

    Desde o início da guerra, a AIEA não mantém presença no território iraniano. Ainda assim, o diretor alertou que os níveis de enriquecimento de urânio continuam sendo motivo de preocupação.

    As declarações ocorrem em meio à oferta do Paquistão para sediar negociações entre os dois países, na tentativa de encerrar o conflito iniciado em 28 de fevereiro. Mesmo assim, o embaixador iraniano no país voltou a afirmar que não há qualquer contato diplomático em andamento com os Estados Unidos.
     

     

    Agência nuclear da ONU admite negociações entre EUA e Irã

  • Irã afirma que a casa do cineasta Abbas Kiarostami foi alvo de bombardeio

    Irã afirma que a casa do cineasta Abbas Kiarostami foi alvo de bombardeio

    Porta-voz do governo iraniano criticou o ataque e questionou a justificativa militar, citando o impacto simbólico sobre a cultura do país. A residência do cineasta, morto em 2016, teria sido atingida durante ofensiva conjunta dos Estados Unidos e de Israel

    SÃO PAULO, SP (UOL/CBS NEWS) – O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou na manhã desta quarta-feira (25) que a casa do cineasta Abbas Kiarostami foi atingida durante o bombardeio conjunto dos Estados Unidos e de Israel.

    “A casa de Kiarostami fazia parte da alegada ‘ameaça iminente’ aos Estados Unidos?”, questionou o porta-voz iraniano no X, antigo Twitter. Abbas Kiarostami conquistou diversos prêmios internacionais, dentre os quais se destacam a Palma de Ouro de 1997, pelo filme Gosto de Cereja, e o Grande Prêmio do Júri do Festival de Veneza de 1999, por O Vento nos Levará.

    Baghaei afirmou que o interesse dos EUA e de Israel é “contra uma cultura, civilização e identidade profundamente enraizadas” no Irã. “A verdade é que esta guerra de caprichos entre americanos e israelenses não é apenas contra um Estado”, escreveu.

    “Nem mesmo sua casa foi poupada das bombas dos agressores americano-israelenses. O Irã, extraindo força dessas mesmas raízes, fará com que seus inimigos se ajoelhem”, completou o porta-voz iraniano.

    Abbas Kiarostami morreu em 4 de julho de 2016, aos 76 anos, em decorrência de um câncer. Sua morte foi anunciada pela agência de notícias oficial do Irã, ISNA. Ele foi diagnosticado com câncer gastrointestinal em março de 2016 e estava em Paris para tratamento.

    Irã afirma que a casa do cineasta Abbas Kiarostami foi alvo de bombardeio

  • Primeira-ministra dinamarquesa se demite horas após vencer eleições

    Primeira-ministra dinamarquesa se demite horas após vencer eleições

    Mette Frederiksen não alcançou maioria no Parlamento e abriu caminho para negociações que podem redefinir o comando do governo. Resultado apertado reflete desgaste político e cenário incerto no país

    A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, anunciou sua renúncia nesta quarta-feira, poucas horas depois de vencer as eleições legislativas por uma margem apertada e sem garantir maioria no Parlamento.

    A coalizão de esquerda liderada por Frederiksen conquistou cerca de 48% dos votos, o que a obriga a negociar com partidos de centro para tentar formar governo.

    Segundo informações divulgadas pelo Palácio Real, a premiê formalizou a renúncia junto ao rei, dando início a um novo processo político no país. A partir de agora, começam as negociações para definir quem terá apoio suficiente para liderar o próximo governo, podendo ser a própria Frederiksen ou outro nome.

    A eleição havia sido antecipada por decisão da primeira-ministra, que convocou o pleito meses antes do prazo previsto. A estratégia buscava fortalecer sua posição após a postura firme diante da crise envolvendo a Groenlândia e os Estados Unidos.

    Apesar da vitória, o governo enfrentou desgaste ao longo do segundo mandato, principalmente por causa do aumento do custo de vida. Temas como pensões e a proposta de taxação de grandes fortunas também marcaram o debate eleitoral.

    Frederiksen, de 48 anos, é uma liderança de centro-esquerda conhecida pelo apoio à Ucrânia e por adotar uma política mais rígida em relação à imigração. Durante a campanha, chegou a defender medidas mais duras, incluindo a possibilidade de restringir pedidos de asilo e ampliar o controle sobre estrangeiros em situação irregular.

    Entre as propostas apresentadas, está a deportação de imigrantes condenados a penas de pelo menos um ano por crimes graves.

    O governo liderado por Frederiksen também ficou marcado por reunir partidos de diferentes espectros políticos, algo incomum no país nas últimas décadas.

    Primeira-ministra dinamarquesa se demite horas após vencer eleições

  • Nascimento raro de gêmeos gorilas surpreende parque na África; veja

    Nascimento raro de gêmeos gorilas surpreende parque na África; veja

    Dois filhotes de gorilas-da-montanha nasceram no Parque Nacional de Virunga, em um evento considerado extremamente raro. Caso reforça avanços na conservação de uma das espécies mais ameaçadas do mundo, que ainda enfrenta alto risco de extinção

    Um novo nascimento raro chamou atenção no Parque Nacional de Virunga, na República Democrática do Congo. Dois filhotes de gorilas-da-montanha, uma das espécies mais ameaçadas do mundo, nasceram recentemente, formando mais um caso de gêmeos no local.

    Esse já é o segundo nascimento de gêmeos registrado em poucos meses, algo considerado extremamente incomum. Os filhotes, um macho e uma fêmea, fazem parte da família Baraka, um grupo com 19 gorilas.

    Os bebês foram encontrados por guardas do parque e passaram a ser monitorados de perto, já que os primeiros meses de vida são os mais delicados. Gêmeos dessa espécie representam apenas cerca de 1% dos nascimentos e enfrentam altos riscos de mortalidade.

    Em janeiro, outro caso semelhante já havia sido registrado no parque. Os filhotes daquela ocasião, da fêmea Machuko, hoje têm cerca de 11 semanas e seguem se desenvolvendo bem.

    Para os especialistas, dois nascimentos de gêmeos em um intervalo tão curto são um sinal positivo. “Dois casos de nascimento de gêmeos em três meses é um evento extraordinário e nos dá um indicador vital de que os esforços de conservação continuam ajudando no crescimento da população de gorilas-da-montanha”, afirmou Jacques Katutu, responsável pelo monitoramento da espécie.

    Há poucas décadas, a situação era crítica. Na década de 1970, restavam cerca de 250 gorilas-da-montanha no mundo. Hoje, graças a ações de preservação, a população já ultrapassa mil indivíduos, embora a espécie ainda seja considerada em risco de extinção.

    Veja o vídeo acima.

    Nascimento raro de gêmeos gorilas surpreende parque na África; veja

  • EUA envia ao Irã plano de paz com 15 pontos para encerrar a guerra

    EUA envia ao Irã plano de paz com 15 pontos para encerrar a guerra

    Proposta com 15 pontos prevê fim do programa nuclear militar, abandono de apoio a grupos armados e abertura do Estreito de Ormuz. Em troca, Washington ofereceria suspensão de sanções e apoio ao programa nuclear civil iraniano.

    Os Estados Unidos apresentaram ao Irã um plano com 15 pontos para encerrar o conflito, que inclui exigências como a entrega de todo o combustível nuclear enriquecido e a manutenção do Estreito de Ormuz aberto. A informação foi divulgada por veículos como o New York Times e o canal israelense Channel 12.

    Segundo as reportagens, a proposta foi enviada ao governo iraniano por meio do Paquistão, país que mantém relações diplomáticas com ambos os lados.

    De acordo com fontes ouvidas pelo Channel 12, os negociadores americanos, o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner, genro de Donald Trump, sugerem um cessar-fogo de um mês, período em que o Irã avaliaria os termos apresentados.

    Os primeiros pontos do plano tratam do programa nuclear iraniano. Entre as exigências estão a renúncia ao desenvolvimento de armas nucleares, a entrega de todo o urânio enriquecido em uma data acordada e o desmantelamento de instalações nucleares consideradas estratégicas.

    O documento também prevê que o Irã interrompa o apoio a grupos armados na região, como Hezbollah e Hamas, além de impor limites à quantidade de mísseis e ao alcance desses armamentos.

    Outro ponto central é a garantia de que o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, permaneça aberto à navegação internacional.

    Em contrapartida, o plano prevê o fim das sanções internacionais contra o Irã e apoio ao desenvolvimento de seu programa nuclear para fins civis.

    A Casa Branca e o Departamento de Estado não confirmaram oficialmente o conteúdo das propostas.

    O plano não menciona mudança de regime no Irã, alvo de ataques militares de Estados Unidos e Israel desde 28 de fevereiro.

    Paralelamente, a Organização Marítima Internacional informou ter recebido garantias do Irã de que embarcações “não hostis” poderão atravessar o Estreito de Ormuz com segurança, desde que respeitem as normas vigentes.

    “Os navios não hostis podem, desde que não participem em atos de agressão contra o Irã nem os apoiem e que cumpram integralmente as regras de segurança e proteção em vigor, beneficiar de uma passagem segura pelo Estreito de Ormuz”, diz o documento divulgado pelo governo iraniano.

    O conflito teve início após ataques coordenados de Estados Unidos e Israel contra o território iraniano, justificados pela falta de avanços nas negociações sobre o programa nuclear de Teerã.

    Em resposta, o Irã fechou o Estreito de Ormuz e lançou ofensivas contra Israel, bases americanas e infraestruturas em países do Oriente Médio.

    Desde então, o número de mortos segue em disputa. Autoridades iranianas falam em mais de 1.300 vítimas, enquanto a organização HRANA estima mais de 3.200 mortos, incluindo civis, militares e pessoas não identificadas.

    EUA envia ao Irã plano de paz com 15 pontos para encerrar a guerra

  • Ataques devastam hospitais no Irã e deixam rastro de destruição

    Ataques devastam hospitais no Irã e deixam rastro de destruição

    Ofensiva de EUA e Israel já atingiu mais de 280 unidades de saúde, ambulâncias e centros de resgate. Conflito acumula milhares de mortos e destrói infraestrutura civil em larga escala, segundo autoridades iranianas e organizações independentes

    Mais de 280 unidades de saúde e 94 ambulâncias foram atingidas no Irã desde o início da ofensiva militar conduzida por Estados Unidos e Israel, iniciada em 28 de fevereiro. A informação foi divulgada nesta terça-feira pelo Crescente Vermelho iraniano.

    Segundo o presidente da entidade, Pirhossein Kolivand, ao todo mais de 82 mil infraestruturas civis já foram danificadas ou destruídas pelos bombardeios.

    Entre os alvos atingidos estão 281 instalações de saúde, incluindo hospitais, clínicas e farmácias, além de 17 centros do próprio Crescente Vermelho e dezenas de veículos de resgate.

    O número de mortos também segue em divergência. De acordo com autoridades iranianas, mais de 1.500 pessoas morreram desde o início da ofensiva. Já a organização Human Rights Activists in Iran estima que o total de vítimas fatais ultrapasse 3.000.

    O conflito começou em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel realizaram ataques coordenados contra o território iraniano.

    Desde então, o Irã respondeu com o lançamento de mísseis e drones contra Israel e alvos estratégicos na região, além de manter o bloqueio do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.

    Ataques devastam hospitais no Irã e deixam rastro de destruição

  • China pressiona por paz e cobra diálogo imediato no conflito com o Irã

    China pressiona por paz e cobra diálogo imediato no conflito com o Irã

    Em ligação com chanceler iraniano, Wang Yi defende negociações urgentes e critica uso da força. Pequim reforça apoio à soberania dos países, pede cessar-fogo e alerta para riscos ao comércio global, especialmente no Estreito de Ormuz

    O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, defendeu a retomada do diálogo para encerrar a guerra envolvendo o Irã e iniciar negociações de paz “o mais rapidamente possível”. O posicionamento foi feito durante uma conversa telefônica com o chanceler iraniano, Abbas Araghchi.

    Segundo a agência estatal chinesa Xinhua, Araghchi atualizou Pequim sobre os desdobramentos mais recentes do conflito durante a ligação, realizada na terça-feira.

    Wang Yi afirmou que todas as questões devem ser resolvidas por meio do diálogo e da negociação, e não pelo uso da força. “Isso atende aos interesses do Irã e do seu povo e reflete o desejo comum da comunidade internacional”, declarou.

    O chanceler chinês também destacou que o país manterá uma postura “objetiva e imparcial”, defendendo o cessar-fogo, a paz e o respeito à soberania das nações. Ele reiterou a oposição da China a qualquer “violação da soberania” de outros países.

    Por sua vez, Araghchi agradeceu o apoio humanitário oferecido pela China e afirmou que a população iraniana está “mais unida na resistência à agressão estrangeira e na defesa da independência e soberania do país”.

    O representante iraniano ressaltou ainda que Teerã busca o fim definitivo do conflito, e não apenas uma trégua temporária. Ele também afirmou que o Estreito de Ormuz segue “aberto a todos”, garantindo a passagem segura de navios, exceto os de países em guerra com o Irã.

    Esta foi a segunda conversa entre os dois chanceleres desde o início da guerra, no fim de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o território iraniano, seguidos por ofensivas de resposta por parte de Teerã na região do Golfo.

    O contato ocorre após a missão do enviado especial da China para o Oriente Médio, Zhai Jun, que visitou países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Kuwait, Catar e Egito, além de manter diálogo com o Conselho de Cooperação do Golfo e a Liga Árabe.

    Principal parceiro comercial do Irã e maior comprador de seu petróleo, a China tem condenado os ataques ao país, ao mesmo tempo em que defende o respeito à soberania das nações do Golfo, com as quais mantém relações próximas.

    Pequim também reforçou a necessidade de garantir a segurança das rotas marítimas, especialmente porque cerca de 45% do petróleo importado pelo país passa pelo Estreito de Ormuz.
     
     

    China pressiona por paz e cobra diálogo imediato no conflito com o Irã

  • Argentinos lotam praça de Maio e criticam Milei em ato relembrando 50 anos do golpe militar

    Argentinos lotam praça de Maio e criticam Milei em ato relembrando 50 anos do golpe militar

    A praça de Maio, onde mães de desaparecidos durante a ditadura se reuniam para dar voltas na pirâmide em frente à sede do governo, mais uma vez se tornou palco do Dia da Memória

    BUENOS AIRES, ARGENTINA (CBS NEWS) – Bolívar, Defensa, Reconquista e San Martín -ruas que prestam homenagem a personalidades, locais e passagens da história argentina e que circundam a Casa Rosada se encheram de manifestantes na tarde desta terça-feira (24) em recordação aos 50 anos do golpe militar.

    A praça de Maio, onde mães de desaparecidos durante a ditadura se reuniam para dar voltas na pirâmide em frente à sede do governo, mais uma vez se tornou palco do Dia da Memória.

    O ato, conhecido pelos argentinos como 24M, sempre costuma reunir manifestantes de diferentes grupos políticos e sociais, mas em 2026 teve um peso histórico ainda maior: a marca de 50 anos do golpe que começou em 24 de março de 1976 e que novamente foi relativizado pelo governo do presidente Javier Milei nesta terça.

    Pais carregavam crianças em seus ombros acompanhando a marcha das Mães e Avós da Praça da Maio. Idosos e estudantes se espremiam para chegar até a praça, e a multidão fazia coro para canções de Charly García e Mercedes Sosa. Gritos de protesto, como “são 30 mil desaparecidos, todos presentes”, eram comuns.

    Conforme a manifestação avançava, a praça e a avenida de Maio se encheram de pessoas carregando retratos de desaparecidos durante o período ditatorial. Mesmo após o fim oficial do ato, muitos manifestantes continuavam se dirigindo até a Casa Rosada.

    A marcha também relembrou vítimas brasileiras da ditadura argentina em um ato organizado pela agrupação peronista La Campora, o Núcleo do PT na Argentina e convidados internacionais. Um dos homenageados foi o músico Francisco Tenório Cerqueira Júnior, sequestrado em março de 1976.

    Adversários, como o ex-prefeito de Buenos Aires Horacio Rodríguez Larreta e o ex-ministro da Economia e derrotado nas eleições de 2023, Sergio Massa, condenaram os atos cometidos na última ditadura. Na calçada, políticos dividiram espaço com intelectuais e artistas argentinos.

    Por volta das 15h, a avenida de Maio estava cheia de pessoas que se moviam lentamente, acompanhadas por tambores e alegria. Os cafés estavam lotados e as filas aumentavam.

    Um manifestante segurava um retrato do personagem principal de “O Eternauta”, história em quadrinhos e que recentemente virou uma série da Netflix, e cujo autor, Héctor Oesterheld, e suas quatro filhas estão entre as vítimas do regime.

    Ao passar pela multidão, uma bandeira branca e azul com os rostos dos desaparecidos trouxe um momento de silêncio seguido de palmas e cantos protestando contra os responsáveis pelos crimes.

    Rebatendo falas de Milei que questionam o número de desaparecidos, as organizações de direitos humanos ressaltaram que 30 mil pessoas sumiram, exigindo esclarecimentos do governo.

    Um documento lido durante o ato, assinado pelas Avós e Mães da Praça de Maio e outras entidades de defesa da memória do período, pediu justiça e reafirmou que “a memória é defendida pela luta”.

    Mais cedo, a Casa Rosada divulgou um vídeo em que o governo volta a relativizar ditadura e faz acusações à esquerda. O governo defende a visão de “memória completa”, com relatos de vítimas da ditadura e também de organizações terroristas da época.

    Ao contrário de presidentes que o precederam desde a volta da democracia em 1983, o governo ultraliberal de Milei tem insistindo na chamada “teoria dos dois demônios”, que equipara a última ditadura aos grupos que a combatiam.

    As organizações reunidas na praça de Maio criticaram a postura do governo de minimizar o número de desaparecidos, denunciando a situação e afirmando que “não esquecemos, não perdoamos e não nos reconciliamos”.

    Durante a ditadura argentina, crianças eram tiradas de seus pais -muitas vezes militantes presos pela repressão- e entregues a outras famílias. Até agora, as Avós da Praça de Maio recuperaram 140 netos e ajudaram na condenação de mais de 50 apropriadores de bebês.

    A presidente das Avós da Praça de Maio e referência na luta pelos direitos humanos no país, Estela de Carlotto, afirmou que “o plano sistemático de roubo de bebês ainda persiste” enquanto a busca ativa por “quase 300 homens e mulheres com identidades alteradas” permanece.

    O discurso final do ato relacionou a aliança entre governos de direita da região e os Estados Unidos, afirmando que a última ditadura na Argentina instituiu um novo modelo econômico prejudicial ao desenvolvimento e à organização popular.

    Argentinos lotam praça de Maio e criticam Milei em ato relembrando 50 anos do golpe militar

  • Boca de urna na Dinamarca mostra vitória apertada de primeira-ministra

    Boca de urna na Dinamarca mostra vitória apertada de primeira-ministra

    Confirmadas projeções, Frederiksen dependerá de centrista para compor um terceiro gabinete; bem-estar de animais e contaminação de água superam Groenlândia nos debates da campanha

    BERLIM, ALEMANHA (CBS NEWS) – O Partido Social-Democrata de Mette Frederiksen venceu de forma apertada a eleição parlamentar na Dinamarca, nesta terça-feira (24), segundo pesquisas boca de urna. Tão apertada que ainda não está claro se o desempenho será suficiente para manter no cargo a primeira-ministra, uma das figuras mais importantes do atual cenário político europeu.

    De acordo com os principais levantamentos, a sigla de Frederiksen obteve de 19% a 21% dos votos, o pior resultado do partido de raízes trabalhistas desde 1901. A vitória amarga deixa o futuro de Frederiksen na mão dos Moderados, legenda do ministro de Relações Exteriores, Lars Løkke Rasmussen, que alcançou de 7,9% a 8,2% dos votos.

    O político, que já foi premiê do país por dois períodos, declarou na véspera do pleito que não almeja o cargo, mas que trabalhará pela melhor coalizão de governo.

    Pelas primeiras projeções, o bloco que reúne os partidos de esquerda e centro-esquerda, sociais-democratas incluídos, alcançariam 83 das 179 cadeiras no Folketing, o Parlamento dinamarquês. Tampouco o bloco à direita, com 78 cadeiras, chegaria perto da maioria (90).

    Em qualquer situação, as 14 cadeiras previstas para os Moderados tornam Rasmussen peça fundamental em qualquer negociação de coalizão. “É ele quem ditará o ritmo agora. Ainda acho que Frederiksen continuará a primeira-ministra, mas sem dúvida estará enfraquecida no cargo”, afirma à Folha Lykke Friis, diretora do think tank dinamarquês Europa.

    “Não será um problema para ela compor com os Moderados, já fez isso em 2022”, diz a cientista política. “Mas tudo vai depender dos resultados finais e das negociações.”

    Segundo Friis, o fato de Frederiksen ter chamado eleições após um pico de popularidade proporcionado pelas ameaças de Donald Trump sobre a Groenlândia não foi um movimento especulativo. “Ela teria que fazê-lo até outubro e sabe-se lá o que poderia acontecer nesse meio tempo.”

    Apesar de ser o principal assunto a atrair atenção internacional ao país europeu de 6 milhões de habitantes, a Groenlândia foi superada largamente por questões domésticas durante a campanha. O bem-estar animal na criação de suínos e a contaminação da água potável por fertilizantes deixaram as bravatas de Trump e a guerra da Ucrânia para trás.

    Cenário bem diferente do visto em Nuuk. “Penso que é a eleição dinamarquesa mais importante da história da Groenlândia”, declarou à agência AFP Jens-Frederik Nielsen, primeiro-ministro da ilha, território autônomo que pertence ao Reino da Dinamarca.

    Dos 179 assentos do Parlamento em Copenhague, dois são decididos pelos groenlandeses e dois pelos habitantes das Ilhas Faroe. Para Nielsen, a situação do território “ainda é muito séria”.

    Em aceno aos eleitores de esquerda, frustrados com a última coalizão que montou, com Moderados e também o Partido Liberal, Frederiksen atrelou sua campanha à taxação de 0,5% do patrimônio privado acima de R$ 20 milhões para bancar reformas sociais, irritando parceiros de coalizão. Prometeu ainda estudar a flexibilização da idade de aposentadoria, 70 anos a partir de 2040, uma das mais altas entre os países da União Europeia.

    Com 12 partidos e uma cláusula de barreira de 2%, obter maioria não é tarefa fácil no sistema político dinamarquês. Desde a reforma política de 1973, apenas 2 dos 23 governos formados não foram conduzidos por coalizões minoritárias, algo que, ao contrário do que ocorre com frequência em outros países europeus, não prejudica a governabilidade.

    Apesar do histórico, Friis não se mostra muito otimista. “Está cada vez mais difícil montar governos. A ver o que como Frederiksen e Rasmussen se sairão desta vez.”

    As negociações para a montagem do novo gabinete devem consumir semanas.

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