Categoria: MUNDO

  • Países recusam ajuda a Trump no estreito de Hormuz; Irã ataca oleoduto

    Países recusam ajuda a Trump no estreito de Hormuz; Irã ataca oleoduto

    Países europeus rejeitam pedido de Donald Trump para enviar navios de guerra ao Estreito de Hormuz. Enquanto aliados evitam envolvimento direto, tensões no Oriente Médio continuam afetando o comércio global de petróleo e ampliando riscos para a economia mundial

    IGOR GIELOW (CBS NEWS) – O apelo feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que outros países enviem navios de guerra ao Estreito de Hormuz, com o objetivo de escoltar petroleiros na região, não teve adesão imediata.

    Nesta segunda-feira (16), governos do Reino Unido, Alemanha, Itália, Grécia e Austrália rejeitaram a proposta. Japão e Coreia do Sul afirmaram que ainda analisam a possibilidade de participar de uma missão desse tipo.

    No sábado (14), Trump havia defendido em sua rede social, a Truth Social, que seria do interesse de países como China, França, Japão e Coreia do Sul manter aberta a passagem estratégica por onde circula cerca de um quinto da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito.

    Desde o início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, há pouco mais de duas semanas, a principal estratégia iraniana tem sido provocar instabilidade no mercado global de petróleo. A interrupção parcial da circulação no estreito obrigou diversos países a recorrerem a reservas emergenciais de energia.

    A expectativa de Teerã é que a pressão econômica internacional leve o mundo a exigir o fim do conflito, garantindo a sobrevivência do regime islâmico. No entanto, com a campanha aérea contra o país em andamento, o resultado ainda é incerto.

    Sem obter resposta ao longo do fim de semana, Trump elevou o tom. Em entrevista ao jornal Financial Times no domingo (15), afirmou que a falta de apoio europeu “será muito ruim para o futuro da Otan”.

    Os Estados Unidos lideram a aliança militar criada em 1949, formada também pelo Canadá e por cerca de 30 países europeus. Desde seu primeiro mandato, entre 2017 e 2021, Trump tem pressionado aliados da organização, argumentando que eles dependem excessivamente de Washington para sua segurança.

    No ano passado, o presidente americano já havia transferido aos europeus grande parte da responsabilidade pelo apoio à Ucrânia na guerra contra a Rússia. Na ocasião, suspendeu o envio direto de dinheiro e armas a Kiev, passando a fornecer equipamentos por meio de compras feitas pela Otan em estoques militares americanos.

    No atual conflito com o Irã, Trump atua praticamente isolado ao lado do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu. Diversos países europeus criticaram a ofensiva militar, defendendo que a diplomacia seria o melhor caminho para lidar com Teerã.

    Apesar disso, o agravamento da crise energética global pressiona os governos europeus. Para evitar uma disparada ainda maior no preço do petróleo, os Estados Unidos chegaram a flexibilizar parcialmente sanções sobre o petróleo russo, que financia a guerra conduzida por Vladimir Putin.

    Trump também tenta envolver a China no cenário. O país asiático é rival estratégico de Washington e responsável pela compra de grande parte do petróleo iraniano.

    Na sexta-feira (13), forças americanas atacaram a ilha de Kharg, um dos principais centros de produção de petróleo do Irã. Os terminais de exportação, no entanto, não foram destruídos. Posteriormente, Trump afirmou que poderia atingir essas estruturas “só por diversão”.

    Na entrevista ao Financial Times, o presidente americano também sugeriu que poderia adiar uma visita prevista para o próximo mês ao líder chinês Xi Jinping. Nesta segunda-feira, o governo de Pequim afirmou que ainda considera válida a agenda inicialmente planejada.

    Enquanto isso, o Irã também tenta administrar o conflito. Logo após o início da guerra, o país anunciou o fechamento do Estreito de Hormuz e iniciou ataques contra navios e instalações petrolíferas de países árabes da região.

    Nos últimos dias, o discurso iraniano mudou. Autoridades passaram a afirmar que o estreito estaria fechado apenas para Estados Unidos, Israel e seus aliados.

    “Do nosso ponto de vista, o estreito está aberto”, afirmou nesta segunda-feira o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi.

    Como gesto de aparente normalidade, Teerã permitiu a passagem de um petroleiro paquistanês transportando petróleo dos Emirados Árabes Unidos. De acordo com o sistema de monitoramento marítimo Marine Traffic, o navio Karachi concluiu a travessia no domingo e chegou nesta segunda-feira à costa de Omã.

    Apesar disso, o Irã mantém ataques com mísseis e drones em diferentes pontos do Oriente Médio. Também nesta segunda-feira, um bombardeio atingiu o terminal petrolífero de Fujairah, um dos sete emirados que compõem os Emirados Árabes Unidos.

    O porto tem importância estratégica porque recebe o único oleoduto do país que contorna o Estreito de Hormuz, transportando petróleo dos campos de Habshan, em Abu Dhabi. Após o ataque, as operações de embarque foram suspensas.

    Os Emirados Árabes Unidos têm sido um dos principais alvos da retaliação iraniana, registrando mais ataques do que Israel. Nesta segunda-feira, o aeroporto de Dubai, um dos mais movimentados do mundo em tempos de paz, foi fechado após um drone iraniano explodir um tanque de combustível próximo ao terminal.

    Países recusam ajuda a Trump no estreito de Hormuz; Irã ataca oleoduto

  • Austrália e Japão descartam enviar navios ao Estreito de Ormuz

    Austrália e Japão descartam enviar navios ao Estreito de Ormuz

    Aliados dos Estados Unidos afirmaram que não planejam participar de uma operação naval na região, mesmo após pedido de Donald Trump. A passagem estratégica, por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial, permanece praticamente fechada em meio à escalada do conflito no Oriente Médio

    A Austrália e o Japão informaram que não pretendem enviar navios de guerra para o Estreito de Ormuz, depois de o presidente dos Estados Unidos pedir apoio de países aliados para garantir a segurança da rota marítima estratégica.

    “Não enviaremos nenhum navio para o Estreito de Ormuz. Sabemos o quanto isso é extremamente importante, mas não é algo que nos tenha sido solicitado nem para o qual estejamos contribuindo”, afirmou a ministra australiana dos Transportes, Catherine King, em entrevista à emissora pública ABC.

    O governo japonês também indicou que, neste momento, não prevê realizar uma operação de segurança marítima na região. “Diante da situação atual no Irã, não temos a intenção de ordenar uma operação de segurança marítima”, declarou o ministro da Defesa do Japão, Shinjiro Koizumi, durante sessão no Parlamento.

    O Irã já havia advertido que qualquer participação de outros países no conflito poderia ampliar ainda mais a guerra que tem elevado a tensão no Oriente Médio e provocado alta nos preços do petróleo.

    A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, afirmou que uma operação de segurança marítima no estreito seria “extremamente difícil do ponto de vista jurídico”.

    O envio das Forças de Autodefesa japonesas ao exterior continua sendo um tema politicamente sensível no país, que mantém uma postura oficialmente pacifista. Muitos eleitores ainda defendem os princípios da Constituição de 1947, imposta pelos Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial, que estabelece a renúncia do Japão à guerra.

    Takayuki Kobayashi, responsável pela estratégia política do Partido Liberal Democrata (PLD), partido da primeira-ministra, declarou no domingo que o nível de exigência política para que Tóquio envie navios de guerra ao Golfo Pérsico é “extremamente elevado”.

    Quarta maior economia do mundo, o Japão é o quinto maior importador global de petróleo. Cerca de 95% do petróleo consumido no país vem do Oriente Médio, e aproximadamente 70% desse volume passa pelo Estreito de Ormuz, que está praticamente fechado desde o início do conflito.

    No domingo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que pediu a diversos países — incluindo aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) — que enviem navios de guerra para o Estreito de Ormuz com o objetivo de manter aberta e segura a rota por onde passa cerca de 20% do petróleo transportado diariamente no mundo.

    O pedido ocorreu após o novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, anunciar que a passagem permanecerá fechada.

    “É apropriado que aqueles que se beneficiam do estreito ajudem a garantir que nada de ruim aconteça ali”, disse Trump em entrevista ao jornal Financial Times, destacando que Europa e China dependem do petróleo do Golfo.

    “Se não houver resposta, ou se a resposta for negativa, acho que será muito ruim para o futuro da Otan”, acrescentou.

    Em publicação na rede Truth Social, Trump também afirmou esperar que China, França, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido e outros países afetados pela restrição enviem navios para a região.

    “Acredito que a China também deveria ajudar, porque obtém 90% do seu petróleo através do estreito”, escreveu.

    O presidente norte-americano sugeriu ainda que gostaria de ver esse apoio antes de sua visita a Pequim. No entanto, também indicou que a viagem oficial à China, prevista para o final do mês, pode ser adiada, o que também adiaria o encontro com o presidente chinês, Xi Jinping.
     
     

    Austrália e Japão descartam enviar navios ao Estreito de Ormuz

  • Líder supremo do Irã pode estar em Moscou após ataque, dizem fontes

    Líder supremo do Irã pode estar em Moscou após ataque, dizem fontes

    Rumores sobre o estado de saúde de Mojtaba Khamenei aumentaram após relatos de que ele teria sido levado à Rússia para uma cirurgia. O novo líder iraniano não apareceu em público desde que assumiu o cargo após a morte do pai.

    Nomeado líder supremo do Irã em 8 de março, Mojtaba Khamenei, de 56 anos, tornou-se alvo de especulações sobre seu estado de saúde. Desde que assumiu o posto após a morte do pai, Ali Khamenei, rumores sobre sua condição física têm circulado com intensidade, principalmente depois que ele divulgou seu primeiro pronunciamento oficial sem aparecer em vídeo.

    Relatos indicam que Mojtaba teria ficado ferido em um ataque realizado pelos Estados Unidos em 28 de fevereiro, o mesmo bombardeio que matou seu pai e a esposa dele. A gravidade das lesões ainda não é conhecida com precisão.

    Inicialmente surgiram boatos de que ele teria morrido. Em seguida, passaram a circular versões afirmando que estaria em coma. Outras alegações mencionam amputação de uma perna ou desfiguração. Embora nenhuma dessas informações tenha sido confirmada oficialmente, todas apontam para a possibilidade de ferimentos graves.

    Neste fim de semana, surgiram novas informações indicando que Mojtaba Khamenei teria sido levado às pressas para Moscou para receber tratamento médico. Segundo o jornal kuwaitiano Al-Jarida, o líder iraniano teria sido transportado em um avião militar russo e submetido a uma cirurgia em um dos palácios ligados ao presidente Vladimir Putin.

    O jornal afirma que a operação teria sido bem-sucedida, citando uma fonte considerada próxima ao novo líder supremo. De acordo com essa mesma fonte, as lesões exigiam tratamento especializado, o que teria levado o próprio presidente russo a sugerir que Mojtaba fosse tratado na Rússia durante uma conversa telefônica ocorrida na quinta-feira. A transferência teria sido realizada no mesmo dia.

    Apesar dessas informações, não há confirmação oficial sobre o local onde o líder iraniano se encontra atualmente.

    Incerteza sobre o paradeiro

    Uma semana após sua nomeação como líder supremo, o paradeiro de Mojtaba Khamenei ainda não foi esclarecido. Ele não apareceu em público nem em vídeos oficiais, tendo divulgado apenas um discurso.

    Na semana passada, Yousef Pezeshkian, filho do presidente iraniano, afirmou que o novo líder está “seguro”, embora tenha ficado ferido no ataque que matou seu pai.

    Segundo fontes próximas ao governo iraniano, Khamenei teria sofrido ferimentos nas pernas, mas permanece consciente e protegido em um local altamente seguro, com comunicação limitada.

    Mesmo assim, os detalhes sobre a extensão dos ferimentos e sua condição atual permanecem pouco claros.

    Quem é Mojtaba Khamenei
    Mojtaba Khamenei nasceu na cidade de Mashhad cerca de dez anos antes da Revolução Islâmica de 1979. Apesar de nunca ter ocupado cargos formais no governo, era considerado há anos um dos principais nomes para suceder o pai no comando do regime iraniano.

    Conhecido por atuar nos bastidores da política iraniana, ele também participou da Guerra Irã-Iraque na década de 1980, integrando o batalhão Habib ibn Mazahir, ligado à Guarda Revolucionária. Muitos integrantes dessa unidade posteriormente assumiram funções nos serviços de inteligência do país.

    Com a chegada de Ali Khamenei ao posto de líder supremo em 1989, a família passou a ter acesso a uma rede de recursos financeiros e ativos ligados a empresas e setores estratégicos da economia iraniana.

    Documentos diplomáticos dos Estados Unidos divulgados pelo Wikileaks descrevem Mojtaba como “o poder por trás da cortina”. Segundo esses relatórios, ele teria construído uma forte base de influência dentro da estrutura de poder do país.

    Um telegrama diplomático norte-americano de 2008 afirmava que Mojtaba Khamenei era visto dentro do regime como um gestor determinado e um possível futuro líder nacional, avaliação que, segundo o documento, também poderia ser compartilhada por seu próprio pai.
     

     
     

    Líder supremo do Irã pode estar em Moscou após ataque, dizem fontes

  • Ataques de Israel no Líbano já deixam 850 mortos desde março

    Ataques de Israel no Líbano já deixam 850 mortos desde março

    Novo balanço do Ministério da Saúde libanês indica aumento no número de vítimas, incluindo crianças, mulheres e profissionais de saúde. Na Faixa de Gaza, um ataque aéreo israelense também matou oito policiais, apesar do cessar-fogo em vigor desde outubro de 2025

    Os ataques aéreos de Israel no Líbano deixaram 850 mortos desde 2 de março, incluindo 107 crianças, informou nesta segunda-feira o Ministério da Saúde libanês em um novo balanço.

    O número anterior, divulgado no sábado, indicava 826 vítimas. Entre os mortos também estão 66 mulheres e 32 profissionais de saúde, segundo o ministério, que acrescentou que 2.105 pessoas ficaram feridas nas duas semanas de confrontos.

    Enquanto isso, na Faixa de Gaza, um hospital informou que oito policiais morreram nesta segunda-feira após um ataque aéreo israelense atingir o veículo em que eles estavam, na região central do território, apesar do cessar-fogo que entrou em vigor em 10 de outubro de 2025 entre Israel e o Hamas.

    “Oito mártires foram recebidos após um ataque a um veículo policial na cidade de Al-Zawaida, na região central”, informou o Hospital Al-Aqsa, localizado em Deir el-Balah, no centro da Faixa de Gaza.

    O Ministério do Interior de Gaza, controlado pelo Hamas, confirmou o número de mortos e afirmou que todas as vítimas eram policiais, incluindo o chefe da polícia da região central do território, o coronel Iyad Abu Yousdef.

    Ataques de Israel no Líbano já deixam 850 mortos desde março

  • Irã discute guerra com França e alerta para risco de escalada

    Irã discute guerra com França e alerta para risco de escalada

    Durante ligação telefônica, o ministro iraniano Abbas Araghchi afirmou que é preciso evitar ações que ampliem a tensão na região. Teerã também alertou que a entrada de novos países no conflito pode provocar uma escalada ainda maior da guerra

    O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, conversou por telefone neste domingo (15) com o chanceler da França, Jean-Noël Barrot, para discutir a escalada do conflito no Oriente Médio envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel.

    Durante a conversa, o representante iraniano afirmou que é necessário evitar ações que possam ampliar ainda mais a tensão na região. Segundo a agência iraniana Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária Islâmica, Araghchi também responsabilizou os Estados Unidos e Israel pela atual instabilidade no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo.

    O chanceler iraniano também defendeu que a comunidade internacional adote uma postura responsável diante do conflito e condene o que classificou como ataques contra o Irã.

    Ainda neste domingo, o governo iraniano alertou que a entrada de novos países no conflito pode provocar uma escalada ainda maior da guerra no Oriente Médio.

    A declaração ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pedir apoio internacional para garantir a segurança no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo transportado no mundo.

     

    O bloqueio da passagem pelo Irã provocou forte alta nos preços do petróleo e aumentou preocupações com possíveis impactos na economia global.

    Em entrevista à emissora norte-americana NBC News, Trump afirmou que acredita que o Irã deseja negociar, mas indicou que os Estados Unidos continuarão com sua ofensiva.

    “O Irã quer fechar um acordo, mas eu não quero fazê-lo agora, porque as condições ainda não são boas o suficiente”, disse o presidente.

    Por outro lado, Araghchi afirmou que Teerã não vê motivos para retomar negociações com Washington.

    “Não vemos razão para conversar com os americanos, pois já estávamos em diálogo quando decidiram nos atacar”, declarou o chanceler iraniano em entrevista à emissora CBS.
     
     

     

    Irã discute guerra com França e alerta para risco de escalada

  • Netanyahu ironiza boatos sobre morte e diz estar “mortinho por café”

    Netanyahu ironiza boatos sobre morte e diz estar “mortinho por café”

    Após rumores divulgados por veículos estatais do Irã sobre sua suposta morte, o primeiro-ministro de Israel publicou um vídeo gravado perto de Jerusalém. Nas imagens, ele faz piada com a situação e diz que está “mortinho por um café”.

    O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, divulgou neste domingo um vídeo no qual ironiza os rumores que circularam no Irã sobre sua suposta morte. Nas imagens, ele aparece dizendo que está “mortinho por um café”.

    A gravação, feita nos arredores de Jerusalém, teve a autenticidade verificada pela agência Reuters. No vídeo, Netanyahu conversa com um assessor que menciona os boatos sobre sua morte. Em resposta, o premiê faz um trocadilho.

    Segurando uma xícara, ele afirma que está “mortinho por um café” e acrescenta que também está “louco” pelo povo israelense.

    De acordo com a Reuters, os rumores de que Netanyahu estaria ferido ou morto foram divulgados por veículos de comunicação estatais do Irã.

    A tensão no Oriente Médio aumentou nas últimas duas semanas, após Estados Unidos e Israel lançarem uma operação conjunta contra o Irã. Teerã respondeu imediatamente, ampliando o conflito na região.

    A escalada afetou vários países vizinhos e levou muitas pessoas a retornarem aos seus países de origem. Para Portugal, centenas de cidadãos regressaram, em meio a voos cancelados e atrasos.

    Durante os ataques contra o Irã, o líder supremo do país, Ali Khamenei, morreu. O cargo foi assumido por seu filho, Mojtaba Khamenei. Até agora, porém, o novo líder não apareceu publicamente: seu único pronunciamento foi transmitido pela televisão estatal iraniana, o que levantou dúvidas sobre seu estado de saúde. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que ainda não há provas de vida do sucessor.

    Netanyahu ironiza boatos sobre morte e diz estar “mortinho por café”

  • Mais de três mil iranianos foram mortos nos bombardeamentos

    Mais de três mil iranianos foram mortos nos bombardeamentos

    Pelo menos 3.040 pessoas, na maioria civis, morreram em resultado dos ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã desde 28 de fevereiro, segundo dados divulgados hoje pela organização iraniana de direitos humanos HRANA.

    O número inclui 1.319 civis, dos quais 206 eram menores de idade, além de 1.122 militares, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos (HRANA), sediada nos Estados Unidos. A organização utiliza relatórios oficiais de autoridades de saúde, emergência e defesa civil, além de outras fontes no Irã.

    Outras 599 mortes foram confirmadas pela organização, mas as identidades das vítimas ainda não puderam ser determinadas.

    Do total, segundo a HRANA, 21 pessoas morreram nas últimas 24 horas, todas civis — incluindo um menor — em 285 ataques registrados em 18 das 31 províncias iranianas.

    Pela primeira vez em 16 dias de bombardeios, Teerã não lidera a lista das províncias mais atingidas e aparece em segundo lugar, atrás da província de Isfahan, no centro do país, onde no sábado as autoridades locais registraram 15 mortos em um ataque contra um centro industrial.

    Os últimos números divulgados pelo Ministério da Saúde do Irã indicam 1.200 mortos e cerca de 10 mil feridos.

    A HRANA foi uma das organizações que procurou medir com precisão a dimensão da repressão violenta aos protestos antigovernamentais na República Islâmica do Irã ao longo de janeiro.

    No mês passado, a entidade informou que pelo menos 7.002 pessoas morreram ou desapareceram durante as manifestações, número baseado em casos confirmados pela organização — mais que o dobro dos 3.117 reconhecidos oficialmente — além de mais de 50 mil detidos.

    A onda de protestos começou em 28 de dezembro, em Teerã, com comerciantes e setores econômicos afetados pela queda do rial, a moeda nacional, e pela alta inflação, espalhando-se posteriormente por centenas de cidades do país.

    Após a revolta popular contra a teocracia de Teerã, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu aos manifestantes iranianos que a ajuda estava “a caminho”.

    Desde a ofensiva conjunta com Israel, Trump tem sido mais cauteloso quanto ao objetivo de mudança de regime e, assim como o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, tem repetido que os ataques militares buscam criar condições para que os iranianos se levantem contra as autoridades do país.

    O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou hoje que o país “não vê motivos para negociar” com os Estados Unidos, após Trump ter indicado que Teerã deseja um acordo para encerrar a guerra.

    O presidente norte-americano voltou a descartar no sábado a possibilidade de um acordo neste momento.

    “O Irã quer fazer um acordo, e eu não quero, porque os termos do acordo ainda não são suficientemente bons”, declarou em entrevista à emissora NBC.

    O Irã rejeitou até agora qualquer discussão para estabelecer um cessar-fogo no conflito, que se espalhou pela região e reacendeu a guerra no Líbano, depois que o grupo xiita Hezbollah entrou no conflito em apoio ao seu aliado em Teerã e iniciou ataques contra Israel.

    Em resposta à ofensiva iniciada em 28 de fevereiro, o Irã lançou ataques com mísseis e drones contra Israel e países vizinhos, mirando especialmente bases militares e interesses norte-americanos, além de infraestruturas econômicas, sobretudo no setor de energia.

    Ao mesmo tempo, colocou sob ameaça militar o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, o que fez o preço do barril subir para cerca de 100 dólares.

    Na sexta-feira, alguns dos principais líderes do regime iraniano marcharam no centro de Teerã em desafio aos ataques israelo-americanos, mas o novo líder supremo não apareceu.

    Mojtaba Khamenei teria sido ferido, segundo diversos relatos de fontes ligadas ao regime iraniano, no mesmo bombardeio que matou seu pai e antecessor, Ali Khamenei, e não é visto em público há vários dias.

    O chefe da diplomacia de Teerã afirmou no sábado que “não há qualquer problema” com Mojtaba Khamenei, que “está cumprindo seus deveres de acordo com a Constituição e continuará a fazê-lo”.

    Mais de três mil iranianos foram mortos nos bombardeamentos

  • Chanceler do Irã diz que líder supremo está com 'excelente saúde'

    Chanceler do Irã diz que líder supremo está com 'excelente saúde'

    Araghchi disse que o aiatolá Mojtaba Khamenei está bem e mantém o controle da situação, apesar de rumores sobre ferimentos. “Ele está com excelente saúde, está no controle e presente em seu posto. A mensagem de quinta-feira foi muito forte. O momento de mensagens em vídeo ou de aparecer diretamente ao povo é uma decisão dele”, afirmou o ministro ao jornal Al-Araby Al-Jadeed.

    SÃO PAULO, SP (UOL/CBS NEWS) – O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o líder supremo do país está com ‘excelente saúde’ e segue no comando do país em meio à guerra. Afirmação foi dada em entrevista ao Al-Araby Al-Jadeed.

    Araghchi disse que o aiatolá Mojtaba Khamenei está bem e mantém o controle da situação, apesar de rumores sobre ferimentos. “Ele está com excelente saúde, está no controle e presente em seu posto. A mensagem de quinta-feira foi muito forte. O momento de mensagens em vídeo ou de aparecer diretamente ao povo é uma decisão dele”, afirmou o ministro ao jornal Al-Araby Al-Jadeed.

    Neste sábado (14), o chanceler já havia negado que Mojtaba Khamenei esteja “desfigurado”. Em entrevista ao canal de notícias norte-americano MS Now, Araghchi também admitiu que o Irã tem recebido a ajuda militar da China e da Rússia.

    Ministro afirmou que o país funciona sob lógica de guerra e tentou afastar dúvidas sobre a estabilidade do regime. “O país está em guerra e deve ser administrado com a lógica de um tempo de guerra, mas o que é certo é que não apenas a liderança, mas todas as instituições do Estado estão totalmente estáveis em seus lugares, e tudo está sob controle”, disse.

    Araghchi também afirmou que o formato e o momento de eventuais aparições públicas do líder dependem de avaliação interna. Ele disse que a condução do país segue “a lógica do tempo de guerra”, sem detalhar quando haveria novo pronunciamento.
    Mojtaba foi nomeado oficialmente no último dia 8 de março. Ele substitui o pai, Ali Khamenei, morto em ataque coordenado dos EUA e Israel em 28 de abril

    POR QUE A SAÚDE DO LÍDER VIROU TEMA

    Especulações cresceram após o líder supremo não aparecer em público desde a nomeação, no início de março. A ausência de imagens e discursos alimentou dúvidas sobre o estado de saúde do líder.

    Autoridades iranianas afirmam que o novo líder se feriu no primeiro ataque dos EUA e Israel ao país. O filho do presidente iraniano, Yousef Pezeshkian, disse em sua conta no Telegram que Mojtaba está “são e salvo”. Por outro lado, o governo Trump chegou a afirmar que Mojtaba está “desfigurado”, com diversas fraturas.

    Teerã disse que Mojtaba segue invisível ao público para garantir sua segurança. Regime iraniano tanta evitar rastreamento inimigo, após ameaças dos EUA e Israel de matarem o novo escolhido.

    EUA oferecem R$ 52 milhões por informações sobre líder supremo do IrãPrimeira mensagem do líder supremo à nação foi publicada nas redes sociais e lida pela TV estatal no dia 12 de março. No texto, ele lamentou a morte do pai e antecessor, pediu para países vizinhos fecharem bases americanas em seus territórios, anunciou que o Estreito de Hormuz, que tem gerado crise no mercado global de petróleo, deve continuar fechado.

    A NOMEAÇÃO

    O aiatolá disse ter ficado sabendo sobre sua eleição com surpresa. “Seu servo, Seyyed Mojtaba Hosseini Khamenei, soube do resultado da votação da Assembleia de Peritos ao mesmo tempo que você, através da televisão da República Islâmica”, escreveu.

    Mojtaba Khamenei é o segundo filho de Ali Khamenei, morto em 20 de fevereiro. O ataque aéreo contra um complexo em Teerã, coordenado por EUA e Israel no primeiro dia da guerra, matou também a esposa de Ali Khamenei, Mansoureh Khojasteh, a filha, o genro e o neto do líder supremo.

    Recluso e linha dura, ele é um clérigo iraniano com pouca presença pública, mas com influência nos bastidores do regime. Nascido em 1969, na cidade de Mashhad, ele estudou teologia e passou boa parte da vida ligado ao centro de poder da República Islâmica, sem ocupar cargos estatais formais.

    Ele ocupou posições fortes dentro do escritório do pai. Ao longo das últimas décadas, Mojtaba atuou como um dos principais articuladores das decisões do líder supremo e foi visto como uma figura que, nos bastidores, ajudava a consolidar o poder de Ali Khamenei.

    Escolha do sucessor foi feita pela Assembleia dos Especialistas, composta por 88 clérigos. Não há eleição popular, e o grupo pode decidir por um novo líder supremo único ou manter um conselho permanente, embora a primeira opção seja a mais provável.

    O líder supremo concentra poderes religioso e de Estado. Desde a Revolução de 1979, a Constituição define que o posto fica acima do presidente e do Parlamento na tomada de decisões.

    A autoridade máxima tem a palavra final em temas estratégicos. O líder supremo comanda as Forças Armadas, declara guerra ou paz, define a política externa e nomeia chefes do Judiciário e da mídia estatal.

    O presidente Masoud Pezeshkian, por sua vez, toca a administração do dia a dia. Eleito pelo voto popular, ele cuida da economia e de políticas públicas, mas atua sob supervisão do líder em áreas como defesa e diplomacia.

    Guarda Revolucionária parabenizou Khamenei pela nomeação. “Um novo amanhecer e uma nova fase para a revolução e para o governo da República Islâmica”, escreveu a corporação. O novo líder supremo é descrito como próximo da IRGC e analistas apontam que sua influência cresceu por meio de relações profundas com guarda e com grupos de segurança ligados ao regime.

    Chanceler do Irã diz que líder supremo está com 'excelente saúde'

  • Taiwan detecta 26 aeronaves militares chinesas nas imediações da ilha

    Taiwan detecta 26 aeronaves militares chinesas nas imediações da ilha

    A República de Taiwan detectou 26 aeronaves militares chinesas a operar nas imediações da ilha nas últimas 24 horas, das quais 16 cruzaram a linha média do Estreito de Taiwan, anunciou hoje o Ministério da Defesa Nacional de Taiwan.

    De acordo com o boletim diário divulgado pelo Ministério da Defesa Nacional da República da China, citado pela agência de notícias EFE, as incursões ocorreram entre 6h de sexta-feira (19h em Brasília de quinta-feira) e 6h de sábado (19h em Brasília de sexta-feira).

    Nesse período, também foi detectada a presença de sete navios de guerra chineses em águas próximas da ilha de Taiwan.

    Do total de aeronaves registradas, 16 cruzaram a linha média do Estreito de Taiwan, uma fronteira não oficial que durante décadas funcionou como uma linha de separação tácita entre os dois lados, e entraram em áreas ao norte, centro e sudoeste da Zona de Identificação de Defesa Aérea (ADIZ) de Taiwan.

    Diante desses movimentos, as Forças Armadas de Taiwan mobilizaram caças, navios da Marinha e sistemas de mísseis terrestres para acompanhar a situação e responder caso fosse necessário, informou o ministério.

    Este é o maior número de aeronaves chinesas detectadas por Taiwan desde 25 de fevereiro, quando o Ministério da Defesa da ilha informou sobre a presença de 30 aeronaves no que China descreveu na época como uma “patrulha conjunta de preparação para combate”.

    Entre o fim de fevereiro e o início de março, Taiwan registrou uma atividade aérea chinesa muito menor do que o habitual, com vários dias sem relatos de incursões.

    A China considera Taiwan uma de suas províncias, cuja soberania não reconhece, enquanto o governo taiwanês afirma que a ilha é um território autônomo com sistema político e militar próprios. Nos últimos anos, Pequim aumentou a pressão militar ao redor de Taiwan, enviando quase diariamente aviões e navios de guerra para as proximidades da ilha — uma estratégia que Taipé denuncia como parte de uma campanha de intimidação destinada a desgastar suas forças armadas e reforçar as reivindicações territoriais chinesas.

    Taiwan detecta 26 aeronaves militares chinesas nas imediações da ilha

  • Ataques de Israel matam 10 adultos e quatro crianças no Líbano

    Ataques de Israel matam 10 adultos e quatro crianças no Líbano

    Pelo menos 14 pessoas, entre as quais quatro menores, morreram numa série de ataques israelenses contra várias localidades do Líbano, informou hoje a Agência Nacional de Notícias libanesa (NNA), citando as autoridades de saúde.

    Sete pessoas morreram em um ataque de Israel contra um bairro da cidade de Nabatieh, no sul do Líbano, incluindo quatro crianças, de acordo com dados do Centro de Operações de Emergência do Ministério da Saúde.

    O ataque também deixou cinco feridos, informou a Agência Nacional de Notícias do Líbano (NNA), citada pela agência espanhola EFE.

    Posteriormente, quatro pessoas morreram e duas ficaram feridas em um ataque na cidade de Sidon, enquanto outras três perderam a vida em um bombardeio contra a localidade de Al Qatrani, também no sul do país.

    O grupo xiita libanês Hezbollah arrastou o Líbano para a guerra no Oriente Médio em 2 de março, quando lançou mísseis contra Israel para vingar Ali Khamenei, líder iraniano morto no primeiro dia da ofensiva israelo-americana contra Teerã.

    Desde então, os bombardeios de Israel contra o Líbano causaram pelo menos 826 mortes e mais de 800 mil deslocados, segundo um balanço divulgado no sábado pelas autoridades libanesas.

    Aeronaves israelenses lançaram na sexta-feira panfletos em diferentes bairros de Beirute pedindo o desarmamento do grupo xiita, que paralelamente tem realizado ataques diários de alcance limitado contra o norte de Israel.

    Nos folhetos — uma manobra relativamente comum para ameaçar a população das zonas de fronteira, mas sem precedentes recentes na capital — Israel acusou o Hezbollah de agir como um escudo do Irã.

    Israel também pediu aos libaneses que exijam estabilidade para o Líbano.

    O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, visitou Beirute na sexta-feira e no sábado em solidariedade ao povo libanês, que, segundo ele, foi arrastado para a guerra sem desejar, em referência à intervenção do Hezbollah contra Israel.

    “Minha mensagem às partes em conflito é clara: parem os confrontos, parem os bombardeios. Não há solução militar. Apenas diplomacia, diálogo e a aplicação integral da Carta das Nações Unidas e das resoluções do Conselho de Segurança”, afirmou em Beirute.

    O atual conflito no Líbano, embora tenha antecedentes, faz parte da guerra em curso no Oriente Médio desencadeada pela ofensiva que os Estados Unidos e Israel lançaram contra o Irã em 28 de fevereiro.

    Teerã respondeu com ataques contra países da região, sobretudo contra bases norte-americanas, além de bombardeios em Israel.

    O Líbano é o segundo país com mais mortes nessa guerra, depois do Irã, onde mais de 1.200 pessoas morreram, segundo um balanço que ainda não foi atualizado pelas autoridades iranianas.

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