Categoria: MUNDO

  • EUA planejam estabelecer uma base da CIA na Venezuela, diz site

    EUA planejam estabelecer uma base da CIA na Venezuela, diz site

    No domingo (25), Delcy disse que não quer mais ordens dos Estados Unidos. “Chega de ordens de Washington sobre políticos na Venezuela. Que seja a política venezuelana quem resolva nossas divergências e nossos conflitos internos. Chega de potências estrangeiras”, afirmou ela

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – Os Estados Unidos planejam estabelecer uma base permanente da CIA, a agência de espionagem americana, na Venezuela, segundo uma reportagem da CNN americana publicada nesta terça-feira (27), que ouviu funcionários familiarizados com o assunto.

    A movimentação ocorre na esteira de uma operação das Forças Armadas dos EUA que capturou o ditador Nicolás Maduro e o levou para Nova York para enfrentar acusações de tráfico de drogas. Desde então, o regime tem sido comandado por Delcy Rodríguez.

    A líder interina foi apoiada pelo governo Donald Trump por ser vista como uma figura capaz de conduzir um processo de estabilização da economia venezuelana. Desde então, houve uma reaproximação entre Washington e Caracas, com negociações para impulsionar a indústria petrolífera do país latino-americano, que detém as maiores reservas de petróleo do mundo, mas cuja infraestrutura está deteriorada.

    Segundo a reportagem da CNN, a CIA deve liderar, por ora, os planos de Trump de exercer influência sobre o futuro do país. Funcionários da agência e do Departamento de Estado têm discutido como será a presença americana no país a curto e a longo prazo.

    Embora o Departamento de Estado deva assumir o papel de principal representante diplomático no futuro, funcionários relataram à CNN que os EUA já querem implementar uma espécie de escritório da CIA.

    O papel da agência é visto como fundamental neste primeiro momento, devido à questão da transição política e do cenário ainda instável, do ponto de vista da segurança, após a queda de Maduro.

    Ou seja, antes da abertura de uma embaixada oficial, que já é avaliada pelo governo, os americanos devem atuar a partir de uma estrutura operacional da CIA, em um modelo semelhante ao adotado pela agência na Ucrânia.

    A estratégia permitiria o início de contatos informais com diferentes membros do regime venezuelano, lideranças da oposição, além de mapear figuras que poderiam representar uma potencial ameaça.

    A CIA não respondeu a um pedido de comentário da CNN.

    Já houve uma aproximação pública neste sentido. No último dia 15, Delcy recebeu o diretor da CIA, John Ratcliffe, em Caracas, marcando a visita oficial mais importante de um funcionário americano desde a captura de Maduro.

    Trump pediu que Ratcliffe transmitisse a mensagem de que os EUA esperam uma relação de trabalho melhorada, segundo um funcionário ouvido pela Reuters na época. Eles discutiram cooperação de inteligência e estabilidade econômica.

    Delcy tem adotado uma postura morde-e-assopra em relação aos EUA. Ela tem variado entre uma retórica de enfrentamento a Washington, voltada para sua base de apoio interna, e um tom mais conciliatório com Trump, direcionado à comunidade internacional.

    No domingo (25), Delcy disse que não quer mais ordens dos Estados Unidos. “Chega de ordens de Washington sobre políticos na Venezuela. Que seja a política venezuelana quem resolva nossas divergências e nossos conflitos internos. Chega de potências estrangeiras”, afirmou ela em uma mensagem a petroleiros no estado de Anzoátegui, no norte do país.

    Delcy era a número dois do regime de Maduro. Desde então, a Venezuela tem aberto canais de diálogo em meio à pressão americana, e a líder foi convidada pelo governo Trump para visitar Washington, embora ainda não haja data para a reunião, segundo a Casa Branca.

    EUA planejam estabelecer uma base da CIA na Venezuela, diz site

  • Menino de 13 anos é morto na Espanha, e confissão levanta dúvidas

    Menino de 13 anos é morto na Espanha, e confissão levanta dúvidas

    Um homem se apresentou à polícia dizendo ter matado o amigo do filho após um suposto surto, mas investigadores apuram versões contraditórias, incluindo a possibilidade de que o próprio adolescente esteja envolvido no crime ocorrido em Sueca, na região de Valência

    Um adolescente de 13 anos foi morto neste fim de semana na cidade de Sueca, na Espanha, em um caso que vem ganhando novos contornos à medida que a investigação avança. A polícia trabalha agora para esclarecer versões contraditórias e hipóteses levantadas desde a confissão inicial.

    A vítima é Álex, de 13 anos, jogador de futebol do clube local Promeses Sueca. Na tarde do crime, depois de disputar uma partida pelo time, por volta das 15h, o garoto foi até a casa de um amigo da mesma idade para jogar videogame e usar o computador.

    Por volta das 18h30 do sábado, dia 24 de janeiro, o pai do amigo de Álex se apresentou espontaneamente a agentes da Guardia Civil, com as mãos sujas de sangue, afirmando ser o autor do homicídio. Antes disso, segundo o jornal El Mundo, ele havia deixado o próprio filho na casa dos avós.

    A confissão fez supor, inicialmente, que o caso teria uma resolução simples. No entanto, as circunstâncias da morte levantaram dúvidas e levaram as autoridades a aprofundar as investigações.

    De acordo com o relato inicial, Álex foi esfaqueado dentro do banheiro da residência. O homem, identificado como Juan Francisco, disse ter cometido o crime em um momento de descontrole. Apesar disso, investigadores analisam com cautela a veracidade dessa versão.

    Descrito por moradores como uma pessoa tranquila e respeitada na comunidade, Juan Francisco não corresponde ao perfil esperado para um crime dessa natureza, o que alimentou especulações de que o próprio filho possa ter se envolvido em uma briga com o amigo. Uma das hipóteses consideradas é que o pai tenha assumido a culpa para proteger o menor, após um possível desentendimento entre os dois adolescentes durante o jogo.

    Uma autópsia foi realizada nesta segunda-feira, mas os resultados ainda não foram divulgados. A polícia apreendeu uma faca que pode ter sido usada no crime e o objeto passa por exames de DNA.

    Álex vestia a camisa número 40 do time infantil de Sueca e era capitão da equipe. A morte do jovem causou grande comoção na cidade. O clube e a comunidade organizaram homenagens no campo de futebol local, e protocolos de apoio psicológico foram acionados na escola onde o adolescente estudava, para atender colegas e amigos.

    A prefeitura decretou dois dias de luto oficial e suspendeu todas as atividades municipais nesse período. A prefeita informou que as duas famílias são naturais de Sueca e que os meninos eram colegas de escola.
     
     

     

    Menino de 13 anos é morto na Espanha, e confissão levanta dúvidas

  • Portugal precisará de 1,3 milhão de trabalhadores para sustentar pensões

    Portugal precisará de 1,3 milhão de trabalhadores para sustentar pensões

    Estudo aponta que o envelhecimento da população e a saída de trabalhadores para a reforma exigirão um reforço expressivo da mão de obra ativa nos próximos anos. Imigrantes já têm papel central nas contribuições, mas entraves à integração ameaçam o equilíbrio futuro da Segurança Social.

    Portugal precisará de 1,3 milhão de novos trabalhadores até 2030 para garantir o equilíbrio financeiro da Segurança Social, segundo um estudo desenvolvido pelo Centro de Formação Prepara Portugal, com base em dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (Aima), da Pordata e do próprio sistema previdencial. A investigação parte de um indicador central da sustentabilidade das pensões, que é o equilíbrio entre quem trabalha e quem já está reformado. 

    Estudos atuariais e relatórios de referência apontam que Portugal precisa aproximar-se de um patamar de dois trabalhadores e meio no ativo por cada pensionista para assegurar o financiamento regular das pensões nas próximas décadas. Atualmente, esse rácio situa-se em torno de 1,7 trabalhador por reformado.

    O cenário evidencia um desafio estrutural para o país e tem sido analisado de forma continuada por Higor Cerqueira, criador e diretor pedagógico da instituição, reconhecido pelo seu trabalho junto da comunidade imigrante e pela leitura técnica dos impactos da mobilidade internacional na economia nacional. 

    “Com base nos registos oficiais, o estudo estima que, para atingir esse equilíbrio até 2030, seria necessário um reforço acumulado entre 1,2 e 1,3 milhões de trabalhadores ativos líquidos. Em termos estruturais, este volume corresponde à necessidade de compensar a saída de cerca de 500 mil pessoas para a reforma, num país marcado pelo envelhecimento da população”, explica Cerqueira que, em março, comanda o Estrela do Atlântico, prêmio que valoriza iniciativas de imigrantes na Europa. 

    As investigações, coordenadas pelo formador Pedro Stob no âmbito do curso de Análise de Dados e TI Aplicada à Gestão, recorrem a séries estatísticas públicas, abrangendo o período entre 2010 e 2025.

    Os indicadores mostram ainda que o número de imigrantes residentes no país passou de cerca de 430 mil em 2010 para mais de 1,5 milhões em 2024. Tão relevante quanto o crescimento absoluto é a composição etária desta população. Cerca de 85% dos imigrantes encontram-se em idade ativa, entre os 18 e os 64 anos. A taxa de emprego desta população atingiu 67% em 2025, segundo dados do INE e da Segurança Social, aproximando-se da taxa de emprego dos nacionais, que se situa em torno dos 72% no mesmo período.

    Este reforço da população ativa tem impacto direto no sistema de proteção social. Portugal apresenta atualmente uma taxa de dependência de idosos superior a 37%, ainda de acordo com o Instituto Nacional de Estatística, o que significa que existe um número crescente de pensionistas para cada trabalhador ativo.

    “Um cenário de rutura entre contribuintes e pensionistas ocorre quando o volume de contribuições arrecadadas deixa de ser suficiente para assegurar o pagamento regular das pensões, obrigando o Estado a recorrer, de forma continuada, a transferências do Orçamento do Estado, ao aumento de impostos ou à redução das prestações”, alerta o diretor pedagógico.

    Pedro Stob acrescenta que o estudo permite quantificar esta pressão de forma objetiva. Cada variação de 0,1 neste equilíbrio entre ativos e pensionistas corresponde, na prática, à necessidade de mais 150 mil a 170 mil pessoas a trabalhar e a descontar. “Em termos simples, pequenas alterações demográficas traduzem-se rapidamente em dezenas de milhares de novos contribuintes necessários para manter o equilíbrio financeiro da Segurança Social”, pontua o formador. 

    Entre 2010 e 2025, a participação dos trabalhadores imigrantes na base de contribuições da Segurança Social em Portugal mais que duplicou, de cerca de 3%, para uma projeção de 6% do total. Em termos absolutos, os números confirmam esta tendência e mostram que, em 2024, as contribuições dos estrangeiros ultrapassaram os 3,6 mil milhões de euros, representando mais de 12% do total arrecadado pelo regime contributivo, com um saldo líquido positivo face às prestações recebidas pelos imigrantes.

    Apesar destes indicadores, o estudo alerta para um risco estrutural. A demora no reconhecimento de qualificações académicas e profissionais, na validação de competências adquiridas no estrangeiro e nos processos administrativos associados à obtenção e renovação da residência legal tem levado muitos trabalhadores a procurar outros países europeus, reduzindo a capacidade de Portugal de reter capital humano que contribua para a economia e para o sistema social.

    Para Higor Cerqueira, este é o ponto central do debate atual. “A questão que Portugal precisa de enfrentar é quantas pessoas conseguem efetivamente trabalhar, contribuir e permanecer. Quando um profissional qualificado fica meses ou anos impedido de exercer, existe um custo direto para a economia e para a Segurança Social, porque essas contribuições deixam de existir”, afirma.

    Ele sublinha que a integração eficaz passa, além de políticas públicas mais céleres, pelo acesso à informação e formação alinhada com as necessidades reais do mercado de trabalho. 

    “O Prepara Portugal atua precisamente neste cruzamento entre análise de dados, capacitação técnica e experiência prática de quem vive diariamente o processo migratório em Portugal”, destaca.

    Portugal precisará de 1,3 milhão de trabalhadores para sustentar pensões

  • Tempestade coloca localidade da Sicília (literalmente) à beira do abismo

    Tempestade coloca localidade da Sicília (literalmente) à beira do abismo

    Chuvas intensas causadas pela tempestade Harry provocaram o colapso de uma encosta em Niscemi, no sul da Itália, destruíram casas, forçaram a retirada de mais de mil moradores e colocaram autoridades em alerta máximo diante do risco de novos deslizamentos e danos estruturais

    Um deslizamento de terra provocado pelas chuvas intensas da tempestade Harry causou o colapso de uma encosta na Sicília, no sul da Itália, destruindo diversas casas e deixando mais de mil pessoas fora de suas residências.

    A situação levou as autoridades locais a decretarem alerta máximo. O fenômeno atingiu o município de Niscemi, onde uma grande faixa de terreno cedeu após vários dias de chuva intensa, forçando a retirada de cerca de mil moradores.

    “Temos uma frente de deslizamento com pelo menos quatro quilômetros de extensão, que continua avançando”, afirmou o prefeito de Niscemi, Massimiliano Conti, em declarações à imprensa local. Segundo ele, será delimitada uma “zona vermelha” onde as famílias não poderão retornar às casas por tempo indeterminado.

    Imagens divulgadas pela mídia italiana mostram prédios à beira de um precipício, com estruturas parcialmente suspensas após o colapso de uma ampla área do solo. Os moradores retirados da região foram levados provisoriamente para um ginásio municipal.

     

    Danos na Sicília

    A Sicília vem sendo fortemente afetada nesta semana por eventos climáticos extremos. De acordo com o governador da região, Renato Schifani, a combinação de ventos intensos, chuvas torrenciais e tempestades já provocou prejuízos estimados em cerca de 1,5 bilhão de euros apenas na ilha.

    “Foi um evento extraordinário, que colocou de joelhos uma das principais áreas de turismo e hospitalidade da Sicília, a região de Taormina”, afirmou Schifani. Segundo o governador, há preocupação com o possível colapso de estruturas turísticas em uma área considerada fundamental para o Produto Interno Bruto do setor turístico da região.

    Tempestade coloca localidade da Sicília (literalmente) à beira do abismo

  • Chefe anti-imigração de Trump deixa Minneapolis após morte enfermeiro

    Chefe anti-imigração de Trump deixa Minneapolis após morte enfermeiro

    A saída de Gregory Bovino ocorre após a morte do enfermeiro Alex Pretti, baleado durante uma operação federal de imigração. O caso gerou críticas às autoridades, protestos contra o governo Trump e levou à redução da presença de agentes federais em Minneapolis

    Gregory Bovino, comandante da Patrulha de Fronteira dos Estados Unidos e um dos principais nomes das operações federais de imigração em Minneapolis, deixará o cargo de “comandante em missão especial” e será realocado. A informação foi confirmada por fontes ouvidas pela Reuters e pelo The New York Times nesta segunda-feira (26).

    A decisão ocorre após a morte do enfermeiro Alex Pretti, de 37 anos, baleado por um agente federal durante uma ação de imigração em Minneapolis. O caso aconteceu apenas duas semanas depois da morte de outra cidadã americana, também registrada durante uma operação na mesma região, o que ampliou a pressão política e social sobre o governo.

    Bovino ganhou projeção nacional durante o governo de Donald Trump, ao ascender a cargos de comando em meio ao endurecimento da política de deportações. Antes de chegar a Minneapolis, ele coordenou operações controversas em cidades como Los Angeles e Chicago, tornando-se um rosto público da repressão migratória.

    Após a morte de Pretti, a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, afirmou que o enfermeiro representava uma ameaça aos agentes. Bovino endossou essa versão e chegou a declarar, sem apresentar provas, que Pretti pretendia promover um “massacre” contra policiais. Segundo o New York Times, essas declarações foram determinantes para a decisão de afastá-lo da função em Minneapolis.

    Ainda de acordo com o jornal, parte dos agentes federais destacados para a cidade deve começar a deixar a região a partir desta terça-feira (27). Já a revista The Atlantic informou que Bovino deve retornar a um posto anterior na Califórnia, onde estaria próximo da aposentadoria. A Casa Branca, porém, negou que ele tenha sido removido de suas funções e afirmou que o agente continua sendo uma “peça fundamental” da equipe de Trump.

    A morte de Alex Pretti desencadeou uma onda de protestos contra o governo e contra as operações anti-imigração nos Estados Unidos. As ações foram alvo de críticas inclusive de grupos tradicionalmente alinhados ao presidente, como associações pró-armas, ampliando o desgaste político em torno da atuação federal em Minneapolis.
     

     
     

    Chefe anti-imigração de Trump deixa Minneapolis após morte enfermeiro

  • Surto do vírus Nipah põe Índia em alerta e preocupa autoridades da Ásia

    Surto do vírus Nipah põe Índia em alerta e preocupa autoridades da Ásia

    Autoridades confirmam dois casos da doença e colocam 190 pessoas em quarentena; Hong Kong e Macau reforçam controles sanitários, enquanto a OMS alerta para alta taxa de mortalidade e ausência de vacina ou tratamento específico.

    Um novo surto do vírus Nipah colocou as autoridades de saúde da Índia em estado de alerta epidemiológico. Até o momento, dois casos foram confirmados e cerca de 190 pessoas estão em quarentena, segundo informações oficiais. A situação também levou outros governos asiáticos a reforçarem medidas de vigilância sanitária para viajantes que passaram pelo país.

    Diante do avanço do surto, o governo de Hong Kong anunciou nesta segunda-feira (26) o endurecimento dos controles em aeroportos. Em comunicado, o diretor do Serviço de Proteção da Saúde, Edwin Tsui Lok Kin, informou que equipes foram mobilizadas para realizar medição de temperatura nos portões de desembarque, avaliar passageiros com sintomas e encaminhar casos suspeitos para hospitais, quando houver risco à saúde pública.

    As autoridades de saúde de Macau também afirmaram estar acompanhando de perto a situação, especialmente na região de Bengala Ocidental, e recomendaram que os moradores evitem viagens para a área afetada. Além disso, foi anunciado o reforço da triagem médica de viajantes vindos da Índia nas fronteiras do território.

    O que é o vírus Nipah

    De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o vírus Nipah é um patógeno zoonótico, ou seja, transmitido de animais para humanos. A infecção pode ocorrer por contato direto com animais infectados, ingestão de alimentos contaminados ou transmissão entre pessoas.

    Identificado pela primeira vez em 1999, durante um surto entre criadores de porcos na Malásia, o vírus já provocou episódios em países como Bangladesh, Índia, Filipinas e Singapura. Os morcegos frugívoros são considerados os principais hospedeiros naturais. Em regiões do sul da Ásia, há suspeitas de que a transmissão tenha ocorrido por meio do consumo de frutas ou produtos contaminados com saliva ou urina desses animais.

    Sintomas e evolução da doença

    A infecção pelo vírus Nipah pode se manifestar de formas muito distintas. Em alguns casos, a pessoa não apresenta sintomas. Em outros, a doença evolui rapidamente para quadros graves.

    Os primeiros sinais costumam incluir febre, dor de cabeça, dores musculares, vômitos e dor de garganta. Com a progressão da infecção, podem surgir tontura, sonolência, confusão mental e outros sintomas neurológicos. Há registros de pneumonia atípica, insuficiência respiratória grave e síndrome do desconforto respiratório agudo.

    Nos quadros mais severos, o vírus pode causar encefalite e convulsões, com evolução para coma em um intervalo de 24 a 48 horas. O período de incubação geralmente varia de quatro a 14 dias, embora já tenham sido relatados casos com até 45 dias.

    A taxa de mortalidade estimada varia entre 40% e 75%, dependendo do surto, da rapidez na identificação dos casos e da qualidade da assistência médica disponível. Parte dos pacientes que sobrevivem pode apresentar sequelas neurológicas permanentes.

    Tratamento e cuidados recomendados

    Segundo a Organização Mundial da Saúde, ainda não existem medicamentos específicos nem vacinas aprovadas para o tratamento do vírus Nipah. O manejo da doença é baseado em cuidados intensivos de suporte, com atenção especial às complicações respiratórias e neurológicas.

    As autoridades de saúde reforçam a importância da vigilância epidemiológica, do isolamento rápido de casos suspeitos e da adoção de medidas preventivas, especialmente em áreas onde já foram identificados surtos.

    Surto do vírus Nipah põe Índia em alerta e preocupa autoridades da Ásia

  • Xi Jinping reafirma apoio à ONU e critica iniciativa rival dos EUA

    Xi Jinping reafirma apoio à ONU e critica iniciativa rival dos EUA

    Durante reunião com o premiê finlandês em Pequim, Xi Jinping reforçou o apoio da China à ONU como base do sistema internacional e evitou comentar se o país aceitará participar do “Conselho da Paz”, iniciativa multilateral anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

    O presidente da China, Xi Jinping, reafirmou nesta terça-feira o apoio do país à ONU e disse esperar que Pequim e Helsinque atuem juntas em defesa de uma ordem mundial baseada no organismo internacional. A declaração foi feita durante um encontro com o primeiro-ministro da Finlândia, Petteri Orpo.

    “A China está disposta a trabalhar com a Finlândia para apoiar firmemente o sistema internacional do qual as Nações Unidas são o pilar”, afirmou Xi. A fala ocorre em meio à iniciativa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de criar uma nova instituição multilateral, chamada por ele de “Conselho da Paz”.

    Xi Jinping recebeu Orpo no Grande Palácio do Povo, em Pequim. O premiê finlandês iniciou nesta terça uma visita oficial de quatro dias à China.

    O líder chinês também deve se reunir nos próximos dias com o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, que começou na segunda-feira uma viagem pela China e pelo Japão, segundo informou o gabinete do governo britânico.

    Embora a China tenha sido convidada pelos Estados Unidos a participar do chamado “Conselho da Paz”, iniciativa voltada à resolução de conflitos globais e vista por analistas como uma possível concorrente da ONU, Pequim ainda não informou se aceitará ou não o convite.

    Na semana passada, Xi já havia feito um apelo semelhante ao Brasil, pedindo que os dois países atuem juntos em defesa do “papel central” das Nações Unidas no sistema internacional, durante uma conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

    Petteri Orpo afirmou ter interesse em discutir com Xi Jinping temas internacionais e assuntos ligados à cooperação bilateral. China e Finlândia, no entanto, mantêm divergências em pontos sensíveis, como a invasão russa da Ucrânia e a disputa de influência entre grandes potências na região do Ártico.

    Em novembro, o ministro da Defesa da Finlândia, Antti Hakkanen, acusou a China de financiar “massivamente o esforço de guerra da Rússia” na Ucrânia. Um mês antes, Donald Trump anunciou um projeto conjunto com a Finlândia para a construção de 11 navios quebra-gelo, durante visita do presidente finlandês Alexander Stubb à Casa Branca, sinalizando o reforço da presença dos Estados Unidos no Ártico, região onde Washington disputa influência com Rússia e China.
     
     
     

     

    Xi Jinping reafirma apoio à ONU e critica iniciativa rival dos EUA

  • EUA ameaçam aliados regionais com destino de Maduro

    EUA ameaçam aliados regionais com destino de Maduro

    Nova Estratégia de Defesa Nacional prevê controle militar da Groenlândia e do canal do Panamá, além de cobrar fidelidade de vizinhos; texto do governo Trump prevê limite a apoio à Europa e à Coreia do Sul, e quer China contida sem entrar em conflito direto

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – A nova Estratégia de Defesa Nacional dos Estados Unidos, publicada na sexta-feira (23), prevê “ação decisiva” contra aliados regionais que não trabalharem segundo os interesses do governo de Donald Trump, citando a captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro como exemplo de punição possível.

    Além disso, o texto coloca como prioridade o controle da Groenlândia e do canal do Panamá, limita o apoio a aliados na Europa e na Ásia, além de buscar a contenção da China sem conflito armado.

    O documento de 34 páginas, assinado pelo secretário Pete Hegseth (Defesa), é o instrumento para colocar em prática os princípios delineados pela Estratégia de Segurança Nacional, editada em 5 de dezembro e que causou espanto global pela mudança de foco do país mais poderoso do mundo.

    Como no texto anterior, a nova Estratégia prevê os EUA mais isolados do mundo, mas guardando para si o direito de agir com violência para garantir interesses nacionais. E o foco novamente é o Hemisfério Ocidental.

    Ali entra a ameaça à região. “Vamos nos engajar em boa fé com nossos vizinhos e parceiros, mas vamos garantir que eles respeitem e façam a parte deles para defender nossos interesses comuns. Onde eles não o fizerem, nós estaremos prontos para tomar ação decisiva e focada”, diz o texto.

    Citando o chamado Corolário Trump à Doutrina Monroe, o documento desenha o que pode acontecer. “As forças dos EUA estão prontas para aplicar [o corolário Trump] com rapidez, força e precisão, como o mundo viu na Operação Determinação Absoluta”, afirmou, sobre o ataque à Venezuela em 3 de janeiro.

    O palavrório visa resgatar a doutrina de 1823 em que os EUA buscavam se proteger do colonialismo europeu, transformada em instrumento imperialista em 1904, quando o então presidente Theodore Roosevelt lançou o seu corolário -defendendo o uso da força para assegurar o que considerava seu quintal estratégico.

    “Nós vamos garantir o acesso militar e comercial dos EUA a áreas chave, especialmente o canal do Panamá, o golfo da América [como Trump chama o golfo do México] e a Groenlândia”, escreve Hegseth, em referência à apelidada Doutrina Donroe (condensando Donald e Monroe).

    A Groenlândia está no centro de uma crise contínua entre Trump e seus aliados europeus na Otan. Na semana passada, ele reafirmou que quer controlar a ilha da Dinamarca, mas descartou o emprego de tropas para tal.

    A negociação sobre o tema ainda é incerta, e as críticas feitas pelo americano à aliança militar ocidental, inclusive a ultrajante afirmação de que os aliados não foram à linha de frente nos 20 anos de ocupação americana do Afeganistão, seguem repercutindo.

    A citação nominal ao canal do Panamá, obra que foi tocada por americanos no século 20, recoloca o tema na mesa. No começo de seu segundo mandato, Trump exigiu a saída de empresas chinesas da operação do local, sugerindo ação militar.

    Baixou o tom, mas conseguiu que os panamenhos rompessem acordos com Pequim, dando a impressão agora desfeita de que o assunto estava resolvido.

    Aos aliados mais tradicionais, os sinais são ainda mais sombrios. À União Europeia, diz que Vladimir Putin é problema dos integrantes do flanco leste do bloco.

    Se a doutrina publicada em dezembro dizia que o continente tinha líderes fracos que precisavam ser enquadrados ao trumpismo, sua versão militar afirma que a Europa deve se defender sozinha contra Moscou, e prevê a redução da presença de Washington no continente.

    O texto só reconhece a Rússia como ameaça aos EUA no campo nuclear e de ações cibernéticas, mas afirma que o apoio ao continente será limitado daqui em diante. Defesa da democracia, como na estratégia de dezembro, deixa de ser valor a ser defendido e promovido.

    É mais um prego no caixão da ordem internacional vigente por oito décadas, desde o fim da Segunda Guerra Mundial. A Ucrânia, nesse contexto, fica a ver navios, dependendo do apoio dos europeus contra os russos, ainda que a maioria das armas usadas contra a invasão seja americana.

    Outro aliado deixado à míngua é a Coreia do Sul. A doutrina prevê que Seul terá de pagar sua conta de defesa sozinha contra o Norte comunista, liberando energia dos EUA, que mantêm 28 mil militares no país. Daí para Seul buscar a bomba atômica e aumenta os riscos de proliferação é um passo.

    Por fim, mas talvez acima de tudo, há a rivalidade com a China. Enquanto a versão anterior da Estratégia, editada no governo Joe Biden em 2022, classificava o gigante asiático como adversário a ser combatido, a atual reduz o tom do conflito.

    “Nosso objetivo não é dominar a China, nem estrangulá-la ou humilhá-la. Ele é simples: prevenir que qualquer um, incluindo a China, seja capaz de nos dominar”, afirma, adotando o tom contraditório que permeava a Estratégia de Segurança.

    Segundo o texto, Trump quer uma relação respeitosa com Pequim, “mas numa posição de força militar segundo a qual ele possa negociar em termos favoráveis à nossa nação”. O texto não fala em Taiwan, ilha autônoma que a China quer para si, mas cita a necessidade de manter “uma forte defesa de negação” nos arquipélagos aliados que cercam o rival.

    Há outros itens colocados, como a renovação do arsenal nuclear e a criação do escudo antimísseis Domo Dourado, além da usual defesa feita por Hegseth do que ele considera espírito guerreiro de seus militares, em oposição à defesa de agendas identitárias nas Forças Armadas.

    O novo documento, o quinto desde a estreia em 2005, parece feito para ser solapado pela realidade. Enquanto defende que Israel e os países do Golfo podem conter o Irã, uma armada americana é montada na região, ameaçando iniciar uma guerra.

    Isso dito, o texto reafirma a autoimagem imperial que Trump alimenta, centrada no discutível conceito de Paz pela Força, que não oferece alternativa real senão a do interesse americano à de fato caduca ordem global.

    EUA ameaçam aliados regionais com destino de Maduro

  • Chega de ordens dos EUA, diz líder interina da Venezuela

    Chega de ordens dos EUA, diz líder interina da Venezuela

    Delcy Rodríguez tem variado entre uma retórica de enfrentamento a Washington e um tom mais conciliatório; líder foi convidada por Trump para visitar os EUA, mas ainda não há data para a reunião, segundo a Casa Branca

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – A líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, disse neste domingo (25) que não quer mais ordens dos Estados Unidos em seu país, bombardeado por Washington no início do ano durante a captura do ditador Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores.

    “Chega de ordens de Washington sobre políticos na Venezuela. Que seja a política venezuelana quem resolva nossas divergências e nossos conflitos internos. Chega de potências estrangeiras”, disse ela em uma mensagem a petroleiros no estado de Anzoátegui, no norte do país.

    Os EUA disseram estar no comando da Venezuela após a incursão militar de 3 de janeiro, mas, desde então, têm atuado em conjunto com Delcy. A líder, por sua vez, tem variado entre uma retórica de enfrentamento a Washington, voltada para sua base de apoio interna, e um tom mais conciliatório com o presidente Donald Trump, direcionado à comunidade internacional.

    A declaração mais recente se encaixa no primeiro caso. Em outras ocasiões, autoridades americanas minimizaram a retórica como acenos internos para apoiadores.

    No mesmo dia em que Maduro foi capturado, por exemplo, ela desafiou o republicano ao afirmar que o ditador era “o único presidente” do país. “Estamos prontos para defender a Venezuela”, disse, logo após Trump afirmar que os EUA governariam a nação até uma “transição pacífica, adequada e criteriosa”.

    No dia seguinte, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que não consideraria o que é tido em entrevistas coletivas. “Retórica é uma coisa.

    Vemos retórica por muitos motivos diferentes. Há muitas razões diferentes pelas quais as pessoas vão à TV e dizem certas coisas nesses países, especialmente 12 ou 15 horas depois que a pessoa que antes estava no comando do regime já está algemada e a caminho de Nova York”, afirmou ele à emissora ABC News. “No fim das contas, queremos ver ação.”

    Na semana passada, Delcy promoveu a reorganização das Forças Armadas ao nomear 12 oficiais superiores para comandos militares regionais. Anteriormente, ela já tinha designado um ex-chefe do serviço de inteligência como novo comandante de sua guarda presidencial e como diretor da agência de contrainteligência.

    Depois da operação, a incerteza que pairou sobre o futuro político do país veio acompanhada do rumor, discutido por venezuelanos na fronteira do Brasil com o vizinho, de que a cúpula política e militar do regime traiu o ditador e fez um acordo com os EUA.

    Delcy era a número dois do regime de Maduro. Desde então, a Venezuela tem aberto canais de diálogo em meio à pressão americana, e a líder foi convidada pelo governo Trump para visitar Washington, embora ainda não haja data para a reunião, segundo a Casa Branca.

    Chega de ordens dos EUA, diz líder interina da Venezuela

  • Lula propõe a Trump que Conselho de Paz se limite a Gaza e inclua Palestina

    Lula propõe a Trump que Conselho de Paz se limite a Gaza e inclua Palestina

    Líderes conversaram por telefone nesta segunda (26); Brasil não confirmou participação no grupo criado por republicano; Venezuela também foi tema da chamada de 50 minutos, e Lula ressaltou importância de estabilidade na região

    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – Em telefonema a Donald Trump nesta segunda-feira (26), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) propôs que o Conselho de Paz, criado pelo americano, limite-se à questão de Gaza e preveja um assento para a Palestina, atualmente excluída do órgão.

    O Brasil ainda não confirmou participação no grupo criado pelo republicano, e a tendência é a de recusa. O texto original do órgão prevê o direito de os países proporem alterações, mas ressalta a necessidade de aprovação do presidente americano -cargo que será ocupado por Trump por ao menos mais três anos-, além do poder de veto de Washington sobre decisões dos Estados-membros.

    Em uma conversa de 50 minutos, os dois líderes abordaram temas relacionados à relação bilateral e à agenda global, além de tratarem sobre o combate ao crime organizado. Os dois também trocaram impressões sobre indicadores econômicos de Brasil e Estados Unidos e sobre a relação entre os dois países.

    Segundo nota do governo brasileiro, Lula manifestou interesse em estreitar a parceria na repressão à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas, bem como no congelamento de ativos de grupos criminosos e no intercâmbio de dados sobre transações financeiras. A proposta teria sido bem recebida pelo republicano.

    Ao falar sobre o Conselho de Paz, o petista reiterou também a importância de uma reforma abrangente na ONU que amplie os membros permanentes do Conselho de Segurança, segundo a nota. Os dois trocaram ainda impressões sobre a situação na Venezuela, e Lula ressaltou a importância de preservar a paz e a estabilidade na região e de trabalhar pelo bem-estar do povo venezuelano.

    Por fim, os presidentes concordaram com uma visita de Lula a Washington após a viagem do brasileiro à Índia e à Coreia do Sul em fevereiro, em data a ser fixada em breve.

    Lula propõe a Trump que Conselho de Paz se limite a Gaza e inclua Palestina