Categoria: MUNDO

  • Derretimento da Groenlândia fará nação do outro lado do mundo sumir, diz enviado da ONU

    Derretimento da Groenlândia fará nação do outro lado do mundo sumir, diz enviado da ONU

    A maior ilha do mundo é um caldeirão climático. Por um lado, o derretimento do Ártico, provocado pelo aquecimento global, deixa o território e seus vizinhos mais vulneráveis a potenciais ataques. Por outro, a Groenlândia é rica em minerais críticos para a transição energética, e o desaparecimento da sua camada de gelo facilita o acesso a esses recursos.

    JÉSSICA MAES
    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – Em meio às ameaças de invasão de Donald Trump e do anúncio de um futuro acordo entre americanos e dinamarqueses, a Groenlândia está no centro das discussões na edição deste ano do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.

    A maior ilha do mundo é um caldeirão climático. Por um lado, o derretimento do Ártico, provocado pelo aquecimento global, deixa o território e seus vizinhos mais vulneráveis a potenciais ataques. Por outro, a Groenlândia é rica em minerais críticos para a transição energética, e o desaparecimento da sua camada de gelo facilita o acesso a esses recursos.

    Os imensos volumes de água de degelo vindos da região já respondem por um quinto do aumento do nível do mar ao redor do planeta.

    Para Peter Thomson, enviado especial do secretário-geral da Organização das Nações Unidas para os oceanos, é importante lembrar que isso tem relação direta com as nações insulares do Pacífico. “O derretimento da Groenlândia significa, na prática, o desaparecimento de uma nação do outro lado do mundo”, afirma à Folha de S.Paulo.

    Ele ressalta que as escolhas que líderes globais fazem hoje definirão o futuro de ecossistemas frágeis e da estabilidade econômica regional no Ártico.

    “Quando alguns países e empresas veem um Ártico livre de gelo, pensam imediatamente na exploração de petróleo, rotas de navegação transpolares e mineração em águas profundas. Minha proposta é simples: uma pausa preventiva nessas atividades”, explica em entrevista à Folha de S.Paulo por videochamada, diretamente dos Alpes Suíços.

    O diplomata de Fiji foi um dos responsáveis pelo fórum ter adotado neste ano a temática “Davos Azul”, dando espaço a discussões relacionadas à água -centrais para o debate da mudança climática.

    PERGUNTA – Como a mudança climática está moldando o panorama de segurança mundial?

    PT – Um bilhão de pessoas estão enfrentando a crise climática de maneira existencial, por causa da elevação do nível do mar, das secas e das tempestades tropicais severas. Isso não é algo que possa ser ignorado.

    No entanto, em um certo país está meio “cancelado” falar sobre a mudança climática, o que torna o cenário ainda mais difícil. Mas o mais importante é que o sistema das Nações Unidas e a grande maioria dos países, que são 193 nações, estão plenamente conscientes de que a crise climática é real e de que a transição verde está em andamento e, na nossa visão, é irreversível.

    Isso porque essa transição não se baseia apenas na lógica científica, mas também econômica. Hoje é mais barato instalar energia solar ou eólica do que recorrer às antigas tecnologias de combustíveis fósseis. Existe um ditado: os cães ladram, mas a caravana passa. É mais ou menos onde estamos agora.

    A geopolítica é um jogo de curto prazo. Eu sou velho o suficiente para lembrar de conflitos como a Guerra do Vietnã, que dominaram as manchetes por anos e hoje parecem episódios distantes da história.
    Já as questões ambientais fazem parte de um jogo muito mais longo.

    P. – Qual é a relação entre a mudança climática e o interesse do presidente Donald Trump em anexar a Groenlândia? Como o derretimento do Ártico influencia essa decisão?

    PT – Não me considero qualificado para falar profundamente sobre a geopolítica da Groenlândia. Mas, em um discurso recente, o primeiro-ministro [canadense] Mark Carney fez uma declaração muito clara sobre a soberania da Groenlândia e sobre como o respeito à soberania territorial vai muito além desse caso específico, afetando a todos nós. E nós temos que defender nossos princípios.
    Do ponto de vista ambiental, penso imediatamente no derretimento da camada de gelo da Groenlândia. Isso tem relevância direta para países [do Pacífico] como Tuvalu, que é formado por atóis de coral e não possui áreas elevadas. O derretimento da Groenlândia significa, na prática, o desaparecimento de uma nação do outro lado do mundo, já que toda essa água escoa para um único sistema oceânico.

    P. – E como o derretimento da criosfera (o gelo do planeta) pode moldar futuras disputas geopolíticas?

    PT – No caso do Ártico, essa é uma questão extremamente relevante. A ciência indica que o gelo da região está diminuindo e que podemos prever um futuro em que, durante o verão, o oceano Ártico ficará livre de gelo. Isso é devastador para a vida selvagem e para os povos indígenas da região.
    É isso que me leva a defender uma pausa preventiva em qualquer atividade econômica no oceano Ártico central. Isso pode soar como uma ideia ousada num momento geopolítico meio tóxico como esse. Porém, em tempos difíceis, pode ser útil manter áreas neutras. A Suíça, onde estou agora, é um exemplo histórico disso.
    No caso do Ártico, falo de neutralidade em relação à exploração econômica. Quando alguns países e empresas veem um Ártico livre de gelo, pensam imediatamente na exploração de petróleo, rotas de navegação transpolares e mineração em águas profundas. Minha proposta é simples: uma pausa preventiva nessas atividades.
    Trata-se de um oceano que permaneceu em silêncio por eras. As baleias, os narvais, as focas e toda a vida marinha do oceano Ártico central evoluíram em silêncio e têm uma comunicação diferente de, por exemplo, uma baleia que passa perto de Nova York ou Tóquio, por causa de todo o ruído subaquático.
    Além disso, esse pedido não é algo inédito. As nações do Círculo Ártico já concordaram com uma pausa preventiva na pesca, que tem sido respeitada por todos os países envolvidos.

    P.- No momento estamos vendo a situação na Venezuela, mas esta não é a primeira vez que temos uma crise geopolítica em torno de combustíveis fósseis. A transição energética pode contribuir para um mundo com menos conflitos?

    – PT Acredito que a transição verde levará a um mundo mais equitativo. O sol está disponível para praticamente todos, e onde ele não é abundante o vento é uma alternativa viável. A energia eólica offshore está prestes a passar por um novo ciclo de crescimento, especialmente com os avanços apresentados aqui em Davos por representantes da Europa e da China.
    A energia solar, em particular, teve seus custos reduzidos drasticamente graças aos chineses. A transição verde tem o potencial de criar um mundo mais equitativo e eletrificado.

    P. – Qual é a importância do Fórum Econômico Mundial adotar o tema “Davos Azul” neste ano? Quanta atenção o oceano recebe na arena econômica?

    PT – Este é o meu décimo ano em Davos, e venho porque aqui o setor público e o setor privado conseguem dialogar diretamente.

    Eu copresido a iniciativa Amigos da Ação pelo Oceano, criada aqui em Davos, que teve papel fundamental no lançamento do Plano de Ação Oceânica 30×30 [de proteger 30% dos oceanos até 2030] no ano passado. Agora, estamos na fase de implementação dessa iniciativa, que envolve desde áreas marinhas protegidas na Antártida até corredores de conservação na Melanésia e a implementação do Tratado do Alto-mar.

    Essa meta é alcançável, mas exige grande esforço e maior engajamento do setor privado. Esse é um dos motivos para termos o Davos Azul, mas essa temática também inclui a água doce, o ciclo hidrológico, a poluição dos rios e os impactos do aquecimento global, como enchentes em regiões antes não afetadas.

    Além disso, a ciência oceânica vive hoje o maior nível de investimento da história, impulsionada tanto pela Década do Oceano da ONU quanto pelo setor privado. Em abril do próximo ano, o Rio de Janeiro sediará a Conferência da Década do Oceano, que deverá ser um evento de enorme relevância global.
    Também foi anunciada aqui em Davos a primeira Cúpula Global de Recifes de Coral, a ser realizada neste ano na Arábia Saudita, dada a urgência da proteção desses ecossistemas.

    RAIO-X | Peter Thomson, 77
    Desde 2017, é o enviado especial do secretário-geral da ONU para os oceanos. Foi presidente da Assembleia Geral da ONU em 2016 e 2017 e representante permanente nas Nações Unidas durante seis anos, período em que também foi presidente do conselho da Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos. É o copresidente e fundador da iniciativa Amigos da Ação pelo Oceano do Fórum Econômico Mundial. Em reconhecimento ao trabalho em questões oceânicas, a Universidade de Edimburgo e a Universidade de Bergen lhe concederam doutorados honorários.

    Derretimento da Groenlândia fará nação do outro lado do mundo sumir, diz enviado da ONU

  • Brasil condena pela 1ª vez repressão do regime do Irã contra protestos, mas se abstém em votação na ONU

    Brasil condena pela 1ª vez repressão do regime do Irã contra protestos, mas se abstém em votação na ONU

    “Condenamos fortemente o uso de força letal contra manifestantes pacíficos e estamos preocupados com relatos de prisões arbitrárias e de crianças como alvo. Notamos que bloqueios da internet violam o direito de liberdade de expressão, incluindo de acesso à informação”, afirmou Tovar da Silva Nunes, embaixador do Brasil na ONU em Genebra (Suíça).

    GUILHERME BOTACINI
    BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – A representação do Brasil no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas condenou a repressão violenta contra manifestantes no Irã, nesta sexta-feira (23). É a primeira vez, desde o início da onda mais recente de protestos no país persa, em dezembro, que a diplomacia brasileira condena o uso da força.

    “Condenamos fortemente o uso de força letal contra manifestantes pacíficos e estamos preocupados com relatos de prisões arbitrárias e de crianças como alvo. Notamos que bloqueios da internet violam o direito de liberdade de expressão, incluindo de acesso à informação”, afirmou Tovar da Silva Nunes, embaixador do Brasil na ONU em Genebra (Suíça).

    Anteriormente, manifestações do governo brasileiro afirmavam apenas acompanhar com preocupação os protestos e lamentar as mortes.

    A diplomacia brasileira, no entanto, absteve-se de votação de resolução levada ao conselho e patrocinada por países críticos do regime iraniano, como Alemanha, Islândia, Reino Unido, Macedônia do Norte e Moldova. O texto, aprovado por 25 votos a favor, 7 contra e 14 abstenções, pede a extensão de investigações sobre eventuais violações de direitos humanos no Irã.

    O posicionamento condiz com o histórico recente brasileiro em temas correlatos envolvendo o país persa.

    “O Brasil sustenta que apenas o povo iraniano tem o direito soberano de determinar o futuro do país. Reitera sua condenação a medidas unilaterais coercitivas contra o Irã. Ressaltamos que essas medidas impactam negativamente os direitos humanos da população e exacerbam os desafios econômicos do país, que servem de pano de fundo para as atuais manifestações”, conclui o embaixador.

    As ressalvas sobre ações unilaterais podem se referir tanto às sanções contra o Irã, tradicionalmente criticadas pela diplomacia brasileira, como às ameaças recentes do governo de Donald Trump de usar a força contra Teerã -os EUA movimentaram caças e navios de guerra para regiões próximas do Irã.

    A sessão extraordinária do conselho da ONU foi apoiada por ao menos 50 países para abordar os relatos de violência, repressão e violações de direitos humanos no país persa em meio a grandes manifestações que tomaram as ruas de Teerã e dezenas de outras cidades.

    “Insto as autoridades iranianas a reconsiderar, recuar e colocar um fim à sua brutal repressão”, afirmou o comissário de direitos humanos da ONU, Volker Türk, que chamou a repressão de “um padrão de sujeição e força esmagadora que não pode nunca abordar adequadamente as queixas e frustrações do povo”.

    Já o representante do Irã na sessão criticou a reunião. “Os patrocinadores desta sessão e de seus resultados nunca se importaram genuinamente com os direitos humanos dos iranianos. De outro modo, não teriam imposto sanções desumanas, violando os direitos básicos de todos os iranianos, nem teriam apoiado a guerra de agressão de Israel que matou e feriu mais de 5.000 iranianos”, afirmou.

    Na quarta-feira (21), o regime iraniano afirmou que as manifestações foram suprimidas e divulgou um balanço oficial de 3.000 mortes. Organizações de direitos humanos sediadas fora do país defendem que o número é muito maior.

    A declaração integra uma série de movimentos públicos do regime para reforçar a ideia de que os distúrbios no país, vistos em determinado momento como uma ameaça significativa aos aiatolás, foram completamente subjugados.

    O movimento foi inicialmente desencadeado no final de dezembro em meio ao colapso da economia e da moeda local, o rial, mas se transformou em um movimento mais amplo contra a teocracia.

    Um apagão da internet e um fluxo de desinformação tornaram difícil avaliar de forma independente o que se passou no Irã. Nos últimos dias, no entanto, testemunhas e grupos de direitos humanos descreveram um silêncio sinistro gradualmente se instalando sobre o país, com lojas e escolas abrindo em meio a uma forte presença de segurança nas ruas.

    Grupos de direitos humanos afirmam que milhares de pessoas, incluindo transeuntes que não participavam dos protestos, foram mortos durante os distúrbios.

    A proposta perante o órgão da ONU busca estender por dois anos o mandato de uma investigação da ONU estabelecida em 2022 após a grande onda anterior de protestos no país persa.

    Brasil condena pela 1ª vez repressão do regime do Irã contra protestos, mas se abstém em votação na ONU

  • Dinamarca e Otan anunciam novo foco militar no Ártico em meio a crise com Trump

    Dinamarca e Otan anunciam novo foco militar no Ártico em meio a crise com Trump

    O presidente dos Estados Unidos disse na quarta (21) que Washington e a aliança militar haviam chegado a um acordo sobre o uso da ilha, mas os detalhes a respeito ainda são escassos. Trump fala em “acesso total e ilimitado”, e a imprensa americana relatou que está em discussão a cessão de pequenas partes do território da Groenlândia aos EUA para instalação de bases militares.

    VICTOR LACOMBE
    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, anunciou nesta sexta-feira (23) que seu país e a Otan vão reforçar atividades militares no Ártico em meio à crise causada por Donald Trump, que exige a anexação da Groenlândia. Copenhague e o governo autônomo groenlandês rejeitam discutir a soberania do território.

    O presidente dos Estados Unidos disse na quarta (21) que Washington e a aliança militar haviam chegado a um acordo sobre o uso da ilha, mas os detalhes a respeito ainda são escassos. Trump fala em “acesso total e ilimitado”, e a imprensa americana relatou que está em discussão a cessão de pequenas partes do território da Groenlândia aos EUA para instalação de bases militares.

    O acordo seria modelado com base no arranjo que existe hoje entre o Reino Unido e o Chipre -Londres tem duas bases militares que ocupam 3% da área da ilha no Mediterrâneo, e o território que elas ocupam é considerado britânico. As bases foram estabelecidas no tratado que garantiu a independência do Chipre nos anos 1960, e o governo cipriota ainda hoje protesta contra sua existência, dizendo que se trata de “um vestígio do colonialismo”.

    Washington, entretanto, já possui amplo acesso militar ao território graças a um acordo de 1951, assinado no auge da Guerra Fria. Frederiksen disse que esse documento poderá ser atualizado para acomodar novas exigências americanas -sem, entretanto, que a Groenlândia deixe de pertencer à Dinamarca, pontuou ela.

    A primeira-ministra se reuniu com o secretário-geral da Otan, o holandês Mark Rutte, em Bruxelas, na Bélgica. “Concordamos que a Otan deve aumentar sua presença no Ártico. Defesa e segurança da região são temas importantes para toda a aliança”, disse Frederiksen, que viaja a Nuuk, capital da Groenlândia, ainda nesta sexta.

    Enquanto isso, Trump continua apostando em sua investida contra a Otan. Em entrevista à Fox News, o americano disse que seu país não precisa da aliança, criada por Washington depois da Segunda Guerra Mundial. “Nunca precisamos deles. Eles vão dizer que mandaram alguns soldados para o Afeganistão… e fizeram isso mesmo, mas eles ficaram um pouco longe da linha de frente”, afirmou.

    A fala causou revolta entre veteranos europeus da guerra do Afeganistão, da qual cerca de 30 mil não eram americanos, ou pouco menos de um terço do total. O número de baixas teve proporção parecida: dos 3.621 militares mortos entre 2001 e 2021, período da ocupação ocidental no país, 1.160 não eram soldados dos EUA, por volta de 30%.

    Em números relativos, a Dinamarca, alvo das investidas de Trump hoje, foi o terceiro país com o maior número de baixas, atrás apenas da Geórgia e dos EUA. Tendo perdido 43 soldados, o país nórdico, que tinha 5,5 milhões de habitantes em 2010, teve uma taxa de 7,8 mortes por milhão de habitantes, enquanto os EUA sofreram 7,9 mortes por milhão.

    O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, chamou os comentários de Trump de “estarrecedores” e “um insulto”, e o príncipe Harry disse que os sacríficios de soldados da Otan no Afeganistão “merecem respeito”.

    Dinamarca e Otan anunciam novo foco militar no Ártico em meio a crise com Trump

  • Divulgadas novas imagens do início do incêndio em bar na Suíça

    Divulgadas novas imagens do início do incêndio em bar na Suíça

    Novas imagens do momento em que o incêndio num bar em Crans-Montana, na Suíça, deflagrou foram divulgadas esta sexta-feira pela BFM TV. As imagens mostram que as chamas já se espalhavam no teto e ninguém na pista se deu conta da situação.

    Novas imagens mostram o momento em que o incêndio em um bar em Crans-Montana, na Suíça, começou a se espalhar pelo teto. A tragédia ocorreu na madrugada de 1º de janeiro, em um estabelecimento localizado em uma estação de esqui.

    As imagens foram obtidas pelo canal francês BFM TV e divulgadas nesta sexta-feira. O vídeo, que pode ser visto mais abaixo, mostra funcionários enfileirados com garrafas que continham velas de foguete, responsáveis pelo início do incêndio.

    O incêndio deixou 40 mortos, metade deles menores de idade, além de mais de 100 pessoas feridas. Segundo o canal francês, as imagens foram gravadas por um jovem de 15 anos que sobreviveu à tragédia e já prestou depoimento às autoridades. O adolescente estava no local com amigos, e o vídeo foi registrado às 1h27, pelo menos um minuto depois do horário estimado pelas autoridades como o início do incêndio.

    Após a divulgação dessas novas imagens, a BFM TV informou também, nesta sexta-feira, que Jacques Moretti, coproprietário do bar La Constellation, deverá ser libertado ainda nesta tarde. O empresário estava em prisão preventiva após prestar depoimento em um tribunal de Sion, na Suíça. A coproprietária e esposa, Jessica Moretti, foi colocada em liberdade condicional. A fiança do proprietário estaria em torno de 216 mil euros.

    Jacques e Jessica Moretti estão sendo investigados por homicídio culposo, lesão corporal culposa e incêndio culposo.

    Na tragédia na localidade alpina, além das 40 vítimas fatais — a maioria menores de idade —, outras 116 pessoas ficaram feridas, a grande maioria com queimaduras graves.

    De acordo com as investigações preliminares, o incêndio teve origem em artefatos pirotécnicos, que incendiaram a espuma de isolamento acústico que revestia o teto, fazendo com que as chamas se propagassem por todo o estabelecimento de entretenimento noturno.

    Divulgadas novas imagens do início do incêndio em bar na Suíça

  • Ucrânia, Rússia e EUA vão juntos, pela 1ª vez, à mesa de negociações

    Ucrânia, Rússia e EUA vão juntos, pela 1ª vez, à mesa de negociações

    Encontro foi confirmado na madrugada desta sexta-feira (23)

    Tendo como foco o controle sobre os territórios no leste ucraniano, a Ucrânia, Rússia e os Estados Unidos (EUA) estão em negociações em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. É a primeira vez que os três países se reúnem desde a invasão russa em 2022.

    O encontro foi confirmado na madrugada desta sexta-feira (23), após conversas no Kremlin entre o presidente russo, Vladimir Putin, o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, e o genro de Donald Trump, Jared Kushner.

    Segundo o conselheiro diplomático russo, Yuri Ushakov, as conversações foram “úteis em todos os aspectos”, acrescentando que “ficou acordado que a primeira reunião de um grupo de trabalho trilateral sobre questões de segurança ocorre hoje em Abu Dhabi”. 

    Não foram divulgados os detalhes dessas negociações trilaterais, nem se as autoridades russas e ucranianas vão se encontrar pessoalmente, mas sabe-se que serão abordadas questões pendentes, como a controversa questão sobre as concessões territoriais exigidas por Moscou.

    “Sem resolver a questão territorial não se deve contar com um acordo de longo prazo”, alertou Yuri Ushakove.  Segundo ele, a Rússia continuará a insistir nos próprios objetivos “no campo de batalha, onde as Forças Armadas russas detêm a iniciativa estratégica”, até que seja alcançado um acordo.

    O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, confirmou que a questão fundamental do controle sobre os territórios no leste ucraniano vai ser abordada pelas delegações ucraniana, russa e norte-americana.

    “A questão do Donbass (território no leste da Ucrânia, incluindo as regiões de Donetsk e Lugansk) é fundamental”, declarou Zelensky em entrevista, acrescentando que o assunto vai ser discutido em Abu Dhabi neste fim de semana.

    O líder ucraniano reiterou que o tão aguardado acordo com os Estados Unidos sobre garantias de segurança está praticamente pronto para ser assinado, apenas à espera de que Donald Trump defina a data e o local para a assinatura dos documentos. Na mesma entrevista, Zelensky afirmou que os dois discutiram defesa aérea e cooperação econômica para a recuperação pós-guerra. 

    A comissão russa, liderada pelo general Igor Kostyukov, alto funcionário do Estado-Maior, vai se deslocar para Abu Dhabi nas próximas horas. O Kremlin informou que a equipe russa de negociação será composta apenas por representantes do Ministério da Defesa do país e que essa delegação já seguiu para as conversações.

    A Ucrânia vai ser representada pelo secretário do Conselho de Segurança, Rustem Umerov, pelo chefe de gabinete Kyrylo Budanov, e pelo vice-chefe de gabinete Serhiy Kyslytsia. A delegação ucraniana é composta ainda pelo chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general Andriy Gnatov.

    Nessa quinta-feira (22), em Davos, Zelensky criticou os aliados europeus afirmando que viu uma Europa “fragmentada” e “perdida” no que diz respeito à influência sobre as posições do presidente norte-americano e à falta de “vontade política” do chefe de Estado russo, Vladimir Putin.

    As críticas em relação aos principais apoiadores políticos e financeiros de Kiev ocorreram após encontro com Donald Trump em Davos, na Suíça, que, segundo Zelensky, resultou num acordo sobre garantias de segurança para a Ucrânia.

    O diálogo com o homólogo norte-americano “não foi simples”, admitiu o líder ucraniano, embora tenha descrito o encontro como “positivo”.

    Ucrânia, Rússia e EUA vão juntos, pela 1ª vez, à mesa de negociações

  • Hematoma misterioso na mão de Trump volta a chamar a atenção

    Hematoma misterioso na mão de Trump volta a chamar a atenção

    A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o ferimento ocorreu de maneira acidental. Um assessor presidencial acrescentou que Trump apresenta maior facilidade para desenvolver hematomas por fazer uso diário de aspirina, informação que já havia sido mencionada anteriormente por seus médicos.

    A Casa Branca esclareceu nesta quinta-feira que o hematoma observado na mão esquerda do presidente Donald Trump foi resultado de um acidente durante uma cerimônia de assinatura do Board of Peace, realizada em Davos, na Suíça. De acordo com o governo, o presidente teria batido a mão no canto de uma mesa, o que provocou a marca que chamou atenção após a divulgação de imagens do evento nas redes sociais.

    A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o ferimento ocorreu de maneira acidental. Um assessor presidencial acrescentou que Trump apresenta maior facilidade para desenvolver hematomas por fazer uso diário de aspirina, informação que já havia sido mencionada anteriormente por seus médicos.

    As especulações aumentaram nos últimos dias devido a aparições públicas em que o presidente foi visto com curativos ou com algo que parecia maquiagem cobrindo a mão. As imagens impulsionaram comentários e questionamentos online sobre sua saúde, o que levou o governo a se manifestar para afastar rumores.

    Em entrevista concedida ao The Wall Street Journal no início do ano, Trump comentou que faz uso de uma dose elevada de aspirina por acreditar que o medicamento ajuda a “afinar o sangue”. Na ocasião, ele afirmou que reluta em diminuir a quantidade ingerida por superstição.

    No final de 2025, o presidente também informou ter realizado uma ressonância magnética de forma preventiva. Em um memorando divulgado em 1º de dezembro, o médico da Casa Branca, Sean Barbabella, declarou que exames detalhados feitos no Centro Médico Militar Nacional Walter Reed não apontaram qualquer anormalidade.

    “O objetivo é preventivo: identificar problemas precocemente, confirmar a saúde geral e garantir vitalidade e função a longo prazo”, afirmou Barbabella no documento. Segundo ele, o sistema cardiovascular do presidente está “perfeitamente normal”, sem sinais de inflamação, obstruções arteriais ou coágulos.

    Hematoma misterioso na mão de Trump volta a chamar a atenção

  • Dinamarca reforça envio de soldados à Groenlândia após ameaças de Trump

    Dinamarca reforça envio de soldados à Groenlândia após ameaças de Trump

    A Dinamarca parece estar pronta para lutar militarmente se, no “pior cenário possível”, a Groenlândia for atacada pelos Estados Unidos. O envio de soldados para o território já começou, por meio de aeronaves civis e militares.

    A Dinamarca já enviou soldados para a Groenlândia que estão prontos para combater em caso de um ataque norte-americano, anunciou a emissora pública dinamarquesa nesta sexta-feira.

    De acordo com a Danmarks Radio, o Exército dinamarquês solicitou na semana passada que as tropas enviadas para a Groenlândia fossem equipadas com munição real, mencionando a possibilidade de enviar forças e recursos adicionais posteriormente, se necessário.

    Agora, aeronaves civis e militares já começaram a transportar soldados e equipamentos para o território.

    Em declarações à imprensa nesta sexta-feira, o ministro da Defesa da Dinamarca, Troels Lund Poulsen, recusou-se a comentar essas informações.

    Segundo a ordem enviada aos soldados dinamarqueses, a operação envolve as Forças Armadas da Dinamarca “reforçando a presença e o nível de atividade na Groenlândia para demonstrar a vontade e a capacidade de defender a soberania e a integridade territorial do Reino”. O documento também faz referência a um plano subjacente de defesa da Groenlândia, que poderá ser colocado em prática, se necessário, “no pior cenário possível”.

    No entanto, ontem, o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, admitiu um aumento da presença militar no território, ao mesmo tempo em que manifestou a intenção de manter um “diálogo pacífico” sobre o futuro, identificando a soberania e a integridade territorial como “linhas vermelhas”.

    Essas notícias surgem em um momento em que o recuo do presidente norte-americano em relação à Groenlândia parecia ter trazido algum alívio aos líderes europeus, que, ainda assim, alertam para que não haja ilusões quanto ao estado das relações transatlânticas.

    Os líderes da União Europeia reuniram-se hoje em uma cúpula extraordinária, em Bruxelas, para discutir as relações transatlânticas após ameaças dos Estados Unidos — posteriormente retiradas — de impor tarifas a países que se opusessem às intenções norte-americanas em relação à Groenlândia.

    Com essa cúpula extraordinária, os chefes de Estado e de Governo dos 27 países do bloco europeu quiseram enviar um forte sinal político de unidade, destacando que a soberania territorial e o direito internacional são princípios fundamentais da política externa da UE, diante das intimidações relacionadas à Groenlândia, um território autônomo da Dinamarca.

    No último fim de semana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou tarifas — de 10% em fevereiro e de 25% em junho — sobre oito países europeus, entre eles seis Estados-membros da União Europeia (Dinamarca, Suécia, França, Alemanha, Países Baixos e Finlândia) e outros dois (Noruega e Reino Unido).

    No entanto, já na noite desta quarta-feira, Trump recuou ao anunciar um acordo com o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), Mark Rutte, sobre a Groenlândia, suspendendo também a ameaça de tarifas.

    Dinamarca reforça envio de soldados à Groenlândia após ameaças de Trump

  • ICE acumula poder sob Trump e aumenta ações truculentas contra migrantes

    ICE acumula poder sob Trump e aumenta ações truculentas contra migrantes

    Decisão autoriza uso de spray de pimenta, e documentos mostram autorização para entrar em casas sem mandado; após casos de violência, líder dos democratas na Câmara diz que vai rejeitar projeto que prevê orçamento para agência

    WASHINGTON, EUA (CBS NEWS) – Desde que retornou à Casa Branca, o governo de Donald Trump prometeu uma política de deportação em massa no estilo “custe o que custar” e vem colocando essa promessa em prática, deportando centenas de milhares de imigrantes em situação irregular, reprimindo protestos e detendo até crianças.

    A truculência não mostra sinais de arrefecimento. O ICE, serviço de imigração dos EUA, tem ganhado fôlego e poder com decisões judiciais recentes e orientações internas que, segundo críticos, desafiam a Constituição americana.

    Em janeiro, uma corte federal suspendeu restrições ao uso de spray de pimenta e de outras ferramentas de dispersão de protestos durante operações da agência. Além disso, um memorando interno, revelado recentemente, autorizou agentes a entrar em residências sem mandado judicial -medida que, segundo especialistas, viola a Quarta Emenda, que protege cidadãos contra buscas e apreensões irregulares.

    Em geral, o ICE usava mandados administrativos, que permitem a prisão de pessoas em locais públicos. No memorando de 12 de maio de 2025, Todd Lyons, diretor do ICE, afirmou que o DHS (Departamento de Segurança Interna) passou a entender que a Constituição e a legislação migratória não proíbem o uso desses mandados para prender imigrantes com ordem final de deportação dentro de suas residências. O documento foi divulgado em uma denúncia à organização Whistleblower Aid.

    O memorando instrui que, se um estrangeiro recusar a entrada dos agentes após o procedimento de “bater [na porta] e anunciar”, os oficiais devem utilizar a quantidade de força necessária e razoável para entrar na residência.

    William Lopez, professor da Escola de Saúde Pública da Universidade de Michigan, estuda os impactos da deportação nos EUA há 15 anos. Segundo ele, do ponto de vista legal, o fato de o ICE entrar em casas sem mandados judiciais nunca aconteceu antes e fere a Constituição.

    “Permitir que agentes do ICE entrem quando quiserem significa perder esse direito constitucional. Não se trata apenas de imigração, mas da privacidade em nossas casas e carros”, afirma ele à Folha.

    Casos recentes de uso extremo de força chamaram atenção. Um homem foi flagrado sendo retirado de dentro de casa, vestindo apenas um calção e uma manta, durante a nevasca de St. Paul, em Minnesota, mesmo sendo cidadão americano sem antecedentes criminais.

    Outro episódio envolve um menino de cinco anos, que usava uma touca azul e mochila do Homem-Aranha, em Minneapolis, que apareceu em imagens acompanhado de agentes do ICE. A escola em que a criança estuda afirma que ele foi usado de isca para que agentes entrassem em uma casa e prendessem mais imigrantes. Já o governo afirma que ele foi abandonado pelo pai, que teria fugido de uma batida.

    Nos protestos em Minnesota, descreve o professor Lopez, “muitas pessoas apenas saem de suas casas ou caminham pelo bairro, mas a presença do ICE pode provocar violência”. “Uma reação isolada de alguém é usada para justificar a repressão em larga escala”, afirma.

    Ele cita como exemplo o caso do homem que gritou “vergonha” dentro de uma igreja durante protesto contra a presença do ICE. “Trump disse que ele era um ator pago, permitindo que a administração rotulasse toda a multidão como agitadora e usasse armas”, afirma.

    Os casos têm alimentado protestos em Minnesota por três semanas, após a morte de Renee Good, assassinada por um agente do ICE. Em vídeos nas redes sociais, cidadãos aparecem se mobilizando para proteger vizinhos, deixando comida nas portas para que eles não tenham de sair, fazendo patrulhas nos bairros e, em alguns casos, até se armando para avisar sobre a chegada de agentes.

    O governo Trump tem criticado as reações e os protestos. Nesta quinta, três pessoas foram presas durante um protesto dentro de uma igreja, e o governo anunciou uma nova operação do ICE no Maine, com objetivo de alcançar cerca de 1.400 pessoas.

    “A presença do ICE tende a gerar conflitos”, diz o professor, que considera que o governo do republicano procura justificar suas ações ilegais, como chamar Renee Good de terrorista ou dizer que o menino de cinco anos foi abandonado.
    “Esse argumento de abandono de crianças é recorrente em políticas de deportação, mas muitas vezes a realidade é mais complexa e, geralmente, a criança fica sozinha porque um dos pais foi detido ou deportado.”

    O professor afirma que a escalada da violência é preocupante. “Dois meses atrás, o ICE prendeu alguém em uma creche, e agora estão prendendo uma criança de creche. Antes, os agentes do ICE limitavam a violência a uma casa ou família; agora expandem para bairros inteiros. Isso pode estar ligado ao fato de que a administração Trump prospera no caos e na crueldade.”

    Para ele, é muito provável que o poder do ICE seja expandido, com os protestos sendo usados como justificativa para ampliar o financiamento e a militarização da agência. “O objetivo é controlar cidades democratas e pressionar grupos específicos de imigrantes.”

    A truculência da agência motivou democratas a tentar barrar o orçamento do ICE. Apesar da tentativa, os projetos de leis orçamentárias foram aprovados, na noite desta quinta-feira (22), na Câmara. O projeto prevê US$ 64,4 bilhões para a pasta (R$ 338 bilhões), sendo US$ 10 bilhões para o ICE.

    O líder da minoria na Câmara, Hakeem Jeffries, havia sinalizado que negaria a proposta porque “os republicanos rejeitaram a tentativa de levar preocupações sérias levantadas pelo povo americano em meio à conduta ilegal do ICE” e criticou a agência. “Dólares dos contribuintes estão sendo usados indevidamente para brutalizar cidadãos dos EUA, incluindo o trágico assassinato de Renee Nicole Good. Esse extremismo precisa acabar”, disse o democrata.

    Jeffries afirmou que, há semanas, democratas têm pressionado os republicanos para adotar mecanismos de fiscalização, incluindo exigência de mandado judicial, proibição de detenção e deportação de cidadãos americanos, restrição ao uso de força excessiva, obrigatoriedade de câmeras corporais e proibição do uso de máscaras.

    Ele também ressaltou que o país vive sob um sistema de imigração “quebrado”, que deveria ser reformado de forma abrangente e bipartidária.

    Apesar de se postar contra, vozes como a de Rosa DeLauro defenderam que era melhor aprovar o projeto com alterações do que arriscar um novo shutdown.

    “Entendo que muitos colegas democratas podem estar insatisfeitos com qualquer orçamento que financie o ICE. Compartilho a frustração com a agência, que está fora de controle. Encorajo meus colegas a revisarem o orçamento e determinarem o que é melhor para seus constituintes e suas comunidades”, afirmou DeLauro. O Congresso tem até 30 de janeiro para aprovar o orçamento e evitar uma nova paralisação do governo.

    ICE acumula poder sob Trump e aumenta ações truculentas contra migrantes

  • Dinamarca e Otan anunciam novo foco militar no Ártico em meio a crise com Trump

    Dinamarca e Otan anunciam novo foco militar no Ártico em meio a crise com Trump

    Presidente americano faz investida por anexação da Groenlândia; Copenhague defende soberania da ilha; Trump diz que aliados não estavam na linha de frente no Afeganistão; um terço dos mortos não era americano

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, anunciou nesta sexta-feira (23) que seu país e a Otan vão reforçar as atividades militares no Ártico em meio à crise causada por Donald Trump, que exige a anexação da Groenlândia. Copenhague e o governo autônomo groenlandês rejeitam discutir a soberania do território.

    O presidente dos Estados Unidos disse na quarta (21) que Washington e a aliança militar haviam chegado a um acordo sobre o uso da ilha, mas os detalhes a respeito ainda são escassos.

    Trump fala em “acesso total e ilimitado”, e a imprensa americana relatou que está em discussão a cessão de pequenas partes do território da Groenlândia aos EUA para instalação de bases militares.

    O acordo seria modelado com base no arranjo que existe hoje entre o Reino Unido e o Chipre -Londres tem duas bases militares que ocupam 3% da área da ilha no Mediterrâneo, e o território que elas ocupam é considerado britânico. As bases foram estabelecidas no tratado que garantiu a independência do Chipre nos anos 1960, e o governo cipriota ainda hoje protesta contra sua existência, dizendo que são “um vestígio do colonialismo”.

    Washington, entretanto, já possui amplo acesso militar ao território graças a um acordo de 1951, assinado no auge da Guerra Fria. Frederiksen disse que esse documento poderá ser atualizado para acomodar novas exigências americanas -sem que a Groenlândia deixe de pertencer à Dinamarca.

    A primeira-ministra se reuniu com o secretário-geral da Otan, o holandês Mark Rutte, em Bruxelas, na Bélgica. “Concordamos que a Otan deve aumentar sua presença no Ártico. Defesa e segurança da região são temas importantes para toda a aliança”, disse Frederiksen, que viaja a Nuuk, capital da Groenlândia, ainda nesta sexta.

    Enquanto isso, Trump continua apostando em sua investida contra a Otan. Em entrevista à Fox News, o americano disse que seu país não precisa da aliança, criada por Washington depois da Segunda Guerra Mundial. “Nunca precisamos deles. Eles vão dizer que mandaram alguns soldados para o Afeganistão… e fizeram isso mesmo, mas eles ficaram um pouco longe da linha de frente”, afirmou.

    A fala causou revolta entre veteranos europeus da guerra do Afeganistão, da qual cerca de 30 mil não eram americanos, ou pouco menos de um terço do total. O número de baixas teve proporção parecida: dos 3.621 militares mortos entre 2001 e 2021, período da ocupação ocidental no país, 1.160 não eram soldados dos EUA, por volta de 30%.

    Em números relativos, a Dinamarca, alvo das investidas de Trump hoje, foi o terceiro país com o maior número de baixas, atrás apenas da Geórgia e dos EUA. Tendo perdido 43 soldados, o país nórdico, que tinha 5,5 milhões de habitantes em 2010, teve uma taxa de 7,8 mortes por milhão de habitantes, enquanto os EUA sofreram 7,9 mortes por milhão.

    Dinamarca e Otan anunciam novo foco militar no Ártico em meio a crise com Trump

  • Brasil condena demolição de agência da ONU por Israel em Jerusalém

    Brasil condena demolição de agência da ONU por Israel em Jerusalém

    Escritório presta assistência a milhões de refugiados palestinos; demolição foi iniciada na terça-feira (20) e ocorre após a aprovação, pelo parlamento israelense, no fim do ano passado

    O governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores (MRE), condenou nesta quinta-feira (22) a demolição, por determinação de autoridades israelenses, da sede da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Próximo (UNRWA), em Jerusalém Oriental. O local é considerado território palestino.

    “Medidas que violam instalações da UNRWA no território palestino ocupado constituem flagrante violação do direito internacional, incluindo o direito internacional humanitário e a Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas.

    Também contrariam os pareceres consultivos da Corte Internacional de Justiça de 19/7/2024, sobre práticas de Israel no território palestino ocupado, inclusive Jerusalém Oriental, e de 22/10/2025, sobre as obrigações de Israel em relação à ONU e a outros atores no território palestino ocupado”, disse o Itamaraty, em nota.

    A demolição foi iniciada na terça-feira (20) e ocorre após a aprovação, pelo parlamento israelense, no fim do ano passado, de uma legislação que autorizou corte do fornecimento de água e eletricidade no prédio, bem como permite expropriação de imóveis da agência da ONU. 

    Em declaração nas redes sociais, o comissário-geral da UNRWA, Philippe Lazzarini, descreveu a demolição como um “ataque sem precedentes” contra as Nações Unidas, cujas instalações são protegidas pelo direito internacional.

    O Itamaraty informou ainda que, no exercício da presidência da Comissão Consultiva da UNRWA, segue apoiando a continuidade das atividades da agência na prestação de serviços essenciais a 6 milhões de refugiados palestinos na Faixa de Gaza, na Cisjordânia, na Jordânia, no Líbano e na Síria.

    Segundo o chefe da agência, as instalações da UNRWA já foram alvo de incêndios criminosos em meio a uma “campanha de desinformação em larga escala” promovida por Israel. 

    Os ataques ocorreram apesar de uma decisão tomada pela Corte Internacional de Justiça, em outubro do ano passado, que reafirmou que Israel era obrigado a “facilitar as operações” no local, e que o Estado judaico não tem jurisdição sobre Jerusalém Oriental.

    Brasil condena demolição de agência da ONU por Israel em Jerusalém