Categoria: MUNDO

  • Trump desconvida primeiro-ministro do Canadá de Conselho da Paz

    Trump desconvida primeiro-ministro do Canadá de Conselho da Paz

    Governo canadense disse que não pagaria para se juntar a órgão; objetivo do americano é suplantar ONU; presidente dos EUA assinou nesta quinta-feira (22) a criação do grupo; Brasil ainda não respondeu a convite

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retirou nesta quinta-feira (22) o convite que havia feito ao primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, para que o país se juntasse ao Conselho da Paz, órgão criado e controlado pelo republicano com o objetivo de suplantar as Nações Unidas.

    “Caro primeiro-ministro Carney: que esta carta sirva para comunicar que o Conselho da Paz retira o convite dirigido ao senhor a respeito da adesão do Canadá àquele que será o conselho de líderes mais prestigiado de todos os tempos”, escreveu Trump em sua rede, a Truth Social.

    Carney chamou a atenção internacional esta semana por seus comentários sobre uma “ruptura” no sistema global de governança liderado pelos Estados Unidos em meio à investida de Trump para anexar a Groenlândia. Seu governo também disse que não pagaria para se juntar ao Conselho da Paz, inicialmente criado para governar a Faixa de Gaza como parte do acordo de cessar-fogo entre Israel e o grupo terrorista Hamas.

    Durante discurso em Davos, na Suíça, nesta quarta-feira (21), Trump disse que o Canadá “vive por causa dos EUA”, e afirmou que Carney deveria agradecer por isso. “Lembre-se disso, Mark, da próxima vez que fizer suas declarações”, ameaçou Trump.

    Trump quer cobrar US$ 1 bilhão de países que desejem um assento permanente no conselho. Entre os 24 que já aceitaram o convite de Trump, 17 têm regimes autocráticos ou ditatoriais, segundo o Instituto V-Dem, que monitora parâmetros democráticos anualmente. São os casos de Hungria, Qatar e Arábia Saudita, por exemplo, que mantêm relações próximas com o governo americano sob Trump.

    O Brasil ainda não decidiu se aceitará o convite. Além do Canadá, países como Espanha, França, Noruega e Reino Unido já recusaram, com alguns citando preocupações com um esvaziamento da ONU.

    “Este conselho tem a chance de ser um dos conselhos mais importantes já criados. É minha grande honra servir como presidente, fiquei muito honrado quando me pediram isso”, disse Trump na cerimônia de criação do conselho, embora seu governo tenha sido o idealizador e fundador do grupo.

    A cerimônia de assinatura ocorreu às margens do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça -evento já ofuscado pela investida tarifária e diplomática de Trump, ora suspensa, de anexar a Groenlândia. O anúncio teve a presença de alguns dos líderes que já aceitaram participar do conselho, como o argentino Javier Milei, o indonésio Prabowo Subianto e o húngaro Viktor Orbán.

    O Brasil ainda avalia se participa do conselho. O trabalho da diplomacia brasileira desde que o presidente Lula recebeu o convite tem sido de conversar com países também convidados. Se por um lado a tradição diplomática brasileira busca equilíbrio e participação em espaços de diálogo internacional, por outro vê a iniciativa americana como uma tentativa de esvaziar a ONU como espaço legítimo de debate global.

    Trump desconvida primeiro-ministro do Canadá de Conselho da Paz

  • 'Novo mundo não é um lugar confortável', diz Merz em Davos

    'Novo mundo não é um lugar confortável', diz Merz em Davos

    ‘Novo mundo não é um lugar confortável’, diz Merz em Davos

    BERLIM, ALEMANHA (CBS NEWS) – “O novo mundo das grandes potências é baseado no poder, na força e, quando necessário, na violência. Não é um lugar confortável.”

    Um dia depois de Donald Trump paralisar os mercados e o planeta para logo dizer que não invadiria a Groenlândia, o primeiro-ministro alemão, Friedrich Merz, deu sua interpretação do momento atual em Davos.

    Em discurso nesta quinta-feira (22) no Fórum Econômico Mundial, Merz declarou que “uma nova era começou”, em linha com os alertas de ruptura institucional e política já feitos nesta semana na estação suíça pelo premiê canadense, Mark Carney, e pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

    Como Carney, Merz falou das “potências médias”, que estariam na fila de vítimas deste novo mundo violento logo após os pequenos Estados, que já sentem seus efeitos. Alerta dado, o conservador alemão logo em seguida reiterou que era muito cedo para a Europa se afastar dos EUA, um aliado histórico.

    “Apesar de toda frustração e raiva dos últimos meses, não devemos descartar tão rapidamente a parceria transatlântica”, disse. “Nós, europeus, nós, alemães, sabemos como é preciosa a confiança em que se baseia a Otan. Numa era de grandes potências, também os Estados Unidos dependerão dessa confiança. É a sua e a nossa decisiva vantagem competitiva.”

    Merz, porém, sublinhou que os princípios dessa parceria precisavam ser mantidos, “notadamente soberania e integridade territorial”, uma evidente referência às ameaças do presidente americano de anexar ou adquirir a Groenlândia, um território autônomo que faz parte do Reino da Dinamarca.

    Qualquer tipo de anexação seria “inaceitável”, e novas tarifas, a última das bravatas de Trump, teria uma resposta europeia “unida, calma, ponderada e resoluta”. Merz parabenizou o americano pelo recuo nas ameaças, “o caminho certo a seguir”.

    “Queremos fortalecer as regras para o comércio justo e a igualdade de condições. A Europa deve ser o oposto de práticas comerciais desleais patrocinadas pelo Estado, protecionismo de recursos, proibições tecnológicas e tarifas arbitrárias”, afirmou Merz, que anunciou um pacote de recomendações para diminuir a burocracia europeia elaborado em conjunto com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni.

    Merz ainda encontrou espaço para defender o acordo de livre comércio da União Europeia com o Mercosul, que ganhou uma revisão jurídica na quarta-feira (21), após votação apertada no Parlamento Europeu. O encaminhamento ao Tribunal de Justiça da UE deixaria o acordo em suspenso por um prazo estimado de dois anos, a não ser que a Comissão Europeia acate a sugestão de ação unilateral feita pelo premiê logo após a votação.

    “Não há alternativa se queremos maior crescimento na Europa”, disse Merz em Davos. Colocar o acordo em vigor, sem a ratificação do Parlamento e sem o parecer jurídico, é um passo factível, mas geraria um desgaste da Comissão Europeia com os parlamentares e mais um cisma político importante em uma UE já muito pressionada pela geopolítica.

    Emmanuel Macron, presidente francês, é o principal opositor do acordo, visto como tábua de salvação pela Alemanha, o maior exportador da Europa e há três anos em estagnação econômica. O assunto deve permear a reunião do Conselho Europeu, que ocorre ainda nesta quinta, marcada inicialmente para discutir a situação da Groenlândia.

    “Fiquem tranquilos: não seremos impedidos. O acordo com o Mercosul é justo e equilibrado”, afirmou Merz.

    'Novo mundo não é um lugar confortável', diz Merz em Davos

  • Não foi só menino de 5 anos: ICE prendeu mais 3 menores no Minnesota

    Não foi só menino de 5 anos: ICE prendeu mais 3 menores no Minnesota

    O Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) não teria detido apenas um menino de cinco anos no Minnesota. Há, pelo menos, mais três menores sob controle destas autoridades. Pelo menos duas destas crianças estariam em um centro de detenção no Texas.

    Há mais uma prisão deixando o estado no Minnesota, os EUA e outras regiões do mundo em choque. Desta vez, o ICE [Serviço de Imigração e Alfândega] prendeu uma criança de cinco anos, quando ela regressava da escola com o pai.

    Durante a coletiva de imprensa que foi dada na cidade de Columbia Heights, onde pai e filho moram, foi revelado que era não era um caso único naquela comunidade escolar.

    Vale destacar que o irmão mais velho de Liam Ramos chegou em casa 20 minutos depois da prisão, onde permanece. Já o pai e o irmão foram levados para um centro de detenção no Texas, mesmo estando legalizados no país e tendo entrado no âmbito de um pedido de asilo.

    Para além de Liam, quem são os três menores levados pelo ICE?

    A comunidade escolar de Columbia Heights revelou que este não é o primeiro caso de um menor sendo levado pelo ICE, apesar de os outros três não serem tão novos quanto Liam Ramos, que tinha feito os cinco anos há pouco tempo, de acordo com a imprensa internacional.

    Zena Stenvik, superintendente deste distrito escolar explicou, na coletiva de imprensa, que no mesmo dia em que Liam foi levado pelo ICE, na terça-feira, aconteceu o mesmo com outro menor. Um aluno de 17 anos foi retirado de um carro por agentes “armados e com máscaras” e sem a presença dos pais.

    Em um outro caso, no último dia 14, agentes do ICE “entraram a força em um apartamento” e prenderam uma aluna de 17 anos e a sua mãe.

    Stenvik contou ainda que o outro caso aconteceu no dia 6, quando uma criança de dez anos foi levada, supostamente, por agentes do ICE enquanto estava indo para a escola primária com a sua mãe.

    A porta-voz disse que a menina de dez anos ligou para o pai durante as prisões e disse que os agentes do ICE a levariam até à escola, mas quando o progenitor chegou ao estabelecimento de ensino, descobriu que tanto a filha como a esposa tinha sido presas. Ambas fora levadas para um centro de detenção no Texas, à semelhança do que aconteceu com Liam Ramos e o pai.

    O que acontece no Minnesota?

    Ao longo dos últimos meses, têm sido alguns os casos polêmicos que envolvem o ICE e, nestas semanas que passaram, um deles se tornou mortífero. Foi o que aconteceu com Nicole Renee Good, uma mulher que foi alvejada quatro vezes após sair com o carro ‘virando as costas’ aos agentes do ICE.

    A situação foi gravada de vários pontos de vista, e levantou dúvidas sobre a necessidade de matar, já que, aparentemente, o agente do ICE não corria perigo de vida ao contrário do que foi dito, inclusive, pela administração Trump.

    Já este domingo, um imigrante de Laos que vive nos EUA há décadas foi levado por agentes do ICE vestido apenas com roupa íntima e com um cobertor, em uma época em que a temperatura exterior rondava os -12ºC. O homem foi libertado horas depois, mas diz que não se sente seguro em casa.

    Não foi só menino de 5 anos: ICE prendeu mais 3 menores no Minnesota

  • 70% dos países do 'Conselho da Paz' de Trump são autocracias ou ditaduras

    70% dos países do 'Conselho da Paz' de Trump são autocracias ou ditaduras

    O Conselho da Paz lançado por Donald Trump é uma tentativa de suplantar ONU; apesar de já lançada, estrutura da organização continua pouco clara

    SÃO PAULO, SP, E BRASÍLIA, DF (CBS NEWS) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quinta-feira (22) a criação do chamado Conselho da Paz, órgão que o governo americano espera utilizar para suplantar as Nações Unidas -embora o americano negue essa intenção.

    Inicialmente pensado como instrumento para governar a Faixa de Gaza como parte do cessar-fogo na região, o conselho tem ganhado contornos mais amplos, movimento recebido com preocupação por países como França, Canadá, Reino Unido e Brasil.

    “Este conselho tem a chance de ser um dos conselhos mais importantes já criados. É minha grande honra servir como presidente, fiquei muito honrado quando me pediram isso”, disse Trump, embora seu governo tenha sido o idealizador e fundador do grupo.

    A cerimônia de assinatura ocorreu às margens do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça -evento já ofuscado pela investida tarifária e diplomática de Trump, ora suspensa, de anexar a Groenlândia. O anúncio teve a presença de alguns dos líderes que já aceitaram participar do conselho, como o argentino Javier Milei, o indonésio Prabowo Subianto e o húngaro Viktor Orbán.

    Durante sua fala, Trump criticou a ONU e afirmou que a iniciativa sobre Gaza pode ser “algo único para o mundo”, indicando sua pretensão de que o grupo criado não se limite a discutir o território palestino.

    “Eu sempre disse que as Nações Unidas têm um potencial tremendo, mas não o usou”, afirmou. “Eu acho que a combinação do Conselho da Paz, com o tipo de gente que temos aqui, junto com a ONU, pode ser algo muito único para o mundo. Isso é para o mundo, não é para os EUA.”

    Entre os 24 países que já aceitaram o convite de Trump, 17 têm regimes autocráticos ou ditatoriais, segundo o Instituto V-Dem, que monitora parâmetros democráticos anualmente. São os casos de Hungria, Qatar e Arábia Saudita, por exemplo, que mantêm relações próximas com o governo americano sob Trump.

    Por outro lado, mesmo aquelas que são consideradas democracias plenas, como Argentina, Israel e Paraguai, têm governos que se mostram alinhados ao presidente republicano. Os líderes Javier Milei, Binyamin Netanyahu e Santiago Peña, nesses casos, adotam políticas conservadoras em seus respectivos países.

    Em dado momento de seu discurso, Trump olhou para os líderes sentados em cadeiras no palco do evento e disse: “É, todos são meus amigos. Alguns… deixe-me ver, alguns que gosto, alguns que não gosto. Não, na verdade, desse grupo eu gosto de cada um deles, dá para acreditar? Às vezes tem dois ou três que não suporto, mas gosto de cada um deles.”

    O grupo nasce com a participação também de países como Israel, Arábia Saudita, Egito, Marrocos, Turquia e Vietnã, mas não está claro quais desses serão membros permanentes, uma vez que Trump pretende cobrar US$ 1 bilhão de quem desejar o assento.

    A estrutura da organização também continua pouco clara. O conselho -cujo logo mostra o planeta Terra com os EUA no centro- será presidido por Trump, que terá, como chefe do grupo, preponderância sobre praticamente todas as decisões: da renovação de mandato dos membros e convocação de reuniões à definição do comitê executivo que deve gerir a reconstrução do território palestino. Além disso, Trump terá o voto de desempate em questões sem consenso.

    Países europeus ainda analisam o convite. Alguns deles, como França, Reino Unido e Noruega já recusaram fazer parte do órgão em meio à tensão gerada pelas investidas de Trump sobre a Groenlândia, um território da Dinamarca.

    Durante a cerimônia, Trump também voltou a louvar supostos feitos diplomáticos, ações militares e medidas econômicas do seu governo, como os conflitos que ele teria mediado e o fechamento da fronteira com o México. O republicano exaltou a operação de ataque a Caracas que capturou o então ditador do país, Nicolás Maduro.

    O americano também voltou a criticar aliados da Otan, a aliança militar ocidental liderada pelos EUA que está no centro das rusgas recentes entre Washington e parceiros europeus.

    O Brasil ainda avalia se participa do conselho. O trabalho da diplomacia brasileira desde que o presidente Lula recebeu o convite tem sido de conversar com países também convidados. Se por um lado a tradição diplomática brasileira busca equilíbrio e participação em espaços de diálogo internacional, por outro vê a iniciativa americana como uma tentativa de esvaziar a ONU como espaço legítimo de debate global.

    Lula conversou por telefone na quarta-feira (21) com o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, que já aceitou participar do grupo. Segundo o Planalto, os líderes falaram sobre Gaza, mas não teriam abordado o tema do conselho de Trump.

    Nesta quinta, o presidente brasileiro conversou por telefone com o líder da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, sobre a situação em Gaza.

    70% dos países do 'Conselho da Paz' de Trump são autocracias ou ditaduras

  • Aspirina, hematomas e saúde "perfeita": Manchas em Trump chamam atenção

    Aspirina, hematomas e saúde "perfeita": Manchas em Trump chamam atenção

    O presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a ser fotografado com hematomas, pouco tempo depois de dizer que tem uma “saúde perfeita”. Já foram várias as vezes que o chefe de Estado foi visto com hematomas – e também com maquiagem para disfarçar

    Há cerca de um ano que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem vindo a ser fotografado com hematomas, principalmente, nas mãos. A situação, que já tentou disfarçar com maquiagem, levantou questões sobre a sua saúde, que o próprio diz estar “perfeita.”

    Os hematomas não desapareceram dos olhares atentos e voltaram a estar ‘na mira’ esta semana, em Davos, na Suíça.

     

    Mas, afinal, que hematomas são estes?

    Trump já foi questionado sobre as marcas várias vezes, tendo sido uma das mais recentes durante uma entrevista ao Wall Street Journal (WSJ), publicada no último dia 1.

    De acordo com o que apontou, a sua saúde está “perfeita” e as manchas são o resultado da ingestão de aspirina em doses maiores do que aquelas que são recomendadas pelos médicos.

    “Dizem que a aspirina é boa para tornar o sangue mais fino. Não quero sangue espesso circulando no meu coração. Quero sangue fino a passar pelo meu coração. Faz sentido?”, questionou durante a entrevista ao WSJ.

    Trump refere-se ao efeito anticoagulante plaquetário desta substância. É devido a este efeito que a aspirina pode ser indicada para proteger e reduzir o risco de eventos cardíacos, porém médicos indicam doses baixas para pessoas com doença cardiovascular.

    Como pode verificar aqui, a toma de aspirina “para prevenir enfartes e outros eventos cardiovasculares” deve ser conversada com um médico, mas que, na generalidade, não se deve fazer, caso se seja “saudável”. Consultar todas as informações aqui.

    A toma de aspirina poderá causar efeitos colaterais graves, como sangramentos internos.

    Na mesma entrevista ao WSJ, Trump negou também que estava perdendo audição e que se deixou dormir em eventos oficiais da Casa Branca – mesmo depois de ter sido fotografado de olhos fechados e, aparentemente, dormindo.

    No mesmo artigo, é ainda lembrado que estes sinais de envelhecimento foram muitas vezes apontados por Trump quando ainda Joe Biden assumia o cargo de presidente dos EUA. Trump criticou o chefe de Estado democrata por muitos episódios semelhantes, mas, agora, também não lhe escapa.

    De acordo com o que o WSJ aponta, Pam Bondi, a procuradora-geral dos EUA, chegou mesmo a causar um corte na mão de Trump quando lhe deu toque em uma ocasião.

    Aspirina, hematomas e saúde "perfeita": Manchas em Trump chamam atenção

  • Groenlândia admite maior presença militar e quer "diálogo pacífico"

    Groenlândia admite maior presença militar e quer "diálogo pacífico"

    Primeiro-ministro afirma que discute reforço da presença militar e cooperação com a OTAN no Ártico, mas rejeita qualquer acordo que coloque em risco a soberania e a integridade territorial da Groenlândia diante do interesse manifestado pelos Estados Unidos

    O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, afirmou nesta quinta-feira que admite ampliar a presença militar no território, ao mesmo tempo em que defendeu a continuidade de um “diálogo pacífico” sobre o futuro da ilha. Segundo ele, soberania e integridade territorial são “linhas vermelhas”.

    “Queremos reforçar a segurança no Ártico por meio de iniciativas importantes, incluindo uma missão mais permanente da OTAN na Groenlândia, além de maior presença militar e mais exercícios”, disse Nielsen em entrevista coletiva em Nuuk, capital do território.

    O líder groenlandês afirmou que as autoridades locais pretendem manter um diálogo pacífico sobre o futuro da ilha, que é um território autônomo ligado à Dinamarca, mas sempre com respeito ao “direito à autodeterminação”. A declaração ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que já manifestou interesse em controlar a Groenlândia, anunciar um suposto entendimento com o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte.

    “Ninguém além da Groenlândia e da Dinamarca tem autoridade para firmar acordos sobre a ilha e sobre o Reino da Dinamarca”, afirmou Nielsen, acrescentando que não tem conhecimento do conteúdo do que teria sido discutido entre Trump e Rutte.

    Ele reforçou que a soberania e a integridade territorial da Groenlândia “não estão em negociação” e seguem sendo linhas vermelhas para o governo local.

    Groenlândia admite maior presença militar e quer "diálogo pacífico"

  • Criança de 5 anos é detida pelo ICE e enviada a centro no Texas

    Criança de 5 anos é detida pelo ICE e enviada a centro no Texas

    A detenção de Liam Ramos, em Minnesota, durante uma operação do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA, reacende críticas às ações migratórias do governo Trump e levanta preocupações sobre o impacto das prisões em comunidades escolares e famílias imigrantes.

    Uma criança de cinco anos foi detida pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) em Columbia Heights, no estado de Minnesota, na terça-feira, e levada posteriormente para um centro de detenção no Texas. Este é o quarto caso de detenção de um menor ligado à comunidade escolar da cidade desde o início da administração Trump.

    Liam Ramos, de cinco anos, foi detido junto com o pai quando voltava da escola para casa, em Columbia Heights, ao norte de Minneapolis. Imagens do momento da abordagem mostram a criança sendo levada pelos agentes, em mais um episódio que gerou críticas no estado, onde operações recentes do ICE já provocaram forte reação da comunidade.

    Em entrevista coletiva realizada na quarta-feira, a porta-voz do distrito escolar local, Zena Stenvik, afirmou que a detenção ocorreu no instante em que pai e filho chegavam à residência. Segundo ela, quando representantes da escola foram chamados ao local, o carro do pai ainda estava estacionado com o motor ligado, embora ambos já tivessem sido transferidos para um centro de detenção no Texas.

    Stenvik destacou que Liam é uma das quatro crianças do distrito escolar detidas pelo ICE nos últimos meses. Ela relatou ainda que outro adulto que mora com a família tentou impedir que os agentes levassem o menino, chegando a implorar para que a criança ficasse, mas o pedido foi negado. O irmão mais velho de Liam, aluno do ensino fundamental, chegou em casa cerca de 20 minutos depois da detenção.

    O advogado da família, Marc Prokosc, afirmou que todos os procedimentos legais foram cumpridos. “A família fez tudo o que era exigido pelas regras. Eles não entraram ilegalmente no país e não são criminosos”, disse. Segundo o defensor, não havia ordem de deportação contra pai e filho, que entraram nos Estados Unidos por meio de um pedido de asilo. Ele apresentou documentos que comprovam a entrada legal da família no país.

    Representantes da comunidade escolar divulgaram duas imagens da ação. Em uma delas, a criança aparece usando um gorro azul do desenho “Lilo & Stitch” enquanto entra em um carro, com um agente segurando sua mochila. A outra mostra o menino à porta da casa.

    “Por que deter uma criança de cinco anos?”, questionou Stenvik. “Não faz sentido tratar um menino dessa idade como se fosse um criminoso violento.”
     
     

    Notícias ao Minuto© Cedido por Columbia Heights Public Schools  

    O que diz a administração Trump?

    Na noite de quarta-feira, a porta-voz do Departamento de Segurança Interna, Tricia McLaughlin, afirmou que, nesse caso, o ICE realizava “uma operação planejada” para prender o pai da criança, descrito por ela como um “imigrante em situação irregular”. Segundo a porta-voz, o ICE não tinha a criança como alvo da ação. McLaughlin declarou ainda que, com a chegada dos agentes, o pai teria fugido a pé e “abandonado a criança”. “Para o bem da criança, um dos agentes do ICE permaneceu ao lado dela, enquanto os outros realizavam a detenção [do pai]”, afirmou.

    A porta-voz acrescentou que os pais são questionados se desejam ser deportados junto com os filhos ou se preferem que o ICE deixe as crianças sob os cuidados de uma pessoa de confiança indicada pela família.

    “Liam é um aluno brilhante. Ele entra na sala e a ilumina”

    A professora da criança divulgou um comunicado em que falou sobre Liam. “Liam é um aluno brilhante. Ele é muito amável e gentil, e os colegas sentem a falta dele. Ele entra na sala de aula e a ilumina. Tudo o que eu quero é que ele volte”, afirmou.

    O advogado da família também comentou os impactos da detenção, destacando que o episódio afeta não apenas os parentes da criança, mas toda a comunidade escolar. Segundo ele, outras crianças “vão enfrentar um trauma” diante da situação.

    Casos de detenções realizadas pelo ICE têm sido frequentemente noticiados, inclusive envolvendo pessoas que vivem há décadas nos Estados Unidos e estão em situação legal. Há registros de mortes em centros de detenção e também em ações nas ruas. No início do ano, por exemplo, Renee Nicole Good morreu após ser baleada por um agente do ICE. Ela foi atingida depois de seguir em seu carro e dar as costas à abordagem da força de segurança. O caso está sob investigação e gerou grande repercussão logo no começo do ano.

    Criança de 5 anos é detida pelo ICE e enviada a centro no Texas

  • Dinamarca rejeita perder controle da Groenlândia para os EUA

    Dinamarca rejeita perder controle da Groenlândia para os EUA

    Primeira-ministra dinamarquesa afirma que aceita dialogar sobre reforço militar no Ártico com EUA e Otan, mas rejeita qualquer negociação que envolva perda de soberania da Groenlândia, após declarações e recuos de Donald Trump durante o Fórum Econômico Mundial em Davos

    (CBS NEWS) – A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, afirmou nesta quinta-feira (22) que está disposta a negociar a segurança da Groenlândia com os Estados Unidos e a Otan, mas rejeitou qualquer possibilidade de perda de soberania do território autônomo dinamarquês para Donald Trump.

    Na véspera, Trump havia reiterado que não abriria mão do controle da ilha, embora tenha descartado o uso da força. Após conversar com o secretário-geral da aliança militar ocidental, o presidente suspendeu tarifas que havia imposto a Copenhague e a outros sete aliados europeus, que enviaram um pequeno contingente militar à Groenlândia em apoio à Dinamarca.

    Os episódios ocorreram em Davos, na Suíça, onde líderes participam do Fórum Econômico Mundial.

    “O Reino da Dinamarca deseja continuar engajado em um diálogo construtivo sobre como podemos aumentar a segurança no Ártico, inclusive em relação ao Domo Dourado dos EUA, desde que isso seja feito com respeito à nossa integridade territorial”, disse Frederiksen.

    A primeira-ministra se referia ao escudo antimísseis planejado por Trump. Atualmente, uma das principais bases americanas de monitoramento de ataques nucleares da Rússia e da China está localizada em Pituffik, na Groenlândia. A ilha é considerada estratégica por sua posição no Ártico e por ser rica em recursos minerais.

    Também em Davos, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, tentou afastar a discussão sobre controle territorial da pauta. Ele afirmou que o tema não foi tratado na conversa com Trump e que eventuais negociações envolverão Estados Unidos, Dinamarca e a própria aliança.

    Segundo Rutte, qualquer decisão sobre o aumento da presença militar na ilha caberá aos comandantes da Otan, que reúne 32 países, sendo 30 europeus, incluindo a Dinamarca. “Não tenho dúvida de que podemos fazer isso rapidamente. Tenho esperança de que aconteça já em 2026”, disse, ressaltando que a preocupação central é a defesa do Ártico diante da atuação crescente da Rússia e da China.

    O tom entre os europeus é de otimismo cauteloso, apesar do discurso incisivo de Trump. O recuo de última hora, com a suspensão das tarifas de 10%, evitou uma possível retaliação comercial da União Europeia que seria discutida nesta quinta-feira.

    Ainda assim, permanece a dúvida sobre se a ofensiva retórica de Trump foi apenas uma estratégia de negociação, que colocou a Europa sob pressão e levantou questionamentos sobre a solidez da aliança criada pelos EUA em 1949 para conter Moscou.

    A iniciativa também ocorreu em meio a outros movimentos da política externa americana, como a recente operação militar para capturar Nicolás Maduro em Caracas e a escalada de tensões no Oriente Médio, que alimentam especulações sobre uma possível ação futura contra o Irã.

    Apesar disso, líderes europeus buscaram reforçar a importância da parceria transatlântica. “Apesar de toda a frustração e da raiva dos últimos meses, não devemos descartar rapidamente essa relação”, afirmou o premiê alemão Friedrich Merz em discurso no fórum.

    Trump já havia destacado a segurança como foco principal em sua fala, negando interesse direto nos recursos naturais da ilha, que concentra cerca de 66% das reservas conhecidas de terras raras fora da China, fundamentais para a indústria de defesa e de alta tecnologia. Rutte reiterou que o tema não foi discutido e reforçou a necessidade de manter atenção à Guerra da Ucrânia, maior conflito em solo europeu desde 1945.

    “Segurança no Ártico é uma questão de toda a Otan”, afirmou Frederiksen, que vinha tentando demonstrar aos parceiros a viabilidade de ampliar a presença militar na Groenlândia por meio de exercícios conjuntos organizados às pressas.

    Os EUA já possuem instrumentos legais para ampliar essa presença. Após ocuparem a ilha durante a Segunda Guerra Mundial, quando os nazistas tomaram a Dinamarca, os americanos tentaram comprar a Groenlândia em 1946. A proposta foi rejeitada, mas, em 1951, Copenhague assinou um tratado com Washington que autorizou a instalação de bases militares e o acesso a recursos estratégicos.

    Ao longo da Guerra Fria, milhares de soldados e diversas instalações militares foram mantidos na ilha, devido à sua posição na rota de mísseis nucleares e submarinos soviéticos. Após o colapso da União Soviética, em 1991, essa presença foi reduzida. Hoje, Pituffik concentra um efetivo entre 150 e 200 pessoas, responsáveis por radares e satélites de alerta antecipado.

    Entre as hipóteses em discussão para atender às demandas de Trump está a abertura de novas bases americanas, possivelmente com apoio de aliados da Otan. Outra alternativa, mencionada por negociadores americanos ao New York Times, seria adotar um modelo semelhante ao de Chipre, onde o Reino Unido mantém bases consideradas territórios britânicos.

    A proposta, no entanto, contraria a posição defendida por Frederiksen e indica que as negociações ainda devem se estender. A Dinamarca também enfrenta pressões internas da Groenlândia, marcada por uma história colonial sensível. “A Otan não tem mandato para negociar qualquer coisa sem nós, da Groenlândia”, afirmou a parlamentar groenlandesa Aaja Chemnitz.

    Na primeira tentativa de diálogo com o governo Trump, a Dinamarca enviou seu chanceler e uma representante da Groenlândia a Washington, mas ouviu que os EUA não recuariam. Desta vez, nem Frederiksen nem Rutte citaram diretamente os líderes da ilha, o que reforça a complexidade do impasse.
     
     

     

    Dinamarca rejeita perder controle da Groenlândia para os EUA

  • Donald Trump assina carta de criação do Conselho da Paz

    Donald Trump assina carta de criação do Conselho da Paz

    Trump disse nesta quinta que pretende trabalhar com a ONU, mas declarações anteriores do americano indicam que o objetivo é outro

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quinta-feira (22), em Davos, na Suíça, a carta que oficializa a criação do Conselho da Paz, pouco depois de afirmar que o novo organismo vai atuar “em coordenação” com as Nações Unidas.

    “A carta entra agora em vigor, e o Conselho da Paz passa a ser oficialmente uma organização internacional”, anunciou a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, durante a cerimônia, que contou com a presença de líderes de países que aceitaram o convite de Washington para integrar o Conselho.

    Segundo a Casa Branca, ao menos 35 dos cerca de 50 chefes de Estado e de governo convidados concordaram em participar da iniciativa. Ainda assim, Trump afirmou nesta quinta-feira que todos os países estão convidados a aderir ao Conselho da Paz.

    Donald Trump assina carta de criação do Conselho da Paz

  • Mulher escraviza vítima por 25 anos e é condenada no Reino Unido

    Mulher escraviza vítima por 25 anos e é condenada no Reino Unido

    Vítima com dificuldades de aprendizagem foi escravizada, agredida e viveu em condições degradantes por décadas em cidade inglesa; resgate ocorreu após denúncia de familiar da agressora, e sentença será definida em março

    Uma mulher foi condenada no Reino Unido por manter outra em cativeiro por cerca de 25 anos, submetendo-a a condições análogas à escravidão na cidade de Tewkesbury, no condado de Gloucestershire, na Inglaterra. A vítima, identificada apenas como K para preservar sua identidade, tinha dificuldades de aprendizagem e era submetida a agressões constantes, sobrevivendo com restos de comida.

    Segundo informações divulgadas pela BBC, Mandy Wixon obrigava K a realizar trabalhos domésticos exaustivos e a viver em um quarto descrito como semelhante a uma cela de prisão, sem condições adequadas de higiene. Ao longo dos anos, a vítima sofreu agressões físicas frequentes e abusos graves.

    De acordo com o processo, Wixon chegou a esguichar detergente líquido na garganta da vítima, jogar água sanitária em seu rosto e raspar seu cabelo contra a vontade. K nasceu em um contexto familiar instável e, em 1996, quando tinha cerca de 16 anos, foi entregue aos cuidados de Wixon, situação que se prolongou por décadas.

    Já com mais de 40 anos, a vítima foi resgatada pela polícia em 15 de março de 2021, após um dos dez filhos da agressora procurar as autoridades demonstrando preocupação com o bem-estar de K. As investigações revelaram que ela era espancada com frequência, inclusive com o cabo de uma vassoura, agressão que resultou na perda de dentes. K também era impedida de sair de casa e precisava tomar banho às escondidas, durante a noite.

    “Não quero estar aqui. Não me sinto segura. Mandy bate em mim o tempo todo. Não gosto disso”, relatou a vítima às autoridades durante o resgate.

    Atualmente, K vive com uma família de acolhimento, frequenta a universidade e já conseguiu até viajar para o exterior, iniciando um processo de reconstrução de sua vida.

    Mandy Wixon foi considerada culpada e deixou o Tribunal da Coroa de Gloucester em liberdade provisória. A sentença está marcada para o dia 12 de março. Ao sair do tribunal, a ré afirmou não sentir arrependimento. “Nunca fiz isso”, declarou.

    Mulher escraviza vítima por 25 anos e é condenada no Reino Unido