Categoria: MUNDO

  • Premiê da França sobrevive a 2 votações no Parlamento que visavam derrubá-lo

    Premiê da França sobrevive a 2 votações no Parlamento que visavam derrubá-lo

    Sessões ocorreram por iniciativa dos dois extremos, esquerda e direita, em protesto pela aprovação do acordo UE-Mercosul; o primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, acusa oposição de sabotagem; Legislativo ainda não aprovou orçamento de 2026

    PARIS, FRANÇA (CBS NEWS) – O gabinete do primeiro-ministro Sébastien Lecornu sobreviveu, nesta quarta-feira (14), a duas moções de censura na Assembleia Nacional, apresentadas separadamente pela ultraesquerda e pela ultradireita. O motivo de ambas foi a aprovação na semana passada, pelo Conselho Europeu, do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul.

    No sistema político francês, a moção de censura é um instrumento para a oposição derrubar o governo. É necessário o voto favorável da maioria absoluta dos 575 deputados em exercício -ou seja, 288 votos. O primeiro voto, proposto pela esquerda, obteve 256 votos, e o segundo, da direita, atingiu apenas 142. Com isso, Lecornu fica no cargo.

    As tentativas de derrubar o primeiro-ministro foram votadas em separado porque a agremiação da ultraesquerda LFI (França Insubmissa) se recusou a apoiar a proposta apresentada pelo partido de ultradireita RN (Reunião Nacional). Ainda assim, mesmo unidas, as duas siglas não teriam os 288 votos necessários para aprovar a moção.

    Lecornu acusou os dois extremos do plenário da Assembleia Nacional de sabotagem e de enviar ao mundo a imagem de uma França dividida em um momento de tensão global, em meio às crises da Venezuela, do Irã e da Groenlândia.

    “Neste momento, protocolar moções de censura tem um impacto, e ele será pago pelo povo francês. É o momento de privar a França de estabilidade?”, perguntou.

    Tanto esquerda quanto direita acusam Lecornu e o presidente Emmanuel Macron de terem traído os agricultores franceses ao não barrarem o tratado UE-Mercosul. A França foi voto vencido no Conselho Europeu. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, é aguardada em Assunção, no Paraguai, no sábado (17), para a assinatura formal do documento.

    Os produtores rurais ocuparam Paris com tratores duas vezes nos últimos dias e continuam bloqueando estradas em alguns pontos do país. Eles também se queixam das medidas draconianas para conter a dermatose nodular contagiosa, uma zoonose que atingiu parte do rebanho bovino francês.

    O governo prometeu propor em breve uma lei que reforce ainda mais a proteção aos agricultores, embora eles já recebam subsídios bilionários da União Europeia.

    O resultado das votações desta quarta era esperado, já que o Partido Socialista, da esquerda moderada, havia anunciado que não apoiaria nenhuma das moções. Os 69 deputados do PS eram indispensáveis para a vitória da oposição -faltaram 32 votos para que a moção da ultraesquerda fosse bem-sucedida.

    Embora não façam parte do governo, os socialistas decidiram apoiá-lo pontualmente, a pretexto de arrancar concessões. A principal delas foi o congelamento da reforma das aposentadorias, cuja idade mínima passaria de 62 para 64 anos, e agora está em 62 anos e 9 meses. Além disso, o PS teme uma dissolução do governo e convocação de novas eleições neste momento -pesquisas apontam que a sigla elegeria apenas 20 deputados se houvesse um pleito hoje.

    Lecornu é o premiê da França desde setembro. Governa graças a uma frágil coalizão de centro-direita, que não dispõe da maioria parlamentar. Neste momento, ele enfrenta problemas para aprovar o orçamento de 2026.

    “Estamos em 14 de janeiro, a França não tem orçamento. Os dois grupos que protocolaram as moções de censura são os que mais fizeram obstrução”, acusou o primeiro-ministro.

    No início da semana, Lecornu aventou a possibilidade de uma dissolução da Assembleia Nacional, caso uma das moções de censura fosse aprovada. A atitude foi vista como uma forma de pressionar a oposição moderada a apoiá-lo, já que as pesquisas apontam a RN de ultradireita, como favorita em caso de eleições legislativas antecipadas.

    A RN é o partido de Marine Le Pen, líder nas sondagens para a eleição presidencial de 2027. No ano passado, porém, ela foi condenada a cinco anos de inelegibilidade por desvio de fundos do Parlamento Europeu. O julgamento de seu recurso começou na terça (13) e a sentença deve levar meses para ser anunciada.

    Premiê da França sobrevive a 2 votações no Parlamento que visavam derrubá-lo

  • Ucrânia declara emergência energética devido a ataques

    Ucrânia declara emergência energética devido a ataques

    País vive pior inverno desde a invasão russa de 2022, e vai aumentar a importação de eletricidade para evitar colapso; sistemas de aquecimento e distribuição de água estão seriamente afetados por bombardeios mais recentes, em especial na capital

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O governo da Ucrânia decretou emergência em seu setor energético, combalido ao ponto de colapso devido a uma campanha renovada de ataques aéreos da Rússia. O país vive o que é descrito como o pior inverno desde que Vladimir Putin o invadiu, há quase quatro anos.

    Segundo o presidente Volodimir Zelenski, será criado um gabinete com poderes emergenciais para direcionar recursos a consertos urgentes. Duas ondas de ataque, na quinta (8) e na segunda (12), deixaram mais da metade de Kiev sem energia.

    A capital será o foco inicial do trabalho, mas como a degradação das redes ocorre em todo o país, também será aumentada a importação de energia dos vizinhos. Em dezembro, diz a consultoria local DiXi Group, o país aumentou em 54% o volume comprado em comparação com junho.

    Os problemas ocorrem em cascata. Durante as noites, as temperaturas têm caído para -20 graus Celsius, e permanecem negativas ao longo do dia. Isso dificulta o trabalho de reparo em subestações e linhas de transmissão atingidas por drones e mísseis.

    A Rússia diz que os ataques visam tolher a capacidade da indústria de defesa do vizinho, o que é fato. Mas o objetivo evidente é a desmoralização da população, que tem enfrentado a crise com dificuldade crescente.

    Moradores de Kiev e Kharkiv, por exemplo, têm apelado a ao derretimento da neve abundante para ter água para beber -sem eletricidade, as bombas que fazem a distribuição do sistema não funcionam.

    Além disso, lareiras improvisadas e fogueiras são vistas dentro de apartamentos, elevando o risco de incêndios. O aquecimento também depende de energia, e os russos têm atingido os depósitos de gás do país, reduzindo segundo a estatal Ukrenergo a capacidade de produção e distribuição a zero em dias de ataques.

    O governo tem estocado grandes quantidades de madeira para distribuir a pontos sensíveis, como hospitais e acampamentos militares na frente de batalha. Em Kiev, além dos 1.200 abrigos antiaéreos aquecidos, o governo montou 68 pontos com geradores para as pessoas buscarem calor e recarregarem celulares.

    “As consequências dos ataques russos e da degradação das condições do tempo são severas”, escreveu no X Zelenski.

    Ele nomeou o vice-premiê Denis Chmial como novo ministro da energia. O político terá poderes extraordinários, e pode haver mudanças nas regras do toque de recolher em algumas cidades para manter os cidadãos abrigados.

    O novo ministro cedeu seu posto na mais vital pasta da Defesa a Mikhailo Fedorov, um jovem de 34 anos com carreira de tecnocrata. A indicação sofreu críticas por parte de blogueiros militares ucranianos. Ao aceitar a função, ele disse que irá concentrar esforços na modernização tecnológica no campo de batalha.

    Enquanto isso, seguem as tratativas para tentar colocar um fim ao conflito, a passo de tartaruga. Segundo a agência Bloomberg, o negociador americano Steve Witkoff irá em breve a Moscou debate a versão revisada do plano de Donald Trump, agora com uma redação mais pró-Kiev, com Putin.

    A chancelaria russa não confirmou o encontro, mas disse que o país está aberto a quaisquer negociações, sinalizando que ele irá ocorrer. Na atual versão, o ponto nevrálgico da proposta é a sugestão de uma força de paz europeia para monitorar o eventual cessar-fogo, algo que Putin não aceita.

    Ucrânia declara emergência energética devido a ataques

  • EUA anunciam 2ª fase do cessar-fogo em Gaza que prevê desmilitarização do Hamas

    EUA anunciam 2ª fase do cessar-fogo em Gaza que prevê desmilitarização do Hamas

    De acordo com os Estados Unidos, a nova etapa marca a transição “de um cessar-fogo para a desmilitarização, governação tecnocrática e reconstrução” do território palestino

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – Após meses de impasses e acusações de lado a lado, os Estados Unidos anunciaram nesta quarta (14) o início da fase dois de seu plano para pôr fim à guerra na Faixa de Gaza, com foco na desmilitarização do grupo terrorista Hamas, na criação de uma administração tecnocrata palestina e na reconstrução do território. A informação foi divulgada pelo enviado do presidente Donald Trump à região, Steve Witkoff.

    Em comunicado, Witkoff afirmou que o plano de 20 pontos apresentado por Trump em outubro entra agora em uma etapa que vai além do cessar-fogo. “Anunciamos o lançamento da fase dois do plano do presidente para acabar com o conflito em Gaza, passando do cessar-fogo para a desmilitarização, governança tecnocrata e reconstrução”, escreveu ele.

    Segundo o enviado americano, a nova fase começa com a “completa desmilitarização e reconstrução de Gaza”, com ênfase no desarmamento de todo o pessoal não autorizado. Witkoff afirmou ainda que os EUA esperam que o Hamas cumpra integralmente suas obrigações, incluindo a devolução imediata do último refém morto, e advertiu que o descumprimento terá “graves consequências”.

    Horas antes do anúncio americano, o governo do Egito informou que foi alcançado um consenso sobre os nomes dos integrantes de um comitê palestino de tecnocratas que deverá administrar a Faixa de Gaza. O órgão será composto por 15 membros e faz parte do plano dos EUA para a governança do território no pós-guerra.

    A proposta recebeu apoio amplo entre os palestinos. O Hamas, o Jihad Islâmico e outros movimentos declararam, em comunicado conjunto, que concordam em apoiar os esforços dos mediadores para a formação do chamado Comitê Nacional de Transição Palestino, criando o ambiente necessário para o início de seus trabalhos. A presidência palestina, sediada em Ramallah, na Cisjordânia, também manifestou apoio por meio de seus canais oficiais.

    Um representante do gabinete do governo palestino disse à AFP que a posição expressa reflete o entendimento do movimento Fatah, liderado pelo presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas.

    Segundo o ministro das Relações Exteriores do Egito, Badr Abdellatty, a expectativa é que, após o acordo, o comitê seja anunciado formalmente em breve e passe a administrar a vida cotidiana da população e os serviços essenciais em Gaza.

    O plano de 20 pontos de Trump prevê que o comitê de transição governe a Faixa de Gaza sob a supervisão de um Conselho de Paz liderado pelo próprio presidente americano. Nesta quarta, uma delegação do Hamas reuniu-se no Cairo com mediadores egípcios para discutir a formação do comitê e seus mecanismos operacionais. Representantes do movimento, sob anonimato, disseram que negociações paralelas devem ocorrer com outros grupos palestinos.

    Além da composição do comitê e da escolha de seu futuro presidente, as discussões também tratam do acordo de cessar-fogo, à luz do que o Hamas classificou como violações israelenses em Gaza. Segundo uma das fontes, uma vez fechado o acordo, caberá a Mahmoud Abbas emitir um decreto que formalize a criação do comitê.

    Dois nomes são apontados como possíveis dirigentes do novo órgão: Ali Shaath, ex-vice-ministro do Planejamento da Autoridade Palestina, e Maged Abu Ramadan, atual ministro da Saúde e ex-prefeito da Cidade de Gaza.

    EUA anunciam 2ª fase do cessar-fogo em Gaza que prevê desmilitarização do Hamas

  • EUA suspende emissão de visto para 75 países, incluindo Brasil

    EUA suspende emissão de visto para 75 países, incluindo Brasil

    Lista incluem países como Brasil, Rússia, Irã, Iraque, Egito, Nigéria, Tailândia, Somália e Iêmen

    Nesta quarta-feira (14), a rede de TV norte-americana Fox News revelou que o governo dos Estados Unidos deve suspender os vistos para 75 países, incluindo o Brasil. A informação teria vindo de um memorando do Departamento de Estado enviado a funcionários consulares.

    Segundo o documento, a suspensão acontecerá até que o departamento revise as diretrizes de visto vigentes. Os países da lista incluem Rússia, Brasil, Irã, Iraque, Egito, Nigéria, Tailândia, Somália e Iêmen.

    Em entrevista à Fox News, Tommy Piggot, porta-voz do Departamento de Estado, disse que a medida visa “considerar inelegíveis potenciais imigrantes que se tornariam um fardo para os Estados Unidos e explorariam a generosidade do povo americano”, referindo-se a estrangeiros que poderiam depender do sistema de assistência social e benefícios públicos dos EUA.

    No último dia 12, o perfil oficial no X do Departamento de Estado norte-americano comemorou a revogação pelo governo de Donald Trump de 100 mil vistos. Na publicação, o órgão diz que continuará deportando “criminosos para manter a América segura”.

    Em novembro de 2025, o departamento já havia enviado comunicado a consulados em todo o mundo determinando regras mais rígidas de avaliação com base na cláusula de “encargo público” da legislação migratória. Na ocasião, os agentes foram orientados a negar vistos a candidatos levando em conta sua saúde (incluindo possibilidade de necessidade de cuidados médicos a longo prazo), idade, domínio do inglês e situação financeira.

    De acordo com as normas, quem for mais velho, com sobrepeso ou que tenha histórico de uso de assistência financeira governamental também pode ter pedidos de visto americano negados.

    A Embaixada dos EUA no Brasil ou o Itamaraty ainda não se pronunciaram sobre o assunto.

    EUA suspende emissão de visto para 75 países, incluindo Brasil

  • Trump quer Gronelândia para projeto de escudo antimíssil norte-americano

    Trump quer Gronelândia para projeto de escudo antimíssil norte-americano

    O presidente Donald Trump voltou a defender que o território, hoje sob soberania da Dinamarca, é estratégico para o escudo antimíssil americano e afirmou que a OTAN deveria liderar uma ação para garantir o controle da ilha.

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a afirmar nesta quarta-feira que o país “precisa da Gronelândia por razões de segurança nacional”, classificando a ilha como estratégica para a chamada “Cúpula Dourada”, projeto de escudo antimíssil norte-americano.

    Em publicação na rede Truth Social, Trump escreveu que a Gronelândia é “vital” para o sistema de defesa que os Estados Unidos pretendem implementar. O presidente também defendeu que a OTAN deveria “liderar o caminho” para que os EUA passem a controlar o território.

    As declarações foram feitas poucas horas antes de uma reunião prevista em Washington entre o vice-presidente JD Vance, o secretário de Estado Marco Rubio e representantes dos governos da Dinamarca e da Gronelândia.

    Trump voltou a sustentar que, caso os Estados Unidos não ajam, potências como a Rússia ou a China poderiam ampliar sua influência na região do Ártico. “Isso não vai acontecer”, escreveu.

    O presidente norte-americano também argumentou que, sem o “poder significativo dos Estados Unidos”, a OTAN não seria uma força de dissuasão eficaz. Segundo ele, a aliança militar se tornaria “muito mais forte” com a Gronelândia sob controle americano, classificando qualquer outro cenário como “inaceitável”.

    Desde que voltou à Casa Branca, Trump tem reiterado publicamente a possibilidade de os Estados Unidos assumirem o controle da Gronelândia, território autônomo sob soberania dinamarquesa, localizado no Ártico e com cerca de 50 mil habitantes.

    As declarações têm provocado forte reação em Copenhague e em Nuuk, capital da ilha, onde autoridades rejeitam qualquer cessão de soberania e defendem que a segurança da Gronelândia deve ser tratada exclusivamente no âmbito da OTAN.

    Trump quer Gronelândia para projeto de escudo antimíssil norte-americano

  • Brasil e Portugal querem acelerar acordo Mercosul-União Europeia

    Brasil e Portugal querem acelerar acordo Mercosul-União Europeia

    Na conversa com Lula, de acordo com o Planalto, o primeiro-ministro cumprimentou o presidente brasileiro por seu empenho em favor da conclusão do acordo. Os dois também discutiram a necessidade que as novas regras possam entrar em vigor o mais rápido possíve

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou nesta terça-feira (13) com o primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro. Segundo comunicado do Palácio do Planalto, os dois líderes manifestaram satisfação com aprovação do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, que deve ser assinado no próximo dia 17, no Paraguai. O novo tratado, que demorou 25 anos para ter suas negociações concluídas, ainda precisam passar por um processo de internalização dos países signatários.

    Na conversa com Lula, de acordo com o Planalto, o primeiro-ministro cumprimentou o presidente brasileiro por seu empenho em favor da conclusão do acordo. Os dois também discutiram a necessidade que as novas regras possam entrar em vigor o mais rápido possível.

    “Ambos coincidiram que a decisão dos dois blocos é um gesto muito importante de defesa do multilateralismo e do livre comércio, com grande dimensão política e estratégica neste momento histórico. Concordaram em trabalhar conjuntamente, de forma rápida e eficiente, para a implementação do acordo a fim de que as populações possam ver resultados concretos da parceria firmada”, informou a Presidência da República, em nota. 

    Lula e Montenegro também trocaram impressões sobre a situação na Venezuela e destacaram a necessidade de se evitar um cenário de instabilidade na América do Sul.

    Brasil e Portugal querem acelerar acordo Mercosul-União Europeia

  • Trump insulta operário que o chamou "protetor de pedófilo"; veja

    Trump insulta operário que o chamou "protetor de pedófilo"; veja

    Gravado por celulares, Trump reagiu com xingamentos e mostrou o dedo do meio a um funcionário que o teria insultado. A Casa Branca saiu em defesa do presidente, enquanto a montadora decidiu suspender o trabalhador envolvido.

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, protagonizou um momento de tensão durante uma visita a uma fábrica da Ford Motor Company no estado de Michigan, na terça-feira. Gravado por celulares, Trump reagiu com xingamentos e mostrou o dedo do meio a um funcionário que o teria insultado. A Casa Branca saiu em defesa do presidente, enquanto a montadora decidiu suspender o trabalhador envolvido.

    As imagens, divulgadas inicialmente pelo TMZ, mostram Trump caminhando pelas instalações industriais quando interrompe a visita para responder ao funcionário, a quem dirige um gesto obsceno e uma ofensa verbal. De acordo com o site, o trabalhador teria chamado o presidente de “protetor de um pedófilo”, em referência ao caso de Jeffrey Epstein, empresário condenado por crimes sexuais e conhecido por manter relações com figuras influentes.

    A Casa Branca classificou a reação do presidente como adequada. Em declaração à CBS News, o diretor de Comunicação do governo, Steven Cheung, afirmou que “um lunático estava a gritar palavrões de forma descontrolada” e que Trump respondeu de maneira “adequada e inequívoca”.

    Após a repercussão do episódio, a Ford confirmou a suspensão do funcionário, identificado como membro do sindicato United Auto Workers. Em nota, o porta-voz da empresa, David Tovar, afirmou que a companhia não tolera comportamentos considerados inadequados dentro de suas instalações. “Um dos nossos valores fundamentais é o respeito. Quando isso é violado, temos procedimentos internos para lidar com a situação”, declarou, sem entrar em detalhes sobre o caso específico.

    A visita de Trump ao Michigan incluiu um discurso no Detroit Economic Club e uma passagem pela fábrica da Ford, localizada em Dearborn. Mais tarde, o presidente participou de um evento no Sound Board Theater, no complexo do MotorCity Casino, onde exaltou indicadores econômicos, celebrou a vitória no estado nas eleições de 2024 e voltou a defender a política de tarifas adotada por sua administração, dizendo que a palavra “tarifa” está entre as suas preferidas.

     

    Trump insulta operário que o chamou "protetor de pedófilo"; veja

  • Quem é Erfan Soltani, jovem que pode ser enforcado no Irã nesta quarta

    Quem é Erfan Soltani, jovem que pode ser enforcado no Irã nesta quarta

    Aos 26 anos, trabalhador do setor têxtil foi preso durante manifestações contra o regime, não teve acesso a advogado nem julgamento formal e pode se tornar o primeiro manifestante executado nesta nova onda de repressão no país.

    Erfan Soltani tem 26 anos, trabalha no setor têxtil e pode se tornar o primeiro manifestante executado pelo regime iraniano desde o início da nova onda de protestos no país. Organizações internacionais de direitos humanos afirmam que ele corre risco iminente de ser enforcado já nesta quarta-feira, após ter sido detido durante manifestações contra o governo.

    Erfan foi preso na noite de 8 de janeiro, nas proximidades de sua casa, no distrito de Fardis, na cidade de Karaj, região metropolitana de Teerã. Durante três dias, a família não recebeu qualquer informação sobre seu paradeiro. O contato só ocorreu no domingo seguinte, quando agentes de segurança confirmaram que o jovem estava sob custódia e já havia sido condenado à morte.

    Segundo relatos reunidos por entidades independentes, Erfan não teve acesso a advogado, não foi formalmente acusado e não passou por julgamento. A condenação teria sido baseada na acusação de “moharebeh”, termo usado pelo regime para classificar opositores como “inimigos de Deus”, crime que pode levar à pena capital no Irã.

    A família foi autorizada a um único encontro com o jovem, com duração de cerca de dez minutos. De acordo com fontes próximas, os agentes deixaram claro que se tratava de uma despedida final antes da execução da sentença. Parentes também teriam sido ameaçados para que não falassem com a imprensa nem denunciassem o caso publicamente.

    Erfan Soltani trabalhava na indústria do vestuário e havia começado recentemente em uma empresa privada. Pessoas próximas relatam que ele tinha interesse por moda, praticava musculação e levava uma vida discreta. Seu perfil em redes sociais, ainda ativo, mostra um jovem comum, distante de qualquer histórico de militância armada ou envolvimento violento.

    Organizações de direitos humanos alertam que o caso pode abrir caminho para uma escalada de execuções relacionadas aos protestos que tomam o país desde o fim de dezembro, motivados inicialmente pela inflação elevada e pelo colapso da moeda iraniana, o rial, e que rapidamente se transformaram em manifestações contra o regime.

    Segundo essas entidades, o Irã vive um cenário de repressão comparável ao dos anos 1980, período marcado por execuções em massa de opositores políticos. O temor é de que Erfan seja apenas o primeiro de muitos manifestantes a enfrentar punições extremas sem o devido processo legal.

    Grupos internacionais pedem pressão diplomática imediata e afirmam que a comunidade internacional tem a responsabilidade de agir para impedir execuções sumárias e proteger civis que protestam contra o governo iraniano.

    Quem é Erfan Soltani, jovem que pode ser enforcado no Irã nesta quarta

  • Irã anuncia julgamentos sumários e execuções para manifestantes detidos

    Irã anuncia julgamentos sumários e execuções para manifestantes detidos

    Chefe do Judiciário defende condenações rápidas, sem garantias plenas de defesa, em meio à repressão que já deixou mais de 2.500 mortos. Medida eleva tensão internacional e provoca alertas de organizações de direitos humanos.

    O chefe do Judiciário do Irã, Gholamhossein Mohseni-Ejei, anunciou nesta quarta-feira que pessoas detidas por participação nos protestos recentes contra o regime poderão ser submetidas a julgamentos sumários, com possibilidade de condenações rápidas e até execuções.

    Esse tipo de julgamento se caracteriza por processos acelerados, conduzidos sem as garantias básicas do devido processo legal, como direito pleno à defesa, tempo adequado para apresentação de provas e julgamento por um tribunal independente. Organizações internacionais de direitos humanos consideram esse procedimento uma grave violação das normas jurídicas internacionais.

    As manifestações, iniciadas em 28 de dezembro, se espalharam por todo o país e vêm sendo reprimidas com extrema violência. Segundo organizações não governamentais, mais de 2.500 pessoas já morreram desde o início dos protestos, número que pode ser ainda maior devido às dificuldades de comunicação no país.

    Ao justificar a adoção de julgamentos sumários, Mohseni-Ejei afirmou que a rapidez das punições seria essencial para conter os protestos. “Se quisermos fazer o trabalho, temos de fazê-lo agora. Se demorarmos dois ou três meses, não terá o mesmo efeito”, declarou, deixando claro o caráter punitivo e dissuasório das medidas.

    A escalada repressiva aumentou a tensão internacional. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a alertar que Washington poderá adotar “medidas muito fortes” caso o regime iraniano avance com execuções de manifestantes. Trump já havia apoiado, em junho, a ofensiva militar de Israel contra Teerã.

    Paralelamente, ativistas contrários ao regime informaram que o serviço de internet via satélite Starlink, da empresa de Elon Musk, começou a oferecer acesso gratuito no Irã. A iniciativa ocorre após o governo bloquear quase totalmente a internet desde 8 de janeiro, como forma de dificultar a mobilização e a divulgação de informações sobre a repressão.

    Embora chamadas telefônicas internacionais a partir do Irã tenham sido parcialmente restabelecidas, contatos do exterior para dentro do país seguem restritos, o que mantém a população isolada em meio ao agravamento da crise política e humanitária.

    Irã anuncia julgamentos sumários e execuções para manifestantes detidos

  • 2025 foi o terceiro ano mais quente da história, aponta centro europeu

    2025 foi o terceiro ano mais quente da história, aponta centro europeu

    Planeta registrou o terceiro ano consecutivo com temperaturas acima do limite de 1,5 °C em relação aos níveis pré-industriais. Relatório alerta que a meta do Acordo de Paris pode ser ultrapassada de forma permanente ainda nesta década.

    O ano de 2025 foi o terceiro mais quente já registrado no planeta e marcou o terceiro ano consecutivo em que a temperatura global ficou acima do limite de 1,5 °C em relação ao período pré-industrial. Os dados constam do relatório anual divulgado nesta terça-feira pelo Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF).

    Segundo o levantamento, 2025 foi apenas 0,01 °C mais frio do que 2023 e 0,13 °C mais quente do que 2024, considerado o ano mais quente da história em escala global. A temperatura média do planeta no ano passado chegou a 14,97 °C, valor 0,59 °C acima da média registrada no período de referência entre 1991 e 2020.

    Na Europa, o cenário foi semelhante. O continente viveu o terceiro ano mais quente de sua série histórica, com temperatura média de 10,41 °C. O índice ficou 0,3 °C abaixo do recorde observado em 2024, mas ainda 1,17 °C acima da média de longo prazo.

    O relatório destaca ainda que o mundo já enfrenta três anos seguidos com temperaturas superiores a 1,5 °C em relação aos níveis pré-industriais, limite definido no Acordo de Paris, firmado em 2015, como meta para conter o aquecimento global no longo prazo. “Nenhum de nós queria chegar a esse marco”, afirmou Mauro Facchini, responsável pela área de Observação da Terra da Comissão Europeia.

    De acordo com os cientistas, o avanço das temperaturas é impulsionado principalmente pelo acúmulo contínuo de gases de efeito estufa na atmosfera e pelas temperaturas excepcionalmente elevadas da superfície dos oceanos. Esses fatores foram potencializados pelo fenômeno El Niño e por outras variações naturais do sistema oceânico, agravadas pelas mudanças climáticas.

    O estudo aponta que o aquecimento global de longo prazo já alcança cerca de 1,4 °C acima dos níveis pré-industriais. Com esse ritmo, o limite estabelecido no Acordo de Paris pode ser atingido até o fim desta década, mais de dez anos antes do que se previa inicialmente.

    O ECMWF é responsável pela gestão do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus (C3S) e do Serviço de Monitoramento Atmosférico da União Europeia. Para o diretor do C3S, Carlo Buontempo, o desafio agora não é mais evitar a ultrapassagem do limite, mas lidar com seus efeitos. “A escolha que enfrentamos é como gerenciar essa superação inevitável e suas consequências para a sociedade e para os sistemas naturais”, afirmou, lembrando que os últimos 11 anos foram os mais quentes já registrados.

    Em 2025, a Antártida registrou a maior temperatura média anual de sua história, enquanto o Ártico teve o segundo maior valor já observado. Outras regiões também bateram recordes, como o Pacífico Noroeste e Sudoeste, o Atlântico Nordeste, o extremo leste e noroeste da Europa e áreas da Ásia Central.

    A diretora de estratégia climática do C3S, Samantha Burgess, destacou que os impactos são globais. “Nenhum país ou cidade escapou das mudanças climáticas”, afirmou durante a apresentação do relatório.

    O documento também chama atenção para os efeitos diretos do calor extremo na saúde. Em 2025, cerca de metade da superfície terrestre enfrentou mais dias do que o normal com estresse térmico severo, definido por índice de calor igual ou superior a 32 °C. Segundo a Organização Mundial da Saúde, esse tipo de exposição é hoje a principal causa de mortes relacionadas ao clima em todo o mundo.
     

    2025 foi o terceiro ano mais quente da história, aponta centro europeu