Categoria: MUNDO

  • Homem fica preso no porão de avião e passageiros ouvem gritos

    Homem fica preso no porão de avião e passageiros ouvem gritos

    Trabalhador foi trancado acidentalmente no compartimento de carga em voo da Air Canada Rouge, no aeroporto de Toronto. Situação só foi descoberta após passageiros ouvirem gritos, e ninguém ficou ferid

    Um funcionário de aeroporto viveu momentos de tensão ao ficar preso no porão de uma aeronave pouco antes da decolagem no Canadá. O incidente ocorreu nesta terça-feira no Aeroporto Internacional Pearson de Toronto, em um voo da Air Canada Rouge com destino a Moncton. A situação só foi percebida porque passageiros ouviram gritos vindos da parte inferior do avião.

    A aeronave já havia iniciado o deslocamento em direção à pista quando a tripulação passou a demonstrar agitação nos corredores. A passageira Gabrielle Caron, que retornava ao Canadá após férias no México, contou que percebeu algo fora do normal ao notar o nervosismo a bordo. “O avião já estava taxiando quando, de repente, parou”, relatou em entrevista à CBC.

    Pela janela, os passageiros viram funcionários se reunindo ao redor da aeronave. Na parte traseira do avião, Stephanie Cure também percebeu o clima de tensão. Segundo ela, alguns passageiros começaram a demonstrar ansiedade, até que foi possível ouvir um som abafado, semelhante a pedidos de socorro.

    A informação foi repassada à tripulação, que acionou imediatamente a segurança do aeroporto. Pouco depois, o piloto deixou a cabine e informou aos passageiros que havia um funcionário preso no porão da aeronave.

    Em um vídeo divulgado nas redes sociais, o comandante afirmou nunca ter presenciado situação semelhante. “É a primeira vez que vejo algo assim e espero que seja a última”, disse. Em seguida, tranquilizou os passageiros ao informar que o funcionário estava bem e fora retirado em segurança.

    Para aliviar a apreensão, o próprio trabalhador entrou na cabine e se apresentou aos mais de 100 passageiros, demonstrando que não havia sofrido ferimentos e que o episódio não passou de um susto.

    Em nota, a Air Canada explicou que as portas do compartimento de carga foram fechadas inadvertidamente enquanto o funcionário ainda estava no local. Stephanie Cure relatou ainda que ouviu membros da tripulação comentarem que o trabalhador era um funcionário extra que auxiliava nas operações e, por isso, não constava na lista oficial da equipe designada para aquele voo.
     

     
     

    Homem fica preso no porão de avião e passageiros ouvem gritos

  • Após quatro anos de quimioterapia, mulher descobre que nunca teve câncer

    Após quatro anos de quimioterapia, mulher descobre que nunca teve câncer

    Paciente passou por tratamento agressivo na Itália após erro de diagnóstico. Justiça reconheceu negligência médica e fixou indenização de 500 mil euros (R$ 3,15 milhões) pelos danos físicos, psicológicos e pelo sofrimento causado ao longo de anos

    Uma mulher de 70 anos foi indenizada em 500 mil euros (R$ 3,15 milhões) pela Justiça italiana após passar quatro anos submetida a quimioterapia agressiva para tratar um câncer que, mais tarde, se comprovou inexistente. O caso, revelado pela imprensa local, é resultado de um erro de diagnóstico ocorrido em um hospital universitário de Pisa, no início dos anos 2000, e deixou sequelas físicas e psicológicas permanentes.

    Segundo o jornal Corriere Fiorentino, tudo começou em 2006, quando a paciente, então com 42 anos, realizou exames na unidade de saúde e recebeu o diagnóstico de linfoma terminal, um tipo grave de câncer do sistema linfático que afeta os intestinos. A partir daí, foi submetida a um tratamento considerado altamente invasivo.

    Entre janeiro de 2007 e maio de 2011, a italiana passou por ciclos intensos de quimioterapia e pelo uso prolongado de corticosteroides. O tratamento provocou um forte desequilíbrio hormonal, comprometeu o sistema imunológico e desencadeou quadros de depressão e ansiedade. Apenas em 2011, após a realização de uma biópsia óssea, os médicos constataram que a paciente nunca teve câncer.

    Diante da revelação, a mulher acionou a Justiça por negligência médica. Em primeira instância, recebeu uma indenização de 300 mil euros (R$ 1,89 milhão), valor que considerou insuficiente diante dos danos sofridos ao longo de anos de tratamento desnecessário. O caso voltou a ser analisado e, na última quinta-feira, o tribunal decidiu elevar a compensação para 500 mil euros (R$ 3,15 milhões).

    Na decisão, os magistrados afirmaram que o aumento é plenamente justificado pela “extraordinária angústia e sofrimento” enfrentados pela paciente, além das consequências irreversíveis para sua saúde física e mental.

    Em entrevista ao jornal Il Tirreno, a mulher relatou que ainda convive com os efeitos dos tratamentos. “Meu sistema imunológico foi destruído por terapias erradas, inúteis e prejudiciais”, afirmou. Ela disse que segue com a saúde fragilizada e que, apesar da decisão judicial, não consegue superar o impacto emocional do erro. “Sinto-me arrasada. Não encontro paz, mesmo depois dessa sentença”, desabafou.
     
     

     

    Após quatro anos de quimioterapia, mulher descobre que nunca teve câncer

  • Mortes em protestos no Irã passam de 2,5 mil, diz ONG de direitos humanos

    Mortes em protestos no Irã passam de 2,5 mil, diz ONG de direitos humanos

    Levantamento aponta que a maioria das vítimas era de manifestantes e inclui ao menos 12 crianças. Número de presos já supera 18 mil, em meio à repressão intensificada do regime e ao agravamento da crise econômica no país.

    O número de mortos nos protestos contra o regime do Irã chegou a pelo menos 2.571, segundo a Agência de Notícias dos Ativistas pelos Direitos Humanos, conhecida pela sigla HDRANA. A organização, criada por iranianos no exílio e sediada nos Estados Unidos, afirma que 2.403 das vítimas eram manifestantes e 147 tinham ligação com o governo.

    De acordo com o levantamento mais recente, divulgado na terça-feira, ao menos 12 crianças morreram durante a repressão, além de nove civis que não participavam diretamente das manifestações. O número de pessoas detidas também aumentou e já ultrapassa 18.100.

    No balanço anterior, a HDRANA havia contabilizado pelo menos 2.003 mortes desde o início dos protestos, em 28 de dezembro. O novo total supera amplamente o registrado em qualquer outra onda de manifestações no país nas últimas décadas e remete ao nível de violência observado durante a Revolução Islâmica de 1979.

    Em entrevista à Associated Press, Skylar Thompson, representante da HDRANA, classificou os números como chocantes. Segundo ele, em apenas duas semanas, o total de vítimas já é quatro vezes maior do que o registrado nos protestos de 2022, desencadeados após a morte de Mahsa Amini sob custódia da chamada polícia da moralidade. Thompson afirmou ainda que a organização considera o balanço conservador.

    A televisão estatal iraniana reconheceu pela primeira vez, na terça-feira, um elevado número de mortes, ao afirmar que houve “muitos mártires” durante os confrontos. Um apresentador leu um comunicado segundo o qual “grupos armados e terroristas” teriam levado o país a sacrificar vidas, sem divulgar dados oficiais.

    Veículos estatais também informaram que ao menos 121 integrantes das forças militares, policiais, de segurança e do Judiciário morreram durante os protestos, conforme dados atribuídos a outra organização, a Human Rights Iran.

    Com a internet amplamente bloqueada no Irã, a verificação independente dos acontecimentos se tornou ainda mais difícil, embora moradores tenham conseguido retomar chamadas internacionais na terça-feira. A Human Rights Iran estima que o número real de vítimas da repressão possa chegar a até 12 mil.

    Os protestos começaram em 28 de dezembro, em Teerã, impulsionados inicialmente por comerciantes e setores econômicos afetados pela desvalorização do rial e pela inflação elevada. As manifestações rapidamente se espalharam para mais de 100 cidades.

    A inflação anual no país supera 42%, e, ao longo do último ano, a moeda iraniana perdeu cerca de 69% de seu valor frente ao dólar. O cenário econômico é agravado pelas sanções impostas pelos Estados Unidos e pela ONU em razão do programa nuclear iraniano.

    As autoridades reagiram inicialmente de forma mais moderada às manifestações, mas passaram a adotar uma postura cada vez mais dura. Com o avanço da repressão, os manifestantes passaram a ser classificados como terroristas ligados aos Estados Unidos e a Israel, e surgiram relatos de condenações à morte de pessoas detidas durante os protestos.

    Mortes em protestos no Irã passam de 2,5 mil, diz ONG de direitos humanos

  • Reunião nos EUA discute futuro da Groenlândia após pressão de Trump

    Reunião nos EUA discute futuro da Groenlândia após pressão de Trump

    Autoridades da Dinamarca e da Groenlândia se encontram com o vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado Marco Rubio, em meio a tensões diplomáticas e declarações de Donald Trump sobre assumir o controle do território ártico.

    Autoridades da Dinamarca e da Groenlândia se reúnem nesta quarta-feira, na Casa Branca, com o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio, em um encontro que ocorre em meio ao aumento das tensões em torno do futuro do território ártico. A delegação inclui os ministros das Relações Exteriores da Dinamarca e da Groenlândia, além da conselheira de Política Externa do governo groenlandês, Vivian Motzfeldt.

    O anúncio da reunião foi feito nesta terça-feira pelo chanceler dinamarquês, Lars Løkke Rasmussen, no mesmo dia em que o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, classificou o momento como uma “crise geopolítica”. Ele afirmou que, caso tivesse de escolher entre os Estados Unidos e a Dinamarca, ficaria com Copenhague.

    A declaração provocou reação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que minimizou a fala do líder groenlandês e afirmou que a situação “será um grande problema”.

    A discussão sobre a Groenlândia ganhou força nos últimos dias após Trump voltar a afirmar que pretende assumir o controle da ilha “de uma forma ou de outra”. O presidente americano argumenta que a anexação seria necessária para garantir a segurança nacional dos Estados Unidos diante da influência crescente da China e da Rússia no Ártico. Segundo ele, a Dinamarca teria negligenciado a defesa do território autônomo.

    As declarações ampliaram a preocupação em Copenhague e Nuuk. A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, alertou que uma eventual anexação da Groenlândia significaria o fim da Aliança Atlântica, a Otan. Parlamentares americanos informaram que uma delegação do Congresso deve viajar a Copenhague nos próximos dias, antes de seguir para o Fórum Econômico Mundial, em Davos.

    A Groenlândia tem cerca de 57 mil habitantes, possui vastos recursos minerais ainda pouco explorados e ocupa uma posição estratégica no Ártico. Os Estados Unidos mantêm uma base militar no território e chegaram a operar mais de dez instalações na região durante a Guerra Fria.

    O governo groenlandês reforçou que a ilha não está à venda nem aceita qualquer forma de controle externo. Em entrevista coletiva em Copenhague, Nielsen afirmou que a Groenlândia é um Estado de direito e que seu futuro deve ser decidido exclusivamente pelos groenlandeses, conforme previsto no Estatuto de Autonomia.

    A legislação de 2009 estabelece o caminho para uma eventual independência, condicionada à negociação de um acordo entre Nuuk e Copenhague. Um dos principais pontos seria a contribuição financeira anual da Dinamarca, hoje estimada em 4,5 bilhões de coroas dinamarquesas, o equivalente a mais de um quinto do PIB da ilha. Qualquer decisão precisaria ser aprovada pelos Parlamentos dos dois lados e ratificada por referendo na Groenlândia.

    Embora reconheça que o desejo de independência seja legítimo, Frederiksen afirmou que o momento exige unidade dentro do Reino da Dinamarca, que inclui também as Ilhas Faroé. “Não é hora de disputas internas”, afirmou Nielsen. “É hora de união diante de uma pressão externa que consideramos inaceitável.”

    Reunião nos EUA discute futuro da Groenlândia após pressão de Trump

  • EUA: Promotores renunciam após morte de mulher pelo ICE

    EUA: Promotores renunciam após morte de mulher pelo ICE

    Funcionários se opõem à decisão do Departamento de Segurança de investigar viúva em vez do oficial que atirou; Renee Nicole Good, 37, foi morta na quarta em operação do serviço de imigração americano em Minneapolis

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – Seis promotores federais de Minnesota renunciaram nesta terça-feira (13) devido à pressão do Departamento de Justiça para investigar a viúva de Renee Nicole Good, morta por um agente do ICE, e à relutância do órgão em investigar o oficial que atirou, de acordo com pessoas próximas da decisão.

    Joseph H. Thompson, que era o segundo no comando do Ministério Público Federal e supervisionava uma ampla investigação de fraude que inflamou o cenário político de Minnesota, está entre os que se demitiram, de acordo com três pessoas com conhecimento da decisão.

    A demissão de Thompson ocorreu depois que funcionários de alto escalão do Departamento de Justiça pressionaram por uma investigação criminal sobre as ações de Becca Good, viúva de Renee Good, morta por um agente do serviço de imigração americano na quarta.

    Thompson, 47, um promotor de carreira, se opôs a essa abordagem, bem como à recusa do Departamento de Justiça em incluir autoridades estaduais na investigação sobre se o tiroteio em si foi legal, disseram pessoas próximas.

    O chefe de polícia de Minneapolis, Brian O’Hara, disse em uma entrevista que a renúncia de Thompson é um grande golpe para os esforços de erradicar roubos generalizados de agências estaduais.

    Os casos de fraude, que envolvem esquemas para burlar programas de segurança social, foram a principal razão citada pelo governo Trump para sua repressão à imigração no estado. A grande maioria dos réus acusados nos casos são cidadãos americanos de origem somali.

    “Quando você perde o líder responsável por conduzir os casos de fraude, isso mostra que não se trata realmente de processar fraudes”, disse O’Hara, em referência às suspotas justificativas do presidente.

    Os outros promotores de carreira sênior que renunciaram incluem Harry Jacobs, Melinda Williams e Thomas Calhoun-Lopez. Jacobs era o vice de Thompson e supervisionava a investigação de fraudes, que começou em 2022. Calhoun-Lopez era o chefe da unidade de crimes violentos.

    Thompson, Jacobs, Williams e Calhoun-Lopez se recusaram a discutir os motivos de suas demissões. O Departamento de Justiça não respondeu a um pedido de comentário.

    As demissões ocorrem após dias de tentativa dos promotores para controlar a indignação com o assassinato de Good, que provocou protestos em Minnesota e em todo o país.

    Depois que Renee Good foi morta, o Departamento de Justiça decidiu não realizar uma investigação de direitos civis que determinaria se o uso de força letal pelo agente do ICE foi justificado. Essa decisão levou vários promotores de carreira do departamento em Washington a se demitirem em protesto, segundo a mídia local.

    Em vez disso, o Departamento de Justiça iniciou uma investigação para examinar os laços entre Renee Good e sua esposa, Becca, e vários grupos que têm monitorado e protestado contra a conduta dos agentes de imigração nas últimas semanas. Pouco depois da ação fatal na quarta-feira, Kristi Noem, secretária de Segurança Interna, referiu-se a Good como uma “terrorista doméstica”.

    Thompson se opôs veementemente à decisão de não investigar o tiroteio como uma questão de direitos civis e ficou indignado com a exigência de iniciar uma investigação criminal contra Becca Good, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto.

    O promotor havia proposto inicialmente investigar o tiroteio em parceria com o Departamento de Investigação Criminal de Minnesota, uma agência estadual que analisa tiroteios envolvendo a polícia. Altos funcionários do Departamento de Justiça, no entanto, rejeitaram a decisão de cooperar.

    Drew Evans, superintendente do órgão estadual de investigação, considerou a saída de Thompson um grande revés para os esforços de erradicação da fraude no estado e para a segurança pública. “Estamos perdendo um verdadeiro servidor público”, disse. “Precisamos muito de promotores profissionais.” A ausência de uma investigação confiável e abrangente sobre o assassinato de Good “prejudica a confiança em nossas agências de segurança pública”, acrescentou.

    O governo de Trump ainda anunciou nesta terça o fim do status que permitia a cidadãos da Somália residir e trabalhar temporariamente nos Estados Unidos, e anunciou que eles devem deixar o país até meados de março.

    A decisão foi tomada em meio ao movimento contra a comunidade somali em Minnesota. “Nossa mensagem é clara: voltem para seu país de origem ou vamos deportá-los”, publicou o Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) no X, ao anunciar a eliminação do Status de Proteção Temporária (TPS, na sigla em inglês) para a Somália.

    Trump usou o escândalo de fraude na assistência social envolvendo a comunidade somali de Minnesota –a maior do país, com cerca de 80 mil pessoas– para atacá-la e endurecer sua política migratória no estado. As operações na cidade de Minneapolis já resultaram em cerca de 2 mil detenções.

    EUA: Promotores renunciam após morte de mulher pelo ICE

  • Mortes superam nascimentos na França pela 1º vez desde a 2º Guerra Mundial

    Mortes superam nascimentos na França pela 1º vez desde a 2º Guerra Mundial

    Houve 651 mil mortes e 645 mil nascimentos no país, que tem quadro demográfico mais vantajoso que a média da Europa; taxa de fecundidade caiu para 1,56 filhos por mulher, nível mais baixo desde a 1ª Guerra Mundial e aquém do 1,8 previsto

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – A França registrou mais mortes do que nascimentos em 2025, segundo números oficiais divulgados nesta terça-feira (13). É a primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial que os dados apontam um cenário que mina a vantagem demográfica de longa data do país sobre outras nações da União Europeia.

    Em 1º de janeiro deste ano, 69,1 milhões de pessoas viviam na França, 0,25% a mais do que em 2025. O aumento, porém, ocorre apenas devido à migração líquida de 176 mil pessoas, segundo o Insee (Instituto Nacional de Estatística e Estudos Econômicos, na sigla em francês). O crescimento natural, que corresponde à diferença entre nascimentos e óbitos, foi negativo: – 6.000.

    Essa situação se deve ao recuo da natalidade e ao avanço das mortes.

    Cerca de 645 mil bebês nasceram em 2025, 2,1% a menos que no ano anterior, o que corresponde ao menor número desde 1944 pelo quarto ano consecutivo. Paralelamente, 651 mil pessoas morreram, alta de 1,5% em relação a 2024, devido principalmente à epidemia de gripe de inverno, segundo o Insee, e à chegada da geração “baby boomer” (nascida entre o fim dos anos 1940 e início dos 1960) à idade de risco.

    Tradicionalmente, a França possui vantagem demográfica em relação à maioria dos países europeus, mas o envelhecimento da população e a queda nas taxas de natalidade demonstram que o país não está imune à crise demográfica que pressiona as finanças públicas em todo o continente.

    “O que surpreende é até que ponto, em poucos anos, o crescimento natural diminuiu devido à rápida queda dos nascimentos”, afirmou Sylvie Le Minez, chefe da unidade de estudos demográficos e sociais do Insee, em entrevista coletiva.

    De acordo com o Insee, a taxa de fecundidade caiu para 1,56 filhos por mulher no ano passado, seu nível mais baixo desde a Primeira Guerra Mundial e bem abaixo do 1,8 das previsões de financiamento de aposentadorias pelo Conselho Consultivo de Pensões.

    Em 2023, o ano mais recente para comparações com a União Europeia, a França ficou em segundo lugar, com uma taxa de fecundidade de 1,65, atrás apenas da Bulgária, com 1,81.

    A mudança demográfica empurrará os gastos públicos de volta aos níveis da era da pandemia nos próximos anos, enquanto a base tributária erode, alertou o Tribunal de Contas da França no mês passado.

    A expectativa de vida atingiu recordes no ano passado -85,9 anos para mulheres e 80,3 para homens-, enquanto a proporção de pessoas com 65 anos ou mais subiu para 22%, quase igualando aqueles com menos de 20 anos.

    “Considerando a aposentadoria das grandes gerações nascidas na década de 1960, as tensões no mercado de trabalho e os problemas relacionados à força de trabalho provavelmente aumentarão rapidamente nos próximos anos”, afirmou o economista Philippe Crevel, da think tank Cercle d’Epargne.

    A preocupação com os nascimentos paira na França há anos. Em 2024, o presidente Emmanuel Macron defendeu um “reforço demográfico”, baseado em impulsionar a natalidade melhorando a licença parental e combatendo a infertilidade.

    Para os demógrafos, dificuldades para ter filhos incluem encontrar um trabalho estável, acesso à moradia, incerteza sobre a crise climática e conciliação entre vida profissional e familiar.

    Mortes superam nascimentos na França pela 1º vez desde a 2º Guerra Mundial

  • Trump diz ter cancelado qualquer diálogo com Irã

    Trump diz ter cancelado qualquer diálogo com Irã

    Americano fala que ‘ajuda está a caminho’ e insta manifestantes a ‘tomarem as instituições’ em meio a atos; Teerã marca 1ª execução de manifestante por envolvimento em protestos, afirma entidade

    BRASÍLIA, DF, SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) -O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (13) que cancelou qualquer diálogo com autoridades do Irã e instou manifestantes a “tomarem as instituições”, em mais um sinal de apoio americano aos grandes protestos que tomaram as ruas de diversas cidades do país persa e já somam 2.000 mortes, pelas contas da ONG de direitos humanos Hrana.

    “Patriotas iranianos, CONTINUEM A PROTESTAR -TOMEM SUAS INSTITUIÇÕES!!! Guarde os nomes dos assassinos e abusadores. Eles pagarão um grande preço. Eu cancelei todas as reuniões com autoridades iranianas até que essa matança sem sentido de manifestantes ACABE. AJUDA ESTÁ A CAMINHO. MIGA!!! [Make Iran Great Again]”, escreveu Trump na rede Truth Social, com as habituais letras maiúsculas.

    A contagem de ao menos 2.000 mortos expõe um aumento significativo nos últimos dias da repressão ao movimento iniciado em 28 de dezembro, quando então era apenas uma insatisfação de comerciantes do Bazar de Teerã com a desvalorização do rial, a moeda local, e a inflação crescente. No começo do domingo (11), as estimativas ainda estavam entre 100 a 200 vítimas, subindo para 500 ao fim da noite. Agora, a cifra já é o quádruplo de dois dias atrás.

    Teerã não divulga balanço oficial de mortos, sejam manifestantes ou membros das forças de segurança, mas o mesmo número de 2.000 vítimas já havia sido passado à agência Reuters por um funcionário do próprio regime, culpando o que chamou de terroristas pela escalada da violência.

    Em outro indicador de que os protestos são reprimidos de forma brutal, entidades afirmaram que Teerã deverá executar, nesta quarta-feira (14), um manifestante preso. Se concretizada, essa será a primeira execução desde o início dos atos.

    A publicação de Trump desta terça eleva os receios de uma nova intervenção militar americana contra um rival de Washington, pouco mais de uma semana após ataque dos EUA a Caracas e captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro.

    O Qatar, país cuja monarquia se aproximou do governo Trump e que se firmou como mediador de conflitos recentes na região, afirmou nesta terça que uma escalada militar entre os EUA e o Irã teria consequências graves para a região -Washington atacou o programa nuclear e autoridades militares do país persa em junho do ano passado, em meio ao conflito de Teerã com Israel.

    Segundo dois funcionários do governo americano afirmaram à rede CBS News, Trump já foi informado por auxiliares a respeito de uma ampla gama de ações militares possíveis no Irã. De acordo com essas pessoas, entram na avaliação desde operações cibernéticas e psicológicas até ataques com mísseis de longo alcance.

    Nesta terça, o site Axios afirmou que o enviado da Casa Branca Steve Witkoff se reuniu no fim de semana com Reza Pahlavi, filho exilado nos EUA do xá Mohammad Reza Pahlevi (1919-1980), deposto pela Revolução Islâmica de 1979. O príncipe herdeiro tem sido uma das vozes da fragmentada oposição iraniana a instigar os protestos. O encontro não foi divulgado publicamente.

    A mais recente onda de manifestações representa um dos maiores desafios ao regime teocrático desde a Revolução Islâmica de 1979. O regime tem respondido com uma repressão violenta.

    O manifestante cuja execução está prevista para esta quarta foi identificado como Erfan Soltani, 26. Ele foi detido na semana passada após participar de protestos na cidade de Fardis, próxima à capital Teerã, informou o grupo de direitos humanos Hengaw, com sede na Noruega. Ainda de acordo com a entidade, a família de Soltani não teve acesso às informações sobre as acusações e demais detalhes do processo.

    O Irã havia dito nesta segunda-feira (12), um dia após o americano afirmar que avaliava respostas à violenta repressão aos protestos no país, que mantinha o diálogo aberto com os EUA.

    No domingo (11), o republicano disse que os EUA poderiam se reunir com autoridades iranianas e que estava em contato com a oposição. Ao mesmo tempo, porém, aumentou a pressão sobre os líderes da República Islâmica, inclusive ameaçando com uma possível ação militar em resposta à violência contra os manifestantes. Em outra frente, nesta segunda (12), ele anunciou que países que façam negócios com o Irã estarão sujeitos a uma tarifa de 25% sobre qualquer transação realizada com os EUA -O Brasil seria uma das nações afetadas caso a medida se concretize.

    Em tom de provocação a Trump, a conta oficial do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, chegou a compartilhar nas redes sociais uma charge que mostra o líder americano como um sarcófago destroçado. O desenho é acompanhado da frase: “Ele também será derrubado”.

    O Alto-Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, disse nesta terça-feira que está horrorizado com o cerco aos manifestantes. “Esse ciclo de violência não pode continuar. O povo iraniano e suas demandas por justiça, igualdade e equidade precisam ser ouvidos”, afirmou em um comunicado.

    Teerã tem acusado Israel e os EUA de soprarem as chamas dos protestos, ao mesmo tempo que se diz aberto ao diálogo e que convoca manifestações pró-regime para fazer frente aos atos críticos aos aiatolás.

    O apagão quase total das comunicações imposto pelas autoridades iranianas dificulta a checagem e o acesso à informação. Segundo a ONG Netblocks, o bloqueio do acesso à internet já ultrapassava 108 horas na manhã desta terça.
    Um jornalista da agência de notícias AFP relatou que, embora o apagão da internet continue, a conexão telefônica internacional já havia sido restabelecida.

    França, Alemanha e Itália criticaram a repressão aos protestos e afirmaram ter convocado os representantes diplomáticos iranianos nos países para explicações. O secretário-geral da Otan, o holandês Mark Rutte, afirmou que os acontecimentos no Irã são repulsivos. E o primeiro-ministro alemão, Friedrich Merz, declarou que a teocracia iraniana “vive seus últimos dias”.

    Trump diz ter cancelado qualquer diálogo com Irã

  • Cerca de 2.000 já morreram em protestos no Irã, diz ONG

    Cerca de 2.000 já morreram em protestos no Irã, diz ONG

    Entidade de direitos humanos confirma cifra divulgada antes por funcionário do regime ouvido pela Reuters; premiê alemão afirma que teocracia iraniana ‘vive seus últimos dias’; para ONU, ciclo de violência precisa acabar

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – Cerca de 2.000 manifestantes morreram no Irã desde 28 de dezembro, quando começou a atual onda de protestos contra o regime teocrático do país, segundo a organização de direitos humanos Hrana, com sede nos EUA.

    A cifra divulgada pela entidade já havia sido passada por um membro do regime à agência de notícias Reuters. O funcionário culpou o que chamou de “terroristas” pela escalada da violência.

    O Alto Comissário da Organização das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, afirmou nesta terça-feira (13) que está “horrorizado” com o aumento da repressão contra manifestantes. “Esse ciclo de violência não pode continuar. O povo iraniano e suas demandas por justiça, igualdade e equidade precisam ser ouvidos”, disse em um comunicado.

    O apagão quase total da internet imposto pelas autoridades iranianas dificulta a checagem e o acesso à informação. A ONG Iran Human Rights, com sede na Noruega, afirmou na segunda (12) que ao menos 648 manifestantes haviam morrido, mas que essa cifra poderia ser maior, chegando a 6.000 vítimas.

    Segundo a ONG Netblocks, o bloqueio do acesso à internet já ultrapassa 108 horas. Defensores de direitos humanos acusam a República Islâmica de tentar restringir e censurar a divulgação de imagens dos protestos.

    Um jornalista da agência de notícias AFP relatou que, embora o apagão da internet continue, a conexão telefônica internacional foi restabelecida nesta terça.

    A mais recente onda de manifestações representa um dos maiores desafios ao regime teocrático desde a Revolução Islâmica de 1979, e gerou reações da comunidade internacional.

    A Espanha convocou nesta terça-feira o embaixador do Irã em Madri para expressar sua “enérgica repulsa e condenação” à repressão dos protestos no país. O gesto é um ato diplomático que demonstra insatisfação.

    Com isso, o país se soma à pressão internacional para que Teerã modere sua resposta às manifestações. A Finlândia e a Bélgica também convocaram o embaixador iraniano, e os Estados Unidos anunciaram que vão impor tarifas de 25% a quem comercializar com o Irã.

    O primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz, disse nesta terça que acredita que a teocracia iraniana “vive seus últimos dias”. “Presumo que estejamos agora testemunhando os últimos dias e semanas deste regime”, afirmou ele durante uma viagem à Índia.

    “Quando um regime só consegue se manter no poder por meio da violência, então ele está, de fato, chegando ao fim. A população agora está se levantando contra esse regime.”

    O Qatar afirmou nesta terça que uma escalada militar entre os Estados Unidos e o Irã teria consequências graves para a região. A declaração ocorre depois que Washington ameaçou realizar ataques em resposta à violenta repressão às manifestações.

    Em resposta, a conta oficial do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, compartilhou nas redes sociais uma charge que mostra o presidente Donald Trump como um sarcófago destroçado. O desenho é acompanhado da frase: “Ele também será derrubado”. Um dia depois, porém, Teerã abaixou o tom e disse que mantém o diálogo aberto com os Estados Unidos.

    O Irã já enfrentou protestos em massa nas últimas décadas, mas, desta vez, os atos estão por todo o país e ocorrem em um momento delicado. A Rússia, uma importante parceira, está em guerra na Ucrânia há quase quatro anos e aliados do regime na região sofreram derrotas nos últimos meses -o ex-ditador Bashar al-Assad caiu na Síria, e o Hezbollah, no Líbano, enfrentou perdas em guerra com Israel.

    Os protestos começaram em resposta à alta dos preços, mas logo se voltaram contra os governantes religiosos que estão no poder há mais de 45 anos.

     

    Cerca de 2.000 já morreram em protestos no Irã, diz ONG

  • Clinton não comparece a audiência do caso Epstein no Congresso e pode ser acusado de desacato

    Clinton não comparece a audiência do caso Epstein no Congresso e pode ser acusado de desacato

    Ex-presidente e Hillary Clinton dizem já ter tentado fornecer as ‘poucas informações’ que possuem para investigação; ‘Não há explicação plausível para o que vocês estão fazendo além de política partidária’, afirma casal a republicanos

    SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton não compareceu, nesta terça-feira (13), a uma audiência a portas fechadas no Capitólio, em Washington, sobre o caso Jeffrey Epstein, criminoso sexual morto em 2019 com ampla presença em círculos de poder.

    O ex-mandatário democrata (1993-2001) e sua esposa, Hillary Clinton, foram convocados pelo Comitê de Supervisão do Congresso, que investiga as conexões entre Epstein e figuras poderosas nos EUA, e como foram tratadas as informações sobre seus crimes. Agora, ele está sujeito a acusações de desacato que poderiam resultar em acusações criminais.

    O depoimento de Hillary Clinton, ex-chefe da diplomacia dos EUA derrotada por Donald Trump nas eleições presidenciais de 2016, está previsto para quarta-feira (14), mas ela também já afirmou em uma carta assinada junto com seu marido, que não pretende comparecer.

    No documento, endereçado ao deputado republicano James Comer, líder do poderoso comitê na Câmara dos Representantes, eles dizem já ter tentado fornecer as “poucas informações” que possuíam para auxiliar na investigação e acusaram Comer de desviar o foco das falhas do governo Trump, amigo de Epstein por quase 15 anos antes de uma desavença que precedeu a primeira prisão do financista, em 2006.

    “Cada pessoa precisa decidir quando já viu ou teve o suficiente e está pronta para lutar por este país, seus princípios e seu povo, não importando as consequências”, escreveram os Clinton. “Para nós, esse momento chegou.”

    “Não há explicação plausível para o que você está fazendo além de política partidária”, completaram, acrescentando que esperam que Comer instrua o comitê a considerá-los em desacato. “O senhor intimou oito pessoas além de nós. O senhor dispensou sete dessas oito sem que nenhuma delas dissesse uma única palavra ao senhor. Não fez qualquer tentativa de obrigá-las a comparecer. Na verdade, desde que iniciou sua investigação no ano passado, o senhor entrevistou um total de duas pessoas.”

    “Ninguém está acusando Bill Clinton de nada reprovável, só temos perguntas”, afirmou Comer à imprensa.

    O governo está sob pressão depois que o Departamento de Justiça divulgou, em dezembro, uma pequena parte dos arquivos do caso Epstein, um mês após o prazo legal ter expirado. Figura da alta sociedade nova-iorquina, o financista é acusado de ter explorado sexualmente mais de mil jovens, incluindo menores de idade.

    Bill Clinton aparece em imagens dos arquivos liberados no final do ano passado -uma das fotos mostra o ex-presidente reclinado em uma banheira de hidromassagem com uma pessoa cujo rosto foi ocultado. Em muitas das cenas em que o democrata aparece, ele é a única pessoa cuja identidade pode ser discernida, e os arquivos fornecem pouco ou nenhum contexto para as imagens.

    Na ocasião, Clinton disse que a Casa Branca tentou tirar proveito político da publicação, e seu porta-voz, Angel Ureña, pediu que o departamento liberasse imediatamente quaisquer materiais restantes dos arquivos relacionados a Epstein que façam referência ao ex-presidente de qualquer forma, incluindo fotografias.

    “O que o Departamento de Justiça divulgou até agora e a maneira como o fez deixam uma coisa clara: alguém ou algo está sendo protegido. Não sabemos quem, o quê ou por quê, mas sabemos disso: não precisamos de tal proteção”, afirma o texto de Ureña. “Eles podem divulgar quantas fotos granuladas de mais de 20 anos atrás quiserem, mas isso não é sobre Bill Clinton. Nunca foi, nunca será”, escreveu. O democrata nunca foi formalmente acusado de ter cometido crimes com Epstein.

    A morte de Epstein, encontrado morto em sua cela em Nova York em 2019 antes de seu julgamento por tráfico de menores para fins sexuais, alimentou inúmeras teorias da conspiração apoiadas por anos por aliados de Trump, segundo as quais ele teria sido assassinado para proteger personalidades de alto perfil.

    Durante sua campanha de 2024, Trump havia prometido à sua base revelações contundentes sobre o financista. Mas, desde seu retorno ao poder, o republicano está relutante em publicar os documentos.

    Parte do material liberado inclui emails de um procurador federal em Manhattan sobre a quantidade de vezes que Trump teria viajado no avião de Epstein. A mensagem, escrita em janeiro de 2020, dizia que Trump estava listado como passageiro no jato de Epstein pelo menos oito vezes de 1993 a 1996, incluindo alguns casos em que também havia mulheres jovens dentro do avião.

    Clinton não comparece a audiência do caso Epstein no Congresso e pode ser acusado de desacato

  • Justiça da França começa a julgar recurso de Le Pen para disputar Presidência em 2027

    Justiça da França começa a julgar recurso de Le Pen para disputar Presidência em 2027

    Marine Le Pen é acusada, juntamente com outros 11 réus do partido Reunião Nacional (RN), de usar € 4,6 milhões (cerca de R$ 29 milhões), para pagar funcionários do partido sem vínculo com o Parlamento Europeu

    PARIS, FRANÇA (CBS NEWS) – Marine Le Pen, maior nome da ultradireita da França, começa nesta terça-feira (13) a tentar salvar sua candidatura à Presidência nas eleições de 2027. É o início do julgamento do recurso contra a condenação, no ano passado, que a tornou inelegível por cinco anos por desvio de fundos do Parlamento Europeu.

    Le Pen chegou ao Palácio de Justiça de Paris nesta terça sem dar declarações à imprensa.

    A deputada é acusada, juntamente com outros 11 réus do partido Reunião Nacional (RN), de usar € 4,6 milhões (cerca de R$ 29 milhões), destinados a remunerar assessores, para pagar funcionários do partido sem vínculo com o Parlamento Europeu. Le Pen também foi condenada a quatro anos de prisão, dos quais dois em regime fechado. Está recorrendo em liberdade.

    Seus defensores acusam a Justiça francesa de partidarismo, e a juíza encarregada do caso sofreu ameaças nas redes sociais e passou a andar com seguranças. O julgamento vai durar um mês, mas a sentença só deve ser anunciada em julho.

    A revista alemã Der Spiegel publicou na semana passada que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cogitou sancionar os juízes encarregados do caso -a exemplo do que fez contra ministros do STF durante o julgamento da trama golpista contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A notícia causou indignação no meio jurídico francês.

    Le Pen, que denunciou “um processo político” em várias entrevistas, não se pronunciou na manhã desta segunda (12). Quem falou foi seu pupilo no partido, Jordan Bardella, presidente da RN. Segundo ele, “seria profundamente inquietante para a democracia” que a deputada seja impedida de disputar a Presidência.

    Caso a sentença seja confirmada, o próprio Bardella, de apenas 30 anos, passaria a ser o provável candidato do partido. Algumas pesquisas o apontam até como mais competitivo que Le Pen, criando uma rivalidade nos bastidores que os dois têm se empenhado em minimizar publicamente.

    “Jordan Bardella pode ganhar no meu lugar”, disse Le Pen no final do ano em entrevista ao jornal La Tribune Dimanche. Sobre Bardella também pesa uma acusação de desvio de fundos do Parlamento Europeu -no caso dele, para gastos com media training na eleição de 2022. Por enquanto, porém, ele não é réu.

    O debate na mídia francesa, muito polarizado, raramente aborda o mérito do caso. As evidências contra a RN são acachapantes, incluindo agendas com anotações forjadas para justificar trabalho parlamentar não realizado.

    O julgamento ocorre em um momento volátil da política francesa. Desde a última eleição legislativa, em 2024, a França não tem uma maioria clara na Assembleia Nacional. Terceiro primeiro-ministro desde então, o centrista Sébastien Lecornu tem tido dificuldade para aprovar o orçamento deste ano.

    Ultraesquerda e ultradireita pediram votos de censura ao gabinete de Lecornu, em protesto contra a aprovação na semana passada, pelo Conselho Europeu, do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. Para derrubar o governo, basta a maioria simples dos deputados.

    Lecornu deixou no ar a possibilidade de uma dissolução da Assembleia Nacional em março, caso ele perca no voto de censura. Por ora, porém, uma derrota do governo é pouco provável, graças ao apoio relutante do Partido Socialista, da esquerda moderada.

    Majoritários até 2017, hoje os socialistas contam com apenas 69 dos 577 deputados. Em caso de eleição legislativa antecipada, as pesquisas indicam que correm o risco de desaparecer do mapa político -história que se repete com partidos tradicionais, à direita e à esquerda, em outros países do continente.

    Marine Le Pen, 57, herdou a Reunião Nacional (RN) do pai, o notório antissemita Jean-Marie Le Pen, que fundou o partido em 1972 com o nome de Frente Nacional. Nos últimos anos, ela conseguiu reabilitar a reputação do partido, historicamente visto como neofascista.

    Ela foi derrotada por Emmanuel Macron no segundo turno nas duas últimas eleições presidenciais, com 33,9% dos votos em 2017 e 41,5% em 2022.

    De acordo com pesquisa divulgada pela consultoria Verian, 42% dos franceses afirmam concordar com as ideias da RN, contra 44% que discordam. É o melhor resultado do partido em duas décadas de série histórica. Em 2010, apenas 18% concordavam, enquanto 77% discordavam.

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