Categoria: MUNDO

  • Trump usa acusação criminal como chantagem para reduzir juros, diz FED

    Trump usa acusação criminal como chantagem para reduzir juros, diz FED

    Em comunicado emitido nesse domingo (11), Powell informou que recebeu uma notificação do Departamento de Justiça com uma ameaça de denúncia criminal envolvendo um projeto para reforma nos prédios do FED

    O presidente do Federal Reserve (FED) dos Estados Unidos (EUA), Jerome H. Powell, acusou o presidente Donald Trump de usar uma acusação criminal como forma de chantagem para forçar a redução de juros no país. O FED é o Banco Central dos EUA, responsável por definir a taxa básica de juros do país. 

    Em comunicado emitido nesse domingo (11), Powell informou que recebeu uma notificação do Departamento de Justiça com uma ameaça de denúncia criminal envolvendo um projeto para reforma nos prédios do FED.

    “Ninguém – certamente não o presidente do Federal Reserve – está acima da lei. Mas essa ação sem precedentes deve ser vista no contexto mais amplo das ameaças e da pressão contínua do governo”, afirmou Powell.

     

    O presidente do FED alega que a ameaça não tem relação com a reforma dos prédios da instituição, mas que esse seria apenas um pretexto.

    “Esses são pretextos. A ameaça de acusações criminais é uma consequência de o Federal Reserve definir as taxas de juros com base em nossa melhor avaliação do que servirá ao público, em vez de seguir as preferências do presidente [Trump]”, comentou Powell.

    Ele acrescentou que o que está em questão é se o FED será capaz de continuar a definir as taxas de juros com base em evidências e nas condições econômicas ou se a política econômica “será dirigida por pressão política ou intimidação”.

    Trump nega interferência

    Questionado por jornalistas sobre a investigação contra o presidente do FED, Trump disse que não sabia nada sobre o caso.

    “Não sei nada sobre isso, mas certamente ele não é muito bom no Fed, e não é muito bom em construir prédios”, disse Trump à NBC News, acrescentando que a acusação não tem relação com os juros altos.

    “Eu nem pensaria em fazer isso dessa forma. O que deveria pressioná-lo é o fato de as taxas estarem muito altas. Essa é a única pressão que ele tem”, completou Trump.

    Desde que assumiu o segundo mandato, Donald Trump tem criticado o presidente do FED por não fazer cortes significativos nas taxas de juros, já tendo ameaçado demitir Powell. O mandato dele termina em maio deste ano, quando Trump deve indicar outro nome.

    Independência do FED

    A ação contra o presidente do FED gerou críticas em relação a interferências do Executivo na independência do Banco Central dos EUA, que tem o poder de definir as taxas de juros gerais da economia.

    O senador republicano Thom Tillis, do Comite Bancário do Senado, disse que vai se opor à nomeação do substituto de Powell por Trump até que a questão legal contra o presidente do FED seja resolvida.

    Se ainda restava alguma dúvida sobre se os assessores do governo Trump estão ativamente pressionando para acabar com a independência do Federal Reserve, agora não deve haver nenhuma. Agora, a independência e a credibilidade do Departamento de Justiça estão em questão”, afirmou em uma rede social.

    Trump usa acusação criminal como chantagem para reduzir juros, diz FED

  • Tribunal entrega corpos de mãe e gêmeos ao pai suspeito de assassinato

    Tribunal entrega corpos de mãe e gêmeos ao pai suspeito de assassinato

    A decisão judicial gerou revolta entre familiares após Charity Beallis e os dois filhos de 6 anos serem encontrados mortos no Arkansas. Mesmo sendo o principal suspeito do crime, o ex-marido recebeu o direito legal de decidir sobre o sepultamento das vítimas, enquanto o caso segue sob investigação.

    Charity Beallis, de 40 anos, e seus filhos gêmeos de 6 anos foram mortos, supostamente, pelo ex-marido. A família pretendia que mãe e crianças fossem sepultadas juntas, mas uma decisão judicial concedeu ao pai a posse legal dos corpos, dando a ele o direito de decidir o destino dos restos mortais.

    O corpo de Charity foi encontrado em 3 de dezembro, na casa onde morava em Bonanza, nos Estados Unidos, durante uma visita de rotina das autoridades para verificar seu bem-estar. No local, a polícia encontrou a mulher e os dois filhos já sem vida.

    A morte ocorreu um dia após uma audiência do processo de divórcio, na qual Charity teria manifestado a intenção de obter a guarda total das crianças. O ex-companheiro, Randall Beallis, é apontado como principal suspeito. Contra ele pesam acusações anteriores de violência doméstica, incluindo uma tentativa de sufocamento, o que resultou em uma ordem judicial que o obrigava a manter distância da ex-esposa.

    Apesar das suspeitas, Randall ainda não foi considerado culpado. Por isso, um dia após as mortes, o tribunal lhe concedeu a custódia legal dos filhos, o que acabou garantindo a ele o direito de decidir sobre o sepultamento das crianças.

    Durante a longa disputa judicial pela guarda, Charity afirmou estar “aterrorizada” com a situação. Em declarações a um veículo local, reproduzidas pela revista People, ela disse que se sentia tratada como o problema, enquanto o agressor, descrito por ela como um médico conhecido na região, estaria sendo protegido pelo sistema. Charity alertou que sua voz como vítima vinha sendo ignorada e que vidas estavam em risco, incluindo as de crianças pequenas.

    A decisão judicial provocou indignação entre familiares. O filho mais velho de Charity, de 29 anos, organizou o funeral da mãe no fim de dezembro. Em entrevista ao Daily Mail, ele lamentou não ter conseguido enterrar os irmãos junto dela, como desejava a família. Segundo ele, não há informações sobre o paradeiro dos corpos das crianças, nem se foram enterrados ou cremados.

    As mortes seguem sob investigação, e o gabinete do xerife do condado de Sebastian não confirmou oficialmente se Randall figura como suspeito formal. A revista People informou ainda que, um dia após as mortes, o advogado do ex-marido apresentou uma petição para encerrar o processo de divórcio, alegando que a requerente havia falecido.

    Charity e Randall se casaram em 2015 e se separaram em fevereiro de 2025, período em que ele foi acusado de agressão física. À época, recebeu pena de prisão suspensa por um ano, multa e a proibição de manter contato com a ex-esposa e familiares, salvo mediante autorização judicial.
     
     

     

     

    Tribunal entrega corpos de mãe e gêmeos ao pai suspeito de assassinato

  • China avisa EUA para não usar países como pretexto para tomar Gronelândia

    China avisa EUA para não usar países como pretexto para tomar Gronelândia

    O presidente norte-americano voltou a defender a possibilidade de um acordo para adquirir a Gronelândia, com o argumento de impedir uma eventual expansão de influência russa ou chinesa na região ártica

    A China alertou, nesta segunda-feira, os Estados Unidos para que não usem outros países como pretexto para avançar interesses próprios na Groenlândia e afirmou que suas atividades no Ártico seguem as normas do direito internacional.

    Em entrevista coletiva, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Mao Ning, declarou que “os direitos e as liberdades de todos os países para conduzir atividades no Ártico, de acordo com a lei, devem ser plenamente respeitados”. Segundo ela, a atuação da China na região tem como objetivo promover a paz, a estabilidade e o desenvolvimento sustentável, em conformidade com o direito internacional.

    Mao Ning acrescentou que os Estados Unidos não devem perseguir interesses próprios utilizando outros países como justificativa, ressaltando que o Ártico envolve interesses mais amplos da comunidade internacional.

    As declarações ocorrem após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reiterar na sexta-feira, na Casa Branca, que não permitirá que a Rússia ou a China “ocupem a Groenlândia”. Trump afirmou ainda que decidiu “fazer alguma coisa” em relação ao território semiautônomo da Dinamarca, que ele diz querer controlar “a bem ou a mal”.

    O presidente norte-americano voltou a defender a possibilidade de um acordo para adquirir a Gronelândia, com o argumento de impedir uma eventual expansão de influência russa ou chinesa na região ártica. As declarações aumentaram a tensão entre Washington, a Dinamarca e o governo local da ilha, em meio a informações de que a Casa Branca avalia diferentes cenários, inclusive o uso de força militar, para ampliar sua presença no território.

    A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, reagiu afirmando que uma tomada de controle norte-americana sobre a Groenlândia significaria, na prática, o fim da OTAN. Já o primeiro-ministro groenlandês, Jens-Frederik Nielsen, e líderes dos demais partidos do parlamento local divulgaram uma nota conjunta reforçando que o futuro da Groenlândia deve ser decidido exclusivamente por seu povo.

    No contexto europeu, o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, tem reunião marcada em Washington com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, para discutir uma estratégia conjunta de segurança da OTAN para o Ártico. Antes da viagem, Wadephul afirmou que pretende tratar da responsabilidade compartilhada da aliança diante das rivalidades antigas e recentes na região, envolvendo Rússia e China.

    Dados oficiais indicam que a presença chinesa na Groenlândia é mais limitada do que sugerem autoridades dos EUA e está concentrada sobretudo em interesses comerciais, como projetos de mineração e iniciativas industriais que, em grande parte, não avançaram nos últimos anos. Ainda assim, em 2018, a China passou a se definir como um “Estado quase ártico” e anunciou planos para desenvolver uma “Rota da Seda Polar”, integrada à iniciativa global “Uma Faixa, Uma Rota”, lançada em 2013 com o objetivo de ampliar a conexão entre Ásia, Europa e África por meio de grandes projetos de infraestrutura e investimento.
     

     
     

    China avisa EUA para não usar países como pretexto para tomar Gronelândia

  • Trump se autoproclama presidente da Venezuela em publicação online

    Trump se autoproclama presidente da Venezuela em publicação online

    Em postagem na rede Truth Social, presidente dos Estados Unidos compartilha imagem que o coloca como chefe de Estado em exercício da Venezuela, faz referência à captura de Nicolás Maduro e reforça apoio à atuação de Delcy Rodríguez, apontada por Washington como interlocutora do país.

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou a rede social Truth Social para se autoproclamar presidente interino da Venezuela. Na publicação, o norte-americano compartilhou uma imagem que simula um perfil da Wikipédia, na qual aparece listado como chefe de Estado em exercício do país sul-americano desde janeiro de 2026.

    A postagem faz referência à recente operação militar conduzida pelos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura do então presidente Nicolás Maduro e de sua esposa. O casal foi levado para Nova York, onde responde a acusações de tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro. Ambos se declararam inocentes.
     
     
     

    Após a detenção de Maduro, a vice-presidente executiva Delcy Rodríguez assumiu a presidência interina da Venezuela com o apoio das Forças Armadas. Trump elogiou publicamente a atuação de Rodríguez e afirmou que ela estaria cooperando com as autoridades norte-americanas. O presidente dos EUA também afastou, por ora, a possibilidade de eleições no país.

    Antes mesmo da posse de Rodríguez, a administração Trump já a havia escolhido como principal interlocutora do governo venezuelano, deixando de lado líderes da oposição, como María Corina Machado e Edmundo González Urrutia, candidato que enfrentou Maduro nas eleições presidenciais de 2024, consideradas fraudulentas pela oposição.

    Trump e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, chegaram a advertir Rodríguez sobre possíveis consequências “ainda mais graves” do que as enfrentadas por Maduro caso ela descumpra as diretrizes impostas por Washington. Entre as exigências do governo norte-americano está o acesso total ao petróleo venezuelano, além de outros recursos estratégicos e infraestruturas do país.

    Trump se autoproclama presidente da Venezuela em publicação online

  • Trump diz que Irã pediu negociação após ameaças e admite ação militar

    Trump diz que Irã pediu negociação após ameaças e admite ação militar

    Presidente dos EUA afirma que líderes iranianos entraram em contato para dialogar em meio à escalada dos protestos, enquanto Washington avalia “opções muito fortes” diante das mortes e Teerã ameaça retaliar contra bases americanas e Israel.

    O presidente dos Estados Unidos afirmou que autoridades do Irã procuraram a Casa Branca para negociar, depois que Donald Trump fez ameaças de uma possível ação militar em meio à escalada de protestos antigovernamentais no país.

    “Os líderes iranianos ligaram”, disse Donald Trump a jornalistas a bordo do avião presidencial no domingo, acrescentando que “uma reunião está sendo planejada”. Segundo ele, Teerã “quer negociar”, embora Washington ainda avalie os próximos passos.

    Trump afirmou que recebe atualizações constantes sobre a situação no Irã e que seu governo “vai tomar uma decisão”, alertando que uma eventual resposta pode acontecer antes mesmo de qualquer encontro diplomático. “Talvez tenhamos de agir antes de uma reunião”, disse.

    De acordo com o presidente, as Forças Armadas dos EUA analisam “opções muito fortes” diante do risco de uma repressão violenta contra os manifestantes. “Estamos tratando isso com muita seriedade. Os militares estão avaliando a situação e consideramos alternativas duras. Vamos decidir”, afirmou.

    Trump disse acreditar que o governo iraniano começa a “cruzar uma linha”, ao citar mortes durante os protestos. Segundo ele, houve manifestantes mortos após serem pisoteados em meio a multidões e outros que teriam sido baleados. O presidente atribuiu os episódios ao que chamou de “reinado de violência” de Teerã.

    O republicano afirmou ainda que o Irã leva suas advertências a sério, lembrando episódios anteriores como a morte do general da Guarda Revolucionária Qasem Soleimani, a eliminação do líder do Estado Islâmico Abu Bakr al-Baghdadi e, segundo ele, a redução da ameaça nuclear iraniana ao longo dos últimos anos.

    No mesmo dia, o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Qalibaf, declarou que forças norte-americanas e Israel seriam “alvos legítimos” caso Washington ataque o país. Foi a primeira vez que Israel apareceu explicitamente na lista de possíveis alvos iranianos. O discurso ocorreu em meio a gritos de “Morte à América!” no plenário.

    Trump minimizou a possibilidade de retaliação iraniana contra bases dos EUA. “Se fizerem isso, responderemos a níveis nunca vistos”, afirmou.

    O Wall Street Journal informou que Trump deve se reunir na terça-feira com membros do governo para a primeira discussão formal sobre possíveis medidas contra o Irã, incluindo ciberataques, sanções adicionais e bombardeios.

    O presidente também disse que pretende conversar com Elon Musk sobre o uso de satélites da Starlink para “manter a internet funcionando” no Irã, após o bloqueio imposto pelas autoridades locais.

    Organizações de direitos humanos afirmaram no domingo que a repressão aos protestos já deixou ao menos 544 mortos. O número, segundo ativistas, pode ser maior, já que o corte da internet no país desde quinta-feira dificulta a verificação independente das informações.

    Trump diz que Irã pediu negociação após ameaças e admite ação militar

  • Alemanha articula reação da Otan após ameaça dos EUA sobre a Groenlândia

    Alemanha articula reação da Otan após ameaça dos EUA sobre a Groenlândia

    A proposta de Berlim prevê uma missão conjunta da Otan no Ártico para reforçar a segurança regional e conter a escalada de tensões provocada pelas declarações de Donald Trump sobre assumir o controle da Groenlândia, território autônomo da Dinamarca.

    A Alemanha deve levar à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) a proposta de uma missão conjunta no Ártico, em meio ao aumento das tensões na região após declarações dos Estados Unidos sobre a Gronelândia, território autônomo da Dinamarca.

    A informação foi divulgada neste domingo pela Bloomberg, com base em relatos de duas fontes próximas ao governo alemão. Segundo a publicação, a iniciativa teria como objetivo reforçar o monitoramento e a proteção dos interesses de segurança no Ártico, buscando reduzir o clima de tensão provocado por Washington em relação ao território.

    De acordo com a reportagem, a operação poderia seguir o modelo da missão “Sentinela do Báltico”, lançada pela OTAN há cerca de um ano para proteger infraestruturas estratégicas no Mar Báltico. A nova iniciativa, que vem sendo chamada informalmente de “Sentinela do Ártico”, incluiria a Gronelândia, região que voltou ao centro do debate após manifestações do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a importância estratégica da ilha.

    Na sexta-feira, Trump voltou a afirmar publicamente que pretende assumir o controle da Gronelândia e declarou que os Estados Unidos tomarão medidas “quer gostem ou não”. As falas geraram reação imediata de autoridades europeias.

    O vice-chanceler da Alemanha, Lars Klingbeil, afirmou que viajará nesta semana a Washington para participar de uma reunião do G7, convocada pelo secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent. Antes da viagem, Klingbeil reforçou que a soberania da Gronelândia deve ser respeitada.

    “Cabe exclusivamente à Dinamarca e à Gronelândia decidir sobre o futuro do território. A soberania e a integridade territorial são princípios do direito internacional que se aplicam a todos, inclusive aos Estados Unidos”, afirmou o vice-chanceler, que também ocupa o cargo de ministro das Finanças da Alemanha.

    Na mesma linha, o ministro das Relações Exteriores alemão, Johann Wadephul, declarou que a definição sobre o status da Gronelândia é uma decisão exclusiva do governo dinamarquês e das autoridades locais. Ele deve se reunir nos próximos dias com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.

    Wadephul destacou ainda que o Ártico ganhou “nova relevância estratégica” no cenário internacional, o que exige coordenação entre aliados da OTAN, e não disputas internas.

    O interesse de Trump pela Gronelândia não é novo, mas voltou a ganhar força nas últimas semanas, especialmente após ações recentes dos Estados Unidos em outros pontos do cenário internacional, que elevaram a preocupação de países europeus com possíveis movimentos unilaterais de Washington.
     
     

    Alemanha articula reação da Otan após ameaça dos EUA sobre a Groenlândia

  • Irã acusa Trump de estimular violência e diz estar pronto para a guerra

    Irã acusa Trump de estimular violência e diz estar pronto para a guerra

    O chanceler Abbas Araqchi afirmou que o país mantém a situação sob controle após protestos violentos, acusou declarações do presidente dos EUA de incentivar ataques e disse que o Irã está preparado tanto para um confronto militar quanto para negociações diplomáticas.

    O governo do Irã afirmou nesta segunda-feira (12) que mantém “controle total” da situação interna após a escalada da violência registrada durante os protestos do fim de semana. A declaração foi feita pelo ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, em meio ao aumento da pressão internacional e a novas ameaças de intervenção por parte dos Estados Unidos.

    Segundo Araqchi, advertências feitas pelo presidente norte-americano Donald Trump, que condicionou uma possível ação militar ao agravamento da repressão, teriam incentivado “terroristas” a promover ataques contra manifestantes e forças de segurança, numa tentativa de criar o cenário que justificaria uma intervenção externa. “Estamos prontos para a guerra, mas também para o diálogo”, afirmou o chanceler, ao sinalizar que Teerã não descarta negociações diplomáticas.

    O ministro também informou que o serviço de internet, suspenso em grande parte do país desde a quinta-feira passada, será restabelecido gradualmente em coordenação com as autoridades de segurança. O bloqueio, segundo organizações independentes de monitoramento digital, já ultrapassa 80 horas e dificulta a verificação independente do número de mortos e presos.

    Do lado norte-americano, Trump voltou a endurecer o discurso. Na sexta-feira (9), afirmou na Casa Branca que os EUA podem intervir caso o regime iraniano passe a “matar pessoas” durante os protestos. “Vamos atingi-los com muita força onde mais dói”, declarou, dizendo acompanhar de perto os desdobramentos no país. No sábado, o presidente reforçou as ameaças ao afirmar que o Irã “busca liberdade” e que os norte-americanos estariam “prontos para ajudar”.

    No domingo (11), Trump acrescentou um novo elemento ao afirmar que Teerã teria procurado Washington para discutir um possível acordo nuclear, após a escalada da crise interna. Segundo ele, há conversas iniciais para marcar uma reunião, embora tenha alertado que uma ação pode ocorrer antes, diante do aumento de mortes e prisões. O chanceler iraniano, porém, não comentou essa possibilidade nas declarações desta segunda-feira.

    A tensão ocorre em um contexto já marcado por disputas nucleares. Em 2017, Trump retirou os EUA do acordo que limitava o programa nuclear iraniano em troca do fim de sanções econômicas. Desde então, o Irã retomou o enriquecimento de urânio acima dos níveis necessários para geração de energia. Em junho de 2025, instalações de pesquisa nuclear iranianas foram bombardeadas pelos EUA, em meio ao conflito envolvendo Teerã e Israel.

    Organizações de direitos humanos relatam um cenário grave no país. A HRANA, com sede nos Estados Unidos, estima ao menos 538 mortos, entre eles 490 manifestantes e 48 policiais, além de mais de 10,6 mil pessoas presas. Outras ONGs também denunciam o uso de munição real contra protestos. O governo iraniano não divulga balanços oficiais regulares e acusa Estados Unidos e Israel de se infiltrarem nos atos e fomentarem a violência.

    O presidente iraniano Masoud Pezeshkian pediu que a população se afaste do que chamou de “terroristas e baderneiros” e afirmou estar disposto a ouvir reivindicações da sociedade, ao mesmo tempo em que acusou Washington e Tel Aviv de “semear o caos”. Já o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Qalibaf, advertiu que qualquer ataque ao Irã teria como resposta retaliações contra Israel e bases militares norte-americanas no Oriente Médio.

    Nos bastidores, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, discutiu o cenário iraniano com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, segundo a agência Reuters. Enquanto isso, a internet segue restrita no país, ampliando o isolamento do Irã em meio à maior onda de protestos desde 2009 e a um cenário de crescente risco de escalada internacional.

    Irã acusa Trump de estimular violência e diz estar pronto para a guerra

  • Netanyahu espera que Irã "seja em breve libertado da tirania"

    Netanyahu espera que Irã "seja em breve libertado da tirania"

    O primeiro-ministro israelense disse hoje esperar que o Irã “seja em breve libertado da tirania” e condenou “os massacres em massa cometidos contra civis”, quando estão ocorrendo grandes manifestações no país.

    Quando esse dia chegar, Israel e o Irã voltarão a ser parceiros fiéis para construir um futuro de prosperidade e paz para os dois povos”, acrescentou Benjamin Netanyahu na abertura da reunião semanal do Conselho de Ministros.

    A onda de manifestações em quase todo o país contra a teocracia iraniana começou há duas semanas, em 28 de dezembro.

    Inicialmente motivados pelo alto custo de vida e pela inflação acelerada — em um país submetido a sanções econômicas dos Estados Unidos e da ONU —, os protestos se intensificaram e se transformaram em uma contestação política contra o regime.

    Na quinta-feira, as autoridades cortaram o acesso à internet e ao sinal de telefonia móvel em todo o país, após uma grande manifestação em Teerã e da divulgação, nas redes sociais, de vídeos que mostravam multidões protestando.

    A organização de defesa dos direitos humanos Iran Human Rights informou ter registrado 192 mortos nas manifestações, mas alertou que o número pode ser muito maior, já que o bloqueio da internet dificulta a contabilização.

    O opositor iraniano exilado Reza Pahlavi, filho do antigo xá do Irã, tem convocado alguns dos maiores protestos em Teerã e pediu, no sábado, que os manifestantes “se preparassem para tomar” os centros das cidades.

    Em uma mensagem publicada nas redes sociais, Pahlavi convocou os iranianos a “irem todos às ruas (…) com bandeiras, imagens e símbolos patrióticos, ocupando os espaços públicos”.

    “O nosso objetivo já não é apenas sair às ruas; o nosso objetivo é nos preparar para conquistar e defender os centros urbanos”, afirmou.

    Netanyahu espera que Irã "seja em breve libertado da tirania"

  • Trump faz posts sobre Cuba e sugere Rubio como presidente

    Trump faz posts sobre Cuba e sugere Rubio como presidente

    Trump republicou um post que dizia que seria “incrível” se ele acabasse com o sistema político cubano. A publicação foi feita por Marc Thiessen, ex-diretor de discursos da Casa Branca, que escreveu que o regime do país sobreviveu a cada presidente americano desde 1961, mas que poderia mudar com a atuação do republicano.

    SÃO PAULO, SP (UOL/CBS NEWS) – Após operação para capturar o ditador Nicolás Maduro da Venezuela, Donald Trump fez uma série de publicações nas redes sociais neste domingo (11), sugerindo a derrubada do regime de Cuba, que é um país socialista há seis décadas.

    Trump republicou um post que dizia que seria “incrível” se ele acabasse com o sistema político cubano. A publicação foi feita por Marc Thiessen, ex-diretor de discursos da Casa Branca, que escreveu que o regime do país sobreviveu a cada presidente americano desde 1961, mas que poderia mudar com a atuação do republicano.

    O presidente norte-americano endossou que o plano poderia ser realizado ainda neste ano. “Seria uma incrível sequência de vitórias se duas décadas de comunismo na Venezuela, cinco décadas de mulás iranianos e quase sete décadas de Fidel Castro em Cuba fossem revertidos em 2026”, dizia um de seus apoiadores.

    Na sequência, o líder dos EUA continuou compartilhando postagens que afirmavam que “seria um sonho” a derrubada do governo cubano. “Para o bem da minha mãe de 78 anos (muito MAGA), e que emigrou de Cuba em 1960 quando ela tinha 13 anos, seria um indescritível sonho se isso acontecesse”, falou outra pessoa.

    Trump chegou até a concordar que o secretário de Estado, Marco Rubio, poderia ser o presidente de Cuba. “Isso me parece bom”, respondeu ao republicar um comentário feito por outro de seus seguidores.

    Sem detalhar, mas em tom de ameaça, Trump sugeriu que Cuba faça um acordo com os EUA “antes que seja tarde”. Ainda nas redes sociais, o presidente afirmou que cuba viveu muitos anos com petróleo e dinheiro da Venezuela em troca de “serviços de segurança”, citando os 32 cubanos mortos no ataque dos EUA. “Mas isso acabou! A Venezuela agora tem os EUA, as forças armadas mais poderosas do mundo”, escreveu.

    “Não haverá mais petróleo nem dinheiro para Cuba, nada! Sugiro fortemente que façam um acordo antes que seja tarde demais”

    Atualmente, o presidente de Cuba é Miguel Díaz-Canel, um ex-professor universitário e engenheiro que está no poder desde 2018. Em 2021, ele também passou a liderar o Partido Comunista de Cuba e foi reeleito como presidente do país dois anos depois, para um segundo e último mandato.

    CUBA ESTÁ SOB SANÇÕES DOS EUA HÁ MAIS DE 60 ANOS

    Os EUA mantêm um embargo econômico amplo contra a República de Cuba há seis décadas. Em fevereiro de 1962, o então presidente John F. Kennedy proclamou um embargo comercial entre as duas nações, “em resposta a certas ações tomadas pelo governo cubano”, que permanece em vigor até hoje.

    Ao longo dos anos, as sanções foram se fortalecendo. O bloqueio impõem sanções contra navios que atracam em portos cubanos, proibindo-os de entrar nos EUA por seis meses. Além disso, impede que entidades de outros países que operem com mais de 10% de capital estadunidense façam qualquer tipo de comercialização com Cuba.

    Em outubro de 2024, a Assembleia Geral da ONU aprovou, pela 32ª vez consecutiva, a necessidade de acabar com o embargo. Esta resolução foi aprovada por 187 países, tendo apenas uma abstenção -da Moldávia- e dois emblemáticos votos contrários: dos Estados Unidos e de Israel.

    Cuba também atravessa o pior momento econômico dos 67 anos desde a Revolução. Embora o país já tenha enfrentado, em décadas passadas, episódios de migração em massa, escassez de alimentos e agitação social, nunca os cubanos haviam vivenciado um colapso tão amplo da rede de proteção social.

    O bloqueio é uma das causas inegáveis da atual situação – embora certamente não a única – e deve ser considerado no centro de qualquer análise honesta sobre Cuba. Quanto aos protestos e a deslegitimação do governo, tem ocorrido legítimas e pontuais expressões de descontentamento, mas sem uma amplitude e capilaridade na sociedade cubana a ponto da população rechaçar as conquistas da Revolução Cubana

    Fernando Correa Prado, professor da Universidade Federal da Integração Latino-Americana, em artigo publicado no site do governo brasileiro

    CRISE NA VENEZUELA AUMENTOU AMEAÇAS À CUBA

    Os cubanos se preparam para o agravamento da crise econômica depois que os EUA bloquearam petroleiros venezuelanos. No porto de Matanzas, onde petroleiros atracam, postos de gasolina estiveram fechados esta semana, refletindo a crescente escassez de suprimentos. A mais recente ação dos EUA está alimentando o temor de que os já frequentes cortes de energia, que duram horas, se agravem.

    Para Cuba, a perda do petróleo venezuelano é devastadora. Entre janeiro e novembro do ano passado, a Venezuela enviou uma média de 27.000 barris por dia (bpd) para a ilha, cobrindo cerca de 50% do déficit de petróleo de Cuba, de acordo com dados de remessa e documentos da empresa petrolífera estatal venezuelana PDVSA.

    EUA também disseram que querem assessores e militares de Cuba fora da Venezuela. A ordem se estende também a funcionários da China, Rússia e Irã. A demanda teria partido do secretário de Estado americano, Marco Rubio, em conversa com presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez.

    Trump faz posts sobre Cuba e sugere Rubio como presidente

  • Incêndio na Suíça. Porta de serviço do bar estava trancada por dentro

    Incêndio na Suíça. Porta de serviço do bar estava trancada por dentro

    O proprietário do bar Le Constellation, na Suíça, confessou que uma porta de serviço estava trancada por dentro na noite do incidente. O incêndio resultou na morte de 40 pessoas – a maioria menor de idade.

    O proprietário do bar Le Constellation, na Suíça, onde 40 pessoas morreram em um incêndio, confessou às autoridades que uma porta de serviço do estabelecimento estava trancada por dentro naquela noite.

    Jacques Moretti, que está em prisão preventiva, revelou que só descobriu que a porta estava trancada ao chegar ao local após o incêndio, mas não conseguiu explicar o motivo.

    Ao chegar ao bar na madrugada de 1º de janeiro, Moretti disse ter arrombado a porta em questão e encontrado vários corpos do outro lado, segundo a agência France-Presse (AFP).

    As autoridades acreditam que o incêndio tenha sido provocado por velas de foguete colocadas em garrafas de bebidas alcoólicas. As faíscas teriam entrado em contato com a espuma de isolamento acústico no teto do bar, dando início ao fogo.

    Durante o interrogatório, Moretti admitiu ter sido o responsável pela instalação da espuma durante as reformas do estabelecimento em 2015, quando comprou o espaço com a esposa. À época, garante ter feito testes para se certificar de que as faíscas das velas não eram fortes o suficiente para incendiar o material.

    “Nós sempre usávamos uma vela de foguete quando servíamos uma garrafa de vinho no salão”, afirmou a esposa e coproprietária do Le Constellation. Jessica Moretti foi libertada na sexta-feira.

    Jacques também foi questionado sobre a presença de menores no bar, já que a maioria das vítimas fatais eram adolescentes.

    Moretti garantiu que a entrada de menores de 16 anos era totalmente proibida e que jovens entre 16 e 18 anos só poderiam frequentar o local se estivessem acompanhados por um adulto responsável.

    Diante dos fatos, no entanto, ele admitiu que “é possível que tenha havido uma falha no protocolo”, apesar de afirmar que essas orientações haviam sido repassadas aos seguranças do Le Constellation.

    O incêndio, vale lembrar, começou por volta da 1h30 (horário local; 0h30 em Lisboa) de quinta-feira, 1º de janeiro, seguido de uma explosão, no bar-discoteca Le Constellation, na estação de esqui de Crans-Montana. Segundo a promotora do cantão de Valais, “o fogo se espalhou e, à medida que se intensificava, provocou uma explosão generalizada”.

    No dia anterior à tragédia, o município de Crans-Montana havia proibido o uso de qualquer tipo de fogos de artifício, incluindo velas de foguete, alertando para um risco de incêndio “extremamente elevado” devido às condições de seca na região.

    Além disso, o bar não passava por inspeções desde 2020, apesar de elas serem obrigatórias anualmente. Segundo Moretti, o Le Constellation teria sido inspecionado apenas “três vezes em dez anos”.

    Jacques e Jessica Moretti são suspeitos de homicídio culposo, lesões corporais culposas e incêndio criminoso também culposo.

    Incêndio na Suíça. Porta de serviço do bar estava trancada por dentro